O lado cômico da maternidade


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O confronto… final?

Então. Assim como prometeram, vieram eles – o par com gravatas e sapatos lustrosos - pontualmente às 16h do sábado retrasado.

Bom, pelo menos parece que além dos que já bateram na nossa porta, não tem outros que fazem o mesmo. Estou enganada?? Pois se houver, seguramente virão. E no que depender do sempre-agradável-e-gentil Rafa, teremos a semana lotada… A cada dia uma diferente interpretação do livro sagrado, ou… um novo parquinho a ser visitado! :-)

Bom, de qualquer forma, aos poucos vamos conhecendo um pouco mais sobre o que cada religião propõe. E até agora posso dizer que só o que conseguiram foi nos dar um pouco mais de base pra dizer com mais convicção: obrigado, mas não estamos interessados.

E esse era o desafio do Rafa (já que foi ele quem aceitou uma segunda visita) para com os fellows Mórmons.

- Quando eles vierem, vou dizer que li o livrinho, visitei o site deles na internet, mas não estou interessado – me contou o Rafa.

- Beleza. E se eles te perguntarem porque, afinal vieram aqui só pra conversar com você…

- Daí digo que…

- Peraí, peraí, que essa eu tenho que gravar! – Corri pra pegar a câmera – Pronto, continua. Você diz que…

- Digo que não concordo com o que eles pregam, que acho ultrajante e pretensioso por terem um outro profeta e um próprio testamento, e que não é o que estou buscando. Daí peço desculpas e vou fechando a porta.

- Vai falar que é ultrajante, pretensioso e vai fechando a porta? Hahaha! Essa eu quero ver! E mais, vou gravar também e comparar esse seu plano original com sua performance!

Essa conversa se deu na sexta. No sábado às 16h estava tudo ajeitado. Arrumei um cantinho ao lado da porta onde eu ficaria com a câmera sem ser vista, o Nicolas estava dormindo e… chegaram eles. Mas bateram tão forte na porta, que fez o Nicolas acordar da sua soneca!

Como sou mãe, não cineasta, não deu outra. Saí correndo pra acudir o Nicolas e larguei a câmera pra lá. E foi só o tempo de fazer o Nic dormir outra vez e voltar pra sala, pra encontrar o Rafa fechando a porta com um sorriso de orelha a orelha.

- Eu fiz! Consegui!

- O quê? Acabou? Já? Você despachou os mates? E eu perdi? Como foi? Me conta! Me conta! Você falou que achava ultrajante e tudo o mais?

Daí ele riu e falou que não teve coragem, mas que disse todo o resto.

- Mas o mais bizarro – contou o Rafa – é que eles me perguntaram se eu tinha certeza da minha decisão. E falaram que uma maneira de me certificar se eu estava tomando a decisão certa era me consultar com Deus, que Ele certamente me diria em alto e bom som que a melhor religião a seguir era a deles (!). E me perguntaram se eu tinha feito isso. Falei que não e fui repetindo várias vezes que não estava interessado, daí se despediram decepcionados e foram embora. Surreal!!!!!

Mas depois dessa, nos animamos e decidimos que era hora de enfrentar os fellows Testemunhas também. Naquele domingo seguinte nao iria rolar, pois era Dia dos Pais. Mas do próximo não passaria.

E assim foi. Ontem ficamos em casa, e como sempre, por volta da hora do almoço, lá estava ele. Veio sozinho, sem a mulher desta vez, mas se mostrou felicíssimo por finalmente nos encontrar em casa depois de quase 3 meses! Ele entrou e sentou no sofá, perto do Rafa. Eu resolvi não participar, pois estava pintando e queria continuar, daí fiquei ali mais ou menos perto, só escutando. O Nic estava feliz brincando no chão e as vezes soltava umas gargalhadas altas enquanto brincava sozinho (muito fofo!).

A conversa não durou muito, pois o homem tinha um compromisso dali meia hora. Assim, o Rafa foi objetivo e falou tudo o que pensava e o que não concordava na religião deles, e ainda contrapondo alguns pontos com base nos seus conhecimentos geológicos (eu estava achando a conversa o máximo). Obviamente que o homem tentava explicar, falava que muitos também questionavam as mesmas coisas, mas tentava justificar com a interpretação que eles têm da bíblia. Dai o Rafa foi firme, o interrompeu e falou com todas as palavras que ele já tinha lido o suficiente pra decidir que não estava interessado na religião deles e gostaria de parar de discutir a biblia com ele dali por diante.

- Mmmm, entendo… Olha, Rafael, você fez comentários interessantíssimos…. interessantíssimos… A conversa está ótima e eu poderia ficar horas discutindo e te mostrando as referências na bíblia – ele estava sendo sincero – mas infelizmente eu tenho que ir agora, pois já estou atrasado pro meu compromisso. Que pena… E semana que vem vamos a uma conferência nos EUA e ficaremos lá por um mês. Assim, continua lendo a bíblia e nosso livrinho como referência, que você certamente vai encontrar todas as respostas que procura. E que tal se passamos aqui no próximo domingo pra dizer hello e nos despedir de vocês?

E como ele falou DESPEDIR, soou como última visita. Mas fala sério, alguém acha que isso terminou? Que ele vai vir, dizer hello e nunca mais voltar?

I don’t think so.

E depois disso, alguma dúvida de onde estaremos no próximo domingo? :-)


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Quando eu achei que não dava pra piorar

Toc, toc, toc.

Tem alguém batendo na porta!

Eu e o Rafa nos entreolhamos com os olhos esbugalhados, o coração acelerado.

- Serão eles?

Afinal, era domingo, e pela primeira vez em dois meses resolvemos ficar em casa, fazer uma feijoada e relaxar assistindo um filminho.

O Rafa se levantou e respirou fundo. É… parece que o dia do confronto final tinha finalmente chegado. Desta vez não tinha escapatória. Melhor. Assim acabamos de vez com essa vida de gato e rato. Revisou mentalmente nossos argumentos. Com um pouco de sorte tudo estaria terminado depois de algumas horas de discussão.

Abriu a porta. Pra nossa surpresa, não era o casal que sempre nos visitava, e sim dois homens altos de terno e gravata.

- Good afternoon.

- Good afternoon.

- Nós somos os missionários de Jesus Cristo e estamos aqui pra divulgar sua palavra.

- Sim?

- Você já teve a oportunidade de ler a bíblia?

- Bom, na verdade, é o que eu estou lendo no momento.

- Ótimo!

- Nesse caso, gostariamos de te deixar uma leitura complementar, que contém o plano de Deus de salvação. Esse pequeno livro é só uma parte do Livro de Mórmon.

- Ah… Mórmon. Claro, sem problema.

- Será que poderíamos marcar um dia pra discutirmos as grandes questões da vida à luz da palavra de Deus?

- Hmmm… Porque não?

- Que tal próximo sábado às 4 da tarde?

- Perfeito, respondeu o Rafa.

* * *

Peguei o Nicolas e fui continuar a ver o filme. Afinal, tem coisa que é melhor não tentar entender…


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Como fazer a gente sair todo final de semana…

Num belo dia, lá estava eu, varrendo a entrada da frente da nossa casa, imersa em meus pensamentos, quando nada mais que de repente… surgiu este homem, com uma bíblia debaixo do braço.

Perguntou se podia levar uma palavrinha comigo.

 - Sim, como não – respondi – mas não tenho muito tempo… tem um bebê lá dentro de casa esperando pra ser alimentado daqui a pouco.

 - Pode deixar, vai ser rapidinho.

Falou por 25 minutos seguidos – quase sem respirar – me mostrando passagens da bíblia e de um outro livrinho da capa amarela. Escutei, respondi algumas perguntas que ele me fez, até que o Nicolas chorou lá dentro. Fiz menção de entrar e lancei um olhar de “que pena, mas vamos ter que terminar por aqui”, o que por certo ele não captou, pois me disse:

 - Vai lá atendê-lo que eu espero.

Levei o Nicolas lá pra fora. O homem continuou falando e lendo passagens da bíblia.

[Eu gosto de pensar e discutir sobre as questoes existencialistas, sobre espiritualidade, mas eu já sabia como aquilo tudo iria terminar: ele querendo me convencer a entrar pro grupo de estudos e eventualmente me tornar uma Testemunha de Jeová. Eu não tenho nada contra quem escolhe a religião, mas simplesmente não é pra mim.]

Assim, ele falou até um ponto que não deu mais, eu tinha mesmo que entrar. Ele ainda pediu pra ler uma última passagem, mas vendo que o Nicolas estava ficando inquieto me perguntou se eu tinha uma bíblia.

Respondi que aqui na Australia não.

- Pois então eu gostaria muito de te trazer uma. Assim você pode ler quando tiver interesse.

 - Ótimo, obrigada. Então até qualquer dia! E fui entrando.

Foi quando escutei: – Quando?

- Sorry? – perguntei

- Quando posso trazer a bíblia? Falou tirando uma agenda do bolso.

“Tô lascada… ele está levando isso realmente a sério” pensei. E acabei combinando um dia na outra semana.

Pois esse dia, coincidiu com um dia que o Rafa estava em casa. Tudo o que ele falou pra mim, ele repetiu pro Rafa, que acabou por perceber que na verdade ele sempre quis ler a bíblia, e aquele talvez seria um bom momento de começar. Mas deixou claro que ele gostaria de fazer isso por conta própria, ao invés de ter o tal homem como tutor (como este sugeriu), o que fatalmente influenciaria sua interpretação.

No entanto, como era de se esperar, o homem não deu ouvidos e começou a fazer visitas supresas aos domingos a cada uma ou duas semanas, trazendo também sua mulher. Queriam saber como o Rafa ia com sua leitura e ofereceram ajuda pra entender as passagens da bíblia. O Rafa insistiu que gostaria de continuar lendo sozinho, mas eles continuaram a aparecer, sempre sem aviso prévio, e ficavam por mais de 1 hora.

Como eles são pessoas bacanas, a situação ficou realmente delicada. Começamos a pensar que deveríamos dizer claramente que não temos nenhum interesse em fazer parte da religião deles. Mas temos medo de causar controvérsia sobre as nossas razões e fazer com que eles tomem isso como um desafio.

Assim, enquanto a gente pensa em uma forma educada, porém efetiva de falar o que pensamos, temos saído todos os domingos (pra quem conhece bem a gente sabe como gostamos de ficar em casa assistindo um filminho)!

E tem sido ótimo. Estamos conhecendo melhor a cidade onde moramos, aproveitando mais os fins de semana e o clima perfeito… Além de que tem feito muito bem pro Nicolas que tá na idade perfeita de passear e ver gente diferente.

Então é isso… De agora em diante estarei postando fotos dos lugares onde a gente tem ido… Vocês serão testemunhas de que estamos nos divertindo!

Ah! E aceitamos sugestões de como sair desta situação! Você já passou por isso antes?

* * *

Pra acompanhar onde temos ido e a sequência da história, leia também:  Hammond ParkHospital onde o Nicolas nasceuSuper PitParquinhos do bairro; Centro de Kalgoorlie; Kambalda e os bonecos macabros (by Rafa); Museu de mineração; Quando eu achei que não dava pra piorar; O confronto… final?

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