O lado cômico da maternidade


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A surdez seletiva, o caminhão com lama e o eco materno

Aconteceu num daqueles raros momentos em que consigo mergulhar tão completamente no meu trabalho, que qualquer conversa ao meu redor soa como uma aula da professora do Charlie Brown.

O máximo que consigo escutar, algumas vezes, é a última palavra de cada frase. Máximo. Tudo o mais é caótico, embolado e ininteligível.

Numa dessas, chega meu menino Nicolas.

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Ele tem um plano audacioso em mente, mas decide sondar o terreno e avançar com sua tropa com cautela.

E me pede pra brincar com um caminhão que eu tirei de circulação por um mês, há uns dias atrás, por motivo de mal comportamento. Não do caminhão, do Nicolas – que fique bem claro.

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O Nic sabia que em situações normais eu não cederia, mas como balbuciei qualquer coisa vaga e não disse “não” de cara, seu peito se encheu de esperança e prosseguiu. Me perguntou se tudo bem pegar uma cadeira pra alcançar o caminhão lá encima do armário.

Eu só escuto que ele quer pegar uma cadeira. Pois que mal há em se brincar com uma cadeira, gente!!! Prossiga, jovem criança!

E dou o passe livre.

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Ele se empolga.

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Mas suas palavras entravam nos meus ouvidos de forma distorcida e enfadonha. Era como se eu estivesse escutando um advogado gago tentando me explicar o histórico do sistema jurídico e tributário ao fazer meu imposto de renda. Tá brincando? Me dá logo esse documento que eu assino!

Com isso, a imaginação do meu pequeno deslancha enlouquecida.

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Totalmente sem limites.

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E sem me dar conta, assino o documento autorizando a transferencia de todos os meus bens pra um estranho.

O Nic sai correndo radiante.

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Tão radiante, efusivo e satisfeito, que chego a desconfiar que alguma coisa estivesse errada.

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Pra imediatamente descartar ideia tão absurda! Imagina!!!

Ele não passa de uma criança de gostos simples, feliz por conseguir permissão pra ir ao banheiro e tomar água!

Graça de menino!

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Até que um tempo depois, algumas palavras começam a voltar, irradiando como um eco na minha cabeça.

Taí uma habilidade que muitas mães têm, mas ignoram: a habilidade de ouvir ecos de um passado não tão distante.

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E sou atingida por uma realidade estarrecedora.

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Meu filho podia estar naquele mesmo momento, construindo uma elaborada rampa pra brincar com um caminhão cheio de lama no meu banheiro!

E saio correndo descontrolada.

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Chegando justo em tempo de evitar o pior.

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Claro que:

- Dona Lily não tava nem aí pra festa da lama que estava prestes a acontecer.

- O Nic ficou meio decepcionado, mas entendeu que tava mesmo bom demais pra ser verdade. E brincou horas com o caminhão cheio de lama lá fora.

- E eu? Bom, eu tenho me esforçado muito mais pra ouvir cada palavra do que dizem quando estou trabalhando.

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A-HÁ!! Achou que eu não fosse escutar, né?

Pois sou esperta!

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Um carro, duas crianças e um sorteio

Eu não sei como é aí, mas aqui não tem nenhum passeio de carro que salva mais.

Todos começam assim: enganadores. Um exemplo de comportamento infantil e curiosidade acerca do mundo e livros que os cercam. Orgulho me define.

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Até que ELE chega. O Espírito de Porco.

Nossa, tá pra existir criatura mais traiçoeira e ardilosa que essa, viu? Porque o velhaco começa assim, sugestionando com simpatia e risinhos, que a irmã tire os sapatos, a touca, e todo e qualquer enfeite ou adereço que lhe complemente o visual feminino.

Funciona toda vez.

Na sequencia, ele inicia a tortura psicológica. Sabe aquela coisa irritante de fazer que quaaaaaaase encosta no braço dela mas não encosta? Ou na cadeira? Ou na boneca? Então. Adorável.

Daí, a irmã, que é toda não-me-toques-e-sai-com-esse-dedo-pra-lá, claro que se descabela inteira com uma bobeira dessas. Tinha, né? Porque pra cada criatura incomodenta, há que haver uma incomodada. Lei da natureza.

Assim, todo o resto do passeio é isso aí, colegas.

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Um júbilo!

E não adianta pedir pra parar, conversar, ameaçar, nada. Quando o espíritodeporquice chega, ele se instala.

Até claro, os últimos 5 minutos que precedem a chegada de onde é que seja que estamos indo. Daí a criatura zombeteira vai embora, o menino emburra e a menina dorme.

Falha nunca.
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E os pais? Ora, enquanto o pau quebra lá atrás, claro que o mesmo acontece na frente  os pais  aproveitam pra sorrateiramente abaixar o volume daquele CD infantil que eles não aguentavam mais escutar! Afinal, pra um casal que essa semana completa 9 anos de casados, só de poder fazer um passeio sem ouvir a dona aranha subindo pela parede pela 678a vez, já é mais que lucro!

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E HOJE TEM SORTEIO GENTE!

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As ilustrações foram desenhadas e gentilmente doadas por aquela ilustradora podre de famosa da Lalelilolu Studios, sabe? Então! Ela falou que pra participar do sorteio, basta dar uma olhada numa das lojas dela (a Etsy ou a tupiniquim) e contar nos comentários quais são as duas ilustrações que você mais gosta. Ela também acrescentou que:

1. Vale pra qualquer lugar do planeta (Terra, né gente, por favor!)

2. Se curtir a página dela no Face, ganha mais uma entrada. Daí é só deixar outro comentário pra falar que curtiu.

3. Se curtir a minha página no Face, ganha mais uma (olha que fofa!).

4. Se você clicou em Odeio esse blog!!! lá encima no menu já foi eliminado. :)

5. O sorteio acontece na próxima sexta, dia 28 de Fevereiro, 20 horas (horário de Brasília).

PS: Só vale ilustrações tamanho 21.6 x 27.9 cm (infelizmente os Posteres do Alfabeto de Animais não entram no sorteio)

É isso! E boa sorte, queridos leitores!

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SORTEIO ENCERRADO!

Foram 172 entradas válidas e o número sorteado pelo Random.gov foi o 145!

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PS: Se você participou do sorteio, não ganhou, mas queria muito uma ilustração, a tal ilustradora está dando 20% de desconto até o final de abril de 2014. Basta entrar com o código “GIVEAWAY”na hora da compra (em qualquer uma das duas lojas) . Mas só vale pra quem participou, ta?


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Hoje ela faz 2 anos!

E completa com absoluta perícia e precisão, mais uma translação elíptica ao redor do sol. Sem cursinho na NASA, sem muito planejamento ou ponderação. Simplesmente foi lá e descreveu sua órbita.

Copérnico teria morrido de orgulho.

0À medida que essa menininha prodígio executava solstícios e equinócios, a comunidade científica observou com admiração o seu notável crescimento e desenvoltura perante a vida. Em apenas l ano sideral ela se tornou muito mais pitizenta confiante, teimosa persistente e insubordinada independente. Um sucesso!

Olha só que delícia é ter uma criancinha de 2 anos em casa!

  • Ela já se veste e calça sozinha.

1

  • É artista experimental nata. Adora explorar cores, materiais e é grande fã das grandes telas.

3

  • É super familiar com o penico e  insiste sempre em usá-lo.

9

  • Tem a mente aberta e não está nem aí pra quem a critica por levar uma vida de contradições.

2

  • Fala que nem uma matraquinha pobre na chuva, e apesar de todas as 467 novas palavras recém incorporadas ao seu vocabulário, sua preferida ainda é NÃO.

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  • Faz questão de comer sozinha e o faz muito bem – exceto pela mania de virar a colher 180 graus pra baixo ao chegar com a comida na boca e  sua peculiar forma de comunicar que não quer mais. (Vale ressaltar que um estudo científico está sendo realizado pra explicar porque a quantidade de comida que termina no chão é sempre maior que a que estava no prato. Conto tudo se chegarem a uma explicação lógica).

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  • Uns a chamam de intransigente e radical, eu prefiro considerá-la uma apaixonada por suas causas. Água no copo verde/rosa/azul, por exemplo? Um insulto!

5

  • É extremamente carinhosa e companheira.

4

  • Mas às vezes, incrivelmente independente e emancipada. Ah sim, e sempre destemida. Sempre.

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  • Tem alma lúdica e suas brincadeiras preferidas dentro de casa são esconder (sempre com pelo menos 3/4 do corpo pra fora e de preferência nos mesmos dois lugares) e derrubar torres (do irmão, claro!).

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  • É super prestativa e está sempre disposta a ajudar com a limpeza! (embora nunca  jogue pro mesmo time de quem está limpando.)

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  • E como se não bastasse tanta qualidade, essa menininha esperta ainda é a dona do beijo mais molhado e gostoso do mundo! Dá pra acreditar na minha sorte?

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Lily da mamãe,obrigada por trazer mais cor à nossa vida! Você me completa, me inspira, me diverte. Obrigada pelo seu sorriso aberto, pelo seu choro forte e saudável desde o dia que você nasceu , por me mostrar que posso amamentar, pelas musiquinhas que canta o dia todo com sua vozinha de fada, por chamar “mamãe” 678765 vezes por dia, por gostar tanto de me ouvir contando histórias, por gosta de escovar os dentes, por comer tão bem, por dormir tão bem, e tantas, tantas outras coisas.

Mas sobretudo, minha querida Lily, obrigada por ter me escolhido pra ser sua mãe. É uma honra pra mim poder segurar sua mãozinha e te conduzir pela vida. Te amo do fundo do meu coração!

Seja sempre feliz!


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Do ski-bunda ao divórcio

Atire a primeira fralda quem nunca teve preguiça de fazer um programa com as crianças.

Porque é todo um processo, né gente? Correr atrás da criatura que foge rindo com a fralda metade posta, metade desbeiçada. Convencer o mais velho de que cueca não é touca. Conseguir a proeza de vestir e alimentar todo mundo a tempo, e claro, preparar aquela bagulhada toda pra levar, pra no final descobrir que esqueceu a coisa mais importante de todas – seja lá o que for essa coisa naquele dia.

Daí, chegando no lugar, você ainda tem que ter a presença de espírito pra separar motins, apaziguar disputas de posse, conter pitis, lidar com sono fora de hora, comida fora da boca, cocô fora da fralda. Tudo isso, além de conviver com a frustração de nunca conseguir terminar uma frase sequer com um outro adulto. Nunca.

Mas é aquela coisa. Nos dias que você mais espera que vai ter problemas, são os dias que todo mundo mais se diverte.

E vice-versa.

* * *

Acordei radiante.

Fui tomar meu banho e saí cantarolando aquela musiquinha super fofa, descontraída e que nunca sai de moda… Como é mesmo o nome, gente? Começa com “da da da”? Ah sim, King Kong e seu King Konguinho! Pena que o Nicolas pediu pra eu parar… Talvez eu tenha exagerado na coreografia.

Mas enfim. Não ligo, pois quem saiu perdendo foi ele.

O importante é que estávamos todos animados pra ir pras montanhas brincar de tobogã na neve! O famoso ski-bunda. Há semanas que o Nicolas vinha rezando essa ladainha de que queria fazer tobogã e pra nossa sorte, dona Lily acordou toda feliz e bem humorada. Tão bom quando as crianças já estão maiorzinhas e a gente sabe que vão se divertir, ne?

O marido fez panquecas pro café-da-manhã e estava mais disposto que o usual. O lugar fica só a 45 minutos de carro e a previsão era de sol com temperatura amena de 3 graus.

No caminho fui sorrindo e imaginando nosso passeio.

nicolilando_expectativa_maternidade_inverno_canadaBrisa fresca, madeixas ao vento, céu azul, dia ensolarado.

Crianças se divertindo, toboganando felizes e claro, protegidas com seus equipamentos de segurança pessoal. A cada descida, uma comemoração, vários uhuuus, vários abraços. VÍNCULO.

Eu, tomando meu chocolate-quente (mas não tão quente) orgânico, feito de cacau equatoriano, e aproveitando pra registrar cada momento com fotos espontâneas, nítidas e de fundo levemente desfocado. Captando com naturalidade cada sorriso, cada olhar de entusiasmo, cada abraço trocado.

No meio desse misto de euforia e serenidade, engulo seco ao notar um aviãozinho circulando em círculos com uma faixa pra mim. Nela se lia “te amamos”.

Oinnnnnnnn! Que fofos!!!

Até que chegamos ao destino. Acordo com uma baba sorrateiramente escorrendo no canto da minha boca.

nicolilando_realidade_maternidade_inverno_canada

Olho pro céu e vejo tudo cinza. Nada de sol, vento gelado e úmido. Fico pensando como o clima pode mudar tanto com 45 minutos de carro.

Olho pra Lily e vejo ali a expressão de uma criança emocionalmente desestruturada. Terá ela visto o Abominável Monstro das Neves no caminho? Não duvido.

- Quer sair do carro, Lily? – pergunto

- NÃO!!!!

- Quer ficar no carro?

- NÃAAAAAAO!!!!! – responde ela brava. O famoso paradoxo metafísico aplicado.

Não quer capacete, não quer luva, não quer brincar. E fico pensando como pode uma menina mudar tanto de humor após 45 minutos de carro. Logo ela, que gosta tanto de usar essas coisas e brincar na neve.

Já o Nicolas, pra quem passou as últimas 3 semanas me atazanando com essa conversa de tobogã, me surpreendeu ao de repente se tornar uma criatura estranha comedora de neve. O menino deve ter comido pelo menos uma montanha inteira nas duas horas que ficou lá sentado. Presenciei a olhos vistos os efeitos antropológicos na paisagem moderna.

Claro que o pior foi aguentar as suas constantes idas ao banheiro pra fazer xixi depois.

No mais, não teve avião com faixa, não teve sol, nem chocolate quente.

Mas teve alguém que apesar dos choros e das esquisitices das crianças, conseguiu se divertir e muito. Meu marido.

Puto.

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Já deu pra perceber que comecei a fazer posts ilustrados e não vou conseguir mais parar, ne? Tudo culpa de uns blogs americanos que amo – esse e esse. Além desse livro.


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A história ilustrada dos Laticínios Zumbi – o estabelecimento que nunca fecha(va)

Era uma vez uma menininha que não gostava de dormir sozinha.

Não que ela dormisse grandes quantidades ininterruptas quando estava com companhia. Ah, isso não.

Mas dormia, pelo menos algo que fosse.

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Uma de suas maiores dificuldades, era ignorar a irrestível Fábrica de Laticínios que ficava ali bem do seu lado e – vejam que sorte! – funcionava 24 horas por dia. Uma verdadeira tentação, especialmente pra uma garotinha daquele tamanho.

Assim que, por mais que a menininha se esforçasse pra continuar dormindo (e como se esforçava!), acabava acordando e batendo na porta da fábrica a cada 2 horas.

Toda santa noite.

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No início, a fornecedora liberava o estoque de bom grado, mas após 16 meses de distribuição ilimitada, a boa provisora acabou por ficar num estado deplorável. E realmente muito preocupante.

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Tanto a exaustão, quanto a terrível suspeita de que a pequena meliante consumidora estivesse abusando do fornecimento gratuito, em especial no turno noturno, levaram a dona do Laticínio a interromper os serviços de 24 horas.

Mesmo sabendo que poderiam haver piquetes.

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Construiu então um anexo às instalações industriais e gentilmente convidou a menininha a se mudar. Ela ainda teria a segurança de ter seu dormitório perto da fábrica, mas teria apenas água caso necessitasse se hidratar à noite.

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Mas não deu muito certo.

A menina conseguia pular os muros, e continuou interrompendo o sono (e os sonhos!) da dona da fábrica e demandando o produto lácteo várias vezes na noite. Se lhe ofereciam água, era um escândalo! Como tinham o desplante de oferecer algo tão ralo e sem gosto a uma freguesa tão fiel?

Assim, a dona da Fábrica se deu conta que deveria tomar medidas mais drásticas e decidiu proceder com o desligamento completo da pequena bezerra, migrando seu dormitório pro setor onde hoje dorme o antigo consumidor – o qual já está com 5 anos de idade e tem um sono de pedra.

(Deus conserve.)

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Ela então, vestiu a menina com um saco de dormir – que além de mantê-la quentinha, também teria a função de dificultar eventuais mobilizações noturnas -, fez festa, comemorou as novas instalações e foi pra sua cama com o peito cheio de leite esperança.

Até que, pra sua completa estupefação e assombro, às 2 da manhã lhe aparece a pequena meliante, que conseguiu driblar a segurança, saltar os muros do dormitório mesmo usando aquele saco de dormir e andar sozinha por corredores escuros até encontrar as instalações lácteas.

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Nisso, a verdade caiu como uma bomba na cabeça da fornecedora: a fábrica teria que mudar de endereço.

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Jogando no lixo toda sua dignidade, a fornecedora passou a escapulir sorrateiramente toda vez que a fugitiva vinha procurar refúgio à noite.

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Enquanto isso, o encarregado de plantão ficou responsável por conter os protestos da piqueteira.

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Foram várias noites de consolo e colo, até que num belo dia a menininha aceitou sua nova condição. Mas como crianças são criaturas de hábito, ela continuou escapando de seu dormitório toda noite. A dona da fábrica não viu portanto, outra alternativa senão permanecer no seu novo endereço.

E todo mundo passou a dormir muito bem.

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Até o encarregado do turno da noite ter que viajar. Damn it.

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Agora, a menininha que ainda acordava uma vez toda noite, teve que ser novamente atendida pela dona do Laticínio – o que despertou sua voracidade com uma força avassaladora.

Tentando manter a nova rotina da menina, a dona da fábrica resolveu mudar suas instalações pro lado do seu dormitório. Lá, ela conseguiu oferecer à garotinha a segurança que ela precisava e ao mesmo tempo mostrar pra ela que agora cada um tinha SEU PRÓPRIO espaço e que isso precisava ser respeitado.

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A menininha entendeu (!) e pela primeira vez em 18 meses, dormiu uma noite INTEIRINHA.

Após alguns dias dormindo ao seu lado, a dona da fábrica percebeu que podia voltar pra seu antigo endereço, onde voltou a dormir sozinha com o encarregado de plantão. (Uh lá lá!)

Enquanto isso, a menininha continuou dormindo bem. Bom, até seu primeiro grande resfriado. E depois o segundo.

Mas isso faz parte.

O importante é que ela realmente aprendeu a dormir e que a dona do Laticínio deixou de ser zumbi! :D


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O dia que eu descobri que tem coisa pior que ter feito book fotográfico

Resumo do ultimo capítulo: após anos de terapia do espelho pra finalmente conseguir resgatar sua tão defasada auto-estima, Luciana vive um trágico e inesperado reencontro com seu passado Elke Swarovski. Baratinada, ela vai pra São Paulo com sua filha, afim de encontrar algumas amigas, dentre elas, aquela que teria o poder de ajudá-la a afugentar seus traumas e fazê-la acreditar que dias melhores estariam sim por vir. 

* * *

Ahhhh! Nada como uns dias só de meninas pela frente! Era tudo o que eu precisava após ter cutucado feridas tão profundas em minha alma… Também, com um panfleto cafona daqueles, como eu podia esperar um resultado decente?

Mas enfim.

No vôo pra São Paulo, enquanto Lily mascava os meus foninhos de ouvido e eu continuava sendo perseguida por aquela fatídica imagem que ricocheteava insanamente na minha cabeça sem um minuto de trégua, cheguei à conclusão que aquilo tinha que acabar!

Então repreendi a Lily e guardei meus fones.

Ufa, agora sim, eu podia pensar com mais clareza! Porque pra mim, não fazia sentido nenhum como uma pessoa inteligente, sensata e de cabelos já TÃO vastos, algum dia pode ter acreditado que fazer um corte selvagem abundantemente repicado mais uma ondulação permanente à base de amônia, pudesse ser uma boa ideia.

Será que eu não pensei que o volume dos meus cabelos excederia os limites de metro cúbido humanamente aceitáveis? ( ) sim (x) claramente não Será que eu não considerei a possibilidade de meus fios se danificarem para todo o sempre? ( ) sim (x) óbvio que não Ou será que eu não pensei em nada disso e tava era mesmo doida pra ter um visual despojado (pra época), calçar minhas polainas degradês super sexy (pra época) e dançar Girls just wanna have fun da Cyndi Lauper? (x) bem possível (x) sei não, pelo jeito tava mais pra Like a Virgin

Bom, cada um com suas escolhas, mas eu acho que tudo tem limite… E sinceramente? Não aguento essas pessoas que não veem as consequências dos seus atos.

- Não Lily, mamar agora não. Brinca com essas moedinhas, meu bem, mamãe precisa pensar mais.

* * *

Chego em São Paulo.

O apartamento era impecável. Tudo lindo, sofisticado, requintado, adornado e milimetricamente organizado. Nada de paredes riscadas com marcador permanente de várias cores, nem móveis decorados com adesivos do Mickey e Pato Donald; muito menos brinquedos obstruindo os caminhos. Abracei a Lily, fechei meus olhos e mentalizei: meu dia chegará, confiá-lo-ei.

Comigo estavam a Dani e a Clauo. A Dani, além de engraçada, mostrou ter habilidades automobilísticas tão extraordinárias, que conseguiu dirigir pelas ruas de Sampa com a Lily chorando de sono de um ponto ao outro – o equivalente a ter uma vuvuzela buzinando em cada ouvido por meia-hora, imagine. Um ás no volante.

Já a Clauo, é uma dessas pessoas tão legais e cativantes, que você tem vontade de abraçar e agradecer a ela por existir a cada cinco minutos. Só me controlei pra não deixá-la desconfortável. E pra não passar vergonha. E pra nao estragar a tal primeira impressão, que pelo que dizem, é a que fica. Então me contive.

A dona da casa, era minha querida amiga Dri. Linda, chique, divertida e PARA TUDO: Consultora de Estilo.

Destino, né gente?

Cooooooorre, que o antídoto ta chegando, Feitiço de Elke!

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* * *

Fragilizada, abalada, porém esperançosa, me deixei sentar na cadeira indicada. Com cara de quem sabia o que estava fazendo, ela veio com um pano cinza e enrolou na minha cabeça. Considerei aceitável. Pegou outro pano cinza, jogou sobre meus ombros, enrolou no meu dorso e deixou só meu rosto de fora. Tranquilo. Daí começou a colocar, tirar e agitar umas bandeiras coloridas nos lados do meu rosto. Nesse momento me perguntei se aquilo tudo seria realmente necessário.

- Isso tudo é realmente necessário, viu Lu!

Viu? Sabia!

Daí ela me explicou que aquilo era chamado “coloração”, uma técnica de vanguarda pra avaliar quais as cores combinavam comigo, quais me deixavam desenxabida. Então me disse que como sou pessoa de alto contraste e por minha paleta ser de cores mais frias e fortes, eu deveria fugir das combinações pastéis SEMPRE.

Nesse momento, lancei-lhe um olhar de “are you sure?” enquanto eu concluía o escaneamento mental de meu guarda-roupa. A 83% do processo o resultado era 60% bege, 30% marrom, 10% indefinido. Ou seja, toda uma vida de desenxabimento. Como lhidar com isso, gente? Mas daí, vibrei de alegria ao lembrar que eu tinha algumas blusinhas vermelhas e laranjas guardadas em algum lugar. Yay!

- Lu, evite também os vermelhos e laranjas, pois essas cores te apagam e acentuam mais suas olheiras.

Credo! Deus me livre de cor que acentua olheira nesse ponto da minha vida. Imediatamente mandei as blusinhas (que blusinhas?) direto pra minha lixeira mental.

Quando eu já perdia as esperanças de ser feliz de novo, ela veio me contar com entusiasmo sobre todos os acessórios que eu podia usar com as cores que não me favoreciam tanto. Falou das cores boas e das combinações interessantes que realçariam minha beleza interna e externa. Falou de texturas, padrões, auto-aceitação, gasto consciente e tanto mais.

Toda uma vida de alto astral e alto contraste pela frente, né gente?

Assim, meus olhos foram cintilando, meu coração palpitando e aos poucos fui sentindo que aquela velha imagem distorcida de mim mesma se desvanecia. (Tá, agora só faltava eu convencer minha mãe a tirar a tal foto da porta de sua geladeira. Mas sejamos graduais).

Daí a Dri tirou aquela panaiada cinza de cima de mim e Liloca, que aparentemente andava procurando por sua mãe fazia tempo, veio correndo enlouquecida pro meu lado com cara de cachorrinho órfão. Pego a minha pequena com animação, já vislumbrando o meu futuro fashion reformulado e sento ela no meu colo. Quando casualmente, eu olho pro joelho dela e ali vejo uma fralda.

Hm.

“O que essa fralda estaria fazendo na altura do joelho dessa criança?” – penso eu sem nem mesmo querer saber a resposta.

Conservo minha expressão tranquila e despreocupada, enquanto escuto sobre revigoração de guarda-roupa e degusto o delicioso bolo de limão feito pela Dri. Então respiro fundo (discretamente) e percebo um conhecido aroma adentrando minhas narinas. Sigo impassível.

A Dri continua me contando que o intuito de sua consultoria é formar consumidoras conscientes, que saibam reaproveitar suas roupas e comprar o estritamente necessário. Interessada em saber mais, mas com o dever de investigar o que acontecia nas imediações do meu colo, desvio o olhar para o meu vestido  - de tom quase pastel – e nele identifico um material – claramente de alto contraste.

PARA TUDO.

Aquilo estava realmente acontecendo?

Quando vislumbrei toda uma vida de alto contraste não era bem isso que eu tinha em mente. Já sem conseguir fingir, e com expressão de terror nos olhos, afasto o bumbum pelado da Lily do meu vestido.

E desfaleço.

* * *

Pois é, gente, taí uma história que eu queria MUITO poder dizer que aconteceu com uma amiga. Afinal, quem quer pra si uma história dessas, né? E olha que já comi cocô de galinha, encontrei com ginecologista em festa de aniversário, já joguei suco na minha comida por diversão, já quis ser o Mussum, já travei contato com meliante no Havaí e até fiz book fotográfico nos anos 80.

Mas foi nesse dia que eu me dei conta, que depois que a gente tem filho TODAS as outras historias da nossa vida nos parecem completamente obsoletas. Ensaio fotográfico nos Estúdios Sonora? Rá! Fichinha perto do que passei na casa da Dri.

Obrigada Lily, pois no final das contas, VOCÊ foi a responsável por quebrar o feitiço de Elke! E obrigada Dri, por manter a calma mesmo diante do que parecia pouco provável!

* * *

EPÍLOGO: Depois do incidente que mudou os rumos de sua auto-estima, Luciana passou uns dias na casa de sua querida amiga Eline de onde saiu ainda mais inspirada e conheceu a adorável irmã quase gêmea da Lily. Depois voltou pro Canadá onde continuou a consultoria de estilo pelo skype, se tornando a primeira cliente internacional da Trendy.

Hoje, ela vive feliz com ela mesma, (tenta) usar seu guarda-roupa a seu favor e sempre verifica duas vezes antes de colocar a Lily no seu colo.

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O dia que eu fiz um book fotográfico

Eu passei grande parte da minha vida tentando fingir que certas coisas nunca me aconteceram. Entre elas:

- A vez que comi cocô de galinha achando que era cocada preta.

(Em minha defesa, eu só tinha 3 anos.)

- A vez que entrei na contra-mão numa avenida mega movimentada e minha única reação foi fechar os olhos, soltar as mãos do volante e gritar “eu vou morrer! eu vou morrer!”.

(Em minha defesa, essa era minha primeira semana dirigindo na mão-inglesa e juro que vi até túnel de luz azul com anjo – tava fazendo gracinha que ia morrer não!)

- E a vez que fiz um book fotográfico.

Jesus.

Mas ó, em minha defesa, o panfleto do Estúdio Fotográfico Sonora foi MEGA convincente, mega! Pra começar, tinha uma paisagem linda, quase transcendental, com um por-do-sol sobre o mar mais um arco-íris ao fundo, e uma águia se transformando numa mulher de cabelos esvoaçantes na frente. De um dos cantos saía um brilho de flash fotográfico, imagino que pra contextualizar. Coisa linda! Dava pra ver que tinham a manha total no Photoshop, coisa muito importante. Vai que eu precisasse?

Bom, e embaixo vinha escrita a seguinte frase em 3D (provavelmente feito no Word Art, eu disse que os caras eram bons) “Nossas fotos realçam a beleza que já existe em você.”

Nossa, fechou! Me convenceu total!

E como se fosse preciso, ainda ofereciam 10% de desconto. Oportunidade da vida, né gente?

Daí fui. Me maquiaram, jogaram mousse no meu cabelo, passaram batom da Elke Maravilha, me adornaram com brincos de cristal Swarovski, me ajeitaram as ombreiras. Me pediram pra jogar o cabelo pra frente e pra trás repetidas vezes e tacaram mais mousse. Disponibilizaram chapéu com pluma, echarpe vermelha e lenço de oncinha. Colocaram uns guarda-chuvas luminosos ao meu redor (galera era profissional mesmo), posicionaram as câmeras e nesse momento eu virei DIVA. Me senti poderosa, linda, uma deusa.

Até o dia que fui buscar as fotos.

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Chorei cinco dias seguidos.

Rasguei o panfleto separando mulher de águia, por-do-sol do arco-íris, céu do mar. Sem mostrar pra ninguém, escondi o book debaixo do meu colchão por anos a fio (junto com minha coleção de cartões Amar é). Ergui a cabeça, domei meu cabelo como pude e voltei à vida normal. Me formei, me casei, fui morar fora, procriei, virei ilustradora, fui feliz. Nunca mais me lembrei do bendito do book.

Até a ultima vez que fomos ao Brasil.

***Sinceramente, mães precisavam de uma junta médica especializada pra explicar o que se passa no globo ocular delas que só vê beleza nos filhos. Como explicar?***

Pois não é que eu adentro a cozinha da casa da minha mãe à procura de um pacote de biscoito papa-ovo pra matar a saudade e dou de cara com meu passado Elke Swarovski enfeitando a porta da geladeira dela?

- Mas essa foto tá MARAVILHOSA, minha filha! Deixa ela aí! Olha esse batom bem passado! E que lindo tava o seu cabelo!!!

Juro que quase tive um treco. Aquela foto era pra mim um registro frustrado de uma das poucas vezes que tentei ser vaidosa na vida. Entre outras coisas, a Síndrome do Cabelo Alto voltou com tudo pra mim naqueles dias. Fiquei assim tão abalada, que à noite, nas raras oportunidades que o coala noturno me deixou dormir, eu fechava os olhos mas a única coisa que me vinha era a minha imagem em negativo. E piscando.

sonora

* * *

Felizmente minha próxima parada me levava ao encontro da única pessoa que deteria a cura pra todos os meus traumas. A única pessoa que poderia quebrar o temível Feitiço de Elke.

(continua)


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Hoje ele faz 5 anos. Me abraça?

Tudo começou no dia 18 de Outubro de 2008, quando me tornei mãe.

MÃE.

Nossa, me dá até um saracotico na espinha de lembrar.

Escapando do Jeho (2)

Mãe de um menininho de bochechas rosadas que de início era muito chorão, mas que depois se revelou a criança mais risonha, divertida e companheira que eu poderia sonhar em ter ao meu lado.

2. Lahaina (15)

De um menininho que nasceu de um parto difícil, que deu muito trabalho pra dormir, pra comer e desfraldar, mas que hoje me faz entender que tudo isso foi necessário pro meu amadurecimento como mãe DELE; que ao invés de tentar mudá-lo, eu tinha que mudar a mim mesma.

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De um menininho que sempre foi muito esperto e inteligente, mas que aos 2 anos de idade teve o terrível azar de ser filmado num dos grandes deslizes de sua tenra infância: o dia que ele caiu igual um patinho no famoso Método de Psicologia Inversa (MPI), método este, aplicado com brilhantismo por sua sagaz progenitora (apesar da filmagem em vertical comprovar o contrário… mas vá, dá um desconto, aqueles eram outros tempos)

no hotel, fascinado por rodas

Um menininho que sempre foi completamente fascinado por carros e máquinas, mas que nem por isso, deixa de ter um lado sensível e imaginativo, que aos 3 anos de idade conseguiu explicar como surgiram as estrelas-do-mar.

Eu sou a feliz mamãe de um menininho que me emociona todos os dias com suas questões sobre a vida, a morte e suas observações sobre as pessoas. Um menininho que nunca deixa de me cobrar pra eu agir de forma coerente com o que eu ensino pra ele, que fica bravo toda vez que quero apertar a Lily e que me comove com seu jeito simples de ver as coisas.

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Desse menininho inocente, carinhoso e perceptivo, com o qual tenho diálogos tão incríveis todos os dias que custo a acreditar na minha sorte como mãe dele.

Eu: Nicolas, o que você quer ser quando crescer?
Nic: Lenhador!
Eu: Por que?
Nic: Porque eu quero construir casas de madeira e matar o lobo mau!
Eu: Nossa, que corajoso!
Nic: Tudo bem, mamãe, porque quando eu ‘ser’ lenhador ja vou ser grande e forte!
Eu: Ah é? E quantos anos você vai ter?
Nic: 100!!!

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Eu sou a orgulhosa mãe desse menininho que hoje faz 5 anos! E espero de todo o meu coração que ele cresça feliz, saudável e realize todos os seus sonhos, mesmo que seja o de viver até 100 anos pra começar sua vida de lenhador. :)

Feliz aniversário, meu menininho Nicolas! Que você nunca perca essa sua leveza, seu sorriso lindo e a simplicidade no seu coração.  Mamãe te ama e te admira desde sempre!

________________

Ah! E tem mais:

- A linda história contada pela professora do Nicolas e que me fez debulhar em lágrimas e traumatizar pra sempre 15 criancinhas inocentes

- A ilustração de comemoração dos 5 anos com seus melhores amiguinhos


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O galinheiro, o sassariquento e o ataque do coala noturno

Ah gente querida, como eu queria vir aqui toda semana pra papear um bocadinho com vocês! Mas quem disse que consigo? Ainda mais depois que cismei de fazer um tal de projeto 365, que minha vida ficou de cabeça pra baixo, assim como se ao invés de 2, eu tivesse uns 30 filhos pequenos, mais 3 cachorros e um galinheiro.

E vocês sabem que não sou dada a exageros, né?

Pois bem, então deixa eu terminar logo de contar essa ladainha da viagem pro Brasil, que já tá me dando vergonha eu estar no mesmo assunto até hoje, 2 meses depois de voltar de lá. Cruzes.

Culpa do galinheiro. Certamente.

* * *

Mas então. Como toda visita a Beagá, a correria é tanta, mais tanta, que quando as crianças começam a se acostumar com alguém, a assimilar o que é tia, primo ou irmã-do-coração da mamãe, já é hora de catar os pertences e visitar outra pessoa. Na saída, a gente só não esquecia de roubar um pão de queijo pra comer no carro e rezar pra Nossa Senhora das Familias em Visita pela Terrinha pra não ter engarrafamento.

Coisa que nunca aconteceu. Ocupadésima essa santa, aparentemente.

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Mas tirando o transito que não transitava (e que até me rendeu umas boas balas chitas que me ajudaram a minimizar certos traumas de infância), deu pra cortar muitos itens da minha lista de coisas que não podíamos deixar de fazer no Brasil.

Número 1

Matar a saudade de abraços. Porque o Canada tem de um tudo, gente, mas não tem abraço. Tirando nos encontros com brasileiros daqui ou os desafortunados que se deparam com ursos (Deus os tenha), a chance de você angariar um abraço aqui é quase nula. Mas matei minha abstinência da melhor forma:  abraçando muita gente querida e amada. Mesmo.

Número 2

Desgarrar a Lily um tiquinho. Porque pense numa criatura agarrada. Ah, que doce, você pensou num coala? Mas não tá nem perto, viu? Então faz o seguinte: pega esse coala, encapa ele com um velcro magnético possante, cola um tanto de bolinha de chiclete ao redor e joga um balde de carrapato por cima. Balde grande. Pronto, agora multiplica por 10. Essa é a Lily comigo. Por isso, foi uma verdadeira surpresa ver ela se jogando no colo de pessoas que ela nunca tinha visto na vida e até criando laços afetivos. Milagres do Brasil.

Número 3

Ver como o Nic se sairia com a língua portuguesa. Não que esse fosse um grande problema, pois português é sua primeira língua. Mas, como ele aprendeu inglês na escola e brincando com seus amiguinhos, quando ele brinca, mesmo que sozinho, ele SÓ fala em inglês. Por isso foi muito lindo e fofo observar ele escolhendo cuidadosamente as palavras pra falar só em português quando brincava com outras crianças. Fofo mesmo. E lindo.

Número 4

Rever a turma de faculdade depois de 10 anos. Muito bom!!! Exceto a parte de encarar que sou a mesma boba de antes, só que com 10 anos a mais.

Número 5

Visitar gente bacana. Desta vez teve cria nova pra conhecer e apertar, amigas grávidas pra encontrar, lasagna da Ignes pra degustar, Ouro Preto pra visitar com gente especial, e pipa pro Nic soltar com o maior especialista do mundo – meu irmão. Check, check, check, check e check.

Número 6

Ter tempo de pernas pro ar. O que significou ter momentos de não fazer nada e só ficar por conta de papear. Foi ótimo aproveitar minha família, amigos próximos e minha cunhada divertidíssima grávida do meu primeiro sobrinho de sangue – o Pedrinho, que nasceu há poucas semanas!!!

Número 7

Ter uns dias só de meninas lá em São Paulo. Conto TUDO logo, logo, prometo.

Número 8

Comer de tudo sem engordar. Sem comentários, desastre total.

* * *

Ou seja, foram 10 dias em BH super bem aproveitados! Mas claro, se você me permite ser bem sincera, sempre tem uma desvantagem aqui ou ali, né? E pra mim, a parte mais difícil foi, como sempre, manter a rotina das crianças.

Rá, caiu nessa, foi? Desculpa, mas essa é a versão genérica, que conto pra todo mundo.

Porque a verdade verdadeira, gente amiga, difícil mesmo foi ter que assistir de camarote a disponibilidade do marido pra sassaricar com os amigos toda santa noite enquanto eu ficava lá, sendo requisitada por dona Lily (que à noite resetava todos os avanços adquiridos durante o dia e voltava pra versão original © Coala Plus).

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À rotina corrida e imprevisível a gente acaba se adaptando, né gente? Agora marido sassaricando sem você é de matar. Já não basta passar a gravidez toda intacto, ainda tem que nascer sem leite nas peitas?

Por isso, enquanto o Sr. Todo Soltinho se encontrava com Fulano, Beltrano, Cicrano ou Soprano, Liloca apurava seu método de manipulação materna, que consistia basicamente, em ameaçar gritar a todo pulmão quando todo mundo da casa já dormia, a fim de conseguir acesso rápido e imediato às peitcholas.

Claro que funcionava.

Afinal eu é que não queria me tornar pessoa malquista e indesejada pelos donos da casa – mesmo que as pessoas em questão fossem sangue do meu sangue.

Nunca se sabe, melhor não arriscar. “Vem cá, escuta. Eu sei que a Lu é linda, maravilhosa, agradável, meiga (…) e que educa os filhos como ninguém. Mas que diabos foi aquela choradeira da última noite? Credo!!! Será que ela esqueceu que tem mais gente tentando dormir nessa casa? Como ela deixa a menina ter o controle daquele jeito? É nisso que dá dormir com filho, eu bem que avisei!’”

Deus me livre de alguém saber achar que a Lily me controla. Então disponibilizei.

No entanto, assim que Liloca foi bonificada com acesso livre e irrestrito à leitaria noturna, ela, que antes acordava uma a duas vezes, passou a acordar duzentas. Natural, vai! Infelizmente, 200 também foi o numero de camadas de corretivo necessárias pra camuflar o aprofundamento das minhas olheiras.

Agora pensa comigo. Se hoje, que estou no sossego da minha casa, cuidando do meu galinheiro tranquila, já ando com cara de quem passou a noite rodando dentro de uma betoneira e logo em seguida foi atropelada por um caminhão com rolo compressor, imagina no Brasil, com uma atividade diferente todo dia?

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Não foi bonito não, gente.

Em um mês, em seguida volto pra contar os causos de São Paulo. Última parte.


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Praia boa é praia azulejada

Anota aí, colegas: viagem que tem até grupo em Facebook, exclusivamente criado pra compartilhar o cronograma diário da família, não tem como dar errada.

Não tem.

Pra começar, o voo de ida foi um espetáculo, como já contei. Tá, cheguei no destino parecendo um chassi de grilo anêmico, mas vamos combinar que isso é um mero detalhe se você pensar que tivemos a grande oportunidade de fazer uma viagem dinâmica e nada monótona, na qual em menos de 24 horas vivemos a emoção de passar por Vancouver, Toronto, São Paulo, Rio e chegar em Cabo Frio de ônibus.

Êxtase define.

Chegando lá, tudo perfeito! Famílias reunidas, comida maravilhosa, até que… dou falta do Ergo-baby, meu super carregador (e tranquilizador) de Lily. “Certeza que esqueci no ônibus”, recapitulei. Felizmente, ficamos sabendo, que na rodoviária havia uma salinha de “Achados e Perdidos”, e por tudo nessa vida que eu tinha certeza que estaria lá. Afinal, que alma desalmada pensaria em levar para si um trapo de pano surrado e o qual tão pouca gente sabe pra que serve?

Pois levaram.

Okay, sem problema. Respiremos fundo e esqueçamos do incidente. Bora aproveitar a praia, que é pra isso que fomos!

* * *

Cabo Frio é ótima, e eu tinha certeza que as crianças iriam adorar! Eu amo Minas, mas infelizmente ela tem o pequeno defeito geográfico de não ter praia, né? Por isso fizemos tanta questão de ir enfrentar a baldeação pra chegar lá.

mg

(Aliás, fica aqui minha humilde sugestão pra uma futura reformulação da cartografia brasileira. Que tal adicionar dois simpáticos rabicozinhos ali em Minas Gerais, anexando Cabo Frio e Guarapari, que se bobear, têm mais mineiros que a propria Belo Horizonte? #ficaadica)

Mas enfim.

Nossos dias em Cabo Frio teriam sido perfeitos se eu pelo menos gostasse de praia. As crianças curtiram muito,  mas eu particularmente continuo compartilhando da opinião da minha cunhada, que praia boa é praia azulejada. Por que né, gente? Praia é ou não é a mesma coisa que ficar marinando na água salgada e depois ir se esticar na farinha de pão?

Me diga você.

E se tem uma coisa que não sou muito chegada em ser, é frango empanado. Gosto não.

Mas tudo bem, pois fui pra lá com o espírito livre, o coração venturoso e o corpo disposto a aproveitar sem reclamar.

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Areia? Vamos transformá-la em diversão pras crianças.

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Vento e chuva se armando? Encapota a cria, mesmo que seja com fantasia de cogumelo.

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Pombos querendo se meter na sua farofada? Chama a vovó pra se divertir com o neto.

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Ficou entediada? Desopila e finge que tem 12 anos (ou escancara que é boba mesmo, que todo mundo vai dizer que nem tinha percebido).

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Muito sol na cabeça? Bora procurar a sombra de um coqueiro, ainda que pequeno.

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Tem pernilongo na casa? Aproveita pra desfilar seu modelito de animal print mais que original! Vai estar super na moda, gata!

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Fez tudo isso, mas cansou? Então vai pra piscina e aproveita pra mostrar pra todo mundo que mãe, além de fazer milagre em casa, ainda sabe andar sobre as águas!

O que não dá é pra reclamar!

Né?

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PS: Acabei comprando o Sampa Chila  pra substituir o Ergo-baby perdido. A qualidade não é a mesma, mas certamente salvou nossa viagem de volta!

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