O lado cômico da maternidade


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O ginecologista, o primeiro, o segundo e… o terceiro rebento

lily

Eu adoro morar em cidade pequena. Gosto de lugar onde os vizinhos se conhecem e se cumprimentam, levam cookies caseiros um pros outros e até deixam flores na porta da gente num dia de primavera (tem que ser muito fofo pra fazer isso, não?). Gosto da segurança, da tranqüilidade e do ar puro – um privilégio pra quem tem crianças, penso eu.

nic

No entanto, se me perguntarem qual a grande desvantagem de se morar num ovinho com 17 mil habitantes no Canadá, digo sem titubear: o risco iminente e repentino de dar de cara com… um urso? um cougar?

Não gente, meu ginecologista.

Seja no Starbucks, na fila do banco, no correio, no supermercado, ou o que é ainda pior: na festinha de um amiguinho em comum. Já imaginou?

Porque pense comigo: uma coisa é ter um papanicolador que você só encontra no contexto clínico-gineco-hospitalar, faz sua consulta, tchau, até a próxima. Mas outra completamente diferente, é essa mesma pessoa, que se ocupa da saúde de sua periquita e certos aspectos da sua vida sexual, estar inserida no mesmo contexto social, pessoal, festeiro, playgroundeiro, político, econômico e comunitário que você, concorda?

Então, imagina minha cara, quando uma semana após uma consulta onde discutimos métodos contraceptivos e meus motivos pra gostar mais desse ou daquele, trombo com minha querida ginecologista perto da piscina de bolinhas na festinha do little John.

scared

Tá, talvez eu esteja exagerando um pouco na cara. E como não sou dada a exageros (adoro manter tudo bem preciso e real), acho que a cara abaixo está mais condizente.

susto

Pois bem. Fato é que eu quase caí dura e empalhada. Mas como assim, ela conhece o Joãozinho? Então ela também tem filhos, tem vida social? Por que tanta maquiagem, meodeus? Como lidar com o fato dela saber tantas coisas de minha pessoa e eu nada sobre ela? Sobre o que vamos conversar? Posso devolver as perguntas que ela já me fez? É de bom tom chamar meu marido e apresentá-los? Tudo bem se eu me virar e sair correndo?

Mas então, ela me olha, me cumprimenta, esboça um sorriso amarelo, abaixa os olhos, o Rafa chega, ela vira o rosto, finge escutar a filha chamando e sai gritando “I’m coming, sweetheart!“. A partir daí, cuidadosamente conseguimos evitar uma a outra – até o fim da festa. Amém.

Constrangimentos que ninguém pensa em passar antes de se mudar pra uma cidade pequena, né? Pois agora, aprendi minha lição, e desde então, tenho tomado duplo cuidado com encontros inusitados. Seja com ursos, cougars ou ginecologistas.

Agora, esse papo todo me fez lembrar de um assunto relacionado. Quer saber? Comecei a planejar o terceiro filho!

Tá, mentira. Mas outro dia, como se eu não tivesse mais nada pra fazer, resolvi consultar o fazedor de bebês cibernético por curiosidade. Ele usou uma foto minha e do meu marido, juntou genes algaritimicos, fez interpolações avançadas, mesclou fuça de um com nariz do outro e… tcharam!!! Descobri que se for menino, ele tem GRANDES chances de ser assim:

Screen Shot 2013-04-26 at 5.37.58 PM

E se for menina, assim:

Screen Shot 2013-04-11 at 1.01.51 PM

Achei bonitinhos (apesar da boquinha que de tão pequenininha é até menor que o olho), mas nhá… decidi que vou querer mesmo um gatinho, sabe? O Nic, que me pede um ser peludo há 2 anos, vai me agradecer. Marido vai querer me trucidar, mas fazer o que? Acho que tô precisando me ocupar com algo mais, sabe?

Portanto, desculpe você que chegou aqui afoita* porque achou que eu estava grávida. Foi mal!

Mas cá pra nós. Só se eu estivesse completamente insana pra encomendar um terceiro! Vem comigo e observe:

Após 3 anos de Canadá, nos rendemos e arranjamos uma ajuda pra limpar a casa a cada duas semanas. No entanto, após 5 meses de trabalho, não mais que de repente, a moça nos deu o cano e terminou nossa relação trabalhística. Por celular. Mensagem de texto. Essa agora é a tendência, pessoas? As relações chegaram mesmo a esse ponto?

Pra completar, meu primogênito decidiu que de agora em diante eu TENHO que ver absolutamente TUDO o que ele faz, mesmo que seja algo completamente inútil. Da última vez (30 minutos atrás), queria que eu o observasse realizando a incrível façanha de pular sobre um carrinho de ( ) 1 metro, ( ) 30 cm, (x) 1 cm de altura. Isso mesmo. Inicialmente, ele pulava normalmente (aqui, mamãe!), depois colocando uma mão na cabeça (olha, mamãe, olha!), depois pulava com um pé só, de lado, de frente, de costas – de novo, de novo e de novo. Quando eu já não aguentava mais me virar pra ver a mesma cena tantas vezes, lhe disse pacientemente “já vi, querido, achei fascinante, mas agora estou ocupada, tá bom?”, no que a pessoinha diz “não viu não, mamãe! Você não me viu pulando o carrinho com a mão na testa. Olha, mamãe, olha!”. Isso o dia todo, todo dia.

Já quando esta mesma criança não está me chamando, ela está caindo em cima da irmã de propósito. Ou a empurrando, ou pondo o pé na frente quando ela está passando, ou roubando o copo de água da mão dela, ou a fruta, ou o brinquedo. Tudo coisa legal e bacaninha. Claro, também rolam os abraços, os beijos, e momentos em que brincam junto bem bonitinho mesmo, mas, invariavelmente também acabam em choro.

“Ah, mas menino é assim mesmo. Felizmente, a caçula ainda tá muito pequeninha pra aprontar, né Lu?” Você, ingenuamente me pergunta. Pois espero que somente as cenas seguintes lhe sirvam de resposta, meu caro leitor:

lily1
(Março de 2013)
album
(álbum do Nic mostrando umas das poucas vezes que ele “aprontou”, rasgado em Março de 2013)
lily2(minha gaveta de roupas sendo organizada e migrada pro outro lado da casa, Abril de 2013)
lily4
(ataque à caixa de tintas do Nic, hoje, poucas horas atrás)

Tá bom, ou quer mais? Ah sim, também tem o caso do chocolate, claro! E se quiser um video, então fica com esse aqui, bem rapidinho pra fechar com chave de ouro. Favor não reparar que ele foi gravado na vertical, na falta de edição e na bagunça do quarto. Só não deixe de reparar na altura da cama. Sem mais.

(Lily, 14 meses, pouco antes de tomar banho)
Aceito abraços solidários. Obrigada. :)

* desculpe, não quis desprezar meus leitores homens, mas é que não consigo imaginar nenhum chegando aqui ‘afoito’ com a possibilidade de mais um bebê, não? To errada?


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sem médico, com a meia furada, mas com filha modelo

Jamais ouse vir ao Canadá e não tirar o sapato ao entrar na casa de uma pessoa. É lei. Eu há muito já me acostumei a isso, só não esperava sair pra caminhar com as crianças outro dia e terminar na casa de uma amiga. Eu olhava pros meus pés e lembrava que cada um levava uma meia diferente. Até aí tudo bem, se uma delas não expusesse meu dedão pra fora de forma deprimente.

- Não, Anna, hoje não vamos entrar não, o Nic tá com fome… a gente tem que ir pra casa.

- Fome? Fiz uma maçã desidratada pra snack hoje que ficou um espetáculo! E tem bolo de banana também..sem glúten! Entra só um pouquinho, vou te mostrar as roupinhas da bebê e a banheira de parto!

Droga, essa não dá pra recusar. Lá vamos nós adentrando a residência recém-faxinada da minha amiga prestes a dar à luz. Eu desconsertada, Lily adormecida, Nic alvoroçado e meu dedão desecapado. Eu tiro os sapatos, nós duas olhamos pra baixo e trocamos um olhar. Ela arqueia uma das sobrancelhas.

- Há quantos dias o Rafa tá viajando?

- 15

- Não preocupa, eu estaria andando de camisola de flanela na rua se estivesse no seu lugar.

E entramos rindo.

* * *

A gente mora num bairro muito bacana, cheio de famílias com crianças pequenas. No início do ano a gente contou e deu 44 crianças abaixo de 5 anos. Hoje já tem mais, pois de lá pra cá devem ter nascido mais uns 8 bebês. E todos com a ajuda de uma midwife (obstetrícia). Daí que outro dia rolou o picnic anual de midwives com as famílias atendidas por elas em toda a cidade. Aconteceu num parque, que logo foi inundado por crianças correndo, mães amamentando, grávidas, práticas de ioga, massagem de graça e muita comida e informação sendo compartilhadas. No caminho eu disse ao Rafa que se alguém quisesse saber quanto a Lily pesava eu não saberia responder.

- Quantas vezes ela já cortou a franja eu sei. Quatro. Ou foram cinco? Tá vendo, nem isso eu sei! Vou saber o peso?

Mas ninguém perguntou, nem ficou falando dessas coisas. Aliás, aqui tenho notado uma tendência geral em se buscar cada vez menos os cuidados médicos pra questões como peso, sono, alimentação ou resfriados comuns. Ou gravidez. Ou amamentação. Pra isso, tem as midwives, as doulas, as consultoras de lactação, o instinto materno. Eu adoro isso! E acho que é um resultado esperado quando se tem informação, senso crítico mais desenvolvido e maior confiança no instinto e na natureza em geral, não? Hey, I’m taking charge here! Eu odeio a ideia da figura do médico como um cavalheiro que chega pra resgatar a mãezinha desesperada ou a grávida cheia de dúvidas e medos, com soluções empacotadas, generalizadas e não raramente, terroristas. (É, ainda tô sob o efeito do excelente documentário “The Business of Being Born” – A Indústria do Nascimento – que eu assisti no último fim de semana).

Claro que os médicos são importantes, mas até que ponto eu preciso deles? Ou a partir de que ponto? Aqui no Canadá pelo menos, parto e amamentação são vistos com respeito pela classe médica, mas por outro lado a GRANDE maioria apoia veementemente práticas como o “cry it out“. Aliás, vivemos uma cultura do deixa chorar, né não gente? É pressão por todos os lados! A ultima vez que levei a Lily a uma consulta de rotina, por exemplo, o médico me perguntou como estava o sono dela. Ela tinha 4 meses e acordava toda noite a cada 2 horas pra mamar. Pois ele, deixando toda sua postura médica e humana num canto qualquer, se virou pra mim e disse “Posso te dar uma sugestão? Deixa chorar. Coloca ela num quarto escuro, fecha a porta e vai tomar um vinho. O quarto escuro vai fazê-la lembrar da sua vida dentro do útero.” Eu fiquei me perguntando que tipo de submundo grotesco e aterrorizante ele acha que o útero é. Daí, quando eu disse que não era adepta da tortura infantil, ao invés dele ficar na dele e parar por ali mesmo, continuou seu blá-blá-blá de vendedor de enciclopédia ruim tentando me convencer que o método é bom pra ela e pros pais. Resultado: saí vazado e nunca mais voltei.

* * *

Por isso mesmo, Lily começou a comer sem pitaco especializado. Aos 8 meses, 50% da alimentação dela é comida sólida e os outros 50% leite materno. Não que eu esteja controlando isso, mas tá saindo assim. Comecei com cereal pra bebê e daí fui oferecendo pedaços de frutas a qualquer hora. É consenso aqui que melhor que suco da fruta é dar a própria fruta (crua ou cozida) em pedaços ou amassada, mais água. O suco destrói as fibras das frutas e deixa a criança com preguiça de comê-las.

Alternadamente, fui dando legumes amassados e como a aceitação foi boa, fui amassando cada vez menos. Hoje, a Lily come arroz integral, feijão, carne desfiada e legumes quase sem amassar. Eu, que passei muito aperto com o Nic, fico deveras impressionada e feliz com tamanha desenvoltura mastigativa da menina. E detalhe: SEM DENTES, hein? Também assisti esse vídeo inspirador do Dr. Carlos González, que me deixou mais segura por estar conduzindo a introdução de sólidos assim, de forma mais solta. Quem indicou foi a Mari. Na hora eu não tinha achado, mas agora vi que dá pra acionar o “CC” (close caption) se precisar de legenda – espanhol ou inglês.

 * * *

No mais, postando essa foto outro dia no Facebook, teve tanta gente falando que ela parecia um bebê de propaganda que resolvi fazer o contrário: uma anti-propaganda. A foto foi tirada poucos dias depois que ela fez 8 meses e estava começando a engatinhar. A cada dia que passa ela engatinha mais, mas ainda está faltando ela se dar conta que pode. Hoje mesmo, ela tirou a bota de lã e jogou lá na casa do chapéu. Mas ao invés de ir atrás, ficou no mesmo lugar resmungando e olhando pra botinha. Eu digo pra ela:

-  Vai lá e pega, florzinha. Não se deu conta que você já está engatinhando não, é?

Ela ri toda manhosa. Mas não sai do lugar.

Tudo bem, modelo de anti-publieditorial pode, né gente? Pelo menos, tirando o sapato desse jeito, ela tá prontinha pra continuar vivendo harmoniosamente no Canadá. Já tá bom. :)


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No Canadá, Lu Azevedo fala da plenitude que é ser mãe – Entrevista Exclusiva

Há pouco mais de um ano eu dei uma entrevista exclusiva e cheia de gramur pra Revista Caras. Pois agora, olha só quem me procurou? A Quem!

- Quem???

Pois é, foi exatamente essa minha reação.

Ah, outra coisa. O leitor assíduo talvez note que eles erraram ao transcrever minha idade. Não é 27, é 26 viu, gente? :)

Enjoy!

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*

Radiante com a chegada da caçula Lily, Luciana conta como é a vida de mãe no Canadá e sobre como perdeu os quilos após a gravidez.

A ilustradora e ex-geóloga Lu Azevedo (27) está vivendo um momento pleno em sua vida e revela com lágrimas de emoção como é maravilhoso ser mãe de Nicolas (3) e Lily (2 meses), frutos da feliz união com o geólogo Rafael (32). “Gerar vidas é uma espécie de milagre”, declara ela. Mas nem tudo são flores e ela conta que atualmente o marido tem viajado bastante a trabalho. “Essa é a parte mais difícil. Como a maioria das famílias daqui, também não temos empregada nem babá. Dar conta de tudo sozinha quando ele viaja tem sido meu maior desafio”, desabafa ela. “Minha sorte é que aqui já fiz grandes amigos que estão sempre tentando ajudar de alguma forma”.

>>De bem com o espelho

Apesar da correria, a ilustradora não descuida do visual. Usando um wrap dress preto, ela conta que o vestido-envelope é a melhor opção pra mulher que acabou de ter filho, pois além de facilitar a amamentação com o decote em “V”, ainda tem a vantagem de disfarçar a barriguinha que sobrou e valorizar a cintura. “Tenho sorte de já ter perdido quase todos os quilos que ganhei na gravidez. Os quilos à mais agora estão aqui e aqui ó”, conta ela aos risos apontando pra barriga e pros seios cheios de leite. Ela também garante que o grande segredo pra se perder peso além de amamentar, é não ter babá. “Não tenho outra opção senão viver correndo atrás do Nicolas”.

>> Mudança pro Canadá

Já no próximo mês de Maio a família completa dois anos que trocou o calor da Australia pelos invernos rigorosos do Canadá. “Mudar pro Canadá foi uma decisão totalmente pessoal, minha e do meu marido. A gente adora morar aqui. O clima é frio, mas as pessoas não, elas são super amigáveis e calorosas”, conta ela com entusiasmo lembrando que no dia que se mudaram os vizinhos bateram na porta trazendo um bolo caseiro de boas vindas. “Parecia coisa de filme”, comenta ela.

>> Como é ser mãe no Canadá

Luciana também conta, que bem diferente do Brasil, no Canadá não existe a cultura de se fazer lembrancinhas pras pessoas que vão visitar o bebê. “Aqui ninguém está preocupado com isso, o que é um grande alívio pra mim! Senão de onde eu iria tirar tempo pra fazer tanta coisa?”, completa ela bem humorada. Luciana também conta que uma prática muito comum na vizinhança onde mora são os amigos se oferecerem pra levar uma refeição nas primeiras semanas que a mulher tem o bebê. “Fiz uma sopa super nutritiva pra uma amiga que teve filho antes de mim e depois ela retribuiu com uma travessa de lasanha. Fiquei dois dias sem precisar cozinhar”, lembra com um sorriso.

Outra diferença marcante são os presentes. “Com o nascimento da Lily ganhamos vários livros, brinquedos e até roupas dos amigos que já tinham sido usadas pelos próprios filhos deles”, revela com admiração. “Achei muito legal, pois sou super a favor do consumo consciente. Pra que comprar tudo novo se as crianças crescem tão rápido? Não faz sentido”, completa. Luciana também conta que outra coisa que ela gostou, foi a forma considerada como muitas pessoas entregaram seus presentes. “Eles simplesmente deixavam o embrulho na nossa porta. Fizeram isso pra não incomodarem mãe e bebê. Achei super bacana”.

1. Mais alguma curiosidade de se ter filho no Canadá?

Uma coisa que ando reparando é que raramente encontro meninas com orelha furada aqui, sabe? Aliás, em geral é até difícil diferenciar meninas de meninos, pois além da falta do brinco, a maior parte das meninas pequenas daqui também não costumam usar muitos enfeites e babados. Várias vezes cheguei a perguntar qual é o nome “dele” e era menina.

2. A Lily não tem brinco. Você pensa em furar a orelha dela?

Não. Todo mundo fala que não dói, mas não sei… E tive tanto problema de inflamação na orelha mesmo usando brinco de ouro, que prefiro não arriscar. Acho também que não furaria a orelha dela somente em nome da estética e pra identificá-la como menina. Cada mãe sabe o que faz, mas eu não ligo muito pra isso. Prefiro colocar uma tiara, um lacinho, sei lá. E o brinco fica pra quando a Lily for maior e decidir que quer um.

3. E como é o sistema médico no Canadá?

Excelente! Só tem algumas peculiaridades… Aqui por exemplo, eles nunca entregam os resultados de exame diretamente ao paciente. Eu mesma não tenho nenhum dos exames que fiz durante minha gravidez e curiosamente, nem mesmo um ultrassom particular que eu decidi fazer por conta própria. Todos os resultados sempre foram encaminhados pra minha midwife (parteira). Outra diferença do Brasil, é que aqui ninguém consegue consulta com um médico especializado sem antes passar por um clínico geral (GP) e este aceitar encaminhar o paciente. Pediatra por exemplo, é coisa rara. Nenhuma criança tem acompanhamento mensal com pediatra como é no Brasil e muito menos se consegue o número do celular dele! O pediatra só entra em cena se a criança tiver uma condição médica que exija mais cuidados.

Eu, como decidi fazer meu pré-natal e parto com uma midwife, foi ela também que acompanhou a Lily nas primeiras 6 semanas de vida. E foi um acompanhamento mais que especial. Durante as duas primeiras semanas as consultas foram na minha casa e eu não tive que pagar nem um centavo por isso. Ela veio quantas vezes eu precisei, me deu total ajuda na amamentação, suporte emocional (afinal eu chorava sem nem saber porque…), pesava a Lily e tudo o mais que fosse necessário. Depois das 2 semanas, eu é que tinha que ir ao consultório dela. E depois de 6, as consultas passaram a ser mensais e com um clínico geral, no caso, nosso médico de família.

4. Sendo agora mãe de segunda viagem, foi mais fácil segurar um recém-nascido, dar banho e coisas assim?

Tudo é mais fácil, mas juro que achei que não fosse saber mais nada. (risos) Pensei isso porque uma semana antes da Lily nascer, passei a maior vergonha segurando o bebê de uma amiga de forma totalmente desajeitada. Mas rapidinho a gente aprende de novo. Agora pra dar banho, dessa vez foi totalmente diferente. Com o Nicolas, tive até que assistir vídeo na internet pra saber como segurar o bebê, (risos) já que não tinha ninguém pra me ajudar, mas desta vez uma enfermeira no hospital nos mostrou como fazem aqui. Por causa do frio, costumam enrolar o bebê todo na toalha e começam lavando o rosto e o cabelo com um paninho. Depois colocam o bebê na banheira, muitas vezes ainda enrolado na toalha pra não traumatizar. (risos) Eu fiz assim até pouco tempo atrás. Outra coisa é que aconselharam dar banho um dia sim outro não, pra não tirar a oleosidade natural e ressecar a pele do bebê. Sem falar que recém-nascido não fica sujo, né? Só fazer uma limpeza nas partes baixas e tá tudo bem.

5. E como o Nicolas tem lidado com a chegada da irmã?

No início, uma beleza, até mesmo quando minha mãe foi embora. Mas hoje em dia voltou a usar fraldas por estar tendo muitas escapadas de xixi e infelizmente tem ficado cada dia mais manhoso também, chorando por qualquer coisa. Tem sido desgastante, mas a gente sabe que é uma fase, que é normal e estamos fazendo de tudo pra ele se sentir querido e parte essencial da família.


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E aí Nic, tem dormido bem ultimamente?

Eu? Hmmm… Deixa eu ver…

Na minha opinião sim, afinal, eu durmo quase duas horas seguidas toda noite sem acordar nenhuma vez! Mas mamãe diz que isso é muito, muito pouco… Eu já até decorei as palavras dela (e que eu não faço a menor idéia do que significam): “Nic, meu bem, o ideal pra manter minha sanidade mental e beleza epidérmica seria você dormir oito horas direto toda noite – pelo menos!” Daí que pra piorar, outro dia a gente estava num parquinho, e eu adoro parquinhos, sabe… Lá tem  um escorregador grandão, tem vários balanços, tem uma ponte pra sub…

Hm, hm! Mas daí, Nic, você estava dizendo…

Ah, sim! A gente estava num parquinho e ela conheceu uma mulher que contou pra ela que os dois filhos dormiam 12 horas seguidas desde os 6 meses de idade. Depois disso, de repente já estávamos a caminho de casa, mamãe andando rápido e resmungando algo como “que mulher antipática”. Sinceramente, eu não entendi nada…

Daí nos últimos dias eu senti que ela estava ficando realmente preocupada, pensando se eu estaria acordando muito por causa de algum problema de saúde. Engraçado que eu sei tudo o que ela pensa, porque ela fala tudo em voz alta, como se estivesse conversando comigo… Essa mamãe… E depois disso, ela me disse que por desencargo de consciência, que seria melhor a gente visitar o doutor.

Pois se tem um lugar nesse mundo que eu não gosto é consultório médico. Prefiro mil vezes ir ao parquinho. Afinal, lá no médico não tem corda pra subir, não tem escorregador em espiral, não tem túnel pra passar dent…

Hm, hm! Nic! Mantenha o foco!

Ah, sim! Pois eu ia dizendo, que então a gente foi no doutor. Mamãe contou pra ele que eu estava acordando umas 5 vezes toda noite, que eu começava minhocando muito, depois soltava uns gemidos tipo “êh! êh! êh!” e chorava. Então ele me analisou, colocou um negócio frio nas minhas costas, apalpou minha barriga, abriu meus olhos, minha boca e todas aquelas  coisas que eu não gosto. Daí perguntou pra mamãe se eu comia bem, se eu brincava feliz, ela disse que sim, então ele falou que eu não tinha nada.

- Nada? – Perguntou mamãe sem acreditar – Então porque ele acorda tanto e chorando? Doutor, será que ele não tá com verme não? A gente fez uma viagem longa e tomou todo tipo de água por aí. Na minha infância, todo mundo tinha verme e eu até tinha um amigo com o apelido de Oxiúrus!

Hahaha! Eu achei aquela palavra tão engraçada!!! E acho que o doutor também, por que ele riu pela primeira vez.

- Pois os tempos mudaram, madame… é muito pouco provável que ele  tenha verme… – falou o doutor – … talvez seja terror noturno.

- Não… Eu já pensei nisso, mas ele não acorda com jeito apavorado, não tem aquela típica expressão de medo, sabe?

- E dentes nascendo?

- Também não, nem sinal dos molares.

- Então ele talvez esteja passando por ansiedade de separação, afinal nessa idade ele já não dorme mais com os pais e …

- Pois ele dorme… – interrompeu mamãe.

- Ahn? Dorme?

- É… ele já estava dormindo no berço, mas daí veio a mudança pro Canadá, largou a chupeta, depois ficou gripado, o pai começou a viajar muito… então voltou a dormir comigo… Sabe como é né, Doutor? São mudanças demais pra um menininho…

Nessa hora, eu vi que o médico ficou com a testa toda enrugada. Mamãe diz que isso é coisa da ‘expressão pensativa’. E como mamãe também iria se consultar com ele, (é… mamãe me contou que no Brasil tem um médico pra crianças e outro pra adultos, mas que no Canadá são os mesmos pra todo mundo) ele pediu a ela pra sentar na maca.

E quando mamãe se sentou e eu fiquei no chão em pé, me deu tanta vontade de ir pro colo dela… e uma vontade de chorar tão grande, que eu acabei chorando mesmo. Chorei e pedi colo, mas mamãe disse que eu tinha que esperar um pouquinho. Então eu continuei chorando e cada vez mais alto… Eu não conseguia controlar. E parece que ela não iria descer nunca… Até que ela desceu, me pegou e voltei a ficar feliz.

Daí o doutor disse que depois daquela cena (que cena? será que ele também não faz isso pra ir pro colo da mãe dele?), só podia mesmo ser ansiedade de separação e que se ela não tomasse cuidado, poderia ficar crônica. Daí quem ficou com a testa enrugada foi mamãe.

E como naquela noite eu dormi outra vez com ela, e continuei acordando muito porque não bastava estar perto dela, eu queria ainda segurar a mão da mamãe, ela falou que a partir da próxima noite a gente começaria a transição pro berço, pra eu me desapegar um pouco e ficar mais independente.

Bom, pois hoje, já faz cinco dias que eu tô dormindo no meu quartinho. Até que tá legal ter um espaço só pra mim, poder dormir com minha colcha de carros, meus carrinhos e a Moey.

Mas eu ainda continuo acordando, porque ainda sinto falta da mamãe de noite, mas daí ela vem, fica comigo pra eu dormir de novo e às vezes até me leva pra cama grandona. Ela falou que a transição tem que ser gradual. Eu gosto desse jeito da mamãe. E noite passada, mamãe estava toda feliz, porque eu passei a noite completa no bercinho e dormi MUITO melhor. Disse até que eu merecia uma estrelinha de prêmio. Então eu falei que ao invés de estrelinha, que tal se ela me levasse no parquinho? Afinal, lá eu posso subir naquelas escadas de tubos metálicos, descer no escorregador ondulado, subir no cavalinho metálic…

Hm, hm! Nic!

Ah sim! Tenho que terminar logo esse depoimento senão o post fica muito longo e mamãe disse que as pessoas ficam com preguiça de ler. Mas eu só queria contar, que o papai voltou de viagem e agora ele também me leva ao parquinho! Ontem a gente foi num que tinha o chão todo de areia e uma casinha bem legal pra brincar lá dentro. E tinha uma moto de brinquedo e uma escada de espiral pra sub….

Tá bom Nic. Cê tá liberado. Vamos lá que eu te levo pro parquinho.


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Essa tal de Lei de Newton

Conto ou não conto? Conto ou não conto? Vou contar.

Outro dia eu cai na rua. Cai mesmo, de me espatifar toda. Eu usava uma sandália com uma sola bem lisa, daí pisei numa folhinha minusculinha, porém molhada, aí já viu né? Caí. O Rafa estava comigo e me ajudou a levantar. O Nic estava no carrinho e não testemunhou um dos grandes segredos da humanidade: mães também caem. E um casal que vinha na nossa frente riu sem dó. Por uma semana fiquei com um roxo no equipamento traseiro e com um dos pés ralados, mas passou. Só o que não passou, foi o medo de andar nessas calçadas cheias de folhinhas de maple tree e cair de novo.

Coisa que não acontece com criança, né?

Domingo passado a gente estava num playground onde uma menina de uns 5 anos subia e descia umas escadas em várias posições esquisitas. Ela fazia uma cara de malzona e ficava arqueando as pernas e os braços enquanto subia de ré e descia de frente. Após alguns minutos contemplando aquela figura, fui entender que ela estava se fazendo de aranha e achei até bem razoável, se não fosse o Nicolas querendo fazer a mesma coisa que ela.

Ele ficou de quatro e começou tentando subir com as pernas primeiro, no entanto diante da dificuldade, desistiu e subiu os degraus de frente, igual gato, e na mesma posição ele continuou pra descer de volta.

- Ô, ô, ô! Não, não, Nic, tem que descer com as perninhas primeiro, como você já sabe – corri eu tentando evitar uma catástrofe.

Ele aceitou, embora tenha continuado olhando pra pequena spidergirl na escada ao lado com ar de impressionado.

- Uaaaahhh! I’m a spider! – repetia ela.

De repente, eu, distraída por aquela mistura de aranha com pequena leoa, só escuto o barulho do Nicolas caindo escada abaixo… Não é que ele, tentando descer de cabeça de novo, não deu duas cambalhotas completas nos degraus? Daí, arranhou a testa e as costas e chorou por uns cincos minutos direto – aquele choro sofriiiiido, agarradinho no meu colo. Até que do nada ele parou, olhou pra menina-aranha ainda “aranhando”, virou pra mim e disse “mais subir escada!”. \o/

* * *

E hoje, a gente passeava na calçada ao longo da orla, eu empurrando o carrinho vazio e Nic andando ao meu lado. Sim, porque agora não quer saber de carrinho sempre não, diz que quer “mais andar” (acho que ele sentiu que tem algumas cenas que ele perde se fica só no carrinho… só pode ser isso…).

Só que de andar, passou a correr e de tanto correr, caiu. Quando cheguei perto, tinha sangue na boca toda.  Pela quantidade de sangue, nunca iria imaginar que fosse um corte tão pequeno no lábio. Depois de chorar muito e eu limpar o sangue, juro que pensei que ele fosse querer ir pro carrinho, mas ao contrário saiu correndo de novo, como se nada tivesse acontecido.

* * *

E pra completar a temporada de quedas livres, chegamos em casa e o Nicolas entrou numa de “monkey business”. Sobe lá, pula aqui, pendura ali e pronto: caiu de novo. Só que desta vez bateu o queixo no parapeito da janela e cortou bastante. Improvisei um curativo e levei ele correndo na farmácia mais próxima, todo pingado de sangue.

Chegando lá, me disseram que a farmacêutica estava ocupadésima, então me deram um treco que buzinaria quando ela estivesse disponível. Ao som da buzina, 10 minutos depois, fui ter com a farmacêutica, que não aceitou nem sequer dar uma olhada nele, nem mesmo pra falar se o corte carecia de uns pontos ou só o curativo resolvia.

Voltei pra casa com o coração na mão, pensando se seria negligência minha não levá-lo a um hospital, mas acabei decidindo dar um banho nele e trocar o curativo pra ver como estava o corte. Como era de se esperar, ele não queria que eu tirasse o curativo de jeito nenhum, com medo de doer. Daí com jeitinho eu fui tirando e falei “viu? mamãe tirou!”. Ele deu um sorriso e levou a mão no queixo na mesma hora. Ao sentir o corte e o sangue saindo de novo, começou a chorar falando “mamãe tirou não, tirou não”.

Daí eu percebi que ele tinha achado que eu tivesse tirado o machucado e não o curativo… Tadinho!!! Me deu até um aperto no coração de ver tamanha inocência… E depois disso, fomos pra sala e assistimos Shrek juntos, ele abraçadinho no meu pescoço o tempo todo.

Bom, agora ele está dormindo e felizmente o corte parou de sangrar. Espero que eu tenha tomado a decisão certa e que a pele dele se regenere rápido. Amanhã dou notícias, especialmente pro papai que deve estar super preocupado.

Beijos…

E no dia seguinte…

Primeiro, obrigada pelos recados solidários e dicas. Valeu mesmo! Por aqui, parece que tá tudo bem. Troquei o curativo hoje cedo e o corte ainda está meio aberto, mas começando a cicatrizar. Me dá um nervoso danado de ver… Pelo visto acho que o Nic deve ganhar sua primeira cicatriz.

Agora, enquanto eu fico aqui com meu trauma de quedas, Nic não quer nem saber e continua subindo em tudo e correndo sem olhar onde pisa. E viva a infância!

Nariz arranhado, lábio superior machucado, queixo detonado, roupa (que já tinha sido trocada) suja de sangue... mas ele ainda dá sorrisinho pra tirar foto!


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Primeira semana, novos olhares, corte de cabelo

Mal posso acreditar que já faz mais de uma semana que a gente chegou aqui. Felizmente já conseguimos todas as coisas básicas que um residente precisa, incluindo encontrar um médico e dentista pra família, coisas normalmente dificílimas de conseguir em Vancouver. Pra ter uma idéia até mesmo a nossa médica disse que levou meses pra conseguir um médico pra ela!! Olha só que doidera… E pra você entender, aqui é assim: todo mundo normalmente tem um só clinico geral pra família, que quando necessário, vai encaminhar o membro “necessitante” pra um especialista.

E a gente só conseguiu a proeza de encontrar um logo na primeira semana, graças à boa vontade de outros brasileiros que já passaram por tudo isso e nos passaram tuuuuudo mastigadinho… Obrigada Sandro e Illie!

Felizmente também já conseguimos um lugar pra ficar. A gente só não mudou pra lá ainda pois estamos esperando desocupar. Enquanto isso, Nicolas não tá nem aí. Já vimos que qualquer casa pra ele tá bom, desde que tenha várias coisas pra mexer e explorar. (E incrivel a habilidade que ele desenvolveu de se localizar bem nos cômodos de qualquer casa!).

A gente só não tem ainda nossas coisas que foram despachadas da Australia pra cá e já não aguentamos mais usar as mesmas roupas que usamos a viagem inteira! Aaaahhh!!! Também estamos lutando contra o instinto consumista de sair comprando outras novas, afinal a gente tem roupa, só falta ir na alfândega buscar (amanhã é o dia!). Só quem tem roupas novas é o Nic, que não pára de crescer (graças à Deus!) e portanto suas roupas que trazemos já não lhe servem mais.

* * *

Também nesta semana me dei conta como nosso olhar pras coisas mudam quando temos filho. A primeira vez que estivemos em Vancouver foi há 3 anos atrás. Lembro de termos ido numa pequena ilha chamada Granville Island, onde voltamos com o Nic no último final de semana. Levei um susto ao ver bem na entrada um grande mercado só pra crianças (Kids Market), com brinquedos artesanais, roupas infantis, vários playgrounds, carrinhos pra dirigir, etc  e na frente um grande gramado com um parquinho. Isso sempre esteve lá, mas passou totalmente desapercebido pra mim na primeira vez, de quando eu só tinha lembranças dos restaurantes e bares!

* * *

E foi nesse Kids Market onde também encontramos um salão de beleza só pra crianças. Vi os olhos do Nicolas brilharem *tlim, tlim, tlim* ao verem que os assentos eram carrinhos super legais com volantes pra ele dirigir. Respiramos aliviados ao pensar que finalmente o corte de cabelo já não seria mais aquela tortura pra ele, nem pra gente.

Bom, isso, até um minuto depois.

Foi só a mulher começar a cortar o cabelo dele que ele esqueceu carrinho, volante, buzina, cookie e nem quis saber da mamãe pagando mico na frente de todo mundo pra cantar e fazer a coreografia de “Nicolas sapeca e o macaco bizarro”, música de autoria dela e que ele tanto gosta(va).

E assim, pela terceira vez Nicolas teve seu já tradicional corte em zig-zag, o qual ele não deixa ser aparado nem mesmo pela gente.

Então nos resta seguir assim, fazendo história pelos salões de beleza do mundo todo…


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We love Melbourne!

 

Se a gente já não estivesse indo morar numa cidade super-ultra bacana, acho que teríamos ficado por Melbourne mesmo. :-) Lá tem tudo o que a gente gosta e mais (tanto gostamos que Melbourne ganhou dois posts!). Foi ótimo nos embrenhar por ruazinhas estreitas cheias de gente, pubs, cafés, boutiques e brechós que nos lembravam Paris e de repente sair numa ampla avenida com prédios vitorianos e modernos em uma mistura perfeita e vários artistas de rua fazendo suas performances nas calçadas.  Melbourne nos deixou a impressão de ser uma cidade cheia de vida, segura, organizada e com pessoas realmente amistosas e prestativas.

E apesar de estarmos viajando com uma criança de 17 meses, fizemos praticamente tudo o que tínhamos em mente. O Nicolas definitivamente nasceu pra viajar. Bom, na verdade tem uma condição: pra ele aproveitar a viagem, tem que estar exposto o tempo todo a veículos motorizados, senão ele estressa. Mas só descobrimos isso quando fomos a um grande mercado, o Queen Victoria Market, com várias coisas legais e coloridas pra ver, mas sua carinha só se iluminou de novo quando botamos o pé fora do mercado e ele finalmente viu carros, bondinhos, ônibus e motos outra vez. E como em cidade grande carro não é problema, ele ficou 99% do tempo feliz.

Quer dizer, tirando alguns imprevistos…

  • Há uma semana atrás lá em Kalgoorlie, o Nic foi picado por algumas formigas numa das mãozinhas. Ficou vermelho, coçou um pouco, mas no momento que parecia melhorar, o negócio inflamou e voltou a coçar tanto que ele não conseguia mais dormir direito. Assim, acabamos levando ele a um médico aleatório, cujo nome nos causou um ótimo feeling: Dr. Green. O médico, muito simpático e jovial, usava uma camisa pólo marrom com a gola toda levantada (aqui não usam jaleco branco), brincou bastante com o umbigo do Nic (que a principio ficou meio desconfiado, mas acabou gostando), ficou super interessado na nossa vida de viajantes, deu uma olhadinha despreocupada nas picadas e acabou receitando uma pomada usada pra infecção de ouvido. Mas hein? Estranho ou não, fato é que depois de dois dias, a pomada realmente funcionou e agora só tem uma marquinha das picadinhas.
  • E como tem se tornado praxe, Nicolas, ao invés de ficar sentado ou deitado, só quer ficar em pé e andar encima da cama, de um lado pro outro. Resultado de uma dessas andanças: ele caiu entre a cama e o criado mudo. O Rafa foi super ágil pra resgatá-lo, mas o Nic já tinha cortado o lábio e estava com a boca cheia de sangue. Foi assustador, mas três dias depois já não tem nem marca.
  • E pra completar, eu, mãe avoada que sou, deixei minha caneca de chá a uns 10 cm da beirada da mesa enquanto fui pegar alguma coisa. Nic, garoto esperto que é, avistou a caneca com seu radar supersônico e na pontiiiiiiinha dos pés conseguiu alcançá-la. Resultado: entornou o chá todo na sua cara e peito. Ele chorou muito, muito, muito. Lavamos ele rapidamente com água fria e pra nossa sorte, eu não bebo chá realmente quente, então felizmente não houve queimadura alguma. E aprendi a lição: continuo a tomar chá bem morninho. Ah sim! E nada de deixar na beirada da mesa, é claro! :-)

Além disso, a viagem também tem sido uma descoberta de novos sabores pro Nicolas, que provou pela primeira vez sorvete e torta de chocolate. Foi pouquinho, mas o suficiente pra deixá-lo elétrico!

No mais, estamos todos bem e felizes por estar viajando e descobrindo um novo lado da Australia. Aqui vale lembrar que a gente morava na roça australiana, né gente! :-)

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Nossa primeira Garage Sale

Bye, bye Australia


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Catching up

E chega 2010! Desejo pra todos, que esse seja um ano com noites bem dormidas, saúde pra toda a família e muitas gargalhadas de criança pela casa (pra quem tem criança, é claro…).

Mas antes de continuar com assuntos fresquinhos, eu gostaria de fechar alguns pontos que ficaram em aberto e contar em que pé andam algumas coisas:

O  refluxo – O Nic fez um ano, mas o refluxo ainda segue ali. Uma ou duas vezes por mês eu tento suspender o remédio por alguns dias, mas nas últimas tentativas os sintomas reapareceram, e nestes casos não tenho outra opção senão voltar com o remédio. Mas pelo menos fica tudo bem.

Homeopatia – Nunca tinha pensado em usar homeopatia antes de ter o Nicolas, mas desde que fiquei grávida e me voltei pras coisas mais naturais e saudáveis, é que passei a considerar seriamente a introdução da homeopatia aqui em casa. Daí, um dia li este post da Flávia do Astronauta, que eu chamaria no mínimo inspirador e vi que era o caminho certo a tomar. Assim, aproveitamos a última viagem pra Perth e marcamos uma consulta com um homeopata, já que em Kalgoorlie não tem. Voltamos pra casa cheios de vidrinhos com conta-gotas. O Nicolas AMA tomar a homeopatia, mas infelizmente não tem feito efeito contra o refluxo. Vamos ver se conseguimos ir ajustando as dosagens…

Alergia/intolerância – Depois de muito pesquisar decidi que não daria leite de vaca ao Nicolas. Mas acabei me rendendo ao leite A2 uma vez aqui e outra ali na hora de preparar uma vitamina, o que coincidiu com o período de prova da homeopatia, e o Nicolas simplesmente não dormia. Acordava a cada hora se contorcendo e chorando e quando finalmente dormia, tinha o sono agitado. Bom, em parte, era o refluxo outra vez. Então voltei com remédio regularmente, mas o sono continuava interrompido, até que suspeitei do leite de vaca. Li e vi que os sintomas de alergia ou intolerância podem ser bem tardios e variados, e não necessariamente incluir inchaços, vômitos ou vermelhidão. Assim, que dois dias após a total suspensão do leite, o sono do Nicolas melhorou 100%. E assim, voltei ao plano original, livre do leite de vaca. Nem um tantinho assim…

Sono – E em falando em sono…  Após 14 meses e meio, finalmente as coisas se ajustam… O Nicolas tem dormido melhor que nunca, e por fim, no seu próprio berço (que fica ao lado da nossa cama, mas já é um avanço!). Já não mama mais à noite e quando acorda, não passa de duas vezes (que pra quem chegou a acordar até 20 vezes ou demorar 3 horas pra voltar a dormir está excelente!). E como por causa do refluxo o Nicolas sempre foi acostumado a dormir no colo em posição vertical, o nosso maior desafio agora tem sido ensiná-lo a pegar no sono sozinho. Pra isso, estou quase terminando de ler o ótimo livro da Pantley “The no-cry sleep solution for toddlers and preschoolars”.

Agora temos uma nova rotina (linda e consistente) pra ele antes de dormir, que finalizamos lendo livros à luz de velas e escutando um cd com sons da natureza. E tirando os dias que ele simplesmente sai andando e não dá a menor bola, posso dizer que está indo bem. Eu sei que leva um tempo até ele se adaptar. No entanto, a parte do berço tem sido um caos. Se levamos ele pro berço antes, fica super agitado, andando de um lado pro outro e querendo colo. Se o levamos quando está bem sonolento, chora imediatamente e se esperneia, mesmo se ficamos do lado dele. Mas seguimos, um pouco todos os dias. Quem sabe daqui uns 3 anos ele não aprende? :-)

Tapas – Li “Criando meninos” na tentativa de entender o comportamento do Nicolas de dar tapas na cara da gente, no prato de comida, ou em tudo o que ele não quer. Mas pra esse assunto em especiífco, o livro não ajudou não (aliás, devo dizer que não gostei do livro em geral). Então por um tempo eu passei a ignorar os tapas, ao invés de ficar falando que não podia, e funcionou… temporariamente. Agora ele está de volta com os tapas e eu tenho a impressão que são carinhos que ultrapassam a medida da força… Vamos ver até quando duram…

Lumpy foodtinha melhorado, agora voltou tudo de novo. Não suporta nenhum pedacinho maior na boca e agora tira com a mão e me entrega, um por um. E também voltou a vomitar de vez em quando. Junto com a hipersensibilidade pra texturas, tambem não deixa mais limpar ao redor da boca, ou escovar seus dentes… Mais uma carga de paciência… e de novo o mantra “vai passar… vai passar… um dia vai passar…”

O pediatra – Contei em outubro do ano passado que consegui a tal carta de encaminhamento pro único pediatra da cidade, né? Pois levei a carta ao pediatra no dia seguinte e sabe pra quando é a consulta? 24 de fevereiro! Isso mesmo, mais de 4 meses após! Felizmente temos conseguido contornar tudo e o Nicolas tem se sentido bem, senão não sei como seria…

Com esse tanto de coisas contadas, acho que estamos zerados pra começar o ano… e com a certeza de que hoje estamos melhor que ontem…


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A quantas anda…

… o refluxo : então, suspendi o remédio e o Nicolas melhorou por três dias. Mas depois dessa renovadora trégua, o refluxo renasceu das cinzas ainda mais fortalecido… a verdadeira personificação do Mumm-Ra (só espero que diferente dele, o refluxo não tenha vida eterna!!!). 

Imagens da Wildstorm Comics - Thundercats

Imagens da Wildstorm Comics (Thundercats)

Daí voltei com uma mini-dose do remédio e ele dormiu mega-bem como há muitas semanas eu não via ele dormindo… E eu, que já estou tão acostumada a acordar tantas e tantas vezes no meio da madrugada, acordei desta vez pra ficar admirando aquela coisinha-feito-anjo dormindo… tão tranquilamente… E agora, seguimos assim, vivendo um dia de cada vez…

… a busca pelo médico: encontrei um outro clinico geral que foi super carinhoso com o Nicolas e um pouco mais atencioso com o caso dele. A consulta deve ter durado quase 15 minutos! Wow! Uma eternidade pros padrões daqui… E depois de uma choradinha, finalmente consegui uma carta de encaminhamento pro pediatra. Agora tenho que ir lá pessoalmente levar a carta e marcar a consulta pra não sei daqui quantos meses…

… a alimentação: vai muitíssimo bem! De repente o Nicolas virou um comilão da melhor qualidade! O segredo? Tô acrescentando caldinho de feijão preto, que encontro numa lojinha tailandesa minúscula ali no centrinho. Agora tem comido TU-DI-NHO, sem ânsia de vômito e sem precisar de banda de música, nariz de palhaço, ou fazer cara de sapo pra ele rir!

Long time ago... Queimando o filme da mamãe... :-)

Fotos de long time ago... e agora, queimando o filme da mamãe... :-)

… os preparativos pro aniversário: um aninho de Nicolas tá chegando! Grande motivo pra comemorar… mas ao nosso melhor estilo: viajando! Agrada a gente e ao Nicolas. :-) Isso, sem falar que sem família e amigos por perto não tem graça fazer festa, né? Assim, vamos pra praia, pro Nicolas se esbaldar de brincar na água e na areia e perceber que seus dias de criança-feliz-que-brinca-muito só estão começando!

E é?

E é?

Então até a volta!


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Estamos feitos

Ei gente, felizmente as coisas por aqui andam um pouco melhores agora… bom, pelo menos meu coração está mais tranquilo, o que já ajuda muito.

Mas digo que ter filho doente e não saber o que fazer pra fazê-lo se sentir melhor não é brincadeira não, viu…

E ainda pior quando se mora num lugar onde não se tem confiança no atendimento médico disponível e não se consegue sequer um médico que se disponha a gastar mais de 5 minutos em uma consulta, que investiga, pergunta e tenta encontrar a melhor solução pro seu caso.

Aqui só tem um pediatra, numa cidade de 30.000 habitantes, onde pelo menos 1/4 são crianças. Pra conseguir uma consulta com ele, (a) o caso tem que ser de extrema urgência e (b) temos que conseguir uma carta de encaminhamento. Só que nenhum clínico geral dá essa carta, pois já sabem que a agenda do pediatra é tão, mas tão lotada, que mesmo com a carta em mãos só vamos ser atendidos após três meses de espera. Me pergunto pra que existe a condição (a)…

Assim, o médico que faz papel de pediatra é um clinico geral da vida. Pra ter uma idéia, o médico do meu filho é o mesmo que fez meu pré-natal. Ótimo com mulheres e partos. Mas só entende de bebê enquanto ele ainda está na barriga da mãe. Saiu, ele já não faz a menor idéia e toda vez que vou lá fica super reticente sobre tudo e só sabe dizer que seja lá o que o Nicolas tem, vai passar.

Bom, o refluxo do Nicolas, que reapareceu por volta dos 9 meses, já estava sendo controlado por um medicamento que diminui a acidez do estômago e assim quando a comida volta pro esôfago não causa tanto desconforto. Sem o remédio o Nicolas simplesmente não dormia (por que sentia dor mesmo ao ser colocado em plano inclinado) nem comia/mamava (por sentir dor ao engolir). Com a introdução do remédio, tudo melhorou. Não passou a dormir 100%, mas estava satisfatório e comia. Acontece que de repente, sem que nada tivesse sido mudado, ele voltou a ter as crises. Passamos várias noites em claro, com o Nicolas acordando a cada 15 minutos chorando e se contorcendo de dor. E a gente já sabia, que esse tal medicamento era a ultima alternativa disponível no mercado. Ou seja, já não tinha nada mais a ser feito.

Mas levei ele ao médico assim mesmo, afinal não dava pra ficar com ele sofrendo assim e não fazer nada, mesmo que eu já soubesse que a consulta poderia ser uma total perda de tempo. E foi. O médico nem sequer examinou o Nicolas. Falou pra eu aumentar a dose do remédio por hora e disse que me garantia que no dia EXATO que ele fizer 1 ano o refluxo vai fazer assim ‘puft!’ … desaparecer. #Já marquei no calendário… tsc. E ainda disse que o Nicolas deve estar achando que é o chefe da casa, mas que eu tinha que mostrar pra ele que não. Que papo de índio é esse? Deixei pra lá. Eu tava preocupada demais com a saúde do meu bebê pra ficar prestando atenção nessa conversa sem pé nem cabeça.

E eu tinha um pulga atrás da orelha… não entendia porque o Nicolas só tinha problemas pra dormir de noite, nunca de dia… Então pensei que a única coisa que diferia é que de noite, antes de dormir, ele tomava o tal do remédio.

 “Doutor, o remédio não estaria fazendo mal pra ele? Será que ao invés de aumentar a dose eu não deveria parar de dar esse remédio?”- perguntei. “É… é raro, mas pode acontecer… Faz o seguinte, interrompe o remédio por alguns dias pra fazer um teste, pois pode estar provocando alguma dor de estômago nele”. De aumentar a dose passou pra zero dose, assim, num segundo.

Agora, parei de dar o remédio (o que me deixa aliviada) e na noite passada ele dormiu um pouco melhor. Acordou algumas vezes, mas não parecia estar com dor… Vamos ver como será daqui pra frente… Mas estou confiante que tudo vai melhorar de verdade…

E se não melhorar agora, pelo menos sei que do dia 18 de Outubro, quando ele completa 1 ano, não passa! Tsc.

* * *

Agradeço de coração por todos os recadinhos tão gentis e reconfortantes, deixados aqui ou enviados pro meu email. Obrigada mesmo! :-)

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