O lado cômico da maternidade


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O dia que eu descobri que tem coisa pior que ter feito book fotográfico

Resumo do ultimo capítulo: após anos de terapia do espelho pra finalmente conseguir resgatar sua tão defasada auto-estima, Luciana vive um trágico e inesperado reencontro com seu passado Elke Swarovski. Baratinada, ela vai pra São Paulo com sua filha, afim de encontrar algumas amigas, dentre elas, aquela que teria o poder de ajudá-la a afugentar seus traumas e fazê-la acreditar que dias melhores estariam sim por vir. 

* * *

Ahhhh! Nada como uns dias só de meninas pela frente! Era tudo o que eu precisava após ter cutucado feridas tão profundas em minha alma… Também, com um panfleto cafona daqueles, como eu podia esperar um resultado decente?

Mas enfim.

No vôo pra São Paulo, enquanto Lily mascava os meus foninhos de ouvido e eu continuava sendo perseguida por aquela fatídica imagem que ricocheteava insanamente na minha cabeça sem um minuto de trégua, cheguei à conclusão que aquilo tinha que acabar!

Então repreendi a Lily e guardei meus fones.

Ufa, agora sim, eu podia pensar com mais clareza! Porque pra mim, não fazia sentido nenhum como uma pessoa inteligente, sensata e de cabelos já TÃO vastos, algum dia pode ter acreditado que fazer um corte selvagem abundantemente repicado mais uma ondulação permanente à base de amônia, pudesse ser uma boa ideia.

Será que eu não pensei que o volume dos meus cabelos excederia os limites de metro cúbido humanamente aceitáveis? ( ) sim (x) claramente não Será que eu não considerei a possibilidade de meus fios se danificarem para todo o sempre? ( ) sim (x) óbvio que não Ou será que eu não pensei em nada disso e tava era mesmo doida pra ter um visual despojado (pra época), calçar minhas polainas degradês super sexy (pra época) e dançar Girls just wanna have fun da Cyndi Lauper? (x) bem possível (x) sei não, pelo jeito tava mais pra Like a Virgin

Bom, cada um com suas escolhas, mas eu acho que tudo tem limite… E sinceramente? Não aguento essas pessoas que não veem as consequências dos seus atos.

- Não Lily, mamar agora não. Brinca com essas moedinhas, meu bem, mamãe precisa pensar mais.

* * *

Chego em São Paulo.

O apartamento era impecável. Tudo lindo, sofisticado, requintado, adornado e milimetricamente organizado. Nada de paredes riscadas com marcador permanente de várias cores, nem móveis decorados com adesivos do Mickey e Pato Donald; muito menos brinquedos obstruindo os caminhos. Abracei a Lily, fechei meus olhos e mentalizei: meu dia chegará, confiá-lo-ei.

Comigo estavam a Dani e a Clauo. A Dani, além de engraçada, mostrou ter habilidades automobilísticas tão extraordinárias, que conseguiu dirigir pelas ruas de Sampa com a Lily chorando de sono de um ponto ao outro – o equivalente a ter uma vuvuzela buzinando em cada ouvido por meia-hora, imagine. Um ás no volante.

Já a Clauo, é uma dessas pessoas tão legais e cativantes, que você tem vontade de abraçar e agradecer a ela por existir a cada cinco minutos. Só me controlei pra não deixá-la desconfortável. E pra não passar vergonha. E pra nao estragar a tal primeira impressão, que pelo que dizem, é a que fica. Então me contive.

A dona da casa, era minha querida amiga Dri. Linda, chique, divertida e PARA TUDO: Consultora de Estilo.

Destino, né gente?

Cooooooorre, que o antídoto ta chegando, Feitiço de Elke!

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* * *

Fragilizada, abalada, porém esperançosa, me deixei sentar na cadeira indicada. Com cara de quem sabia o que estava fazendo, ela veio com um pano cinza e enrolou na minha cabeça. Considerei aceitável. Pegou outro pano cinza, jogou sobre meus ombros, enrolou no meu dorso e deixou só meu rosto de fora. Tranquilo. Daí começou a colocar, tirar e agitar umas bandeiras coloridas nos lados do meu rosto. Nesse momento me perguntei se aquilo tudo seria realmente necessário.

- Isso tudo é realmente necessário, viu Lu!

Viu? Sabia!

Daí ela me explicou que aquilo era chamado “coloração”, uma técnica de vanguarda pra avaliar quais as cores combinavam comigo, quais me deixavam desenxabida. Então me disse que como sou pessoa de alto contraste e por minha paleta ser de cores mais frias e fortes, eu deveria fugir das combinações pastéis SEMPRE.

Nesse momento, lancei-lhe um olhar de “are you sure?” enquanto eu concluía o escaneamento mental de meu guarda-roupa. A 83% do processo o resultado era 60% bege, 30% marrom, 10% indefinido. Ou seja, toda uma vida de desenxabimento. Como lhidar com isso, gente? Mas daí, vibrei de alegria ao lembrar que eu tinha algumas blusinhas vermelhas e laranjas guardadas em algum lugar. Yay!

- Lu, evite também os vermelhos e laranjas, pois essas cores te apagam e acentuam mais suas olheiras.

Credo! Deus me livre de cor que acentua olheira nesse ponto da minha vida. Imediatamente mandei as blusinhas (que blusinhas?) direto pra minha lixeira mental.

Quando eu já perdia as esperanças de ser feliz de novo, ela veio me contar com entusiasmo sobre todos os acessórios que eu podia usar com as cores que não me favoreciam tanto. Falou das cores boas e das combinações interessantes que realçariam minha beleza interna e externa. Falou de texturas, padrões, auto-aceitação, gasto consciente e tanto mais.

Toda uma vida de alto astral e alto contraste pela frente, né gente?

Assim, meus olhos foram cintilando, meu coração palpitando e aos poucos fui sentindo que aquela velha imagem distorcida de mim mesma se desvanecia. (Tá, agora só faltava eu convencer minha mãe a tirar a tal foto da porta de sua geladeira. Mas sejamos graduais).

Daí a Dri tirou aquela panaiada cinza de cima de mim e Liloca, que aparentemente andava procurando por sua mãe fazia tempo, veio correndo enlouquecida pro meu lado com cara de cachorrinho órfão. Pego a minha pequena com animação, já vislumbrando o meu futuro fashion reformulado e sento ela no meu colo. Quando casualmente, eu olho pro joelho dela e ali vejo uma fralda.

Hm.

“O que essa fralda estaria fazendo na altura do joelho dessa criança?” – penso eu sem nem mesmo querer saber a resposta.

Conservo minha expressão tranquila e despreocupada, enquanto escuto sobre revigoração de guarda-roupa e degusto o delicioso bolo de limão feito pela Dri. Então respiro fundo (discretamente) e percebo um conhecido aroma adentrando minhas narinas. Sigo impassível.

A Dri continua me contando que o intuito de sua consultoria é formar consumidoras conscientes, que saibam reaproveitar suas roupas e comprar o estritamente necessário. Interessada em saber mais, mas com o dever de investigar o que acontecia nas imediações do meu colo, desvio o olhar para o meu vestido  – de tom quase pastel – e nele identifico um material – claramente de alto contraste.

PARA TUDO.

Aquilo estava realmente acontecendo?

Quando vislumbrei toda uma vida de alto contraste não era bem isso que eu tinha em mente. Já sem conseguir fingir, e com expressão de terror nos olhos, afasto o bumbum pelado da Lily do meu vestido.

E desfaleço.

* * *

Pois é, gente, taí uma história que eu queria MUITO poder dizer que aconteceu com uma amiga. Afinal, quem quer pra si uma história dessas, né? E olha que já comi cocô de galinha, encontrei com ginecologista em festa de aniversário, já joguei suco na minha comida por diversão, já quis ser o Mussum, já travei contato com meliante no Havaí e até fiz book fotográfico nos anos 80.

Mas foi nesse dia que eu me dei conta, que depois que a gente tem filho TODAS as outras historias da nossa vida nos parecem completamente obsoletas. Ensaio fotográfico nos Estúdios Sonora? Rá! Fichinha perto do que passei na casa da Dri.

Obrigada Lily, pois no final das contas, VOCÊ foi a responsável por quebrar o feitiço de Elke! E obrigada Dri, por manter a calma mesmo diante do que parecia pouco provável!

* * *

EPÍLOGO: Depois do incidente que mudou os rumos de sua auto-estima, Luciana passou uns dias na casa de sua querida amiga Eline de onde saiu ainda mais inspirada e conheceu a adorável irmã quase gêmea da Lily. Depois voltou pro Canadá onde continuou a consultoria de estilo pelo skype, se tornando a primeira cliente internacional da Trendy.

Hoje, ela vive feliz com ela mesma, (tenta) usar seu guarda-roupa a seu favor e sempre verifica duas vezes antes de colocar a Lily no seu colo.

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Então, né…

…passei um oleozinho de peroba nas bochechas e tô voltando como se jamais tivesse abandonado esse blog. :)

Tudo bem com vocês, pessoas queridas?

Por aqui, tudo bacana. Eu continuo desenhando muito, Nic continua sem querer comer e Rafa continua com suas viagens a trabalho. Meio sem novidade, né?

Justifiquei o afastamento? :)

Mas então deixa eu espremer aqui pra ver se sai um caldinho.

1.

Dia desses acabamos com nosso jejum de cinema de 2 anos e meio – e  Nic aproveitou pra ir a um pela primeira vez! Fomos assistir ‘Rio’ (dito com sotaque gringo, please).

Bom, antes do filme começar pensamos que Nic não duraria nem 5 minutos, uma vez que mal entrou na sala e já soltou “quero ir embora, quero ir embora!”. Depois descobriu o corredor que levava à telona e adorou correr, bater a mão e voltar. “Caraca!” – pensamos – “vamos ter que sair fora logo logo”. Até que o filme começou e Nic não deu um pio, nem piscou, até as letrinhas subirem. Sucesso total. E ainda voltamos pra casa com o carregamento de chocolate pra emergências intacto. Eu disse. Su-ces-so mes-mo.

2.

E foi em meio à esta febre de filme 3D que pensamos “Quer saber? Que 3D que nada, o quente mesmo deve ser o 4D!”. E foi lá, no Aquário de Vancouver, que inusitadamente assistimos a um filminho desses. E olha, que espetáculo esse negócio! Sabe como é? Os menininhos do filme passam por trás da cachoeira, a água espirra na nossa cara, eles pulam de um lugar alto, nossas cadeiras tremem com o impacto, eles cheiram uma flor, a gente sente o perfume, eles mergulham nas águas profundas e o cinema é todo inundado por bolhas de sabão. Muito legal!

(Liga não, gente, isso é empolgação típica de pessoa cujo único filme 3D assistido até aquele momento tinha sido Freddy contra Jason, em 2003. Então deixa quieto e só diz “Que legal, Lu!”).

3.

E além de termos desbravado os mistérios da industria cinematográfica recente, também temos acompanhado à algumas transformações do menino Nicolas.

Nic, que costumava ser criança desprendida de tudo, passou por uma fase de egoísmo total e absoluto. Não só em relação aos seus pertences, mas também com relação ao balanço do parque público e até mesmo à musiquinha da escola, com a qual a professora dá as boas vindas cantando o nome de cada criança presente. Mas Nic não queria escutar o nome dos coleguinhas… Não… Nas palavras dele mesmo e em tom gritado: “Só Nicolas! Só Nicolas”. Precisam ver o tumulto que isso causou… Mas passou e Nic agora compartilha o caminhãozinho vermelho, o carrinho do supermercado,  e até a tal da musiquinha. E baixinho a gente pode escutar ele repetindo enquanto a música é cantada “Só Nicolas não, só Nicolas não”.

Repressão não, auto-controle.

 ::::

Bom, no mais, posso contar que já passamos da metade da primavera e ainda não matei meu jardim como eu esperava,

Nic, que estava se saindo muito bem com sua nova bicicletinha, agora teve suas práticas suspensas por se recusar a usar o capacete,

E  que apesar do cabelo enoooorme*, ele continua o simpaticão de sempre.

* Sim! Deve ser esse o incômodo pra usar o capacete. Cabelo demais pra ir lá dentro, né? Vou providenciar um corte djá!

:)

Beijos!


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Todo mundo de cara nova… inclusive o blog!

O primeiro a mudar o visual foi o Nicolas.

Eu adiei ao máximo do máximo do máximo pegar o telefone e marcar um horário pra ele num salão lá no Brasil. Sim, porque depois da nossa impecável trajetória de três cortes em zigzag envolvendo choro, gritos e esperneamentos (mesmo em salão infantil com carrinhos modernetes), não dá pra condenar meus dois pés atrás e zero ansiedade pelo próximo evento, né?

E como o cabelo dele já estava parecendo samambaias choronas despencando sobre os olhos e orelhas, não tive outra escolha:

- Você tem preferência de cabeleireiro? – me perguntaram eles

- Hmmm… Dá pra ser o Edward, mãos de tesoura?

- Ha ha! Infelizmente esse tá de férias, pode ser outro?

- Pode sim, mas desde que seja uma pessoa mega experiente, paciente e ágil, tá bom? E se for meio palhacento vai ajudar também. Isso, por que esse menininho aqui não é nada fácil quando se trata de deixar cortar o cabelo dele… vocês vão ver!

Pois talvez tenha sido o exemplo de um outro menininho que cortava o cabelo tranquilamente ao lado, ou a maior predisposição do Nic em dirigir o carrinho do salão, ou o fato do cabeleireiro ser um homem (eu ainda não contei aqui mas o Nicolas tem forte conexão com a figura masculina), ou quem sabe, porque um dos seus vídeos preferidos tocava na televisão à sua frente, ou porque o cabeleireiro tinha muito jeito com crianças e falava “olha, tá chovendo, Nicolas!!!” toda vez que ele molhava o cabelo dele com o spray, ou quizá porque o Nic cresceu e se deu conta que não tem nada demais cortar o cabelo, ou então, simplesmente porque eu falei “vocês vão ver” em tom de ameaça e o universo não gosta dessas coisas e conspirou pra (felizmente!) me contrariar…

Não sei. Fato é, que ele não poderia ter se comportado melhor, do início ao fim. Foi tudo perfeito e até sorriso pra câmera da dindinha ele deu! Parabéns, Nic!!!

Bom, além do Nic, a segunda a mudar o visual é essa que vos fala. Pra quem me conhece, sabe como eu sou zero aventureira com esse negócio de visu. Daí, minha irmã (que já teve o cabelo azul, roxo, verde fosforescente, rosa e agora é loiro) veio e me convenceu a fazer umas tais mechas californianas.

Pois fiz e achei um espetáculo. Há quem diga que fiquei com cara de 15 anos. Ha, ha! Tá bom, 25. Tá bom, 28. Mas mesmo assim, o importante é que não me arrependi!

E com tanta mudança, o que não poderia deixar de mudar também é o blog. Mas eu ainda não terminei. Comecei com um desenho novo pro cabeçalho (que me tomou uns 5 dias de muito trabalho pra terminar), mudei algumas cores, fonte, mas ainda vou mudar mais. Isso porque eu custei a me render ao CSS, mas depois que eu vislumbrei suas infinitas possibilidades, difícil vai ser parar (claro, isso até eu meter os pés pelas mãos!).

Além disso, também estou trabalhando num outro blog bem fofinho, só de ilustrações. Vai ser lá que eu vou colocar os desenhos que eu tenho feito e a partir de onde se pode também encomendar ilustrações. Assim que eu tiver algo inteligível por lá eu passo o link.

No mais, mil beijos pra todo mundo!


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Primeira semana, novos olhares, corte de cabelo

Mal posso acreditar que já faz mais de uma semana que a gente chegou aqui. Felizmente já conseguimos todas as coisas básicas que um residente precisa, incluindo encontrar um médico e dentista pra família, coisas normalmente dificílimas de conseguir em Vancouver. Pra ter uma idéia até mesmo a nossa médica disse que levou meses pra conseguir um médico pra ela!! Olha só que doidera… E pra você entender, aqui é assim: todo mundo normalmente tem um só clinico geral pra família, que quando necessário, vai encaminhar o membro “necessitante” pra um especialista.

E a gente só conseguiu a proeza de encontrar um logo na primeira semana, graças à boa vontade de outros brasileiros que já passaram por tudo isso e nos passaram tuuuuudo mastigadinho… Obrigada Sandro e Illie!

Felizmente também já conseguimos um lugar pra ficar. A gente só não mudou pra lá ainda pois estamos esperando desocupar. Enquanto isso, Nicolas não tá nem aí. Já vimos que qualquer casa pra ele tá bom, desde que tenha várias coisas pra mexer e explorar. (E incrivel a habilidade que ele desenvolveu de se localizar bem nos cômodos de qualquer casa!).

A gente só não tem ainda nossas coisas que foram despachadas da Australia pra cá e já não aguentamos mais usar as mesmas roupas que usamos a viagem inteira! Aaaahhh!!! Também estamos lutando contra o instinto consumista de sair comprando outras novas, afinal a gente tem roupa, só falta ir na alfândega buscar (amanhã é o dia!). Só quem tem roupas novas é o Nic, que não pára de crescer (graças à Deus!) e portanto suas roupas que trazemos já não lhe servem mais.

* * *

Também nesta semana me dei conta como nosso olhar pras coisas mudam quando temos filho. A primeira vez que estivemos em Vancouver foi há 3 anos atrás. Lembro de termos ido numa pequena ilha chamada Granville Island, onde voltamos com o Nic no último final de semana. Levei um susto ao ver bem na entrada um grande mercado só pra crianças (Kids Market), com brinquedos artesanais, roupas infantis, vários playgrounds, carrinhos pra dirigir, etc  e na frente um grande gramado com um parquinho. Isso sempre esteve lá, mas passou totalmente desapercebido pra mim na primeira vez, de quando eu só tinha lembranças dos restaurantes e bares!

* * *

E foi nesse Kids Market onde também encontramos um salão de beleza só pra crianças. Vi os olhos do Nicolas brilharem *tlim, tlim, tlim* ao verem que os assentos eram carrinhos super legais com volantes pra ele dirigir. Respiramos aliviados ao pensar que finalmente o corte de cabelo já não seria mais aquela tortura pra ele, nem pra gente.

Bom, isso, até um minuto depois.

Foi só a mulher começar a cortar o cabelo dele que ele esqueceu carrinho, volante, buzina, cookie e nem quis saber da mamãe pagando mico na frente de todo mundo pra cantar e fazer a coreografia de “Nicolas sapeca e o macaco bizarro”, música de autoria dela e que ele tanto gosta(va).

E assim, pela terceira vez Nicolas teve seu já tradicional corte em zig-zag, o qual ele não deixa ser aparado nem mesmo pela gente.

Então nos resta seguir assim, fazendo história pelos salões de beleza do mundo todo…


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Beleza pura

Tem mãe que tem mania de achar que a culpa nunca é do filho. E eu quase caí nessa, até perceber que o Nic teria chorado de qualquer forma no seu primeiro corte de cabelo. Depois daquela experiência, cheguei a considerar cortar o cabelo dele eu mesma dali pra frente (e até me vestir de Bozo, vejam bem). Mas logo vi que eu não tenho dom pra isso (o corte) e desisti. Sorte dele.

Tentamos então outro salão. Pra distraí-lo, eu e minha irmã selecionamos vários objetos que fazem os olhinhos do Nicolas brilharem e as mãozinhas coçarem, mas que eram terminantemente proibidos, até aquele dia.  E ainda por cima, o cabeleireiro desta vez era super simpático e atencioso. Mas nada funcionou. O Nic chorou do início ao fim e não queria saber de nada. Sorte que o moço era super ágil com a tesoura e cortou bem e rápido. E no final, ainda o ofereceu um pirulito, dizendo que era pra ele associar a experiência com algo bom. Mas o Nic, como um bom menino que não está acostumado à açúcar, saiu mordendo o cabinho de plástico ao invés de chupando o pirulito. :-)

E já que eu estava em clima de salão de beleza, acabei animando ir a uma manicure aqui pela primeira vez. Mas só porque ganhei um ‘vale’ do grupo de mães no dia do meu aniversário, do contrário não sei se teria coragem de pagar 40 dólares pra fazer mão, 55 pro pé, ou 22 só pra passar esmalte. Pelo menos, já ouvi falar que pedicure tem todo um ritual envolvendo massagem nos pés, toalha quente e cremes…

Mas eu queria fazer minha mão. Minha amiga Natália já tinha me avisado que não era tão bom, mas aproveitando que a Patti ficaria com o Nic, fui lá conferir.

O ambiente era bacana, com músicas de sons da natureza e tal. A moça tinha a voz bem calma e por um momento achei que fosse começar a escutar “feche os olhos e imagine que você está caminhando numa floresta tranquila…”, até que ela dispôs sobre a mesinha três lixas com diferentes texturas. Lixou e poliu à perfeição por 15 minutos. Depois, alcançou um instrumento de metal. Não era o alicate de unha, pois aqui não tiram a cutícula. Empurrou bem a cutícula pros cantos e cortou o excesso. Depois, foi a parte mais surreal do processo, que eu fiquei acompanhando sem acreditar: ela, na maior cautela do mundo, passou o esmalte lentamente evitando não encostar na cutícula. Ela inclusive entortava a boca e mordia a ponta da língua, como todas as pessoas que fazem algo que lhe exigem tremenda concentração e precisão.

E assim, depois de mais 15 minutos, saí com as unhas todas pintadas no centro e aquela borda milimétrica ao redor. Ri muito e cheguei até a pensar em preencher aquele espacinho com um esmalte de cor diferente. Mas como não tenho habilidade pra tanto, desisti. Sorte minha.


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Primeiro corte de cabelo

Foram tão tumultuados os dois últimos meses, que passei batido em momentos que uma mamãe-coruja-que-se-preza jamais deixaria de registrar! Então vamos ver se consigo correr atrás do prejuízo!

A notícia é tão velha, que até a foto tá parendo desgastada… Mas eu conto.

A propaganda do salão foi grande:

- Sim, temos o maior prazer em cortar cabelos de bebês e crianças de qualquer idade!!! E como brinde no corte infantil, tiramos fotos do antes e depois e anexamos uma madeixa do pequenino de lembrança!!! E de segunda a quarta, o preço promocional é de somente 15 dólares!!! – disse uma voz de mulher ao telefone, no mínimo exclamativa.

- Mas que espetáculo! – pensei. Então vê um horário aí pro meu filho pra próxima segunda – afinal eu não podia perder a promoção… Uau! E ainda incluia madeixa?!! Que bacanésimo!

Fomos. Pelo nível de entusiasmo daquela mulher, fui esperando encontrar o Bozo com uma tesoura (de pontas arredondadas) na mão, uma cadeira de criança daquelas mega coloridas e cheias de botões e muitos brinquedos pra distrair o pequeno costumer.

Mas que droga é esse negócio de expectativa, né? Chegamos lá e era um salão comuzeba, sem nenhum atrativo infantil – a não ser pelas tesouras de pontas afiadas, é claro. A cadeira era normal e não tinha brinquedos na bancada. Sentei e coloquei o Nicolas no meu colo. Pelo menos assim ele não chora, pensei.

Certo. Isso se não fosse pela cabeleireira – uma “tipa” com cara de entediada + poucos amigos + de quem comeu e não gostou, e pra completar, mascando chiclete. O perfeito estilo ‘tô nem aí’. Chegou com duas capas de plástico pretas, uma pra mim, outra pro Nicolas, e já começando a molhar o cabelo dele com um spray, foi perguntando como eu queria o corte. Assim, curta e grossa, sem nem sequer perguntar o nome daquele menininho bonzinho ali sentado olhando pra ela ou tentar conquistar a confiança dele ainda que fosse com um “Oi! Vamos cortar o cabelo?”. Nada.

Não podia ter dado em outra: assim que ela começou a cortar, o Nic abriu o bocão. Chorava, mexia a cabeça e tentava afastar a tesoura com as mãos. Ai, ai… eu tava morrendo de medo daquela tesoura… E não é que nem assim a tal mulher tentou ser simpática? Eu fiz de tudo pra distraí-lo e no pouco que consegui ela cortou tudo de qualquer jeito.

Assim que ela terminou, Nicolas parou de chorar como mágica. Ela então se abaixou, pegou um cachinho no chão e falou que iria buscar a câmera. Ôpa, peraí! Ela falou câmera? Pois com a confusão, eu nem notei que a foto do ‘antes’ não tinha sido tirada. Certamente teria sido a de um menininho cabeludo, porém sorridente; bem diferente da de ‘depois’: de cabelo mal cortado e com lágrimas nos olhos.

Duas semanas depois a foto chegou pelo correio, com a madeixa e um certificado em anexo (até que foi bacaninha). Daí tirei foto da foto, por isso tá parecendo desgastada.

E da próxima vez, me visto de Bozo, eu mesma corto o cabelo dele, canto musiquinha e ainda tiro várias fotos. O corte deve ficar tão mal feito quanto o primeiro, mas com a diferença de que choro não vai rolar.

Isso porque nada se compara ao amor de mãe…

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