O que seria de um blog materno se a mamãe não parasse de tempos em tempos pra exercer sua corujice e enaltecer as habilidades da cria, né? E sobre isso, falou muito bem a Kah neste post sobre o lamentável Campeonato de Bebês que acontece por aí. À medida que você lê o post, vai passando por uma montanha russa de sentimentos: primeiro começa achando graça, depois fica indignada, triste e totalmente sem fé na raça humana (tô contigo, Kah) até que termina suspirando e decidida a revelar ao mundo as proezas naturais do seu pequeno gênio…
E é exatamente o que eu vou fazer agora… No entanto, gostaria muito que o Nic também ouvisse… Só que, cadê ele?
- Niiiiiicolas! Cadê vocêêê?
- Hi hi hi hi hi.
- Puxa, como ele esconde bem! Onde estará o menininho sapeca da mamãe? Será que tá dentro do guarda-roupa? Não… Atrás da porta? Também não… Debaixo da cama? Humm… não…
- Hi hi hi.
- Estaria ele atrás do sofá? Nossa, também não… Ou quem sabe… NICOLAS!!! Meudeusdocéu!!! Como você foi parar encima dessa estante, meu filho?
* * *
Outro dia eu ouvi falar que criança pequena é como um liquidificador, só que sem tampa. Pois precisa falar mais?
O Nic anda bem assim mesmo, cada vez mais intenso e dramático ao expressar suas emoções. Perfeito pra um papel mirim numa novelinha mexicana vespertina. Mas por outro lado, noto que ele tem sido muito mais quieto e concentrado em outras ocasiões: brinca cada vez mais sozinho, presta mais atenção nas estórias, encaixa pecinhas sem perder a paciência e assiste filmes infantis inteiros, atento do início ao fim – inclusive conseguindo prever o que está pra acontecer!
E como gosta de crianças mais velhas… É um magnetismo natural… Ele não pode ver uma daquelas criaturinhas de 5 anos toda cheia de si, que ele gruda e vai atrás imitando tudo o que ela faz. Como no dia da spidergirl, lembra? Mas isso só dura até o momento em que ele invariavelmente escuta um “leave me alone!” pra se afastar, mas ainda assim, continuar de longe admirando aquele modelo perfeito de auto-suficiência. Já as da mesma idade, esquece – é desprezo absoluto. Coloque ele numa sala com outros dez menininhos de dois anos, pra ver – tudo o que ele vai querer é brincar sozinho e ainda por cima sem emprestar nem mesmo aquele carrinho velho de roda quebrada.
Além dessas, Nic tem também outras particularidades: pra começar, odeia ficar sem camisa, mas tudo bem ficar sem calça. Faz greve de fome, mas jamais recusa brócolis, sem sal nem alho e a qualquer hora do dia. Ainda nem largou as fraldas, mas já quer autonomia total – o típico rebelde com fralda – e ao invés de pedir determinado objeto, simplesmente empurra uma cadeira, sobe e pega. *Estado de alerta total aqui em casa* – nada está completamente fora de seu alcance mais.
E nunca esteve tão volúvel e paradoxal… Num minuto quer tomar leite, no outro quer comer feijão, depois quer calçar sapato sozinho enquanto come biscoitos e no seguinte quer brincar de ser neném no colo da mamãe e tomar leite outra vez – o mesmíssimo que ele dispensou há três minutos atrás e o qual ele agora toma no copo sem jamais se lembrar que negócio mal-arrumado era aquele de usar mamadeira.
E fala pelos cotovelos. Monta frases inteiras à sua maneira, narra tudo o que a gente faz, usa artigos e preposições, arrisca plurais, conversa sozinho com os carrinhos, pergunta e ele mesmo responde e até inventa novos verbos.
- Quéio mamãe facar a uva pro Nicoias. (=quero que a mamãe corte a uva pro Nicolas)
- Mamãe tá varrendo a blusa do papi. (=passando)
- Mamãe, quéio mais vai no parquinho. Agoia não, depois. (=quero ir no parquinho de novo. Agora não, depois. – ele mesmo responde).
- Qué papai vão brincar de carrinho com mim. (=quero que o papai brinque de carrinho comigo.)
- Não cabe não… o ômbusi é muito grande… (=ônibus)
- Eu também tá sentado na cadeira.
- Um, dois, quatro, seis rodas. O caminhão tem seis rodas, mamãe. (ele sabe contar até 10, mas adora contar de dois em dois)
E se por acaso, eu caio na bobeira de perguntar a ele “vamos dormir?” ou “vamos comer?” (ao invés perguntar “você quer dormir com o coelho ou com a Moey?” ou “quer comer arroz com frango ou com ovo?” a resposta agora é polida “não, não, obrigado”. E tenho que usar muitas e muitas artimanhas pra convencê-lo a fazer o que eu preciso que ele faça.
Quer ver só?
Então assista você mesmo ele recusando educadamente a soneca, depois me ignorando enquanto “lia” as instruções em um pacotinho de chá e no final eu aplicando o famoso Método de Psicologia Inversa (MPI) e seu resultado.
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E é isso aí. Incrível é perceber que esse meu menininho que quer fazer tudo sozinho, que adora imitar o pai fazendo barba e sabe cantar várias músicas do Pé-com-pé, ainda adora colo, odeia escovar dentes e curte músicas de ninar pra dormir. Ah! e conserva as mãos gordinhas de neném – inclusive com furinhos!
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PS1: E a vocês, minhas queridas, muito obrigada pelos comentários solidários no último post. O Rafa já voltou e as coisas aqui agora andam muito mais equilibradas!
PS2: Estou adorando esse amigo secreto blogosférico! A gente tirou um (a) amiguinho (a) que é a coisa mais linda desse mundo! E quem nos tirou já mandou um recadinho e está caprichando no suspense!!! Ai meu deus, quanta curiosidade de saber quem é!!!





































