O lado cômico da maternidade


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Hoje ela faz 2 anos!

E completa com absoluta perícia e precisão, mais uma translação elíptica ao redor do sol. Sem cursinho na NASA, sem muito planejamento ou ponderação. Simplesmente foi lá e descreveu sua órbita.

Copérnico teria morrido de orgulho.

0À medida que essa menininha prodígio executava solstícios e equinócios, a comunidade científica observou com admiração o seu notável crescimento e desenvoltura perante a vida. Em apenas l ano sideral ela se tornou muito mais pitizenta confiante, teimosa persistente e insubordinada independente. Um sucesso!

Olha só que delícia é ter uma criancinha de 2 anos em casa!

  • Ela já se veste e calça sozinha.

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  • É artista experimental nata. Adora explorar cores, materiais e é grande fã das grandes telas.

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  • É super familiar com o penico e  insiste sempre em usá-lo.

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  • Tem a mente aberta e não está nem aí pra quem a critica por levar uma vida de contradições.

2

  • Fala que nem uma matraquinha pobre na chuva, e apesar de todas as 467 novas palavras recém incorporadas ao seu vocabulário, sua preferida ainda é NÃO.

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  • Faz questão de comer sozinha e o faz muito bem – exceto pela mania de virar a colher 180 graus pra baixo ao chegar com a comida na boca e  sua peculiar forma de comunicar que não quer mais. (Vale ressaltar que um estudo científico está sendo realizado pra explicar porque a quantidade de comida que termina no chão é sempre maior que a que estava no prato. Conto tudo se chegarem a uma explicação lógica).

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  • Uns a chamam de intransigente e radical, eu prefiro considerá-la uma apaixonada por suas causas. Água no copo verde/rosa/azul, por exemplo? Um insulto!

5

  • É extremamente carinhosa e companheira.

4

  • Mas às vezes, incrivelmente independente e emancipada. Ah sim, e sempre destemida. Sempre.

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  • Tem alma lúdica e suas brincadeiras preferidas dentro de casa são esconder (sempre com pelo menos 3/4 do corpo pra fora e de preferência nos mesmos dois lugares) e derrubar torres (do irmão, claro!).

2anos

  • É super prestativa e está sempre disposta a ajudar com a limpeza! (embora nunca  jogue pro mesmo time de quem está limpando.)

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  • E como se não bastasse tanta qualidade, essa menininha esperta ainda é a dona do beijo mais molhado e gostoso do mundo! Dá pra acreditar na minha sorte?

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Lily da mamãe,obrigada por trazer mais cor à nossa vida! Você me completa, me inspira, me diverte. Obrigada pelo seu sorriso aberto, pelo seu choro forte e saudável desde o dia que você nasceu , por me mostrar que posso amamentar, pelas musiquinhas que canta o dia todo com sua vozinha de fada, por chamar “mamãe” 678765 vezes por dia, por gostar tanto de me ouvir contando histórias, por gosta de escovar os dentes, por comer tão bem, por dormir tão bem, e tantas, tantas outras coisas.

Mas sobretudo, minha querida Lily, obrigada por ter me escolhido pra ser sua mãe. É uma honra pra mim poder segurar sua mãozinha e te conduzir pela vida. Te amo do fundo do meu coração!

Seja sempre feliz!


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O primeiro aniversário da Lily

O dia em que ela completou a viagem de 365 dias ao redor do sol amanheceu perfeito! Céu azul, sol incrivelmente brilhante – mas sem ser muito quente, brisa incrivelmente fresca – mas sem ser muito fria, e um singelo coro de passarinhos na janela.

Mentira. Tava tudo neblinado, chuvoso, um frio de lascar e um bando de corvo barulhento fazendo algazarra perto da nossa janela.

Tá, você me pegou. Não tinha corvo nenhum. Mas o resto, eu juro de pés juntos que foi verdade!

Lilinha

E foi nesse dia frio que todo mundo acordou com a cara amarrotada, cansada, desenxabida, assim como é comum naqueles que não dormem direito. Mas se existe algo bonito nessa vida capaz de espantar qualquer mal-humor e desenxabimento pós noites atribuladas, é poder acordar, e mesmo que com o rabicho do olho, ver a carinha de uma criança que tenha a habilidade de sorrir não somente com a boca, mas também com os olhos.

E isso não tem preço.

Com um sorriso desses, tudo ficou mais bonito e até o dia lá fora ficou parecendo menos cinza. Um cinza com toque de lilás, eu diria.

IMG_1774

E da mesma forma como haviam sido nos últimos 37 dias de sua existência, naquela manhã também acordamos perguntando:

- Quantos aninhos você está fazendo, Lilinha?

E exatamente como nos últimos 37 dias de sua existência, ela prontamente mostrou o dedinho indicador fazendo o número “UM”.

Fofa.

Então decidimos que passaríamos um dia todinho fazendo só coisas que ela gostasse, posto que o dia era dela e isso seria uma coisa normal de se fazer.

Começamos perguntando se seria de seu agrado almoçar fora e com impressionante veemência ela balançou a cabeça que sim. Jamais saberemos se nossa florzinha realmente entendeu a pergunta, mas o que importa é que a resposta foi muitíssimo apreciada, uma vez que ninguém queria mesmo cozinhar. Coincidentemente, o restaurante favorito dela era também o nosso, e com isso não poderíamos ter ficado mais felizes.

restaurante

Chegando lá, teve de tudo um pouco: brincadeiras com carrinho, com boneca, contação de histórias de todo tipo, muitos sorrisos, nenhum choro e finalmente, a comida! Claro que ninguém quis saber de fotografar essa parte, já que cada qual tinha coisa muito melhor pra fazer.

Justo na frente do restaurante preferido, se encontrava também – ó surpresa! – um de seus parquinhos preferidos. Sim, porque todo parquinho que tenha pelo menos um escorregador, um par de balanços, pessoas com boa vontade pra te empurrar, vista pro mar e uma mamãe pra te dar mamá, não pode de jeito nenhum ser um lugar menos que ótimo.

parque copy
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E tanto brincaram que na volta pra casa não teve um que não tenha dormido. Mentira, o papai teve que dirigir. Mas o resto, garanto: todos capotados. Tá, mentira, eu vim mexendo no Instagram, mas as crianças, essas sim, todas roncando. Tá, admito, só a Lily dormiu. Okay, okay, ninguém dormiu na verdade. (Satisfeito?) :)

Mas enfim…

Uma vez em casa, o momento mais esperado do dia: hora de cantar os parabéns, comer o bolo que a mamãe fez com muito carinho no dia anterior e finalmente tirar a clássica foto da aniversariante fazendo o “UM” com o dedinho. Após 37 dias de prática intensiva e bem sucedida, nada podia dar errado.

bolo

Começamos tentando a foto dela na frente do bolo. Nada (!). Com a mamãe. Nada (!!). Com o papai. Nada (!!!). Com o irmãozinho. Nada (!!!!). Perplexos, concluímos o que tentávamos negar pra nós mesmos: nossa florzinha só podia estar sofrendo da famosa e temível Síndrome do Aparatus Fotográficus. Desconsolados, desligamos as câmeras e com presteza Liloca fez o “UM”. Fez pose sorrindo, com carinha de bichinho, biquinho – todo tipo de fofura imaginável.

Mas como sabemos, mães são criaturas obstinadas e que não descansam nunca (nunca mesmo!) e num momento de brilhantismo, esta mesma mamãe que vos escreve conseguiu driblar a tal Síndrome boboca, e fingiu – percebam só – que usava o celular NÃO pra tirar foto, mas pra conversar com a Cuca: “ô Cuca, que pena que não deu, menina! Mas no ano que vem você vem…” e CLIQUE!

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Tirou uma foto bem meia boca, mas tirou! Inclusive com Liloca falando UM e tudo. :)

10 Síndrome x 1 Mamãe

* * *

E quando a noite não podia ficar mais emocionante, a aniversariante foi pro chão e ó, ó, ó! Deu 5 passinhos! Depois levantou toda afoita e deu mais 3. E depois mais 3. Infelizmente isso ninguém conseguiu registrar.

Desde esse dia, tem hora que ela anda, tem hora que ela fala “UM”, tem hora que mostra o “UM”. Tem hora que fala o nome, que faz pick-a-boo ou não quer fazer nada. Não importa – cada uma dessas são habilidades que ela vai dominar com o tempo.

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O que importa, é que a nossa Liloca já domina uma das habilidades mais doces do mundo – a de sorrir com os olhos.

E isso, meus amigos, não tem preço.


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Lily e a incrível viagem de 365 dias ao redor do sol


Então que Lily fez um ano.

Incrível pensar que um toquinho de gente desse, nem tão maior que um pinguim da Antártica, tenha sido capaz de completar com MAESTRIA sua primeira volta em torno do sol! Clap, clap, clap! E depois dizem que mãe é exagerada e vê genialidade em filho por qualquer coisa. Vê se um bebê que consegue performar uma translação elíptica dessas só não pode ser um GÊNIO, gente?

E como se uma conquista de tal nível astronômico não bastasse, a cria vai chegando nessas idades redondas e o cérebro da gente já se aciona esperando MAIS surpresinhas, né? Pobres crianças. Sim, porque mesmo sabendo que criança não é ciência exata (apesar da trajetória elíptica e tal), bem no fundo você sabe que a hora dela andar se aproxima, a hora dela começar a falar aquele tanto de palavrinhas erradas, emboladas e fofinhas também, e até quiçá (é, daí você se arrisca um pouquinho mais), a hora dela passar a dormir a noite toda. Em outras palavras, ela tá pra fazer um ano e seu coração se enche de esperança.

Dia desses, eu estava trocando umas ideias com meu filho Nicolas (4 anos), e depois de uma acalorada discussão sobre meios de transporte alternativos (na qual concluímos que submarinos não passam de helicópteros sem hélice que sabem nadar), ele me vira e pergunta:

- Mamãe, mas o que vai acontecer quando a Lily fizer um ano?

- Ah, a gente vai fazer um bolinho gostosinho e comer tudo!
+

Ele sorri um sorriso tipo “legal, mas não é bem isso que eu queria saber” e continua:
+

- Mas ela vai ser uma criança adulta?

- Não, ela vai ser uma menininha mais crescidinha.

- E vai saber andar e falar?

- Se tudo correr bem, não só andar e falar, Nic, mas também dormir. Dormir a noite todinha, já imaginou?

Eu disse. Esperança.

* * *

Assim, que poucas semanas antes da Lily concluir sua jornada solar, algumas mudanças realmente foram se materializando aqui e ali. Nasceram 6 dentinhos na boca, ela voltou a comer bem (eeehh!) e aprendeu a falar “dá” quando queria alguma coisa. Até que veio a mudança que mudaria radicalmente nossos dias… e noites: ela esqueceu completamente como é que se dorme.

Bacaninha, né? Então. Lily foi acometida pelo que a comunidade médica internacional chama de ANAP - Aminesius Narcolepticus del Anno Primo. Síndrome catalogada e tudo.

Não que ela já dormisse super ultra bem, não, afinal, em 1 ano de vida ela nunca dormiu sequer uma noite completa. Mas ó, ela já estava acordando somente uma vez pra mamar e voltava a dormir imediatamente. Quer melhor que isso? Tava perfeito. De dia também: uma soneca de 40 minutos pela manhã, outra de duas a três horas pela tarde (!!) – e todas no berço (!!!). Te-ju-ro. Nada que me lembrava nem remotamente a época do lenga-lenga bizarro.

Eu nem mesmo cheguei a comentar sobre esse avanço aqui no blog, por pura superstição simples sabedoria. Porque já reparou? Se a cria desfralda e a gente vem toda-toda contar no blog, grandes chances que ela virá a desdesfraldar logo mais. Se de repente o filho abre a boca a comer de tudo e você abre a boca a contar tudo, não dou 24 horas pra que ele volte ao antigo modus seletivus de só aceitar arroz com ovo pelo próximo mês. Porque é assim que funciona, amigos. Blogou, degringolou. É a chamada Pragus di Blogus, já ouviu falar? Teoria super famosa e embasada.

Por isso não quis arriscar e ficar tirando onda que Liloca tava dormindo igual foca no sol, ne? Vocês hão de me entender. Só pena que não adiantou nada e ela desaprendeu a dormir do mesmo jeito. Foi só a gente voltar do Mexico que Lily ficou ligadona. Arriba, arriba! Hoje em dia, suas sonecas não passam de meia hora e por vezes ela só dorme 10 minutos! Tô de brincadeira não! O que que uma mãe faz em dez minutos, gente?

Já à noite, Liloca instituiu o Happy Hour, que costuma ir mais ou menos de 2 às 4 ou 5 da manhã. Ela acorda, começa a conversar e rir sozinha (lance pirado mesmo), depois, parece que vai ficando entediada e começa a querer puxar papo, puxar meu cabelo, beliscar meu nariz e escalar minhas costas. Se eu passo ela pro berço é choro na certa. Não adianta dar peito, cantar, massagem, nada. Tem que esperar o tempo dela de fechar o boteco.

Com isso, tô tão sem dormir, que um dia eu passeava pelas ruas procurando uma loja pra comprar bombas de chocolate um mercado pra comprar quinoa, quando me deparo com um cartaz desse tamanho na frente do Scotiabank, mostrando uma menininha que era A CARA da Lily. Espia só. Creepy, huh?

lily_sosia

Fiquei dura, paralisada, estupefata. Por causa da semelhança? Também, mas a verdade é que na hora, eu nem sequer tive a destreza de notar que não era a minha filha, e tudo o que eu conseguia pensar era QUEM finalmente tinha conseguido fazer a Lily dormir daquele jeito e ainda por cima escorada num braço de sofá daqueles!

Sim, amigos, vocês acertaram – eu estava sofrendo alucinações terribilíssimas causadas pela famosa síndrome do Sonus Deprivatus Maternus. Muito comum, infelizmente.

Quando dei por mim, eu já estava babando, me arrastando e olhando com um olhar semi-cerrado pra um banco da rua na minha frente. Sabe quando você liga o automático “filho dormiu aproveita pra dormir também”? Pois é. O que me salvou de uma cena lamentável foi um dedinho gordinho saindo do carregador de bebês das minhas costas, seguido de uma vozinha toda feliz: ií-iy. Falava a voz. Praticamente uma palavra com 4 “i”s, assim como iô-iô, mas com “i” no lugar do “ô”, sabe?

Era a Lily falando o nome dela, balançando de alegria e olhando pra menininha-sósia do cartaz do banco.

Recobrei minha consciência, comprei um café ultra forte, uma caixa de bombas de chocolate e um pacote de quinoa, e voltei pra casa pra fazer o bolo de aniversario da minha querida viajante cósmica. No dia seguinte ela completaria sua primeira trajetória elipsoidal e eu não poderia estar mais emocionada. Entrei no carro e fui pensando que “e daí se a bebê não dorme quando ela sabe falar o próprio nome?”.

Amo essa minha menininha esperta!

PS: aguarde que no próximo post tem mais!


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sem médico, com a meia furada, mas com filha modelo

Jamais ouse vir ao Canadá e não tirar o sapato ao entrar na casa de uma pessoa. É lei. Eu há muito já me acostumei a isso, só não esperava sair pra caminhar com as crianças outro dia e terminar na casa de uma amiga. Eu olhava pros meus pés e lembrava que cada um levava uma meia diferente. Até aí tudo bem, se uma delas não expusesse meu dedão pra fora de forma deprimente.

- Não, Anna, hoje não vamos entrar não, o Nic tá com fome… a gente tem que ir pra casa.

- Fome? Fiz uma maçã desidratada pra snack hoje que ficou um espetáculo! E tem bolo de banana também..sem glúten! Entra só um pouquinho, vou te mostrar as roupinhas da bebê e a banheira de parto!

Droga, essa não dá pra recusar. Lá vamos nós adentrando a residência recém-faxinada da minha amiga prestes a dar à luz. Eu desconsertada, Lily adormecida, Nic alvoroçado e meu dedão desecapado. Eu tiro os sapatos, nós duas olhamos pra baixo e trocamos um olhar. Ela arqueia uma das sobrancelhas.

- Há quantos dias o Rafa tá viajando?

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- Não preocupa, eu estaria andando de camisola de flanela na rua se estivesse no seu lugar.

E entramos rindo.

* * *

A gente mora num bairro muito bacana, cheio de famílias com crianças pequenas. No início do ano a gente contou e deu 44 crianças abaixo de 5 anos. Hoje já tem mais, pois de lá pra cá devem ter nascido mais uns 8 bebês. E todos com a ajuda de uma midwife (obstetrícia). Daí que outro dia rolou o picnic anual de midwives com as famílias atendidas por elas em toda a cidade. Aconteceu num parque, que logo foi inundado por crianças correndo, mães amamentando, grávidas, práticas de ioga, massagem de graça e muita comida e informação sendo compartilhadas. No caminho eu disse ao Rafa que se alguém quisesse saber quanto a Lily pesava eu não saberia responder.

- Quantas vezes ela já cortou a franja eu sei. Quatro. Ou foram cinco? Tá vendo, nem isso eu sei! Vou saber o peso?

Mas ninguém perguntou, nem ficou falando dessas coisas. Aliás, aqui tenho notado uma tendência geral em se buscar cada vez menos os cuidados médicos pra questões como peso, sono, alimentação ou resfriados comuns. Ou gravidez. Ou amamentação. Pra isso, tem as midwives, as doulas, as consultoras de lactação, o instinto materno. Eu adoro isso! E acho que é um resultado esperado quando se tem informação, senso crítico mais desenvolvido e maior confiança no instinto e na natureza em geral, não? Hey, I’m taking charge here! Eu odeio a ideia da figura do médico como um cavalheiro que chega pra resgatar a mãezinha desesperada ou a grávida cheia de dúvidas e medos, com soluções empacotadas, generalizadas e não raramente, terroristas. (É, ainda tô sob o efeito do excelente documentário “The Business of Being Born” – A Indústria do Nascimento – que eu assisti no último fim de semana).

Claro que os médicos são importantes, mas até que ponto eu preciso deles? Ou a partir de que ponto? Aqui no Canadá pelo menos, parto e amamentação são vistos com respeito pela classe médica, mas por outro lado a GRANDE maioria apoia veementemente práticas como o “cry it out“. Aliás, vivemos uma cultura do deixa chorar, né não gente? É pressão por todos os lados! A ultima vez que levei a Lily a uma consulta de rotina, por exemplo, o médico me perguntou como estava o sono dela. Ela tinha 4 meses e acordava toda noite a cada 2 horas pra mamar. Pois ele, deixando toda sua postura médica e humana num canto qualquer, se virou pra mim e disse “Posso te dar uma sugestão? Deixa chorar. Coloca ela num quarto escuro, fecha a porta e vai tomar um vinho. O quarto escuro vai fazê-la lembrar da sua vida dentro do útero.” Eu fiquei me perguntando que tipo de submundo grotesco e aterrorizante ele acha que o útero é. Daí, quando eu disse que não era adepta da tortura infantil, ao invés dele ficar na dele e parar por ali mesmo, continuou seu blá-blá-blá de vendedor de enciclopédia ruim tentando me convencer que o método é bom pra ela e pros pais. Resultado: saí vazado e nunca mais voltei.

* * *

Por isso mesmo, Lily começou a comer sem pitaco especializado. Aos 8 meses, 50% da alimentação dela é comida sólida e os outros 50% leite materno. Não que eu esteja controlando isso, mas tá saindo assim. Comecei com cereal pra bebê e daí fui oferecendo pedaços de frutas a qualquer hora. É consenso aqui que melhor que suco da fruta é dar a própria fruta (crua ou cozida) em pedaços ou amassada, mais água. O suco destrói as fibras das frutas e deixa a criança com preguiça de comê-las.

Alternadamente, fui dando legumes amassados e como a aceitação foi boa, fui amassando cada vez menos. Hoje, a Lily come arroz integral, feijão, carne desfiada e legumes quase sem amassar. Eu, que passei muito aperto com o Nic, fico deveras impressionada e feliz com tamanha desenvoltura mastigativa da menina. E detalhe: SEM DENTES, hein? Também assisti esse vídeo inspirador do Dr. Carlos González, que me deixou mais segura por estar conduzindo a introdução de sólidos assim, de forma mais solta. Quem indicou foi a Mari. Na hora eu não tinha achado, mas agora vi que dá pra acionar o “CC” (close caption) se precisar de legenda – espanhol ou inglês.

 * * *

No mais, postando essa foto outro dia no Facebook, teve tanta gente falando que ela parecia um bebê de propaganda que resolvi fazer o contrário: uma anti-propaganda. A foto foi tirada poucos dias depois que ela fez 8 meses e estava começando a engatinhar. A cada dia que passa ela engatinha mais, mas ainda está faltando ela se dar conta que pode. Hoje mesmo, ela tirou a bota de lã e jogou lá na casa do chapéu. Mas ao invés de ir atrás, ficou no mesmo lugar resmungando e olhando pra botinha. Eu digo pra ela:

-  Vai lá e pega, florzinha. Não se deu conta que você já está engatinhando não, é?

Ela ri toda manhosa. Mas não sai do lugar.

Tudo bem, modelo de anti-publieditorial pode, né gente? Pelo menos, tirando o sapato desse jeito, ela tá prontinha pra continuar vivendo harmoniosamente no Canadá. Já tá bom. :)


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Tá sentada? Nic des-fral-dou!!!

(Foto por Belle Meinerz)

SIM, ACONTECEU!!!

Após meses e meses limpando chão, sofá e tapetes, tentando diferentes abordagens, métodos, simpatias, conversando com Deus, apelando pro Universo, Mãe Natureza, duendes, elfos e até Papai Noel, é com muita alegria e orgulho que venho hoje compartilhar com vocês, amigas fofas e educadas, que nunca falaram nada, mas aposto que já deviam estar de saco cheio de toda essa ladainha de não-desfralde, que Nic é finalmente menino desfraLdado!

Confesso que os ânimos melhoram muito quando decidimos tirar FÉRIAS de tudo. Porque né, desfralde de novela sim, mas mexicana, não, por favor!

Então, foi cerca de um mês deixando ele curtir tranquila e livremente seu amado estado de fraldulência (enquanto eu também curtia um descanso!). Um mês sem proferir as frases “quer fazer xixi?”, “vamos ver quem chega primeiro ao banheiro?”,  “mas o Relâmpago McQueen não usa fralda…” ou “vai, toma aqui esse chocolate pra você não fazer mais cocô na calça hoje”. Um mês inteiro sem as palavras penico, vaso, cueca, seco, molhado, menininho grande ou responsabilidade ecológica.

E ao final desse relaxante período fraldado, logo depois do borogodó de fim de ano, retomamos o processo. Respirei fundo, pedi auxilio da vovó (que realmente caiu do céu e foi ESSENCIAL pro sucesso da operação desfralde), atacamos a gaveta de cuequinhas e eis que Nicolas estava PRONTO – e em pleno inverno canadense, hein!

No primeiro dia tivemos que chamá-lo a cada 1h e meia mais ou menos, mas já no dia seguinte aconteceu o tão aguardado momento… Aquele de arrepiar os cabelim do braço, de fazer o coração acelerar tanto que quase sai pela boca, aquele que lhe arranca uma lagrima teimosa do canto dozói e te nubla os sentidos. “Quero fazer xixi no banheiro”. Poético, lindo e tocante, que só uma mãe que também tenha esperado tanto por isso não vai achar um exagero meu.

E de lá pra cá, amigas, foram pouquíssimos acidentes. Hoje, depois de uma semana quase, Nicolas tem sido impecável e consegue manter a mesma cuequinha sequinha do inicio ao fim do dia (incluindo ontem que fomos pra Whistler e teve direito a soneca no carro, restaurante, passeio no teleférico, brincadeiras na neve e um montão de camadas de roupas que levava um tempão pra tirar a cada vez que ele tinha que ir ao banheiro).

ORGULHO!  Não tenho outra palavra pra descrever essa conquista!

Agora, quando eu me recuperar dos estremeliques que ainda sinto toda vez que escuto “quero ir ao banheiro” e processar direitinho esse grande acontecimento, volto pra contar todos os métodos e truques que eu apliquei, o que ajudou e o que não deu certo. Sinto que tenho o dever o de escrever um Manual do Desfralde depois da minha experiência com o Nic! :)

Enquanto isso, deixo aqui meu agradecimento especial pra minha mãe que foi de grande ajuda levando o Nic ao banheiro, lembrando-o com jeitinho se ele não precisava fazer xixi e tal. Com isso, chegou num ponto que Nic só queria ir ao banheiro se fosse com ela… o que pra mim foi perfeito! :D

Obrigada também à ATCTST – Associação Toda Criança Tem Seu Tempo, por me lembrar que devemos SEMPRE acreditar e ter paciência com todo e qualquer  processo. Não adianta descabelar e se preocupar – tudo um dia acontece, demore mais ou menos.

Mas enfim, ele desfraldou! Ele desfraldou! :D

PS: Incrível, o ano mal começou e já tenho mais um item riscado da minha lista de resoluções! E o melhor, antes da Lily nascer! Eeeeehhhh!!!


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Nicolas – 3 anos

Hoje ele faz três anos.

Tem um sorriso lindo de dentes alinhadinhos como o pai, mas ri de tudo e pra todos, como a mãe.

Tem uma melhor amiga menina com quem é apaixonado, mas não quer nem saber de ouvir falar da irmãzinha que está chegando.

É fascinado com máquinas, rodas e motores, mas é delicado, dócil e carinhoso, especialmente com crianças.

Nunca calça o sapato trocado, sempre acha que a costura da meia está incomodando e fica nervoso por não conseguir tirar a camisa sozinho.

Não se cansa de ouvir a história dos três porquinhos à noite e adora acrescentar coisas pra agradecer ao papai do céu na hora de dormir.

É inteligente como o pai, bobo como a mãe. Conhece todas as letras do alfabeto e até algumas palavras escritas, mas sua rima preferida é “eca meleca, caiu a cueca do Nicolas sapeca”.

Chama lua crescente de lua quebrada, estrela cadente de estrela-elefante , queijo ralado de queijo-cobra e misto-quente de pão-sujo-de-preto (oh, oh).

Pergunta o porquê de tudo, especialmente se vê alguma criança chorando, alguma mãe brava ou quando o pedem pra fazer alguma coisa que não quer.

Decidiu que quer ir pra escola, que agora come frutas, legumes e mingau de aveia como os amiguinhos, mas que desfraldar definitivamente não é coisa pra ele – bom mesmo é continuar neném.

Tem amado ir pra escola, mas uma vez que continua neném, mamãe não pensou duas vezes e virou voluntária do estabelecimento. Ela agora passa algumas manhãs sentada numa cadeira de balanço, costurando, crochetando e craftando enquanto olha o rebento de soslaio. Ajuda a professora no que precisa e principalmente, auxilia o filho (e quem mais precisar) na indesejada tarefa de ir ao banheiro. Mamãe está adorando.

Assim como ADORA ser mãe desse menininho bem-humorado, tranquilo e por vezes bizarrinho. :)

E como recebeu várias mensagens de aniversário tão bonitas pra ele, resolveu colocar aqui sua preferida que resume com perfeição os três anos de Nicolas. Com a palavra, tia Si, Rodrigo e Yann:

“São três anos de cidadão do mundo!
E como é grande esta responsabilidade meu amado Nic: vir de uma raiz latina, de um povo sofrido e alegre, ter no quintal cangurus, visitar maravilhas naturais e crescer aos pés de uma das maiores falhas geológicas do planeta!
Ufa! São só três anos! Por isso sobrinho, ao lado de tantas aventuras Deus nos dá a benção maravilhosa do lar, do amor incondicional de nossos pais e um presente para lá de especial: sua irmãzinha, Lily!
Meu amado sobrinho, tenha certeza absoluta de que tudo o que você viver, de tudo o que você ver e sentir, nada será tão grandioso e profundo do que o amor de seus pais. Aproveite-os ao máximo e exerça esse aprendizado com todos os irmãos da terra – não é à toa que você é cidadão do mundo! Missões especiais são para pessoas especiais!
Saiba que estamos sempre aqui acompanhando as aventuras da Nicolândia – esse maravilhoso país tão tão distante e tão perto de nossos corações!!!
Parabéns Nicolas!!!! Que Deus continue te abençoando com muita saúde, amor e aventuras!!!!”

Amamos você, Nic querido!

Mamãe e papai


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e a mamãe, é tine?

Se tem uma coisa que sempre gostei nessa vida é de tomar chá. Comecei tomando o chá mate que minha avó fazia (numa daquelas chaleiras super bacanas que apitam), mas só fui tomar gosto mesmo, a ponto de tomar todo dia, quando eu morei na Austrália. Sim, porque eles podem não ter herdado patavina do sotaque dos ingleses, mas sem dúvida herdaram a paixão por chá.

Pode reparar, em qualquer lugar que você for na Australia – seja num restaurante de beira de estrada, num posto de saúde do bairro ou numa festinha de criança cheia de balões coloridos – bem lá num cantinho vai ter uma mesinha com água quente e teabags pra você preparar o seu. Aliás, ai da brasileira orgulhosa que cismar de fazer festa pra cria e encher a mesa de brigadeiros e enfeites mil mas nenhum chá – de repente ela vai olhar e ver as australianas todas se pirulitando dali em busca de um lugar que lhes sirva uma boa xicara de earl gray, ao invés de umas bolinhas marrons esquisitas.

* * *

E como não podia deixar de ser, Nic, menino nascido em terras dos cangurus (ou cuiúiús, como ele diz), também adora um chá. O preferido dele (TALVEZ por que seja o único que a gente dá pra ele tomar – oi?) é o de erva-doce. Gosta tanto que além de tomar muito, também quer dividir o chá com seus maiores ídolos nesse mundo – os seres de rodas.

- Olha, mamãe, Nicolas tá dando um monte de cháS pros carrinhos.

Ah sim, notou o plural? Nic agora virou o rei da conjugação. Não lhe escapa uma!

- Mamãe, oS caminhÕES estÃO passandoS na rua!

- Olha! OS dois carrinhoS caiuS!

- OS fogoS estÃO queimando muito o carro! Mas o caminhão de bombeiro TINE vai salvar.

Ops, dá pra voltar aí? “Tine”????

Pois é, também não sei que que é não. Nic inventou essa palavra, assim como outras cinco mais. Acho que como estratégia pra suprir o que lhe falta ainda em vocabulário, sabe? Ele sabe O QUE quer dizer, mas não sabe COMO, então inventa. Já tentei investigar mas ainda não sei bem o que vem a ser o tal de “tine”.

- O que é tine, Nic?

- É o carrinho.

- Esse aqui?

- Não, esse não. O verde.

- Ah, o carrinho verde é tine… E o trator amarelo é tine também?

- Não, não é tine não!

- E o caminhão de lixo?

- É!

- É?! E a mamãe, é tine?

- Não!

- E o papai?

- Não! Só carrinho é tine.

- Ah! Então aquele carrinho de corrida ali é tine?

- Não, só carrinho tine é tine.

Viu só?

Mas daí, que ontem chegou aqui em casa um embrulho especial, vindo de uma querida amiga lá dazinglaterra. E o que que ela mandou pra gente? Só coisa boa: livros, cartinha, desenho, chá (eeeehhhh!!!) e um carrinho preto pro Nic, que quando abriu a embalagem gritou:

- Uau! Um carrinho tine!!!!

Ou seja, “tine” SÓ pode ser bom.

(O que me deixa aqui pensando porque será que nem eu nem o Rafa somos “tines”… Humpft!)

* * *

E eu, que sou passada de tudo (too much tea?) contei que Nicolas estava doente, mas nunca voltei pra dizer que ele melhorou. Sim!!! Melhorou! Foram 8 dias de sofrimento pra ele e pra gente. 8 dias sem ele comer NADA, nem um grão de arroz e vomitando TUDO o que bebia de tanto tossir, inclusive os remédios. Tem noção do sufoco? A pancinha dele que em geral é uma bolinha (não me pergunta como) tava esmilinguida de dar dó. Assim como nosso coração, né? Foi uma correria de médico, hospital, raio-x, suspeita de broncopneumonia e lá fora, só chovendo e fazendo frio. Aqui dentro, troca lençol, lava lençol, troca roupa vomitada, lava roupa vomitada. MAS passou!!! Nicolas voltou a ficar coradinho e com a pancinha roliça de sempre!

Mas agora, o que mais me espantou nesse período que ele ficou doente foi perceber que a mania de limpeza e organização que ele tem superou todo e qualquer incomodo de vomitar sem parar.  Sim, porque Nicolas é daqueles que não pode ver um pedaço de roupa sobrando pra fora da gaveta que ele vai lá arrumar. Nem um tapete meio bagunçado ou uma porta do armário aberta. Só o que eu não esperava era vê-lo vomitando e falando enquanto vomitava: quer limpar, mamãe! Quer limpar!

Tadinho, gente… Mas que Deus conserve essa qualidade, viu? :)

* * *

E aproveitando que eu não passo aqui todo dia, vou deixar aqui também meus parabéns pro meu irmão que casou!!!! O convite foi enviado pra cá há mais de um mês atrás, mas só chegou aqui no exato dia do casamento. E eu achei o convite tão lindo, tão fofo, tão a cara desses dois doces-de-coco, que se não faltasse só 3 horas pro casório eu teria pegado o primeiro avião e ido dar um abraço neles. Mas fiquei sabendo que a cerimônia foi maravilhosa, que a Ana entrou na igreja dançando e que foi uma choradeira geral… Ou seja, só pode ter sido um casamento TINE, né? Felicidades pra vocês, meus amores! Beijos de todo mundo aqui!


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The ‘incredible’ twos

O que seria de um blog materno se a mamãe não parasse de tempos em tempos pra exercer sua corujice e enaltecer as habilidades da cria, né? E sobre isso, falou muito bem a Kah neste post sobre o lamentável Campeonato de Bebês que acontece por aí. À medida que você lê o post, vai passando por uma montanha russa de sentimentos: primeiro começa achando graça, depois fica indignada, triste e totalmente sem fé na raça humana (tô contigo, Kah) até que termina suspirando e decidida a revelar ao mundo as proezas naturais do seu pequeno gênio…

E é exatamente o que eu vou fazer agora… No entanto, gostaria muito que o Nic  também ouvisse… Só que, cadê ele?

- Niiiiiicolas! Cadê vocêêê?

- Hi hi hi hi hi.

- Puxa, como ele esconde bem! Onde estará o menininho sapeca da mamãe? Será que tá dentro do guarda-roupa? Não… Atrás da porta? Também não… Debaixo da cama? Humm… não…

- Hi hi hi.

- Estaria ele atrás do sofá? Nossa, também não… Ou quem sabe… NICOLAS!!! Meudeusdocéu!!! Como você foi parar encima dessa estante, meu filho?

* * *

Outro dia eu ouvi falar que criança pequena é como um liquidificador, só que sem tampa. Pois precisa falar mais?

O Nic anda bem assim mesmo, cada vez mais intenso e dramático ao expressar suas emoções. Perfeito pra um papel mirim numa novelinha mexicana vespertina. Mas por outro lado, noto que ele tem sido muito mais quieto e concentrado em outras ocasiões: brinca cada vez mais sozinho, presta mais atenção nas estórias, encaixa pecinhas sem perder a paciência e assiste filmes infantis inteiros, atento do início ao fim – inclusive conseguindo prever o que está pra acontecer!

E como gosta de crianças mais velhas… É um magnetismo natural… Ele não pode ver uma daquelas criaturinhas de 5 anos toda cheia de si, que ele gruda e vai atrás imitando tudo o que ela faz. Como no dia da spidergirl, lembra? Mas isso só dura até o momento em que ele invariavelmente escuta um “leave me alone!” pra se afastar, mas ainda assim, continuar de longe admirando aquele modelo perfeito de auto-suficiência. Já as da mesma idade, esquece – é desprezo absoluto. Coloque ele numa sala com outros dez menininhos de dois anos, pra ver – tudo o que ele vai querer é brincar sozinho e ainda por cima sem emprestar nem mesmo aquele carrinho velho de roda quebrada.

Além dessas, Nic tem também outras particularidades: pra começar, odeia ficar sem camisa, mas tudo bem ficar sem calça. Faz greve de fome, mas jamais recusa brócolis, sem sal nem alho e a qualquer hora do dia. Ainda nem largou as fraldas, mas já quer autonomia total – o típico rebelde com fralda – e ao invés de pedir determinado objeto, simplesmente empurra uma cadeira, sobe e pega. *Estado de alerta total aqui em casa* – nada está completamente fora de seu alcance mais.

E nunca esteve tão volúvel e paradoxal… Num minuto quer tomar leite, no outro quer comer feijão, depois quer calçar sapato sozinho enquanto come biscoitos e no seguinte quer brincar de ser neném no colo da mamãe e tomar leite outra vez – o mesmíssimo que ele dispensou há três minutos atrás e o qual ele agora toma no copo sem jamais se lembrar que negócio mal-arrumado era aquele de usar mamadeira.

E fala pelos cotovelos.  Monta frases inteiras à sua maneira, narra tudo o que a gente faz, usa artigos e preposições, arrisca plurais, conversa sozinho com os carrinhos, pergunta e ele mesmo responde e até inventa novos verbos.

- Quéio mamãe facar a uva pro Nicoias. (=quero que a mamãe corte a uva pro Nicolas)

- Mamãe tá varrendo a blusa do papi. (=passando)

- Mamãe, quéio mais vai no parquinho. Agoia não, depois. (=quero ir no parquinho de novo. Agora não, depois. – ele mesmo responde).

- Qué papai vão brincar de carrinho com mim. (=quero que o papai brinque de carrinho comigo.)

- Não cabe não… o ômbusi é muito grande… (=ônibus)

- Eu também sentado na cadeira.

- Um, dois, quatro, seis rodas. O caminhão tem seis rodas, mamãe. (ele sabe contar até 10, mas adora contar de dois em dois)

:-)

E se por acaso, eu caio na bobeira de perguntar a ele “vamos dormir?” ou “vamos comer?” (ao invés perguntar “você quer dormir com o coelho ou com a Moey?” ou “quer comer arroz com frango ou com ovo?” a resposta agora é polida “não, não, obrigado”. E tenho que usar muitas e muitas artimanhas pra convencê-lo a fazer o que eu preciso que ele faça.

Quer ver só?

Então assista você mesmo ele recusando educadamente a soneca, depois me ignorando enquanto “lia” as instruções em um pacotinho de chá e no final eu aplicando o famoso Método de Psicologia Inversa (MPI) e seu resultado.

* * *

E é isso aí. Incrível é perceber que esse meu menininho que quer fazer tudo sozinho, que adora imitar o pai fazendo barba e sabe cantar várias músicas do Pé-com-pé, ainda adora colo, odeia escovar dentes e curte músicas de ninar pra dormir. Ah! e conserva as mãos gordinhas de neném – inclusive com furinhos!

* * *

PS1: E a vocês, minhas queridas, muito obrigada pelos comentários solidários no último post. O Rafa já voltou e as coisas aqui agora andam muito mais equilibradas!

PS2: Estou adorando esse amigo secreto blogosférico! A gente tirou um (a) amiguinho (a) que é a coisa mais linda desse mundo! E quem nos tirou já mandou um recadinho e está caprichando no suspense!!! Ai meu deus, quanta curiosidade de saber quem é!!!


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Querido Ícus

Acho que você tem curtido nossa vida cheia de atividades aqui em Vancouver, né? E já estamos até nos acostumando à elaborada logística de se sair sempre debaixo de chuvas! Veja só… logo a gente que morou tanto tempo lá naquele deserto!

Mas estas adaptações são mamão-com-açúcar comparado a ver você doente… Puxa vida, que aperto passamos nestas últimas semanas, hein meu bem? Depois de seis meses sem gripar, você já veio logo com duas gripes direto. Mamãe ficou com o coração na mão ao te ver vomitar de tanto tossir e não conseguir comer nadica de nada por quatro dias seguidos. O mais incrível é que você ainda conseguia sorrir pra mamãe logo após vomitar… Sorria com aquelas bochechas rosadas de febre e aqueles olhinhos caídos… E também nunca deixou de falar “saúde” pra você mesmo a cada espirro que dava. Tão fofinho…

Nic se sentindo todo importante com os sapatos do papai

Mas que bom que você já está melhor agora e voltou a ser o menininho pulante, falante e dançante de sempre. O primeiro indicativo de que você já estava bom foi quando você entrou no armário e saiu de lá fazendo o maior esforço do mundo pra andar calçado com aquela bota pesada do seu papi. E ainda sai falando “Oopsy Daisy, Oopsy Daisy!” que o papai ensinou você a falar pros momentos que ocorre algo inesperado, mas que você aplica pra qualquer situação de aperto. Como naquele dia que você entrou atrás do berço e não conseguia sair e ficou de lá gritando “mami, oopsy daisy! mami, oopsy daisy!”com voz de choro, até eu te resgatar.

E agora que você completou 20 meses, percebo que seus gostos e forma de brincar já começam a mudar… Desde que passamos a frequentar mais a biblioteca que agora você brinca sussurrando com seus bonequinhos e carrinhos. Também tem passado a se interessar mais por estorinhas antes de dormir e as vezes quer ouvir duas, três, quatro estorinhas, sempre pedindo “mais tória, mami, mais tória!”. E uma coisa bem inusitada, é que você  tem tentado entrar na casinha que não passa de 20 cm de altura ou nos carrinhos pequenos, junto com seus bonequinhos. Você fica lá tentando enfiar um dos seus pés e dizendo “entar, entar!”. E fica muito decepcionado porque não consegue…

Mas a coisa mais marcante do último mês foi que você por fim fala seu próprio nome: Ícus. Isso mesmo, pra você, Nicolas é Ícus. Uma coisa bem estilo romana, né? Ícus Magnificus? Biggus Ícus? Bom, mas de qualquer forma, toda vez que eu te chamo por esse seu “pseudonimus” você faz charminho, fica achando graça e fazendo hora pra olhar. Daí fecha os olhos, se vira pra mim e os abre de repente falando “Aqui Ícus!” ou “Achou Ícus!”. Tão lindo…

No mais, você agora balança a cabeça que SIM e NÃO corretamente, só quer descer e subir escadas em pé e sem se apoiar, aprendeu a aplicar os verbos no gerúndio (ex: Ícus descendo, comendo, etc), dirige o próprio pezinho quando calça a meinha com o desenho de carro,  fala “mais unha” quando quer que eu corte mais unha (?), ama ouvir música e pede constantemente “mais mucsa”, tem pedidos cada vez mais específicos como “mais suco DE morango/manga/etc” ou “mais massage cabeça/ombo/perna/etc” e atualmente seu passatempo predileto tem sido mexer na carteira do papai e distribuir cartões e dinheiro pra qualquer um, principalmente desconhecidos.

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Esse é o nosso Ícus!

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