O lado cômico da maternidade


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O dia que eu descobri que tem coisa pior que ter feito book fotográfico

Resumo do ultimo capítulo: após anos de terapia do espelho pra finalmente conseguir resgatar sua tão defasada auto-estima, Luciana vive um trágico e inesperado reencontro com seu passado Elke Swarovski. Baratinada, ela vai pra São Paulo com sua filha, afim de encontrar algumas amigas, dentre elas, aquela que teria o poder de ajudá-la a afugentar seus traumas e fazê-la acreditar que dias melhores estariam sim por vir. 

* * *

Ahhhh! Nada como uns dias só de meninas pela frente! Era tudo o que eu precisava após ter cutucado feridas tão profundas em minha alma… Também, com um panfleto cafona daqueles, como eu podia esperar um resultado decente?

Mas enfim.

No vôo pra São Paulo, enquanto Lily mascava os meus foninhos de ouvido e eu continuava sendo perseguida por aquela fatídica imagem que ricocheteava insanamente na minha cabeça sem um minuto de trégua, cheguei à conclusão que aquilo tinha que acabar!

Então repreendi a Lily e guardei meus fones.

Ufa, agora sim, eu podia pensar com mais clareza! Porque pra mim, não fazia sentido nenhum como uma pessoa inteligente, sensata e de cabelos já TÃO vastos, algum dia pode ter acreditado que fazer um corte selvagem abundantemente repicado mais uma ondulação permanente à base de amônia, pudesse ser uma boa ideia.

Será que eu não pensei que o volume dos meus cabelos excederia os limites de metro cúbido humanamente aceitáveis? ( ) sim (x) claramente não Será que eu não considerei a possibilidade de meus fios se danificarem para todo o sempre? ( ) sim (x) óbvio que não Ou será que eu não pensei em nada disso e tava era mesmo doida pra ter um visual despojado (pra época), calçar minhas polainas degradês super sexy (pra época) e dançar Girls just wanna have fun da Cyndi Lauper? (x) bem possível (x) sei não, pelo jeito tava mais pra Like a Virgin

Bom, cada um com suas escolhas, mas eu acho que tudo tem limite… E sinceramente? Não aguento essas pessoas que não veem as consequências dos seus atos.

- Não Lily, mamar agora não. Brinca com essas moedinhas, meu bem, mamãe precisa pensar mais.

* * *

Chego em São Paulo.

O apartamento era impecável. Tudo lindo, sofisticado, requintado, adornado e milimetricamente organizado. Nada de paredes riscadas com marcador permanente de várias cores, nem móveis decorados com adesivos do Mickey e Pato Donald; muito menos brinquedos obstruindo os caminhos. Abracei a Lily, fechei meus olhos e mentalizei: meu dia chegará, confiá-lo-ei.

Comigo estavam a Dani e a Clauo. A Dani, além de engraçada, mostrou ter habilidades automobilísticas tão extraordinárias, que conseguiu dirigir pelas ruas de Sampa com a Lily chorando de sono de um ponto ao outro – o equivalente a ter uma vuvuzela buzinando em cada ouvido por meia-hora, imagine. Um ás no volante.

Já a Clauo, é uma dessas pessoas tão legais e cativantes, que você tem vontade de abraçar e agradecer a ela por existir a cada cinco minutos. Só me controlei pra não deixá-la desconfortável. E pra não passar vergonha. E pra nao estragar a tal primeira impressão, que pelo que dizem, é a que fica. Então me contive.

A dona da casa, era minha querida amiga Dri. Linda, chique, divertida e PARA TUDO: Consultora de Estilo.

Destino, né gente?

Cooooooorre, que o antídoto ta chegando, Feitiço de Elke!

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* * *

Fragilizada, abalada, porém esperançosa, me deixei sentar na cadeira indicada. Com cara de quem sabia o que estava fazendo, ela veio com um pano cinza e enrolou na minha cabeça. Considerei aceitável. Pegou outro pano cinza, jogou sobre meus ombros, enrolou no meu dorso e deixou só meu rosto de fora. Tranquilo. Daí começou a colocar, tirar e agitar umas bandeiras coloridas nos lados do meu rosto. Nesse momento me perguntei se aquilo tudo seria realmente necessário.

- Isso tudo é realmente necessário, viu Lu!

Viu? Sabia!

Daí ela me explicou que aquilo era chamado “coloração”, uma técnica de vanguarda pra avaliar quais as cores combinavam comigo, quais me deixavam desenxabida. Então me disse que como sou pessoa de alto contraste e por minha paleta ser de cores mais frias e fortes, eu deveria fugir das combinações pastéis SEMPRE.

Nesse momento, lancei-lhe um olhar de “are you sure?” enquanto eu concluía o escaneamento mental de meu guarda-roupa. A 83% do processo o resultado era 60% bege, 30% marrom, 10% indefinido. Ou seja, toda uma vida de desenxabimento. Como lhidar com isso, gente? Mas daí, vibrei de alegria ao lembrar que eu tinha algumas blusinhas vermelhas e laranjas guardadas em algum lugar. Yay!

- Lu, evite também os vermelhos e laranjas, pois essas cores te apagam e acentuam mais suas olheiras.

Credo! Deus me livre de cor que acentua olheira nesse ponto da minha vida. Imediatamente mandei as blusinhas (que blusinhas?) direto pra minha lixeira mental.

Quando eu já perdia as esperanças de ser feliz de novo, ela veio me contar com entusiasmo sobre todos os acessórios que eu podia usar com as cores que não me favoreciam tanto. Falou das cores boas e das combinações interessantes que realçariam minha beleza interna e externa. Falou de texturas, padrões, auto-aceitação, gasto consciente e tanto mais.

Toda uma vida de alto astral e alto contraste pela frente, né gente?

Assim, meus olhos foram cintilando, meu coração palpitando e aos poucos fui sentindo que aquela velha imagem distorcida de mim mesma se desvanecia. (Tá, agora só faltava eu convencer minha mãe a tirar a tal foto da porta de sua geladeira. Mas sejamos graduais).

Daí a Dri tirou aquela panaiada cinza de cima de mim e Liloca, que aparentemente andava procurando por sua mãe fazia tempo, veio correndo enlouquecida pro meu lado com cara de cachorrinho órfão. Pego a minha pequena com animação, já vislumbrando o meu futuro fashion reformulado e sento ela no meu colo. Quando casualmente, eu olho pro joelho dela e ali vejo uma fralda.

Hm.

“O que essa fralda estaria fazendo na altura do joelho dessa criança?” – penso eu sem nem mesmo querer saber a resposta.

Conservo minha expressão tranquila e despreocupada, enquanto escuto sobre revigoração de guarda-roupa e degusto o delicioso bolo de limão feito pela Dri. Então respiro fundo (discretamente) e percebo um conhecido aroma adentrando minhas narinas. Sigo impassível.

A Dri continua me contando que o intuito de sua consultoria é formar consumidoras conscientes, que saibam reaproveitar suas roupas e comprar o estritamente necessário. Interessada em saber mais, mas com o dever de investigar o que acontecia nas imediações do meu colo, desvio o olhar para o meu vestido  – de tom quase pastel – e nele identifico um material – claramente de alto contraste.

PARA TUDO.

Aquilo estava realmente acontecendo?

Quando vislumbrei toda uma vida de alto contraste não era bem isso que eu tinha em mente. Já sem conseguir fingir, e com expressão de terror nos olhos, afasto o bumbum pelado da Lily do meu vestido.

E desfaleço.

* * *

Pois é, gente, taí uma história que eu queria MUITO poder dizer que aconteceu com uma amiga. Afinal, quem quer pra si uma história dessas, né? E olha que já comi cocô de galinha, encontrei com ginecologista em festa de aniversário, já joguei suco na minha comida por diversão, já quis ser o Mussum, já travei contato com meliante no Havaí e até fiz book fotográfico nos anos 80.

Mas foi nesse dia que eu me dei conta, que depois que a gente tem filho TODAS as outras historias da nossa vida nos parecem completamente obsoletas. Ensaio fotográfico nos Estúdios Sonora? Rá! Fichinha perto do que passei na casa da Dri.

Obrigada Lily, pois no final das contas, VOCÊ foi a responsável por quebrar o feitiço de Elke! E obrigada Dri, por manter a calma mesmo diante do que parecia pouco provável!

* * *

EPÍLOGO: Depois do incidente que mudou os rumos de sua auto-estima, Luciana passou uns dias na casa de sua querida amiga Eline de onde saiu ainda mais inspirada e conheceu a adorável irmã quase gêmea da Lily. Depois voltou pro Canadá onde continuou a consultoria de estilo pelo skype, se tornando a primeira cliente internacional da Trendy.

Hoje, ela vive feliz com ela mesma, (tenta) usar seu guarda-roupa a seu favor e sempre verifica duas vezes antes de colocar a Lily no seu colo.

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O dia que eu fiz um book fotográfico

Eu passei grande parte da minha vida tentando fingir que certas coisas nunca me aconteceram. Entre elas:

- A vez que comi cocô de galinha achando que era cocada preta.

(Em minha defesa, eu só tinha 3 anos.)

- A vez que entrei na contra-mão numa avenida mega movimentada e minha única reação foi fechar os olhos, soltar as mãos do volante e gritar “eu vou morrer! eu vou morrer!”.

(Em minha defesa, essa era minha primeira semana dirigindo na mão-inglesa e juro que vi até túnel de luz azul com anjo – tava fazendo gracinha que ia morrer não!)

- E a vez que fiz um book fotográfico.

Jesus.

Mas ó, em minha defesa, o panfleto do Estúdio Fotográfico Sonora foi MEGA convincente, mega! Pra começar, tinha uma paisagem linda, quase transcendental, com um por-do-sol sobre o mar mais um arco-íris ao fundo, e uma águia se transformando numa mulher de cabelos esvoaçantes na frente. De um dos cantos saía um brilho de flash fotográfico, imagino que pra contextualizar. Coisa linda! Dava pra ver que tinham a manha total no Photoshop, coisa muito importante. Vai que eu precisasse?

Bom, e embaixo vinha escrita a seguinte frase em 3D (provavelmente feito no Word Art, eu disse que os caras eram bons) “Nossas fotos realçam a beleza que já existe em você.”

Nossa, fechou! Me convenceu total!

E como se fosse preciso, ainda ofereciam 10% de desconto. Oportunidade da vida, né gente?

Daí fui. Me maquiaram, jogaram mousse no meu cabelo, passaram batom da Elke Maravilha, me adornaram com brincos de cristal Swarovski, me ajeitaram as ombreiras. Me pediram pra jogar o cabelo pra frente e pra trás repetidas vezes e tacaram mais mousse. Disponibilizaram chapéu com pluma, echarpe vermelha e lenço de oncinha. Colocaram uns guarda-chuvas luminosos ao meu redor (galera era profissional mesmo), posicionaram as câmeras e nesse momento eu virei DIVA. Me senti poderosa, linda, uma deusa.

Até o dia que fui buscar as fotos.

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Chorei cinco dias seguidos.

Rasguei o panfleto separando mulher de águia, por-do-sol do arco-íris, céu do mar. Sem mostrar pra ninguém, escondi o book debaixo do meu colchão por anos a fio (junto com minha coleção de cartões Amar é). Ergui a cabeça, domei meu cabelo como pude e voltei à vida normal. Me formei, me casei, fui morar fora, procriei, virei ilustradora, fui feliz. Nunca mais me lembrei do bendito do book.

Até a ultima vez que fomos ao Brasil.

***Sinceramente, mães precisavam de uma junta médica especializada pra explicar o que se passa no globo ocular delas que só vê beleza nos filhos. Como explicar?***

Pois não é que eu adentro a cozinha da casa da minha mãe à procura de um pacote de biscoito papa-ovo pra matar a saudade e dou de cara com meu passado Elke Swarovski enfeitando a porta da geladeira dela?

- Mas essa foto tá MARAVILHOSA, minha filha! Deixa ela aí! Olha esse batom bem passado! E que lindo tava o seu cabelo!!!

Juro que quase tive um treco. Aquela foto era pra mim um registro frustrado de uma das poucas vezes que tentei ser vaidosa na vida. Entre outras coisas, a Síndrome do Cabelo Alto voltou com tudo pra mim naqueles dias. Fiquei assim tão abalada, que à noite, nas raras oportunidades que o coala noturno me deixou dormir, eu fechava os olhos mas a única coisa que me vinha era a minha imagem em negativo. E piscando.

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* * *

Felizmente minha próxima parada me levava ao encontro da única pessoa que deteria a cura pra todos os meus traumas. A única pessoa que poderia quebrar o temível Feitiço de Elke.

(continua)


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O galinheiro, o sassariquento e o ataque do coala noturno

Ah gente querida, como eu queria vir aqui toda semana pra papear um bocadinho com vocês! Mas quem disse que consigo? Ainda mais depois que cismei de fazer um tal de projeto 365, que minha vida ficou de cabeça pra baixo, assim como se ao invés de 2, eu tivesse uns 30 filhos pequenos, mais 3 cachorros e um galinheiro.

E vocês sabem que não sou dada a exageros, né?

Pois bem, então deixa eu terminar logo de contar essa ladainha da viagem pro Brasil, que já tá me dando vergonha eu estar no mesmo assunto até hoje, 2 meses depois de voltar de lá. Cruzes.

Culpa do galinheiro. Certamente.

* * *

Mas então. Como toda visita a Beagá, a correria é tanta, mais tanta, que quando as crianças começam a se acostumar com alguém, a assimilar o que é tia, primo ou irmã-do-coração da mamãe, já é hora de catar os pertences e visitar outra pessoa. Na saída, a gente só não esquecia de roubar um pão de queijo pra comer no carro e rezar pra Nossa Senhora das Familias em Visita pela Terrinha pra não ter engarrafamento.

Coisa que nunca aconteceu. Ocupadésima essa santa, aparentemente.

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Mas tirando o transito que não transitava (e que até me rendeu umas boas balas chitas que me ajudaram a minimizar certos traumas de infância), deu pra cortar muitos itens da minha lista de coisas que não podíamos deixar de fazer no Brasil.

Número 1

Matar a saudade de abraços. Porque o Canada tem de um tudo, gente, mas não tem abraço. Tirando nos encontros com brasileiros daqui ou os desafortunados que se deparam com ursos (Deus os tenha), a chance de você angariar um abraço aqui é quase nula. Mas matei minha abstinência da melhor forma:  abraçando muita gente querida e amada. Mesmo.

Número 2

Desgarrar a Lily um tiquinho. Porque pense numa criatura agarrada. Ah, que doce, você pensou num coala? Mas não tá nem perto, viu? Então faz o seguinte: pega esse coala, encapa ele com um velcro magnético possante, cola um tanto de bolinha de chiclete ao redor e joga um balde de carrapato por cima. Balde grande. Pronto, agora multiplica por 10. Essa é a Lily comigo. Por isso, foi uma verdadeira surpresa ver ela se jogando no colo de pessoas que ela nunca tinha visto na vida e até criando laços afetivos. Milagres do Brasil.

Número 3

Ver como o Nic se sairia com a língua portuguesa. Não que esse fosse um grande problema, pois português é sua primeira língua. Mas, como ele aprendeu inglês na escola e brincando com seus amiguinhos, quando ele brinca, mesmo que sozinho, ele SÓ fala em inglês. Por isso foi muito lindo e fofo observar ele escolhendo cuidadosamente as palavras pra falar só em português quando brincava com outras crianças. Fofo mesmo. E lindo.

Número 4

Rever a turma de faculdade depois de 10 anos. Muito bom!!! Exceto a parte de encarar que sou a mesma boba de antes, só que com 10 anos a mais.

Número 5

Visitar gente bacana. Desta vez teve cria nova pra conhecer e apertar, amigas grávidas pra encontrar, lasagna da Ignes pra degustar, Ouro Preto pra visitar com gente especial, e pipa pro Nic soltar com o maior especialista do mundo – meu irmão. Check, check, check, check e check.

Número 6

Ter tempo de pernas pro ar. O que significou ter momentos de não fazer nada e só ficar por conta de papear. Foi ótimo aproveitar minha família, amigos próximos e minha cunhada divertidíssima grávida do meu primeiro sobrinho de sangue – o Pedrinho, que nasceu há poucas semanas!!!

Número 7

Ter uns dias só de meninas lá em São Paulo. Conto TUDO logo, logo, prometo.

Número 8

Comer de tudo sem engordar. Sem comentários, desastre total.

* * *

Ou seja, foram 10 dias em BH super bem aproveitados! Mas claro, se você me permite ser bem sincera, sempre tem uma desvantagem aqui ou ali, né? E pra mim, a parte mais difícil foi, como sempre, manter a rotina das crianças.

Rá, caiu nessa, foi? Desculpa, mas essa é a versão genérica, que conto pra todo mundo.

Porque a verdade verdadeira, gente amiga, difícil mesmo foi ter que assistir de camarote a disponibilidade do marido pra sassaricar com os amigos toda santa noite enquanto eu ficava lá, sendo requisitada por dona Lily (que à noite resetava todos os avanços adquiridos durante o dia e voltava pra versão original © Coala Plus).

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À rotina corrida e imprevisível a gente acaba se adaptando, né gente? Agora marido sassaricando sem você é de matar. Já não basta passar a gravidez toda intacto, ainda tem que nascer sem leite nas peitas?

Por isso, enquanto o Sr. Todo Soltinho se encontrava com Fulano, Beltrano, Cicrano ou Soprano, Liloca apurava seu método de manipulação materna, que consistia basicamente, em ameaçar gritar a todo pulmão quando todo mundo da casa já dormia, a fim de conseguir acesso rápido e imediato às peitcholas.

Claro que funcionava.

Afinal eu é que não queria me tornar pessoa malquista e indesejada pelos donos da casa – mesmo que as pessoas em questão fossem sangue do meu sangue.

Nunca se sabe, melhor não arriscar. “Vem cá, escuta. Eu sei que a Lu é linda, maravilhosa, agradável, meiga (…) e que educa os filhos como ninguém. Mas que diabos foi aquela choradeira da última noite? Credo!!! Será que ela esqueceu que tem mais gente tentando dormir nessa casa? Como ela deixa a menina ter o controle daquele jeito? É nisso que dá dormir com filho, eu bem que avisei!'”

Deus me livre de alguém saber achar que a Lily me controla. Então disponibilizei.

No entanto, assim que Liloca foi bonificada com acesso livre e irrestrito à leitaria noturna, ela, que antes acordava uma a duas vezes, passou a acordar duzentas. Natural, vai! Infelizmente, 200 também foi o numero de camadas de corretivo necessárias pra camuflar o aprofundamento das minhas olheiras.

Agora pensa comigo. Se hoje, que estou no sossego da minha casa, cuidando do meu galinheiro tranquila, já ando com cara de quem passou a noite rodando dentro de uma betoneira e logo em seguida foi atropelada por um caminhão com rolo compressor, imagina no Brasil, com uma atividade diferente todo dia?

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Não foi bonito não, gente.

Em um mês, em seguida volto pra contar os causos de São Paulo. Última parte.


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Praia boa é praia azulejada

Anota aí, colegas: viagem que tem até grupo em Facebook, exclusivamente criado pra compartilhar o cronograma diário da família, não tem como dar errada.

Não tem.

Pra começar, o voo de ida foi um espetáculo, como já contei. Tá, cheguei no destino parecendo um chassi de grilo anêmico, mas vamos combinar que isso é um mero detalhe se você pensar que tivemos a grande oportunidade de fazer uma viagem dinâmica e nada monótona, na qual em menos de 24 horas vivemos a emoção de passar por Vancouver, Toronto, São Paulo, Rio e chegar em Cabo Frio de ônibus.

Êxtase define.

Chegando lá, tudo perfeito! Famílias reunidas, comida maravilhosa, até que… dou falta do Ergo-baby, meu super carregador (e tranquilizador) de Lily. “Certeza que esqueci no ônibus”, recapitulei. Felizmente, ficamos sabendo, que na rodoviária havia uma salinha de “Achados e Perdidos”, e por tudo nessa vida que eu tinha certeza que estaria lá. Afinal, que alma desalmada pensaria em levar para si um trapo de pano surrado e o qual tão pouca gente sabe pra que serve?

Pois levaram.

Okay, sem problema. Respiremos fundo e esqueçamos do incidente. Bora aproveitar a praia, que é pra isso que fomos!

* * *

Cabo Frio é ótima, e eu tinha certeza que as crianças iriam adorar! Eu amo Minas, mas infelizmente ela tem o pequeno defeito geográfico de não ter praia, né? Por isso fizemos tanta questão de ir enfrentar a baldeação pra chegar lá.

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(Aliás, fica aqui minha humilde sugestão pra uma futura reformulação da cartografia brasileira. Que tal adicionar dois simpáticos rabicozinhos ali em Minas Gerais, anexando Cabo Frio e Guarapari, que se bobear, têm mais mineiros que a propria Belo Horizonte? #ficaadica)

Mas enfim.

Nossos dias em Cabo Frio teriam sido perfeitos se eu pelo menos gostasse de praia. As crianças curtiram muito,  mas eu particularmente continuo compartilhando da opinião da minha cunhada, que praia boa é praia azulejada. Por que né, gente? Praia é ou não é a mesma coisa que ficar marinando na água salgada e depois ir se esticar na farinha de pão?

Me diga você.

E se tem uma coisa que não sou muito chegada em ser, é frango empanado. Gosto não.

Mas tudo bem, pois fui pra lá com o espírito livre, o coração venturoso e o corpo disposto a aproveitar sem reclamar.

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Areia? Vamos transformá-la em diversão pras crianças.

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Vento e chuva se armando? Encapota a cria, mesmo que seja com fantasia de cogumelo.

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Pombos querendo se meter na sua farofada? Chama a vovó pra se divertir com o neto.

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Ficou entediada? Desopila e finge que tem 12 anos (ou escancara que é boba mesmo, que todo mundo vai dizer que nem tinha percebido).

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Muito sol na cabeça? Bora procurar a sombra de um coqueiro, ainda que pequeno.

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Tem pernilongo na casa? Aproveita pra desfilar seu modelito de animal print mais que original! Vai estar super na moda, gata!

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Fez tudo isso, mas cansou? Então vai pra piscina e aproveita pra mostrar pra todo mundo que mãe, além de fazer milagre em casa, ainda sabe andar sobre as águas!

O que não dá é pra reclamar!

Né?

———————-

PS: Acabei comprando o Sampa Chila  pra substituir o Ergo-baby perdido. A qualidade não é a mesma, mas certamente salvou nossa viagem de volta!


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Quando viajar com crianças é só uma questão de perspectiva

“Viajare con crianzae pode ser bonno, malum o terriblae. Dependum de la perspectivae, et também se habemus mamam, se habemus papam et como agem los duo.”

Proverbium latinum.

Depois da última viagem às terras tupiniquins, jurei pra mim mesma que só voltaria após a invenção do teletransporte.

Bom, na falta dele, pensei que o mínimo que as companhias aéreas deveriam fazer era promover todo mundo viajando com filho pequeno direto à primeira classe.

- Seu nome, por favor.

- Luciana Azevedo.

- Passagens somente pra senhora, Sra. Azevedo?

- Não, também vou levar minha filha de 1 ano e meu filho de…

- Desculpa interromper, mas não precisa dizer mais nada. A senhora aceita uma taça de champanhe?

- O-o que está acontecendo? Peraí, isso é chuva de confetes?

- Sua família acaba de ser automaticamente promovida à primeira classe em todos os voos de ida e volta pelo preço da econômica! Parabéns!

- Me-mesmo?

- Sim! E por terem dois filhos pequenos, vocês ainda terão uma limosine à disposição pros traslados devidamente equipada com chofer, manicure, duas cadeirinhas pras crianças, cookies de semente de girassol e chia, tábua de frios e uma vasta seleção de vinhos franceses. Tudo sem custo adicional!

Gente! Custava???

Mas não. Sabem o que fazem do contrário?

Colocam uma mãe, um pai e uma criança de dois anos que nunca tinha dormido uma noite completa na vida, confinados no meio de uma estúpida fileira de 5 assentos no meio do avião. Imagina a situação. Duas pessoas e meia enclausuradas por 10 horas noturnas em três poltroninhas esmirradas (não no sentido de terem sido feitas de mirra… [porque lembra, né? Ouro, mirra e incenso?] … mas no sentido de serem apertadas mesmo – só pra esclarecer).

Pra piorar, ouvi dizer que a mãe em questão, coitada, ainda sofreu requerimentos intestinais a cada meia hora durante todo o voo.

Se fosse comigo, eu só não pedia pra morrer ali mesmo porque tenho superstição pra essas coisas.

* * *

Agora, pior que isso, é passar todo um perrengue desses, enquanto do seu lado tem um casal fofo, todo trabalhado no filminho, sonequinha e comidinha de avião, com um filho que dorme o voo todinho, sem dar um pio.

Aí não!

Passei exatamente por isso nas 28 horas de voo da Australia pro Brasil, quando o Nic estava com 5 meses e tinha refluxo. O avião era até bacana, equipado com bercinho e tudo, mas era como ter um banquete na nossa frente e não poder comer, sabe? Veja bem, pra começar, eu passei metade do tempo de voo em pé no corredor, dançando forró com o iPod coladinho no ouvido do Nic, pois essa era a única forma que ele dormia. Eu cansei de escutar os atendentes me implorando pra sentar e colocar o cinto, e até aprendi a ignorar a cara de interrogação dos gringos olhando pra mim. Tudo isso, pra colocar o Nic no berço e ele acordar – enquanto o vizinho não acordava nem pra dizer “nhém”.

Brutal.

Ou seja, enquanto eu saí do avião tonta de cansaço, zonza de inveja e enjoada de todo aquele Fala Mansa na minha cabeça, os pais dessa criança dorminhoca devem ter saído propagando que voar com bebê é mamão com mel, de tão doce.

Perspectivas diferentes.

Daí, que esse ano, só posso ter batido a cabeca em algum lugar, porque decidi ir de novo pro Brasil. E pior, com uma criança a mais.

Felizmente, quem tem marido que viaja muito, alem de aprender a escovar os dentes com o pé, ainda tem chances de conseguir promoção pra classe executiva com as milhas acumuladas.

Não precisamos de esmola não, viu suas airlines?

* * *

IMG_4015(as quiança tudo de pijama no aeroporto)

Entro no avião às 10:30 da noite.

À medida que me aproximo do meu assento, mal consigo conter uma lágrima furtiva de emoção. “Amor, me belisca (mas não com força) que eu só posso estar sonhando” – consigo balbuciar.

Ali, à minha frente, se encontrava a visão mais espetacular que uma mãe em espaço aéreo pode sonhar: poltronas individuais, confortáveis e com-ple-ta-men-te reclináveis. PERFEIÇÃO. O Éden sobre duas asas.

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Até que eu sento e me dou conta que o tal Éden era estreito demais pra mim e Lily.

Acredito que o resto do voo vocês mesmos podem adivinhar como foi. Só quem já tentou dormir com uma criança de sono leve encima de si próprio, e tentou com todas as suas forças ignorar aquela coceirinha persistente na beirada do umbigo, sabe que a situação fica insustentável depois de meia hora. Ou mesmo 1 minuto, dependendo da coceira.

Ali eu fiz de tudo, colegas. Tentei dormir sobre meu ombro pra caber a Lily do meu lado, troquei de lado, voltei com ela pra cima de mim, ela escorregava, eu a sustentava com o braço, o braço adormecia, eu virava de lado outra vez, ela acordava, eu dava peito, punha travesseiro, tirava travesseiro, chorava.

Oito horas se passaram e eu não preguei os olhos. Tanto tempo fazendo cama compartilhada, pra descobrir que não sei compartilhar poltrona.

Olho pro relógio, faltam 2 horas pra pousar. Tento abstrair, lembrar das minhas aulas de ioga e me transcender pra um nível superior de pensamento. Penso no quanto somos afortunados por termos conseguido o upgrade, que raras famílias têm essa oportunidade, e como era bom saber que o Nic e o Rafa estavam ali, confortavelmente instalados nas poltronas ao lado.

Peraí.

Rafa. Confortavelmente instalado. Hm.

É, nunca fui boa em ioga mesmo.

Pro inferno com esse negócio de elevar o espírito. Ao invés, elevo minha cabeça pra chamar o pilantra pra me ajudar. Mas sem chance, as cadeiras são altas demais e incomunicáveis. Nesse momento meus olhos passam pelo homem à minha frente: tranquilo, relaxado, sentado comodamente com suas pernas esticadas, encosto semi-reclinado, sorvendo sem pressa o seu café matinal, enquanto assiste à sua ampla seleção de lançamentos. Puto.

Nisso, aparece um outro ser na minha frente.

Figura sorridente, simpática e descansada. Passa a mão nos cabelos com graciosidade, faz cute-cute na bochecha da Lily e solta:

- E aí, amor, me fala se todo o tempo que você passa sozinha com as crianças enquanto eu viajo, não compensa nessas horas?

O fulmino com os olhos a ponto dele virar carvãozinho no chão. Entrego a Lily pra ele, olho pro relógio: não dá pra perder tempo, tenho 34 minutos.

Reclino totalmente minha cadeira, me deito e pela primeira vez em quase 10 horas sinto o prazer em viajar na classe executiva.


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Matéria na Revista PEOPLE – Edição Especial

Gente, depois das entrevistas que dei no Castelo Caras e Revista Quem, a Revista People resolveu fazer uma edição especial com a gente (e em português, veja só!). Infelizmente, nem tudo aconteceu como contaram e tem muita fofoca envolvida, mas paciência. Essa vida de celebridade é assim mesmo! :)

Copiei a matéria abaixo só pra vocês. Enjoy e feliz 2013!

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Pra quem não me conhece, vale dizer que esse post é uma sátira das matérias fúteis e superficiais desse tipo de revista. Me divirto horrores tentando escrever como eles.
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people-cover_lu2 copyLuciana (26), Rafael (34) e seus filhos Nicolas e Lily passaram férias juntos sob o maravilhoso sol de Cabo San Lucas, México. Durante a estadia foram fotografados diversas vezes na companhia de alguns amigos famosos. “A Jen é uma fofa, mas o Charlie é um bêbado chato”, declara ela.

Luciana exibiu seu elegante físico após duas gravidezes num clássico maiô da Sun Lorran (veja cupon de desconto na página 34) com lindos acessórios da Xanel. Uma amiga íntima contou à PEOPLE que o marido da ilustradora havia insistido pra que ela usasse um biquini ao invés, mas que Lu ainda não se sentia à vontade pra brincar com as crianças mostrando a barriguinha. A amiga de longa data acrescenta que Lu tem suas razões, já que apesar de magra, ela já não tem mesmo aquela barriga lisa de antes.

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O casal foi visto diversas vezes relaxando na praia ou na piscina, sempre acompanhado das crianças, de um jacaré de plástico e uma sacola de brinquedos. Uma cliente do resort contou que algumas vezes Luciana foi vista pedindo mojitos de morango orgânico ou margaritas com sal não-refinado, mas também reparou que várias vezes ela trocava as bebidas alcoólicas por suco de melancia com hortelã. “Li que ela ainda amamenta a Lily, deve ser por isso que ela foi tão cuidadosa com o que consumia. E suco de melancia com hortelã é mesmo super parecido ao mojito – só que com culpa-free!” conta ela rindo.

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Na praia, a família brincou diversas vezes de enterrar o mais velho na areia ou fazer trilhos pros seus trenzinhos, já que aparentemente ele não é tão fã de castelos. Uma vendedora ambulante exibiu orgulhosa uma nota de dez dólares contando que não acreditou quando a família veio em sua direção e comprou um vestido pra pequena Lily. “Jamais vi uma familia famosa tão simpática e amigável quanto essa! A Lily parece uma boneca. E aquele cabelo? Todo natural, pode acreditar, eu pedi pra passar a mão e eles deixaram!” disse ela com entusiasmo. “Vê essa nota aqui? Quem me deu foi o próprio Nicolas, que é ainda mais bonito pessoalmente! Antes de ir embora ele se virou pra mim e disse ‘gracias, señora’. Juro, ele fez meu dia” revelou a vendedora emocionada. E acrescenta: “Já Luciana estava radiante! Pra falar a verdade, nunca a vi sorrir tanto, nem mesmo na cerimonia da Chupeta de Ouro, quando ela levou o prêmio de melhor atriz.”

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“Viajar com crianças é possível, mas pode ser incrivelmente trabalhoso!” – revelam várias testemunhas que ouviram Luciana repetir enquanto corria atrás dos filhos. Um dos garçons contou à PEOPLE que ouviu o casal conversando sobre como foram tranquilas as 4 horas e meia de avião “a Lily dormiu boa parte do tempo e o Nic brincou quietinho e assistiu desenho, uma maravilha!”. Também disse que a ilustradora parecia bastante surpresa por Lily estar tirando suas sonecas em qualquer lugar.

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“Enquanto eu os servia, ouvi a Luciana contar ao marido sobre a primeira vez que ela colocou a Lily pra dormir ao ar livre” – contou o garçom. “Ela contou que justamente na hora em que foi colocar a menina numa das espreguiçadeiras ao lado da piscina, sentaram ao lado duas mulheres matraquentas e com voz de taquara rachada. Ela disse que jogou um olhar fulminante a elas, mas não adiantou, então não teve outra alternativa senão se levantar e levar a bebê pra perto do jacuzzi, que pra sua surpresa estava vazio. Quando ela finalmente colocou a Lily sobre uma cadeira, chegou um bando de crianças gritando e fazendo algazarra. “Eu queria saber onde estavam as mães daquelas criaturas insanas que nao sabem que em ambiente que tem bebê dormindo não se grita!” – falou ela pro marido. Eu achei graça e continuei ali fingindo que arrumava os guardanapos pra escutar o resto da história. Foi aí que ela disse que justo quando ela achou que deveria trocar a Lily de lugar de novo, o jacuzzi, que aparentemente estava estragado à dias, começou a funcionar de repente. Ela disse sorrindo que foi o white noise mais poderoso que ela já viu e Lily dormiu profundamente por mais de uma hora!” – contou o garçom orgulhoso por conseguir entender português tão bem.

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A volta pra casa já não teria sido tão prazeirosa. Comissárias de bordo asseguraram que Lily chorou bastante e não queria saber de dormir. Elas inclusive ouviram Luciana dizer ao marido entredentes que “fora de cogitação passar 16 horas num avião apertado e quente pra ir ao Brasil esse ano”, no que o marido aparentemente respondeu “calma, meu bem, tenho certeza que quando você pensar nas trufas, nas coxinhas de frango com catupiry e na sua amada família, obviamente, você vai mudar de ideia”.

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Mas depois de um voo cansativo, com escala em Calgary e chegada em Vancouver após meia-noite, a família chegou segura no Canadá, que os aguardava com muita neve e um frio de zero grau. “Há muito tempo não tínhamos um natal com neve aqui”, asseguraram os moradores da vizinhança do casal. Uma amiga próxima contou que eles estavam muito felizes com a perspectiva de passar as festas de fim de ano em casa e que a grande tradição da família era usar pijamas novos na noite de Natal. “As crianças ficaram fofas!”.

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“O Natal deles foi lindo e a família está muito feliz e descansada. Luciana também está muito contente por ter tido a oportunidade de ir ao México e treinar um pouco seu espanhol, aprendido há alguns anos atrás no país de Hugo Chavez” – conta a amiga da ilustradora. Ela ainda revelou a notícia bombástica de que quando Luciana morou na Venezuela teria sido eleita La Reina del Carnaval em 2005. Na ocasião, Lu confessou em uma pequena entrevista que seu maior sonho seria conhecer uma piscina que encontra o mar.

É, parece que demorou alguns anos, mas ela conseguiu realizar seu sonho!


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Post do Guest – a divertida vovó Stela

O coração desses meninos já deve estar todo desbeiçado de tanto entra e sai de pessoas queridas nos últimos meses. Vem uma, coração expande, vai embora, coração mingua. Não que o fato das pessoas irem embora desocupa o coração, mas é que ele fica apertadinho, né?

E foi assim. Primeiro veio uma vovó, depois a titia e por último a outra vovó. Note que vieram todas sozinhas, hein? Eita mulheres aventureiras!

A vovó Stela fez uma visita mais rápida, de 10 dias, mas não menos marcante. Pra total alegria do Nic, ela é também uma apaixonada por carros. (Sempre soubemos, mas agora confirmamos a origem de tamanha obsessão do menino. Tá mesmo no sangue!). Por isso, não teve um dia que ela tenha deixado de brincar e apostar corridas com ele no chão. Pena que, por causa da robalheira desenfreada incrível habilidade automobilística do Nic, ela não tenha conseguido vencer uma corrida sequer. Quem sabe na próxima visita? Vai treinando em casa, vovó Stela!

Assunto entre eles nunca faltou. Quando não falavam sobre modelos de carro, desempenho do motor ou aerodinâmica avançada, estavam discutindo sobre o caráter do lobo mau. Aliás, nada foi mais surpreendente e fofo que ver ela, uma executiva super ativa e dinâmica, ter tamanha paciência pra contar as mesmas histórias TODAS as vezes que o Nicolas pediu. Umas 78 vezes? Talvez mais. E ela sempre contava com o mesmo entusiasmo. Tenho certeza que Nic jamais vai esquecer esse carinho!

Em Banff (Stela e Nic)

Two Jack Lake, Rocky Mountains (Stela e Lily)

Stela e nóis

*

*

Além disso, a vovó correu muito atrás do Nic (haja fôlego!), carregou Liloca pra cima e pra baixo e nos fez rir demais com suas histórias e mania de limpeza. Enfim, alegrou nossos dias com sua incrível animação! Volte sempre vovó Stela!

Chega de falar, né? Por fim, a palavra é dela: 

Sempre que penso em um colar de pérolas concluo que as pessoas valorizam somente as pérolas. Se esquecem de que o que dá “brilho” às pérolas é o fio, que lhes dá movimento, flexibilidade e o mais importante: sustentabilidade. É essa a leitura que faço de você, Luciana, no contexto da sua família.

Quando pensamos nos nossos filhos não importa o que eles vão ser quando crescer, se tiverem o nosso apoio, poderão ser o que quiserem!! Rafael – saiba que nossa missão sempre foi essa: fazer acontecer para que vocês nos superassem!! E você fez isso com maestria, elegância e eficiência e é um Homem que exerce que mais importante do que Ter é Ser!!

 Lily – menina doce e risonha, que sua vida seja leve, feliz e harmoniosa!!

 Nick – garoto espirituoso, criativo, amoroso, conectado em tudo e em todos, que você cultive a arte de conviver com todos harmoniosamente!!

Conviver com vocês esses dias me deixou uma sensação de felicidade plena e extrema!!

Amo vocês!!

Stela Gradim


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Enquanto a Lily não vem…

… eu passeio na pracinha, falo de nossas viagens e ainda conto sobre alguém dormindo no nosso sofá. (Ó, adianto que não é o marido, viu? :D)

… faço bichinhos pro mobile dela, com a ajuda da vovó

…. e ainda tento fazer pose pra mostrar a barriga de 40 semanas.

Tudo enquanto a Lily não vem. Porque depois que ela vier, minha amiga, já vou ficar feliz se conseguir tempo pra dormir!

Beijoca no seu nariz de pipoca!


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Morador-turista

Estou aprendendo que bom mesmo é morar em lugar turístico, sabe? Olha só:

:: Como MORADOR, temos a oportunidade de acompanhar, apreciar e nos adaptar a cada mudança de estação.

Como TURISTA, podemos escolher a dedo a melhor época pra viajar e explorar.

(as fotos são da mesma árvore)

:: Podemos subir uma montanha super turística…

Ou prestigiar o evento mais barulhento aguardado pelos meninos…

(Nicolas e o amiguinho Davi ao lado do amado Thomas the Train)

Mas também passar um final de semana tranquilo onde só mesmo quem mora conhece…


(“roça canadense” – algum lugar entre Pemberton e Lillooet, British Columbia)

:: Podemos sair pra um passeio e colher muitas framboesas na rua, mas sempre voltar pra casa e fazer um gostoso sorvete com elas…

:: Podemos decidir fazer algo extraordinário como um passeio de avião num final de semana…

Depois algo trivial como animais de massinha…

Ou caretas e beijinhos na frente do espelho…


:: Podemos ter o privilégio de visitar lugares com beleza surpreendente e cheios de pura PAZ…

E ainda voltar e encontrar a mesma paz em casa…

:: Podemos sair e nos inspirar com paisagens maravilhosas…

E ainda voltar pra casa a tempo de usar toda aquela inspiração pro trabalho… (se o filho deixar, claro… :))

:: Podemos estar cientes de todos os perigos que nos cercam na natureza…

Mas mesmo assim deixarmos nosso filho frequentar o mictório natural quando a vontade aperta demais…

- Vai, meu filho, mas cuidado com o urso, viu?

:: E finalmente, morando num lugar turístico, temos a especial oportunidade de acolhermos viajantes de todas as partes do mundo* e com isso, sermos mais uma vez turistas, mas desta vez sem nem mesmo sairmos de casa!

*Nós participamos de uma comunidade onde viajantes de todo o mundo cedem suas casas pra outros viajantes (couchsurfing). É uma troca, nada é cobrado. Recebendo estas pessoas na nossa casa, nos damos conta que o mundo é muito maior e mais bacana que a gente um dia acreditou! Sem falar, que morar num lugar tão bonito e não compartilhá-lo (de coração), não teria tanta graça, não é?


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o desbunde

Nicolas é uma destas raras crianças que sempre odiou praia. Na verdade eu nunca o culpei por isso, pois eu mesma nunca fui muito fã mesmo. Mas bastava eu considerar  a peculiar situação em que vivíamos…

… pra eu achar “praia” uma palavra simplesmente irresistível! Por isso, toda vez que a gente tinha uma oportunidade, juntávamos biquini, sunga e fraldinha do Nemo, e zarpávamos pro litoral na maior felicidade. Mas Nic não queria nem saber. Ele não estava nem aí se morávamos numa cidade sem rios, sem verde e com temperaturas médias de 40 graus. Não gostava de praia e pronto.

Não suportava o contato com a areia preguenta, o sol forte, o vento, a água fria, o chapéu na cabeça, o protetor solar melequento. Quando era bem pequenininho, chorava só de ver o mar.

* * *

Daí uma vez, a gente estava em Sydney e já meio cansados de tanto viajar, decidimos passar uns dias descansando num lugar sossegado. Mas sossegado naquela cidade tão grande e movimentada? Só mesmo se fosse uma praia mais isolada… E pra uma resolvemos ir.

- Coitadinho do Nic, Lu… Três dias direto na praia? – disse o Rafa preocupado

- Ah, meu bem… mas pensa só: não tem uma criança nesse mundo que não goste de praia, tô errada? Até eu quando era criança adorava! Depois que fiquei assim, xexelenta.

- É, mas o Nic raramente se divertiu numa praia até hoje…

- Eu sei, mas agora ele já tem 18 meses… Qual foi a última vez que fomos à uma praia? 4 meses atrás? Então, vai ver que desta vez ele se diverte!

* * *

E assim fomos. Três dias numa pousadinha bem de frente pro mar. Pouquíssimos turistas, nada mais pra fazer a não ser ficar de bobeira na praia. No primeiro dia, só fomos eu e Nic – o Rafa tinha que cortar o cabelo. Fui devagar, comecei mostrando o mar de longe: nenhuma reação. Cruzamos a areia: zero reação. Chegamos perto da água: reação nula.

Pensei, “menos mal, daqui a pouco ele se solta”.

Tratei então de estender a toalha, juntar o balde, as pás, a bola e “Nic! Vem cá retocar esse protetor solar que aqui na Australia não se brinc…”.

- Nic? Nic?

Acreditem ou não, mas Nic tinha simplesmente ido embora. Foi sem olhar pra trás. Quando eu olhei, ele já tinha cruzado toda a areia e corria feliz pra umas escadinhas cimentadas bem longe da praia.

* * *

Agora, não me perguntem como passamos o resto dos dias lá… porque praia? Só de longe mesmo…

* * *

Daí, que desde que nos mudamos pro Canadá, há 1 ano atrás, que esquecemos desse negócio de água, já que o forte aqui são as montanhas e montanhas o Nic adora. Mas então chegaram nossas férias e o destino escolhido foi a Ilha de Vancouver, de onde sempre ouvimos falar super bem. E falou ilha, falou praia, né gente?

- Xiiiiiii…. não vai dar certo…

Pois é, foi o que eu pensei também.

Então, agora imagina nossa cara, ao chegarmos numa PRAIA em dia NUBLADO, temperatura de 16 GRAUS e com água CONGELANTE e presenciar essa figurinha na maior felicidade do mundo:

Sem roupa, mamãe! Não quero roupa não!!!

* * *

Sim, minha gente, pois é por essas e outras que eu digo: nada como o tempo… nada como o tempo…

(ou será que o verdadeiro motivo é que ele tem complexo de esquimó, hein?)

Mas enfim, depois de assistir um desbunde destas proporções, só fico aqui no aguardo do desfralde em proporções gigantescas E efetivas.

Ai, ai… se pelo menos a gente morasse perto da praia, né? Dava pra começar com o desbunde, que eventualmente a gente ia chegar no desfralde… Mas como que eu iria saber que um dia ele gostaria tanto de uma praia, gente???

PS: E hoje foi o primeiro dia que  Nic ficou com cueca por várias horas e sem acidentes! Aguardemos as cenas dos próximos capítulos! :)

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