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O ginecologista, o primeiro, o segundo e… o terceiro rebento

lily

Eu adoro morar em cidade pequena. Gosto de lugar onde os vizinhos se conhecem e se cumprimentam, levam cookies caseiros um pros outros e até deixam flores na porta da gente num dia de primavera (tem que ser muito fofo pra fazer isso, não?). Gosto da segurança, da tranqüilidade e do ar puro – um privilégio pra quem tem crianças, penso eu.

nic

No entanto, se me perguntarem qual a grande desvantagem de se morar num ovinho com 17 mil habitantes no Canadá, digo sem titubear: o risco iminente e repentino de dar de cara com… um urso? um cougar?

Não gente, meu ginecologista.

Seja no Starbucks, na fila do banco, no correio, no supermercado, ou o que é ainda pior: na festinha de um amiguinho em comum. Já imaginou?

Porque pense comigo: uma coisa é ter um papanicolador que você só encontra no contexto clínico-gineco-hospitalar, faz sua consulta, tchau, até a próxima. Mas outra completamente diferente, é essa mesma pessoa, que se ocupa da saúde de sua periquita e certos aspectos da sua vida sexual, estar inserida no mesmo contexto social, pessoal, festeiro, playgroundeiro, político, econômico e comunitário que você, concorda?

Então, imagina minha cara, quando uma semana após uma consulta onde discutimos métodos contraceptivos e meus motivos pra gostar mais desse ou daquele, trombo com minha querida ginecologista perto da piscina de bolinhas na festinha do little John.

scared

Tá, talvez eu esteja exagerando um pouco na cara. E como não sou dada a exageros (adoro manter tudo bem preciso e real), acho que a cara abaixo está mais condizente.

susto

Pois bem. Fato é que eu quase caí dura e empalhada. Mas como assim, ela conhece o Joãozinho? Então ela também tem filhos, tem vida social? Por que tanta maquiagem, meodeus? Como lidar com o fato dela saber tantas coisas de minha pessoa e eu nada sobre ela? Sobre o que vamos conversar? Posso devolver as perguntas que ela já me fez? É de bom tom chamar meu marido e apresentá-los? Tudo bem se eu me virar e sair correndo?

Mas então, ela me olha, me cumprimenta, esboça um sorriso amarelo, abaixa os olhos, o Rafa chega, ela vira o rosto, finge escutar a filha chamando e sai gritando “I’m coming, sweetheart!“. A partir daí, cuidadosamente conseguimos evitar uma a outra – até o fim da festa. Amém.

Constrangimentos que ninguém pensa em passar antes de se mudar pra uma cidade pequena, né? Pois agora, aprendi minha lição, e desde então, tenho tomado duplo cuidado com encontros inusitados. Seja com ursos, cougars ou ginecologistas.

Agora, esse papo todo me fez lembrar de um assunto relacionado. Quer saber? Comecei a planejar o terceiro filho!

Tá, mentira. Mas outro dia, como se eu não tivesse mais nada pra fazer, resolvi consultar o fazedor de bebês cibernético por curiosidade. Ele usou uma foto minha e do meu marido, juntou genes algaritimicos, fez interpolações avançadas, mesclou fuça de um com nariz do outro e… tcharam!!! Descobri que se for menino, ele tem GRANDES chances de ser assim:

Screen Shot 2013-04-26 at 5.37.58 PM

E se for menina, assim:

Screen Shot 2013-04-11 at 1.01.51 PM

Achei bonitinhos (apesar da boquinha que de tão pequenininha é até menor que o olho), mas nhá… decidi que vou querer mesmo um gatinho, sabe? O Nic, que me pede um ser peludo há 2 anos, vai me agradecer. Marido vai querer me trucidar, mas fazer o que? Acho que tô precisando me ocupar com algo mais, sabe?

Portanto, desculpe você que chegou aqui afoita* porque achou que eu estava grávida. Foi mal!

Mas cá pra nós. Só se eu estivesse completamente insana pra encomendar um terceiro! Vem comigo e observe:

Após 3 anos de Canadá, nos rendemos e arranjamos uma ajuda pra limpar a casa a cada duas semanas. No entanto, após 5 meses de trabalho, não mais que de repente, a moça nos deu o cano e terminou nossa relação trabalhística. Por celular. Mensagem de texto. Essa agora é a tendência, pessoas? As relações chegaram mesmo a esse ponto?

Pra completar, meu primogênito decidiu que de agora em diante eu TENHO que ver absolutamente TUDO o que ele faz, mesmo que seja algo completamente inútil. Da última vez (30 minutos atrás), queria que eu o observasse realizando a incrível façanha de pular sobre um carrinho de ( ) 1 metro, ( ) 30 cm, (x) 1 cm de altura. Isso mesmo. Inicialmente, ele pulava normalmente (aqui, mamãe!), depois colocando uma mão na cabeça (olha, mamãe, olha!), depois pulava com um pé só, de lado, de frente, de costas – de novo, de novo e de novo. Quando eu já não aguentava mais me virar pra ver a mesma cena tantas vezes, lhe disse pacientemente “já vi, querido, achei fascinante, mas agora estou ocupada, tá bom?”, no que a pessoinha diz “não viu não, mamãe! Você não me viu pulando o carrinho com a mão na testa. Olha, mamãe, olha!”. Isso o dia todo, todo dia.

Já quando esta mesma criança não está me chamando, ela está caindo em cima da irmã de propósito. Ou a empurrando, ou pondo o pé na frente quando ela está passando, ou roubando o copo de água da mão dela, ou a fruta, ou o brinquedo. Tudo coisa legal e bacaninha. Claro, também rolam os abraços, os beijos, e momentos em que brincam junto bem bonitinho mesmo, mas, invariavelmente também acabam em choro.

“Ah, mas menino é assim mesmo. Felizmente, a caçula ainda tá muito pequeninha pra aprontar, né Lu?” Você, ingenuamente me pergunta. Pois espero que somente as cenas seguintes lhe sirvam de resposta, meu caro leitor:

lily1
(Março de 2013)
album
(álbum do Nic mostrando umas das poucas vezes que ele “aprontou”, rasgado em Março de 2013)
lily2(minha gaveta de roupas sendo organizada e migrada pro outro lado da casa, Abril de 2013)
lily4
(ataque à caixa de tintas do Nic, hoje, poucas horas atrás)

Tá bom, ou quer mais? Ah sim, também tem o caso do chocolate, claro! E se quiser um video, então fica com esse aqui, bem rapidinho pra fechar com chave de ouro. Favor não reparar que ele foi gravado na vertical, na falta de edição e na bagunça do quarto. Só não deixe de reparar na altura da cama. Sem mais.

(Lily, 14 meses, pouco antes de tomar banho)
Aceito abraços solidários. Obrigada. :)

* desculpe, não quis desprezar meus leitores homens, mas é que não consigo imaginar nenhum chegando aqui ‘afoito’ com a possibilidade de mais um bebê, não? To errada?


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Chupeta de Ouro 2a Edição – os indicados de 2013

os indicados

INDICAÇÃO DE MELHOR ATOR PROTAGONISTA: Rafael C. Reilly, pelo filme DETONA RAPHA

detonaRapha

SINOPSE:

Rapha (Rafael C. Reilly) é um trabalhador pai de familia que vive viajando. Ele passa mais da metade de seus dias acompanhando o crescimento de seus filhos através de uma tela de computador e está cansado de ser eclipsado pelos outros pais da vizinhança, os “good pais”, por estarem sempre presentes nos aniversários, apresentações na escola e jogos de futebol, e ainda têm o desplante de saírem por aí exibindo o filho que recém completou 1 ano falando “papai”, ao contrário dele: “Fala papai, filha.” Mamãe. “Não, pa-pai.” Au-au. “PA-PAI!” Bum-bum! Cansado dos olhares de reprovação e de ser visto como o “bad pai”, Rapha decide resolver a questão com suas próprias mãos e provar ao mundo (ou pelo menos aos seus vizinhos) que ele é sim, um ótimo progenitor, e propõe um jogo entre os pais pra saber quem é o herói. Conseguirá Rapha trocar a fralda da bebê-salamandra e abotoar os 28 botões de seu novo macacão sozinho? Será ele capaz de convencer o filho mais velho a comer todos os vegetais na janta? Um filme realmente engraçado, divertido e emocionante, indicado para toda a família.

Rating: 4 pipocas

Crítica: “Nunca um personagem mostrou tanta garra e determinação pra vencer um desafio desde o Rocky Balboa. A gente torce por ele do início ao fim. Excelente atuação de Rafael, melhor filme do ano pra famílias!” New York Times

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INDICAÇÃO DE MELHOR DIREÇÃO: Luciana O. Russel, pelo filme O LADO BOM DA VIDA

4. Oladobomvida

SINOPSE:

A vida nem sempre vai de acordo com os planos. Nic Solitano (Nicolas Cooper) perdeu todos os trilhos de madeira que tinha: curvas, retas, túneis, entrucamentos e até pontes de design elaborado. Após passar 8 meses de sua vida brincando com estes incríveis aparatos ferroviários, Nic se vê obrigado a voltar pra velha pista de fita adesiva colada no chão. Insatisfeito com a situação, Nic vai reclamar com sua mãe, a qual não faz nada pra lhe ajudar e ainda lhe passa um pito sem tamanho, dizendo que a culpa era dele por sempre deixar tudo espalhado pela casa. Se sentindo incompreendido, ele decide fazer de tudo pra encontrar a pessoa que havia arruinado sua vida lhe roubando seus preciosos trilhos, até que num momento de fúria, Nic descobre que sua irmã Liffany (Lily Lawrence) os tinha cuidadosamente guardado nas caixas destinadas a eles. Envergonhado, Nic pede desculpas pra irmã, que o ajuda a ver a vida de forma mais leve e organizada. Nasce aí uma verdadeira cumplicidade entre os dois irmãos, que decidem organizar a casa toda. Uma história comovente e alentadora para todas as mães que nunca conseguem ajuda pra arrumar nada.

Rating: 4.5 pipocas

Crítica: “Um filme comovente e inspirador! Meus filhos gostaram tanto, que logo em seguida começaram a brigar pra ver quem guardaria os brinquedos! Obviamente, ficaram muito chateados por eu ter perdido o papel da mãe pra Luciana Russel – que por sinal, se consagrou como brilhante atriz e diretora neste filme. Parabéns a ela!” Angelina Jolie

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INDICAÇÃO DE MELHOR FILME: NICOLN

5. Nicoln

SINOPSE:

Uma trama reveladora que foca no 1° filho de uma família brasileira vivendo no oeste canadense. Ao mesmo tempo que Abraham Nicoln (Nicolas Day-Lewis) não consegue se ver morando em outro lugar, o menino nutre grandes saudades de sua família no Brasil. Sentindo que começava uma guerra interna dentro de seu peito, Nicoln decide que é tempo de passar férias no Brasil e faz suas reservas pra Junho de 2013.

Rating: 5 pipocas

Crítica: “Uma verdadeira obra de arte! O filme captura com brilhantismo o grande dilema de Nicoln e joga uma luz para todos os expatriados” Vancouver Sun

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INDICAÇÃO DE MELHOR ATRIZ PROTAGONISTA: Quvenzhané Lillis, pelo filme INDOMÁVEL SONHADORA

3.IndomavelSonhadora

SINOPSE:

Hushlily (Quvenzhané Lillis) é uma intrépida menina de 1 ano que mora numa cidade pequena e pacada, conhecida pelos amigos como Roça Canadense. Resolvida a agitar a vida de sua mãe, Hushlily começa a andar no dia de seu primeiro aniversário e bem diferente de como foi o irmão nessa mesma idade, não para de vasculhar caixas, derrubar livros e tentar entrar em gavetas. A trama mostra uma mãe descabelada que vive correndo atrás da menina pinga-fogo, que com maestria consegue sacudir a vida da família.

Rating: 4 pipocas

Crítica: “Divertida e cativante, Quvenzhané Lillis dá um show de atuação! Merecidamente, a mais jovem atriz a receber a indicação da Chupeta de Ouro!” Wall Street Journal

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INDICAÇÃO DE MELHOR ROTEIRO para AS AVENTURAS DE NI


1AsAventurasdeNi

SINOPSE:

Ni Patel (Nicolaj Sharma) morava na Australia e era dono de praticamente um zoológico de pelúcia em casa: cangurus, coalas, wombats e até um ornitorrinco. Quando a família decide se mudar pro Canadá, Ni não abre mão de levar todos os seus bichos junto. Entretanto, o cargueiro onde todos viajam acaba naufragando devido a uma terrível tempestade e Ni consegue sobreviver em um bote salva-vidas, mas precisa dividir o pouco espaço disponível com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala chamado Bluris. Um aventura eletrizante que promete fazer você olhar com outros olhos pra aqueles inocentes bichos de pelúcia sentados no canto do quarto de seu filho.

Rating: 4.5 pipocas

Crítica: “Uma história transcendente de aventura e coragem com um final surpreendente! No entanto, somente uma fábula, que não deve de forma alguma induzir os pais a pararem de comprar os fieis e companheiros bichos de pelúcia pra seus filhos” Empresas Mattel

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E os adesivos vão para…


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a vida, o hacker e o gabarito

Eu não gosto de reclamar da vida, provavelmente por que eu sempre tenha tido tudo que precisei.

Uma vez, eu estava na faculdade, e um grupo de amigos discutia quem tinha tido a infância mais pobre. Um falava que não teve videogame, outro contou que nunca teve um quarto só pra ele e o outro lamentou que carne na sua casa era só um dia sim outro não.

Eu não queria falar, mas eles insistiram.

Então contei sobre a Monique e a Elisabeth (saudades! love u dolls!), as duas quase únicas bonecas que tive, com 5 e 10cm de altura respectivamente, de plástico, sem mexer nem braço nem perna e com o cabelo de pano colado na cabeça que eu mesma fiz. Falei da nossa única televisão, preto e branca, de válvula e sem controle remoto, que nos acompanhou até eu fazer 19 anos*. Contei que nunca tive uma bicicleta. Falei do barracão de um cômodo só, com chão de concreto, dividido ao meio com um guarda-roupa, onde moramos por 3 anos quando meus pais se separaram – eu era a mais velha de três e tinha 7 anos. Contei  que várias vezes não tínhamos nada pra comer e que uma vez eu demorei tanto pra terminar um iogurte, o qual eu deliciava um pouquinho por dia, que ele acabou estragando na geladeira. E pra não ficar muito longo nem chato, terminei falando da nossa velha Brasília azul que foi levada pela enchente quando vivíamos num barracãozinho à beira do Rio Arrudas em Belo Horizonte.

Claro que fui declarada vitoriosa na mesma hora. :)

Mas o que eu não contei é que quando penso na minha vida, a última coisa que me lembro são dos problemas que tivemos. A gente não tinha bens materiais, mas tínhamos uma mãe maravilhosa, irmãos que topavam qualquer parada e muita imaginação pra criar a realidade que desejássemos. Não faço ideia do que é crescer tendo lego, barbie, atari ou qualquer um dos brinquedos populares nos anos 80, mas eu sei fazer pipa, pular elástico, costurar roupa de boneca, inventar histórias de alienígenas e todas as regras de rouba-bandeira. Pra que mais? :) E que apesar de sempre ter estudado em escolas públicas, consegui com muito esforço, conquistar uma carreira bacana e até fora do Brasil** (mesmo que tenha sido abandonada em prol dos filhos e sonhos ainda maiores).

Com tudo isso, não estou querendo dizer que infância boa é infância pobre, mas que a infância que EU tive, fez de mim a pessoa que sou hoje: sem frescura, com iniciativa pra correr atrás do que eu quero e com criatividade o suficiente pra estar constantemente pagando mico em blog transformar qualquer dia (ou noite) que eu tenha num motivo pra rir.

Por isso, me espanto demais (muito mesmo!) que eu tenha chegado a chorar quando descobri, na semana passada, que meu website (o quarto filho, lembra?), havia sido hackeado. Como que um negócio pequeno e de família é hackeado, gente? Pois sim. Aconteceu quando um atoa da vida foi lá, entrou sem permissão e injetou uma porção de vírus malignos e sanguinolentos nele, tudo por pura diversão. Bom, a não ser que tenha sido vingança do meliante do Havaí, aí até vai, né!

Pelo menos, no momento que eu estava em estado de choque paralisante catatônico, encontrei um ombro amigo pra chorar as pitanga e acabei ficando mais tranquila.

Agora, se meu segundo e-filho vai sobrevir sem sequelas, eu ainda não sei. Espero que sim! No momento ele está na UTI cibernética, sendo tratado e medicado com antídotos pra evitar ataques futuros. Torçam pela gente? (UPDATE: ELE SAIU! TÁ VIVO! :) )

A PROVA

E apesar de tudo isso, não me esqueci dos meus alunos queridos! Gente, que orgulho, viu? Não teve nem uma nota abaixo da média (estipulada pelo Instituto Nicolilando), acreditam? Claro que teve aluno me chamando de carrasca (suspensão na certa!), outros tentando me subornar e alguns até dizendo que só sendo avó da figura biográfica em questão pra conseguir responder tudo. Mas não deixei nada disso me abater e segui em frente, corrigindo prova atrás de prova e sempre com o pensamento no meu dever  enquanto educadora. E pra quem se recusou a fazer o teste, logo libero as datas pras 30 horas de aula de reforço e pra prova de recuperação, viu? Achou que fosse escapar? ;)

Sobre as questões, algumas foram realmente enganosas, em especial a de número 6 (acreditem, Lily JAMAIS dormiu uma noite inteirinha) e a última, que ninguém acertou, mas não é culpa de vocês – pelo que me lembre eu não cheguei a contar que o prodigio gastronômico que comia de tudo degringolou e passou a recusar a maioria das comidas. Por isso, decidi que todo mundo que participou, vai receber alguma coisa, mesmo que seja um cartão postal, tá? Entrarei em contato com cada um em breve!

Eis o gabarito:

1. B (o nome dela é Lily mesmo, só tem 2 dentes, não toma leite artificial e nunca chupou chupeta)

2. C (parto normal com anestesia, relato aqui)

3. D (ano do dragão – e acreditem, essa carinha de boneca não tem nada de frágil. Ah! E não existe ano do leão, só por curiosidade)

4. B (canadense nascida no Canadá, mas acertou quem falou C também. A alternativa B está incompleta e eu deveria ter colocado que ela é canadense e brasileira)

5. C (sonecas tensas, sempre no sling. Toda a verdade aqui e video com bola aqui)

6. A (nunca dormiu a noite toda, pode acreditar!)

7. C (a Lily ainda não esteve no Brasil)

8. D (como teve gente que deduziu bem, ela adora a cosquinha na gengiva e ama escovar dentes (eu sei que isso não dura muito))

9. D (parabéns a quem deduziu que se ela já andasse já teria video em todos os lugares! haha)

10. B (não tem comido de tudo, mas descobri que come bem mais se eu deixo ela pegar a comida com as mãos!)

E claro, as provas corrigidas (clique pra ampliar)! Note que todo mundo ganhou adesivinho especial, hein? :)

resultado

* Fun fact #1: você sabia que provavelmente sou a única pessoa da minha geração que nunca viu a viúva Porcina colorida?

** Fun fact #2: você sabia que hoje meu marido viaja muito, mas quem começou viajando assim fui eu? E que hoje ele trabalha na atual empresa por minha causa?

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Muito obrigada a todos que participaram da brincadeira!


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Senta que lá vem o teste!

Conto ou não conto? Conto ou não conto? Tá, já que você insistiu muito, vou contar. Seguinte. Eu, Luciana Taturana Cara de Banana, vou passar uma semana inteirinha em Nova Iorque, completamente sozinha, sem filho, sem marido, somente eu, minha pessoa, minha câmera, meu bloco de desenho, um álbum de fotos da cria e os tickets pra todos os shows que eu puder ver. Eeeeeeehhhh! Não é incrível? Nao é incrível?

Claro. Só não vai ser hoje, nem mês que vem e provavelmente nem mesmo esse ano, mas anotem aí: vai ser só Liloca desmamar que tô comprando as passagens! Quer vir comigo?

Esse foi o acordo que fiz com meu marido – pessoa que por sinal já nem me lembro mais da fisionomia começou o ano com uma viagem de 3 semanas. Três-se-ma-nas, gente. Vinte um dias sem trégua. Fácil não.

Pois bem. Mas aproveitando que essa é a primeira semana e portanto ainda estou no estágio incipiente de minha longa jornada a caminho da completa insanidade, bora contar logo a que vim. Tá sentado? Então escuta essa: a Lily faz UM ANO daqui du-as-se-ma-nas. Um ano, gente! 365 dias que esse neném me fez chorar e gargalhar ao mesmo tempo – e adivinha – até hoje consegue isso. :)

E pra comemorar, preparei carinhosamente uma surpresa! Um bolo? Uma super festa? Uma viagem em família? Um sorteio no blog? NÃO, gente, melhor! Muito melhor! Eu preparei um teste de conhecimentos gerais sobre ela! Eehhhhhh! Quer coisa mais descolada que isso? Eu sei, eu sei… Não precisa agradecer!

E ó, quem acertar tudo, vai receber um presentinho na sua casa, que eu vou definir de acordo com quem ganhar. Tô brincando não!! Pode ser algum chocolate, um mimo pra sua criança ou até o mais desejado: uma revista minha autografada, hein? Hein? hahahaha (pausa) hahahaha (pausa) hahahaha (tá, admito talvez eu já esteja no estágio avançado da loucura).

Mas então vamos lá?

Pra participar, leia cuidadosamente as instruções abaixo.

1. Qualquer um pode fazer a prova, mas só vale uma folha de resposta por candidato.
2. Não se apresse. Leia cada questão com atenção antes de dar sua resposta.
3. Desencane se seu filho está aí do seu lado prestes a acessar uma de suas gavetas de trabalho. Relaxa, deixa ele ser feliz e concentre-se na prova!
4. Fique à vontade pra consultar este blog, o Livro das Fuças e as revistas de celebridade, mas ó: nada de olhar as respostas do coleguinha, hein? Coisa feia.
5. Se não sabe, chuta! Com esse tanto de blog materno pra acompanhar, quem nesse mundo vai saber tanto detalhe de uma só criança, pelamordedeus?
6. Se precisar de mim, jamais me chame de Profe, Fessora ou faça rimas com meu nome. Eu sou uma pessoa séria e exijo respeito!
7. Proibido ir ao banheiro no meio do teste. Exceções somente pras grávidas no último trimestre.
8. Liberado qualquer bebida com cafeína, assim como colocar foto do filho sobre a mesa pra baixar a inspiração, mas por favor, evite as conversas paralelas!
9. O gabarito e a lista dos aprovados sai na próxima segunda-feira, dia 21 de Janeiro.

Respire fundo, silêncio e BOA SORTE! Ah! E joga esse chiclete fora!

TESTE DE CONHECIMENTOS GERAIS SOBRE LILOCA

Questão 1: Marque a alternativa VERDADEIRA:
a. O nome da aniversariante é Liliane. Lily é só um apelido.
b. Lily nunca chupou chupeta.
c. Aos 10 meses ela já tinha 6 dentes na boca.
d. Por ser muito esfomeada, toma mamadeira com leite artificial além de mamar no peito várias vezes ao dia

Questão 2: Como foi o nascimento dela?
a. Cesárea Eletiva e bem resolvida
b. Cesárea de Emergência ainda não superada
c. Lindo Parto Normal redentor, com anestesia
d. Maravilhoso Parto Natural domiciliar ao som de Enya

Questão 3: Lily nasceu no ano do
a. Leão – isso explica a quantidade de cabelo que ela tem
b. Carneiro – isso explica sua personalidade serena e tranquila
c. Galo – isso explica porque ela gosta de acordar tão cedo
d. Dragão – isso explica o gênio forte, o choro alto, os beliscões na hora de mamar e a braveza a qualquer hora do dia por qualquer coisa

Questão 4: Onde nasceu e qual a nacionalidade de Liloca?
a. Nasceu na Australia e tem passaporte australiano
b. Nasceu no Canadá e tem passaporte canadense
c. Nasceu no Canadá, mas é considerada brasileira por questões burocráticas do visto
d. Nasceu no Brasil, porque Deus me livre ter filho longe da minha família

Questão 5: Até os 10 meses as sonecas da Lily foram:
a. Tranquilésimas e em qualquer lugar
b. Chorava horrores só de ver o sling e só aceitava dormir se fosse no berço com sua mantinha preferida.
c. Tensas, qualquer barulhinho a acordava. Dormia somente no sling com a mãe pulando sentada numa bola de pilates.
d. Só no carrinho, fizesse chuva, sol ou neve. Capotava após exatas 2 voltas e meia no quarteirão.

Questão 6: Lily dorme a noite toda?
a. Nunca dormiu. Desde que nasceu ela acorda toda santa noite no mínimo uma vez. Um horror.
b. Sim, dorme a noite toda desde que começou a comer sólidos, aos 6 meses de idade
c. Graças à Deus, nunca deu trabalho pra dormir e dorme de 8 às 7 desde o segundo mês de vida.
d. Dorme noite sim, duas não, noite sim, três não, noite sim, quatro não. Daí começa tudo de novo.

Questão 7: Marque a alternativa FALSA sobre as viagens de Lily:
a. Sua primeira vez na praia foi no México e chorou muito ao colocar os pezinhos na água do mar.
b. Dormiu tanto no voo pro Colorado que sua mãe até conseguiu escrever post no avião
c. Se apaixonou por suco de maracujá na viagem ao Brasil e passou a dormir até melhor
d. Sua primeira viagem de avião foi pras Rochosas Canadenses na companhia de uma das avós

Questão 8: Marque a alternativa FALSA:
a. Lily nasceu com cabelo preto mas está ficando loira
b. Lily não tem as orelhas furadas
c. A única pessoa além dela que tem olhos azuis na família foi seu bisavô
d. Chora muito e odeia escovar os poucos dentes que tem na boca

Questão 9: Qual a alternativa FALSA?
a. Sabe dar tchau, bater palmas, mandar beijo, faz vem cá com a mãozinha e falar mamã
b. Diante da pergunta “quantos anos a Lily vai fazer?” ela mostra o “1″ com o dedinho e fala “U”
c. Faz “sim” e “não” com a cabeça toda vez que quer ou não alguma coisa
d. Aprendeu a engatinhar com 8 meses e já anda há duas semanas

Questão 10: A Lily come de tudo? Marque a alternativa VERDADEIRA:
a. Sempre comeu, essa menina é um verdadeiro prodígio gastronômico
b. Começou comendo que era uma beleza, mas hoje recusa tudo, que é uma tristeza
c. Nunca comeu, sempre cuspiu e até hoje só quer saber de leite
d. Passa o dia todo comendo chocolate e salgadinho com coca-cola. Não é bom, mas é melhor que nada.

NÃO ESQUEÇAM DE DEIXAR AS RESPOSTAS NOS COMENTÁRIOS! :)

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Teste inspirado nesse post da Cíntia.


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Matéria na Revista PEOPLE – Edição Especial

Gente, depois das entrevistas que dei no Castelo Caras e Revista Quem, a Revista People resolveu fazer uma edição especial com a gente (e em português, veja só!). Infelizmente, nem tudo aconteceu como contaram e tem muita fofoca envolvida, mas paciência. Essa vida de celebridade é assim mesmo! :)

Copiei a matéria abaixo só pra vocês. Enjoy e feliz 2013!

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Pra quem não me conhece, vale dizer que esse post é uma sátira das matérias fúteis e superficiais desse tipo de revista. Me divirto horrores tentando escrever como eles.
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people-cover_lu2 copyLuciana (26), Rafael (34) e seus filhos Nicolas e Lily passaram férias juntos sob o maravilhoso sol de Cabo San Lucas, México. Durante a estadia foram fotografados diversas vezes na companhia de alguns amigos famosos. “A Jen é uma fofa, mas o Charlie é um bêbado chato”, declara ela.

Luciana exibiu seu elegante físico após duas gravidezes num clássico maiô da Sun Lorran (veja cupon de desconto na página 34) com lindos acessórios da Xanel. Uma amiga íntima contou à PEOPLE que o marido da ilustradora havia insistido pra que ela usasse um biquini ao invés, mas que Lu ainda não se sentia à vontade pra brincar com as crianças mostrando a barriguinha. A amiga de longa data acrescenta que Lu tem suas razões, já que apesar de magra, ela já não tem mesmo aquela barriga lisa de antes.

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O casal foi visto diversas vezes relaxando na praia ou na piscina, sempre acompanhado das crianças, de um jacaré de plástico e uma sacola de brinquedos. Uma cliente do resort contou que algumas vezes Luciana foi vista pedindo mojitos de morango orgânico ou margaritas com sal não-refinado, mas também reparou que várias vezes ela trocava as bebidas alcoólicas por suco de melancia com hortelã. “Li que ela ainda amamenta a Lily, deve ser por isso que ela foi tão cuidadosa com o que consumia. E suco de melancia com hortelã é mesmo super parecido ao mojito – só que com culpa-free!” conta ela rindo.

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Na praia, a família brincou diversas vezes de enterrar o mais velho na areia ou fazer trilhos pros seus trenzinhos, já que aparentemente ele não é tão fã de castelos. Uma vendedora ambulante exibiu orgulhosa uma nota de dez dólares contando que não acreditou quando a família veio em sua direção e comprou um vestido pra pequena Lily. “Jamais vi uma familia famosa tão simpática e amigável quanto essa! A Lily parece uma boneca. E aquele cabelo? Todo natural, pode acreditar, eu pedi pra passar a mão e eles deixaram!” disse ela com entusiasmo. “Vê essa nota aqui? Quem me deu foi o próprio Nicolas, que é ainda mais bonito pessoalmente! Antes de ir embora ele se virou pra mim e disse ‘gracias, señora’. Juro, ele fez meu dia” revelou a vendedora emocionada. E acrescenta: “Já Luciana estava radiante! Pra falar a verdade, nunca a vi sorrir tanto, nem mesmo na cerimonia da Chupeta de Ouro, quando ela levou o prêmio de melhor atriz.”

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“Viajar com crianças é possível, mas pode ser incrivelmente trabalhoso!” – revelam várias testemunhas que ouviram Luciana repetir enquanto corria atrás dos filhos. Um dos garçons contou à PEOPLE que ouviu o casal conversando sobre como foram tranquilas as 4 horas e meia de avião “a Lily dormiu boa parte do tempo e o Nic brincou quietinho e assistiu desenho, uma maravilha!”. Também disse que a ilustradora parecia bastante surpresa por Lily estar tirando suas sonecas em qualquer lugar.

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“Enquanto eu os servia, ouvi a Luciana contar ao marido sobre a primeira vez que ela colocou a Lily pra dormir ao ar livre” – contou o garçom. “Ela contou que justamente na hora em que foi colocar a menina numa das espreguiçadeiras ao lado da piscina, sentaram ao lado duas mulheres matraquentas e com voz de taquara rachada. Ela disse que jogou um olhar fulminante a elas, mas não adiantou, então não teve outra alternativa senão se levantar e levar a bebê pra perto do jacuzzi, que pra sua surpresa estava vazio. Quando ela finalmente colocou a Lily sobre uma cadeira, chegou um bando de crianças gritando e fazendo algazarra. “Eu queria saber onde estavam as mães daquelas criaturas insanas que nao sabem que em ambiente que tem bebê dormindo não se grita!” – falou ela pro marido. Eu achei graça e continuei ali fingindo que arrumava os guardanapos pra escutar o resto da história. Foi aí que ela disse que justo quando ela achou que deveria trocar a Lily de lugar de novo, o jacuzzi, que aparentemente estava estragado à dias, começou a funcionar de repente. Ela disse sorrindo que foi o white noise mais poderoso que ela já viu e Lily dormiu profundamente por mais de uma hora!” – contou o garçom orgulhoso por conseguir entender português tão bem.

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A volta pra casa já não teria sido tão prazeirosa. Comissárias de bordo asseguraram que Lily chorou bastante e não queria saber de dormir. Elas inclusive ouviram Luciana dizer ao marido entredentes que “fora de cogitação passar 16 horas num avião apertado e quente pra ir ao Brasil esse ano”, no que o marido aparentemente respondeu “calma, meu bem, tenho certeza que quando você pensar nas trufas, nas coxinhas de frango com catupiry e na sua amada família, obviamente, você vai mudar de ideia”.

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Mas depois de um voo cansativo, com escala em Calgary e chegada em Vancouver após meia-noite, a família chegou segura no Canadá, que os aguardava com muita neve e um frio de zero grau. “Há muito tempo não tínhamos um natal com neve aqui”, asseguraram os moradores da vizinhança do casal. Uma amiga próxima contou que eles estavam muito felizes com a perspectiva de passar as festas de fim de ano em casa e que a grande tradição da família era usar pijamas novos na noite de Natal. “As crianças ficaram fofas!”.

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“O Natal deles foi lindo e a família está muito feliz e descansada. Luciana também está muito contente por ter tido a oportunidade de ir ao México e treinar um pouco seu espanhol, aprendido há alguns anos atrás no país de Hugo Chavez” – conta a amiga da ilustradora. Ela ainda revelou a notícia bombástica de que quando Luciana morou na Venezuela teria sido eleita La Reina del Carnaval em 2005. Na ocasião, Lu confessou em uma pequena entrevista que seu maior sonho seria conhecer uma piscina que encontra o mar.

É, parece que demorou alguns anos, mas ela conseguiu realizar seu sonho!


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Nem que a vaca tussa

CONVERSANDO COM UMA AMIGA, POR VOLTA DAS 10 DA MANHÃ

- E aí, Lu, como têm sido as noites com o Rafa viajando de novo?
- Hm… Você não vai acreditar…
- O que? Me conta!
- Errr… É que tá todo mundo dormindo na mesma cama.
- Você, o Nic e a Lily???
- É.
- Nossa! E tem funcionado?

3 HORAS E MEIA ATRÁS (6:30am)

Todos hipnotizados assistindo:

MEIA HORA ANTES (6am)

Tudo escuro, tudo silencioso. “Ué, podia jurar que tinha ouvido um barulho. Deve ter sido um sonho”. Pensa ela com seus botões ainda adormecidos e volta a dormir.

- Piuíííí!!! – sai um som abafado de debaixo das cobertas
- Nic? É você? – pergunta ela baixinho, sem acreditar.
- Sim!
- Mas já acordou???
- Sim.
- Porque??? Tá super cedo, volta a dormir…
- NÃO!!!
- Shhhhhh! Fala baixo, a Lily tá dormindo. Por favor, Nic, dorme. Eu imploro!
- Não tô conseguindo, tô sem sono.
- Tenta. Fecha os olhinhos. Conta carneirinho.
- Não quero contar carneirinho.
- Então conta treinzinhos passando no túnel! Tudo bem devagar e monótono – bom, não custava nada tentar uma abordagem mais lúdica. Vai que…
- Não, mamãe, eu só quero brincar.
- Pois se quer brincar, vai lá pro seu quarto.
- Não quero ficar lá sozinho.
- Oh céus…. Tá, mas então brinca aí beeeeem quietinho. Sem nenhum pio, hein? Não quero que a Lily acorde.

Ela olha pra carinha de anjo cabeludinho dormindo entre eles, sorri e puxa o cobertor até a orelha. Imagina, naquele frio, a última coisa que ela queria era acordar às 6 da manhã. Fecha os olhos de novo.

Uns segundos depois…

- Piuíííí!!!
- Ni-co-las!

Debaixo das cobertas: bochecha enche, bochecha esvazia – era o vapor do trem. Lily se mexe.

- Nic! Se é pra fazer piuí abacaxi vai brincar lá no seu quarto! Diz ela com o típico grito sussurrante que só mães sabem dar.

Ele ri.

- Que isso, mamãe, “piuí abacaxi”? Você tá doidinha?
- Não, isso é coisa daquela músic… não interessa! Vou ficar bem doida é se eu não dormir, tá entendendo?
- Hi hi hi.
- Por favor, Nic! Colabora! Eu tô tão cansada, meu bem! Preciso dormir!!! Você gosta de ver sua mãe cansada? – bora apelar pro sentimentalismo.
- Mas mamãe, eu não tô com sono!!!
- Tá, e fala baixo!

Lily acorda. Faz beicinho, vai pro peito, volta a dormir.

- Viu? Viu? Silêncio, por favor! Olha, vou te falar uma coisa – finalmente, o tom de ameaça – se você não ficar quieto, não vai mais dormir na minha cama! Tá ouvindo?
- Tá bom, vou ficar quietinho… Mas então eu quero brincar com seu iPad.
- Não, nem pensar. iPad a essa hora não! São 6 da manhã!!!
- Não, mamãe, não são 6 horas. São seis, zero e nove. Alá, no relógio!
- Aaaaaaargh! Me deixa dormir???
- E o ipad?
- Ta booooom! Toma aqui essa porcar… esse iPad!

1 HORA ANTES (5am)

“Até que no final das contas dormir todo mundo junto não está sendo tão mal como pensei!” – pensa ela em estado semi delirante semi adormecido olhando pras duas fofuras dormindo quase abraçadas. E não deixa de sorrir ao notar o Nic com seu trem inseparável. “Até pra dormir!”

2 HORAS ANTES (3am)

“Ai!” acorda ela com uma pezada no nariz. Ajeita a bebê estrela. Volta a dormir.

25 MINUTOS ANTES (2:35am)

Droga, não dá pra segurar mais.

Abrindo somente uma pequena fresta no cantinho de um dos olhos pro sono nao inventar de escapulir, ela sai cambaleante pra responder ao chamado da Mãe Natureza. “Mãe Natureza… Mãe uma ova! Se fosse mãe não me mandava um xixi justo no meio da madrugada sabendo que tenho que cuidar de duas crianças sozinha por duas semanas!”

Enquanto isso, Lily começa a acordar. “Ih, vai querer mamar.” Volta correndo no escuro, afinal, se um acorda, acorda o outro.

“Droga, mãe não pode nem fazer xixi sossegada!”

UMA MEIA HORA ANTES (2:00am)

Ah, não acredito!!! Xixi agora? Não vou. Não vou mesmo. Nem que a vaca tussa!

1 HORA ANTES (1:00am)

- Mamãaaaae! Mamãaaaae! Chama uma voz baixinha.
- Hmmm…. Vou querer aquela torta de prestigio ali, por favor!
- Mamãaaaaae!
- O que?? O que? Nic? Ah, Nic, não me acorda não… Eu tava quase comendo a torta…
- Eu quero água.
- Tem água aí do seu lado, menino!

40 MINUTOS ANTES (00:20)

- Lily, do céu, o que você ta fazendo encima de mim, criatura? – sussurra ela enquanto a Lily ansiosamente tenta acessar a leiteria.
- Calma, bichinha! Aqui, aqui…
- Mamãaaaae, tô com frio! Quero cobrir! Quero cobrir! – começa o Nic ao lado.
Deitada, amamentando, ela dá um puxão com uma das mãos fazendo a coberta cair sobre o Nic.
“Acordaram juntos… Taí uma vantagem de estarem aqui no mesmo quarto” conclui ela otimista.

4 HORAS ANTES (20:20)

- Mamãe, deixa eu dormir aqui com vocês, por favor!!!
- Não, Nic. No seu quarto é melhor, porque se a Lily acordar, ela talvez não te acorde!
- Mas o papai tá lá na Ostrália… deixa? Por favor! Por favor! Eu quero muito!
- …
- Hein, mamãe?
- Tá bom, tá bom. Vamos tentar. Mas ó: comporte-se!

1 DIA ATRÁS

- O Nicolas disse que quer dormir com você quando eu estiver viajando. Você vai deixar?
- Dormir comigo? Eu, ele e a Lily, tudomundojuntonamesmacama? Nem que a vaca tussa!

1 ANO ATRÁS

- Absurdo esse pessoal que deixa filho brincar com ipad! Filho meu não brinca!

5 ANOS ATRÁS

- Gente, verdade que tem gente que dorme com o filho? Deve ser tudo um bando de louca mal amada. Eu hein? Quando eu tiver filho, eles não dormem comigo mesmo! De jeito nenhum! MAS NEM QUE A VACA TUSSA!

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Créditos do gif
dançarino: nosso querido amigo Gui Lessa, fotos: Alessando Bastos, animação: Tiago Fazito


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50 tons da maternidade

“Não empolgueis se porventura teus filhos hão dormido bem uma noite. Não alimenteis esperanças de que tal feito repetir-se-á ou concluas precipitadamente que o sistema nervoso dos teus pequenos ter-se-á amadurecido. A cada noite ininterrupta de sono, uma escapada de cocô, duas birras homéricas e três noites insones e atribuladas. Esperais, preparais e aceitais.” (provérbio materno, versão estendida)

Versão popular: Mães não dormem. Se dormiu bem, senta e espera, porque vem caca por aí.

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Após uma longa espreguiçada, ela abre os olhos. Não se recorda da última vez que se sentira tão feliz, descansada e renovada – uma estranha sensação de felpudo invade seu peito. Pela primeira vez em oito meses, acordava ela com a luz natural do sol. Seria um sonho?

Languidamente, ela lança um olhar pro lado e constata com ternura que a bebê ainda dorme. E no berço, quem diria? Um verdadeiro milagre. Melhor checar o outro. Deve estar lá chorando debaixo das cobertas, a pobre criatura. Não é possível que ele tenha dormido a noite todinha sem um único pesadelo e que ainda esteja dormindo. Já passam das 7:30! Com passos de pluma, ela chega ao quarto do filho: ahhhh, dorme feito um anjo, o meu menino, e ainda abraçado à sua boneca Moey.

Com um suspiro, ela sorri. “Será o presságio de uma nova era?” – arrisca ela a pensar.

Feliz, ela toma um banho rápido e desce pra preparar o café-da-manhã. Que fofo, o marido deixara a vitamina de frutas já pronta pro mais velho. Ela então prepara uma torrada com queijo derretido pra si e sorve uma xícara de chá quente. Ui! Quente demais, ela ri. Só hoje mesmo pra ver graça num céu-da-boca queimado. De repente, escuta uns passos, seguidos de risos de criança. Acordaram! E de bom humor!

O dia transcorre tranquilamente: escola, trabalho, almoço, parquinho, janta.

Antes de continuar a rotina que precede mais uma noite de sono, ela para e recapitula com detalhe o que fizeram no dia anterior: “não posso errar nada, tenho que fazer tudo exatamente como ontem pra garantir que vão dormir bem de novo” pensa ela com sua inocente lógica materna.

Vejamos…

1. Banho: ambos tomaram banho naquela caixa de plástico que o Nic chama de barco. Durante o banho, ela havia contado a história do trator que sabia pilotar avião pra ele e cantado ‘tchibum, tchibum’ pra ela.

2. Pijamas: sem dúvida, tinham que usar os mesmíssimos da noite anterior. Vai que emanaram alguma vibe sonífera? Ela não podia desprezar essa possibilidade. Talvez se tornassem seus pijamas da sorte. Ela sorri sonhadora.

3. Nic tomou leite com biscoito de água e sal. Depois, dentes, xixi e histórias com o papai. Lily, como sempre, dormiu na cama da mãe mamando. Ontem foi transferida com sucesso pro berço. E usou um saco de dormir.

5. Aquecedor ficou ligado a noite toda.”

E assim ela fez. Tirando a história do trator que pilotava o avião e que o Nic queria de qualquer forma que substituísse por um cachorro – veja só, NADA A VER cachorro pilotando avião, dããã! -, tudo o mais foi cumprido na mais perfeita tranquilidade. Às 20:30 ambos estavam dormindo.

A noite prometia.

Ela pega seu livro, 50 Tons de Cinza, que apesar de não achar muito bom, pelo menos não fala sobre filhos e culpa materna, e vai ler. Mas a narrativa é tão repetitiva que depois de duas páginas ela já está com sono. Que personagens mais chatos… A mocinha, vive mordendo os lábios e se enrubescendo por qualquer papel que cai no chão. Diz pelo menos dois holy craps por página. Já ele, é enfadonhamente lindo, másculo, bem dotado, empresário nato, pilota helicóptero, toca piano como ninguém, exímio dançarino, fluente em francês, excelente amante, bilionário que fez sua própria riqueza, filantrópico preocupado com a fome no mundo e como se não bastasse tamanha irrealidade, só tem 26 anozzzzzzz.

Pois após um par de holy craps e stop biting your lip, ela não aguenta e dorme. Não são nem 9 da noite. 1 hora depois ela acorda num sobressalto com um choro alto: era o Nic tendo um de seus pesadelos. Claro que a Lily também acorda. Marido vai ver Nic, ela vai pegar a Lily. Nicolas volta a dormir, Lily mama mas chora intensamente ao ser colocada no berço. Melhor levá-la pra cama deles. Lily fica feliz. Tão feliz que não quer mais saber de dormir e começa a engatinhar pela cama. Senta, dá tchau, bate palma, ri. Holy crap.

Ela se lembra do livro. No desespero, o alcança e pensa seriamente em ler umas páginas daquela história erótica entendiante pra filha – vai que ela dorme? O marido não deixa. Volta com a Lily pro berço. Ela chora. Cantam uma música de ninar. Nada. Massagem. Ela fica quietinha. A mãe para, ela se irrita. Passam ela pro moisés, onde ela quase não cabe mais. Ó! Dormiu! Voltam pra cama. Puxa, que sono! Fecham os olhos, Nicolas acorda de novo “quero papai!!!!”. Rafa vai ver o que é e fica por lá. 2 horas depois, Lily chora querendo mamar, Nic acorda com o choro dela e começa tudo de novo – a “dança das camas“, como muito bem diz minha amiga Celi.

6:30 da manhã: início de um novo dia.

Mal humorada, ela veste sua roupa, troca a Lily (que chora de sono) e veste a roupa no Nicolas (que faz uma super birra porque quer ir de pijama pra escola). Todos descem pra tomar o café-da-manhã. Que droga, justo hoje o marido não deixou a vitamina pro Nic pronta. Ela vai fazer e constata que não tem banana – a vitamina favorita do filho. Vai de abacate mesmo. Ele não toma. Faz mingau pra filha, ela come tudo. “Nic, vai pro banheiro e tenta fazer cocô!” – diz ela. Ele responde que não está com vontade. Ela olha pro relógio: estão atrasados pra escola. Não dá tempo dela mesma tomar café. Faz um chá e leva. Faz frio lá fora – 5 graus. Lily toda encapotada vai pro sling e vão caminhando.

20 minutos depois, chegam na porta da escola. Ela olha pro Nicolas e não acredita. “Não, não, não!!!” Ele tem uma das mãos no bumbum, olha pra ela e grita “cocô, mamãe! tá querendo sair!!!!”. M**da. Vão direto pro banheiro. Ela tira o próprio casaco, tira a Lily do sling, a coloca no chão. Ela chora. Se prepara pra abaixar a calça do filho e constata que ele está de macacão. Droga! “Segura o cocô, Nic! Não faz não!!!” – grita ela desesperada. Lily esgoela. Ela tiro o casaco dele, tira o macacão impermeável, a calça, a cueca e… putz, não deu tempo. Ele senta no vaso, ela pega a Lily e vai buscar a cueca sobressalente na sala de aula. Volta, bota a Lily no chão, que volta a chorar imediatamente, começa a vestir peça por peça no filho. Entra um outro menino no banheiro, que abre um olho desse tamanho, se vira e sai fora. “Melhor”, pensa ela de mal humor.

Finalmente saem do banheiro. Ela, esbaforida, ele, aliviado. Dá um beijo de despedida e entra todo serelepe. “Pelo menos está feliz” – pensa ela. E vai embora caminhando.

No caminho, vai pensando que deve haver alguma maldição pra pobre mãe que consegue dormir uma noite completa, só pode, tamanha a urucubaca! Então tenta fazer as pazes com o Seu Universo. “Uma boa ação por uma boa noite de sono?” negocia ela em pensamento. Então, naquele mesmo dia, ela leva alguns brinquedos pra caixa de doações, faz uma sopa pra amiga que teve bebê e disponibiliza no blog uns desenhos da turma do Sitio do Picapau Amarelo que tinha feito especialmente pra uma atividade com crianças brasileiras no ultimo final de semana.

Agora é com você! Baixe, imprima, divirta-se, divulgue! Ajude uma mãe a espalhar alegria, espantar a urucubaca que lhe cerca e quem sabe dormir melhor!!! 

O que você vai encontrar: um PDF com 9 bonequinhos desenhados pela mamãe insone e inspirados no Sitio do Picapau Amarelo, mas com um detalhe: eles estão todos carecas! Será que seu filho conseguirá encontrar a parte de cima da cabeça de cada um? Imprima, recorte e divirtam-se procurando os pares! Depois façam marionetes pra inventar historias juntos. Tudo o que vocês precisam é do Adobe Reader que pode ser baixado AQUI, material pra imprimir, colorir e muita disposição pra brincar! Se quiser mandar fotos mostrando como ficou, vai ser muito legal!

Imprima e repasse pra quantas pessoas quiser, mas por favor, não deixe de dar os créditos! Ah, e é somente pra uso pessoal, tá? E que ao baixar essas ilustrações, além de muita diversão, você também tenha ótimas noites de sono! 


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E por falar no Nicolas… hoje ele faz 4 anos

Por a gente morar fora, eu sempre fui um pouco apreensiva com a ideia de ser a principal propagadora da língua materna pros meus filhos. Afinal, sou mineira e portanto, uma irremediável decepadora de palavras. Outro dia, passávamos perto de um estacionamento e Nic gritou entusiasmado:

- Mamãe, alá que tan’de carro bunito!

Fechei os olhos, dei de cara com meu âmago e disse pra mim mesma “vixe, agora que o estrago já foi feito, xá pra lá.”

Mas segundo meu marido, a mineirice é o de menos. O problema são mesmo minhas esquisitices. Pois que culpa tenho eu de achar que palavras como “cílios” ou “passas” combinam mais no plural, gente?

- Tem UM CÍLIOS agarrado no meu lápis. (lin-do!)

- Quem pegou A PASSAS que estava no meu pires? (a-ha-so!)

- Fui comendo UM MUFFINS no ônibus. (claro, ataco no inglês também)

Assim que um dos passatempos prediletos meu e do Nic, não podia ser outro: adoramos brincar com o português. Quando estou cozinhando, na hora do banho ou quando saímos pra caminhar. Além de inventarmos várias palavras engraçadas, a gente adora brincar de sufixo.

- Nicolas, quer comer uma panquequícolas? Estão delicícolas! Provícolas!

No que ele me responde:

- Sim, mamãe. Põe duas panquecães! E tem sucãe de maçãe?

E rolamos de rir. Coisas de mãe e fícolas. Histórias pra gente lembrar pra sempre.

E por falar em histórias, taí outra coisa que ele gosta, especialmente da forma que eu tenho contado. Sua preferida é a do Chapeuzinho Vermelho. Só ontem tive que contar 3 vezes! Pra ele, o mais divertido é que eu vou trocando algumas palavras nas histórias, fingindo confusão:

- Era uma vez, Chapeuzinho Cinza. Ó! Não, Chapeuzinho Rosa. Não! Chapeuzinho Vermelho! Ah, agora sim. Pois bem, Chapeuzinho Vermelho ia levando doces pro Lobo Mau. Ó, não! Pros três porquinhos. Não? Ah, sim, pra Cuca! Não? Pra quem então?

Nesse ponto Nic não consegue nem responder, de tanto que ri. Eu simplesmente adoro isso. O único problema é que uma história que poderia ser contada em 5 minutos, dura 20. Mas compensa, especialmente agora, que ele voltou a ir pra escolinha e vamos andando todos os dias pra lá. Tempo pra contar histórias é o que não falta.

(primeiro dia de pré)

E por falar em escolinha, Nic voltou de vez. Nada como esperar o tempo certo da criança. Pra quem acompanhou, ano passado já tínhamos tentado, mas ele chorava demais e todo dia dizia que não queria ir. Por mais que a gente gostasse e acreditasse que aquela escola era ótima, não dava pra ignorar seus apelos. Então resolvemos esperar.

(o quintal da escola)

Hoje, como ele está mais maduro, completamente desfraldado e entendendo e falando várias coisas em inglês, Nic está realmente aproveitando mais. Adora a professora, os amiguinhos, a comida e todas as atividades lúdicas de lá.

E por falar em atividades, sua paixão número 1 é caminhar. Caminha, lidera por trilhas, sobe e desse morros – tudo, enquanto coleciona galhos, pedras e folhas.

Ah! E não deixa um lixo pra trás: “mamãe, não podemos deixar esse lixo aqui. Vamos encontrar um lata pra ele morar?” – me diz ele. Mas quem carrega o lixo sou eu. Engraçadinho.

Além de caminhante inveterado, também tem gostado muito de andar de bicicleta (coisa que não gostava) e adora seu velho e bom taekwondo, assim como as recém iniciadas aulas de natação. Pra nossa surpresa, sua professora, que é canadense, também fala português – tudo porque morou um tempo no Brasil. Mas o mais bonitinho foi ele ter ficado intrigado com o fato dela falar nossa língua: “mamãe, mas como? como ela sabe falar português? me explica?”. Gostei da percepção dele.

Como sempre, ainda ADORA um balanço, mas por outro lado, voltou a ter medo dos escorregadores grandes: “não, hoje não… vou escorregar outro dia” – sempre me diz ele. Mas nunca vai. Tem dia que prefere brincar com a Lily que desafiar um escorregador.

E por falar em Lily, ah… ela é sua paixão. Sempre cuida dela, brinca, faz gracinhas pra ela rir e é muito, muito carinhoso. Tudo bem que ainda reluta em emprestar seus carrinhos, mas tá aí uma paixão que vem de desde muito antes da Lily, né? Não dá pra superar assim em poucos meses. Se Lily está chorando, o Nic para o que estiver fazendo pra ver o que é: “o que é mamãe? ela machucou? tá com sede? com fome? quer que eu dou água pra ela? quer que eu canto música?”. Um amor. Sem dúvida, sua companheirinha favorita.

E por falar em favoritas…

Música? Palavra Cantada, Amor I love you (Marisa Monte), Father and son (Cat Stevens)

Vegetal? Brócolis, muitos brócolis

Frutas? Maçã, uva e kiwi

Comida? Arroz e carne

Bebida? Leite

Café-da-manhã? Panqueca com meladinho (maple syrup)

Veículo? Caminhão de bombeiro

Língua? Português (adora!), mas só brinca falando inglês.

Cor? Verde. Às vezes azul.

Sorvete ou chocolate? Sorvete e chocolate.

Livros? Coleção da Stella and Sam

Desenhos? Stella and Sam, Diego e Toupe and Binou

Amiga imaginaria? Uma trilha.

Principais defeitos? Teimosia e certa dificuldade em obedecer ordens.

Mania? Ao contrário da mãe que jogava suco na comida, Nic adora jogar comida no suco.

E por falar em mania… Nic faz perguntas, mas raramente aceita as respostas. Nunca dormia de meia, hoje não dorme SEM meia. Está sempre se escondendo pela casa e lá do seu “esconderijo ultra-secreto” me grita: “mamãe, pergunta ‘cadê o Nicolas?‘”

E por falar em Nicolas… hoje ele faz 4 anos.

Feliz Aniversário, meu menininho. Te amo muito, do fundo do meu coração!

_____________
Ontem, pra comemorar o ultimo dia do Nic com três anos, postei diversas pérolas dele na fanpage no facebook. Passa lá pra ver!


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sem médico, com a meia furada, mas com filha modelo

Jamais ouse vir ao Canadá e não tirar o sapato ao entrar na casa de uma pessoa. É lei. Eu há muito já me acostumei a isso, só não esperava sair pra caminhar com as crianças outro dia e terminar na casa de uma amiga. Eu olhava pros meus pés e lembrava que cada um levava uma meia diferente. Até aí tudo bem, se uma delas não expusesse meu dedão pra fora de forma deprimente.

- Não, Anna, hoje não vamos entrar não, o Nic tá com fome… a gente tem que ir pra casa.

- Fome? Fiz uma maçã desidratada pra snack hoje que ficou um espetáculo! E tem bolo de banana também..sem glúten! Entra só um pouquinho, vou te mostrar as roupinhas da bebê e a banheira de parto!

Droga, essa não dá pra recusar. Lá vamos nós adentrando a residência recém-faxinada da minha amiga prestes a dar à luz. Eu desconsertada, Lily adormecida, Nic alvoroçado e meu dedão desecapado. Eu tiro os sapatos, nós duas olhamos pra baixo e trocamos um olhar. Ela arqueia uma das sobrancelhas.

- Há quantos dias o Rafa tá viajando?

- 15

- Não preocupa, eu estaria andando de camisola de flanela na rua se estivesse no seu lugar.

E entramos rindo.

* * *

A gente mora num bairro muito bacana, cheio de famílias com crianças pequenas. No início do ano a gente contou e deu 44 crianças abaixo de 5 anos. Hoje já tem mais, pois de lá pra cá devem ter nascido mais uns 8 bebês. E todos com a ajuda de uma midwife (obstetrícia). Daí que outro dia rolou o picnic anual de midwives com as famílias atendidas por elas em toda a cidade. Aconteceu num parque, que logo foi inundado por crianças correndo, mães amamentando, grávidas, práticas de ioga, massagem de graça e muita comida e informação sendo compartilhadas. No caminho eu disse ao Rafa que se alguém quisesse saber quanto a Lily pesava eu não saberia responder.

- Quantas vezes ela já cortou a franja eu sei. Quatro. Ou foram cinco? Tá vendo, nem isso eu sei! Vou saber o peso?

Mas ninguém perguntou, nem ficou falando dessas coisas. Aliás, aqui tenho notado uma tendência geral em se buscar cada vez menos os cuidados médicos pra questões como peso, sono, alimentação ou resfriados comuns. Ou gravidez. Ou amamentação. Pra isso, tem as midwives, as doulas, as consultoras de lactação, o instinto materno. Eu adoro isso! E acho que é um resultado esperado quando se tem informação, senso crítico mais desenvolvido e maior confiança no instinto e na natureza em geral, não? Hey, I’m taking charge here! Eu odeio a ideia da figura do médico como um cavalheiro que chega pra resgatar a mãezinha desesperada ou a grávida cheia de dúvidas e medos, com soluções empacotadas, generalizadas e não raramente, terroristas. (É, ainda tô sob o efeito do excelente documentário “The Business of Being Born” – A Indústria do Nascimento – que eu assisti no último fim de semana).

Claro que os médicos são importantes, mas até que ponto eu preciso deles? Ou a partir de que ponto? Aqui no Canadá pelo menos, parto e amamentação são vistos com respeito pela classe médica, mas por outro lado a GRANDE maioria apoia veementemente práticas como o “cry it out“. Aliás, vivemos uma cultura do deixa chorar, né não gente? É pressão por todos os lados! A ultima vez que levei a Lily a uma consulta de rotina, por exemplo, o médico me perguntou como estava o sono dela. Ela tinha 4 meses e acordava toda noite a cada 2 horas pra mamar. Pois ele, deixando toda sua postura médica e humana num canto qualquer, se virou pra mim e disse “Posso te dar uma sugestão? Deixa chorar. Coloca ela num quarto escuro, fecha a porta e vai tomar um vinho. O quarto escuro vai fazê-la lembrar da sua vida dentro do útero.” Eu fiquei me perguntando que tipo de submundo grotesco e aterrorizante ele acha que o útero é. Daí, quando eu disse que não era adepta da tortura infantil, ao invés dele ficar na dele e parar por ali mesmo, continuou seu blá-blá-blá de vendedor de enciclopédia ruim tentando me convencer que o método é bom pra ela e pros pais. Resultado: saí vazado e nunca mais voltei.

* * *

Por isso mesmo, Lily começou a comer sem pitaco especializado. Aos 8 meses, 50% da alimentação dela é comida sólida e os outros 50% leite materno. Não que eu esteja controlando isso, mas tá saindo assim. Comecei com cereal pra bebê e daí fui oferecendo pedaços de frutas a qualquer hora. É consenso aqui que melhor que suco da fruta é dar a própria fruta (crua ou cozida) em pedaços ou amassada, mais água. O suco destrói as fibras das frutas e deixa a criança com preguiça de comê-las.

Alternadamente, fui dando legumes amassados e como a aceitação foi boa, fui amassando cada vez menos. Hoje, a Lily come arroz integral, feijão, carne desfiada e legumes quase sem amassar. Eu, que passei muito aperto com o Nic, fico deveras impressionada e feliz com tamanha desenvoltura mastigativa da menina. E detalhe: SEM DENTES, hein? Também assisti esse vídeo inspirador do Dr. Carlos González, que me deixou mais segura por estar conduzindo a introdução de sólidos assim, de forma mais solta. Quem indicou foi a Mari. Na hora eu não tinha achado, mas agora vi que dá pra acionar o “CC” (close caption) se precisar de legenda – espanhol ou inglês.

 * * *

No mais, postando essa foto outro dia no Facebook, teve tanta gente falando que ela parecia um bebê de propaganda que resolvi fazer o contrário: uma anti-propaganda. A foto foi tirada poucos dias depois que ela fez 8 meses e estava começando a engatinhar. A cada dia que passa ela engatinha mais, mas ainda está faltando ela se dar conta que pode. Hoje mesmo, ela tirou a bota de lã e jogou lá na casa do chapéu. Mas ao invés de ir atrás, ficou no mesmo lugar resmungando e olhando pra botinha. Eu digo pra ela:

-  Vai lá e pega, florzinha. Não se deu conta que você já está engatinhando não, é?

Ela ri toda manhosa. Mas não sai do lugar.

Tudo bem, modelo de anti-publieditorial pode, né gente? Pelo menos, tirando o sapato desse jeito, ela tá prontinha pra continuar vivendo harmoniosamente no Canadá. Já tá bom. :)

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