Eu não gosto de reclamar da vida, provavelmente por que eu sempre tenha tido tudo que precisei.
Uma vez, eu estava na faculdade, e um grupo de amigos discutia quem tinha tido a infância mais pobre. Um falava que não teve videogame, outro contou que nunca teve um quarto só pra ele e o outro lamentou que carne na sua casa era só um dia sim outro não.
Eu não queria falar, mas eles insistiram.
Então contei sobre a Monique e a Elisabeth (saudades! love u dolls!), as duas quase únicas bonecas que tive, com 5 e 10cm de altura respectivamente, de plástico, sem mexer nem braço nem perna e com o cabelo de pano colado na cabeça que eu mesma fiz. Falei da nossa única televisão, preto e branca, de válvula e sem controle remoto, que nos acompanhou até eu fazer 19 anos*. Contei que nunca tive uma bicicleta. Falei do barracão de um cômodo só, com chão de concreto, dividido ao meio com um guarda-roupa, onde moramos por 3 anos quando meus pais se separaram – eu era a mais velha de três e tinha 7 anos. Contei que várias vezes não tínhamos nada pra comer e que uma vez eu demorei tanto pra terminar um iogurte, o qual eu deliciava um pouquinho por dia, que ele acabou estragando na geladeira. E pra não ficar muito longo nem chato, terminei falando da nossa velha Brasília azul que foi levada pela enchente quando vivíamos num barracãozinho à beira do Rio Arrudas em Belo Horizonte.
Claro que fui declarada vitoriosa na mesma hora.
Mas o que eu não contei é que quando penso na minha vida, a última coisa que me lembro são dos problemas que tivemos. A gente não tinha bens materiais, mas tínhamos uma mãe maravilhosa, irmãos que topavam qualquer parada e muita imaginação pra criar a realidade que desejássemos. Não faço ideia do que é crescer tendo lego, barbie, atari ou qualquer um dos brinquedos populares nos anos 80, mas eu sei fazer pipa, pular elástico, costurar roupa de boneca, inventar histórias de alienígenas e todas as regras de rouba-bandeira. Pra que mais?
E que apesar de sempre ter estudado em escolas públicas, consegui com muito esforço, conquistar uma carreira bacana e até fora do Brasil** (mesmo que tenha sido abandonada em prol dos filhos e sonhos ainda maiores).
Com tudo isso, não estou querendo dizer que infância boa é infância pobre, mas que a infância que EU tive, fez de mim a pessoa que sou hoje: sem frescura, com iniciativa pra correr atrás do que eu quero e com criatividade o suficiente pra estar constantemente pagando mico em blog transformar qualquer dia (ou noite) que eu tenha num motivo pra rir.
Por isso, me espanto demais (muito mesmo!) que eu tenha chegado a chorar quando descobri, na semana passada, que meu website (o quarto filho, lembra?), havia sido hackeado. Como que um negócio pequeno e de família é hackeado, gente? Pois sim. Aconteceu quando um atoa da vida foi lá, entrou sem permissão e injetou uma porção de vírus malignos e sanguinolentos nele, tudo por pura diversão. Bom, a não ser que tenha sido vingança do meliante do Havaí, aí até vai, né!
Pelo menos, no momento que eu estava em estado de choque paralisante catatônico, encontrei um ombro amigo pra chorar as pitanga e acabei ficando mais tranquila.
Agora, se meu segundo e-filho vai sobrevir sem sequelas, eu ainda não sei. Espero que sim! No momento ele está na UTI cibernética, sendo tratado e medicado com antídotos pra evitar ataques futuros. Torçam pela gente? (UPDATE: ELE SAIU! TÁ VIVO!
)
A PROVA
E apesar de tudo isso, não me esqueci dos meus alunos queridos! Gente, que orgulho, viu? Não teve nem uma nota abaixo da média (estipulada pelo Instituto Nicolilando), acreditam? Claro que teve aluno me chamando de carrasca (suspensão na certa!), outros tentando me subornar e alguns até dizendo que só sendo avó da figura biográfica em questão pra conseguir responder tudo. Mas não deixei nada disso me abater e segui em frente, corrigindo prova atrás de prova e sempre com o pensamento no meu dever enquanto educadora. E pra quem se recusou a fazer o teste, logo libero as datas pras 30 horas de aula de reforço e pra prova de recuperação, viu? Achou que fosse escapar?
Sobre as questões, algumas foram realmente enganosas, em especial a de número 6 (acreditem, Lily JAMAIS dormiu uma noite inteirinha) e a última, que ninguém acertou, mas não é culpa de vocês – pelo que me lembre eu não cheguei a contar que o prodigio gastronômico que comia de tudo degringolou e passou a recusar a maioria das comidas. Por isso, decidi que todo mundo que participou, vai receber alguma coisa, mesmo que seja um cartão postal, tá? Entrarei em contato com cada um em breve!
Eis o gabarito:
1. B (o nome dela é Lily mesmo, só tem 2 dentes, não toma leite artificial e nunca chupou chupeta)
2. C (parto normal com anestesia, relato aqui)
3. D (ano do dragão – e acreditem, essa carinha de boneca não tem nada de frágil. Ah! E não existe ano do leão, só por curiosidade)
4. B (canadense nascida no Canadá, mas acertou quem falou C também. A alternativa B está incompleta e eu deveria ter colocado que ela é canadense e brasileira)
5. C (sonecas tensas, sempre no sling. Toda a verdade aqui e video com bola aqui)
6. A (nunca dormiu a noite toda, pode acreditar!)
7. C (a Lily ainda não esteve no Brasil)
8. D (como teve gente que deduziu bem, ela adora a cosquinha na gengiva e ama escovar dentes (eu sei que isso não dura muito))
9. D (parabéns a quem deduziu que se ela já andasse já teria video em todos os lugares! haha)
10. B (não tem comido de tudo, mas descobri que come bem mais se eu deixo ela pegar a comida com as mãos!)
E claro, as provas corrigidas (clique pra ampliar)! Note que todo mundo ganhou adesivinho especial, hein?
* Fun fact #1: você sabia que provavelmente sou a única pessoa da minha geração que nunca viu a viúva Porcina colorida?
** Fun fact #2: você sabia que hoje meu marido viaja muito, mas quem começou viajando assim fui eu? E que hoje ele trabalha na atual empresa por minha causa?
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Muito obrigada a todos que participaram da brincadeira!
































