O lado cômico da maternidade

os estereótipos, a cuca, uma mãe e o daddy’s boy

25 Comentários

Nunca o céu esteve tão azul. O sol brilhava e inundava os campos pastoris com sua luz outonal. Ah, que tranquilidade era viver longe do burburinho citadino… Pelas colinas verdejantes, corriam livres, ela e o filho, mergulhados na mais plena felicidade. Não havia coração que não se enchesse de regozijo ao ouvir aquelas doces gargalhadas ecoando pelos ares em meio ao gentil sibilar de pintassilgos. Em júbilo, mãe e filho se deixam cair sobre a relva macia. Ela, linda, feminina, cabelos esvoaçantes e perfumados, sobrancelhas bem feitas, semblante sereno, dentes alvos e sorriso franco. Ele, tez rosada, olhos atentos, expressão curiosa, inteligente, mas sobretudo inocente, sorriso pueril. Certamente não teria mais que quatro anos de idade.

Com delicadeza, ele leva as mãozinhas pequeninas à bela face de sua progenitora, lhe ajeita uma teimosa madeixa e declara com ternura “eu te amo, minha mamãezinha linda”. Emocionada, ela sorri para o filho e lhe abraça. De repente, um sofrido choro de criança se irrompe no ar. Quem seria e o que tentava dizer? Ela se vira na direção do choro e identifica as palavras “eeeeeu queeero bolo de papaia”. Pobre criança… que gosto horrível por bolos, onde ela vai conseguir uma coisa dessas? – pensa ela sensibilizada. E se volta para seu amado filho. Mas pra sua surpresa, ele não era mais ele. No seu lugar estava a Cuca – em carne, osso e peruca loira. Ao notar esse último detalhe, ela, que nunca teve muito apreço por tal criatura, sente agora uma inexplicável simpatia por ela. Por que será?

Sem tempo para pensar, ela percebe que a Cuca estende um dos braços em sua direção e tenta lhe falar alguma coisa. Estava chorando, a pobre jacaroa – ou seja lá o que era aquilo – e vai chegando cada vez mais perto. Mais perto. Mais perto. Até, que com uma mão no seu ombro ela diz:

- Eeeeu queeeero bolo de papaia!

____________________

Num sobresalto eu acordo. Abro os olhos e ainda tonta, vejo o Nicolas ao meu lado aos prantos e dizendo “Eeeeu queeeero colo do papai!

Ah, então era isso. Colo do papai.

Eu tento acalmá-lo. “Vem cá, me dá um abraço, eu estava sonhando com você, sabia?”.

- NÃO! – grita ele – Você não! Só quero o papai! Cadê o papai?

- Não precisa gritar. É que hoje ele não trabalha em casa, foi pro escritório.

- NÃÃÃÃÃÃO! Eu quero colo do papai!!!!

E assim começava mais um daqueles dias.

* * *

Lá nos idos da minha vida pré-pré-nicozóica, sempre que cogitei minimamente em ter um rebento, eu pensava que queria menino. Sabe aquela coisa que todo mundo diz que meninos são apaixonados pela mãe e meninas pelo pai? Então. Pois eu, no auge da minha fase narcisista, sonhava que SE algum dia tivesse filho, queria um que fosse apaixonado por mim. Fala sério, existe gente assim? – você pensa.

Tá. Pois eis que me casei, planejamos com carinho a gravidez, nos mudamos pra Australia e tivemos o Nic, olha só – um menino. Por varias semanas tentei amamentá-lo, mas ele só sabia chorar a cada tentativa. Chorava, arqueava o corpo pra trás e me empurrava. Hum, as coisas não tinham começado muito bem. Tadinho, será que ele estava sentindo dor na cabeça quando succionava, já que tinha nascido com ajuda do extrator a vácuo? Será que eu tenho muito leite? Pouco leite? Ou será que ele não gosta de mim, afinal, ele parava de chorar TODA vez que ia pro colo do pai? Varias questões pairavam na minha cabeça e incomodavam meu coração. Seis semanas depois, sem conseguir amamentar, descobrimos que o refluxo era o vilão de tudo. E como sentia dor ao mamar, talvez associasse isso à mim, dona da peitaria. Ou então sentia minha tristeza em não conseguir amamentar e claro, se sentia melhor nos braços do pai, mais tranquilo.

Então ele foi crescendo e aos poucos fui me dando conta que havia sim uma preferencia clara pelo pai. Derrubando todos os estereótipos, ia surgindo ali a olhos vistos, o daddy’s boy. A paixonite por ele era tão grande, que além de querer seu colo o tempo TODO, ainda desenvolveu o hábito, assim que começou a engatinhar, de ir até à porta por volta do pôr do sol pra esperá-lo chegar do serviço. Muito bonitinho, mas uma vez que o pai colocava os pés dentro de casa, não tinha pra mais ninguém. Me lembro que era até difícil pro Rafa tomar banho e jantar, pois o Nic não queria se desgrudar! Eu não reclamava, pois pra mim, que ficava o dia todo com ele, era minha chance de ter um tempinho pra mim. :)

No seu aniversário de um ano, ele me largou com todos os brinquedos na areia e enfrentou o mar gelado pra ir atrás do pai – chorando.

Da ultima vez que fomos ao Brasil, ele tinha 2 anos. O Rafa não pode ficar o tempo todo com a gente pois tinha que voltar a trabalhar. Nos dias que o Rafa estava, Nic só queria saber dele (que novidade!). E quando ele se foi, transferiu seu vínculo a mim ou no máximo a qualquer outra figura MASCULINA. Não teve tia, não teve vó, não teve mãe de santo que conseguisse pegá-lo sem que ele chorasse. Bom, a gente entendia que podia estar sendo coisa demais pra ele. Da nossa vidinha pacata de família pequena lá na Australia, pra uma temporada no Brasil cheio de gente diferente, falando alto, querendo pegar e beijar, podia ser mesmo confuso e assustador.


Então nos mudamos pro Canadá e o Rafa começou a viajar. Pra nossa GRANDE surpresa, o Nicolas NUNCA teve o MENOR problema em ficar longe do pai. Não perguntava por ele e parecia não sentir falta mesmo, ele estava sempre muito feliz. Mas era só o Rafa voltar que a situação se complicava. O Nic chorava muito por qualquer coisa e passou a querer não somente o colo do pai o tempo todo, mas também sua atenção e sua ajuda pra fazer completamente TUDO. Escovar os dentes, dar banho, vestir roupa, colocar pra dormir, brincar, ajudar a comer, colocar na cadeirinha do carro. Tu-do. Surgiu aí um grande empasse. Ao mesmo tempo que o Rafa queria fazer tudo com ele, pra tentar compensar a ausência, a gente sabia que esse não era o caminho. Não era saudável pro Nicolas ter somente a atenção e carinho do pai, nem legal pro Rafa que ficava sobrecarregado e nem pra mim, que ficava de fora de tudo.

Então, passamos a conversar muito, mostrar como os amiguinhos dividiam a atenção com a mamãe e o papai deles e começamos a simular todas aquelas situações com brincadeiras pra ele entender que o papai viajaria mas sempre voltaria, que nós três éramos uma família, que tudo bem querer a atenção do papai, mas que tinha que deixar a mamãe ajudar também, etc, etc, etc. Algumas vezes funcionava, outras não. Mais não que sim, na verdade.

Quando ele fez três anos, o Rafa continuou a viajar e as requisições do Nicolas foram ficando cada vez mais particulares e sem sentido, como por exemplo, o papai tinha que ser o primeiro a dar “bom dia” (!!), ou só o pai podia dirigir o carro (!!!), ou só o pai podia OLHAR pra ele (!!!!). Ou seja, a situação tinha chegado ao seu limite. Tudo bem querer fazer determinada atividade só com o pai, mas que diferença fazia quem pegava o copo de água, quem o ajudava a vestir a roupa e se EU estava olhando pra ele??? Então, toda vez que isso acontecia, explicávamos que a mamãe também podia fazer essas coisas, que eu adorava fazer tudo com ele e passamos a fazer combinados do tipo “mamãe faz isso agora, e o papai faz aquilo depois, que tal?”. Ou “se a mamãe dirigir agora, a gente passa pelo caminho que você gosta, se não, vamos pelo caminho de sempre mesmo”. E outras vezes, simplesmente fazíamos o que dava, independente do que ele queria. Não dava pra amparar qualquer desejo, mesmo sabendo que ele estava confuso.

O quarto dele, que eu pintei com tudo o que ele gosta.

Li muito sobre o assunto. Li aquele livro “Criando Meninos” que não me ajudou muita coisa. E algumas vezes, tentei também ser mais maleável em algumas situações do dia-a-dia ou até mesmo imitar a forma com que o pai brincava. Arremesso? Lembra? Sim, eu tentei. Mas chegou num ponto que desisti. Eu não estava sendo eu mesma. Eu tinha meu próprio jeito de interagir com ele e fazer as coisas, o Rafa tinha o dele, e isso era o legal de se ter mãe e pai, não? Então continuei demonstrando todo meu amor da forma que eu sabia, mas também sendo dura e impondo limites toda vez que precisava.

Depois de muita conversa, muito tempo juntos, houve um período que ele realmente melhorou, relaxou mais. Foi então que a Lily nasceu.

POFT.

Gritos, choros por qualquer coisas, exigências descabidas, sono MUITO agitado, escândalos de madrugada quando eu ia vê-lo ao invés do pai, crises de ciúmes quando o Rafa pegava a Lily e muito sofrimento. Tadinho, ele realmente estava sofrendo e a gente ajudava como podia. A primeira coisa, foi ter a vovó aqui, que veio basicamente só pra fazer companhia pra ele – um anjo. Na presença dela ele lidou muito melhor com a situação toda, já que se sentia seguro e amado o tempo todo. Mas foi só ela ir embora que ele passou a se sentir ameaçado. Primeira reação: desdesfralde. Segunda: crises de choro INCONTROLÁVEIS.

Dias que se iniciavam com “Eu quero colo do papai” e o Rafa não estava, sempre foram os piores. Não adiantava abraço meu, conversa, palavras doces ou tentar mudar o foco. Tudo o fazia chorar mais. Perdi a conta das vezes que ele chorou por 2 horas seguidas, sem trégua e com a mesma intensidade. Aliás, quanto mais longe eu ficasse, melhor, mais chances tinham dele se acalmar eventualmente. Isso partia meu coração em mil pedaços, mas não tinha nada que eu pudesse fazer. Quando ele parava e se reconstituía, voltava a ser o mesmo menino fofo, carinhoso e prestativo de sempre.

O auge da crise aconteceu há um mês, quando coincidiram as visitas da Patti e da vovó Stela. Era uma crise emendada na outra. Mas como auge é auge e depois dele não tem como piorar, as crises foram se espaçando. Ele ainda continua acordando pelo menos uma vez toda noite pedindo pela companhia do pai, mas as exigências de que somente o Rafa pode ajudá-lo ou eu não posso olhar pra ele (ó céus!), estão cada vez mais escassas.

A nave espacial. Na minha mão, o mapa do tesouro intergaláctico, como já tinha mostrado AQUI.

Aliás, desde que a Lily nasceu, ele ainda não tinha me permitido participar tanto de sua vida quanto agora. Pra começar, represento a voz oficial de sua grande amiga imaginária. Também, tenho alternado com o pai na contação de histórias à noite, nas saídas pro parquinho e brincadeiras em geral. Mas o mais memorável, foi o dia em que estávamos todos na sala assistindo a um filme e, totalmente sem precedentes, ele vira e ME chama pra pilotar sua nave espacial. Consegue imaginar minha emoção ao ouvir “mamãe, deixa a Lily com o PAPAI que eu quero brincar com VOCÊ”?

Tô vivendo um verdadeiro sonho, gente! E sem Cuca de peruca, viu? :)

___________

Ontem, indo ao parquinho:

- Ih, Nic, esqueci de colocar a roupa pra lavar! 

- Tudo bem mamãe. Olha, a gente vai no parquinho agora, fica só 2 minutinhos, aí a gente volta pra casa e eu te ajudo a lavar a roupa, tá bom?

- Oba, tá bom! E o que a gente faz com a Lily?

- Ah, deixa com o papai.  :D

About these ads

25 thoughts on “os estereótipos, a cuca, uma mãe e o daddy’s boy

  1. NOSSA Lu, que aflição! Quase chorei aqui! Olhando essa família tão feliz ninguém diz que se passa algo assim… mas é inevitável, em toda família existe alguma crise, imagino o teu coração e o que se passou pela tua cabecinha, menina de deus!
    Iria sugerir terapia, psicologa ao Nic, mas estando fora do país e ter de falar outra língua é difícil pra caramba né?
    Tomara que continue assim e as crises passem! Imagino o Rafa também saindo pra viajar com o coração na mão sem saber como seria… nossa Lu, fiquei impressionada mesmo! Crises de choro (duas horas seguidas ainda por cima) me chocou! acho que choca qualquer mãe! Me coloquei no teu lugar, no do Rafa, no do Nic…… e doeu estar em todos!

    Sonho louco, fotos lindas, desenhos pintados ma-ra-vi-lho-sos!

    Fiquem bem! Fiquem em paz! Fiquem com Deus!
    Ai Lu, sinta-se abraçada -bem forte!

  2. aaaaaah, n foi =/ que será que aconteceu…
    bom, eu tinha feito um longo comentário Lu, do tipo como me coloquei no lugar de cada um de vcs e como deve ter sido/é difícil enfrentar tudo isso……
    quase chorei lendo, muito chocante pra uma mãe ler isso, sério…
    queria te dar um abraço!
    muito louco o sonho, muito lindas as fotos, muito muito muito lindos os desenhos no quarto do Nic, tu é uma artista e tanto!
    Fiquem bem, fiquem com Deus!

    • Queridona, chegaram todos. Nao sei porque, estavam indo pra caixa de spam. Muito obrigada pelo(s) seu(s) comentário(s), seu carinho, ta? Eu nunca tinha falado desse assunto porque na verdade me incomodava um pouco. Nao no inicio, mas com o passar do tempo sim. Minha relação com o Nic sempre foi OTIMA (vide vários posts que tenho sobre eu e ele), mas DESDE QUE o pai nao estivesse por perto. Estranho, né? Eu sinceramente, nao acho que seja algo contra mim, mas sim, a favor de mais do pai. E o que era uma simples dificuldade em lidar com os sentimentos, foi virando algo patológico… Sei lá.

      Na fase mais intensa, cheguei sim a procurar um profissional pra nos ajudar, pois eu já nao estava sabendo lidar com a situação. Mas logo em seguida ele foi melhorando, então nao cheguei a marcar consulta. Hoje está cada mais diferente, parece que mais maduro, como se estivesse aprendendo a lidar com aquela obsessão pelo pai e dividindo um pouco comigo (nao a obsessão, mas o carinho). Bom, daqui uns dias o pai viaja de novo e fica 22 dias fora! Nesses dias, eu sei que morro de cansaço por cuidar dos dois sozinha, mas o Nic fica bem. Estou curiosa pra saber como será depois da viagem… Volto pra contar.

      Beijos, ta? Senti o abraço daqui! :)

  3. Lu, bem complicada essa situação, ainda bem está passando a fase. Aqui temos esse problema também, mas ao contrário: Clara muitas vezes só aceita que eu faça as coisas pra ela. De manhã quando acorda ela me chama e se o pai vai ela berra e não deixa ele pega-la. Muitas vezes qdo saímos ela pede colo, mas tem que ser o meu, que não aguento carrega-la por mto tempo. Pra tirar do carro tem que ser eu, e por aí vai. Acho que já melhoramos bastante tb, as coisas já foram bem piores. Claro que eu quero que as coisas se equilibrem, mas eu confesso que se ela quisesse o pai pra tudo eu ia sofrer muito. hehehe

    • Oi Kelly! Acho que essa situação é a mais comum, nao é? E nao quer dizer que ela nao goste do pai, nao? Mas por vários motivos, prefere a atenção da mae. Aqui foi do pai. Espero de coração que tudo esteja se equilibrando. Aqui e aí também. Equilibrios são sempre bem vindos, né?

      Beijos e obrigada por suas palavras!

      Lu

  4. Lu, eu sempre quis uma menina, mas por um instante pensei como você: “Um menino vai me amar mais!” Hehehehhe… Mas olha, achei muito respeitosa a forma como você lidou com tudo isso. Você soube ser forte, dosar, enfrentar a situação. Há alguns dias, a Beatriz teve um lapso de grude no pai por uns 4 dias. Foi o fim de semana e o começo da semana. Fiquei irritada e cheguei a culpar a aula de ginástica que eu lidero no domingo. Mas a professora da creche me explicou que são fases super naturais de apego a um dos pais. Algumas fases são longas, outras duram poucos dias. O mais importante é que ele ama os dois. Tem crianças que rejeitam o pai, o que é complicado também. Então amiga, continue firme, abusando dessa maturidade e equilíbrio que te ostenta. E parabéns por compartilhar uma situação delicada de forma tão leve e carinhosa. Te admiro viu? beijo no coração.

    • Amiga, muitíssimo obrigada pelas palavras carinhosas, tá?

      Eu, com isso tudo, aprendi que não tenho o menor problema em dividir, sabe? Me entristeci muitas vezes sim, mas não porque achava que eu não estava sendo boa mãe, por me arrepender de algo, mas por não saber lidar, tirá-lo daquela obsessão tão forte pelo pai e ajudá-lo a enxergar que eu sempre estive ali do lado dele, pronta pra dar colo, carinho, amor. Eu não sei se agora passa definitivamente, mas sei que há uma luz no fim do túnel. Hoje pela manhã por exemplo, ele acordou, viu que o pai não estava, chorou por uns 5 minutos (raro!) e depois ficou lá do quarto dele dizendo “quero colo da mamãe”. Eu fui lá (daí foi a Lily que chorou, porque eu saí de perto) e trouxe ele no colo pra minha cama. E ali ficamos os três brincando de esconder nas cobertas… E como foi até hoje, continuo tendo paciência e esperando o tempo dele. :)

  5. Que coisa, Lu, nunca imaginei que a sua relacao com o Nic fosse assim, complicada. O mais legal de tudo é que vc nao mencionou aquela palavra que anda em voga nuns blogs (a tal da culpa). Enfim. Realmente, as criancas têm preferencias (pensa consigo mesma se voce prefere sua mae ou seu pai!), e é interessante ver uma preferencia assim, pelo pai, taaaaaao no comeco. Mas, olha, pra compensar, voce pariu um filhote de canguru chamado Lily que, pelo que ja percebi, nao houvesse pai ela ficaria muito bem no mundo? acho que a gente tem que se preocupar em melhorar os relacionamentos que não são tão preferidos. Escrevi sobre isso agora ha pouco, dá uma olhada; mas a gente tem que trabalhar as criancas pra que elas gostem e se deem bem com o outro, no meu caso, a elena com o pai. E aproveitar enquanto ainda há esse grude; uma senhora me contava uma vez que uma de suas filhas aos dois anos desafiava a mae, e agora aos 18, diz que a odeia. Imagina voce ouvir de um filho “eu te odeio?”. Cruel, ne? Curtamos os bebes grudentos, cuidemos dos que grudam nos outros, e aproveitemos, porque quando se tem criancas, os dias demoram a passar mas os anos voam.

    • Mari querida, pois é, ninguém imaginava… Eu já falei um pouquinho aqui, um pouquinho ali, mas nunca assim, com todas as letras. E interessante vc notar que não mencionei a palavra culpa, porque simplesmente jamais me senti culpada por isso. Isso nunca passou pela minha cabeça, não nessa situação. Culpa eu sinto quando sei que poderia ter feito, mas não fiz. E nesse caso não, estive sempre ali, pronta pra ele.

      E realmente, em contrapartida, tenho agora a LIly, que não desgruda de mim um segundo. Será que aqui em casa serão dois extremos? Espero que não!

      De qualquer forma, obrigada pelo carinho e vou lá ler seu post!

      Beijocas!

      PS: Adorei o “os dias demoram a passar, mas os anos voam”. Pura verdade! :D

  6. Querida amiga…. que difícil…. e vc nunca comentou isso no blog? Não dessa forma, claro…

    Que difícil, pq vc sabe que ele não faz por mal, vc sabe que ele te ama, vc sabe que é a mãe dele e que ele gosta muito de vc, mas é claro que ele prefere o pai para tudo… nossa, que difícil, eu não sei como lidaria com isso.
    E realmente não dá nem para falar que é fase, pq se é assim desde que nasceu…. eu espero que essa “fase” não passe tão cedo!

    De fato, tem que ter equilíbrio para lidar com tudo isso. Imagino a sua cabeça às vésperas de parir a Lily, com um filho que vc não saberia como reagiria, um parto um tanto inseguro na cabeça (mas já contando com ajuda), uma vida nova a chegar e vc ali, sem saber se a bomba explodiria ou IMplodiria com o nascimento da Lily.
    Pelo jeito, ela implodiu! =)
    Depois de crises e do auge, parece que ele está começando a te “aceitar” mais.

    Inegavelmente, vc é a mãe dele e eu acho que em qlq aperto, sem o pai, seria vc mesmo. O problema é ser preterida por conta do pai o tempo inteiro. eu ficaria chateadíssima e me perguntaria o que estaria fazendo errado. espero que vc não tenha caído nessa armadilha.

    Um beijo enorme para uma amiga que mais uma vez me demonstrou ser uma fortaleza, que menina forte meu Deus!

    Beijos!!!

    • Amiga, já comentei de relance… bem de raspão. :) Mas não é um assunto fácil, ainda mais porque nunca consegui elaborar muito bem o que se passa na cabecinha dele na hora das crises… Hoje meu coração está mais tranquilo a esse respeito, então consegui escrever.

      E sim, eu sei que ele me ama e nós nos divertimos muito juntos. Ele passa 90% do tempo comigo, né? Então não tem como não sermos cúmplices. Mas com o pai presente, realmente ficava complicado. Eu espero de coração que a “nova fase” venha pra ficar, porque é tão mais gostoso… Me sinto tão mais leve de poder simplesmente passar a Lily pro pai e fazer coisas com meu menininho. Realmente, tem sido uma sensação nova pra mim. To adorando e torcendo muito pra que continue assim.

      (e não, eu não mudei nada do meu tratamento com ele… quem mudou foi ELE. :))

      Beijos com carinho e muito obrigada por suas palavras!

    • Dani, esqueci de falar, que realmente a chegada da Lily foi um momento tenso… Eu não fazia ideia de como ele iria se comportar e FELIZMENTE a bomba não explodiu pra cima dela, que era meu medo. Nunca Nic tentou nada agressivo contra ela (a não ser brincadeiras sem noção normais) e a ama muito mesmo, tem super carinho por ela. Isso foi um verdadeiro alívio pra gente!

  7. oi Lu….
    Primeira vez escrevendo aqui na sua “casa”, mas já te acompanho a muito tempo!!!!
    Nossa, lendo seu post parece que esta descrevendo a minha filha. Ela tem apenas 1 ano e meio, e assim como o Nic demonstra muita preferência pelo pai. Se estou sozinha com ela, é outra coisa, brincamos, nos divertimos, damos muitas risadas, mas é o pai chegar que ela se transforma em outra criança, só quer saber dele, fica manhosa e não quer vir comigo. Às vezes fico chateada, não falo pro marido, mas fico… e já me perguntei também onde eu estava errando. Acredito que seja por ela ficar menos tempo com ele. Pois quem está ali firme e forte todos os dias, educando, cuidando, dando bronca, ensinando…somos nós, as mães. Só que assim como você não fico me culpando, pois sabemos o quanto nos doamos e o quão tamanho é o nosso amor pelos filhos. Acho que a medida certa é o equilíbrio, assim como você faz. Com amor e carinho tudo vai se encaixando não é mesmo?
    A sua família é linda, e a felicidade é estampada no rostinho de vocês.
    Fiquem com Deus viu.
    Beijos

    • Ei querida!

      Bem vinda! Olha, não é fácil sentir rejeição pelo filho…eu falo de cadeirinha. Mas acho que é muito importante manter sempre o foco de que são crianças, que ainda não conseguem lidar com os sentimentos ou dosar demonstrações de afeto. Pra eles pode ser tudo ou nada sim, porque não né? E como estão na idade da reafirmação das escolhas, fica ainda mais complicado… Principalmente os mais passionais, que lutam pelo que querem, nem que pra isso têm que chorar 2 horas seguidas.

      Eu, só fico torcendo pra que essa paixão toda do Nic em demonstrar que quer o pai, vire algo produtivo no futuro, sabe?

      Mas tá melhorando. Tá sim. E espero que por aí melhore também, que as coisas se equilibrem no seu tempo. Paciencia e força, viu?

      Beijos!

  8. Lu,

    Desta vez eu não resisti. Esse sonho seu é o cúmulo da bizarrice!!! hahaha E as palavras?! Campos pastoris,luz outonal,burburinho citadino,regozijo,doces gargalhadas ecoando pelos ares em meio ao gentil sibilar de pintassilgos, em júbilo!!!!! hahaha, relva,dentes alvos e sorriso franco (lembrei da Lily), TEZ rosada!!!!!sorriso pueril!!!!!

    Mas uma coisa é certa: Aurélio deve estar muito feliz, esta onde estiver, por ver – espero que ele veja – uma pessoa usar tantas palavras outrora esquecidas!

    Hilário!!!

    Ah! Enquanto eu lia me lembrei da sonoridade do Nic falando “Eu quero o colo do papai” hahaha

    Que essa nova fase dure muuuuuuito! Vc merece!

    Beijos

  9. Oi Lu,
    Eu fiquei sem saber se comentava ou não, porque o seu texto mexeu muito comigo e acabei ficando sem palavras. No começo você disse do seu desejo por um menino por causa da preferência que eles tem pela mãe e eu sorri por dentro, me identifiquei na hora. Acho que foi por isso que fiquei assim, meio abalada enquanto lia sobre a relação dele com o pai… Não imaginava mesmo que era desse jeito com vocês, e fico feliz que as coisas estejam caminhando pra melhor.
    Um beijo!

  10. Lu do céu, perrengue grau master!! Mas vc com toda paciência vai tirando de letra… Parabéns e siga firme e forte!! Bjos :*

  11. Ay Lu, ri muito com seu sono, vc ‘e demais para escrever seus post, sempre fico esperando o seguinte e o seguinte, mesmo que nao sempre tenho tempo de responder alguma coisa, sempre q chega na caixa postal eu leio seu blog antes do que o jornal sabia? rsrs. Sabe que adoro do seu blog? (devo confessar que ‘e o unico blog que acompaño) que vc de alguma forma da conforto para mim, pois coisas como as que vc passou com Nic, eu tb passei com minha bixinha quando chegamos em Oz, mudanca de 360 graus..ja passou tanto tempo que prefiro nao entrar em detalhes, depois de muito trabalhar em mim para entender o que estava acontecendo, e deixar o tempo passar com paciencia e amor, descobri que ‘e mais uma etapa dela, claro logicamente ela Super AMA e ate posso dizer Venera (sera assim em portugues? :)) ao seu papito, mas ja nao tem crisis de choro a noite se ele nao vai na cama, etc..posso fazer o q for por e com ela, so nao posso abrazar e dar beijo no papi com ela junto, rsrsr, fica ciumenta demais. so mais uma anecdota, faz dois dias entre na banheira em quanto ela estava tomando banho, menina ela ficou tao feliz que nao sabia o q fazer para me agradar, quando salimos queria preparar a janta para mim, queria me por perfume para eu ficar cheirosa, coisa q so fazia com papi..bom..so o AMOR ‘e o caminho, e da para ver q vc tem se sobra. Valeu mais uma vez Lu, e a todas as ladys que escreveram para vc, todo dia uma aprende algo novo. Besos cariñosos.

    • Gi, querida… Vc sempre tão carinhosa! Muito obrigada pelas palavras de conforto, pelos elogios, tudo. Adoro sempre ouvir o que vc tem a dizer. Sinto muito que vc tenha passado pela mesma coisa e feliz por saber de momentos como estes da banheira. Tão bom, né? Eu, depois de tudo isso, aprendi cada vez mais a dar valor à pequenos momentos com meus filhos, à pequenas demonstrações de amor. Um forte abraço!

  12. Minha nova querida amiga, que post comovente! Quanta emoção despertou em mim. Um transbordar de sentimentos, no qual só quem é mãe entende perfeitamente tudo que escreveu. Sofri junto com você e tenho lá meus momentos de tristezas e preocupações também.
    Que bom que a “crise” passou e que vocês passaram a ter momentos deliciosos juntos. Fiquei imaginando você tentando entender, modificar toda a situação. Um mega desafio! Sabe que acredito que há maiores afinidades entre os filhos e os pais, mas de maneira alguma queremos que seja dessa forma. Não é mesmo?
    Confesso que já me peguei pensando sobre essa questão, pois já vivi situações similares com o mais velho Felipe. Talvez por que tenham mais atenção do pai, são correspondidos e entregues totalmente ao momento. Sei lá Lu! Difícil mesmo! Mas a realidade é que sempre estamos a mil, pensando em mil coisas, talvez eles pressentem…. Agora, ainda mais com a chegada da irmã, no meu caso com a chegada dos irmãos. Também melhorou muito a minha relação com o mais velho ( e olha que vivi uma parcela pequena). Outro dia mesmo estava conversando com a Cíntia sobre isso, por não ter vivido como gostaria o primeiro ano de vida do meu mais velho (morando no Brasil, trabalhando, delegando algumas coisas para a babá). Hoje visualizo tudo muito diferente e sou muito grata por acompanhar cada passo dos meus filhos, sabe?
    Bom você ter compartilhado conosco. Uma forma de organizar seu pensamento, de colocar para fora e brindar conosco. Parabéns pela excelente mãe que é e pela batalha diária que tem morando fora do seu país.
    Um grande beijo.

  13. Nossa que coisa viu! Sou mãe de duas meninas e já estou meio que acostumada com esse sentimento de rejeição, o papai chega em casa e as duas desesperadas correm para ele. Nossa as vezes sinto como se fosse uma bruxa malvada e o papai o príncipe que veio salvar as princesas :-) Minha mais velha, agora com 3 anos e meio, era assim como o Nic, grudada no pai. Logo depois que a irmã nasceu ficou pior, mas agora está bem melhor e as vezes prefere que eu faça alguma coisa com ela ao invés do pai (que emoção!).
    Você levantou uma questão interessante em relação ao refluxo. Minha mais velha tinha um apego desesperado pelo pai, que eu achava que era coisa de menina mas será que o refluxo lá do comecinho não influenciou? Também tive problemas na amamentação dela, que só melhoraram depois que começamos a tratar o refluxo.
    A segunda é grudada com o pai mais nem tanto quanto a outra, por enquanto ainda sou a dona das divinas tetas ;-)

  14. Olá Lú,
    daqui desejamos que Nic cresça sempre feliz com mamãe, papai e Lily por perto……
    Aproveite bastante os convites dele então…….
    Beijos a todos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 529 outros seguidores