O lado cômico da maternidade


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as trocas de nomes e o lenga-lenga bizarro

Quando eu era pequena rachava de rir da minha mãe porque ela nunca conseguia acertar os nomes dos filhos na hora de chamar um. Passava por todos os nomes da família, dos irmãos dela, da vizinha, dos gatos, e quando ela finalmente acertava, a criança já estava longe.

Depois de um tempo ela foi ficando mais espertinha. Não que ela tenha passado a acertar de primeira, mas pelo menos começou a falar somente a primeira sílaba de cada nome. Rei-Pá-Lu, por exemplo, era eu.

Por sorte não tenho uma mãe vingativa. Pois se ela fosse, estaria hoje me dizendo “ora, ora, ora, veja QUEM está confundindo os nomes dos filhos agora…”.

Pra vocês terem uma idéia, tem dia que estou tão doidona, mas tão doidona, que chamo o Nic de Lily, a Lily de Nic, o Nic de Lic, a Lily de Lícolas, o Nicolas de Nily, a Lily de Nicoly e ainda quase esqueço meu nome.

Grave.

Pois a coisa ficou ainda mais grave na semana passada. Tenta imaginar uma mãe já desparafusada, desta vez sozinha com duas crianças por 9 dias (primeira vez de várias). Juro, não sei como terminamos todos vivos, só sei que no último dia, eu já não lembrava quando tinha trocado a fralda da Lily, se o Nicolas já tinha tomado banho ou se eu tinha almoçado. E ainda me pegava falando coisas do tipo “Lily, termina logo de vestir essa cueca que ainda tô dando mamá pro Nic”.

E Nicolas gargalhava.

Fácil não, viu gente. Perrengaço essa de não ter ninguém pra quem passar a bola, pra dividir os filhos na hora de comer, dar banho, colocar pra dormir, pra se alternar de madrugada na hora de checar o filho que tá tossindo ou chorando com pesadelos no outro quarto e pegar a bebezinha no colo mil vezes porque ela tá se contorcendo e não consegue dormir, ninguém pra conversar no final do dia, ninguém pra poder dizer “me ajuda aqui que vou tomar um banho”.

Pra sobreviver, tive que organizar ainda mais minha já (cof, cof) organizada rotina e focar no básico, sem esperar fazer nem um tiquinho a mais que o estritamente necessário. Claro que com um pouco de disciplina, tudo tava parecendo fácil demais, né? Então dona Lily resolveu adicionar um fator pra randomizar um pouco nosso dia: o fator lenga-lenga bizarro. Prestenção: Lily que era bebê venerado por todos por dormir em qualquer lugar e por longas horas, cansou. “Boriiiiing, pensou ela.” Entao num belo dia decidiu virar uma high need baby, passando a dormir SOMENTE e tao somente no colo durante o dia e fazendo muita, mas muita hora mesmo pra dormir à noite.

Vou contar o que que ela faz, amiguinhos.

TODOS os dias, exatamente às 18:30, Lily chora por 5 a 15 minutos no colo, capota de cansaço e depois de 30 minutos exatos, acorda revigorada, pronta pra brincar e fazer aqueles sons mais que bonitinhos que ela tem aprendido. Passados 10 minutos, ela está cansada outra vez. Então dorme no colo amorosamente embalada, porém, a cada vez que é colocada na cama dona Liloca acorda, seja rindo ou chorando, mas acorda. Esse lenga-lenga dura de 2 a 3 HORAS, TODO santo dia. E como lá pelas 21 eu já estou DOIDA pra dormir, peno muito pra conseguir aguentar firme sem pedir penico ate 22 ou 22:30.

Assim que, estando só eu e não podendo me dedicar somente à ela no período de lenga-lenga, tenho que me apressar pra fazer tudo antes: tomar meu banho (ou não), dar banho nela (ou não), dar banho no Nic (ou nao), dar janta pro Nic que demora horrores pra comer (quando come) e deixar tudo preparado pra gente ir dormir. Ou seja, antes das 18:30, amiguinhos, já estamos todos de pijama e pantufas. Daí, durante o período bizarro, tenho que aproveitar as brechas (se existirem) pra dar um leite ou iogurte pro Nic, escovar os dentes dele, contar historinha, levá-lo ao banheiro e colocá-lo pra dormir até as 20h, que é quando ele já está capotando de sono. Tudo isso sem mostrar que estou com pressa, pra ele se sentir especial.

Durante a madrugada, dona Lily dorme um pouco melhor e acorda pra mamar a cada 2 ou 3 horas, mas algumas noites o sono dela é super agitado e ela acorda muito mais. E como sofremos por 15 meses com o refluxo do Nic, às vezes suspeito que ela também possa estar ficando refluxenta. Espero tirar a duvida no próximo mês, quando finalmente conseguimos consulta com um pediatra. Conto depois.

As horas do almoço também são complicadas. Em geral demoro 3 horas entre fazer o almoço, dar comida pro Nic e comer, sem contar arrumar a cozinha. E cada dia acontece algo diferente pra tornar nossos dias únicos e emocionantes. Como o dia que Nic caiu e machucou a boca, Lily chorava sentada na cadeirinha e a comida começou a queimar no fogão. Durante 5 minutos eu ouvia a nada harmoniosa sinfonia composta pelo choro de duas crianças, uma musiquinha infantil vinda da cadeirinha de balanço e o escandaloso alarme do detector de fumaça que disparou.

Enfim. Um show.

E assim tem sido. Definitivamente virei mamãe canguru durante o dia, carregando Lily pra cima e pra baixo e felizmente contando com a colaboração do Nic, que nunca se importou de me ver com ela o tempo todo. Claro, existem as crises “veladas” de ciúme, como as escapadas de xixi que têm ficado mais frequentes e o fato dele só aceitar comer se eu der na boca (já que ele já comia sozinho). Também foi agora que desenvolvi o método do grito sussurrado, entre-dentes, sabe? “Nicolas, para de fazer barulho, por favor! Sua irmã demorou pra dormir!”. Nem sempre funciona, mas tá valendo.

No mais, só acho que não enlouqueci mais nesses dias sem marido porque recebi muita ajuda, aqui e ali. A começar por todos os meus vizinhos que são gente fina demais. Teve gente que se ofereceu pra ir ao supermercado pra mim, gente que me trouxe comida quentinha pra eu poder tirar uma folga da cozinha, gente que ficou com a Lily pra eu poder passar um tempo só com o Nic. E tiveram os amigos, que me escreveram email perguntando se eu estava viva, amigos que vieram passar um dia comigo só pra me fazer companhia e me ajudar a carregar Liloca, gente que escreveu post especial contando da sua experiência sozinha com duas crianças. E quando mesmo assim tudo parecia muito difícil, descobri que o melhor remédio era sair pra caminhar. Um dia caminhamos por 2 horas seguidas, entrando e saindo de trilhas, e claro, torcendo pra não darmos de cara com um urso!

Bom, e agora que marido voltou, tudo ficou melhor outra vez. Só o que continua é a lenga-lenga bizarro da Lily e claro, a trocação de nomes. E não pensem que estou sozinha nessa. Outro dia mesmo escutei o Rafa chamando “Líiiiiiiiiicolas!!!!”.

Tá achando que só mãe é doida?


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Foi ao dentista, largou a chupeta e se amarrou numa massagem

Eu vou contar três fatos sobre o Nicolas (na verdade alguns têm mais à ver com decisões que tomamos pra ele, mas tudo bem):

1º. Nunca gostou de massagem. Bom, pra começar, nos primeiros meses eu nem sequer conseguia encontrar o momento ideal pra fazer uma massagem nele. Isso porque shantala não deve ser feita quando o bebê está com fome, nem com barriga cheia, nem com sono, ou chorando. Pois sobrava algum espaço aí? Eu não conseguia encontrar.

Mas daí ele foi crescendo e os momentos foram aparecendo. O meu preferido era depois do banho, antes de dormir. Eu abaixava a luz, passava creminho, colocava a cabeça dele mais alta num travesseiro pro refluxo não incomodar… mas, ele só sabia chorar. Não tinha toque de borboleta que o acalmasse, e o momento que deveria ser relaxante era puro stress, então pensei que talvez massagem não fosse o lance dele e parei.

2º. Sempre usou chupeta. Eu sabia muito bem que chupeta é um condicionamento desnecessário que nós, pais, criamos pros nossos filhos e que no final das contas quem mais sofre pra perdê-lo são eles. Injusto né, e por isso mesmo decidimos que chupeta lá em casa não passaria nem perto… Bom, isso até o Nicolas nascer, ter muita dificuldade de dormir e mamar, e chorar muito. Por total falta de experiência pra pensar em outras alternativas, pensamos que talvez o que estivesse faltando fosse a dita-cuja.

Depois, viemos a descobrir que o que o incomodava mesmo era um negócio chamado refluxo. Então veio o doutor e disse que a chupeta era até muito bem vinda nesse caso, já que aumentava a produção de saliva e ajudava a combater a acidez. Amparados por essas palavras, e de consciência mais limpa, seguimos com a chupeta, apesar de sempre atentos ao melhor momento de tirá-la. No entanto, com o passar do tempo, a danada foi se tornando cada vez mais nossa aliada pra fazê-lo dormir, nas viagens de carro e avião, e assim o momento ideal de tira-la parecia estar cada vez mais distante…     

3º. Aos 18 meses de idade nunca tinha ido ao dentista. Apesar de todas as recomendações de levar os bebês ao dentista ao sair o primeiro dente, ou ao menos, ao completarem um ano, a gente decidiu adiar essa visitinha ao máximo. Eu previa um desastre, considerando o malabarismo que eu tenho que fazer pra conseguir escovar seus dentinhos todos os dias e sem falar no comportamento dele até mesmo pra cortar o cabelo – imagina se no dentista seria diferente…, eu pensava. Além disso, achei $170.00, um valor alto demais pra pagar pra ver. Então me agarrei com a Fadinha do Dente e pedi pra que ela protegesse os dentinhos dele até ele crescer só um pouquinho mais.

* * *

Bom, no final das contas, viemos pro Canadá e tínhamos que conseguir um dentista de família de qualquer forma. “Obrigada, Fadinha, mas o momento já chegou”.  

Acontece, que criança tem mesmo o poder de nos surpreender, né? Sempre! Coisa linda, isso… Não é que a gente foi nesse doce de dentista (dentista não deveria ser tão doce, mas essa é), que com suas luvas alaranjadas e toques delicados, conseguiu com que o Nicolas abrisse o maior bocão e ainda ficasse lá deitado super quietinho e FELIZ? E não fechou a boca nem quando ela terminou de olhar tudo! Surpreendente…  

Ela contou que os dentinhos dele estão de um branco alvo e perfeição jamais vistos super bem cuidados, MAS… que a arcada superior dava leves sinais de arqueamento. “Ele chupa dedo?” – ela me perguntou.

- Não, chupeta. Mas já tá parando.

E assim foi. Chegamos em casa e eu imediatamente escondi a chupeta. Nem pensei no que iria dizer pra ele. Na hora da soneca ele então me pediu. “Bico, mami.” (aqui em casa a gente chama de bico). Então eu falei a primeira coisa que me veio à cabeça e que eu sabia que ele entenderia “o cachorro comeu o bico” (a gente tinha acabado de brincar com uns cachorros no parque). Ele resmungou um pouco, pediu mais algumas vezes, mas dormiu. Também dormiu bem à noite nesse mesmo dia. No segundo dia é que acho que a ficha dele caiu e ele se deu conta que realmente não teria mais chupeta e chorou muito na hora de dormir. Foi uma hora e meia falando “cadê bico? Cadê bico?”. Fechava os olhinhos, mas não conseguia dormir.

Então ocorreu o inesperado. Instintivamente eu e o Rafa começamos a fazer massagem nele, cada um num bracinho e ele… AMOU. Ficou super relaxado e tinha momentos que até fechava os olhinhos. Depois disso, dormiu super bem.

E desse dia em diante, ocorreu a mágica inversão. O uso da chupeta deu lugar à massagem. Um conforto de melhor qualidade, que aproxima a gente e que não estraga os dentes!

“Maaaaaami! Paaaaapi! Mais massagem!”

* * *

Em tempo, um recadinho pra outras mamães:

- a facilidade de tirar a chupeta do Nicolas foi um caso em um milhão. Na maioria das vezes o processo envolve muito choro, sofrimento e noites mal dormidas, por isso, pense com carinho antes de oferecer chupeta ao seu bebê.

- eu tive o exemplo da minha irmã, que só foi largar a chupeta com 3 anos de idade, mas que mesmo assim teve sua dentição intacta. Por isso, no fundo eu pensava que chupeta talvez nem fosse tão prejudicial como todos sempre diziam. Agora, com o caso do Nicolas, sei que o efeito delas existe sim, e que o fato dele chupar a ortodôntica e só pra dormir também não ajudaram em nada.

- se seu filho já usa chupeta, não faça como eu e espere os primeiros sinais negativos do seu uso. Comece a tirá-la o mais rápido possível, e uma vez tomada a decisão jamais volte atrás.


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16 meses nicolando

1 ano e 4 meses de idade, quase 12kg de peso, 12 dentinhos na boca, 4 pontinhas de caninos saindo e inúmeras conquistas…

E devo contar, meus amigos, que o salto de desenvolvimento que o Nicolas deu neste último mês não foi um mero saltinho…  na verdade ele não perderia pra nenhum salto olímpico recordista. Afinal, o Nicolas já não sofre mais com o refluxo, não mama mais de madrugada, dorme a noite toda, come de tudo (não muito, mas é sem amassar), aprendeu a pegar no sono sozinho pras sonecas (tanto que já dorme em qualquer lugar!), calça seus sapatinhos com alegria, e… anda subindo em tudo e repetindo tudo o que a gente fala… um pe-ri-go!

Eu vivia imaginando como seria quando a gente tivesse que policiar tudo o que falássemos. Pois não é que num dia desses aí pra trás, enquanto eu lutava com a internet que havia travado pela vigésima vez, acabei proferindo um sonoro “QUE SACO!” pra logo em seguida escutar o Nic repetindo às risadas “saco! haha! saco! haha!”. Daí me dei que conta que o momento havia chegado e fiquei feliz por não ter dito algo pior. E se por um lado eu tô me controlando até mesmo pra falar ‘que saco’, o papai se derrete todo ao ouvir o Nic repetindo ‘saaacou?’, assim como ele, e ainda com direito à mesma entonação. Tá todo bobo… :-)

Outra coisa bonitinha é que ele incorporou um ‘ai, ai’ no final de uma longa risada, assim como eu faço as vezes. E as outras palavras que ele anda falando agora são‘ávis’ (árvore), ‘desce’, ‘sobe’, ‘agui’ (água), ‘mais’, ‘papá’ (comida), ‘mamá’ (leitinho), ‘céça’ (licença), ‘bái’ (bye), ‘tái’ (tchau), ‘abe, secha’ (abre, fecha). Sem falar que ele inventou ‘diá’ pro movimento de bater as duas mãos juntas em alguma coisa, ‘duck’ pro prendedor de roupa e ‘zoey’ que até agora não sei o que é, mas ele fala o tempo todo.

E não satisfeito com a limitação de se mover somente no plano horizontal, Nicolas agora também conquistou o plano vertical (olha o SpiderNick aí!). Então é o dia todo, ele subindo, fuçando e descendo, e ainda por cima fala ‘sobe’ e ‘desce’ pra cada vez que ele sobe e desce. Ou seja, ele deve falar isso umas 1.567 vezes por dia.

Também já consegue quase imitar várias coreografias do videozinho preferido dele “It’s rhyme time” e ontem começou a fazer a daquela música “cabeça, ombro, joelho e pé, joelho e pé”… lindo demais… 

E assim ele passa o dia, todo feliz, ativo e super tagarela. Bom, feliz até o momento de escovar os dentes… ou se o papai chega do trabalho e não o pega no colo imediatamente… ou se eu sento no computador pra atualizar o blog, por exemplo. Sai de baixo, ele vira uma ferinha, e ainda vem e abre minha mão me entregando um brinquedo…  “larga isso aí e vem brincar comigo, né mamãe!”. Por isso mesmo, tô aqui aproveitando que ele tá dormindo pra contar as coisas novas que ele anda fazendo. Essas coisas que deixa o meu coração tão cheio de orgulho…


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Santo esquecimento

As vezes um pequeno lápso de memória é tudo o que você precisa.

Passamos os últimos dias na praia com a dindinha (fotos no próximo post). O dia de ida foi um corre-corre danado e mesmo após checar mil vezes se não estávamos esquecendo nada, me dou conta no meio do caminho, que eu não estava levando o que eu acreditava ser essencial: o remedinho pro refluxo do Nicolas.

E por causa desse esquecimento providencial, hoje comemoramos 5 noites sem remédio e sem sintomas!!! Hip, hip, hooray!

Nic anda comendo bem, dormindo bem e estamos todos muito felizes! :-)


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Catching up

E chega 2010! Desejo pra todos, que esse seja um ano com noites bem dormidas, saúde pra toda a família e muitas gargalhadas de criança pela casa (pra quem tem criança, é claro…).

Mas antes de continuar com assuntos fresquinhos, eu gostaria de fechar alguns pontos que ficaram em aberto e contar em que pé andam algumas coisas:

O  refluxo – O Nic fez um ano, mas o refluxo ainda segue ali. Uma ou duas vezes por mês eu tento suspender o remédio por alguns dias, mas nas últimas tentativas os sintomas reapareceram, e nestes casos não tenho outra opção senão voltar com o remédio. Mas pelo menos fica tudo bem.

Homeopatia – Nunca tinha pensado em usar homeopatia antes de ter o Nicolas, mas desde que fiquei grávida e me voltei pras coisas mais naturais e saudáveis, é que passei a considerar seriamente a introdução da homeopatia aqui em casa. Daí, um dia li este post da Flávia do Astronauta, que eu chamaria no mínimo inspirador e vi que era o caminho certo a tomar. Assim, aproveitamos a última viagem pra Perth e marcamos uma consulta com um homeopata, já que em Kalgoorlie não tem. Voltamos pra casa cheios de vidrinhos com conta-gotas. O Nicolas AMA tomar a homeopatia, mas infelizmente não tem feito efeito contra o refluxo. Vamos ver se conseguimos ir ajustando as dosagens…

Alergia/intolerância – Depois de muito pesquisar decidi que não daria leite de vaca ao Nicolas. Mas acabei me rendendo ao leite A2 uma vez aqui e outra ali na hora de preparar uma vitamina, o que coincidiu com o período de prova da homeopatia, e o Nicolas simplesmente não dormia. Acordava a cada hora se contorcendo e chorando e quando finalmente dormia, tinha o sono agitado. Bom, em parte, era o refluxo outra vez. Então voltei com remédio regularmente, mas o sono continuava interrompido, até que suspeitei do leite de vaca. Li e vi que os sintomas de alergia ou intolerância podem ser bem tardios e variados, e não necessariamente incluir inchaços, vômitos ou vermelhidão. Assim, que dois dias após a total suspensão do leite, o sono do Nicolas melhorou 100%. E assim, voltei ao plano original, livre do leite de vaca. Nem um tantinho assim…

Sono – E em falando em sono…  Após 14 meses e meio, finalmente as coisas se ajustam… O Nicolas tem dormido melhor que nunca, e por fim, no seu próprio berço (que fica ao lado da nossa cama, mas já é um avanço!). Já não mama mais à noite e quando acorda, não passa de duas vezes (que pra quem chegou a acordar até 20 vezes ou demorar 3 horas pra voltar a dormir está excelente!). E como por causa do refluxo o Nicolas sempre foi acostumado a dormir no colo em posição vertical, o nosso maior desafio agora tem sido ensiná-lo a pegar no sono sozinho. Pra isso, estou quase terminando de ler o ótimo livro da Pantley “The no-cry sleep solution for toddlers and preschoolars”.

Agora temos uma nova rotina (linda e consistente) pra ele antes de dormir, que finalizamos lendo livros à luz de velas e escutando um cd com sons da natureza. E tirando os dias que ele simplesmente sai andando e não dá a menor bola, posso dizer que está indo bem. Eu sei que leva um tempo até ele se adaptar. No entanto, a parte do berço tem sido um caos. Se levamos ele pro berço antes, fica super agitado, andando de um lado pro outro e querendo colo. Se o levamos quando está bem sonolento, chora imediatamente e se esperneia, mesmo se ficamos do lado dele. Mas seguimos, um pouco todos os dias. Quem sabe daqui uns 3 anos ele não aprende? :-)

Tapas – Li “Criando meninos” na tentativa de entender o comportamento do Nicolas de dar tapas na cara da gente, no prato de comida, ou em tudo o que ele não quer. Mas pra esse assunto em especiífco, o livro não ajudou não (aliás, devo dizer que não gostei do livro em geral). Então por um tempo eu passei a ignorar os tapas, ao invés de ficar falando que não podia, e funcionou… temporariamente. Agora ele está de volta com os tapas e eu tenho a impressão que são carinhos que ultrapassam a medida da força… Vamos ver até quando duram…

Lumpy foodtinha melhorado, agora voltou tudo de novo. Não suporta nenhum pedacinho maior na boca e agora tira com a mão e me entrega, um por um. E também voltou a vomitar de vez em quando. Junto com a hipersensibilidade pra texturas, tambem não deixa mais limpar ao redor da boca, ou escovar seus dentes… Mais uma carga de paciência… e de novo o mantra “vai passar… vai passar… um dia vai passar…”

O pediatra – Contei em outubro do ano passado que consegui a tal carta de encaminhamento pro único pediatra da cidade, né? Pois levei a carta ao pediatra no dia seguinte e sabe pra quando é a consulta? 24 de fevereiro! Isso mesmo, mais de 4 meses após! Felizmente temos conseguido contornar tudo e o Nicolas tem se sentido bem, senão não sei como seria…

Com esse tanto de coisas contadas, acho que estamos zerados pra começar o ano… e com a certeza de que hoje estamos melhor que ontem…


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A quantas anda…

… o refluxo : então, suspendi o remédio e o Nicolas melhorou por três dias. Mas depois dessa renovadora trégua, o refluxo renasceu das cinzas ainda mais fortalecido… a verdadeira personificação do Mumm-Ra (só espero que diferente dele, o refluxo não tenha vida eterna!!!). 

Imagens da Wildstorm Comics - Thundercats

Imagens da Wildstorm Comics (Thundercats)

Daí voltei com uma mini-dose do remédio e ele dormiu mega-bem como há muitas semanas eu não via ele dormindo… E eu, que já estou tão acostumada a acordar tantas e tantas vezes no meio da madrugada, acordei desta vez pra ficar admirando aquela coisinha-feito-anjo dormindo… tão tranquilamente… E agora, seguimos assim, vivendo um dia de cada vez…

… a busca pelo médico: encontrei um outro clinico geral que foi super carinhoso com o Nicolas e um pouco mais atencioso com o caso dele. A consulta deve ter durado quase 15 minutos! Wow! Uma eternidade pros padrões daqui… E depois de uma choradinha, finalmente consegui uma carta de encaminhamento pro pediatra. Agora tenho que ir lá pessoalmente levar a carta e marcar a consulta pra não sei daqui quantos meses…

… a alimentação: vai muitíssimo bem! De repente o Nicolas virou um comilão da melhor qualidade! O segredo? Tô acrescentando caldinho de feijão preto, que encontro numa lojinha tailandesa minúscula ali no centrinho. Agora tem comido TU-DI-NHO, sem ânsia de vômito e sem precisar de banda de música, nariz de palhaço, ou fazer cara de sapo pra ele rir!

Long time ago... Queimando o filme da mamãe... :-)

Fotos de long time ago... e agora, queimando o filme da mamãe... :-)

… os preparativos pro aniversário: um aninho de Nicolas tá chegando! Grande motivo pra comemorar… mas ao nosso melhor estilo: viajando! Agrada a gente e ao Nicolas. :-) Isso, sem falar que sem família e amigos por perto não tem graça fazer festa, né? Assim, vamos pra praia, pro Nicolas se esbaldar de brincar na água e na areia e perceber que seus dias de criança-feliz-que-brinca-muito só estão começando!

E é?

E é?

Então até a volta!


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Estamos feitos

Ei gente, felizmente as coisas por aqui andam um pouco melhores agora… bom, pelo menos meu coração está mais tranquilo, o que já ajuda muito.

Mas digo que ter filho doente e não saber o que fazer pra fazê-lo se sentir melhor não é brincadeira não, viu…

E ainda pior quando se mora num lugar onde não se tem confiança no atendimento médico disponível e não se consegue sequer um médico que se disponha a gastar mais de 5 minutos em uma consulta, que investiga, pergunta e tenta encontrar a melhor solução pro seu caso.

Aqui só tem um pediatra, numa cidade de 30.000 habitantes, onde pelo menos 1/4 são crianças. Pra conseguir uma consulta com ele, (a) o caso tem que ser de extrema urgência e (b) temos que conseguir uma carta de encaminhamento. Só que nenhum clínico geral dá essa carta, pois já sabem que a agenda do pediatra é tão, mas tão lotada, que mesmo com a carta em mãos só vamos ser atendidos após três meses de espera. Me pergunto pra que existe a condição (a)…

Assim, o médico que faz papel de pediatra é um clinico geral da vida. Pra ter uma idéia, o médico do meu filho é o mesmo que fez meu pré-natal. Ótimo com mulheres e partos. Mas só entende de bebê enquanto ele ainda está na barriga da mãe. Saiu, ele já não faz a menor idéia e toda vez que vou lá fica super reticente sobre tudo e só sabe dizer que seja lá o que o Nicolas tem, vai passar.

Bom, o refluxo do Nicolas, que reapareceu por volta dos 9 meses, já estava sendo controlado por um medicamento que diminui a acidez do estômago e assim quando a comida volta pro esôfago não causa tanto desconforto. Sem o remédio o Nicolas simplesmente não dormia (por que sentia dor mesmo ao ser colocado em plano inclinado) nem comia/mamava (por sentir dor ao engolir). Com a introdução do remédio, tudo melhorou. Não passou a dormir 100%, mas estava satisfatório e comia. Acontece que de repente, sem que nada tivesse sido mudado, ele voltou a ter as crises. Passamos várias noites em claro, com o Nicolas acordando a cada 15 minutos chorando e se contorcendo de dor. E a gente já sabia, que esse tal medicamento era a ultima alternativa disponível no mercado. Ou seja, já não tinha nada mais a ser feito.

Mas levei ele ao médico assim mesmo, afinal não dava pra ficar com ele sofrendo assim e não fazer nada, mesmo que eu já soubesse que a consulta poderia ser uma total perda de tempo. E foi. O médico nem sequer examinou o Nicolas. Falou pra eu aumentar a dose do remédio por hora e disse que me garantia que no dia EXATO que ele fizer 1 ano o refluxo vai fazer assim ‘puft!’ … desaparecer. #Já marquei no calendário… tsc. E ainda disse que o Nicolas deve estar achando que é o chefe da casa, mas que eu tinha que mostrar pra ele que não. Que papo de índio é esse? Deixei pra lá. Eu tava preocupada demais com a saúde do meu bebê pra ficar prestando atenção nessa conversa sem pé nem cabeça.

E eu tinha um pulga atrás da orelha… não entendia porque o Nicolas só tinha problemas pra dormir de noite, nunca de dia… Então pensei que a única coisa que diferia é que de noite, antes de dormir, ele tomava o tal do remédio.

 “Doutor, o remédio não estaria fazendo mal pra ele? Será que ao invés de aumentar a dose eu não deveria parar de dar esse remédio?”- perguntei. “É… é raro, mas pode acontecer… Faz o seguinte, interrompe o remédio por alguns dias pra fazer um teste, pois pode estar provocando alguma dor de estômago nele”. De aumentar a dose passou pra zero dose, assim, num segundo.

Agora, parei de dar o remédio (o que me deixa aliviada) e na noite passada ele dormiu um pouco melhor. Acordou algumas vezes, mas não parecia estar com dor… Vamos ver como será daqui pra frente… Mas estou confiante que tudo vai melhorar de verdade…

E se não melhorar agora, pelo menos sei que do dia 18 de Outubro, quando ele completa 1 ano, não passa! Tsc.

* * *

Agradeço de coração por todos os recadinhos tão gentis e reconfortantes, deixados aqui ou enviados pro meu email. Obrigada mesmo! :-)


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Tempos difícieis…

É gente, não tô conseguindo escrever…

O Nicolas voltou a ter crises de refluxo, apesar de todas as medidas que tomamos pra minimizar os sintomas. Tô me sentindo perdida, impotente, sem saber qual o próximo passo… na verdade tô triste mesmo (não me lembro a última vez que me senti assim).

Espero encontrarmos uma solução e voltar logo com as peripécias na Nicolândia.

Torçam pela gente!


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Refluxo (parte II)

Continuando… (clique aqui pra ver post anterior)

Hoje em dia o refluxo tem sido muito banalizado. Se o bebê vomita com frequência, logo dizem que é refluxo. Mas não! Pro diagnóstico correto do refluxo, é preciso que o bebê apresente pelo menos parte dos seguintes sintomas (mas atenção, os mesmos sintomas também podem ser relacionados a outros problemas! O melhor é sempre procurar um médico):

- Irritabilidade, choro excessivo ou gritos

- Vômitos ou regurgitação

- Aparentar estar sentindo dor (o Nicolas tocava sempre a garganta)

- Congestão ou muito funga-funga (como se estivesse gripado)

- Problemas pra se alimentar (recusando comida/leite mesmo estando com fome, arqueando as costas pra trás, cerrando os punhos, chorando durante ou após as mamadas, se alimentando pouco mas frequentemente, muitos engasgos, dificuldade de engolir)

- Problemas pra dormir (dormindo muito pouco durante o dia, acordando com frequencia à noite)

- Perda de peso (por vomitar muito ou por não se alimentar bem)

- Infecções respiratórias recorrentes, ouvido, garganta. Chiado, tosse.

- Chorando ao ser deitado pra dormir ou trocar fralda.

Pra minimizar o problema, é importante colocar o bebê pra dormir em superfície inclinada pra dificultar a subida dos alimentos, dar as mamadas com o bebê quase sentado, mantê-lo na vertical por pelo menos 30 minutos após cada mamada, trocar fraldas antes de comer, etc (consulte o seguinte link pra lista completa de dicas (em inglês)). Em alguns casos, medicação pode ser necessária.


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Refluxo (parte I)

Muitos sabem que o Nicolas teve refluxo nos seus primeiros meses de vida, né? Bom, o quase ninguém ficou sabendo, é que o refluxo dele voltou ao redor dos 8 meses e meio… É, a gente também não sabia que podia voltar. :-( Foi outra fase difícil, com diagnósticos errados, inúmeras noites sem dormir e problemas pra alimentar.

Felizmente tudo já passou, e o sol voltou a brilhar aqui de novo… :-) Já tem duas semanas que tudo foi resolvido e o Nicolas voltou a ser o bebê feliz que a gente conhece.

Mas porque eu estou falando isso agora?

Pra compartilhar nossa experiência e mostrar toda nossa solidariedade por quem tem um bebê com refluxo, pois não é fácil. Não é mesmo.

* * *

Refluxo é quando o conteúdo do estômago (comida + ácido) sobe para o esôfago e causa uma forte queimação. Alguns bebês vomitam ou golfam muito como consequência (mas não quer dizer que todo bebê que golfa tem refluxo! Tem que reparar nos outros sintomas!). Outros não vomitam nadinha de nada, como o Nicolas. Neste caso, é chamado de refluxo oculto, que é o tipo mais difícil de ser diagnosticado e é o que causa mais sofrimento pro bebê, pois queima duas vezes: quando a comida sobe e desce.

O que me ajudou a diagnosticar da primeira vez, foi uma lista com descrições completas dos sintomas que eu encontrei aqui (em inglês). Talvez por ser do tipo oculto, nenhum médico ou nenhuma das muitas consultoras de lactação que eu visitei souberam o que ele tinha (porque se recusava a mamar, não dormia direito e chorava o tempo todo). Infelizmente o diagnóstico e tratamento demoraram tanto a acontecer (após 2 meses) que a amamentação foi completamente comprometida.

Agora da segunda vez, a verdade é que fomos ingênuos…  A gente não sabia que refluxo era algo que podia voltar. Outra vez foram várias noites em claro, com o Nicolas se contorcendo muito, gemendo e chorando toda vez que o deitávamos na cama. Um desespero! Mas como desta vez ele demorou pra mostrar dificuldade em se alimentar, achávamos que fosse excesso de gases, pois ele nunca foi muito bom do intestino…

Foi depois de muito relutar (pois eu tenho total descrença nos médicos daqui) que o levei ao médico e ele sugeriu que talvez fosse o refluxo outra vez, e me contou que refluxo é algo recorrente e que em geral só melhora definitivamente depois de alguns anos…

E foi batata. Ele receitou um remedinho que ajuda a manter a comida no estômago e desde então ele tem dormido a noite toda e comido bem. Um verdadeiro alívio!!!

E engraçado, que hoje olhando pra trás, vejo que no início chegamos a acreditar que toda aquela irritação fosse parte da personalidade do Nicolas. Que ele na verdade era um bebê com altas necessidades, difícil de agradar, exigente, irritadiço e até mal-humorado (needy, fussy and cranky, como aqui são chamados os bebês assim). Que pecado…

Pois qual não foi nossa surpresa, que ao ter seu refluxo tratado, descobrimos que o Nicolas era o bebê mais doce, tranquilo, carinhoso, bem humorado e fácil de lidar que podiamos ter!

Enfim, um verdadeiro boa-pracinha!

Nic risonho

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