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50 tons da maternidade

“Não empolgueis se porventura teus filhos hão dormido bem uma noite. Não alimenteis esperanças de que tal feito repetir-se-á ou concluas precipitadamente que o sistema nervoso dos teus pequenos ter-se-á amadurecido. A cada noite ininterrupta de sono, uma escapada de cocô, duas birras homéricas e três noites insones e atribuladas. Esperais, preparais e aceitais.” (provérbio materno, versão estendida)

Versão popular: Mães não dormem. Se dormiu bem, senta e espera, porque vem caca por aí.

__________

Após uma longa espreguiçada, ela abre os olhos. Não se recorda da última vez que se sentira tão feliz, descansada e renovada – uma estranha sensação de felpudo invade seu peito. Pela primeira vez em oito meses, acordava ela com a luz natural do sol. Seria um sonho?

Languidamente, ela lança um olhar pro lado e constata com ternura que a bebê ainda dorme. E no berço, quem diria? Um verdadeiro milagre. Melhor checar o outro. Deve estar lá chorando debaixo das cobertas, a pobre criatura. Não é possível que ele tenha dormido a noite todinha sem um único pesadelo e que ainda esteja dormindo. Já passam das 7:30! Com passos de pluma, ela chega ao quarto do filho: ahhhh, dorme feito um anjo, o meu menino, e ainda abraçado à sua boneca Moey.

Com um suspiro, ela sorri. “Será o presságio de uma nova era?” – arrisca ela a pensar.

Feliz, ela toma um banho rápido e desce pra preparar o café-da-manhã. Que fofo, o marido deixara a vitamina de frutas já pronta pro mais velho. Ela então prepara uma torrada com queijo derretido pra si e sorve uma xícara de chá quente. Ui! Quente demais, ela ri. Só hoje mesmo pra ver graça num céu-da-boca queimado. De repente, escuta uns passos, seguidos de risos de criança. Acordaram! E de bom humor!

O dia transcorre tranquilamente: escola, trabalho, almoço, parquinho, janta.

Antes de continuar a rotina que precede mais uma noite de sono, ela para e recapitula com detalhe o que fizeram no dia anterior: “não posso errar nada, tenho que fazer tudo exatamente como ontem pra garantir que vão dormir bem de novo” pensa ela com sua inocente lógica materna.

Vejamos…

1. Banho: ambos tomaram banho naquela caixa de plástico que o Nic chama de barco. Durante o banho, ela havia contado a história do trator que sabia pilotar avião pra ele e cantado ‘tchibum, tchibum’ pra ela.

2. Pijamas: sem dúvida, tinham que usar os mesmíssimos da noite anterior. Vai que emanaram alguma vibe sonífera? Ela não podia desprezar essa possibilidade. Talvez se tornassem seus pijamas da sorte. Ela sorri sonhadora.

3. Nic tomou leite com biscoito de água e sal. Depois, dentes, xixi e histórias com o papai. Lily, como sempre, dormiu na cama da mãe mamando. Ontem foi transferida com sucesso pro berço. E usou um saco de dormir.

5. Aquecedor ficou ligado a noite toda.”

E assim ela fez. Tirando a história do trator que pilotava o avião e que o Nic queria de qualquer forma que substituísse por um cachorro – veja só, NADA A VER cachorro pilotando avião, dããã! -, tudo o mais foi cumprido na mais perfeita tranquilidade. Às 20:30 ambos estavam dormindo.

A noite prometia.

Ela pega seu livro, 50 Tons de Cinza, que apesar de não achar muito bom, pelo menos não fala sobre filhos e culpa materna, e vai ler. Mas a narrativa é tão repetitiva que depois de duas páginas ela já está com sono. Que personagens mais chatos… A mocinha, vive mordendo os lábios e se enrubescendo por qualquer papel que cai no chão. Diz pelo menos dois holy craps por página. Já ele, é enfadonhamente lindo, másculo, bem dotado, empresário nato, pilota helicóptero, toca piano como ninguém, exímio dançarino, fluente em francês, excelente amante, bilionário que fez sua própria riqueza, filantrópico preocupado com a fome no mundo e como se não bastasse tamanha irrealidade, só tem 26 anozzzzzzz.

Pois após um par de holy craps e stop biting your lip, ela não aguenta e dorme. Não são nem 9 da noite. 1 hora depois ela acorda num sobressalto com um choro alto: era o Nic tendo um de seus pesadelos. Claro que a Lily também acorda. Marido vai ver Nic, ela vai pegar a Lily. Nicolas volta a dormir, Lily mama mas chora intensamente ao ser colocada no berço. Melhor levá-la pra cama deles. Lily fica feliz. Tão feliz que não quer mais saber de dormir e começa a engatinhar pela cama. Senta, dá tchau, bate palma, ri. Holy crap.

Ela se lembra do livro. No desespero, o alcança e pensa seriamente em ler umas páginas daquela história erótica entendiante pra filha – vai que ela dorme? O marido não deixa. Volta com a Lily pro berço. Ela chora. Cantam uma música de ninar. Nada. Massagem. Ela fica quietinha. A mãe para, ela se irrita. Passam ela pro moisés, onde ela quase não cabe mais. Ó! Dormiu! Voltam pra cama. Puxa, que sono! Fecham os olhos, Nicolas acorda de novo “quero papai!!!!”. Rafa vai ver o que é e fica por lá. 2 horas depois, Lily chora querendo mamar, Nic acorda com o choro dela e começa tudo de novo – a “dança das camas“, como muito bem diz minha amiga Celi.

6:30 da manhã: início de um novo dia.

Mal humorada, ela veste sua roupa, troca a Lily (que chora de sono) e veste a roupa no Nicolas (que faz uma super birra porque quer ir de pijama pra escola). Todos descem pra tomar o café-da-manhã. Que droga, justo hoje o marido não deixou a vitamina pro Nic pronta. Ela vai fazer e constata que não tem banana – a vitamina favorita do filho. Vai de abacate mesmo. Ele não toma. Faz mingau pra filha, ela come tudo. “Nic, vai pro banheiro e tenta fazer cocô!” – diz ela. Ele responde que não está com vontade. Ela olha pro relógio: estão atrasados pra escola. Não dá tempo dela mesma tomar café. Faz um chá e leva. Faz frio lá fora – 5 graus. Lily toda encapotada vai pro sling e vão caminhando.

20 minutos depois, chegam na porta da escola. Ela olha pro Nicolas e não acredita. “Não, não, não!!!” Ele tem uma das mãos no bumbum, olha pra ela e grita “cocô, mamãe! tá querendo sair!!!!”. M**da. Vão direto pro banheiro. Ela tira o próprio casaco, tira a Lily do sling, a coloca no chão. Ela chora. Se prepara pra abaixar a calça do filho e constata que ele está de macacão. Droga! “Segura o cocô, Nic! Não faz não!!!” – grita ela desesperada. Lily esgoela. Ela tiro o casaco dele, tira o macacão impermeável, a calça, a cueca e… putz, não deu tempo. Ele senta no vaso, ela pega a Lily e vai buscar a cueca sobressalente na sala de aula. Volta, bota a Lily no chão, que volta a chorar imediatamente, começa a vestir peça por peça no filho. Entra um outro menino no banheiro, que abre um olho desse tamanho, se vira e sai fora. “Melhor”, pensa ela de mal humor.

Finalmente saem do banheiro. Ela, esbaforida, ele, aliviado. Dá um beijo de despedida e entra todo serelepe. “Pelo menos está feliz” – pensa ela. E vai embora caminhando.

No caminho, vai pensando que deve haver alguma maldição pra pobre mãe que consegue dormir uma noite completa, só pode, tamanha a urucubaca! Então tenta fazer as pazes com o Seu Universo. “Uma boa ação por uma boa noite de sono?” negocia ela em pensamento. Então, naquele mesmo dia, ela leva alguns brinquedos pra caixa de doações, faz uma sopa pra amiga que teve bebê e disponibiliza no blog uns desenhos da turma do Sitio do Picapau Amarelo que tinha feito especialmente pra uma atividade com crianças brasileiras no ultimo final de semana.

Agora é com você! Baixe, imprima, divirta-se, divulgue! Ajude uma mãe a espalhar alegria, espantar a urucubaca que lhe cerca e quem sabe dormir melhor!!! 

O que você vai encontrar: um PDF com 9 bonequinhos desenhados pela mamãe insone e inspirados no Sitio do Picapau Amarelo, mas com um detalhe: eles estão todos carecas! Será que seu filho conseguirá encontrar a parte de cima da cabeça de cada um? Imprima, recorte e divirtam-se procurando os pares! Depois façam marionetes pra inventar historias juntos. Tudo o que vocês precisam é do Adobe Reader que pode ser baixado AQUI, material pra imprimir, colorir e muita disposição pra brincar! Se quiser mandar fotos mostrando como ficou, vai ser muito legal!

Imprima e repasse pra quantas pessoas quiser, mas por favor, não deixe de dar os créditos! Ah, e é somente pra uso pessoal, tá? E que ao baixar essas ilustrações, além de muita diversão, você também tenha ótimas noites de sono! 


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Nic desdesfraldou…

Xixi cueca… cocô cueca… neném de novo… fralda de novo… 3 anos… 5 meses…
Supermercado… fralda RN… fralda GG…
Mãe catatônica… lágrima canto olho…
Regressão… paciência…
.
.
.
Miabraça?

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Update: Nic se recusou a usar fralda hoje e tem voltado a ir ao banheiro!!! Agora posso enxugar essa lágrima no canto do olho e deixar essa catatonice de lado. Maternidade de dois volta a ter esperança. :D


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as trocas de nomes e o lenga-lenga bizarro

Quando eu era pequena rachava de rir da minha mãe porque ela nunca conseguia acertar os nomes dos filhos na hora de chamar um. Passava por todos os nomes da família, dos irmãos dela, da vizinha, dos gatos, e quando ela finalmente acertava, a criança já estava longe.

Depois de um tempo ela foi ficando mais espertinha. Não que ela tenha passado a acertar de primeira, mas pelo menos começou a falar somente a primeira sílaba de cada nome. Rei-Pá-Lu, por exemplo, era eu.

Por sorte não tenho uma mãe vingativa. Pois se ela fosse, estaria hoje me dizendo “ora, ora, ora, veja QUEM está confundindo os nomes dos filhos agora…”.

Pra vocês terem uma idéia, tem dia que estou tão doidona, mas tão doidona, que chamo o Nic de Lily, a Lily de Nic, o Nic de Lic, a Lily de Lícolas, o Nicolas de Nily, a Lily de Nicoly e ainda quase esqueço meu nome.

Grave.

Pois a coisa ficou ainda mais grave na semana passada. Tenta imaginar uma mãe já desparafusada, desta vez sozinha com duas crianças por 9 dias (primeira vez de várias). Juro, não sei como terminamos todos vivos, só sei que no último dia, eu já não lembrava quando tinha trocado a fralda da Lily, se o Nicolas já tinha tomado banho ou se eu tinha almoçado. E ainda me pegava falando coisas do tipo “Lily, termina logo de vestir essa cueca que ainda tô dando mamá pro Nic”.

E Nicolas gargalhava.

Fácil não, viu gente. Perrengaço essa de não ter ninguém pra quem passar a bola, pra dividir os filhos na hora de comer, dar banho, colocar pra dormir, pra se alternar de madrugada na hora de checar o filho que tá tossindo ou chorando com pesadelos no outro quarto e pegar a bebezinha no colo mil vezes porque ela tá se contorcendo e não consegue dormir, ninguém pra conversar no final do dia, ninguém pra poder dizer “me ajuda aqui que vou tomar um banho”.

Pra sobreviver, tive que organizar ainda mais minha já (cof, cof) organizada rotina e focar no básico, sem esperar fazer nem um tiquinho a mais que o estritamente necessário. Claro que com um pouco de disciplina, tudo tava parecendo fácil demais, né? Então dona Lily resolveu adicionar um fator pra randomizar um pouco nosso dia: o fator lenga-lenga bizarro. Prestenção: Lily que era bebê venerado por todos por dormir em qualquer lugar e por longas horas, cansou. “Boriiiiing, pensou ela.” Entao num belo dia decidiu virar uma high need baby, passando a dormir SOMENTE e tao somente no colo durante o dia e fazendo muita, mas muita hora mesmo pra dormir à noite.

Vou contar o que que ela faz, amiguinhos.

TODOS os dias, exatamente às 18:30, Lily chora por 5 a 15 minutos no colo, capota de cansaço e depois de 30 minutos exatos, acorda revigorada, pronta pra brincar e fazer aqueles sons mais que bonitinhos que ela tem aprendido. Passados 10 minutos, ela está cansada outra vez. Então dorme no colo amorosamente embalada, porém, a cada vez que é colocada na cama dona Liloca acorda, seja rindo ou chorando, mas acorda. Esse lenga-lenga dura de 2 a 3 HORAS, TODO santo dia. E como lá pelas 21 eu já estou DOIDA pra dormir, peno muito pra conseguir aguentar firme sem pedir penico ate 22 ou 22:30.

Assim que, estando só eu e não podendo me dedicar somente à ela no período de lenga-lenga, tenho que me apressar pra fazer tudo antes: tomar meu banho (ou não), dar banho nela (ou não), dar banho no Nic (ou nao), dar janta pro Nic que demora horrores pra comer (quando come) e deixar tudo preparado pra gente ir dormir. Ou seja, antes das 18:30, amiguinhos, já estamos todos de pijama e pantufas. Daí, durante o período bizarro, tenho que aproveitar as brechas (se existirem) pra dar um leite ou iogurte pro Nic, escovar os dentes dele, contar historinha, levá-lo ao banheiro e colocá-lo pra dormir até as 20h, que é quando ele já está capotando de sono. Tudo isso sem mostrar que estou com pressa, pra ele se sentir especial.

Durante a madrugada, dona Lily dorme um pouco melhor e acorda pra mamar a cada 2 ou 3 horas, mas algumas noites o sono dela é super agitado e ela acorda muito mais. E como sofremos por 15 meses com o refluxo do Nic, às vezes suspeito que ela também possa estar ficando refluxenta. Espero tirar a duvida no próximo mês, quando finalmente conseguimos consulta com um pediatra. Conto depois.

As horas do almoço também são complicadas. Em geral demoro 3 horas entre fazer o almoço, dar comida pro Nic e comer, sem contar arrumar a cozinha. E cada dia acontece algo diferente pra tornar nossos dias únicos e emocionantes. Como o dia que Nic caiu e machucou a boca, Lily chorava sentada na cadeirinha e a comida começou a queimar no fogão. Durante 5 minutos eu ouvia a nada harmoniosa sinfonia composta pelo choro de duas crianças, uma musiquinha infantil vinda da cadeirinha de balanço e o escandaloso alarme do detector de fumaça que disparou.

Enfim. Um show.

E assim tem sido. Definitivamente virei mamãe canguru durante o dia, carregando Lily pra cima e pra baixo e felizmente contando com a colaboração do Nic, que nunca se importou de me ver com ela o tempo todo. Claro, existem as crises “veladas” de ciúme, como as escapadas de xixi que têm ficado mais frequentes e o fato dele só aceitar comer se eu der na boca (já que ele já comia sozinho). Também foi agora que desenvolvi o método do grito sussurrado, entre-dentes, sabe? “Nicolas, para de fazer barulho, por favor! Sua irmã demorou pra dormir!”. Nem sempre funciona, mas tá valendo.

No mais, só acho que não enlouqueci mais nesses dias sem marido porque recebi muita ajuda, aqui e ali. A começar por todos os meus vizinhos que são gente fina demais. Teve gente que se ofereceu pra ir ao supermercado pra mim, gente que me trouxe comida quentinha pra eu poder tirar uma folga da cozinha, gente que ficou com a Lily pra eu poder passar um tempo só com o Nic. E tiveram os amigos, que me escreveram email perguntando se eu estava viva, amigos que vieram passar um dia comigo só pra me fazer companhia e me ajudar a carregar Liloca, gente que escreveu post especial contando da sua experiência sozinha com duas crianças. E quando mesmo assim tudo parecia muito difícil, descobri que o melhor remédio era sair pra caminhar. Um dia caminhamos por 2 horas seguidas, entrando e saindo de trilhas, e claro, torcendo pra não darmos de cara com um urso!

Bom, e agora que marido voltou, tudo ficou melhor outra vez. Só o que continua é a lenga-lenga bizarro da Lily e claro, a trocação de nomes. E não pensem que estou sozinha nessa. Outro dia mesmo escutei o Rafa chamando “Líiiiiiiiiicolas!!!!”.

Tá achando que só mãe é doida?


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Mãe de segunda viagem

Agora não tenho dúvida que segundo filho é mais feliz.

cêjura?

Porque fala sério, quando o primeiro chega é aquela zona, né não? Pensa que tudo o que a gente conhecia até a chegada daquele ser pequeno e vulnerável envolvia quase que ZERO ROTINA e uma boa dose de carpe diem, né verdade? Era cinema a qualquer dia, shows, restaurantes, boteco com os amigos depois do trabalho, viagens a dois pra qualquer lugar, mas o principal: ninguém tinha hora pra acordar nos finais de semana, lembra? A gente tinha feriados, tinha férias.

Mas daí o bebê nasce e você leva aquele baque. De repente você se dá conta que aquela famosa história de nunca mais dormir é verdade. E com areia permanente nos olhos, você olha perdido pra aquela criaturinha que está há horas chorando e você não tem a menor ideia do porquê. E se desespera porque ela está a dias sem fazer cocô – ou porque passou um dia fazendo cocô demais. E tem medo de não conseguir pegá-la sem quebrá-la. E sofre muito ao primeiro sinal de gripe. E não consegue colocar uma fralda sequer sem que ela vaze. E não se lembra de nem uma música de ninar no momento que ela chora desconsoladamente.

Enfim, muito despreparo. Pobre criança. Mas como milagre ela sobrevive, vocês esquecem tudo e decidem ter outro rebento.

O segundo nasce e quanta diferença. Claro, desta vez seu maior desafio é aprender a se desdobrar pra conseguir dar atenção pra dois ao mesmo tempo – e mesmo assim, sempre vai ter um chorando, eles ou você. Mas no geral, você vai sentir como se o segundo viesse com seu próprio manual de instrução, como costuma dizer minha amiga Sut-Mie. Desta vez você não é mais tão sem-noção, tem o coração mais apurado pra sentir seu instinto materno e o melhor, sabe por experiência PRÓPRIA que tudo REALMENTE passa.

foto tirada pelo marido no nosso quintal

Outra coisa importante, é que diferente do primeiro, o segundo já cai numa casa com rotina estabelecida. Ou seja, o primogênito foi lá com seus bracinhos gordinhos e pavimentou todo o caminho pro irmão caçula andar sem muitos tropeços. Foi lá com a maior paciência e fez buraquinhos no obstáculo pra florzinha poder florir. É muito amor.

Além disso, essa querida cobaia o querido primogênito também te ensina um dos segredos mais bem guardados da comunidade materna: bebês também choram quando estão com sono. Parece mentira, mas é verdade, eles sentem muito sono, mas simplesmente não dormem, choram. E esgoelam. Dai você acha que é fome, dor, que o bebê não gosta de você, mas tudo o que ele queria era dormir, só que estava exausto demais pra conseguir pegar no sono.

Por isso, depois que você se torna mãe de novo, se sente a rainha da cocada preta, a detentora de todos os segredos maternos – e começa a se achar. Se acha tanto que além de blog, cria também fanpage no Facebook. Fanpeidge, gente. A que ponto chegamos. Sim, porque parece que essa é a tendência, já reparou? Mãe de primeira viagem cria blog, de segunda, fanpeidge. Olha ali na lateral do blog pra você não dizer que eu estou mentindo.

Como se não bastasse, ainda acha que encontrou o mapa da mina pra acalmar bebê, pra esvaziar o narizinho melecado e pra conseguir de volta as duas mãos que tinha perdido. E fez lista. Eis os ítens TOP FIVE que uma mãe de segunda viagem que se acha recomenda:

1. Sling tipo wrap

Super prático! Não passa de uma faixa de pano (malha) gigante, que você amarra como achar melhor. No manual eles dão várias ideias de diferentes tipos de amarração. Comecei com uma que a Lily ficava deitada lá dentro, mas achei muito dfícil amamentar assim porque ela ficava o tempo todo escorregando pra baixo. Então, assim que ela cresceu um pouquinho e deu pra ajeitá-la sentadinha, fiz do sling uma espécie de “camisa”, que pra gente funciona maravilhas. O meu é da Moby Wrap. Outro sling que a gente usa muito pra passear é o Ergobaby, melhor a medida que o bebê vai ficando maior, parece uma mochila.

2. Aspirador nasal

Juro que não sei como o Nicolas sobreviveu sem isso. Coitado do meu filho. Com ele a gente usava um bulbo simples, tipo uma pera, que a gente apertava, colocava no nariz e soltava. Sinceramente? Era uma porcaria, não tirava quase nada e ainda fazia o Nic chorar horrores. Esse aí funciona com a gente succionando, é super gentle. Tem de diversas marcas, mas o que temos é o da HydraSense, que vem com um filtro pra não deixar a meleca subir pelo tubinho (não acho que aconteceria de qualquer forma). Utiliza-se colocando soro fisiológico no nariz pra liquefazer a melequinha primeiro e depois aspirando. Sai tudo ou quase tudo, gente, é muito bom mesmo.

3. Baby sleep gown

Outro dia eu falei dessa camisola aqui. Não existe nada mais prático pra trocar fralda no meio da madrugada que isso, especialmente no clima mais frio. Levantou a camisola, trocou a fralda, pronto, já pode cobrir as perninhas de novo. Eu não sei como são chamadas no Brasil (aqui são sleep gowns ou sleeper gowns), mas sei que existem, pois a minha sogra nos mandou um de presente de lá. Outra coisa legal é que eles vêm com uma luvinha embutida que aquece a mãozinha de noite sem ficar saindo.

4. Baby sleep bag (sac0 de dormir)

Super recomendo pro clima frio. Prático (tem um fecho da lateral até a parte de baixo), quentinho e muito seguro. Nada daquelas mantas enrolando o bebê de noite com risco de cobrirem o rosto e atrapalhar a respiração.

5. Balde

Esse é o ofurô moderno dos bebês. Bom especialmente pra acalmar e relaxar, apesar de não muito prático pra realmente dar banho e limpar o bebê. A Lily chora muito menos no balde que o Nic chorava tomando banho na banheira. Acho que por ser mais aconchegante.

E você, sugere mais algum item indispensável nessa seara materna?


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A evolução dos tempos

2008 (Australia)

*

- Amor?

Silêncio.

- Amor? Tá acordado?

- Hm?

- Acho que Nic fez xixi…

- Hm, fez? – responde ele atordoado de sono. Pega o Nic com cuidado, leva pro trocador. Abre mais um pouco a porta pra entrar a luz do corredor que passa a noite sempre acesa – Onde é que ficam as fraldas mesmo?

- Aí do lado do trocador?… Na cestinha escrito “fraldas”?

- Ah, é.

1 minuto depois.

- Ai, me ajuda aqui, nao tô conseguindo tirar essa roupa dele não.

- É só puxar os botões no meio das pernas que eles abrem.

2 minutos depois. Ele joga a fralda quase seca no lixo.

- E os lencinhos? Tem que molhar com água morna?

- Claro, tadinho!

3 minutos depois. Nic acorda chorando.

- Pra que lado põe essa fralda???? Vem cá, não tô conseguindo fechar isso não!!!!

Ela levanta.

- Ah, é que você colocou a fralda virada, esse lado aqui ó fica pra frente. Você passou o creme pra assadura?

- Não, esqueci.

Alguns segundos depois.

- Pronto, tá tudo pronto – diz ela. Agora fecha o macacãozinho dele que enquanto isso eu vou tirando um pouco de leite. Meus seios estão tão cheios que chegam a doer… Será que hoje o Nic vai aceitar mamar no peito?

5 minutos depois.

- Cê ta demorando, o que que aconteceu aí?

- Como é que fecha esses botões???!

- É só apertar que eles fecham!

- EU SEI!!!! Mas tem um monte de botão aqui, qual vai com qual?

- Ué… Vai seguindo a fila e fechando…

1 minuto depois.

- Mas o Nic não para de mexer as pernas!!!!

4 minutos depois.

- Pronto, toma ele aqui. Ta prontinho pra mamar.

________________

2012 (Canadá)

*

- Amor?

Silencio.

- Amor, acorda.

- Hm?

- Tá sentindo esse cheiro?

- Hm?

- Esse cheiro.

- Que cheiro?

- Sei lá… Um azedinho adocicado… Tá sentindo?

- Não… Vai dormir…

- É que eu acho que a Lily fez cocô…

Ele apura o nariz, cheirando perto do bumbum dela. Olhos fechados.

- É, fez sim – volta a deitar no travesseiro.

- A gente devia trocar, não? É cocô…

- Sei não… Ela tá dormindo… Vamos deixar pra depois, vão?

3 minutos depois. Marido ressonando.

- Amor?

- Hm?

- Mas e se ela assar?

- Assa não… Daqui a pouco ela acorda pra mamar, a gente troca – diz ele com a voz embolada de sono.

- Ih!!!

- O que?…

- A fralda tá quase vazando, tá lotada! – diz ela apalpando o bumbum.

- Mesmo? Nossa… Então vamos trocar.

Ele se vira, pega fralda e lenços de cima do criado mudo.

- Quer ir pro trocador?

- Nah! Vai aqui na cama mesmo!

Ela levanta a roupinha, ele segura as perninhas pra cima, ela limpa o bumbum, Lily começa a acordar, ele põe a fralda, ela confere rapidinho, ele desce a roupinha.

- Pronto, tá pontinha pra mamar. Quando for hora dela arrotar você me acorda.

PS: Só um adendo pra dizer que apesar da dificuldade com os botões, as fraldas e as roupas em geral, a ajuda do Rafa é ESSENCIAL!!! (vide o aperto que eu passo quando ele viaja…). Mas eu tinha que mostrar que na maternidade/paternidade tudo evolui e a gente vai ficando mais esperto, prático e relaxado com o tempo. Pra que dificultar comprando um body todo cheio de botões? Pra mim a melhor invenção dos ultimos anos é esse camisolão aberto de bebê aí da segunda foto. Levantou, abaixou e pronto. #ficaadica

E aliás, qual é o nome dessa roupa, hein gente? Alguém aí sabe?

–> Descobri! Em inglês se chama baby sleep (ou sleeper) gown, que em português deve ser camisola pra bebês mesmo…


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Enquanto a Lily não vem…

… eu passeio na pracinha, falo de nossas viagens e ainda conto sobre alguém dormindo no nosso sofá. (Ó, adianto que não é o marido, viu? :D )

… faço bichinhos pro mobile dela, com a ajuda da vovó

…. e ainda tento fazer pose pra mostrar a barriga de 40 semanas.

Tudo enquanto a Lily não vem. Porque depois que ela vier, minha amiga, já vou ficar feliz se conseguir tempo pra dormir!

Beijoca no seu nariz de pipoca!


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A arte de saber baixar as expectativas

Num dia frio como tantos outros, ela se levantou (após outra noite de insônia), preparou o café da manhã (sem cafeína) e se sentou com seu filho de 3 anos. Falaram sobre o Natal, a visita do Papai Noel, a chegada da vovó dali uma semana e sobre como caminhões de bombeiro são legais. Vez ou outra, ela brincava discretamente com os chutinhos que vinham de dentro de sua barriga.

Então, pensou no marido que viajava (e que finalmente chegaria naquele dia), na loucura que seria o próximo ano com duas crianças, nos seus planos futuros e por fim, porque diabos chovia tanto lá fora. Tomou um pouco de chá e não conseguiu evitar uma careta – outra vez tinha esquecido o saquinho lá dentro e o gosto ficou amargo demais. O filho riu, ela pegou o açúcar.

De repente, como num impulso, ela se levantou, pegou lápis e papel e resolveu começar a enumerar seus projetos pro próximo ano.

*

- Pintar o cabelo

- Comer menos açúcar

- Usar o ipad novo pra escrever mais no blog

- Escrever e ilustrar a história infantil que tem na sua cabeça há anos

- Terminar os dois livros que ela já está ilustrando

- Comprar uma bicicleta (e usá-la)

- Fazer yoga

- Desfraldar o primogênito

- Tirá-lo da cama do casal (sim, ele havia saído, mas voltou)

*

Afixou a lista na porta da geladeira com um ímã do Buzz Lightyear, olhou pro relógio e lembrou que já era quase hora de levar o filho pra natação. Enquanto subia pra trocar de roupa, lembrou do berço que estava por montar e da mala que o marido trouxe do Brasil lotada de roupinhas fofas de bebê, e sentiu um rompante pra começar a arrumar tudo naquele minuto. Pausa para comentário. Não, não era o nesting* começando, isso é coisa dela mesmo.  Termina pausa.

Mas pensando que tinha muito trabalho pra fazer naquele dia, resolveu não desvirtuar e sim, respirar fundo e lutar fortemente contra todas suas células arrumadeiras. Cada coisa no seu tempo: no outro dia cedo (sábado) seu marido poderia montar o berço, ela lavaria todas as roupinhas e sem pressa poderia organizar tudo em seu lugar (ou seja, na única gaveta disponível à Lily até o momento – a do berço). Ela então ficou feliz pela dádiva de conseguir pensar racionalmente e com parcimônia, mesmo em momentos de rompante (qualquer grávida sabe que isso não é fácil) e assim não acumular mais uma culpa materna por não levar o filho na natação.

* * *

No dia seguinte ela é a primeira a se levantar. Entusiasmada, vai tomar café. Volta pro quarto, marido dormindo. Então coloca as roupinhas pra lavar.  Volta, marido dormindo. Decide que é melhor tomar um banho. Sai, marido dormindo. Tropeça na cama, ele acorda.

- Oh, que bom que você acordou, amor! Bom dia!!!

Ele volta a dormir.

Uma hora depois, lutando contra a dádiva da tranquilidade que ameaçava ir pro espaço, ela o observa se levantando lentamente sem acreditar como pode uma criatura ter tão pouca pressa pra montar um berço. Algo tão legal de se fazer! Ele então escova os dentes devagar, toma banho sem pressa alguma, toma café com movimentos quase estacionários, pra finalmente… se sentar pra checar os emails.

- E o berço? – solta ela abruptamente.

- Que que tem? Você quer mesmo montar hoje? Mas falta tanto tempo ainda… tem mais de um mês pra gente fazer isso…

- Eu sei, mas é que eu já queria começar a organizar as roupinhas dela… tá tudo dentro da mala ainda… Sem falar que vai ser bom pro Nic, pois vai ficar tudo mais real com o berço ali… não acha?

- É…

E montou o berço.

* * *

Ela finalmente conseguiu passar a tarde arrumando tudo com carinho, namorando cada detalhe das roupinhas e tentando se decidir qual lençol colocar no berço – o de joaninhas ou o de ursinhos – quando de repente ela escuta:

- Mamãe, quero deitar aí.

- O que, Nic? Nesse berço? Mas é da sua irmãzinha, meu bem… lembra que você dorme com a mamãe e o pap… – E só então a ficha dela caiu. – Tá bom! Pode deitar aqui sim!

E desde então Nic não dorme mais com eles.

Não foi bem como ela esperava, mas naquele dia ela riscou feliz o primeiro ítem da sua lista. E depois saiu pra comprar um moisés pra bebê que vai nascer.

(Ela: desencanada é apelido. Sim, essas fotos são recentes. Sim, o buraquinho encima do umbigo era de um piercing. Sim, ela estava com sono quando tirou as fotos.)

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*Nesting é aquele instinto arrumador que acomete todas as grávidas quando a cria está por nascer.


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num dia isso, no outro aquilo

Num dia, você leva seu filho pra escolinha caminhando por uma trilha que passa no meio de uma floresta, abestalhados com tamanho espetáculo de cores na sua estação preferida.

No outro dia, mal conseguem sair de casa de tanta neve na sua porta.

*

Num dia, como tem sido de costume nesses três anos, seu filho não quer saber de comer nada e rejeita todo e qualquer vegetal, fruta ou textura diferente que você venha a oferecer.

No outro, ele está que nem o Pacman e come tudo o que vê pela frente.

*

Num dia, seu filho fala tudo em terceira pessoa.

No outro, se dá conta que é um indivíduo e só quer saber de dizer “eu”, mesmo que ainda não domine todas as conjugações – eu comei, eu trazeu, eu correi, eu decei.

*

Num dia, ele não fala nada de inglês, já que você só fala português em casa.

No outro, ele te aparece dizendo coisas como “mamãe, look at this!”, “come back!” e “amazing”.

*

Num dia, é carinhoso com todas as crianças, até mesmo com aquelas que batem nele.

No outro, já aprendeu a revidar e dá trauletadas até mesmo em quem não tem nada à ver com o sapo (ou seria pato?).

*

Num dia, ele tira sonecas de 3 horas seguidas todas as tardes.

No outro, diz que soneca não é mais coisa pra ele – (até que vai assistir um videozinho e acaba dormindo assim mesmo).

*

Num dia, ele dorme tranquilo a noite toda.

No outro, decide que é hora de mamãe e papai começarem a se preparar pra chegada da irmãzinha, e de muito bom grado resolve ajudá-los acordando todas as noites à meia-noite e às 3, gritando “não, não, não”. E ninguém entende o porque de tanto “não”.

*

Num dia, ele só quer saber de usar e fralda.

Bom… e no outro também.

*

É, parece que tem coisas que não mudam nunca mesmo, né?

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Avisos!

- Dia desses estive lá no Mãe é tudo igual. Passe lá se você quer ver uma entrevista que ela fez comigo, falando do Canadá.

- E não deixem de participar do sorteio solidário do MMqD, que oferece 13 prêmios bacanas (incluindo uma ilustração minha) e uma ótima oportunidade de ajudar as criancinhas com câncer do AACC. Ainda dá tempo!


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No Blog da Clauo!

Pessoas queridas, tudo bem quando eu não escrevo aqui mas escrevo em outro blog, né? Porque  foi o que aconteceu essa semana (de novo!). Desta vez fui convidada pela queridíssima Clau pra escrever um post de estreia da sessão “Participações Super Especiais”. Olha que chique!!!

Ela me pediu pra falar sobre o que me motiva a escrever um blog (ou dois!) e eu juro (juro!) que tentei escrever um post normal e sensato (qual a dificuldade nisso, né?), mas claro que meu plano descarrilhou e acabei falando mesmo foi das poderosas forças contrárias que insistem em me manter longe do blog.

Vai lá no Blog da Clauo, lê o post, mas não vale rir, hein? A situação é trágica, meu povo! Muito trágica.

Beijos e logo volto com um post por aqui! Promise!


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Gravidez Nic x gravidez Lily

Assim que me vi grávida de novo foi inevitável começar as comparações com a outra gravidez: desta vez quase não passei mal, não vejo nem sombra daquela línea nigra horrorosa e escuríssima que me apareceu na primeira vez e tenho sentido um frio inexplicável! Mas em compensação nem de longe meu cabelo e pele ficaram com aquela sedura maravilhosa da primeira gravidez, nem eu tenho tido muito tempo pra me preocupar com isso.

Outra diferença marcante era a impressionante acurácia com a qual eu conseguia rastrear meu tempo de grávida:

- 23 semanas e 3 dias! E completo 24 semanas na próxima terça!* – respondia eu sem titubear pra qualquer um que me perguntasse e ainda por cima com aquele entusiasmo que beirava à inocência, bem característico das grávidas de primeira viagem.

Já hoje:

- Quanto tempo? Ah, entre 6 e 7 meses… talvez mais… Bom, a bebê tá estimada pra nascer em fevereiro, então…

* * *

Mas sem dúvida a maior diferença de todas foi o TEMPO e disponibilidade que eu tinha pra inventar coisas e mergulhar totalmente naquela experiência gravídica: fiz album de scrapbook detalhado com fotos da barriga a cada semana, yoga todos os dias, li todos os livros disponíveis sobre parto, tomei muito banho de espuma demorado, fiz inúmeras caminhadas de mãos dadas com o Rafa, assisti minhas séries e filmes favoritos,  e claro, selecionei com cuidado cada roupinha pro Nic, lavei com sabão sem lauril sulfato de sódio, perfumei com essência de extratos naturais e organizei tudo em gavetas etiquetadas de acordo com o tamanho das roupas.

Já pra Lily, estou considerando que se eu conseguir (e SÓ) me preparar bem pro parto dela, já ficarei extremamente feliz. Porque de resto, não tenho mais tempo, não tenho quase fotos da barriga, não tenho tempo, não compramos quase nada pro enxoval dela, não tenho tempo, não temos gavetas nem um quarto só pra ela. E o pouco tempo que consigo angariar pra mim, passo fazendo kegels e trocando a fralda do Nic que não quer desfraldar de jeito NENHUM.

* * *

Outra coisa que me deixa no mínimo fascinada era minha nerdice na outra gravidez. Acredita você que eu registrava meu peso religiosamente a cada semana e ainda por cima acompanhava minha curva de ganho em um gráfico?

Tudo bem que esse negócio de peso pra mim sempre foi cercado de uma certa aura paranoienta, já que até os 25 anos eu fui uma pessoa extremamente complexada por ser magra. Tinha vergonha das minhas pernas (que eu cresci escutando que eram cambitos de seriema), do pescoço fino, da falta de atributos avantajados e até da barriga seca (oi?). Daí um dia eu entrei pra faculdade, comprei vários vestidinhos bonitos e finalmente me senti bem com meu corpo; mas quando engravidei do Nicolas não deixei de sentir uma ponta de felicidade com a perspectiva de sair da experiência com uns quilinhos à mais.

Acontece que pra minha grande decepção, ao invés desse tal de Seu Universo conspirar a favor da minha engorda, me mandou foi um enjoo do cão, que me fazia vomitar com qualquer cheiro ou comida. Até o tom de voz meloso de um amigo meu (a quem eu via todos os dias) me fazia enjoar. Resultado: EMAGRECI 4 kg no primeiro trimestre e cheguei ao peso mais baixo desde que eu tinha 12 anos de idade.

Grávida do Nicolas com 17 semanas (quem diria?)

* * *

Daí que quando finalmente saí da fase dos enjoos, passei a comer como uma desvairada. Já ouviu falar que grávida tem que comer por dois, né? Pois levei isso tão a sério que comia logo por dois adultos. E pra dar um gás na minha maratona do peso, li na bíblia das grávidas que o ideal é engordar numa taxa de meio quilo por semana até o nono mês e depois passar a engordar até 1kg semanalmente. Com essa meta escabrosa em mente e a necessidade de recuperar o peso perdido entrei num ritmo tão alucinado, que meu peso não aumentava, galopava. Cheguei ao nono mês com 16kg à mais e de Olivia Palito passei a Sapo Boi.

*

Depois disso, amiga, foi só ladeira abaixo, pois desse ponto em diante, eu já não conseguia mais conter a aceleração do ganho de peso e até o Nicolas nascer, com 41 semanas, eu engordei mais 4kg. Virei um balão.

Lu e Nic, 38 semanas, primavera quente no deserto australiano

Após essa experiência, que me custaram 2 anos pra voltar – ao hoje muito apreciado – peso original, tenho comido com muito mais moderação e graças ao meu anterior registro detalhado, toda vez que finalmente descubro com quantas semanas estou (e viva minha midwife e sua fita métrica**!), corro lá no gráfico e uso pra comparar com meu peso atual. Hoje estou com 28 semanas e pesando 3kg a menos. Deus sabe como vamos terminar essa jornada.

* * *

E sobre as fotos, na tentativa de preencher a falta de fotos nessa gravidez, fizemos um ensaio fotográfico de família daqueles bem espontâneos e em meio à natureza com a Belle Meneirz. A maioria das fotos ainda não vimos, mas pelo menos já deu pra comparar as barrigas na mesma época.

Esquerda: Lu e Nic, 27 semanas, inverno no deserto australiano. Direita: Lu e Lily, 26 semanas, outono no Canadá.

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* Além do calendário, eu usava o Gravidômetro, um programinha meio mequetrefe (que não leva em conta o ciclo menstrual), mas que muito me ajudou a acompanhar o tempo de gravidez do Nicolas. Caso você esteja grávida ou pensando em engravidar E tenha um computador com Windows, pode baixá-lo AQUI Ó.

** Pra descobrir a idade gestacional minha midwife usa o antigo método de apalpar a barriga e medir o útero com uma fita métrica. Na última vez deu 28 cm, que correspondem a 28 semanas.

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