O lado cômico da maternidade


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O dia que eu descobri que tem coisa pior que ter feito book fotográfico

Resumo do ultimo capítulo: após anos de terapia do espelho pra finalmente conseguir resgatar sua tão defasada auto-estima, Luciana vive um trágico e inesperado reencontro com seu passado Elke Swarovski. Baratinada, ela vai pra São Paulo com sua filha, afim de encontrar algumas amigas, dentre elas, aquela que teria o poder de ajudá-la a afugentar seus traumas e fazê-la acreditar que dias melhores estariam sim por vir. 

* * *

Ahhhh! Nada como uns dias só de meninas pela frente! Era tudo o que eu precisava após ter cutucado feridas tão profundas em minha alma… Também, com um panfleto cafona daqueles, como eu podia esperar um resultado decente?

Mas enfim.

No vôo pra São Paulo, enquanto Lily mascava os meus foninhos de ouvido e eu continuava sendo perseguida por aquela fatídica imagem que ricocheteava insanamente na minha cabeça sem um minuto de trégua, cheguei à conclusão que aquilo tinha que acabar!

Então repreendi a Lily e guardei meus fones.

Ufa, agora sim, eu podia pensar com mais clareza! Porque pra mim, não fazia sentido nenhum como uma pessoa inteligente, sensata e de cabelos já TÃO vastos, algum dia pode ter acreditado que fazer um corte selvagem abundantemente repicado mais uma ondulação permanente à base de amônia, pudesse ser uma boa ideia.

Será que eu não pensei que o volume dos meus cabelos excederia os limites de metro cúbido humanamente aceitáveis? ( ) sim (x) claramente não Será que eu não considerei a possibilidade de meus fios se danificarem para todo o sempre? ( ) sim (x) óbvio que não Ou será que eu não pensei em nada disso e tava era mesmo doida pra ter um visual despojado (pra época), calçar minhas polainas degradês super sexy (pra época) e dançar Girls just wanna have fun da Cyndi Lauper? (x) bem possível (x) sei não, pelo jeito tava mais pra Like a Virgin

Bom, cada um com suas escolhas, mas eu acho que tudo tem limite… E sinceramente? Não aguento essas pessoas que não veem as consequências dos seus atos.

- Não Lily, mamar agora não. Brinca com essas moedinhas, meu bem, mamãe precisa pensar mais.

* * *

Chego em São Paulo.

O apartamento era impecável. Tudo lindo, sofisticado, requintado, adornado e milimetricamente organizado. Nada de paredes riscadas com marcador permanente de várias cores, nem móveis decorados com adesivos do Mickey e Pato Donald; muito menos brinquedos obstruindo os caminhos. Abracei a Lily, fechei meus olhos e mentalizei: meu dia chegará, confiá-lo-ei.

Comigo estavam a Dani e a Clauo. A Dani, além de engraçada, mostrou ter habilidades automobilísticas tão extraordinárias, que conseguiu dirigir pelas ruas de Sampa com a Lily chorando de sono de um ponto ao outro – o equivalente a ter uma vuvuzela buzinando em cada ouvido por meia-hora, imagine. Um ás no volante.

Já a Clauo, é uma dessas pessoas tão legais e cativantes, que você tem vontade de abraçar e agradecer a ela por existir a cada cinco minutos. Só me controlei pra não deixá-la desconfortável. E pra não passar vergonha. E pra nao estragar a tal primeira impressão, que pelo que dizem, é a que fica. Então me contive.

A dona da casa, era minha querida amiga Dri. Linda, chique, divertida e PARA TUDO: Consultora de Estilo.

Destino, né gente?

Cooooooorre, que o antídoto ta chegando, Feitiço de Elke!

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* * *

Fragilizada, abalada, porém esperançosa, me deixei sentar na cadeira indicada. Com cara de quem sabia o que estava fazendo, ela veio com um pano cinza e enrolou na minha cabeça. Considerei aceitável. Pegou outro pano cinza, jogou sobre meus ombros, enrolou no meu dorso e deixou só meu rosto de fora. Tranquilo. Daí começou a colocar, tirar e agitar umas bandeiras coloridas nos lados do meu rosto. Nesse momento me perguntei se aquilo tudo seria realmente necessário.

- Isso tudo é realmente necessário, viu Lu!

Viu? Sabia!

Daí ela me explicou que aquilo era chamado “coloração”, uma técnica de vanguarda pra avaliar quais as cores combinavam comigo, quais me deixavam desenxabida. Então me disse que como sou pessoa de alto contraste e por minha paleta ser de cores mais frias e fortes, eu deveria fugir das combinações pastéis SEMPRE.

Nesse momento, lancei-lhe um olhar de “are you sure?” enquanto eu concluía o escaneamento mental de meu guarda-roupa. A 83% do processo o resultado era 60% bege, 30% marrom, 10% indefinido. Ou seja, toda uma vida de desenxabimento. Como lhidar com isso, gente? Mas daí, vibrei de alegria ao lembrar que eu tinha algumas blusinhas vermelhas e laranjas guardadas em algum lugar. Yay!

- Lu, evite também os vermelhos e laranjas, pois essas cores te apagam e acentuam mais suas olheiras.

Credo! Deus me livre de cor que acentua olheira nesse ponto da minha vida. Imediatamente mandei as blusinhas (que blusinhas?) direto pra minha lixeira mental.

Quando eu já perdia as esperanças de ser feliz de novo, ela veio me contar com entusiasmo sobre todos os acessórios que eu podia usar com as cores que não me favoreciam tanto. Falou das cores boas e das combinações interessantes que realçariam minha beleza interna e externa. Falou de texturas, padrões, auto-aceitação, gasto consciente e tanto mais.

Toda uma vida de alto astral e alto contraste pela frente, né gente?

Assim, meus olhos foram cintilando, meu coração palpitando e aos poucos fui sentindo que aquela velha imagem distorcida de mim mesma se desvanecia. (Tá, agora só faltava eu convencer minha mãe a tirar a tal foto da porta de sua geladeira. Mas sejamos graduais).

Daí a Dri tirou aquela panaiada cinza de cima de mim e Liloca, que aparentemente andava procurando por sua mãe fazia tempo, veio correndo enlouquecida pro meu lado com cara de cachorrinho órfão. Pego a minha pequena com animação, já vislumbrando o meu futuro fashion reformulado e sento ela no meu colo. Quando casualmente, eu olho pro joelho dela e ali vejo uma fralda.

Hm.

“O que essa fralda estaria fazendo na altura do joelho dessa criança?” – penso eu sem nem mesmo querer saber a resposta.

Conservo minha expressão tranquila e despreocupada, enquanto escuto sobre revigoração de guarda-roupa e degusto o delicioso bolo de limão feito pela Dri. Então respiro fundo (discretamente) e percebo um conhecido aroma adentrando minhas narinas. Sigo impassível.

A Dri continua me contando que o intuito de sua consultoria é formar consumidoras conscientes, que saibam reaproveitar suas roupas e comprar o estritamente necessário. Interessada em saber mais, mas com o dever de investigar o que acontecia nas imediações do meu colo, desvio o olhar para o meu vestido  – de tom quase pastel – e nele identifico um material – claramente de alto contraste.

PARA TUDO.

Aquilo estava realmente acontecendo?

Quando vislumbrei toda uma vida de alto contraste não era bem isso que eu tinha em mente. Já sem conseguir fingir, e com expressão de terror nos olhos, afasto o bumbum pelado da Lily do meu vestido.

E desfaleço.

* * *

Pois é, gente, taí uma história que eu queria MUITO poder dizer que aconteceu com uma amiga. Afinal, quem quer pra si uma história dessas, né? E olha que já comi cocô de galinha, encontrei com ginecologista em festa de aniversário, já joguei suco na minha comida por diversão, já quis ser o Mussum, já travei contato com meliante no Havaí e até fiz book fotográfico nos anos 80.

Mas foi nesse dia que eu me dei conta, que depois que a gente tem filho TODAS as outras historias da nossa vida nos parecem completamente obsoletas. Ensaio fotográfico nos Estúdios Sonora? Rá! Fichinha perto do que passei na casa da Dri.

Obrigada Lily, pois no final das contas, VOCÊ foi a responsável por quebrar o feitiço de Elke! E obrigada Dri, por manter a calma mesmo diante do que parecia pouco provável!

* * *

EPÍLOGO: Depois do incidente que mudou os rumos de sua auto-estima, Luciana passou uns dias na casa de sua querida amiga Eline de onde saiu ainda mais inspirada e conheceu a adorável irmã quase gêmea da Lily. Depois voltou pro Canadá onde continuou a consultoria de estilo pelo skype, se tornando a primeira cliente internacional da Trendy.

Hoje, ela vive feliz com ela mesma, (tenta) usar seu guarda-roupa a seu favor e sempre verifica duas vezes antes de colocar a Lily no seu colo.

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O dia que eu fiz um book fotográfico

Eu passei grande parte da minha vida tentando fingir que certas coisas nunca me aconteceram. Entre elas:

- A vez que comi cocô de galinha achando que era cocada preta.

(Em minha defesa, eu só tinha 3 anos.)

- A vez que entrei na contra-mão numa avenida mega movimentada e minha única reação foi fechar os olhos, soltar as mãos do volante e gritar “eu vou morrer! eu vou morrer!”.

(Em minha defesa, essa era minha primeira semana dirigindo na mão-inglesa e juro que vi até túnel de luz azul com anjo – tava fazendo gracinha que ia morrer não!)

- E a vez que fiz um book fotográfico.

Jesus.

Mas ó, em minha defesa, o panfleto do Estúdio Fotográfico Sonora foi MEGA convincente, mega! Pra começar, tinha uma paisagem linda, quase transcendental, com um por-do-sol sobre o mar mais um arco-íris ao fundo, e uma águia se transformando numa mulher de cabelos esvoaçantes na frente. De um dos cantos saía um brilho de flash fotográfico, imagino que pra contextualizar. Coisa linda! Dava pra ver que tinham a manha total no Photoshop, coisa muito importante. Vai que eu precisasse?

Bom, e embaixo vinha escrita a seguinte frase em 3D (provavelmente feito no Word Art, eu disse que os caras eram bons) “Nossas fotos realçam a beleza que já existe em você.”

Nossa, fechou! Me convenceu total!

E como se fosse preciso, ainda ofereciam 10% de desconto. Oportunidade da vida, né gente?

Daí fui. Me maquiaram, jogaram mousse no meu cabelo, passaram batom da Elke Maravilha, me adornaram com brincos de cristal Swarovski, me ajeitaram as ombreiras. Me pediram pra jogar o cabelo pra frente e pra trás repetidas vezes e tacaram mais mousse. Disponibilizaram chapéu com pluma, echarpe vermelha e lenço de oncinha. Colocaram uns guarda-chuvas luminosos ao meu redor (galera era profissional mesmo), posicionaram as câmeras e nesse momento eu virei DIVA. Me senti poderosa, linda, uma deusa.

Até o dia que fui buscar as fotos.

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Chorei cinco dias seguidos.

Rasguei o panfleto separando mulher de águia, por-do-sol do arco-íris, céu do mar. Sem mostrar pra ninguém, escondi o book debaixo do meu colchão por anos a fio (junto com minha coleção de cartões Amar é). Ergui a cabeça, domei meu cabelo como pude e voltei à vida normal. Me formei, me casei, fui morar fora, procriei, virei ilustradora, fui feliz. Nunca mais me lembrei do bendito do book.

Até a ultima vez que fomos ao Brasil.

***Sinceramente, mães precisavam de uma junta médica especializada pra explicar o que se passa no globo ocular delas que só vê beleza nos filhos. Como explicar?***

Pois não é que eu adentro a cozinha da casa da minha mãe à procura de um pacote de biscoito papa-ovo pra matar a saudade e dou de cara com meu passado Elke Swarovski enfeitando a porta da geladeira dela?

- Mas essa foto tá MARAVILHOSA, minha filha! Deixa ela aí! Olha esse batom bem passado! E que lindo tava o seu cabelo!!!

Juro que quase tive um treco. Aquela foto era pra mim um registro frustrado de uma das poucas vezes que tentei ser vaidosa na vida. Entre outras coisas, a Síndrome do Cabelo Alto voltou com tudo pra mim naqueles dias. Fiquei assim tão abalada, que à noite, nas raras oportunidades que o coala noturno me deixou dormir, eu fechava os olhos mas a única coisa que me vinha era a minha imagem em negativo. E piscando.

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* * *

Felizmente minha próxima parada me levava ao encontro da única pessoa que deteria a cura pra todos os meus traumas. A única pessoa que poderia quebrar o temível Feitiço de Elke.

(continua)


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O galinheiro, o sassariquento e o ataque do coala noturno

Ah gente querida, como eu queria vir aqui toda semana pra papear um bocadinho com vocês! Mas quem disse que consigo? Ainda mais depois que cismei de fazer um tal de projeto 365, que minha vida ficou de cabeça pra baixo, assim como se ao invés de 2, eu tivesse uns 30 filhos pequenos, mais 3 cachorros e um galinheiro.

E vocês sabem que não sou dada a exageros, né?

Pois bem, então deixa eu terminar logo de contar essa ladainha da viagem pro Brasil, que já tá me dando vergonha eu estar no mesmo assunto até hoje, 2 meses depois de voltar de lá. Cruzes.

Culpa do galinheiro. Certamente.

* * *

Mas então. Como toda visita a Beagá, a correria é tanta, mais tanta, que quando as crianças começam a se acostumar com alguém, a assimilar o que é tia, primo ou irmã-do-coração da mamãe, já é hora de catar os pertences e visitar outra pessoa. Na saída, a gente só não esquecia de roubar um pão de queijo pra comer no carro e rezar pra Nossa Senhora das Familias em Visita pela Terrinha pra não ter engarrafamento.

Coisa que nunca aconteceu. Ocupadésima essa santa, aparentemente.

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Mas tirando o transito que não transitava (e que até me rendeu umas boas balas chitas que me ajudaram a minimizar certos traumas de infância), deu pra cortar muitos itens da minha lista de coisas que não podíamos deixar de fazer no Brasil.

Número 1

Matar a saudade de abraços. Porque o Canada tem de um tudo, gente, mas não tem abraço. Tirando nos encontros com brasileiros daqui ou os desafortunados que se deparam com ursos (Deus os tenha), a chance de você angariar um abraço aqui é quase nula. Mas matei minha abstinência da melhor forma:  abraçando muita gente querida e amada. Mesmo.

Número 2

Desgarrar a Lily um tiquinho. Porque pense numa criatura agarrada. Ah, que doce, você pensou num coala? Mas não tá nem perto, viu? Então faz o seguinte: pega esse coala, encapa ele com um velcro magnético possante, cola um tanto de bolinha de chiclete ao redor e joga um balde de carrapato por cima. Balde grande. Pronto, agora multiplica por 10. Essa é a Lily comigo. Por isso, foi uma verdadeira surpresa ver ela se jogando no colo de pessoas que ela nunca tinha visto na vida e até criando laços afetivos. Milagres do Brasil.

Número 3

Ver como o Nic se sairia com a língua portuguesa. Não que esse fosse um grande problema, pois português é sua primeira língua. Mas, como ele aprendeu inglês na escola e brincando com seus amiguinhos, quando ele brinca, mesmo que sozinho, ele SÓ fala em inglês. Por isso foi muito lindo e fofo observar ele escolhendo cuidadosamente as palavras pra falar só em português quando brincava com outras crianças. Fofo mesmo. E lindo.

Número 4

Rever a turma de faculdade depois de 10 anos. Muito bom!!! Exceto a parte de encarar que sou a mesma boba de antes, só que com 10 anos a mais.

Número 5

Visitar gente bacana. Desta vez teve cria nova pra conhecer e apertar, amigas grávidas pra encontrar, lasagna da Ignes pra degustar, Ouro Preto pra visitar com gente especial, e pipa pro Nic soltar com o maior especialista do mundo – meu irmão. Check, check, check, check e check.

Número 6

Ter tempo de pernas pro ar. O que significou ter momentos de não fazer nada e só ficar por conta de papear. Foi ótimo aproveitar minha família, amigos próximos e minha cunhada divertidíssima grávida do meu primeiro sobrinho de sangue – o Pedrinho, que nasceu há poucas semanas!!!

Número 7

Ter uns dias só de meninas lá em São Paulo. Conto TUDO logo, logo, prometo.

Número 8

Comer de tudo sem engordar. Sem comentários, desastre total.

* * *

Ou seja, foram 10 dias em BH super bem aproveitados! Mas claro, se você me permite ser bem sincera, sempre tem uma desvantagem aqui ou ali, né? E pra mim, a parte mais difícil foi, como sempre, manter a rotina das crianças.

Rá, caiu nessa, foi? Desculpa, mas essa é a versão genérica, que conto pra todo mundo.

Porque a verdade verdadeira, gente amiga, difícil mesmo foi ter que assistir de camarote a disponibilidade do marido pra sassaricar com os amigos toda santa noite enquanto eu ficava lá, sendo requisitada por dona Lily (que à noite resetava todos os avanços adquiridos durante o dia e voltava pra versão original © Coala Plus).

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À rotina corrida e imprevisível a gente acaba se adaptando, né gente? Agora marido sassaricando sem você é de matar. Já não basta passar a gravidez toda intacto, ainda tem que nascer sem leite nas peitas?

Por isso, enquanto o Sr. Todo Soltinho se encontrava com Fulano, Beltrano, Cicrano ou Soprano, Liloca apurava seu método de manipulação materna, que consistia basicamente, em ameaçar gritar a todo pulmão quando todo mundo da casa já dormia, a fim de conseguir acesso rápido e imediato às peitcholas.

Claro que funcionava.

Afinal eu é que não queria me tornar pessoa malquista e indesejada pelos donos da casa – mesmo que as pessoas em questão fossem sangue do meu sangue.

Nunca se sabe, melhor não arriscar. “Vem cá, escuta. Eu sei que a Lu é linda, maravilhosa, agradável, meiga (…) e que educa os filhos como ninguém. Mas que diabos foi aquela choradeira da última noite? Credo!!! Será que ela esqueceu que tem mais gente tentando dormir nessa casa? Como ela deixa a menina ter o controle daquele jeito? É nisso que dá dormir com filho, eu bem que avisei!'”

Deus me livre de alguém saber achar que a Lily me controla. Então disponibilizei.

No entanto, assim que Liloca foi bonificada com acesso livre e irrestrito à leitaria noturna, ela, que antes acordava uma a duas vezes, passou a acordar duzentas. Natural, vai! Infelizmente, 200 também foi o numero de camadas de corretivo necessárias pra camuflar o aprofundamento das minhas olheiras.

Agora pensa comigo. Se hoje, que estou no sossego da minha casa, cuidando do meu galinheiro tranquila, já ando com cara de quem passou a noite rodando dentro de uma betoneira e logo em seguida foi atropelada por um caminhão com rolo compressor, imagina no Brasil, com uma atividade diferente todo dia?

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Não foi bonito não, gente.

Em um mês, em seguida volto pra contar os causos de São Paulo. Última parte.


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Praia boa é praia azulejada

Anota aí, colegas: viagem que tem até grupo em Facebook, exclusivamente criado pra compartilhar o cronograma diário da família, não tem como dar errada.

Não tem.

Pra começar, o voo de ida foi um espetáculo, como já contei. Tá, cheguei no destino parecendo um chassi de grilo anêmico, mas vamos combinar que isso é um mero detalhe se você pensar que tivemos a grande oportunidade de fazer uma viagem dinâmica e nada monótona, na qual em menos de 24 horas vivemos a emoção de passar por Vancouver, Toronto, São Paulo, Rio e chegar em Cabo Frio de ônibus.

Êxtase define.

Chegando lá, tudo perfeito! Famílias reunidas, comida maravilhosa, até que… dou falta do Ergo-baby, meu super carregador (e tranquilizador) de Lily. “Certeza que esqueci no ônibus”, recapitulei. Felizmente, ficamos sabendo, que na rodoviária havia uma salinha de “Achados e Perdidos”, e por tudo nessa vida que eu tinha certeza que estaria lá. Afinal, que alma desalmada pensaria em levar para si um trapo de pano surrado e o qual tão pouca gente sabe pra que serve?

Pois levaram.

Okay, sem problema. Respiremos fundo e esqueçamos do incidente. Bora aproveitar a praia, que é pra isso que fomos!

* * *

Cabo Frio é ótima, e eu tinha certeza que as crianças iriam adorar! Eu amo Minas, mas infelizmente ela tem o pequeno defeito geográfico de não ter praia, né? Por isso fizemos tanta questão de ir enfrentar a baldeação pra chegar lá.

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(Aliás, fica aqui minha humilde sugestão pra uma futura reformulação da cartografia brasileira. Que tal adicionar dois simpáticos rabicozinhos ali em Minas Gerais, anexando Cabo Frio e Guarapari, que se bobear, têm mais mineiros que a propria Belo Horizonte? #ficaadica)

Mas enfim.

Nossos dias em Cabo Frio teriam sido perfeitos se eu pelo menos gostasse de praia. As crianças curtiram muito,  mas eu particularmente continuo compartilhando da opinião da minha cunhada, que praia boa é praia azulejada. Por que né, gente? Praia é ou não é a mesma coisa que ficar marinando na água salgada e depois ir se esticar na farinha de pão?

Me diga você.

E se tem uma coisa que não sou muito chegada em ser, é frango empanado. Gosto não.

Mas tudo bem, pois fui pra lá com o espírito livre, o coração venturoso e o corpo disposto a aproveitar sem reclamar.

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Areia? Vamos transformá-la em diversão pras crianças.

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Vento e chuva se armando? Encapota a cria, mesmo que seja com fantasia de cogumelo.

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Pombos querendo se meter na sua farofada? Chama a vovó pra se divertir com o neto.

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Ficou entediada? Desopila e finge que tem 12 anos (ou escancara que é boba mesmo, que todo mundo vai dizer que nem tinha percebido).

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Muito sol na cabeça? Bora procurar a sombra de um coqueiro, ainda que pequeno.

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Tem pernilongo na casa? Aproveita pra desfilar seu modelito de animal print mais que original! Vai estar super na moda, gata!

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Fez tudo isso, mas cansou? Então vai pra piscina e aproveita pra mostrar pra todo mundo que mãe, além de fazer milagre em casa, ainda sabe andar sobre as águas!

O que não dá é pra reclamar!

Né?

———————-

PS: Acabei comprando o Sampa Chila  pra substituir o Ergo-baby perdido. A qualidade não é a mesma, mas certamente salvou nossa viagem de volta!


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Quando viajar com crianças é só uma questão de perspectiva

“Viajare con crianzae pode ser bonno, malum o terriblae. Dependum de la perspectivae, et também se habemus mamam, se habemus papam et como agem los duo.”

Proverbium latinum.

Depois da última viagem às terras tupiniquins, jurei pra mim mesma que só voltaria após a invenção do teletransporte.

Bom, na falta dele, pensei que o mínimo que as companhias aéreas deveriam fazer era promover todo mundo viajando com filho pequeno direto à primeira classe.

- Seu nome, por favor.

- Luciana Azevedo.

- Passagens somente pra senhora, Sra. Azevedo?

- Não, também vou levar minha filha de 1 ano e meu filho de…

- Desculpa interromper, mas não precisa dizer mais nada. A senhora aceita uma taça de champanhe?

- O-o que está acontecendo? Peraí, isso é chuva de confetes?

- Sua família acaba de ser automaticamente promovida à primeira classe em todos os voos de ida e volta pelo preço da econômica! Parabéns!

- Me-mesmo?

- Sim! E por terem dois filhos pequenos, vocês ainda terão uma limosine à disposição pros traslados devidamente equipada com chofer, manicure, duas cadeirinhas pras crianças, cookies de semente de girassol e chia, tábua de frios e uma vasta seleção de vinhos franceses. Tudo sem custo adicional!

Gente! Custava???

Mas não. Sabem o que fazem do contrário?

Colocam uma mãe, um pai e uma criança de dois anos que nunca tinha dormido uma noite completa na vida, confinados no meio de uma estúpida fileira de 5 assentos no meio do avião. Imagina a situação. Duas pessoas e meia enclausuradas por 10 horas noturnas em três poltroninhas esmirradas (não no sentido de terem sido feitas de mirra… [porque lembra, né? Ouro, mirra e incenso?] … mas no sentido de serem apertadas mesmo – só pra esclarecer).

Pra piorar, ouvi dizer que a mãe em questão, coitada, ainda sofreu requerimentos intestinais a cada meia hora durante todo o voo.

Se fosse comigo, eu só não pedia pra morrer ali mesmo porque tenho superstição pra essas coisas.

* * *

Agora, pior que isso, é passar todo um perrengue desses, enquanto do seu lado tem um casal fofo, todo trabalhado no filminho, sonequinha e comidinha de avião, com um filho que dorme o voo todinho, sem dar um pio.

Aí não!

Passei exatamente por isso nas 28 horas de voo da Australia pro Brasil, quando o Nic estava com 5 meses e tinha refluxo. O avião era até bacana, equipado com bercinho e tudo, mas era como ter um banquete na nossa frente e não poder comer, sabe? Veja bem, pra começar, eu passei metade do tempo de voo em pé no corredor, dançando forró com o iPod coladinho no ouvido do Nic, pois essa era a única forma que ele dormia. Eu cansei de escutar os atendentes me implorando pra sentar e colocar o cinto, e até aprendi a ignorar a cara de interrogação dos gringos olhando pra mim. Tudo isso, pra colocar o Nic no berço e ele acordar – enquanto o vizinho não acordava nem pra dizer “nhém”.

Brutal.

Ou seja, enquanto eu saí do avião tonta de cansaço, zonza de inveja e enjoada de todo aquele Fala Mansa na minha cabeça, os pais dessa criança dorminhoca devem ter saído propagando que voar com bebê é mamão com mel, de tão doce.

Perspectivas diferentes.

Daí, que esse ano, só posso ter batido a cabeca em algum lugar, porque decidi ir de novo pro Brasil. E pior, com uma criança a mais.

Felizmente, quem tem marido que viaja muito, alem de aprender a escovar os dentes com o pé, ainda tem chances de conseguir promoção pra classe executiva com as milhas acumuladas.

Não precisamos de esmola não, viu suas airlines?

* * *

IMG_4015(as quiança tudo de pijama no aeroporto)

Entro no avião às 10:30 da noite.

À medida que me aproximo do meu assento, mal consigo conter uma lágrima furtiva de emoção. “Amor, me belisca (mas não com força) que eu só posso estar sonhando” – consigo balbuciar.

Ali, à minha frente, se encontrava a visão mais espetacular que uma mãe em espaço aéreo pode sonhar: poltronas individuais, confortáveis e com-ple-ta-men-te reclináveis. PERFEIÇÃO. O Éden sobre duas asas.

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Até que eu sento e me dou conta que o tal Éden era estreito demais pra mim e Lily.

Acredito que o resto do voo vocês mesmos podem adivinhar como foi. Só quem já tentou dormir com uma criança de sono leve encima de si próprio, e tentou com todas as suas forças ignorar aquela coceirinha persistente na beirada do umbigo, sabe que a situação fica insustentável depois de meia hora. Ou mesmo 1 minuto, dependendo da coceira.

Ali eu fiz de tudo, colegas. Tentei dormir sobre meu ombro pra caber a Lily do meu lado, troquei de lado, voltei com ela pra cima de mim, ela escorregava, eu a sustentava com o braço, o braço adormecia, eu virava de lado outra vez, ela acordava, eu dava peito, punha travesseiro, tirava travesseiro, chorava.

Oito horas se passaram e eu não preguei os olhos. Tanto tempo fazendo cama compartilhada, pra descobrir que não sei compartilhar poltrona.

Olho pro relógio, faltam 2 horas pra pousar. Tento abstrair, lembrar das minhas aulas de ioga e me transcender pra um nível superior de pensamento. Penso no quanto somos afortunados por termos conseguido o upgrade, que raras famílias têm essa oportunidade, e como era bom saber que o Nic e o Rafa estavam ali, confortavelmente instalados nas poltronas ao lado.

Peraí.

Rafa. Confortavelmente instalado. Hm.

É, nunca fui boa em ioga mesmo.

Pro inferno com esse negócio de elevar o espírito. Ao invés, elevo minha cabeça pra chamar o pilantra pra me ajudar. Mas sem chance, as cadeiras são altas demais e incomunicáveis. Nesse momento meus olhos passam pelo homem à minha frente: tranquilo, relaxado, sentado comodamente com suas pernas esticadas, encosto semi-reclinado, sorvendo sem pressa o seu café matinal, enquanto assiste à sua ampla seleção de lançamentos. Puto.

Nisso, aparece um outro ser na minha frente.

Figura sorridente, simpática e descansada. Passa a mão nos cabelos com graciosidade, faz cute-cute na bochecha da Lily e solta:

- E aí, amor, me fala se todo o tempo que você passa sozinha com as crianças enquanto eu viajo, não compensa nessas horas?

O fulmino com os olhos a ponto dele virar carvãozinho no chão. Entrego a Lily pra ele, olho pro relógio: não dá pra perder tempo, tenho 34 minutos.

Reclino totalmente minha cadeira, me deito e pela primeira vez em quase 10 horas sinto o prazer em viajar na classe executiva.


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a vida, o hacker e o gabarito

Eu não gosto de reclamar da vida, provavelmente por que eu sempre tenha tido tudo que precisei.

Uma vez, eu estava na faculdade, e um grupo de amigos discutia quem tinha tido a infância mais pobre. Um falava que não teve videogame, outro contou que nunca teve um quarto só pra ele e o outro lamentou que carne na sua casa era só um dia sim outro não.

Eu não queria falar, mas eles insistiram.

Então contei sobre a Monique e a Elisabeth (saudades! love u dolls!), as duas quase únicas bonecas que tive, com 5 e 10cm de altura respectivamente, de plástico, sem mexer nem braço nem perna e com o cabelo de pano colado na cabeça que eu mesma fiz. Falei da nossa única televisão, preto e branca, de válvula e sem controle remoto, que nos acompanhou até eu fazer 19 anos*. Contei que nunca tive uma bicicleta. Falei do barracão de um cômodo só, com chão de concreto, dividido ao meio com um guarda-roupa, onde moramos por 3 anos quando meus pais se separaram – eu era a mais velha de três e tinha 7 anos. Contei  que várias vezes não tínhamos nada pra comer e que uma vez eu demorei tanto pra terminar um iogurte, o qual eu deliciava um pouquinho por dia, que ele acabou estragando na geladeira. E pra não ficar muito longo nem chato, terminei falando da nossa velha Brasília azul que foi levada pela enchente quando vivíamos num barracãozinho à beira do Rio Arrudas em Belo Horizonte.

Claro que fui declarada vitoriosa na mesma hora. :)

Mas o que eu não contei é que quando penso na minha vida, a última coisa que me lembro são dos problemas que tivemos. A gente não tinha bens materiais, mas tínhamos uma mãe maravilhosa, irmãos que topavam qualquer parada e muita imaginação pra criar a realidade que desejássemos. Não faço ideia do que é crescer tendo lego, barbie, atari ou qualquer um dos brinquedos populares nos anos 80, mas eu sei fazer pipa, pular elástico, costurar roupa de boneca, inventar histórias de alienígenas e todas as regras de rouba-bandeira. Pra que mais? :) E que apesar de sempre ter estudado em escolas públicas, consegui com muito esforço, conquistar uma carreira bacana e até fora do Brasil** (mesmo que tenha sido abandonada em prol dos filhos e sonhos ainda maiores).

Com tudo isso, não estou querendo dizer que infância boa é infância pobre, mas que a infância que EU tive, fez de mim a pessoa que sou hoje: sem frescura, com iniciativa pra correr atrás do que eu quero e com criatividade o suficiente pra estar constantemente pagando mico em blog transformar qualquer dia (ou noite) que eu tenha num motivo pra rir.

Por isso, me espanto demais (muito mesmo!) que eu tenha chegado a chorar quando descobri, na semana passada, que meu website (o quarto filho, lembra?), havia sido hackeado. Como que um negócio pequeno e de família é hackeado, gente? Pois sim. Aconteceu quando um atoa da vida foi lá, entrou sem permissão e injetou uma porção de vírus malignos e sanguinolentos nele, tudo por pura diversão. Bom, a não ser que tenha sido vingança do meliante do Havaí, aí até vai, né!

Pelo menos, no momento que eu estava em estado de choque paralisante catatônico, encontrei um ombro amigo pra chorar as pitanga e acabei ficando mais tranquila.

Agora, se meu segundo e-filho vai sobrevir sem sequelas, eu ainda não sei. Espero que sim! No momento ele está na UTI cibernética, sendo tratado e medicado com antídotos pra evitar ataques futuros. Torçam pela gente? (UPDATE: ELE SAIU! TÁ VIVO! :))

A PROVA

E apesar de tudo isso, não me esqueci dos meus alunos queridos! Gente, que orgulho, viu? Não teve nem uma nota abaixo da média (estipulada pelo Instituto Nicolilando), acreditam? Claro que teve aluno me chamando de carrasca (suspensão na certa!), outros tentando me subornar e alguns até dizendo que só sendo avó da figura biográfica em questão pra conseguir responder tudo. Mas não deixei nada disso me abater e segui em frente, corrigindo prova atrás de prova e sempre com o pensamento no meu dever  enquanto educadora. E pra quem se recusou a fazer o teste, logo libero as datas pras 30 horas de aula de reforço e pra prova de recuperação, viu? Achou que fosse escapar? ;)

Sobre as questões, algumas foram realmente enganosas, em especial a de número 6 (acreditem, Lily JAMAIS dormiu uma noite inteirinha) e a última, que ninguém acertou, mas não é culpa de vocês – pelo que me lembre eu não cheguei a contar que o prodigio gastronômico que comia de tudo degringolou e passou a recusar a maioria das comidas. Por isso, decidi que todo mundo que participou, vai receber alguma coisa, mesmo que seja um cartão postal, tá? Entrarei em contato com cada um em breve!

Eis o gabarito:

1. B (o nome dela é Lily mesmo, só tem 2 dentes, não toma leite artificial e nunca chupou chupeta)

2. C (parto normal com anestesia, relato aqui)

3. D (ano do dragão – e acreditem, essa carinha de boneca não tem nada de frágil. Ah! E não existe ano do leão, só por curiosidade)

4. B (canadense nascida no Canadá, mas acertou quem falou C também. A alternativa B está incompleta e eu deveria ter colocado que ela é canadense e brasileira)

5. C (sonecas tensas, sempre no sling. Toda a verdade aqui e video com bola aqui)

6. A (nunca dormiu a noite toda, pode acreditar!)

7. C (a Lily ainda não esteve no Brasil)

8. D (como teve gente que deduziu bem, ela adora a cosquinha na gengiva e ama escovar dentes (eu sei que isso não dura muito))

9. D (parabéns a quem deduziu que se ela já andasse já teria video em todos os lugares! haha)

10. B (não tem comido de tudo, mas descobri que come bem mais se eu deixo ela pegar a comida com as mãos!)

E claro, as provas corrigidas (clique pra ampliar)! Note que todo mundo ganhou adesivinho especial, hein? :)

resultado

* Fun fact #1: você sabia que provavelmente sou a única pessoa da minha geração que nunca viu a viúva Porcina colorida?

** Fun fact #2: você sabia que hoje meu marido viaja muito, mas quem começou viajando assim fui eu? E que hoje ele trabalha na atual empresa por minha causa?

____________

Muito obrigada a todos que participaram da brincadeira!


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Alguém com quem jogar suco na comida

Quando eu tinha uns 7 ou 8 anos de idade cismei de jogar o suco na minha comida. Parecia lógico pra mim comer tudo junto, já que no estômago iriam se misturar de qualquer forma.

Perguntei pra minha mãe se podia e ela, sempre condescendente com nossos experimentos, deixou – mas com a condição de que eu comesse TUDO. Minha irmã na mesma hora olhou pra mim com brilhos nos olhos e não pensou duas vezes, juntas viramos nossos Ki-sucos no prato.

No início foi tudo divertido, muita gargalhada e tal, mas duas horas depois estávamos as duas sentadas diante dos pratos ainda olhando pra todo aquele arroz com carne e quiabo boiando no líquido vermelho.

- Eu falei que é pra comer tudo! – repetia minha mãe.

Não me lembro se chegamos mesmo a comer tudo, mas sei que alguns meses depois, inacreditavelmente repetimos o feito. (É, pra algumas coisas memória de criança pode ser bem curta!)

Mas o mais divertido, é até hoje a gente lembrar e rir muito de histórias como estas. Rir das nossas caras de blégh olhando pra uma mistura intragável de suco com comida sem poder levantar pra brincar, das infinitas brincadeiras que inventávamos nos vários cômodos da imensa casa da vovó (que hoje a gente vê que nem era tão grande assim), das músicas hilárias que inventávamos e cantávamos incansavelmente no ouvido da minha mãe, das brigas homéricas pra saber quem seria o próximo a andar sobre os sapatos de lata, de brincar de dedos elétricos onde um fazia cosquinha um no outro até ver quem aguentava mais, das crises de riso principalmente nas horas mais impróprias, dos pombos, dos gatos, do pé de manga, das pipas, das bolas caídas no quintal do vizinho ranzinza e claro, da companhia que nos fizemos nas horas difíceis.

Enfim, ter irmão é MUITO bom!

Assim que, se tudo continuar dando certo, em Fevereiro nasce uma pessoinha pra também fazer muita história com o Nic – e quem sabe um dia, até mesmo jogar suco na comida com ele!* :)

*

*Mas já aviso desde já: tem que comer TUDO!


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A fábula do coelhinho guloso

Tô atrasada com o post, eu sei, mas infelizmente a situação é tão recorrente que nunca fica demodê, né? :( E como toda vez que me lembro disso me dá sanguenozói por ver tudo acontecendo e a gente não usar o poder que tem pra mudar, aí vai minha contribuição pro movimento.

Era uma vez o Coelhinho Guloso. Ele morava na pitoresca e próspera cidade de Coelhópolis e era bastante popular entre todos por seu carisma, sua habilidade com os negócios e por ser impressionantemente fotogênico. Mas ele tinha um pequeno probleminha – sua goludice era maior que ele mesmo.

Em Coelhópolis, as cenouras eram distribuídas pelo Grande Cenourário Municipal, que abastecia toda a população. Todos os dias, a cada morador era dada uma cenoura grande e suculenta, refeição mais que suficiente pra encher a barriga do mais gordo dos coelhos – mas não o bastante pro Coelhinho Guloso. Aquele coelhinho passava noites em claro imaginando enormes montanhas de cenoura pra se esbaldar.

Para conseguir cenouras extras, era preciso trabalhar muito. Por isso, seu maior sonho era seguir os passos de seu pai, o Sr. Coelho, e um dia poder trabalhar na administração do Cenourário e comprar muitas cenouras extras.

Pois com seu carisma e fotogenia impecáveis ele não teve o menor problema em realizar seu sonho. O Coelhinho Guloso distribuiu cartazes, conversou com cada coelho da cidade, fez promessas das mais diversas e foi eleito o sucessor do respeitado Sr. Coelho.

Ainda alguns meses passariam até que o Coelhinho ocupasse seu cargo, mas  devido a um terribillíssimo surto de gripe lebrística (uma das piores dessa região), o Sr. Coelho caiu de cama muitíssimo doente. A Dona Coelha, cansada de saber que o melhor remédio pra gripe é muito suco de cenoura e repouso, não permitiu que o marido trabalhasse pelos próximos dias.

Sendo assim, o Coelhinho Guloso foi convocado a assumir seus deveres admistrativos no Cenourário no dia seguinte. Louco de ansiedade, ele não conseguiu sequer pregar os olhos naquela noite. Quantas coisas incríveis ele poderia realizar!

Chegando ao Cenourário, ficou embasbacado – tanta cenoura ele nunca tinha visto de uma só vez. Como os campos haviam se expandido desde a última vez que estivera ali! Com as vistas turvas e o pensamento atrapalhado, o Coelhinho Guloso só conseguia pensar em uma coisa: comer cenoura. Sendo assim, se sentou e comeu e comeu até se fartar. Depois respirou fundo e ainda comeu mais um pouquinho.

Sem dúvida aquele emprego prometia!

Só o que ele não tinha previsto era que toda aquela comilança desenfreada teria  suas consequências. Tanto comeu o Coelhinho, que a distribuição de cenouras caiu pela metade nos dias que se seguiram e não demorou muito pra que uma passeata de coelhos famintos se instalasse em frente ao Cenourário. Do seu escritório ele podia ouvir os brados vindos lá de fora.

- Coelhinho egoísta!

- Nossos filhos passam fome!

- Esta comida é de todos!

- Se você pode comer mais também temos direito!

Mas o Coelhinho Guloso não tinha forças para parar. Afinal, com tanta fartura bem ali ao seu alcance, como resistir?

Os dias foram passando e a situação foi ficando cada vez pior. A Dona Coelha, querendo proteger a saúde do seu velho marido, não lhe contava nada, e apenas suplicava ao filho que tivesse consideração pelos outros. Mas o Coelhinho Guloso a ninguém dava ouvidos.

Um dia, seu pai, que de qualquer jeito ficou sabendo de toda a história pela Gazeta de Coelhópolis, se levantou ainda muito debilitado e com uma tremenda dor nas pontas das orelhas (sintoma muito comum da gripe lebrística) e foi ter com o Coelhinho.

- Meu querido filho, o que deu em você? Simplesmente esqueceu tudo o que te ensinei todos estes anos, nossos valores? E estas cenouras que você está comendo são do município e pertencem a todos! Você não tem mais direito que os outros e tem que aprender a se controlar. Se come uma cenoura à mais, estará tirando uma cenoura da boca de outro, é isso o que você quer?

O Coelhinho olhava calado pro seu pai. Ele continuou:

- Coelhinhos bebês que já não mamam estão passando fome, coelhinhos em idade escolar estão tendo dificuldade em se concentrar na escola, os doentes nos hospitais estão cada vez mais fracos. Na entrada da fábrica, alguns coelhos clamam por justiça… Sorte nossa que são a minoria, senão nos tirariam da administração do Cenourário, e com razão, depois do que você anda fazendo… Então, por favor, não me envergonhe mais, meu filho. Os coelhos confiaram em você quando te elegeram, retribua a confiança…

* * *

Pois infelizmente esta fábula não é como tantas outras que terminariam com um “e o Coelhinho se deu conta de todo o mal que fazia e daquele dia em diante passou a controlar sua goludice e egoísmo. O Cenourário prosperou com suas ideias renovadoras e a cidade de Coelhópolis passou a ser a única na região que conseguiu o feito de distribuir duas cenouras por dia pra cada coelho”.

Não, meus amigos. O Coelhinho sabia que ele estava errado, mas a fartura e a ganância o cegavam.

Após alguns dias, o Sr. Coelho partiu desta para melhor. Dizem que não foi pela gripe, mas de desgosto. E no Cenourário, a crise aumentou. O Coelhinho Guloso foi tomado totalmente pela ambição e fazia o que queria. Comia sem limites, pouco trabalhava e chegou até mesmo a dar a sim mesmo um aumento de 62% no salário.

E os outros?

Bom, os empregados, vendo tudo aquilo acontecendo às claras e com nada sendo feito, decidiram agir… Mas infelizmente, da mesma forma… Desviando cenouras, diluindo o Carrot Juice 100% cenoura da cesta básica, inventando desculpas escabrosas pra justificar gastos extras nos maquinários, usando recursos do Cenourário para fins pessoais e até vendendo cenouras que deveriam ser de graça… Com o tempo, pra manter a fábrica com tantos desvios, os empregados tiveram os salários diminuídos e muitos perderam seus empregos.

Já o povo, vendo que os que tiveram coragem de pedir justiça nada conseguiram, simplesmente suspiravam e lamentavam como que conformados:

“Triste situação, cumpade Coelho… Tanta gente morrendo de fome e ninguém está fazendo nada pra parar esse Sr. Guloso. Mas eu sabia que algo do tipo aconteceria mais dia menos dia… Felicidade não dura muito.”

“Pois é, e o pior é que não tem nada que a gente possa fazer. Ele que é o ‘cabeça’ que deveria dar um novo rumo ao Cenourário…  Nos resta torcer pra que alguém faça alguma coisa e tudo volte ao normal um dia…”

* * *

Uma pena, pois mal sabiam eles que o futuro do Cenourário SOMENTE eles poderiam mudar, com a união de TODOS. Coelhinhos, muito raramente levam GULOSO claramente estampado em seus nomes, portanto, reconhecê-los nem sempre é fácil. Assim, os coelhos votantes têm que escolher os administradores dos Cenourários com consciência e pressionar MESMO, pra que se cumpra as leis e o respeito, ao invés de se conformarem em passar fome ou ter salário de merreca enquanto os governantes nadam em braçadas em salários de 27 mil por mês por aí.

Uma vergonha! Mas pior ainda é permitir que isso aconteça!

Então, que tal mostrar aos Coelhos Gulosos que eles não têm direito de fazerem o que bem entenderem com o dinheiro público? Que negócio safado é esse de aumento de 62%? Junte-se ao coro e comece enviando sua reclamação pro Guloso que você votou.

Afinal,  não basta desejar e esperar um 2011 e um futuro mais feliz, também temos que fazer nossa parte, né não?

(Segurança tentando pegar um estudante que protestava contra o aumento em Brasilia)

Links:

Políticos que apoiaram o aumento

Fale com o deputado

Fale com o José Sarney – sarney@senador.gov.br

Blogs que também deram seu recado:

Pequeno Guia Prático, Tutto Petit (excelente texto da Kah!), Aprendiz de mãe, Mãe Eterna, Projetinho de Vida, As aventuras de Luiza e do Felipe, Coisa de Mãe, Turus em Montreal, Pedaços de Mim, Dani, Marcão e Nina, Viajando na Maternidade, What Mommy Needs, Leite e Prosa, Super Duper, Colinho de Mãe, Minha Pequena Ísis (onde a Nine escreveu cartas que foram enviadas tanto pra quem votou a favor, como parabenizando quem votou contra).


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E o amiguinho secreto é…

Gente, pensa bem. Não é sempre que temos a oportunidade de conhecer uma pessoa meiga e atenciosa, um menininho fofíssimo e um blog super acolhedor ganhando um presentinho e cartinha primeiro, não é?

Pois foi assim, desta forma especial, que viemos a conhecer a Ilana e o Raphael (que inclusive agora tá andando!) através de suas histórias muito bem contadas no 1 + 1 são três.

E por que isso? Ora, porque o Raphael é o amiguinho secreto do Nicolas!!! Eeeehhh!!!!

Agora o recado é do Nicolas pro Raphael, viu gente? Mas ó, só pra ele!!!

O^O

Ei! Psiiiiiiu! E esse olho grande aí, hein? Eu não falei que o recado é só pro Raphael? Nossa, que povo mais indiscreto, meu Deus…

Então aí vai:

“Querido Raphael, essa foi a primeira vez que eu participei de uma brincadeira assim e gostei muito de ter tido você como meu amiguinho secreto! Parece que você adivinhou meu gosto, sabia? Mamãe deve ter contado que eu adoro brinquedinhos de montar, mas você me surpreendeu com o quebra-cabeças de madeira de dinoussauro. Eu amo os dinos!!! E cada um tem uma cor diferente! Muito legal!

Você também mandou um livrinho lindo, lindo. Mamãe também ficou fascinada e por um instante achei que ela tinha a minha idade… hahaha… essa mamãe… O livrinho é sobre um aprendiz de mago. Eu não sabia o que era isso, mas mamãe me explicou fingindo que transformava vários objetos em outros com uma varinha. Ai, ai… achei tão divertido… Principalmente quando ela me transformou num treinzinho! Eu adoro trenzinhos e saí pela sala falando Piuí! Piuí!!!!”

Hm, hm! Nic, e sobre o livrinho?

“Ah, sim, voltando ao livrinho… Desculpa, Raphael, mas eu só tenho dois anos e ainda sinto uma grande dificuldade em me focar em uma coisa só, sabe? Você deve me entender… Mas o livrinho conta que os truques do pequeno mago nunca dão certo.

Por exemplo, ele queria molho pro macarrão dele…

Mas com o feitiço, tudo o que ele conseguiu foi transformar o macarrão em cobras!!!

Eu adorei!!!

E olha eu  lendo o livrinho dentro da mala, Raphael! É, porque aqui em casa tem malas e caixas por todo lado. Mamãe diz que é porque estamos de mudança, mas eu acho mesmo que é porque ela adora brincar de colocar e tirar coisas das malas e caixas, assim como eu!!! Aposto que é isso!

E pra completar, você ainda mandou um cartãozinho super carinhoso que a mamãe leu todinho pra mim.

Muito obrigado por tudo, amiguinho, mais ainda pela gentileza de mandar tudo pra tão longe… Também queria aproveitar pra te dar os parabéns já que agora você está andando! Iuuupeee! Você vai ver como sua vida vai ficar ainda mais emocionante! Nada mais estará fora do seu alcance! Confia em mim, eu já passei por isso!

Um abraço grande pra você,

do ‘Nicoias’.”

* * *

Ai, que menino prodígio esse meu filho, tão pequeno e já escrevendo tão bem… :-)

Bom, e sobre a amiguinha do Nicolas… parece que ainda não recebeu nosso presentinho… Estamos torcendo pra que ela receba logo e goste, afinal escolhemos tudo com muito carinho…

* * *

PS: Pra quem acompanha o Blog pelo Google Reader, mil desculpas, mas aconteceu algum pau… Eu andei mudando as categorias de alguns posts antigos e não sei porque motivo alguns deles andam aparecendo no Google Reader como se estivessem sido acabados de serem publicados…


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Exclusivo Castelo de Caras

Oi gente!

Olha, a culpa não foi minha por ter demorado tanto a postar fotos da nossa viagem ao Brasil, e sim da Caras, que enrolou horrores pra publicar a matéria com a gente.

Mas enfim, está aí! Deleitem-se!

* * *

Exclusivo Castelo de Caras: Luciana, em total estado de felicidade e plenitude, conta como foram suas férias no Brasil com a família

Após seis anos morando no exterior, Luciana (25) revela que o que mais sente falta ao morar fora é da companhia da família e dos amigos, principalmente depois do nascimento do Nicolas (2), fruto do feliz casamento com o geólogo Rafael Gradim (31). “Foi muito bom rever todo mundo. O coração já estava apertado de tanta saudade e o Nicolas se sentiu mais feliz e à vontade que nunca!” conta ela cheia de entusiasmo.

E tanta alegria tem explicação. Pra começar, a pequena família foi recebida com muita festa e cartazes dizendo “Hooray! Que bom que vocês chegaram!” no aeroporto de Confins em Belo Horizonte, cidade natal do casal. “A gente não esperava ver as nossas duas famílias lá. Eles esperaram 4 horas, pois perdemos o vôo pra BH e minha mãe até perdeu um dia de trabalho. A chegada foi com certeza um momento emocionante da viagem”, recorda Luciana, que apesar da agenda social apertada também aproveitou pra relaxar. “Uma das partes mais difíceis de se ficar só um mês no Brasil é que a gente nunca passa muito tempo com todo mundo e os dias têm que ser todos programados” desabafa ela. “E por causa disso, a gente procura sempre fazer passeios relaxantes e que envolvam um grupo maior de pessoas.”

Um desses passeios incluiu sua melhor amiga, a empresária Simone (25), que há dois meses deu a luz ao Yann, fruto de seu relacionamento com o artista Rodrigo (33). “A Si é uma pessoa linda e adorei visitar o parque Vale Verde com ela. A gente quase conseguiu colocar o papo em dia (risos)” diz Luciana, bem humorada. “Também foi lindo ver o Nicolas interagindo com ela e a chamando de Money”, revela a mamãe coruja.

Além deste parque, ela conta que também visitou o Inhotim, um dos maiores museus de arte contemporânea ao ar livre do mundo “Eu amo arte, um bom papo e caminhar em meio à natureza, e esse passeio nos ofereceu tudo isso. Além disso, tivemos a honra de sermos guiados por minha talentosa prima” diz Luciana referindo-se à artista plástica Esther Azevedo (22). “Foi um grupo bem grande de pessoas e nos divertimos à beça! Só tivemos que tomar cuidado com o sol, claro, que estava muito forte” acrescenta a mineirinha, que nunca deixa de cuidar da sua pele.

 

Helô, Dodôra, Vovó São, Lu, Bel-de-Bel, Marília, Ana, Rei, Patti, Nic. Fotos tirada por Esther.

 

Qual a sua receita pra manter esta pele sempre jovem?

- (risos) Não faço nada de mais, tenho a sorte de ter a pele mais oleosa. Mas de uma coisa que nunca abro mão é do meu protetor solar Clinique Sun.

- Essa foi a primeira vez que vocês visitaram o Brasil com o Nicolas?

- Não, na primeira vez ainda morávamos na Austrália e ele estava muito pequeno, só tinha 5 meses.

- Como foi a reação dele diante de tantas pessoas diferentes? Ele estranhou muito?

- Não estranhou nada, ele amou todo mundo e foi ótimo pra ele saber que também é amado por tanta gente. Só nos primeiros dias que ele estranhou um pouco as mulheres (risos) e ele só aceitava ir no colo dos homens. Mas isso passou logo e em poucos dias ele já estava abraçando tudo mundo.

- Como foi dividir o tempo de vocês entre as duas famílias? Houve muita disputa pra ficar com o netinho?

- Não, foi tudo muito harmonioso. Desta vez a gente resolveu passar metade dos dias com a família do Rafa e metade com a minha. Elas não moram muito longe uma da outra, mas isso evitou que passássemos os dias indo e vindo de uma casa pra outra e deu tempo do Nicolas se acostumar com cada uma e cada ambiente.

- E também sobrou tempo pra todos os amigos?

- Claro! (risos) Primeiro tivemos um encontro sen-sa-ci-o-nal na casa da nossa querida amiga Barol, que inclusive é cozinheira de mão cheia. E lá, além de comermos muito (risos), também tivemos a oportunidade de rever vários amigos gente-boa da geologia; além de conhecer o Rodrigo, novo relacionamento da Barol e a doce Maitê, filha dos fofos Taís, que escreve o blog Tudo de Bombom, e Cassemiro.

 

À esquerda: Lu, Barol, Taís, Maitê. À direita: Tripa, Diogo, Rafa, Nic, Mateus, Cassemiro, Sérgio, Branco

 

- E houveram mais outros encontros?

- Ah, sim. Também promovemos um com pizzas caseiras na casa da minha sogra, que foi ótimo! Lá tivemos o prestígio da presença dos irreverentes Podrões –  grandes amigos do meu marido, acompanhados de suas esposas, a amiga Ignez, as queridas Si e Eline com as famílias, os inteligentíssimos Sérgio Túlio e doutora Rosa, além do escritor e roteirista Gui Lessa e do perito Maurício Cachinhos. E depois disso também recebemos a visita da adorável Anita com os pais dela. Foram encontros memoráveis!

 

Simone, Lu, Eline. Ao fundo: Stela e Ignez

 

 

Aylton, Gui, Rafa, Nic, Maurício

 

 

Sérgio, Rafa, Lu, Dra. Rosa

 

- E o Nicolas aprendeu muito com a convivência com tantas pessoas?

- Ô, claro! Primeiro, aprendeu que é ótimo ser o centro das atenções. As pessoas não paravam de pedir a ele pra fazer a voz de monstrinho, que ele mesmo inventou, e cantar as várias musiquinhas que ele aprendeu lá. Além disso, ele agora aprendeu a falar “Ai, meu Deus do céu! Puxa vida! Nossa Senhora! e Ai, tadinho…” (risos) Só no Brasil mesmo pra aprender todas essas coisas!

- Ele se comportou bem em todos os eventos?

- Quase todos (risos). A gente foi pro Brasil nesta época principalmente por causa do casamento da Fabiana, irmã do Rafa, com o Bruno. O Nicolas seria um dos pagens, mas infelizmente coincidiu com a hora dele dormir e tivemos que levá-lo embora logo após a entrada da noiva, que por sinal, estava encantadora…

- Então vocês perderam a festa do casamento?

- Não, felizmente ele aceitou bem a companhia da Sueli, e a gente conseguiu voltar. Foi nossa primeira grande festa desde que o Nicolas nasceu!

- E no geral, você lembra de alguma história engraçada pra contar?

- Agora só me lembro de uma na casa da minha tia Rita… Lá tem um ninho de passarinhos com dois filhotes que o Nicolas ficou encantado e toda hora pedia pra ver. Daí um dia, minha tia Tereza com a Thais foram nos visitar. A gente tirou a foto delas com o Nic, mas ele não olhou pra câmera, então minha tia disse “Olha o passarinho, Nicolas!”. Com isso, ele imediatamente se levantou e saiu correndo lá pra fora pra ver o passarinho de verdade… (risos).

 

Taís, Nicolas, tia Tereza

 

- E quais foram outros grandes momentos dessas férias?

- Ah… além de todos que eu já mencionei, sem dúvida o dia que levamos o Nicolas ao parque de diversões, o noivado do meu irmão com a divertida Ana, ver todos os adultos dançando a Galinha Pintadinha com o Nic, a primeira briga do Nicolas de rolar no chão que aconteceu com a priminha Babi por causa de uma mochila (risos), a ida ao parque pra alimentar os patinhos, a paciência do priminho Dudu pra brincar com ele toda hora, o Nic tentando tirar a tatuagem da Patti com uma escova (risos), a visita pra conhecer o fofinho do Yann, o colinho das vovós, titias e da dindinha que não tem igual, as brincadeiras com o tio Nael e a tia Cátia e o mais emocionante de todos, o apego do Nic com o tio Toninho, quem costumava evitar todo e qualquer contato físico e desta vez até carregou o Nic no colo…

 

Diversão pra criança ou... pros adultos? Nas fotos: Patti, Lu, Ana, Rei, Nic, Babi, Dudu

 

 

Vovó São cozinhando ao fundo, Nicolas tirando a tatoo da dinda

 

 

Nic com vovó Stela e tia Marcela

 

 

Rafa, Si, Yann, Lu

 

 

Nicolas com o tio Toninho

 

- Então foi tudo perfeito não é? Houve alguma coisa que vocês não gostaram?

- A única coisa é que descobrimos que o Nicolas é suuuuuper alérgico a picada de insetos, e o que não falta no Brasil são pernilongos. A gente teve que tomar várias medidas pra ele não ser picado, mas mesmo assim não conseguimos evitar sempre e teve dias que ele estava com a carinha toda inchada e muito incomodado com a coceira. E outra coisa chata foi o fato do Rafa ter que voltar pro trabalho após duas semanas de férias. A gente já sabia, mas não deixa de ser chato…

- E como foi a volta à rotina em Vancouver?

- Sem problema. O Nic já está tão acostumado a viajar que não tem mais problemas com fuso horário, e o sono dele até melhorou desde que voltamos. Só uma coisa a gente não se acostuma tão fácil… a falta do calor humano e da presença das pessoas que amamos… Outro dia mesmo, estávamos conversando com minha família no Skype e o Nic pedia o colo da dindinha e da vovó… Essa é a parte mais difícil de se morar fora, sem dúvida…

* * *

Bacana a matéria, né gente? E eles gostaram tanto de me entrevistar que até pediram pra cobrir a festinha de aniversário do Nic, que aconteceu ontem. Mas ó, vou contar pr’ocês: o cachê não é lá grandes coisas não, viu? E acredita que eles só me serviram um suquinho aguado na entrevista no castelo? Sem falar que esse negócio de ficar contando a idade da gente pra todo mundo tá por fora… Bom, tudo bem que eu só tenho 25 e não tenho problema com essas coisas, mas tem gente que não gosta, né? Então achei melhor recusar…

Assim, no próximo post, eu mesma volto pra contar como foi a comemoração dos dois aninhos do Nic, tá? Me aguardem!

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