O lado cômico da maternidade


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Quando viajar com crianças é só uma questão de perspectiva

“Viajare con crianzae pode ser bonno, malum o terriblae. Dependum de la perspectivae, et também se habemus mamam, se habemus papam et como agem los duo.”

Proverbium latinum.

Depois da última viagem às terras tupiniquins, jurei pra mim mesma que só voltaria após a invenção do teletransporte.

Bom, na falta dele, pensei que o mínimo que as companhias aéreas deveriam fazer era promover todo mundo viajando com filho pequeno direto à primeira classe.

- Seu nome, por favor.

- Luciana Azevedo.

- Passagens somente pra senhora, Sra. Azevedo?

- Não, também vou levar minha filha de 1 ano e meu filho de…

- Desculpa interromper, mas não precisa dizer mais nada. A senhora aceita uma taça de champanhe?

- O-o que está acontecendo? Peraí, isso é chuva de confetes?

- Sua família acaba de ser automaticamente promovida à primeira classe em todos os voos de ida e volta pelo preço da econômica! Parabéns!

- Me-mesmo?

- Sim! E por terem dois filhos pequenos, vocês ainda terão uma limosine à disposição pros traslados devidamente equipada com chofer, manicure, duas cadeirinhas pras crianças, cookies de semente de girassol e chia, tábua de frios e uma vasta seleção de vinhos franceses. Tudo sem custo adicional!

Gente! Custava???

Mas não. Sabem o que fazem do contrário?

Colocam uma mãe, um pai e uma criança de dois anos que nunca tinha dormido uma noite completa na vida, confinados no meio de uma estúpida fileira de 5 assentos no meio do avião. Imagina a situação. Duas pessoas e meia enclausuradas por 10 horas noturnas em três poltroninhas esmirradas (não no sentido de terem sido feitas de mirra… [porque lembra, né? Ouro, mirra e incenso?] … mas no sentido de serem apertadas mesmo – só pra esclarecer).

Pra piorar, ouvi dizer que a mãe em questão, coitada, ainda sofreu requerimentos intestinais a cada meia hora durante todo o voo.

Se fosse comigo, eu só não pedia pra morrer ali mesmo porque tenho superstição pra essas coisas.

* * *

Agora, pior que isso, é passar todo um perrengue desses, enquanto do seu lado tem um casal fofo, todo trabalhado no filminho, sonequinha e comidinha de avião, com um filho que dorme o voo todinho, sem dar um pio.

Aí não!

Passei exatamente por isso nas 28 horas de voo da Australia pro Brasil, quando o Nic estava com 5 meses e tinha refluxo. O avião era até bacana, equipado com bercinho e tudo, mas era como ter um banquete na nossa frente e não poder comer, sabe? Veja bem, pra começar, eu passei metade do tempo de voo em pé no corredor, dançando forró com o iPod coladinho no ouvido do Nic, pois essa era a única forma que ele dormia. Eu cansei de escutar os atendentes me implorando pra sentar e colocar o cinto, e até aprendi a ignorar a cara de interrogação dos gringos olhando pra mim. Tudo isso, pra colocar o Nic no berço e ele acordar – enquanto o vizinho não acordava nem pra dizer “nhém”.

Brutal.

Ou seja, enquanto eu saí do avião tonta de cansaço, zonza de inveja e enjoada de todo aquele Fala Mansa na minha cabeça, os pais dessa criança dorminhoca devem ter saído propagando que voar com bebê é mamão com mel, de tão doce.

Perspectivas diferentes.

Daí, que esse ano, só posso ter batido a cabeca em algum lugar, porque decidi ir de novo pro Brasil. E pior, com uma criança a mais.

Felizmente, quem tem marido que viaja muito, alem de aprender a escovar os dentes com o pé, ainda tem chances de conseguir promoção pra classe executiva com as milhas acumuladas.

Não precisamos de esmola não, viu suas airlines?

* * *

IMG_4015(as quiança tudo de pijama no aeroporto)

Entro no avião às 10:30 da noite.

À medida que me aproximo do meu assento, mal consigo conter uma lágrima furtiva de emoção. “Amor, me belisca (mas não com força) que eu só posso estar sonhando” – consigo balbuciar.

Ali, à minha frente, se encontrava a visão mais espetacular que uma mãe em espaço aéreo pode sonhar: poltronas individuais, confortáveis e com-ple-ta-men-te reclináveis. PERFEIÇÃO. O Éden sobre duas asas.

IMG_4020

Até que eu sento e me dou conta que o tal Éden era estreito demais pra mim e Lily.

Acredito que o resto do voo vocês mesmos podem adivinhar como foi. Só quem já tentou dormir com uma criança de sono leve encima de si próprio, e tentou com todas as suas forças ignorar aquela coceirinha persistente na beirada do umbigo, sabe que a situação fica insustentável depois de meia hora. Ou mesmo 1 minuto, dependendo da coceira.

Ali eu fiz de tudo, colegas. Tentei dormir sobre meu ombro pra caber a Lily do meu lado, troquei de lado, voltei com ela pra cima de mim, ela escorregava, eu a sustentava com o braço, o braço adormecia, eu virava de lado outra vez, ela acordava, eu dava peito, punha travesseiro, tirava travesseiro, chorava.

Oito horas se passaram e eu não preguei os olhos. Tanto tempo fazendo cama compartilhada, pra descobrir que não sei compartilhar poltrona.

Olho pro relógio, faltam 2 horas pra pousar. Tento abstrair, lembrar das minhas aulas de ioga e me transcender pra um nível superior de pensamento. Penso no quanto somos afortunados por termos conseguido o upgrade, que raras famílias têm essa oportunidade, e como era bom saber que o Nic e o Rafa estavam ali, confortavelmente instalados nas poltronas ao lado.

Peraí.

Rafa. Confortavelmente instalado. Hm.

É, nunca fui boa em ioga mesmo.

Pro inferno com esse negócio de elevar o espírito. Ao invés, elevo minha cabeça pra chamar o pilantra pra me ajudar. Mas sem chance, as cadeiras são altas demais e incomunicáveis. Nesse momento meus olhos passam pelo homem à minha frente: tranquilo, relaxado, sentado comodamente com suas pernas esticadas, encosto semi-reclinado, sorvendo sem pressa o seu café matinal, enquanto assiste à sua ampla seleção de lançamentos. Puto.

Nisso, aparece um outro ser na minha frente.

Figura sorridente, simpática e descansada. Passa a mão nos cabelos com graciosidade, faz cute-cute na bochecha da Lily e solta:

- E aí, amor, me fala se todo o tempo que você passa sozinha com as crianças enquanto eu viajo, não compensa nessas horas?

O fulmino com os olhos a ponto dele virar carvãozinho no chão. Entrego a Lily pra ele, olho pro relógio: não dá pra perder tempo, tenho 34 minutos.

Reclino totalmente minha cadeira, me deito e pela primeira vez em quase 10 horas sinto o prazer em viajar na classe executiva.


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Enquanto a Lily não vem…

… eu passeio na pracinha, falo de nossas viagens e ainda conto sobre alguém dormindo no nosso sofá. (Ó, adianto que não é o marido, viu? :D)

… faço bichinhos pro mobile dela, com a ajuda da vovó

…. e ainda tento fazer pose pra mostrar a barriga de 40 semanas.

Tudo enquanto a Lily não vem. Porque depois que ela vier, minha amiga, já vou ficar feliz se conseguir tempo pra dormir!

Beijoca no seu nariz de pipoca!


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Cruzeiro com criança

E aos poucos iam chegando os tripulantes do cruzeiro. Duas cenas chamavam a atenção dos transeuntes que ali passavam.

De um lado, uma senhora esbelta em um modelito primaveril e esvoaçante da Versace, sandálias Manolo, acessórios e suave fragância da Chanel, óculos de sol da Saint Laurent e cabelos meticulosamente presos em coque, descendo com elegância mas com marcada expressão de tédio, de sua lustrosa Limusine, enquanto seu chauffeur hábil e cortezmente descarregava suas cinco malas da Louis Vuiton.

Do outro, um casal usando a última coleção primavera-verão da Malhas e Cia, sapatos da Pé-Konforto, chapéus com I love Hawaii em degradê, óculos de sol da Sun Lorran e vários colares de flores (de plástico) no pescoço, descendo com ansiedade de um táxi com pinturas de hibiscos, carregando uma criança inquieta de 18 meses, um bebê conforto, uma bolsa grande com brinquedos, uma mochila com o laptop, três malas desbotadas da Só Malas com fitinhas coloridas amarradas (pra não serem confundidas!), sacolas com suplimentos infantis recentemente comprados no WalMart, um carrinho de bebê difícil de abrir e uma câmera fotográfica, rindo que nem bobos e se cutucando com os cotovelos, vislumbrados com aquele navio enorme e luxuoso que os aguardavam à frente.

::

Pois foi mais ou menos assim que chegamos ao porto. :-)

* * *

Eu já contei aqui sobre nossa decisão de fazer um cruzeiro ao invés do voo de avião do Havaí pra Vancouver. Evitaríamos mais horas de voo, teríamos mais comodidade, espaço, entretenimento e por um preço justo. Certo?

Em parte.

Bom, o preço, à meu ver foi bem razoável. Você paga pouco mais que uma passagem aérea por pessoa (criança paga metade) e tem muito mais regalias e conforto que um voo de primeira classe, além de comida à vontade à qualquer hora do dia.

MAS… não vá pensando que o navio é um paraíso encantado feito sob medida pra pais e sua querida- saltitante-e-alvoroçada cria. No, sir. Muito pelo contrário. Deu pra notar que quem movimenta esse tipo de turismo já têm netos e até bisnetos, e portanto, tudo é feito pensando principalmente NELES – os avozinhos.

Pra sua referência, a gente viajou pela Royal Caribbean, uma companhia americana com altos padrões de qualidade. Com isso quero dizer que se você vai viajar por outra (pelo menos uma viagem longa como essa), já sabe mais ou menos que não dá pra esperar muito melhor que o que eu vou contar.

1. Idade

O mínimo de idade requerido são 6 meses, apesar que a gente não viu nenhum bebê tão novinho lá. O mais novo tinha 15 meses e haviam somente 5 famílias com crianças pequenas, entre um total de mais de 1600 tripulantes.

2. Check-in

Igualzinho ao que a gente faz no avião, com a diferença que todo mundo que te atende é super-ultra simpático. Ah, e também não há limite de bagagem. Acho que o limite é o quanto cabe no seu quarto. Assim, você entrega as malas no check-in e elas são levadas ao seu quarto algumas horas depois. Por isso recomendam separar uma bolsa de mão com pertences pra usar até que elas cheguem.

3. Leve fraldas suficientes

No navio tem as tipicas lojas de duty free com souvenirs, jóias, bebidas, perfumes e roupas pra adultos. Ítens de emergência como pasta dental, escova e barbeador ficam numa mini-prateleira numa das lojas.

Assim, que atenção: no navio NÃO se encontra fralda, nem fórmula, creminho pra assadura ou qualquer roupa de criança. Nada disso, hein? Então, tem que levar o suficiente pra viagem toda.

E foi o que a gente fez. Por isso tivemos que estragar nossa entrada cheia de glamour (rs) com aquelas sacolas do WalMart cheias de fraldas pros 10 dias de viagem mais 3 (porque sempre nos preparamos pro pior!).

4. Comida

É espetacular. Tem de tudo o que você imagina e mais. Neste navio que viajamos havia um restaurante fino (e que precisava de reserva) com as três refeições a la carte, e um outro, mais adequado pra quem usa Sun Lorran e tem filho, que ficava aberto o dia todo servindo café-da-manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e janta, tudo buffet.

Todo dia tinha umas trinta variedades de pratos novos e podíamos encontrar sopas, carnes, peixes, arroz, massas, vegetais, saladas, pães, frutas, queijos e sobremesas. Tinha opções pra vegetarianos e quem não come glúten também. Pra quem tem filho que já come uma grande variedade de comidas não encontra problema, só tem que ter cuidado e provar antes, pois alguns pratos são apimentados.

Já pra bebês que só comem papinha, acho que dá pra se virar com as sopas ou improvisar e amassar alguns vegetais. Eu não tenho certeza, mas também deve ser possível pedir comida especial pra eles.

As únicas coisas que não gostei foram os sucos que pareciam feitos com pozinho Ki-suco e o iogurte com gosto de total-industrializado (muito doce, cor e sabor artificiais demais). E o Nic que não vive sem iogurte (Mais gute, mami!) teve que comer esse mesmo.

5. Área de lazer

Bom, chegamos ao momento “Oh, my god!” do post. O meu grande choque, e possivelmente o seu também, querida mamãe que agora lê estas palavras e sonha em levar seu filho pequeno a um cruzeiro, foi saber que o Nicolas não poderia entrar em NENHUMA piscina, fosse ela de adulto ou criança, nem jacuzzi, mesmo que (obviamente) acompanhado pelos pais, durante todos os dias do cruzeiro.

Rá!

Esperava por essa? Nem eu.

Pois só fui descobrir quando eu e Nic já estávamos nos deliciando numa banheira de água quente ao ar livre, esperando o papai que tinha ido buscar as toalhas pra gente. Foi aí que de repente, sinto um tapinha no ombro, seguido por um “Excuse-me madame.” Já viu, né? Tapinha no ombro nunca é bom.

No que eu me viro, o homem me explica, que de acordo com as leis americanas, crianças que não estejam treinadas a usar o banheiro sozinhas, não podem entrar nas piscinas, mesmo usando aquelas fraldas próprias pra natação (Sabe, mamãe? Aquelas com o desenho do Nemo com a qual você sempre levou seu filho pra nadar e nunca teve problema? Pois é, pode não.)

Sem acreditar, ainda tentei barganhar  “Moço, moço, pelamordedeus, ele como toda criança AMA uma piscina. Como vocês podem privar uma criança de entrar na piscina num lugar que SÓ TEM piscina e por tantos dias? Que tipo de férias ele e nós vamos ter?” Mas ele continuou irredutível, repetindo que são as regras e bla-bla-bla.

Fiquei realmente chocada, revoltada, estarrecida e triste com essa notícia. E o mais bizarro é que no navio havia uma americana com uma menininha na mesma situação e disse que nos EUA sempre frequentou piscinas sem problema com a filha. Não dava pra entender.

Assim, não tinha outra coisa a fazer senão pesquisar outras opções de lazer pro Nicolas e levei outro choque. A única sala destinada à crianças só aceitava maiores de 3 anos!

Então percorremos o navio todo sem acreditar. Havia Cassino –  seria ótimo pro Nic apertar todos os botões que quisesse, mas, claro, proibido pra menores. Solarium –  piscinas cobertas, sauna e academia, restrito a adultos. Teatro – somente shows noturnos. Biblioteca – com um Shhhhh de todo tamanho na porta. Sala do Silêncio Absoluto – (não acreditei quando vi isso) proibida a entrada de pessoas com cordas vocais, imagino. Salão de dança – adultos somente. Pista de corrida no último andar – adultos. Salão de bingo e quebra-cabeças – adultos.

A gente no cassino em horário de não funcionamento. Mesmo assim fomos expulsos de lá.

Assim entendemos porque haviam tão poucas crianças no navio… Em todos os cantos, não havia um só espaço, nem sequer uma salinha pequena, um escorregador ou balanço, ou então uma piscininha mesmo que minúscula só pros babies. Uma vergonha!!!

E ao reclamar, viemos a saber que um encontro vapt-vupt de 45 minutos ocorria toda manhã num espaço improvisado e temporário pros excluidos brincarem com brinquedos da Fisher-Price. Fomos uma vez, nem foi tão divertido, e depois o fuso horário foi mudando e não conseguimos mais acompanhar.

Daí Nic passou os 10 dias brincando com uns brinquedos que eles emprestaram (pelo menos isso!), subindo e descendo escadas, entrando e saindo de elevadores e correndo ao redor das piscinas.

E a gente atrás…

Bom, quanto às piscinas, no final das contas, choveu e fez frio a maior parte dos dias, então o fato dele não poder usa-las acabou não fazendo tanta diferença. Que coisa hein?

6. Fuso horário

Como nessa viagem cruzamos diferentes fusos, o horário foi ajustado 1 hora a cada 2 dias. A mudança ocorria ao meio-dia, quanto tínhamos que adiantar os relógios. Alguns dias era difícil acompanhar a diferença, mas no final chegamos em Vancouver sem nenhum jet lag.

7. Acomodações

O navio tem vários decks (andares) e quanto mais alto, mais caro o quarto e maior a janela com vista pro mar. E tem vários corredores bem compridos, que toda vez que eu passava por eles me lembrava do Titanic.

Bom, se você é do tipo que usa Saint Laurent, com certeza vai ter um quarto bem mais espaçoso, com banheira e roupões pra usar (além de outras coisas que nem sei). A gente, ficou em um de tamanho bem razoável. São duas camas de solteiro juntas que formam uma cama de tamanho entre Queen e King (o Nic dormiu com a gente numa boa). Eles também emprestam um berço portátil, mas com o Nic, já viu né?

No mais, tem um guarda-roupa que cabe bastante coisa, um sofazinho, uma televisão pequeninha e que não vira, com programação meio restrita e repetitiva (mas tudo bem), vários armários e gavetas aproveitando todos os espaços existentes e um banheiro pequeno sem banheira.

E graças à dica salvadora da Camila do Murilo, eu, que já esperava que seria complicado dar banho no Nic no navio, comprei uma banheirinha inflável no WalMart por 5,50 dólares! Inclusive, íamos levar essa piscininha lá pra cima, pra mostrar que não precisávamos das piscinas deles não, que a gente tinha a nossa, mas como ventava tanto, ele se divertiu no quarto mesmo.

8. Atendimento médico e náuseas

Há serviços médicos disponíveis no navio, apesar que por um preço nada camarada. Felizmente nenhum de nós precisou usar, mas é sempre bom saber que existe.

Já náuseas, eu tive muita, mas só no primeiro dia que viajamos o dia todo em alto mar. O navio balançou muito e várias vezes tínhamos que caminhar escorando nos corrimões… Parecíamos bêbados andando… Mas daí tomei um remedinho pra enjoos e nos próximos dias não senti mais nada.

9. Acessos e segurança

Todo o navio tem acesso pra cadeira de rodas ou carrinho de bebê, por elevador ou rampas.

Quanto à segurança, no primeiro dia tem um treinamento rápido de como proceder caso necessitemos evacuar o navio. Há coletes salva vidas nos quartos (adultos e crianças) e barcos pra todo mundo.

10. Baleias e golfinhos

Essa é pra minha irmã que ficou toda entusiasmada com idéia de ver esses animais do navio. Patti, ou a gente não cruzou a rota desses seres encantadores, ou estávamos ocupados demais correndo atrás do Nic, porque não vimos nada.

11. Internet

Tem, mas é super-ultra cara. Melhor usar só em caso de real necessidade.

12. Sono

Ótimo! Muito bom ir pra cama vendo a luz da lua refletindo no mar, dormir embalado pelo balanço ritmico do navio e acordar com a luz do sol e vendo aquela água tão azul e infinita…

13. Serviços e gorjeta

Tem serviço de quarto por 24 horas, mas o menu é fixo e limitado (não dá pra pedir a mesma coisa que eles servem nos restaurantes por exemplo).

Gorjeta é um negócio meio pessoal, mas no navio eles recomendam deixar pra dar a gorjeta toda no último dia e fazem um cálculo de 3,50 dólares por dia, por pessoa. Eu achei meio caro, mas o atendimento é realmente de primeira. Os garçons, são SUPER prestativos com quem tem criança e os camareiros têm habilidades especiais com as toalhas, que fez a alegria do Nic que cada dia era surpreendido com um animal diferente.

Em geral são sempre os mesmos pra te atender, mas se variar, dá pra dar a gorjeta pra administração e eles distribuem pra todo mundo igualitariamente.

* * *

E pra terminar, a dica é escolher com cuidado, ler as letras miúdas sobre os serviços e opções de lazer no cruzeiro antes de comprar as passagens. No nosso caso, apesar de tudo, não nos arrependemos pois conseguimos descansar e o Nic aproveitou bem ao seu jeito.

Mas sem dúvida o divertimento é maior se os filhos já forem maiores e puderem participar de grande parte das atividades.

* * *

E se você já teve experiências com outras companhias de cruzeiro, por favor, deixe seu comentário. Estou bem interessada em saber como foi.


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Porque mãe tem que ser criativa

Se tem uma coisa que toda mãe sabe fazer é criar, inventar, improvisar. E pra isso, haja imaginação e presença de espírito…

Seja na hora de inventar uma resposta rápida e efetiva pra se desvencilhar dos palpiteiros de plantão:

- Esse neném não tá muito espremido aí dentro não? – Sugere alguém que você encontra na rua e te vê carregando seu bebê no sling.

- Tá, mas o pediatra dele disse que sling é ótimo pra promover as condições do ambiente uterino, já que o bebê está em plena extero-gestação. – responde ela com firmeza, afinal ela sabe que quando menciona: 1. “o pediatra disse” e 2. algumas palavras bem complicadas, o assunto tende a morrer ali mesmo.

Seja pra criar aquele cantinho confortável pro filho tirar a soneca, porque ela está visitando sua melhor amiga e têm ainda muito o que conversar. (E quem dera se a melhor amiga dela tivesse bem pertinho pra ela fazer isso de verdade – e sempre –  e ela ainda pudesse aproveitar pra admirar o barrigão maravilhoso da amiga… Né Si?).

Seja pra inventar um aparato ultra-engenhoso pra interromper o dedinho nervoso do filho no botão liga-desliga do som, mesmo que somente por poucos minutos.

Seja pra criar estórias na hora de dormir que acalmam o filho e o façam parar de sentir medo.

Seja pra inventar um novo prato a cada dia com ingredientes alternativos, porque o filho sofre de intolerância à isso ou aquilo e não pode comer quase nada que o resto da família pode, hein Kcal?

Ou seja pra preparar aquele prato LINDO de morrer, todo decorado com muito amor, então os filhos se sentem incentivados a comer tudo.

Seja pra fugir do dia a dia corrido e improvisar aquela rotina gostosinha que faz o filho se sentir tão especial, como tão bem faz a Gra.

Ou então, pra criar alternativas na hora que ela está viajando com o pequeno, porque não lhe resta opção a não ser usar o que ela encontra à mão, da melhor forma possível.

Como…

… a pequenina pia do banheiro pra dar banho no bebê, pois o hotel não tem banheira e bebê pesado + ensaboado escorrega pra burro e ela prefere não arriscar carregá-lo pra tomar banho com ela.

Nicolas, 7 meses, Rottnest

… a pia da cozinha, mesmo que ele acabe pegando alguns utensílios que não deveria, ou molhe toda a cozinha fazendo splash, splash.    

 

 

Nicolas, 17 meses, Melbourne

… o sofá que pode se juntar à pequenina cama de casal, pra promover mais espaço pra todo mundo dormir melhor

… usar fraldas na janela do carro alugado e assim tampar o sol no rosto do filho, já que ela esqueceu de levar o usual protetor de janela

Nicolas, 17 meses, também improvisando uma brincadeira

… usar o tripé modernete da câmera + fitas de cetim pra prender o dvd portátil que veio sem suporte pro carro

…ou mesmo pra usar o velho e bom carrinho, ao invés de voltar pro hotel, pro filho tirar sua sonequinha restauradora enquanto ela e o marido passeiam e conhecem a cidade.

 * * *

Bom, claro, que às vezes a criatividade dela não basta e a imbatível lógica infantil a deixa sem palavras, né  Jo?

- Mamãe, a senhora é quilança? – pergunta Estêvão, de 2 anos e meio.
– Não. Eu sou adulta.
– Então, porque a senhora binca com meus binquedos?
– (…)

 * * *

Mas tirando situações como esta, ela até que manda muito, muito bem…


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Pitfalls (ou Cuidado com as armadilhas!)

Viajar com criança pequena e se divertir é totalmente possível, mas não dá pra negar: as opções ficam mesmo mais limitadas.

Imagina que vocês chegam numa cidadezinha linda de morrer, por volta da hora do almoço depois de várias horas de viagem, com o estômago pregado de tão vazio, e resolvem fazer um passeio à pé pelas ruas pra conhecer as opções. Saem os dois serelepes, de mãos dadas e empurrando juntos o carrinho com o bebê. Ficam maravilhados ao descobrirem que a cidade oferece a melhor gastronomia da região e que existem inúmeros restaurantes, dos pequenos e aconchegantes aos grandes e chicosos. Mas que por cargas d’água, nenhum deles abre pro almoço.

Sentam então num café e pedem os usuais sanduiche e cappuccino pra almoçar, mas decidem que naquele dia vocês TÊM que se dar a chance de uma comida de verdade e quem sabe até arriscar um restaurante mais romântico.

Das melhores opções, escolhem o restaurante que abre mais cedo. Se sentam na mesa exatamente às 6 horas. A criança se senta em sua usual cadeirinha portátil, a qual ela adora, e brinca feliz da vida com seus brinquedinhos e vocês pedem aquele prato que andam sonhando em comer faz tempo.

A cena é perfeita, só que termina dez minutos depois com a criança jogando comida no chão, gritando e esperneando pois quer andar pelo restaurante, o pai engolindo a comida rapidamente e você pedindo pra embalar a sua pra levar.

** Atualização: Daí você tenta de novo uma semana depois, a criança se comporta maravilhosamente bem, todos têm uma excelente refeição e saem felizes justo em tempo da criança ir pra cama dormir…

* * *

Ou ao invés do restaurante, você poderia estar doida pra passar uma noite descontraida num dos pub da cidade e ficar até mais tarde tomando uns drinks com seu marido. Ou quem sabe, você tenha um lado aventureiro e sonha mesmo é em fazer um rafting, uma caminhada punk ou quem sabe pular de bungee jumping ou pára-quedas. Ou então fazer uma excursão num barco veloz e conhecer aquela ilha maravilhosa cheia de animais exóticos.

Mas como você é uma mãe consciente, sabe que não dá e deixa pra fazer  programas como esses quando seu filho tenha idade suficiente pra acompanhá-los, ou pelo menos, paciência e independência pra esperá-los lá embaixo enquanto você pula de pára-quedas.

- Ishhh… acho que mamãe vai cair lá no meio daquelas moitas de novo…

* * *

Ou então, você faz como a gente e reveza com seu marido.

- Não meu bem, não dá pra levar o Nicolas nessa excursão, num barco com essa velocidade e por tantas horas. De jeito nenhum. Faz o seguinte, você vai e eu fico em Hobart com ele.

E foi o que aconteceu. Ele foi…. e levou a nossa única câmera. Olha só algumas fotos.

Bruney Island

* * *

Daí, no dia seguinte, voltamos aos programas de família, e subimos o Mount Wellington de carro. O pico é todo neblinado no topo, mas o visu da cidade lá embaixo é lindo. E no que o Rafa desce do carro pra tirar uma foto rapidinho e chega bem na beradinha do precipício, lembro na hora de uma história que aconteceu em 2001 lá em Santa Catarina.

Estávamos eu, Rafa, Gamis e Aline, descendo de carro aquela estrada super sinuosa na Serra do Rio do Rastro. Estava tudo neblinado, então paramos num mirante pra esperar a neblina passar e tentar tirar umas fotos. Nessa hora, pára um outro carro e desce uma mãe com um bebezinho, e dois homens: um claramente o marido dela e o outro, a julgar pela fisionomia, irmão dele.

A gente tá lá conversando animadamente, quando a mulher ME entrega o bebê de repente e sai correndo e gritando “Ai, meu Deus, o pai do meu filho caiu no precipício!”. A gente olhou, pra ver qual dos dois estava faltando e pra nossa grande surpresa era o outro. Não o marido.

Ao escutar aquelas palavras, obviamente reveladas pela primeira vez, o marido fica pálido e se apoia no carro em visível estado de choque.

Eu, que aqui devo confessar que havia me esquecido que na verdade, ao contrário do que relatei antes (aqui e aqui), já tincha SIM pegado num bebê antes de ter o Nicolas, não sabia o que fazer com aquele bebezinho tão frágil. A Aline só sabia fazer cara feia pra ele e não me ajudava em nada.

* * *

E hoje eu fico pensando, que aquela mulher tenha talvez revelado seu grande segredo por ter sido um momento de emoção extrema…

OU ENTÃO…, eles talvez sejam desses casais que como a gente, concordam em se dividir e se divertir separadamente; mas ele, ao invés de ser sábio e precavido, e escolher um programa inofensivo como uma excursão de barco, talvez tenha cometido o terrível engano de escolher uns drinks num barzinho bacanésimo, e tenha realmente ido… sem ela.

E fato é, que com mulher não se brinca, principalmente se esta mulher já é mãe (pior ainda se estiver amamentando e sentindo aquelas explosões hormonais!..). Pois em estado de fúria elas dizem o que vem na cabeça…

* * *

Ah! E o homem que escorregou e caiu, na verdade conseguiu se segurar num arbusto da encosta e com um pouco de dificuldade subiu alguns minutos depois e só com alguns pequenos arranhões…

* * *

E aí vão algumas fotos de Hobart, capital da Tasmânia (lembra do Demônio da Tasmânia, pois é… é daqui). A gente ficou em Salamanca, um bairro que me fazia pensar na Espanha o tempo todo, apesar de nunca ter ido lá. Coisas de uma mente imaginativa…

Salamanca

E pela primeira vez, tiramos fotos de uma paisagem noturna, cuja saída não foi espetacular mas também não foi um total fracasso… :-)

Nic em seu traje de saida noturna e fria

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Para uma melhor viagem de avião… com criança

Desde que viajamos com o Nicolas, com 5 meses de idade (constipado e com refluxo), da Australia pro Brasil, que venho ensaiando escrever um post com dicas pra facilitar a vida de pais que se aventuram a viajar com crianças.

Pois hoje vai!

Voo Dubai – Perth, inacreditávelmente vazio. Março 2009.

1. Check-in online e escolha do assento

Se sua companhia aérea tem esta opção, não deixe de fazer o check-in online, 24 horas antes do voo. Essa é oportunidade que temos de escolher os assentos mais convenientes e requerer um bercinho portátil e comidinhas especiais, se a companhia oferecer. Quando você requere o bercinho, seu assento será automaticamente os primeiros da fila (mais espaçosos). Mas importante: se seu filho já é maior e não vai usar o bercinho, o melhor é escolher outro assento, já os da frente não levantam os braços, o que impossibilita as crianças de se esticarem pra dormir no colo dos pais.

Nossa experiência: Na Emirates eles têm a opção de bassinet, um bercinho de tecido preso na parede na nossa frente. A gente usou as mantas e travesseirinhos que eles dão pra forrar o fundo. As dimensões do berço não são grandes (eles recomendam pra até 12 meses, e o Nic com 6 meses já não caberia), mas pode ser bem conveniente pro bebê brincar sentado lá dentro, enquanto a gente come, por exemplo.

Já pela Qantas, se não tivéssemos feito o check-in online, eles teriam colocado eu e o Rafa (com o Nicolas) em poltronas separadas (mesmo tendo a opção juntos). Estranho… E na última viagem, o sistema deles estava fora do ar, então tivemos que fazer o check-in normal. Resultado: fomos parar nas poltronas 42, última fila do avião…

2. Documentos

Mesmo bebês de 1 semana de vida precisam de passaporte pra viajar internacionalmente (fora da América do Sul), visto se necessário e sua própria reserva de voo.

Nossa experiência: o Nicolas nasceu na Australia, mas é brasileiro, pois temos visto de residência temporária e não permanente. Mas conseguimos tirar o passaporte dele através do consulado do Brasil em Canberra pelo correio, só tendo que enviar foto, registro de nascimento (tirado na cidade onde ele é natural) e pagar a taxa. Pro visto, enviamos o passaporte dele pra Embaixada Australiana em Perth que reconheceu nosso visto e concedeu o mesmo a ele, sem burocracia, de graça e tudo pelo correio.

3. Restrições

Acho que hoje em dia todo mundo sabe, mas vale a pena repetir que não pode levar frascos com líquidos maiores que 100ml. No entanto, frascos com água e mamadeira pra bebê é liberado.

4. Carrinho

Vale a pena levar, pois será útil tanto no aeroporto, quanto na cidade. Alguns aeroportos permitem que você chegue com o carrinho até a porta do avião, o qual estará na porta na hora de você sair.

Nossa experiência: Aqui na Australia eles não permitem isso, mas costumam fornecer uns carrinhos (apesar de meio sujos e só pra bebês que já sentam, pois não reclinam). Em Guarulhos só quem empresta carrinhos é a TAM (e também não sei se permitem seu próprio até o avião). A infraestrutura do aeroporto de Dubai foi a melhor que já vimos pra se viajar com crianças: tem carrinhos novinhos que reclinam um pouco e tem banheiro com trocador em todo lugar.

Outra coisa boa que fizemos foi levar o canguru, onde o Nicolas dormiu a maior parte do tempo (só no aeroporto, não pode ser usado no avião). Hoje em dia a gente deixa ele andar à vontade no aeroporto, até cansar… fica mais fácil pra fazê-lo dormir no voo mais tarde.

5. Bagagem de mão

Leve somente o essencial: uma opção de roupinhas quentes e outra de roupas leves, brinquedos, o “lovey” (aquele paninho ou ursinho que ele não larga pra dormir), a chupeta (se ele usa), o copo de água, sua colher (eu sempre levo, pois as do avião são grandes demais), os itens pra trocar fralda todos juntos, potinhos com fórmula e mamadeira (se o bebê não mama no peito) e uns lanchinhos (se ele já come). Recomendo fazer uma lista dos itens que nunca podem faltar e usar sempre esta lista pra qualquer viagem que façam.

6. Fraldas e idas ao banheiro

Eu costumo levar 1 fralda pra cada 2 horas de voo e lencinhos umidecidos num compartimento plástico da Huggies próprio pra viagens (é fino e não ocupa muito espaço). Se seu suplimento de fralda acabar, eles têm no avião. Assim, já deixo 1 fralda com os lencinhos enrolados naquele protetor alcochoado (change mat) e é só o que eu levo pro banheiro apertado do avião – nada de bolsas gigantes mais bebê lá dentro!

7. Distração durante o voo

Se o voo é diurno, brinquedos são essenciais. Leve os brinquedos favoritos do seu filho (desde que não sejam grandes e barulhentos) e surpreenda-o com alguns inéditos. Eu costumo levar muitos, mas todos pequenos, incluindo livrinhos, chaves, carrinhos (que o Nic ama!) e potinhos de tupperware pequenos com coisinhas dentro, pra ele ficar abrindo e fechando, tirando e pondo. Outra coisa que o Nic gosta é ficar olhando pela janela, e eu contando que a gente tá vendo nuvens, sol, céu. Da última vez, também levei uma calculadora de 5 dólares pra ele brincar de apertar e levei nossos narizes de palhaços e óculos de olhos que saltam. Sorte que não precisamos usar os últimos. :-) Pra crianças maiores, sempre é bom levar um smartphone ou tablet com seus apps favoritos, massinha de modelar, moldes pra massinha, papel e lápis de cera, adesivos, papel colorido e cola em bastão.

E prepare-se com uma boa dose de energia e disposição pra distraí-lo por horas! Você vai precisar.

Nossa experiência: o voo da Emirates é ótimo pra crianças. Eles têm tela individual com filmes infantis, desenhos e jogos e um controle remoto com inúmeros botões iluminados (só isso já vale pra mantê-los distraidos por um bom tempo). Eles também dão puppets de mão, um kit de cuidados com o bebê e papinha no voo (apesar do Nic não comer). Ah! E eles também tiram foto da gente com a criança com uma polaroide! Na Qantas, alguns aviões têm tela individual, mas sem controle remoto e eles dão um kit pra colorir.

8. Cinto de segurança

Pra crianças que vão no colo, tem um cinto próprio pra eles, que fica preso no seu. Tem que usar toda vez que os sinais pra usar estão acesos, ou seja na decolagem, aterrissagem e nas turbulências. É necessário, mas não deixa de ser muito chato, principalmente quando o bebê está dormindo e pior ainda se ele está dormindo no bercinho.

Nossa experiência: no voo de Dubai pro São Paulo tem muita turbulência (culpa daquela meso-oceânica! :-)) e várias vezes tivemos que tirar o Nicolas, que finalmente estava dormindo, do bassinet, passá-lo pro nosso colo e colocar o cinto, no que ele SEMPRE acordava chorando e pra 1 minuto depois a turbulência passar. Mas por outro lado, seria total irresponsabilidade nossa não usar o cinto quando indicado.

Também tentamos manter o Nic no canguru durante o voo, mas eles não deixam. Nunca entendi porque… Se alguém souber…

9. Assento pra criança e bebê conforto

Até dois anos de idade criança não paga passagem e viaja no colo, mas se seu filho já tem mais de 1 ano e você tem condições, recomendo fortemente comprar um assento só pra ele se a viagem for longa. A maioria das companhias permite e inclusive recomenda o uso do bebê conforto nesse caso. Mas atenção, pois apesar de mais seguro, é bem burocrático o uso de cadeirinha de carro no avião. Você tem que conseguir autorização pra companhia área pelo menos 24 horas antes do voo e a cadeirinha tem que ter o selo de segurança do país (pelo menos é como funciona aqui na Australia).

Outra vantagem do assento só pra ele, é que não precisamos dividir as refeições com ele. Comidas especiais pra bebês podem ser pedidas na hora de fazer a reserva ou o check-in online, apesar que nunca chegamos a fazer.

Nossa experiência: a gente levou o bebê conforto do Nicolas no ultimo voo de 6 horas e valeu muuuuuito a pena, principalmente porque ele está acostumado com viagens de carro. Ele se comportou bem e ficou na mesma altura da bandeja, o que foi ótimo pra ele rabiscar com seus gizes de cera.

10. Stop over

Se o voo for longo demais (15 horas pra gente é o limite) recomendo quebrar a viagem e parar nem que seja 1 dia numa cidade no meio do caminho. É a oportunidade de dormir numa cama antes de seguir a viagem, comer direito e respirar outros ares, além de poder conhecer um novo lugar, quem sabe. Muitas companhias aéreas têm a opção de ‘stopover’ na hora de marcar o voo.

Nossa experiência: 28 horas entre Australia e Brasil seria cruel demais, com a gente e com o Nicolas, então paramos 3 dias em Dubai na ida e 1 dia na volta. O unico inconveniente foi ter que pagar 300 dolares por todos, pelo visto de turista, mas não conseguiria imaginar termos voado direto. Sem falar que nos divertimos muito, conhecemos um lugar espetacular e ajudou na adaptação gradual do fuso horário. E na viagem pro Canadá, vamos fazer a mesma coisa e parar por alguns dias no Hawaii. Nada mal, né?

11. Comida e líquidos

Os horários de comida são meio imprevisiveis no avião e a gente nunca sabe qual será a reação dos nossos pequenos quando a comida chega – o Nic não come quase nada! Então eu sempre levo lanchinhos leves como backup: iogurtes com o mínimo de açúcar em uma bolsa térmica pequena, sanduichinhos de queijo com ricota, biscoitos de arroz ou maizena, barra de cereais pra crianças, queijo picadinho. Frutas secas é uma ótima pedida, mas o Nic cospe tudo. E eu levo tudo numa tupperware achatada, daquelas com compartimentos pra várias comidas diferentes.

E se seu filho come papinhas Nestlé, em todo voo que fizemos até hoje nos foram oferecidas, tanto a salgada, quanto a de frutas.

Água eu só levo uma garrafinha pequena e o copo dele com válvula (senão ele entorna, cospe e quer brincar), mas nos aviões costuma ter uma “torneira” perto da cabine onde a gente pode pegar água mineral (na Emirates tem). Se não, o jeito é ficar chamando os atendentes e pedindo água.

Suco o Nicolas não toma regularmente, mas em voos e viagens em geral é liberado (com controle). Tome cuidado se o suco tiver muito açúcar, pois não é recomendado pra crianças em voo, que ficam mais alertas que o normal.

Pra quem por algum motivo não amamenta, leve a fórmula do bebê em uns potinhos com compartimento pra dosagem certa e pelo menos 2 mamadeiras com água na quantidade exata. Se precisar lavar mamadeira tem que levar a buchinha pra lavar.

Remedinhos e homeopatia pode levar também, desde que em frasquinhos pequenos. Remédio controlado precisa da receita médica.

12. Seja flexivel

Se em geral seu filho só toma água, não come industrializados e assiste pouca TV, relaxe. Permita sucos e iogurtes industrializados, brincadeiras com o ipod e muita TV. No final das contas eles entendem que essas regalias são restritas a ocasiões especiais.

13. Hora de dormir

Bebês pequenos dormem mais facilmente, normalmente mamando, mas se você consegue fazer seu filho de mais de 1 ano dormir num voo, parabéns, você é uma mamãe vencedora! E pra tentar atingir este feito tem que usar muito a imaginação pra improvisar as condições que seu filho esteja habituado pra dormir, só que em meio a luzes, movimento, barulho, piloto falando e o tal do “pim!” toda hora. E veja bem, não vale soníferos, mas vale cantar, pegar no colo e ninar, tampar com uma manta tipo cabaninha pra ficar mais escurinho, contar historinhas, colocar os foninhos do ipod perto do ouvido dele com musicas de ninar ou deitar espichado nos colos da mamãe e do papai. E se algo disso funcionar, aproveite e não deixe de dormir também!

Nossa experiência: Na viagem pro Brasil, o Nic tinha 5 meses, estava constipado, sofria com refluxo, e portanto estava super incomodado durante o voo (tadinho…). Ele não aceitava ficar deitado, só queria colo, acordava com facilidade e mais: naquela época ele estava acostumado a dormir sendo embalado enquanto a gente dançava ao som de Falamansa! Isso mesmo! Então o que eu fiz, foi levar o ipod (totalmente recarregado) e segurar os fones perto do ouvido dele enquanto eu, em pé no voo, dançava um forró pra fazer ele dormir! Algumas pessoas riam, outras olhavam sem entender, mas eu não tava nem aí, só queria que o Nic dormisse!

14. Pressão e dor de ouvido

Eu sinto essa dor na aterrissagem de todo voo longo e é MUITO ruim, então entendo o que as crianças sentem. O que alivia pra eles é peito, mamadeira, chupeta e… o “Mickey” na hora da aterrissagem. “Mickey” é colocar dois copos de plástico, um em cada ouvido, com um pouco de guardanapo embebido em água quente (tem que escorrer a água que sobra). Você pode pedir pros atendentes que a maioria conhece e pra mim o vapor minimiza bastante a dor.

15. Atendimento preferencial pra quem viaja com bebês

Já usamos no aeroporto de Guarulhos e em Dubai pra fazer o check-in e entrar no avião primeiro. Na Australia não existe.

16. Os outros passageiros

Por fim, não se sinta culpada pelas estripulias e falatório do seu filho durante o voo. Peça desculpas e tente controlar se seu filho cutuca as pessoas, balança o assento delas ou joga brinquedos ou comida nelas, mas não se desculpe por seu filho correr, rir, falar e chorar. Mesmo que ele chore muito. Isso acontece e faz parte de qualquer voo, pra qualquer lugar.

PS:Mais dicas nesta entrevista que eu e outras mães demos pra iG Delas. Passa lá!

PPS: A Luciana Misura escreveu um post ótimo falando dos prós e contras do voo noturno e diurno.


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In Melbourne, Victoria

E depois de vender tudo e passar dias limpando a casa pra entregar as chaves, finalmente botamos o pé na estrada. Nossa primeira parada é Melbourne, no Estado de Victoria, onde estamos aproveitando as delícias da vida urbana em uma cidade estilo meio europeu, com muitos passeios à pé e paradas frequentes pra tomar um café (a moda agora é o chai-latte) e de vez em quando um mudcake.

Isso é que é vida!… :-)

Mas ainda não vimos muita coisa pra criança, apesar do Nicolas estar gostando assim mesmo. Ele tá encantado com o tanto de gente, carros e edifícios, e fica nas ruas apontando e repetindo: moto! caio! (carro) ou nubus! (ônibus). Lindo demais! O pior foi ele fazendo “au, au, au” quando viu uma mulher com cabelo alto e anelado, tipo poodle… ainda bem que aqui eles fazem “woof, woof, woof” pro latido dos cachorros…

E o voo pra cá foi simplesmente sublime! A gente voou 28 horas no total pro Brasil quando ele tinha 5 meses e foi traumático (principalmente porque ele estava constipado e não tinha nada que a gente podia fazer). Assim, eu fiquei super apreensiva com ideia de estar confinada em um avião por mais de 2 horas com um menininho que não pára quieto um instante e grita quando é contrariado.

E como o Nicolas já não fica muito tempo no colo, decidimos que valia a pena comprar um acento só pra ele e levarmos a cadeirinha de carro (tem que conseguir autorização com a companhia aérea com antecedência). E foi a melhor coisa que poderíamos ter feito. Não sei se é porque ele está tão acostumado a viajar de carro, mas ele passou o voo todinho super comportado. Não dormiu, mas também não chorou, nem quis ficar andando no avião! Eu também fui preparada com uma sacola de brinquedos, incluindo uma calculadora barata só pra ele apertar os botões e vários lanchinhos pequenos, o que ajudou a mantê-lo distraído e com a pancinha cheia.

Bom, ainda teremos mais um voo de 9 horas pela frente, então vou deixar pra comemorar mesmo mais tarde! :-)

No momento, ainda ficaremos mais alguns dias em Melbourne e depois vamos explorar outros cantos de Victoria. Aqui, alugamos um pequeno apartamento com cozinha, que nos permite fazer comida pra janta. Desta forma, evitamos os transtornos de sair de noite com o Nicolas, que usualmente dorme às 7 da noite (quer dizer, só pra me contrariar, no momento são 9 e ele ainda tá aqui pingando fogo…) e outra que fazemos uma grande economia (o preço desses apartamentos é o mesmo de hotéis sem cozinha).

Voltando das compras no supermercado. Olha só o carrinho do Nic cheio de sacolas!

Então deixa eu ir lá, senão o Nicolas não dorme! Qualquer dia desses continuo a contar nossas aventuras down under.


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Primeira parte da viagem: Wave Rock e os cangurus brancos!

A viagem de férias foi ótima! 

Claro, uma loucura! Milhões de malas, com quase tudo só do Nicolas, roupinhas pra frio e calor, brinquedos, cadeirinha pra comer, papinhas, muita água e o trombolho do carrinho dele… Pensamos mil vezes antes de espremer tudo pra esse carrinho caber no carro, afinal ele tem um outro bem mais simples e leve, mas não reclina, nem protege bem do sol. Então levamos o trombolho mesmo e foi a melhor coisa que fizemos pois o Nic pode tirar as sonecas dele enquanto a gente passeava.

Nicolas dormindo enquanto a gente caminhava ao redor do afloramento.

Nicolas dormindo e ainda protegido da garoa fina que caia...

Outra coisa que ajudou muito, foi levar as papinhas congeladas pra vários dias. Achei excelentes dicas aqui. E tivemos sorte que todos os hotéis ou pousadas que paramos tinha um frigobar, então não tivemos problema pra conservá-las.

E o toque final pra essa viagem tão longa, foi garantir a distração do Nicolas no carro. Além dos brinquedos e palhaçadas da mamãe, compramos um daqueles dvds de carro. E nem foi tão caro… Assim, nos momentos mais críticos que ele já estava bem entediado, colocamos seus videozinhos preferidos (né tias Marcela e Rosa?).

A viagem

Nosso destino principal era Margaret River, na costa oeste da Austrália. Mas como são quase 900km até lá, achamos que seria tempo demais pro Nicolas ficar no carro em plena fase de engatinhar. Assim, quebramos a viagem e dormimos a primeira noite em Hyden, onde paramos pra ver a Wave Rock.

mapa

No total foram quase 2300km percorridos.

A Wave Rock é um granito erodido em forma de onda. Super cool! Além dessa onda gigantesca, também tinha o Hippo’s Yawn, que é o bocejo do hipopótamo. Tudo formas criadas pela natureza.

Wave Rock
Wave Rock
Bocejo do hipopótamo

Bocejo do hipopótamo

Bom, tudo isso já tinha impressionado a gente bastante. Mas como o Nicolas ainda estava dormindo, continuamos caminhando e acabamos descobrindo um zoológico pequeninho e foi aí que quase caimos pra trás: o que era aquilo?  Gente, eu juro que não sabia que existia… Até pensei que estávamos diante de fantasmas de cangurus, mas eram cangurus albinos!!!! Fiquei pasma!

white kangaroo

kangaroos

Foi aí que o Nicolas acordou, ainda a tempo de ver os cangurus brancos. E acordou feliz da vida!

Nic mostrando os dois dentinhos de cima, separadinhos como os do pai!

Nic mostrando os dois dentinhos de cima, separadinhos como os do pai!

lu e nic
Ciclistas feitos de sucata. Cidade de Hyden.

Ciclistas feitos de sucata, em Hyden.

Margaret River fica pro proximo post!

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