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O ginecologista, o primeiro, o segundo e… o terceiro rebento

lily

Eu adoro morar em cidade pequena. Gosto de lugar onde os vizinhos se conhecem e se cumprimentam, levam cookies caseiros um pros outros e até deixam flores na porta da gente num dia de primavera (tem que ser muito fofo pra fazer isso, não?). Gosto da segurança, da tranqüilidade e do ar puro – um privilégio pra quem tem crianças, penso eu.

nic

No entanto, se me perguntarem qual a grande desvantagem de se morar num ovinho com 17 mil habitantes no Canadá, digo sem titubear: o risco iminente e repentino de dar de cara com… um urso? um cougar?

Não gente, meu ginecologista.

Seja no Starbucks, na fila do banco, no correio, no supermercado, ou o que é ainda pior: na festinha de um amiguinho em comum. Já imaginou?

Porque pense comigo: uma coisa é ter um papanicolador que você só encontra no contexto clínico-gineco-hospitalar, faz sua consulta, tchau, até a próxima. Mas outra completamente diferente, é essa mesma pessoa, que se ocupa da saúde de sua periquita e certos aspectos da sua vida sexual, estar inserida no mesmo contexto social, pessoal, festeiro, playgroundeiro, político, econômico e comunitário que você, concorda?

Então, imagina minha cara, quando uma semana após uma consulta onde discutimos métodos contraceptivos e meus motivos pra gostar mais desse ou daquele, trombo com minha querida ginecologista perto da piscina de bolinhas na festinha do little John.

scared

Tá, talvez eu esteja exagerando um pouco na cara. E como não sou dada a exageros (adoro manter tudo bem preciso e real), acho que a cara abaixo está mais condizente.

susto

Pois bem. Fato é que eu quase caí dura e empalhada. Mas como assim, ela conhece o Joãozinho? Então ela também tem filhos, tem vida social? Por que tanta maquiagem, meodeus? Como lidar com o fato dela saber tantas coisas de minha pessoa e eu nada sobre ela? Sobre o que vamos conversar? Posso devolver as perguntas que ela já me fez? É de bom tom chamar meu marido e apresentá-los? Tudo bem se eu me virar e sair correndo?

Mas então, ela me olha, me cumprimenta, esboça um sorriso amarelo, abaixa os olhos, o Rafa chega, ela vira o rosto, finge escutar a filha chamando e sai gritando “I’m coming, sweetheart!“. A partir daí, cuidadosamente conseguimos evitar uma a outra – até o fim da festa. Amém.

Constrangimentos que ninguém pensa em passar antes de se mudar pra uma cidade pequena, né? Pois agora, aprendi minha lição, e desde então, tenho tomado duplo cuidado com encontros inusitados. Seja com ursos, cougars ou ginecologistas.

Agora, esse papo todo me fez lembrar de um assunto relacionado. Quer saber? Comecei a planejar o terceiro filho!

Tá, mentira. Mas outro dia, como se eu não tivesse mais nada pra fazer, resolvi consultar o fazedor de bebês cibernético por curiosidade. Ele usou uma foto minha e do meu marido, juntou genes algaritimicos, fez interpolações avançadas, mesclou fuça de um com nariz do outro e… tcharam!!! Descobri que se for menino, ele tem GRANDES chances de ser assim:

Screen Shot 2013-04-26 at 5.37.58 PM

E se for menina, assim:

Screen Shot 2013-04-11 at 1.01.51 PM

Achei bonitinhos (apesar da boquinha que de tão pequenininha é até menor que o olho), mas nhá… decidi que vou querer mesmo um gatinho, sabe? O Nic, que me pede um ser peludo há 2 anos, vai me agradecer. Marido vai querer me trucidar, mas fazer o que? Acho que tô precisando me ocupar com algo mais, sabe?

Portanto, desculpe você que chegou aqui afoita* porque achou que eu estava grávida. Foi mal!

Mas cá pra nós. Só se eu estivesse completamente insana pra encomendar um terceiro! Vem comigo e observe:

Após 3 anos de Canadá, nos rendemos e arranjamos uma ajuda pra limpar a casa a cada duas semanas. No entanto, após 5 meses de trabalho, não mais que de repente, a moça nos deu o cano e terminou nossa relação trabalhística. Por celular. Mensagem de texto. Essa agora é a tendência, pessoas? As relações chegaram mesmo a esse ponto?

Pra completar, meu primogênito decidiu que de agora em diante eu TENHO que ver absolutamente TUDO o que ele faz, mesmo que seja algo completamente inútil. Da última vez (30 minutos atrás), queria que eu o observasse realizando a incrível façanha de pular sobre um carrinho de ( ) 1 metro, ( ) 30 cm, (x) 1 cm de altura. Isso mesmo. Inicialmente, ele pulava normalmente (aqui, mamãe!), depois colocando uma mão na cabeça (olha, mamãe, olha!), depois pulava com um pé só, de lado, de frente, de costas – de novo, de novo e de novo. Quando eu já não aguentava mais me virar pra ver a mesma cena tantas vezes, lhe disse pacientemente “já vi, querido, achei fascinante, mas agora estou ocupada, tá bom?”, no que a pessoinha diz “não viu não, mamãe! Você não me viu pulando o carrinho com a mão na testa. Olha, mamãe, olha!”. Isso o dia todo, todo dia.

Já quando esta mesma criança não está me chamando, ela está caindo em cima da irmã de propósito. Ou a empurrando, ou pondo o pé na frente quando ela está passando, ou roubando o copo de água da mão dela, ou a fruta, ou o brinquedo. Tudo coisa legal e bacaninha. Claro, também rolam os abraços, os beijos, e momentos em que brincam junto bem bonitinho mesmo, mas, invariavelmente também acabam em choro.

“Ah, mas menino é assim mesmo. Felizmente, a caçula ainda tá muito pequeninha pra aprontar, né Lu?” Você, ingenuamente me pergunta. Pois espero que somente as cenas seguintes lhe sirvam de resposta, meu caro leitor:

lily1
(Março de 2013)
album
(álbum do Nic mostrando umas das poucas vezes que ele “aprontou”, rasgado em Março de 2013)
lily2(minha gaveta de roupas sendo organizada e migrada pro outro lado da casa, Abril de 2013)
lily4
(ataque à caixa de tintas do Nic, hoje, poucas horas atrás)

Tá bom, ou quer mais? Ah sim, também tem o caso do chocolate, claro! E se quiser um video, então fica com esse aqui, bem rapidinho pra fechar com chave de ouro. Favor não reparar que ele foi gravado na vertical, na falta de edição e na bagunça do quarto. Só não deixe de reparar na altura da cama. Sem mais.

(Lily, 14 meses, pouco antes de tomar banho)
Aceito abraços solidários. Obrigada. :)

* desculpe, não quis desprezar meus leitores homens, mas é que não consigo imaginar nenhum chegando aqui ‘afoito’ com a possibilidade de mais um bebê, não? To errada?


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Chupeta de Ouro 2a Edição – os indicados de 2013

os indicados

INDICAÇÃO DE MELHOR ATOR PROTAGONISTA: Rafael C. Reilly, pelo filme DETONA RAPHA

detonaRapha

SINOPSE:

Rapha (Rafael C. Reilly) é um trabalhador pai de familia que vive viajando. Ele passa mais da metade de seus dias acompanhando o crescimento de seus filhos através de uma tela de computador e está cansado de ser eclipsado pelos outros pais da vizinhança, os “good pais”, por estarem sempre presentes nos aniversários, apresentações na escola e jogos de futebol, e ainda têm o desplante de saírem por aí exibindo o filho que recém completou 1 ano falando “papai”, ao contrário dele: “Fala papai, filha.” Mamãe. “Não, pa-pai.” Au-au. “PA-PAI!” Bum-bum! Cansado dos olhares de reprovação e de ser visto como o “bad pai”, Rapha decide resolver a questão com suas próprias mãos e provar ao mundo (ou pelo menos aos seus vizinhos) que ele é sim, um ótimo progenitor, e propõe um jogo entre os pais pra saber quem é o herói. Conseguirá Rapha trocar a fralda da bebê-salamandra e abotoar os 28 botões de seu novo macacão sozinho? Será ele capaz de convencer o filho mais velho a comer todos os vegetais na janta? Um filme realmente engraçado, divertido e emocionante, indicado para toda a família.

Rating: 4 pipocas

Crítica: “Nunca um personagem mostrou tanta garra e determinação pra vencer um desafio desde o Rocky Balboa. A gente torce por ele do início ao fim. Excelente atuação de Rafael, melhor filme do ano pra famílias!” New York Times

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INDICAÇÃO DE MELHOR DIREÇÃO: Luciana O. Russel, pelo filme O LADO BOM DA VIDA

4. Oladobomvida

SINOPSE:

A vida nem sempre vai de acordo com os planos. Nic Solitano (Nicolas Cooper) perdeu todos os trilhos de madeira que tinha: curvas, retas, túneis, entrucamentos e até pontes de design elaborado. Após passar 8 meses de sua vida brincando com estes incríveis aparatos ferroviários, Nic se vê obrigado a voltar pra velha pista de fita adesiva colada no chão. Insatisfeito com a situação, Nic vai reclamar com sua mãe, a qual não faz nada pra lhe ajudar e ainda lhe passa um pito sem tamanho, dizendo que a culpa era dele por sempre deixar tudo espalhado pela casa. Se sentindo incompreendido, ele decide fazer de tudo pra encontrar a pessoa que havia arruinado sua vida lhe roubando seus preciosos trilhos, até que num momento de fúria, Nic descobre que sua irmã Liffany (Lily Lawrence) os tinha cuidadosamente guardado nas caixas destinadas a eles. Envergonhado, Nic pede desculpas pra irmã, que o ajuda a ver a vida de forma mais leve e organizada. Nasce aí uma verdadeira cumplicidade entre os dois irmãos, que decidem organizar a casa toda. Uma história comovente e alentadora para todas as mães que nunca conseguem ajuda pra arrumar nada.

Rating: 4.5 pipocas

Crítica: “Um filme comovente e inspirador! Meus filhos gostaram tanto, que logo em seguida começaram a brigar pra ver quem guardaria os brinquedos! Obviamente, ficaram muito chateados por eu ter perdido o papel da mãe pra Luciana Russel – que por sinal, se consagrou como brilhante atriz e diretora neste filme. Parabéns a ela!” Angelina Jolie

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INDICAÇÃO DE MELHOR FILME: NICOLN

5. Nicoln

SINOPSE:

Uma trama reveladora que foca no 1° filho de uma família brasileira vivendo no oeste canadense. Ao mesmo tempo que Abraham Nicoln (Nicolas Day-Lewis) não consegue se ver morando em outro lugar, o menino nutre grandes saudades de sua família no Brasil. Sentindo que começava uma guerra interna dentro de seu peito, Nicoln decide que é tempo de passar férias no Brasil e faz suas reservas pra Junho de 2013.

Rating: 5 pipocas

Crítica: “Uma verdadeira obra de arte! O filme captura com brilhantismo o grande dilema de Nicoln e joga uma luz para todos os expatriados” Vancouver Sun

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INDICAÇÃO DE MELHOR ATRIZ PROTAGONISTA: Quvenzhané Lillis, pelo filme INDOMÁVEL SONHADORA

3.IndomavelSonhadora

SINOPSE:

Hushlily (Quvenzhané Lillis) é uma intrépida menina de 1 ano que mora numa cidade pequena e pacada, conhecida pelos amigos como Roça Canadense. Resolvida a agitar a vida de sua mãe, Hushlily começa a andar no dia de seu primeiro aniversário e bem diferente de como foi o irmão nessa mesma idade, não para de vasculhar caixas, derrubar livros e tentar entrar em gavetas. A trama mostra uma mãe descabelada que vive correndo atrás da menina pinga-fogo, que com maestria consegue sacudir a vida da família.

Rating: 4 pipocas

Crítica: “Divertida e cativante, Quvenzhané Lillis dá um show de atuação! Merecidamente, a mais jovem atriz a receber a indicação da Chupeta de Ouro!” Wall Street Journal

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INDICAÇÃO DE MELHOR ROTEIRO para AS AVENTURAS DE NI


1AsAventurasdeNi

SINOPSE:

Ni Patel (Nicolaj Sharma) morava na Australia e era dono de praticamente um zoológico de pelúcia em casa: cangurus, coalas, wombats e até um ornitorrinco. Quando a família decide se mudar pro Canadá, Ni não abre mão de levar todos os seus bichos junto. Entretanto, o cargueiro onde todos viajam acaba naufragando devido a uma terrível tempestade e Ni consegue sobreviver em um bote salva-vidas, mas precisa dividir o pouco espaço disponível com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala chamado Bluris. Um aventura eletrizante que promete fazer você olhar com outros olhos pra aqueles inocentes bichos de pelúcia sentados no canto do quarto de seu filho.

Rating: 4.5 pipocas

Crítica: “Uma história transcendente de aventura e coragem com um final surpreendente! No entanto, somente uma fábula, que não deve de forma alguma induzir os pais a pararem de comprar os fieis e companheiros bichos de pelúcia pra seus filhos” Empresas Mattel

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E os adesivos vão para…


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Matéria na Revista PEOPLE – Edição Especial

Gente, depois das entrevistas que dei no Castelo Caras e Revista Quem, a Revista People resolveu fazer uma edição especial com a gente (e em português, veja só!). Infelizmente, nem tudo aconteceu como contaram e tem muita fofoca envolvida, mas paciência. Essa vida de celebridade é assim mesmo! :)

Copiei a matéria abaixo só pra vocês. Enjoy e feliz 2013!

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Pra quem não me conhece, vale dizer que esse post é uma sátira das matérias fúteis e superficiais desse tipo de revista. Me divirto horrores tentando escrever como eles.
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people-cover_lu2 copyLuciana (26), Rafael (34) e seus filhos Nicolas e Lily passaram férias juntos sob o maravilhoso sol de Cabo San Lucas, México. Durante a estadia foram fotografados diversas vezes na companhia de alguns amigos famosos. “A Jen é uma fofa, mas o Charlie é um bêbado chato”, declara ela.

Luciana exibiu seu elegante físico após duas gravidezes num clássico maiô da Sun Lorran (veja cupon de desconto na página 34) com lindos acessórios da Xanel. Uma amiga íntima contou à PEOPLE que o marido da ilustradora havia insistido pra que ela usasse um biquini ao invés, mas que Lu ainda não se sentia à vontade pra brincar com as crianças mostrando a barriguinha. A amiga de longa data acrescenta que Lu tem suas razões, já que apesar de magra, ela já não tem mesmo aquela barriga lisa de antes.

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O casal foi visto diversas vezes relaxando na praia ou na piscina, sempre acompanhado das crianças, de um jacaré de plástico e uma sacola de brinquedos. Uma cliente do resort contou que algumas vezes Luciana foi vista pedindo mojitos de morango orgânico ou margaritas com sal não-refinado, mas também reparou que várias vezes ela trocava as bebidas alcoólicas por suco de melancia com hortelã. “Li que ela ainda amamenta a Lily, deve ser por isso que ela foi tão cuidadosa com o que consumia. E suco de melancia com hortelã é mesmo super parecido ao mojito – só que com culpa-free!” conta ela rindo.

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Na praia, a família brincou diversas vezes de enterrar o mais velho na areia ou fazer trilhos pros seus trenzinhos, já que aparentemente ele não é tão fã de castelos. Uma vendedora ambulante exibiu orgulhosa uma nota de dez dólares contando que não acreditou quando a família veio em sua direção e comprou um vestido pra pequena Lily. “Jamais vi uma familia famosa tão simpática e amigável quanto essa! A Lily parece uma boneca. E aquele cabelo? Todo natural, pode acreditar, eu pedi pra passar a mão e eles deixaram!” disse ela com entusiasmo. “Vê essa nota aqui? Quem me deu foi o próprio Nicolas, que é ainda mais bonito pessoalmente! Antes de ir embora ele se virou pra mim e disse ‘gracias, señora’. Juro, ele fez meu dia” revelou a vendedora emocionada. E acrescenta: “Já Luciana estava radiante! Pra falar a verdade, nunca a vi sorrir tanto, nem mesmo na cerimonia da Chupeta de Ouro, quando ela levou o prêmio de melhor atriz.”

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“Viajar com crianças é possível, mas pode ser incrivelmente trabalhoso!” – revelam várias testemunhas que ouviram Luciana repetir enquanto corria atrás dos filhos. Um dos garçons contou à PEOPLE que ouviu o casal conversando sobre como foram tranquilas as 4 horas e meia de avião “a Lily dormiu boa parte do tempo e o Nic brincou quietinho e assistiu desenho, uma maravilha!”. Também disse que a ilustradora parecia bastante surpresa por Lily estar tirando suas sonecas em qualquer lugar.

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“Enquanto eu os servia, ouvi a Luciana contar ao marido sobre a primeira vez que ela colocou a Lily pra dormir ao ar livre” – contou o garçom. “Ela contou que justamente na hora em que foi colocar a menina numa das espreguiçadeiras ao lado da piscina, sentaram ao lado duas mulheres matraquentas e com voz de taquara rachada. Ela disse que jogou um olhar fulminante a elas, mas não adiantou, então não teve outra alternativa senão se levantar e levar a bebê pra perto do jacuzzi, que pra sua surpresa estava vazio. Quando ela finalmente colocou a Lily sobre uma cadeira, chegou um bando de crianças gritando e fazendo algazarra. “Eu queria saber onde estavam as mães daquelas criaturas insanas que nao sabem que em ambiente que tem bebê dormindo não se grita!” – falou ela pro marido. Eu achei graça e continuei ali fingindo que arrumava os guardanapos pra escutar o resto da história. Foi aí que ela disse que justo quando ela achou que deveria trocar a Lily de lugar de novo, o jacuzzi, que aparentemente estava estragado à dias, começou a funcionar de repente. Ela disse sorrindo que foi o white noise mais poderoso que ela já viu e Lily dormiu profundamente por mais de uma hora!” – contou o garçom orgulhoso por conseguir entender português tão bem.

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A volta pra casa já não teria sido tão prazeirosa. Comissárias de bordo asseguraram que Lily chorou bastante e não queria saber de dormir. Elas inclusive ouviram Luciana dizer ao marido entredentes que “fora de cogitação passar 16 horas num avião apertado e quente pra ir ao Brasil esse ano”, no que o marido aparentemente respondeu “calma, meu bem, tenho certeza que quando você pensar nas trufas, nas coxinhas de frango com catupiry e na sua amada família, obviamente, você vai mudar de ideia”.

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Mas depois de um voo cansativo, com escala em Calgary e chegada em Vancouver após meia-noite, a família chegou segura no Canadá, que os aguardava com muita neve e um frio de zero grau. “Há muito tempo não tínhamos um natal com neve aqui”, asseguraram os moradores da vizinhança do casal. Uma amiga próxima contou que eles estavam muito felizes com a perspectiva de passar as festas de fim de ano em casa e que a grande tradição da família era usar pijamas novos na noite de Natal. “As crianças ficaram fofas!”.

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“O Natal deles foi lindo e a família está muito feliz e descansada. Luciana também está muito contente por ter tido a oportunidade de ir ao México e treinar um pouco seu espanhol, aprendido há alguns anos atrás no país de Hugo Chavez” – conta a amiga da ilustradora. Ela ainda revelou a notícia bombástica de que quando Luciana morou na Venezuela teria sido eleita La Reina del Carnaval em 2005. Na ocasião, Lu confessou em uma pequena entrevista que seu maior sonho seria conhecer uma piscina que encontra o mar.

É, parece que demorou alguns anos, mas ela conseguiu realizar seu sonho!


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Nem que a vaca tussa

CONVERSANDO COM UMA AMIGA, POR VOLTA DAS 10 DA MANHÃ

- E aí, Lu, como têm sido as noites com o Rafa viajando de novo?
- Hm… Você não vai acreditar…
- O que? Me conta!
- Errr… É que tá todo mundo dormindo na mesma cama.
- Você, o Nic e a Lily???
- É.
- Nossa! E tem funcionado?

3 HORAS E MEIA ATRÁS (6:30am)

Todos hipnotizados assistindo:

MEIA HORA ANTES (6am)

Tudo escuro, tudo silencioso. “Ué, podia jurar que tinha ouvido um barulho. Deve ter sido um sonho”. Pensa ela com seus botões ainda adormecidos e volta a dormir.

- Piuíííí!!! – sai um som abafado de debaixo das cobertas
- Nic? É você? – pergunta ela baixinho, sem acreditar.
- Sim!
- Mas já acordou???
- Sim.
- Porque??? Tá super cedo, volta a dormir…
- NÃO!!!
- Shhhhhh! Fala baixo, a Lily tá dormindo. Por favor, Nic, dorme. Eu imploro!
- Não tô conseguindo, tô sem sono.
- Tenta. Fecha os olhinhos. Conta carneirinho.
- Não quero contar carneirinho.
- Então conta treinzinhos passando no túnel! Tudo bem devagar e monótono – bom, não custava nada tentar uma abordagem mais lúdica. Vai que…
- Não, mamãe, eu só quero brincar.
- Pois se quer brincar, vai lá pro seu quarto.
- Não quero ficar lá sozinho.
- Oh céus…. Tá, mas então brinca aí beeeeem quietinho. Sem nenhum pio, hein? Não quero que a Lily acorde.

Ela olha pra carinha de anjo cabeludinho dormindo entre eles, sorri e puxa o cobertor até a orelha. Imagina, naquele frio, a última coisa que ela queria era acordar às 6 da manhã. Fecha os olhos de novo.

Uns segundos depois…

- Piuíííí!!!
- Ni-co-las!

Debaixo das cobertas: bochecha enche, bochecha esvazia – era o vapor do trem. Lily se mexe.

- Nic! Se é pra fazer piuí abacaxi vai brincar lá no seu quarto! Diz ela com o típico grito sussurrante que só mães sabem dar.

Ele ri.

- Que isso, mamãe, “piuí abacaxi”? Você tá doidinha?
- Não, isso é coisa daquela músic… não interessa! Vou ficar bem doida é se eu não dormir, tá entendendo?
- Hi hi hi.
- Por favor, Nic! Colabora! Eu tô tão cansada, meu bem! Preciso dormir!!! Você gosta de ver sua mãe cansada? – bora apelar pro sentimentalismo.
- Mas mamãe, eu não tô com sono!!!
- Tá, e fala baixo!

Lily acorda. Faz beicinho, vai pro peito, volta a dormir.

- Viu? Viu? Silêncio, por favor! Olha, vou te falar uma coisa – finalmente, o tom de ameaça – se você não ficar quieto, não vai mais dormir na minha cama! Tá ouvindo?
- Tá bom, vou ficar quietinho… Mas então eu quero brincar com seu iPad.
- Não, nem pensar. iPad a essa hora não! São 6 da manhã!!!
- Não, mamãe, não são 6 horas. São seis, zero e nove. Alá, no relógio!
- Aaaaaaargh! Me deixa dormir???
- E o ipad?
- Ta booooom! Toma aqui essa porcar… esse iPad!

1 HORA ANTES (5am)

“Até que no final das contas dormir todo mundo junto não está sendo tão mal como pensei!” – pensa ela em estado semi delirante semi adormecido olhando pras duas fofuras dormindo quase abraçadas. E não deixa de sorrir ao notar o Nic com seu trem inseparável. “Até pra dormir!”

2 HORAS ANTES (3am)

“Ai!” acorda ela com uma pezada no nariz. Ajeita a bebê estrela. Volta a dormir.

25 MINUTOS ANTES (2:35am)

Droga, não dá pra segurar mais.

Abrindo somente uma pequena fresta no cantinho de um dos olhos pro sono nao inventar de escapulir, ela sai cambaleante pra responder ao chamado da Mãe Natureza. “Mãe Natureza… Mãe uma ova! Se fosse mãe não me mandava um xixi justo no meio da madrugada sabendo que tenho que cuidar de duas crianças sozinha por duas semanas!”

Enquanto isso, Lily começa a acordar. “Ih, vai querer mamar.” Volta correndo no escuro, afinal, se um acorda, acorda o outro.

“Droga, mãe não pode nem fazer xixi sossegada!”

UMA MEIA HORA ANTES (2:00am)

Ah, não acredito!!! Xixi agora? Não vou. Não vou mesmo. Nem que a vaca tussa!

1 HORA ANTES (1:00am)

- Mamãaaaae! Mamãaaaae! Chama uma voz baixinha.
- Hmmm…. Vou querer aquela torta de prestigio ali, por favor!
- Mamãaaaaae!
- O que?? O que? Nic? Ah, Nic, não me acorda não… Eu tava quase comendo a torta…
- Eu quero água.
- Tem água aí do seu lado, menino!

40 MINUTOS ANTES (00:20)

- Lily, do céu, o que você ta fazendo encima de mim, criatura? – sussurra ela enquanto a Lily ansiosamente tenta acessar a leiteria.
- Calma, bichinha! Aqui, aqui…
- Mamãaaaae, tô com frio! Quero cobrir! Quero cobrir! – começa o Nic ao lado.
Deitada, amamentando, ela dá um puxão com uma das mãos fazendo a coberta cair sobre o Nic.
“Acordaram juntos… Taí uma vantagem de estarem aqui no mesmo quarto” conclui ela otimista.

4 HORAS ANTES (20:20)

- Mamãe, deixa eu dormir aqui com vocês, por favor!!!
- Não, Nic. No seu quarto é melhor, porque se a Lily acordar, ela talvez não te acorde!
- Mas o papai tá lá na Ostrália… deixa? Por favor! Por favor! Eu quero muito!
- …
- Hein, mamãe?
- Tá bom, tá bom. Vamos tentar. Mas ó: comporte-se!

1 DIA ATRÁS

- O Nicolas disse que quer dormir com você quando eu estiver viajando. Você vai deixar?
- Dormir comigo? Eu, ele e a Lily, tudomundojuntonamesmacama? Nem que a vaca tussa!

1 ANO ATRÁS

- Absurdo esse pessoal que deixa filho brincar com ipad! Filho meu não brinca!

5 ANOS ATRÁS

- Gente, verdade que tem gente que dorme com o filho? Deve ser tudo um bando de louca mal amada. Eu hein? Quando eu tiver filho, eles não dormem comigo mesmo! De jeito nenhum! MAS NEM QUE A VACA TUSSA!

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Créditos do gif
dançarino: nosso querido amigo Gui Lessa, fotos: Alessando Bastos, animação: Tiago Fazito


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50 tons da maternidade

“Não empolgueis se porventura teus filhos hão dormido bem uma noite. Não alimenteis esperanças de que tal feito repetir-se-á ou concluas precipitadamente que o sistema nervoso dos teus pequenos ter-se-á amadurecido. A cada noite ininterrupta de sono, uma escapada de cocô, duas birras homéricas e três noites insones e atribuladas. Esperais, preparais e aceitais.” (provérbio materno, versão estendida)

Versão popular: Mães não dormem. Se dormiu bem, senta e espera, porque vem caca por aí.

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Após uma longa espreguiçada, ela abre os olhos. Não se recorda da última vez que se sentira tão feliz, descansada e renovada – uma estranha sensação de felpudo invade seu peito. Pela primeira vez em oito meses, acordava ela com a luz natural do sol. Seria um sonho?

Languidamente, ela lança um olhar pro lado e constata com ternura que a bebê ainda dorme. E no berço, quem diria? Um verdadeiro milagre. Melhor checar o outro. Deve estar lá chorando debaixo das cobertas, a pobre criatura. Não é possível que ele tenha dormido a noite todinha sem um único pesadelo e que ainda esteja dormindo. Já passam das 7:30! Com passos de pluma, ela chega ao quarto do filho: ahhhh, dorme feito um anjo, o meu menino, e ainda abraçado à sua boneca Moey.

Com um suspiro, ela sorri. “Será o presságio de uma nova era?” – arrisca ela a pensar.

Feliz, ela toma um banho rápido e desce pra preparar o café-da-manhã. Que fofo, o marido deixara a vitamina de frutas já pronta pro mais velho. Ela então prepara uma torrada com queijo derretido pra si e sorve uma xícara de chá quente. Ui! Quente demais, ela ri. Só hoje mesmo pra ver graça num céu-da-boca queimado. De repente, escuta uns passos, seguidos de risos de criança. Acordaram! E de bom humor!

O dia transcorre tranquilamente: escola, trabalho, almoço, parquinho, janta.

Antes de continuar a rotina que precede mais uma noite de sono, ela para e recapitula com detalhe o que fizeram no dia anterior: “não posso errar nada, tenho que fazer tudo exatamente como ontem pra garantir que vão dormir bem de novo” pensa ela com sua inocente lógica materna.

Vejamos…

1. Banho: ambos tomaram banho naquela caixa de plástico que o Nic chama de barco. Durante o banho, ela havia contado a história do trator que sabia pilotar avião pra ele e cantado ‘tchibum, tchibum’ pra ela.

2. Pijamas: sem dúvida, tinham que usar os mesmíssimos da noite anterior. Vai que emanaram alguma vibe sonífera? Ela não podia desprezar essa possibilidade. Talvez se tornassem seus pijamas da sorte. Ela sorri sonhadora.

3. Nic tomou leite com biscoito de água e sal. Depois, dentes, xixi e histórias com o papai. Lily, como sempre, dormiu na cama da mãe mamando. Ontem foi transferida com sucesso pro berço. E usou um saco de dormir.

5. Aquecedor ficou ligado a noite toda.”

E assim ela fez. Tirando a história do trator que pilotava o avião e que o Nic queria de qualquer forma que substituísse por um cachorro – veja só, NADA A VER cachorro pilotando avião, dããã! -, tudo o mais foi cumprido na mais perfeita tranquilidade. Às 20:30 ambos estavam dormindo.

A noite prometia.

Ela pega seu livro, 50 Tons de Cinza, que apesar de não achar muito bom, pelo menos não fala sobre filhos e culpa materna, e vai ler. Mas a narrativa é tão repetitiva que depois de duas páginas ela já está com sono. Que personagens mais chatos… A mocinha, vive mordendo os lábios e se enrubescendo por qualquer papel que cai no chão. Diz pelo menos dois holy craps por página. Já ele, é enfadonhamente lindo, másculo, bem dotado, empresário nato, pilota helicóptero, toca piano como ninguém, exímio dançarino, fluente em francês, excelente amante, bilionário que fez sua própria riqueza, filantrópico preocupado com a fome no mundo e como se não bastasse tamanha irrealidade, só tem 26 anozzzzzzz.

Pois após um par de holy craps e stop biting your lip, ela não aguenta e dorme. Não são nem 9 da noite. 1 hora depois ela acorda num sobressalto com um choro alto: era o Nic tendo um de seus pesadelos. Claro que a Lily também acorda. Marido vai ver Nic, ela vai pegar a Lily. Nicolas volta a dormir, Lily mama mas chora intensamente ao ser colocada no berço. Melhor levá-la pra cama deles. Lily fica feliz. Tão feliz que não quer mais saber de dormir e começa a engatinhar pela cama. Senta, dá tchau, bate palma, ri. Holy crap.

Ela se lembra do livro. No desespero, o alcança e pensa seriamente em ler umas páginas daquela história erótica entendiante pra filha – vai que ela dorme? O marido não deixa. Volta com a Lily pro berço. Ela chora. Cantam uma música de ninar. Nada. Massagem. Ela fica quietinha. A mãe para, ela se irrita. Passam ela pro moisés, onde ela quase não cabe mais. Ó! Dormiu! Voltam pra cama. Puxa, que sono! Fecham os olhos, Nicolas acorda de novo “quero papai!!!!”. Rafa vai ver o que é e fica por lá. 2 horas depois, Lily chora querendo mamar, Nic acorda com o choro dela e começa tudo de novo – a “dança das camas“, como muito bem diz minha amiga Celi.

6:30 da manhã: início de um novo dia.

Mal humorada, ela veste sua roupa, troca a Lily (que chora de sono) e veste a roupa no Nicolas (que faz uma super birra porque quer ir de pijama pra escola). Todos descem pra tomar o café-da-manhã. Que droga, justo hoje o marido não deixou a vitamina pro Nic pronta. Ela vai fazer e constata que não tem banana – a vitamina favorita do filho. Vai de abacate mesmo. Ele não toma. Faz mingau pra filha, ela come tudo. “Nic, vai pro banheiro e tenta fazer cocô!” – diz ela. Ele responde que não está com vontade. Ela olha pro relógio: estão atrasados pra escola. Não dá tempo dela mesma tomar café. Faz um chá e leva. Faz frio lá fora – 5 graus. Lily toda encapotada vai pro sling e vão caminhando.

20 minutos depois, chegam na porta da escola. Ela olha pro Nicolas e não acredita. “Não, não, não!!!” Ele tem uma das mãos no bumbum, olha pra ela e grita “cocô, mamãe! tá querendo sair!!!!”. M**da. Vão direto pro banheiro. Ela tira o próprio casaco, tira a Lily do sling, a coloca no chão. Ela chora. Se prepara pra abaixar a calça do filho e constata que ele está de macacão. Droga! “Segura o cocô, Nic! Não faz não!!!” – grita ela desesperada. Lily esgoela. Ela tiro o casaco dele, tira o macacão impermeável, a calça, a cueca e… putz, não deu tempo. Ele senta no vaso, ela pega a Lily e vai buscar a cueca sobressalente na sala de aula. Volta, bota a Lily no chão, que volta a chorar imediatamente, começa a vestir peça por peça no filho. Entra um outro menino no banheiro, que abre um olho desse tamanho, se vira e sai fora. “Melhor”, pensa ela de mal humor.

Finalmente saem do banheiro. Ela, esbaforida, ele, aliviado. Dá um beijo de despedida e entra todo serelepe. “Pelo menos está feliz” – pensa ela. E vai embora caminhando.

No caminho, vai pensando que deve haver alguma maldição pra pobre mãe que consegue dormir uma noite completa, só pode, tamanha a urucubaca! Então tenta fazer as pazes com o Seu Universo. “Uma boa ação por uma boa noite de sono?” negocia ela em pensamento. Então, naquele mesmo dia, ela leva alguns brinquedos pra caixa de doações, faz uma sopa pra amiga que teve bebê e disponibiliza no blog uns desenhos da turma do Sitio do Picapau Amarelo que tinha feito especialmente pra uma atividade com crianças brasileiras no ultimo final de semana.

Agora é com você! Baixe, imprima, divirta-se, divulgue! Ajude uma mãe a espalhar alegria, espantar a urucubaca que lhe cerca e quem sabe dormir melhor!!! 

O que você vai encontrar: um PDF com 9 bonequinhos desenhados pela mamãe insone e inspirados no Sitio do Picapau Amarelo, mas com um detalhe: eles estão todos carecas! Será que seu filho conseguirá encontrar a parte de cima da cabeça de cada um? Imprima, recorte e divirtam-se procurando os pares! Depois façam marionetes pra inventar historias juntos. Tudo o que vocês precisam é do Adobe Reader que pode ser baixado AQUI, material pra imprimir, colorir e muita disposição pra brincar! Se quiser mandar fotos mostrando como ficou, vai ser muito legal!

Imprima e repasse pra quantas pessoas quiser, mas por favor, não deixe de dar os créditos! Ah, e é somente pra uso pessoal, tá? E que ao baixar essas ilustrações, além de muita diversão, você também tenha ótimas noites de sono! 


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E por falar no Nicolas… hoje ele faz 4 anos

Por a gente morar fora, eu sempre fui um pouco apreensiva com a ideia de ser a principal propagadora da língua materna pros meus filhos. Afinal, sou mineira e portanto, uma irremediável decepadora de palavras. Outro dia, passávamos perto de um estacionamento e Nic gritou entusiasmado:

- Mamãe, alá que tan’de carro bunito!

Fechei os olhos, dei de cara com meu âmago e disse pra mim mesma “vixe, agora que o estrago já foi feito, xá pra lá.”

Mas segundo meu marido, a mineirice é o de menos. O problema são mesmo minhas esquisitices. Pois que culpa tenho eu de achar que palavras como “cílios” ou “passas” combinam mais no plural, gente?

- Tem UM CÍLIOS agarrado no meu lápis. (lin-do!)

- Quem pegou A PASSAS que estava no meu pires? (a-ha-so!)

- Fui comendo UM MUFFINS no ônibus. (claro, ataco no inglês também)

Assim que um dos passatempos prediletos meu e do Nic, não podia ser outro: adoramos brincar com o português. Quando estou cozinhando, na hora do banho ou quando saímos pra caminhar. Além de inventarmos várias palavras engraçadas, a gente adora brincar de sufixo.

- Nicolas, quer comer uma panquequícolas? Estão delicícolas! Provícolas!

No que ele me responde:

- Sim, mamãe. Põe duas panquecães! E tem sucãe de maçãe?

E rolamos de rir. Coisas de mãe e fícolas. Histórias pra gente lembrar pra sempre.

E por falar em histórias, taí outra coisa que ele gosta, especialmente da forma que eu tenho contado. Sua preferida é a do Chapeuzinho Vermelho. Só ontem tive que contar 3 vezes! Pra ele, o mais divertido é que eu vou trocando algumas palavras nas histórias, fingindo confusão:

- Era uma vez, Chapeuzinho Cinza. Ó! Não, Chapeuzinho Rosa. Não! Chapeuzinho Vermelho! Ah, agora sim. Pois bem, Chapeuzinho Vermelho ia levando doces pro Lobo Mau. Ó, não! Pros três porquinhos. Não? Ah, sim, pra Cuca! Não? Pra quem então?

Nesse ponto Nic não consegue nem responder, de tanto que ri. Eu simplesmente adoro isso. O único problema é que uma história que poderia ser contada em 5 minutos, dura 20. Mas compensa, especialmente agora, que ele voltou a ir pra escolinha e vamos andando todos os dias pra lá. Tempo pra contar histórias é o que não falta.

(primeiro dia de pré)

E por falar em escolinha, Nic voltou de vez. Nada como esperar o tempo certo da criança. Pra quem acompanhou, ano passado já tínhamos tentado, mas ele chorava demais e todo dia dizia que não queria ir. Por mais que a gente gostasse e acreditasse que aquela escola era ótima, não dava pra ignorar seus apelos. Então resolvemos esperar.

(o quintal da escola)

Hoje, como ele está mais maduro, completamente desfraldado e entendendo e falando várias coisas em inglês, Nic está realmente aproveitando mais. Adora a professora, os amiguinhos, a comida e todas as atividades lúdicas de lá.

E por falar em atividades, sua paixão número 1 é caminhar. Caminha, lidera por trilhas, sobe e desse morros – tudo, enquanto coleciona galhos, pedras e folhas.

Ah! E não deixa um lixo pra trás: “mamãe, não podemos deixar esse lixo aqui. Vamos encontrar um lata pra ele morar?” – me diz ele. Mas quem carrega o lixo sou eu. Engraçadinho.

Além de caminhante inveterado, também tem gostado muito de andar de bicicleta (coisa que não gostava) e adora seu velho e bom taekwondo, assim como as recém iniciadas aulas de natação. Pra nossa surpresa, sua professora, que é canadense, também fala português – tudo porque morou um tempo no Brasil. Mas o mais bonitinho foi ele ter ficado intrigado com o fato dela falar nossa língua: “mamãe, mas como? como ela sabe falar português? me explica?”. Gostei da percepção dele.

Como sempre, ainda ADORA um balanço, mas por outro lado, voltou a ter medo dos escorregadores grandes: “não, hoje não… vou escorregar outro dia” – sempre me diz ele. Mas nunca vai. Tem dia que prefere brincar com a Lily que desafiar um escorregador.

E por falar em Lily, ah… ela é sua paixão. Sempre cuida dela, brinca, faz gracinhas pra ela rir e é muito, muito carinhoso. Tudo bem que ainda reluta em emprestar seus carrinhos, mas tá aí uma paixão que vem de desde muito antes da Lily, né? Não dá pra superar assim em poucos meses. Se Lily está chorando, o Nic para o que estiver fazendo pra ver o que é: “o que é mamãe? ela machucou? tá com sede? com fome? quer que eu dou água pra ela? quer que eu canto música?”. Um amor. Sem dúvida, sua companheirinha favorita.

E por falar em favoritas…

Música? Palavra Cantada, Amor I love you (Marisa Monte), Father and son (Cat Stevens)

Vegetal? Brócolis, muitos brócolis

Frutas? Maçã, uva e kiwi

Comida? Arroz e carne

Bebida? Leite

Café-da-manhã? Panqueca com meladinho (maple syrup)

Veículo? Caminhão de bombeiro

Língua? Português (adora!), mas só brinca falando inglês.

Cor? Verde. Às vezes azul.

Sorvete ou chocolate? Sorvete e chocolate.

Livros? Coleção da Stella and Sam

Desenhos? Stella and Sam, Diego e Toupe and Binou

Amiga imaginaria? Uma trilha.

Principais defeitos? Teimosia e certa dificuldade em obedecer ordens.

Mania? Ao contrário da mãe que jogava suco na comida, Nic adora jogar comida no suco.

E por falar em mania… Nic faz perguntas, mas raramente aceita as respostas. Nunca dormia de meia, hoje não dorme SEM meia. Está sempre se escondendo pela casa e lá do seu “esconderijo ultra-secreto” me grita: “mamãe, pergunta ‘cadê o Nicolas?‘”

E por falar em Nicolas… hoje ele faz 4 anos.

Feliz Aniversário, meu menininho. Te amo muito, do fundo do meu coração!

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Ontem, pra comemorar o ultimo dia do Nic com três anos, postei diversas pérolas dele na fanpage no facebook. Passa lá pra ver!


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os estereótipos, a cuca, uma mãe e o daddy’s boy

Nunca o céu esteve tão azul. O sol brilhava e inundava os campos pastoris com sua luz outonal. Ah, que tranquilidade era viver longe do burburinho citadino… Pelas colinas verdejantes, corriam livres, ela e o filho, mergulhados na mais plena felicidade. Não havia coração que não se enchesse de regozijo ao ouvir aquelas doces gargalhadas ecoando pelos ares em meio ao gentil sibilar de pintassilgos. Em júbilo, mãe e filho se deixam cair sobre a relva macia. Ela, linda, feminina, cabelos esvoaçantes e perfumados, sobrancelhas bem feitas, semblante sereno, dentes alvos e sorriso franco. Ele, tez rosada, olhos atentos, expressão curiosa, inteligente, mas sobretudo inocente, sorriso pueril. Certamente não teria mais que quatro anos de idade.

Com delicadeza, ele leva as mãozinhas pequeninas à bela face de sua progenitora, lhe ajeita uma teimosa madeixa e declara com ternura “eu te amo, minha mamãezinha linda”. Emocionada, ela sorri para o filho e lhe abraça. De repente, um sofrido choro de criança se irrompe no ar. Quem seria e o que tentava dizer? Ela se vira na direção do choro e identifica as palavras “eeeeeu queeero bolo de papaia”. Pobre criança… que gosto horrível por bolos, onde ela vai conseguir uma coisa dessas? – pensa ela sensibilizada. E se volta para seu amado filho. Mas pra sua surpresa, ele não era mais ele. No seu lugar estava a Cuca – em carne, osso e peruca loira. Ao notar esse último detalhe, ela, que nunca teve muito apreço por tal criatura, sente agora uma inexplicável simpatia por ela. Por que será?

Sem tempo para pensar, ela percebe que a Cuca estende um dos braços em sua direção e tenta lhe falar alguma coisa. Estava chorando, a pobre jacaroa – ou seja lá o que era aquilo – e vai chegando cada vez mais perto. Mais perto. Mais perto. Até, que com uma mão no seu ombro ela diz:

- Eeeeu queeeero bolo de papaia!

____________________

Num sobresalto eu acordo. Abro os olhos e ainda tonta, vejo o Nicolas ao meu lado aos prantos e dizendo “Eeeeu queeeero colo do papai!

Ah, então era isso. Colo do papai.

Eu tento acalmá-lo. “Vem cá, me dá um abraço, eu estava sonhando com você, sabia?”.

- NÃO! – grita ele – Você não! Só quero o papai! Cadê o papai?

- Não precisa gritar. É que hoje ele não trabalha em casa, foi pro escritório.

- NÃÃÃÃÃÃO! Eu quero colo do papai!!!!

E assim começava mais um daqueles dias.

* * *

Lá nos idos da minha vida pré-pré-nicozóica, sempre que cogitei minimamente em ter um rebento, eu pensava que queria menino. Sabe aquela coisa que todo mundo diz que meninos são apaixonados pela mãe e meninas pelo pai? Então. Pois eu, no auge da minha fase narcisista, sonhava que SE algum dia tivesse filho, queria um que fosse apaixonado por mim. Fala sério, existe gente assim? – você pensa.

Tá. Pois eis que me casei, planejamos com carinho a gravidez, nos mudamos pra Australia e tivemos o Nic, olha só – um menino. Por varias semanas tentei amamentá-lo, mas ele só sabia chorar a cada tentativa. Chorava, arqueava o corpo pra trás e me empurrava. Hum, as coisas não tinham começado muito bem. Tadinho, será que ele estava sentindo dor na cabeça quando succionava, já que tinha nascido com ajuda do extrator a vácuo? Será que eu tenho muito leite? Pouco leite? Ou será que ele não gosta de mim, afinal, ele parava de chorar TODA vez que ia pro colo do pai? Varias questões pairavam na minha cabeça e incomodavam meu coração. Seis semanas depois, sem conseguir amamentar, descobrimos que o refluxo era o vilão de tudo. E como sentia dor ao mamar, talvez associasse isso à mim, dona da peitaria. Ou então sentia minha tristeza em não conseguir amamentar e claro, se sentia melhor nos braços do pai, mais tranquilo.

Então ele foi crescendo e aos poucos fui me dando conta que havia sim uma preferencia clara pelo pai. Derrubando todos os estereótipos, ia surgindo ali a olhos vistos, o daddy’s boy. A paixonite por ele era tão grande, que além de querer seu colo o tempo TODO, ainda desenvolveu o hábito, assim que começou a engatinhar, de ir até à porta por volta do pôr do sol pra esperá-lo chegar do serviço. Muito bonitinho, mas uma vez que o pai colocava os pés dentro de casa, não tinha pra mais ninguém. Me lembro que era até difícil pro Rafa tomar banho e jantar, pois o Nic não queria se desgrudar! Eu não reclamava, pois pra mim, que ficava o dia todo com ele, era minha chance de ter um tempinho pra mim. :)

No seu aniversário de um ano, ele me largou com todos os brinquedos na areia e enfrentou o mar gelado pra ir atrás do pai – chorando.

Da ultima vez que fomos ao Brasil, ele tinha 2 anos. O Rafa não pode ficar o tempo todo com a gente pois tinha que voltar a trabalhar. Nos dias que o Rafa estava, Nic só queria saber dele (que novidade!). E quando ele se foi, transferiu seu vínculo a mim ou no máximo a qualquer outra figura MASCULINA. Não teve tia, não teve vó, não teve mãe de santo que conseguisse pegá-lo sem que ele chorasse. Bom, a gente entendia que podia estar sendo coisa demais pra ele. Da nossa vidinha pacata de família pequena lá na Australia, pra uma temporada no Brasil cheio de gente diferente, falando alto, querendo pegar e beijar, podia ser mesmo confuso e assustador.


Então nos mudamos pro Canadá e o Rafa começou a viajar. Pra nossa GRANDE surpresa, o Nicolas NUNCA teve o MENOR problema em ficar longe do pai. Não perguntava por ele e parecia não sentir falta mesmo, ele estava sempre muito feliz. Mas era só o Rafa voltar que a situação se complicava. O Nic chorava muito por qualquer coisa e passou a querer não somente o colo do pai o tempo todo, mas também sua atenção e sua ajuda pra fazer completamente TUDO. Escovar os dentes, dar banho, vestir roupa, colocar pra dormir, brincar, ajudar a comer, colocar na cadeirinha do carro. Tu-do. Surgiu aí um grande empasse. Ao mesmo tempo que o Rafa queria fazer tudo com ele, pra tentar compensar a ausência, a gente sabia que esse não era o caminho. Não era saudável pro Nicolas ter somente a atenção e carinho do pai, nem legal pro Rafa que ficava sobrecarregado e nem pra mim, que ficava de fora de tudo.

Então, passamos a conversar muito, mostrar como os amiguinhos dividiam a atenção com a mamãe e o papai deles e começamos a simular todas aquelas situações com brincadeiras pra ele entender que o papai viajaria mas sempre voltaria, que nós três éramos uma família, que tudo bem querer a atenção do papai, mas que tinha que deixar a mamãe ajudar também, etc, etc, etc. Algumas vezes funcionava, outras não. Mais não que sim, na verdade.

Quando ele fez três anos, o Rafa continuou a viajar e as requisições do Nicolas foram ficando cada vez mais particulares e sem sentido, como por exemplo, o papai tinha que ser o primeiro a dar “bom dia” (!!), ou só o pai podia dirigir o carro (!!!), ou só o pai podia OLHAR pra ele (!!!!). Ou seja, a situação tinha chegado ao seu limite. Tudo bem querer fazer determinada atividade só com o pai, mas que diferença fazia quem pegava o copo de água, quem o ajudava a vestir a roupa e se EU estava olhando pra ele??? Então, toda vez que isso acontecia, explicávamos que a mamãe também podia fazer essas coisas, que eu adorava fazer tudo com ele e passamos a fazer combinados do tipo ”mamãe faz isso agora, e o papai faz aquilo depois, que tal?”. Ou “se a mamãe dirigir agora, a gente passa pelo caminho que você gosta, se não, vamos pelo caminho de sempre mesmo”. E outras vezes, simplesmente fazíamos o que dava, independente do que ele queria. Não dava pra amparar qualquer desejo, mesmo sabendo que ele estava confuso.

O quarto dele, que eu pintei com tudo o que ele gosta.

Li muito sobre o assunto. Li aquele livro “Criando Meninos” que não me ajudou muita coisa. E algumas vezes, tentei também ser mais maleável em algumas situações do dia-a-dia ou até mesmo imitar a forma com que o pai brincava. Arremesso? Lembra? Sim, eu tentei. Mas chegou num ponto que desisti. Eu não estava sendo eu mesma. Eu tinha meu próprio jeito de interagir com ele e fazer as coisas, o Rafa tinha o dele, e isso era o legal de se ter mãe e pai, não? Então continuei demonstrando todo meu amor da forma que eu sabia, mas também sendo dura e impondo limites toda vez que precisava.

Depois de muita conversa, muito tempo juntos, houve um período que ele realmente melhorou, relaxou mais. Foi então que a Lily nasceu.

POFT.

Gritos, choros por qualquer coisas, exigências descabidas, sono MUITO agitado, escândalos de madrugada quando eu ia vê-lo ao invés do pai, crises de ciúmes quando o Rafa pegava a Lily e muito sofrimento. Tadinho, ele realmente estava sofrendo e a gente ajudava como podia. A primeira coisa, foi ter a vovó aqui, que veio basicamente só pra fazer companhia pra ele – um anjo. Na presença dela ele lidou muito melhor com a situação toda, já que se sentia seguro e amado o tempo todo. Mas foi só ela ir embora que ele passou a se sentir ameaçado. Primeira reação: desdesfralde. Segunda: crises de choro INCONTROLÁVEIS.

Dias que se iniciavam com “Eu quero colo do papai” e o Rafa não estava, sempre foram os piores. Não adiantava abraço meu, conversa, palavras doces ou tentar mudar o foco. Tudo o fazia chorar mais. Perdi a conta das vezes que ele chorou por 2 horas seguidas, sem trégua e com a mesma intensidade. Aliás, quanto mais longe eu ficasse, melhor, mais chances tinham dele se acalmar eventualmente. Isso partia meu coração em mil pedaços, mas não tinha nada que eu pudesse fazer. Quando ele parava e se reconstituía, voltava a ser o mesmo menino fofo, carinhoso e prestativo de sempre.

O auge da crise aconteceu há um mês, quando coincidiram as visitas da Patti e da vovó Stela. Era uma crise emendada na outra. Mas como auge é auge e depois dele não tem como piorar, as crises foram se espaçando. Ele ainda continua acordando pelo menos uma vez toda noite pedindo pela companhia do pai, mas as exigências de que somente o Rafa pode ajudá-lo ou eu não posso olhar pra ele (ó céus!), estão cada vez mais escassas.

A nave espacial. Na minha mão, o mapa do tesouro intergaláctico, como já tinha mostrado AQUI.

Aliás, desde que a Lily nasceu, ele ainda não tinha me permitido participar tanto de sua vida quanto agora. Pra começar, represento a voz oficial de sua grande amiga imaginária. Também, tenho alternado com o pai na contação de histórias à noite, nas saídas pro parquinho e brincadeiras em geral. Mas o mais memorável, foi o dia em que estávamos todos na sala assistindo a um filme e, totalmente sem precedentes, ele vira e ME chama pra pilotar sua nave espacial. Consegue imaginar minha emoção ao ouvir “mamãe, deixa a Lily com o PAPAI que eu quero brincar com VOCÊ”?

Tô vivendo um verdadeiro sonho, gente! E sem Cuca de peruca, viu? :)

___________

Ontem, indo ao parquinho:

- Ih, Nic, esqueci de colocar a roupa pra lavar! 

- Tudo bem mamãe. Olha, a gente vai no parquinho agora, fica só 2 minutinhos, aí a gente volta pra casa e eu te ajudo a lavar a roupa, tá bom?

- Oba, tá bom! E o que a gente faz com a Lily?

- Ah, deixa com o papai.  :D


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a cria, a babysitter e uma mãe de peruca

Tá vendo só, é isso que acontece. A pessoa some, fica séculos sem dar as caras, e aí? Se acumula de gostosura da cria pra postar, de coisas pra contar e como vocês comprovarão logo, principalmente de MUITA bobeira pra extravasar!

Mas primeiro, deixa eu fazer um resumão… onde foi que eu parei mesmo? Ah sim, quando as visitas foram embora. Então, gente, fácil não. Pensa comigo: se a pessoa sempre teve dois braços, ela passa um aperto monstro, mas como não sabe o que é ter mais braços, segue a vida normal. Agora, se a mesma pessoa, de repente fica com 4 (ou até 6) braços por MESES e de repente volta a ter dois, é no mínimo traumatizante, concorda?

Então. Ainda tô me recuperando. Mas vamo lá.

 

 

Durante esse tempo, Liloca fez 7 meses, aprendeu a bater palmas (fofa fofa!), dá tchau quando quer (e eventualmente mistura com bateção de palmas), senta sem apoio, come com uma-boca-boa-que-só-vendo, MAS continua bebê dependente de colo. Vai gostar, viu? Tirando o milagre de que outro dia ela dormiu 1 hora na cama pela tarde, a maior parte do tempo é só no colo. Nossa simbiose é tão grande, que chego a sentir como se eu ainda estivesse grávida dela, só que com uma barriga gigantesca e itinerante, que ora tá na frente, ora tá nas costas. Uma loucura isso.

(barriga nas costas – aí, nota-se que a mãe canguru dá seus pulos e ainda trabalha)

Já Nic, tem vivido alguns momentos BEM difíceis e complicados de se lidar. Tô crendo que a fase tá passando (dedos das mãos e pés cruzados) e vou contar tudo com mais detalhes no próximo post. O bom é que a natureza dele é boa, então as crises sempre se intercalam a boas risadas.

 

 

E olha aí ele depois de colher o primeiro tomatinho no nosso quintal! Agora, me pergunta: ele comeu??? Deixo a resposta pra vocês advinharem.

* * *

Pois ontem, estas duas crianças bonitas tiveram sua primeira experiência com uma babysitter. É que finalmente chegou a hora dos seus pais fazerem uns programinhas de adulto, né? Como fãs de carteirinha que somos, fomos assistir ao stand up do Jerry Seinfeld. Gente, que sensacional! Foi tão bom que eu até consegui esquecer que a Lily ficou chorando no colo da babysitter quando a gente saiu. E olha que eu dei peito, fiz ela dormir e tudo, mas não adiantou. Logo depois que a gente arrancou com o carro ela acordou e abriu a boca a chorar. Não foi fácil seguir em frente, mas foi melhor, pois no final das contas, apesar dela ter chorado por mais um tempo, dormiu, jantou bem e a gente pode aproveitar um pouco.

Mas o que partiu meu coração mesmo, foi a reação dela ao me ver de volta. Ao invés de rir, explodiu foi num choro super sentido, como quem diz “como você teve coragem de me abandonar assim, minha companheira simbiótica?”. Mas bastou um minuto pra ela ficar MEGA feliz. Aliás, ficou doidona: não sabia se ria, se dava gritinhos, batia palmas, tchau, balançava as perninhas… Ela ficou elétrica e puro sorrisos! Bonitinha. :)

* * *

Bom, agora chega de papo furado. O video abaixo surgiu da necessidade de postar uns videos que estavam aqui mofando, além de uma vontade INCONTROLÁVEL minha de usar peruca! Gente, me siento otra persona! Ele foi feito por pura diversão e falta de senso de ridículo, então não reparem nas cenas descontínuas, pois foi tudo gravado aos poucos, quando dava – em dias, horários e humor diferentes.

E claro que tinha que ter uma participação especial, né? A Cíntia, além de inteligente, engraçada e linda, tem obviamente um parafuso a menos por ter topado participar disso aí. E ainda me ajudou com várias ideias! Adorei a parceria, fia!

Ó, cuidado com o volume, tá? Ele às vezes fica um pouco mais alto. Mas o bom é que o resultado ficou tão sério e classudo, que se te pegarem assistindo no trabalho, você diz que está se informando, assistindo um noticiário.

Bora assistir?

 


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Post do Guest – a divertida vovó Stela

O coração desses meninos já deve estar todo desbeiçado de tanto entra e sai de pessoas queridas nos últimos meses. Vem uma, coração expande, vai embora, coração mingua. Não que o fato das pessoas irem embora desocupa o coração, mas é que ele fica apertadinho, né?

E foi assim. Primeiro veio uma vovó, depois a titia e por último a outra vovó. Note que vieram todas sozinhas, hein? Eita mulheres aventureiras!

A vovó Stela fez uma visita mais rápida, de 10 dias, mas não menos marcante. Pra total alegria do Nic, ela é também uma apaixonada por carros. (Sempre soubemos, mas agora confirmamos a origem de tamanha obsessão do menino. Tá mesmo no sangue!). Por isso, não teve um dia que ela tenha deixado de brincar e apostar corridas com ele no chão. Pena que, por causa da robalheira desenfreada incrível habilidade automobilística do Nic, ela não tenha conseguido vencer uma corrida sequer. Quem sabe na próxima visita? Vai treinando em casa, vovó Stela!

Assunto entre eles nunca faltou. Quando não falavam sobre modelos de carro, desempenho do motor ou aerodinâmica avançada, estavam discutindo sobre o caráter do lobo mau. Aliás, nada foi mais surpreendente e fofo que ver ela, uma executiva super ativa e dinâmica, ter tamanha paciência pra contar as mesmas histórias TODAS as vezes que o Nicolas pediu. Umas 78 vezes? Talvez mais. E ela sempre contava com o mesmo entusiasmo. Tenho certeza que Nic jamais vai esquecer esse carinho!

Em Banff (Stela e Nic)

Two Jack Lake, Rocky Mountains (Stela e Lily)

Stela e nóis

*

*

Além disso, a vovó correu muito atrás do Nic (haja fôlego!), carregou Liloca pra cima e pra baixo e nos fez rir demais com suas histórias e mania de limpeza. Enfim, alegrou nossos dias com sua incrível animação! Volte sempre vovó Stela!

Chega de falar, né? Por fim, a palavra é dela: 

Sempre que penso em um colar de pérolas concluo que as pessoas valorizam somente as pérolas. Se esquecem de que o que dá “brilho” às pérolas é o fio, que lhes dá movimento, flexibilidade e o mais importante: sustentabilidade. É essa a leitura que faço de você, Luciana, no contexto da sua família.

Quando pensamos nos nossos filhos não importa o que eles vão ser quando crescer, se tiverem o nosso apoio, poderão ser o que quiserem!! Rafael – saiba que nossa missão sempre foi essa: fazer acontecer para que vocês nos superassem!! E você fez isso com maestria, elegância e eficiência e é um Homem que exerce que mais importante do que Ter é Ser!!

 Lily – menina doce e risonha, que sua vida seja leve, feliz e harmoniosa!!

 Nick – garoto espirituoso, criativo, amoroso, conectado em tudo e em todos, que você cultive a arte de conviver com todos harmoniosamente!!

Conviver com vocês esses dias me deixou uma sensação de felicidade plena e extrema!!

Amo vocês!!

Stela Gradim

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