O lado cômico da maternidade


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A história ilustrada dos Laticínios Zumbi – o estabelecimento que nunca fecha(va)

Era uma vez uma menininha que não gostava de dormir sozinha.

Não que ela dormisse grandes quantidades ininterruptas quando estava com companhia. Ah, isso não.

Mas dormia, pelo menos algo que fosse.

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Uma de suas maiores dificuldades, era ignorar a irrestível Fábrica de Laticínios que ficava ali bem do seu lado e – vejam que sorte! – funcionava 24 horas por dia. Uma verdadeira tentação, especialmente pra uma garotinha daquele tamanho.

Assim que, por mais que a menininha se esforçasse pra continuar dormindo (e como se esforçava!), acabava acordando e batendo na porta da fábrica a cada 2 horas.

Toda santa noite.

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No início, a fornecedora liberava o estoque de bom grado, mas após 16 meses de distribuição ilimitada, a boa provisora acabou por ficar num estado deplorável. E realmente muito preocupante.

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Tanto a exaustão, quanto a terrível suspeita de que a pequena meliante consumidora estivesse abusando do fornecimento gratuito, em especial no turno noturno, levaram a dona do Laticínio a interromper os serviços de 24 horas.

Mesmo sabendo que poderiam haver piquetes.

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Construiu então um anexo às instalações industriais e gentilmente convidou a menininha a se mudar. Ela ainda teria a segurança de ter seu dormitório perto da fábrica, mas teria apenas água caso necessitasse se hidratar à noite.

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Mas não deu muito certo.

A menina conseguia pular os muros, e continuou interrompendo o sono (e os sonhos!) da dona da fábrica e demandando o produto lácteo várias vezes na noite. Se lhe ofereciam água, era um escândalo! Como tinham o desplante de oferecer algo tão ralo e sem gosto a uma freguesa tão fiel?

Assim, a dona da Fábrica se deu conta que deveria tomar medidas mais drásticas e decidiu proceder com o desligamento completo da pequena bezerra, migrando seu dormitório pro setor onde hoje dorme o antigo consumidor – o qual já está com 5 anos de idade e tem um sono de pedra.

(Deus conserve.)

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Ela então, vestiu a menina com um saco de dormir – que além de mantê-la quentinha, também teria a função de dificultar eventuais mobilizações noturnas -, fez festa, comemorou as novas instalações e foi pra sua cama com o peito cheio de leite esperança.

Até que, pra sua completa estupefação e assombro, às 2 da manhã lhe aparece a pequena meliante, que conseguiu driblar a segurança, saltar os muros do dormitório mesmo usando aquele saco de dormir e andar sozinha por corredores escuros até encontrar as instalações lácteas.

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Nisso, a verdade caiu como uma bomba na cabeça da fornecedora: a fábrica teria que mudar de endereço.

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Jogando no lixo toda sua dignidade, a fornecedora passou a escapulir sorrateiramente toda vez que a fugitiva vinha procurar refúgio à noite.

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Enquanto isso, o encarregado de plantão ficou responsável por conter os protestos da piqueteira.

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Foram várias noites de consolo e colo, até que num belo dia a menininha aceitou sua nova condição. Mas como crianças são criaturas de hábito, ela continuou escapando de seu dormitório toda noite. A dona da fábrica não viu portanto, outra alternativa senão permanecer no seu novo endereço.

E todo mundo passou a dormir muito bem.

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Até o encarregado do turno da noite ter que viajar. Damn it.

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Agora, a menininha que ainda acordava uma vez toda noite, teve que ser novamente atendida pela dona do Laticínio – o que despertou sua voracidade com uma força avassaladora.

Tentando manter a nova rotina da menina, a dona da fábrica resolveu mudar suas instalações pro lado do seu dormitório. Lá, ela conseguiu oferecer à garotinha a segurança que ela precisava e ao mesmo tempo mostrar pra ela que agora cada um tinha SEU PRÓPRIO espaço e que isso precisava ser respeitado.

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A menininha entendeu (!) e pela primeira vez em 18 meses, dormiu uma noite INTEIRINHA.

Após alguns dias dormindo ao seu lado, a dona da fábrica percebeu que podia voltar pra seu antigo endereço, onde voltou a dormir sozinha com o encarregado de plantão. (Uh lá lá!)

Enquanto isso, a menininha continuou dormindo bem. Bom, até seu primeiro grande resfriado. E depois o segundo.

Mas isso faz parte.

O importante é que ela realmente aprendeu a dormir e que a dona do Laticínio deixou de ser zumbi! :D


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O galinheiro, o sassariquento e o ataque do coala noturno

Ah gente querida, como eu queria vir aqui toda semana pra papear um bocadinho com vocês! Mas quem disse que consigo? Ainda mais depois que cismei de fazer um tal de projeto 365, que minha vida ficou de cabeça pra baixo, assim como se ao invés de 2, eu tivesse uns 30 filhos pequenos, mais 3 cachorros e um galinheiro.

E vocês sabem que não sou dada a exageros, né?

Pois bem, então deixa eu terminar logo de contar essa ladainha da viagem pro Brasil, que já tá me dando vergonha eu estar no mesmo assunto até hoje, 2 meses depois de voltar de lá. Cruzes.

Culpa do galinheiro. Certamente.

* * *

Mas então. Como toda visita a Beagá, a correria é tanta, mais tanta, que quando as crianças começam a se acostumar com alguém, a assimilar o que é tia, primo ou irmã-do-coração da mamãe, já é hora de catar os pertences e visitar outra pessoa. Na saída, a gente só não esquecia de roubar um pão de queijo pra comer no carro e rezar pra Nossa Senhora das Familias em Visita pela Terrinha pra não ter engarrafamento.

Coisa que nunca aconteceu. Ocupadésima essa santa, aparentemente.

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Mas tirando o transito que não transitava (e que até me rendeu umas boas balas chitas que me ajudaram a minimizar certos traumas de infância), deu pra cortar muitos itens da minha lista de coisas que não podíamos deixar de fazer no Brasil.

Número 1

Matar a saudade de abraços. Porque o Canada tem de um tudo, gente, mas não tem abraço. Tirando nos encontros com brasileiros daqui ou os desafortunados que se deparam com ursos (Deus os tenha), a chance de você angariar um abraço aqui é quase nula. Mas matei minha abstinência da melhor forma:  abraçando muita gente querida e amada. Mesmo.

Número 2

Desgarrar a Lily um tiquinho. Porque pense numa criatura agarrada. Ah, que doce, você pensou num coala? Mas não tá nem perto, viu? Então faz o seguinte: pega esse coala, encapa ele com um velcro magnético possante, cola um tanto de bolinha de chiclete ao redor e joga um balde de carrapato por cima. Balde grande. Pronto, agora multiplica por 10. Essa é a Lily comigo. Por isso, foi uma verdadeira surpresa ver ela se jogando no colo de pessoas que ela nunca tinha visto na vida e até criando laços afetivos. Milagres do Brasil.

Número 3

Ver como o Nic se sairia com a língua portuguesa. Não que esse fosse um grande problema, pois português é sua primeira língua. Mas, como ele aprendeu inglês na escola e brincando com seus amiguinhos, quando ele brinca, mesmo que sozinho, ele SÓ fala em inglês. Por isso foi muito lindo e fofo observar ele escolhendo cuidadosamente as palavras pra falar só em português quando brincava com outras crianças. Fofo mesmo. E lindo.

Número 4

Rever a turma de faculdade depois de 10 anos. Muito bom!!! Exceto a parte de encarar que sou a mesma boba de antes, só que com 10 anos a mais.

Número 5

Visitar gente bacana. Desta vez teve cria nova pra conhecer e apertar, amigas grávidas pra encontrar, lasagna da Ignes pra degustar, Ouro Preto pra visitar com gente especial, e pipa pro Nic soltar com o maior especialista do mundo – meu irmão. Check, check, check, check e check.

Número 6

Ter tempo de pernas pro ar. O que significou ter momentos de não fazer nada e só ficar por conta de papear. Foi ótimo aproveitar minha família, amigos próximos e minha cunhada divertidíssima grávida do meu primeiro sobrinho de sangue – o Pedrinho, que nasceu há poucas semanas!!!

Número 7

Ter uns dias só de meninas lá em São Paulo. Conto TUDO logo, logo, prometo.

Número 8

Comer de tudo sem engordar. Sem comentários, desastre total.

* * *

Ou seja, foram 10 dias em BH super bem aproveitados! Mas claro, se você me permite ser bem sincera, sempre tem uma desvantagem aqui ou ali, né? E pra mim, a parte mais difícil foi, como sempre, manter a rotina das crianças.

Rá, caiu nessa, foi? Desculpa, mas essa é a versão genérica, que conto pra todo mundo.

Porque a verdade verdadeira, gente amiga, difícil mesmo foi ter que assistir de camarote a disponibilidade do marido pra sassaricar com os amigos toda santa noite enquanto eu ficava lá, sendo requisitada por dona Lily (que à noite resetava todos os avanços adquiridos durante o dia e voltava pra versão original © Coala Plus).

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À rotina corrida e imprevisível a gente acaba se adaptando, né gente? Agora marido sassaricando sem você é de matar. Já não basta passar a gravidez toda intacto, ainda tem que nascer sem leite nas peitas?

Por isso, enquanto o Sr. Todo Soltinho se encontrava com Fulano, Beltrano, Cicrano ou Soprano, Liloca apurava seu método de manipulação materna, que consistia basicamente, em ameaçar gritar a todo pulmão quando todo mundo da casa já dormia, a fim de conseguir acesso rápido e imediato às peitcholas.

Claro que funcionava.

Afinal eu é que não queria me tornar pessoa malquista e indesejada pelos donos da casa – mesmo que as pessoas em questão fossem sangue do meu sangue.

Nunca se sabe, melhor não arriscar. “Vem cá, escuta. Eu sei que a Lu é linda, maravilhosa, agradável, meiga (…) e que educa os filhos como ninguém. Mas que diabos foi aquela choradeira da última noite? Credo!!! Será que ela esqueceu que tem mais gente tentando dormir nessa casa? Como ela deixa a menina ter o controle daquele jeito? É nisso que dá dormir com filho, eu bem que avisei!’”

Deus me livre de alguém saber achar que a Lily me controla. Então disponibilizei.

No entanto, assim que Liloca foi bonificada com acesso livre e irrestrito à leitaria noturna, ela, que antes acordava uma a duas vezes, passou a acordar duzentas. Natural, vai! Infelizmente, 200 também foi o numero de camadas de corretivo necessárias pra camuflar o aprofundamento das minhas olheiras.

Agora pensa comigo. Se hoje, que estou no sossego da minha casa, cuidando do meu galinheiro tranquila, já ando com cara de quem passou a noite rodando dentro de uma betoneira e logo em seguida foi atropelada por um caminhão com rolo compressor, imagina no Brasil, com uma atividade diferente todo dia?

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Não foi bonito não, gente.

Em um mês, em seguida volto pra contar os causos de São Paulo. Última parte.


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Praia boa é praia azulejada

Anota aí, colegas: viagem que tem até grupo em Facebook, exclusivamente criado pra compartilhar o cronograma diário da família, não tem como dar errada.

Não tem.

Pra começar, o voo de ida foi um espetáculo, como já contei. Tá, cheguei no destino parecendo um chassi de grilo anêmico, mas vamos combinar que isso é um mero detalhe se você pensar que tivemos a grande oportunidade de fazer uma viagem dinâmica e nada monótona, na qual em menos de 24 horas vivemos a emoção de passar por Vancouver, Toronto, São Paulo, Rio e chegar em Cabo Frio de ônibus.

Êxtase define.

Chegando lá, tudo perfeito! Famílias reunidas, comida maravilhosa, até que… dou falta do Ergo-baby, meu super carregador (e tranquilizador) de Lily. “Certeza que esqueci no ônibus”, recapitulei. Felizmente, ficamos sabendo, que na rodoviária havia uma salinha de “Achados e Perdidos”, e por tudo nessa vida que eu tinha certeza que estaria lá. Afinal, que alma desalmada pensaria em levar para si um trapo de pano surrado e o qual tão pouca gente sabe pra que serve?

Pois levaram.

Okay, sem problema. Respiremos fundo e esqueçamos do incidente. Bora aproveitar a praia, que é pra isso que fomos!

* * *

Cabo Frio é ótima, e eu tinha certeza que as crianças iriam adorar! Eu amo Minas, mas infelizmente ela tem o pequeno defeito geográfico de não ter praia, né? Por isso fizemos tanta questão de ir enfrentar a baldeação pra chegar lá.

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(Aliás, fica aqui minha humilde sugestão pra uma futura reformulação da cartografia brasileira. Que tal adicionar dois simpáticos rabicozinhos ali em Minas Gerais, anexando Cabo Frio e Guarapari, que se bobear, têm mais mineiros que a propria Belo Horizonte? #ficaadica)

Mas enfim.

Nossos dias em Cabo Frio teriam sido perfeitos se eu pelo menos gostasse de praia. As crianças curtiram muito,  mas eu particularmente continuo compartilhando da opinião da minha cunhada, que praia boa é praia azulejada. Por que né, gente? Praia é ou não é a mesma coisa que ficar marinando na água salgada e depois ir se esticar na farinha de pão?

Me diga você.

E se tem uma coisa que não sou muito chegada em ser, é frango empanado. Gosto não.

Mas tudo bem, pois fui pra lá com o espírito livre, o coração venturoso e o corpo disposto a aproveitar sem reclamar.

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Areia? Vamos transformá-la em diversão pras crianças.

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Vento e chuva se armando? Encapota a cria, mesmo que seja com fantasia de cogumelo.

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Pombos querendo se meter na sua farofada? Chama a vovó pra se divertir com o neto.

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Ficou entediada? Desopila e finge que tem 12 anos (ou escancara que é boba mesmo, que todo mundo vai dizer que nem tinha percebido).

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Muito sol na cabeça? Bora procurar a sombra de um coqueiro, ainda que pequeno.

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Tem pernilongo na casa? Aproveita pra desfilar seu modelito de animal print mais que original! Vai estar super na moda, gata!

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Fez tudo isso, mas cansou? Então vai pra piscina e aproveita pra mostrar pra todo mundo que mãe, além de fazer milagre em casa, ainda sabe andar sobre as águas!

O que não dá é pra reclamar!

Né?

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PS: Acabei comprando o Sampa Chila  pra substituir o Ergo-baby perdido. A qualidade não é a mesma, mas certamente salvou nossa viagem de volta!


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Lily e a incrível viagem de 365 dias ao redor do sol


Então que Lily fez um ano.

Incrível pensar que um toquinho de gente desse, nem tão maior que um pinguim da Antártica, tenha sido capaz de completar com MAESTRIA sua primeira volta em torno do sol! Clap, clap, clap! E depois dizem que mãe é exagerada e vê genialidade em filho por qualquer coisa. Vê se um bebê que consegue performar uma translação elíptica dessas só não pode ser um GÊNIO, gente?

E como se uma conquista de tal nível astronômico não bastasse, a cria vai chegando nessas idades redondas e o cérebro da gente já se aciona esperando MAIS surpresinhas, né? Pobres crianças. Sim, porque mesmo sabendo que criança não é ciência exata (apesar da trajetória elíptica e tal), bem no fundo você sabe que a hora dela andar se aproxima, a hora dela começar a falar aquele tanto de palavrinhas erradas, emboladas e fofinhas também, e até quiçá (é, daí você se arrisca um pouquinho mais), a hora dela passar a dormir a noite toda. Em outras palavras, ela tá pra fazer um ano e seu coração se enche de esperança.

Dia desses, eu estava trocando umas ideias com meu filho Nicolas (4 anos), e depois de uma acalorada discussão sobre meios de transporte alternativos (na qual concluímos que submarinos não passam de helicópteros sem hélice que sabem nadar), ele me vira e pergunta:

- Mamãe, mas o que vai acontecer quando a Lily fizer um ano?

- Ah, a gente vai fazer um bolinho gostosinho e comer tudo!
+

Ele sorri um sorriso tipo “legal, mas não é bem isso que eu queria saber” e continua:
+

- Mas ela vai ser uma criança adulta?

- Não, ela vai ser uma menininha mais crescidinha.

- E vai saber andar e falar?

- Se tudo correr bem, não só andar e falar, Nic, mas também dormir. Dormir a noite todinha, já imaginou?

Eu disse. Esperança.

* * *

Assim, que poucas semanas antes da Lily concluir sua jornada solar, algumas mudanças realmente foram se materializando aqui e ali. Nasceram 6 dentinhos na boca, ela voltou a comer bem (eeehh!) e aprendeu a falar “dá” quando queria alguma coisa. Até que veio a mudança que mudaria radicalmente nossos dias… e noites: ela esqueceu completamente como é que se dorme.

Bacaninha, né? Então. Lily foi acometida pelo que a comunidade médica internacional chama de ANAP - Aminesius Narcolepticus del Anno Primo. Síndrome catalogada e tudo.

Não que ela já dormisse super ultra bem, não, afinal, em 1 ano de vida ela nunca dormiu sequer uma noite completa. Mas ó, ela já estava acordando somente uma vez pra mamar e voltava a dormir imediatamente. Quer melhor que isso? Tava perfeito. De dia também: uma soneca de 40 minutos pela manhã, outra de duas a três horas pela tarde (!!) – e todas no berço (!!!). Te-ju-ro. Nada que me lembrava nem remotamente a época do lenga-lenga bizarro.

Eu nem mesmo cheguei a comentar sobre esse avanço aqui no blog, por pura superstição simples sabedoria. Porque já reparou? Se a cria desfralda e a gente vem toda-toda contar no blog, grandes chances que ela virá a desdesfraldar logo mais. Se de repente o filho abre a boca a comer de tudo e você abre a boca a contar tudo, não dou 24 horas pra que ele volte ao antigo modus seletivus de só aceitar arroz com ovo pelo próximo mês. Porque é assim que funciona, amigos. Blogou, degringolou. É a chamada Pragus di Blogus, já ouviu falar? Teoria super famosa e embasada.

Por isso não quis arriscar e ficar tirando onda que Liloca tava dormindo igual foca no sol, ne? Vocês hão de me entender. Só pena que não adiantou nada e ela desaprendeu a dormir do mesmo jeito. Foi só a gente voltar do Mexico que Lily ficou ligadona. Arriba, arriba! Hoje em dia, suas sonecas não passam de meia hora e por vezes ela só dorme 10 minutos! Tô de brincadeira não! O que que uma mãe faz em dez minutos, gente?

Já à noite, Liloca instituiu o Happy Hour, que costuma ir mais ou menos de 2 às 4 ou 5 da manhã. Ela acorda, começa a conversar e rir sozinha (lance pirado mesmo), depois, parece que vai ficando entediada e começa a querer puxar papo, puxar meu cabelo, beliscar meu nariz e escalar minhas costas. Se eu passo ela pro berço é choro na certa. Não adianta dar peito, cantar, massagem, nada. Tem que esperar o tempo dela de fechar o boteco.

Com isso, tô tão sem dormir, que um dia eu passeava pelas ruas procurando uma loja pra comprar bombas de chocolate um mercado pra comprar quinoa, quando me deparo com um cartaz desse tamanho na frente do Scotiabank, mostrando uma menininha que era A CARA da Lily. Espia só. Creepy, huh?

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Fiquei dura, paralisada, estupefata. Por causa da semelhança? Também, mas a verdade é que na hora, eu nem sequer tive a destreza de notar que não era a minha filha, e tudo o que eu conseguia pensar era QUEM finalmente tinha conseguido fazer a Lily dormir daquele jeito e ainda por cima escorada num braço de sofá daqueles!

Sim, amigos, vocês acertaram – eu estava sofrendo alucinações terribilíssimas causadas pela famosa síndrome do Sonus Deprivatus Maternus. Muito comum, infelizmente.

Quando dei por mim, eu já estava babando, me arrastando e olhando com um olhar semi-cerrado pra um banco da rua na minha frente. Sabe quando você liga o automático “filho dormiu aproveita pra dormir também”? Pois é. O que me salvou de uma cena lamentável foi um dedinho gordinho saindo do carregador de bebês das minhas costas, seguido de uma vozinha toda feliz: ií-iy. Falava a voz. Praticamente uma palavra com 4 “i”s, assim como iô-iô, mas com “i” no lugar do “ô”, sabe?

Era a Lily falando o nome dela, balançando de alegria e olhando pra menininha-sósia do cartaz do banco.

Recobrei minha consciência, comprei um café ultra forte, uma caixa de bombas de chocolate e um pacote de quinoa, e voltei pra casa pra fazer o bolo de aniversario da minha querida viajante cósmica. No dia seguinte ela completaria sua primeira trajetória elipsoidal e eu não poderia estar mais emocionada. Entrei no carro e fui pensando que “e daí se a bebê não dorme quando ela sabe falar o próprio nome?”.

Amo essa minha menininha esperta!

PS: aguarde que no próximo post tem mais!


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Matéria na Revista PEOPLE – Edição Especial

Gente, depois das entrevistas que dei no Castelo Caras e Revista Quem, a Revista People resolveu fazer uma edição especial com a gente (e em português, veja só!). Infelizmente, nem tudo aconteceu como contaram e tem muita fofoca envolvida, mas paciência. Essa vida de celebridade é assim mesmo! :)

Copiei a matéria abaixo só pra vocês. Enjoy e feliz 2013!

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Pra quem não me conhece, vale dizer que esse post é uma sátira das matérias fúteis e superficiais desse tipo de revista. Me divirto horrores tentando escrever como eles.
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people-cover_lu2 copyLuciana (26), Rafael (34) e seus filhos Nicolas e Lily passaram férias juntos sob o maravilhoso sol de Cabo San Lucas, México. Durante a estadia foram fotografados diversas vezes na companhia de alguns amigos famosos. “A Jen é uma fofa, mas o Charlie é um bêbado chato”, declara ela.

Luciana exibiu seu elegante físico após duas gravidezes num clássico maiô da Sun Lorran (veja cupon de desconto na página 34) com lindos acessórios da Xanel. Uma amiga íntima contou à PEOPLE que o marido da ilustradora havia insistido pra que ela usasse um biquini ao invés, mas que Lu ainda não se sentia à vontade pra brincar com as crianças mostrando a barriguinha. A amiga de longa data acrescenta que Lu tem suas razões, já que apesar de magra, ela já não tem mesmo aquela barriga lisa de antes.

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O casal foi visto diversas vezes relaxando na praia ou na piscina, sempre acompanhado das crianças, de um jacaré de plástico e uma sacola de brinquedos. Uma cliente do resort contou que algumas vezes Luciana foi vista pedindo mojitos de morango orgânico ou margaritas com sal não-refinado, mas também reparou que várias vezes ela trocava as bebidas alcoólicas por suco de melancia com hortelã. “Li que ela ainda amamenta a Lily, deve ser por isso que ela foi tão cuidadosa com o que consumia. E suco de melancia com hortelã é mesmo super parecido ao mojito – só que com culpa-free!” conta ela rindo.

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Na praia, a família brincou diversas vezes de enterrar o mais velho na areia ou fazer trilhos pros seus trenzinhos, já que aparentemente ele não é tão fã de castelos. Uma vendedora ambulante exibiu orgulhosa uma nota de dez dólares contando que não acreditou quando a família veio em sua direção e comprou um vestido pra pequena Lily. “Jamais vi uma familia famosa tão simpática e amigável quanto essa! A Lily parece uma boneca. E aquele cabelo? Todo natural, pode acreditar, eu pedi pra passar a mão e eles deixaram!” disse ela com entusiasmo. “Vê essa nota aqui? Quem me deu foi o próprio Nicolas, que é ainda mais bonito pessoalmente! Antes de ir embora ele se virou pra mim e disse ‘gracias, señora’. Juro, ele fez meu dia” revelou a vendedora emocionada. E acrescenta: “Já Luciana estava radiante! Pra falar a verdade, nunca a vi sorrir tanto, nem mesmo na cerimonia da Chupeta de Ouro, quando ela levou o prêmio de melhor atriz.”

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“Viajar com crianças é possível, mas pode ser incrivelmente trabalhoso!” – revelam várias testemunhas que ouviram Luciana repetir enquanto corria atrás dos filhos. Um dos garçons contou à PEOPLE que ouviu o casal conversando sobre como foram tranquilas as 4 horas e meia de avião “a Lily dormiu boa parte do tempo e o Nic brincou quietinho e assistiu desenho, uma maravilha!”. Também disse que a ilustradora parecia bastante surpresa por Lily estar tirando suas sonecas em qualquer lugar.

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“Enquanto eu os servia, ouvi a Luciana contar ao marido sobre a primeira vez que ela colocou a Lily pra dormir ao ar livre” – contou o garçom. “Ela contou que justamente na hora em que foi colocar a menina numa das espreguiçadeiras ao lado da piscina, sentaram ao lado duas mulheres matraquentas e com voz de taquara rachada. Ela disse que jogou um olhar fulminante a elas, mas não adiantou, então não teve outra alternativa senão se levantar e levar a bebê pra perto do jacuzzi, que pra sua surpresa estava vazio. Quando ela finalmente colocou a Lily sobre uma cadeira, chegou um bando de crianças gritando e fazendo algazarra. “Eu queria saber onde estavam as mães daquelas criaturas insanas que nao sabem que em ambiente que tem bebê dormindo não se grita!” – falou ela pro marido. Eu achei graça e continuei ali fingindo que arrumava os guardanapos pra escutar o resto da história. Foi aí que ela disse que justo quando ela achou que deveria trocar a Lily de lugar de novo, o jacuzzi, que aparentemente estava estragado à dias, começou a funcionar de repente. Ela disse sorrindo que foi o white noise mais poderoso que ela já viu e Lily dormiu profundamente por mais de uma hora!” – contou o garçom orgulhoso por conseguir entender português tão bem.

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A volta pra casa já não teria sido tão prazeirosa. Comissárias de bordo asseguraram que Lily chorou bastante e não queria saber de dormir. Elas inclusive ouviram Luciana dizer ao marido entredentes que “fora de cogitação passar 16 horas num avião apertado e quente pra ir ao Brasil esse ano”, no que o marido aparentemente respondeu “calma, meu bem, tenho certeza que quando você pensar nas trufas, nas coxinhas de frango com catupiry e na sua amada família, obviamente, você vai mudar de ideia”.

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Mas depois de um voo cansativo, com escala em Calgary e chegada em Vancouver após meia-noite, a família chegou segura no Canadá, que os aguardava com muita neve e um frio de zero grau. “Há muito tempo não tínhamos um natal com neve aqui”, asseguraram os moradores da vizinhança do casal. Uma amiga próxima contou que eles estavam muito felizes com a perspectiva de passar as festas de fim de ano em casa e que a grande tradição da família era usar pijamas novos na noite de Natal. “As crianças ficaram fofas!”.

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“O Natal deles foi lindo e a família está muito feliz e descansada. Luciana também está muito contente por ter tido a oportunidade de ir ao México e treinar um pouco seu espanhol, aprendido há alguns anos atrás no país de Hugo Chavez” – conta a amiga da ilustradora. Ela ainda revelou a notícia bombástica de que quando Luciana morou na Venezuela teria sido eleita La Reina del Carnaval em 2005. Na ocasião, Lu confessou em uma pequena entrevista que seu maior sonho seria conhecer uma piscina que encontra o mar.

É, parece que demorou alguns anos, mas ela conseguiu realizar seu sonho!


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Nem que a vaca tussa

CONVERSANDO COM UMA AMIGA, POR VOLTA DAS 10 DA MANHÃ

- E aí, Lu, como têm sido as noites com o Rafa viajando de novo?
- Hm… Você não vai acreditar…
- O que? Me conta!
- Errr… É que tá todo mundo dormindo na mesma cama.
- Você, o Nic e a Lily???
- É.
- Nossa! E tem funcionado?

3 HORAS E MEIA ATRÁS (6:30am)

Todos hipnotizados assistindo:

MEIA HORA ANTES (6am)

Tudo escuro, tudo silencioso. “Ué, podia jurar que tinha ouvido um barulho. Deve ter sido um sonho”. Pensa ela com seus botões ainda adormecidos e volta a dormir.

- Piuíííí!!! – sai um som abafado de debaixo das cobertas
- Nic? É você? – pergunta ela baixinho, sem acreditar.
- Sim!
- Mas já acordou???
- Sim.
- Porque??? Tá super cedo, volta a dormir…
- NÃO!!!
- Shhhhhh! Fala baixo, a Lily tá dormindo. Por favor, Nic, dorme. Eu imploro!
- Não tô conseguindo, tô sem sono.
- Tenta. Fecha os olhinhos. Conta carneirinho.
- Não quero contar carneirinho.
- Então conta treinzinhos passando no túnel! Tudo bem devagar e monótono – bom, não custava nada tentar uma abordagem mais lúdica. Vai que…
- Não, mamãe, eu só quero brincar.
- Pois se quer brincar, vai lá pro seu quarto.
- Não quero ficar lá sozinho.
- Oh céus…. Tá, mas então brinca aí beeeeem quietinho. Sem nenhum pio, hein? Não quero que a Lily acorde.

Ela olha pra carinha de anjo cabeludinho dormindo entre eles, sorri e puxa o cobertor até a orelha. Imagina, naquele frio, a última coisa que ela queria era acordar às 6 da manhã. Fecha os olhos de novo.

Uns segundos depois…

- Piuíííí!!!
- Ni-co-las!

Debaixo das cobertas: bochecha enche, bochecha esvazia – era o vapor do trem. Lily se mexe.

- Nic! Se é pra fazer piuí abacaxi vai brincar lá no seu quarto! Diz ela com o típico grito sussurrante que só mães sabem dar.

Ele ri.

- Que isso, mamãe, “piuí abacaxi”? Você tá doidinha?
- Não, isso é coisa daquela músic… não interessa! Vou ficar bem doida é se eu não dormir, tá entendendo?
- Hi hi hi.
- Por favor, Nic! Colabora! Eu tô tão cansada, meu bem! Preciso dormir!!! Você gosta de ver sua mãe cansada? – bora apelar pro sentimentalismo.
- Mas mamãe, eu não tô com sono!!!
- Tá, e fala baixo!

Lily acorda. Faz beicinho, vai pro peito, volta a dormir.

- Viu? Viu? Silêncio, por favor! Olha, vou te falar uma coisa – finalmente, o tom de ameaça – se você não ficar quieto, não vai mais dormir na minha cama! Tá ouvindo?
- Tá bom, vou ficar quietinho… Mas então eu quero brincar com seu iPad.
- Não, nem pensar. iPad a essa hora não! São 6 da manhã!!!
- Não, mamãe, não são 6 horas. São seis, zero e nove. Alá, no relógio!
- Aaaaaaargh! Me deixa dormir???
- E o ipad?
- Ta booooom! Toma aqui essa porcar… esse iPad!

1 HORA ANTES (5am)

“Até que no final das contas dormir todo mundo junto não está sendo tão mal como pensei!” – pensa ela em estado semi delirante semi adormecido olhando pras duas fofuras dormindo quase abraçadas. E não deixa de sorrir ao notar o Nic com seu trem inseparável. “Até pra dormir!”

2 HORAS ANTES (3am)

“Ai!” acorda ela com uma pezada no nariz. Ajeita a bebê estrela. Volta a dormir.

25 MINUTOS ANTES (2:35am)

Droga, não dá pra segurar mais.

Abrindo somente uma pequena fresta no cantinho de um dos olhos pro sono nao inventar de escapulir, ela sai cambaleante pra responder ao chamado da Mãe Natureza. “Mãe Natureza… Mãe uma ova! Se fosse mãe não me mandava um xixi justo no meio da madrugada sabendo que tenho que cuidar de duas crianças sozinha por duas semanas!”

Enquanto isso, Lily começa a acordar. “Ih, vai querer mamar.” Volta correndo no escuro, afinal, se um acorda, acorda o outro.

“Droga, mãe não pode nem fazer xixi sossegada!”

UMA MEIA HORA ANTES (2:00am)

Ah, não acredito!!! Xixi agora? Não vou. Não vou mesmo. Nem que a vaca tussa!

1 HORA ANTES (1:00am)

- Mamãaaaae! Mamãaaaae! Chama uma voz baixinha.
- Hmmm…. Vou querer aquela torta de prestigio ali, por favor!
- Mamãaaaaae!
- O que?? O que? Nic? Ah, Nic, não me acorda não… Eu tava quase comendo a torta…
- Eu quero água.
- Tem água aí do seu lado, menino!

40 MINUTOS ANTES (00:20)

- Lily, do céu, o que você ta fazendo encima de mim, criatura? – sussurra ela enquanto a Lily ansiosamente tenta acessar a leiteria.
- Calma, bichinha! Aqui, aqui…
- Mamãaaaae, tô com frio! Quero cobrir! Quero cobrir! – começa o Nic ao lado.
Deitada, amamentando, ela dá um puxão com uma das mãos fazendo a coberta cair sobre o Nic.
“Acordaram juntos… Taí uma vantagem de estarem aqui no mesmo quarto” conclui ela otimista.

4 HORAS ANTES (20:20)

- Mamãe, deixa eu dormir aqui com vocês, por favor!!!
- Não, Nic. No seu quarto é melhor, porque se a Lily acordar, ela talvez não te acorde!
- Mas o papai tá lá na Ostrália… deixa? Por favor! Por favor! Eu quero muito!
- …
- Hein, mamãe?
- Tá bom, tá bom. Vamos tentar. Mas ó: comporte-se!

1 DIA ATRÁS

- O Nicolas disse que quer dormir com você quando eu estiver viajando. Você vai deixar?
- Dormir comigo? Eu, ele e a Lily, tudomundojuntonamesmacama? Nem que a vaca tussa!

1 ANO ATRÁS

- Absurdo esse pessoal que deixa filho brincar com ipad! Filho meu não brinca!

5 ANOS ATRÁS

- Gente, verdade que tem gente que dorme com o filho? Deve ser tudo um bando de louca mal amada. Eu hein? Quando eu tiver filho, eles não dormem comigo mesmo! De jeito nenhum! MAS NEM QUE A VACA TUSSA!

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Créditos do gif
dançarino: nosso querido amigo Gui Lessa, fotos: Alessando Bastos, animação: Tiago Fazito


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50 tons da maternidade

“Não empolgueis se porventura teus filhos hão dormido bem uma noite. Não alimenteis esperanças de que tal feito repetir-se-á ou concluas precipitadamente que o sistema nervoso dos teus pequenos ter-se-á amadurecido. A cada noite ininterrupta de sono, uma escapada de cocô, duas birras homéricas e três noites insones e atribuladas. Esperais, preparais e aceitais.” (provérbio materno, versão estendida)

Versão popular: Mães não dormem. Se dormiu bem, senta e espera, porque vem caca por aí.

__________

Após uma longa espreguiçada, ela abre os olhos. Não se recorda da última vez que se sentira tão feliz, descansada e renovada – uma estranha sensação de felpudo invade seu peito. Pela primeira vez em oito meses, acordava ela com a luz natural do sol. Seria um sonho?

Languidamente, ela lança um olhar pro lado e constata com ternura que a bebê ainda dorme. E no berço, quem diria? Um verdadeiro milagre. Melhor checar o outro. Deve estar lá chorando debaixo das cobertas, a pobre criatura. Não é possível que ele tenha dormido a noite todinha sem um único pesadelo e que ainda esteja dormindo. Já passam das 7:30! Com passos de pluma, ela chega ao quarto do filho: ahhhh, dorme feito um anjo, o meu menino, e ainda abraçado à sua boneca Moey.

Com um suspiro, ela sorri. “Será o presságio de uma nova era?” – arrisca ela a pensar.

Feliz, ela toma um banho rápido e desce pra preparar o café-da-manhã. Que fofo, o marido deixara a vitamina de frutas já pronta pro mais velho. Ela então prepara uma torrada com queijo derretido pra si e sorve uma xícara de chá quente. Ui! Quente demais, ela ri. Só hoje mesmo pra ver graça num céu-da-boca queimado. De repente, escuta uns passos, seguidos de risos de criança. Acordaram! E de bom humor!

O dia transcorre tranquilamente: escola, trabalho, almoço, parquinho, janta.

Antes de continuar a rotina que precede mais uma noite de sono, ela para e recapitula com detalhe o que fizeram no dia anterior: “não posso errar nada, tenho que fazer tudo exatamente como ontem pra garantir que vão dormir bem de novo” pensa ela com sua inocente lógica materna.

Vejamos…

1. Banho: ambos tomaram banho naquela caixa de plástico que o Nic chama de barco. Durante o banho, ela havia contado a história do trator que sabia pilotar avião pra ele e cantado ‘tchibum, tchibum’ pra ela.

2. Pijamas: sem dúvida, tinham que usar os mesmíssimos da noite anterior. Vai que emanaram alguma vibe sonífera? Ela não podia desprezar essa possibilidade. Talvez se tornassem seus pijamas da sorte. Ela sorri sonhadora.

3. Nic tomou leite com biscoito de água e sal. Depois, dentes, xixi e histórias com o papai. Lily, como sempre, dormiu na cama da mãe mamando. Ontem foi transferida com sucesso pro berço. E usou um saco de dormir.

5. Aquecedor ficou ligado a noite toda.”

E assim ela fez. Tirando a história do trator que pilotava o avião e que o Nic queria de qualquer forma que substituísse por um cachorro – veja só, NADA A VER cachorro pilotando avião, dããã! -, tudo o mais foi cumprido na mais perfeita tranquilidade. Às 20:30 ambos estavam dormindo.

A noite prometia.

Ela pega seu livro, 50 Tons de Cinza, que apesar de não achar muito bom, pelo menos não fala sobre filhos e culpa materna, e vai ler. Mas a narrativa é tão repetitiva que depois de duas páginas ela já está com sono. Que personagens mais chatos… A mocinha, vive mordendo os lábios e se enrubescendo por qualquer papel que cai no chão. Diz pelo menos dois holy craps por página. Já ele, é enfadonhamente lindo, másculo, bem dotado, empresário nato, pilota helicóptero, toca piano como ninguém, exímio dançarino, fluente em francês, excelente amante, bilionário que fez sua própria riqueza, filantrópico preocupado com a fome no mundo e como se não bastasse tamanha irrealidade, só tem 26 anozzzzzzz.

Pois após um par de holy craps e stop biting your lip, ela não aguenta e dorme. Não são nem 9 da noite. 1 hora depois ela acorda num sobressalto com um choro alto: era o Nic tendo um de seus pesadelos. Claro que a Lily também acorda. Marido vai ver Nic, ela vai pegar a Lily. Nicolas volta a dormir, Lily mama mas chora intensamente ao ser colocada no berço. Melhor levá-la pra cama deles. Lily fica feliz. Tão feliz que não quer mais saber de dormir e começa a engatinhar pela cama. Senta, dá tchau, bate palma, ri. Holy crap.

Ela se lembra do livro. No desespero, o alcança e pensa seriamente em ler umas páginas daquela história erótica entendiante pra filha – vai que ela dorme? O marido não deixa. Volta com a Lily pro berço. Ela chora. Cantam uma música de ninar. Nada. Massagem. Ela fica quietinha. A mãe para, ela se irrita. Passam ela pro moisés, onde ela quase não cabe mais. Ó! Dormiu! Voltam pra cama. Puxa, que sono! Fecham os olhos, Nicolas acorda de novo “quero papai!!!!”. Rafa vai ver o que é e fica por lá. 2 horas depois, Lily chora querendo mamar, Nic acorda com o choro dela e começa tudo de novo – a “dança das camas“, como muito bem diz minha amiga Celi.

6:30 da manhã: início de um novo dia.

Mal humorada, ela veste sua roupa, troca a Lily (que chora de sono) e veste a roupa no Nicolas (que faz uma super birra porque quer ir de pijama pra escola). Todos descem pra tomar o café-da-manhã. Que droga, justo hoje o marido não deixou a vitamina pro Nic pronta. Ela vai fazer e constata que não tem banana – a vitamina favorita do filho. Vai de abacate mesmo. Ele não toma. Faz mingau pra filha, ela come tudo. “Nic, vai pro banheiro e tenta fazer cocô!” – diz ela. Ele responde que não está com vontade. Ela olha pro relógio: estão atrasados pra escola. Não dá tempo dela mesma tomar café. Faz um chá e leva. Faz frio lá fora – 5 graus. Lily toda encapotada vai pro sling e vão caminhando.

20 minutos depois, chegam na porta da escola. Ela olha pro Nicolas e não acredita. “Não, não, não!!!” Ele tem uma das mãos no bumbum, olha pra ela e grita “cocô, mamãe! tá querendo sair!!!!”. M**da. Vão direto pro banheiro. Ela tira o próprio casaco, tira a Lily do sling, a coloca no chão. Ela chora. Se prepara pra abaixar a calça do filho e constata que ele está de macacão. Droga! “Segura o cocô, Nic! Não faz não!!!” – grita ela desesperada. Lily esgoela. Ela tiro o casaco dele, tira o macacão impermeável, a calça, a cueca e… putz, não deu tempo. Ele senta no vaso, ela pega a Lily e vai buscar a cueca sobressalente na sala de aula. Volta, bota a Lily no chão, que volta a chorar imediatamente, começa a vestir peça por peça no filho. Entra um outro menino no banheiro, que abre um olho desse tamanho, se vira e sai fora. “Melhor”, pensa ela de mal humor.

Finalmente saem do banheiro. Ela, esbaforida, ele, aliviado. Dá um beijo de despedida e entra todo serelepe. “Pelo menos está feliz” – pensa ela. E vai embora caminhando.

No caminho, vai pensando que deve haver alguma maldição pra pobre mãe que consegue dormir uma noite completa, só pode, tamanha a urucubaca! Então tenta fazer as pazes com o Seu Universo. “Uma boa ação por uma boa noite de sono?” negocia ela em pensamento. Então, naquele mesmo dia, ela leva alguns brinquedos pra caixa de doações, faz uma sopa pra amiga que teve bebê e disponibiliza no blog uns desenhos da turma do Sitio do Picapau Amarelo que tinha feito especialmente pra uma atividade com crianças brasileiras no ultimo final de semana.

Agora é com você! Baixe, imprima, divirta-se, divulgue! Ajude uma mãe a espalhar alegria, espantar a urucubaca que lhe cerca e quem sabe dormir melhor!!! 

O que você vai encontrar: um PDF com 9 bonequinhos desenhados pela mamãe insone e inspirados no Sitio do Picapau Amarelo, mas com um detalhe: eles estão todos carecas! Será que seu filho conseguirá encontrar a parte de cima da cabeça de cada um? Imprima, recorte e divirtam-se procurando os pares! Depois façam marionetes pra inventar historias juntos. Tudo o que vocês precisam é do Adobe Reader que pode ser baixado AQUI, material pra imprimir, colorir e muita disposição pra brincar! Se quiser mandar fotos mostrando como ficou, vai ser muito legal!

Imprima e repasse pra quantas pessoas quiser, mas por favor, não deixe de dar os créditos! Ah, e é somente pra uso pessoal, tá? E que ao baixar essas ilustrações, além de muita diversão, você também tenha ótimas noites de sono! 


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os estereótipos, a cuca, uma mãe e o daddy’s boy

Nunca o céu esteve tão azul. O sol brilhava e inundava os campos pastoris com sua luz outonal. Ah, que tranquilidade era viver longe do burburinho citadino… Pelas colinas verdejantes, corriam livres, ela e o filho, mergulhados na mais plena felicidade. Não havia coração que não se enchesse de regozijo ao ouvir aquelas doces gargalhadas ecoando pelos ares em meio ao gentil sibilar de pintassilgos. Em júbilo, mãe e filho se deixam cair sobre a relva macia. Ela, linda, feminina, cabelos esvoaçantes e perfumados, sobrancelhas bem feitas, semblante sereno, dentes alvos e sorriso franco. Ele, tez rosada, olhos atentos, expressão curiosa, inteligente, mas sobretudo inocente, sorriso pueril. Certamente não teria mais que quatro anos de idade.

Com delicadeza, ele leva as mãozinhas pequeninas à bela face de sua progenitora, lhe ajeita uma teimosa madeixa e declara com ternura “eu te amo, minha mamãezinha linda”. Emocionada, ela sorri para o filho e lhe abraça. De repente, um sofrido choro de criança se irrompe no ar. Quem seria e o que tentava dizer? Ela se vira na direção do choro e identifica as palavras “eeeeeu queeero bolo de papaia”. Pobre criança… que gosto horrível por bolos, onde ela vai conseguir uma coisa dessas? – pensa ela sensibilizada. E se volta para seu amado filho. Mas pra sua surpresa, ele não era mais ele. No seu lugar estava a Cuca – em carne, osso e peruca loira. Ao notar esse último detalhe, ela, que nunca teve muito apreço por tal criatura, sente agora uma inexplicável simpatia por ela. Por que será?

Sem tempo para pensar, ela percebe que a Cuca estende um dos braços em sua direção e tenta lhe falar alguma coisa. Estava chorando, a pobre jacaroa – ou seja lá o que era aquilo – e vai chegando cada vez mais perto. Mais perto. Mais perto. Até, que com uma mão no seu ombro ela diz:

- Eeeeu queeeero bolo de papaia!

____________________

Num sobresalto eu acordo. Abro os olhos e ainda tonta, vejo o Nicolas ao meu lado aos prantos e dizendo “Eeeeu queeeero colo do papai!

Ah, então era isso. Colo do papai.

Eu tento acalmá-lo. “Vem cá, me dá um abraço, eu estava sonhando com você, sabia?”.

- NÃO! – grita ele – Você não! Só quero o papai! Cadê o papai?

- Não precisa gritar. É que hoje ele não trabalha em casa, foi pro escritório.

- NÃÃÃÃÃÃO! Eu quero colo do papai!!!!

E assim começava mais um daqueles dias.

* * *

Lá nos idos da minha vida pré-pré-nicozóica, sempre que cogitei minimamente em ter um rebento, eu pensava que queria menino. Sabe aquela coisa que todo mundo diz que meninos são apaixonados pela mãe e meninas pelo pai? Então. Pois eu, no auge da minha fase narcisista, sonhava que SE algum dia tivesse filho, queria um que fosse apaixonado por mim. Fala sério, existe gente assim? – você pensa.

Tá. Pois eis que me casei, planejamos com carinho a gravidez, nos mudamos pra Australia e tivemos o Nic, olha só – um menino. Por varias semanas tentei amamentá-lo, mas ele só sabia chorar a cada tentativa. Chorava, arqueava o corpo pra trás e me empurrava. Hum, as coisas não tinham começado muito bem. Tadinho, será que ele estava sentindo dor na cabeça quando succionava, já que tinha nascido com ajuda do extrator a vácuo? Será que eu tenho muito leite? Pouco leite? Ou será que ele não gosta de mim, afinal, ele parava de chorar TODA vez que ia pro colo do pai? Varias questões pairavam na minha cabeça e incomodavam meu coração. Seis semanas depois, sem conseguir amamentar, descobrimos que o refluxo era o vilão de tudo. E como sentia dor ao mamar, talvez associasse isso à mim, dona da peitaria. Ou então sentia minha tristeza em não conseguir amamentar e claro, se sentia melhor nos braços do pai, mais tranquilo.

Então ele foi crescendo e aos poucos fui me dando conta que havia sim uma preferencia clara pelo pai. Derrubando todos os estereótipos, ia surgindo ali a olhos vistos, o daddy’s boy. A paixonite por ele era tão grande, que além de querer seu colo o tempo TODO, ainda desenvolveu o hábito, assim que começou a engatinhar, de ir até à porta por volta do pôr do sol pra esperá-lo chegar do serviço. Muito bonitinho, mas uma vez que o pai colocava os pés dentro de casa, não tinha pra mais ninguém. Me lembro que era até difícil pro Rafa tomar banho e jantar, pois o Nic não queria se desgrudar! Eu não reclamava, pois pra mim, que ficava o dia todo com ele, era minha chance de ter um tempinho pra mim. :)

No seu aniversário de um ano, ele me largou com todos os brinquedos na areia e enfrentou o mar gelado pra ir atrás do pai – chorando.

Da ultima vez que fomos ao Brasil, ele tinha 2 anos. O Rafa não pode ficar o tempo todo com a gente pois tinha que voltar a trabalhar. Nos dias que o Rafa estava, Nic só queria saber dele (que novidade!). E quando ele se foi, transferiu seu vínculo a mim ou no máximo a qualquer outra figura MASCULINA. Não teve tia, não teve vó, não teve mãe de santo que conseguisse pegá-lo sem que ele chorasse. Bom, a gente entendia que podia estar sendo coisa demais pra ele. Da nossa vidinha pacata de família pequena lá na Australia, pra uma temporada no Brasil cheio de gente diferente, falando alto, querendo pegar e beijar, podia ser mesmo confuso e assustador.


Então nos mudamos pro Canadá e o Rafa começou a viajar. Pra nossa GRANDE surpresa, o Nicolas NUNCA teve o MENOR problema em ficar longe do pai. Não perguntava por ele e parecia não sentir falta mesmo, ele estava sempre muito feliz. Mas era só o Rafa voltar que a situação se complicava. O Nic chorava muito por qualquer coisa e passou a querer não somente o colo do pai o tempo todo, mas também sua atenção e sua ajuda pra fazer completamente TUDO. Escovar os dentes, dar banho, vestir roupa, colocar pra dormir, brincar, ajudar a comer, colocar na cadeirinha do carro. Tu-do. Surgiu aí um grande empasse. Ao mesmo tempo que o Rafa queria fazer tudo com ele, pra tentar compensar a ausência, a gente sabia que esse não era o caminho. Não era saudável pro Nicolas ter somente a atenção e carinho do pai, nem legal pro Rafa que ficava sobrecarregado e nem pra mim, que ficava de fora de tudo.

Então, passamos a conversar muito, mostrar como os amiguinhos dividiam a atenção com a mamãe e o papai deles e começamos a simular todas aquelas situações com brincadeiras pra ele entender que o papai viajaria mas sempre voltaria, que nós três éramos uma família, que tudo bem querer a atenção do papai, mas que tinha que deixar a mamãe ajudar também, etc, etc, etc. Algumas vezes funcionava, outras não. Mais não que sim, na verdade.

Quando ele fez três anos, o Rafa continuou a viajar e as requisições do Nicolas foram ficando cada vez mais particulares e sem sentido, como por exemplo, o papai tinha que ser o primeiro a dar “bom dia” (!!), ou só o pai podia dirigir o carro (!!!), ou só o pai podia OLHAR pra ele (!!!!). Ou seja, a situação tinha chegado ao seu limite. Tudo bem querer fazer determinada atividade só com o pai, mas que diferença fazia quem pegava o copo de água, quem o ajudava a vestir a roupa e se EU estava olhando pra ele??? Então, toda vez que isso acontecia, explicávamos que a mamãe também podia fazer essas coisas, que eu adorava fazer tudo com ele e passamos a fazer combinados do tipo “mamãe faz isso agora, e o papai faz aquilo depois, que tal?”. Ou “se a mamãe dirigir agora, a gente passa pelo caminho que você gosta, se não, vamos pelo caminho de sempre mesmo”. E outras vezes, simplesmente fazíamos o que dava, independente do que ele queria. Não dava pra amparar qualquer desejo, mesmo sabendo que ele estava confuso.

O quarto dele, que eu pintei com tudo o que ele gosta.

Li muito sobre o assunto. Li aquele livro “Criando Meninos” que não me ajudou muita coisa. E algumas vezes, tentei também ser mais maleável em algumas situações do dia-a-dia ou até mesmo imitar a forma com que o pai brincava. Arremesso? Lembra? Sim, eu tentei. Mas chegou num ponto que desisti. Eu não estava sendo eu mesma. Eu tinha meu próprio jeito de interagir com ele e fazer as coisas, o Rafa tinha o dele, e isso era o legal de se ter mãe e pai, não? Então continuei demonstrando todo meu amor da forma que eu sabia, mas também sendo dura e impondo limites toda vez que precisava.

Depois de muita conversa, muito tempo juntos, houve um período que ele realmente melhorou, relaxou mais. Foi então que a Lily nasceu.

POFT.

Gritos, choros por qualquer coisas, exigências descabidas, sono MUITO agitado, escândalos de madrugada quando eu ia vê-lo ao invés do pai, crises de ciúmes quando o Rafa pegava a Lily e muito sofrimento. Tadinho, ele realmente estava sofrendo e a gente ajudava como podia. A primeira coisa, foi ter a vovó aqui, que veio basicamente só pra fazer companhia pra ele – um anjo. Na presença dela ele lidou muito melhor com a situação toda, já que se sentia seguro e amado o tempo todo. Mas foi só ela ir embora que ele passou a se sentir ameaçado. Primeira reação: desdesfralde. Segunda: crises de choro INCONTROLÁVEIS.

Dias que se iniciavam com “Eu quero colo do papai” e o Rafa não estava, sempre foram os piores. Não adiantava abraço meu, conversa, palavras doces ou tentar mudar o foco. Tudo o fazia chorar mais. Perdi a conta das vezes que ele chorou por 2 horas seguidas, sem trégua e com a mesma intensidade. Aliás, quanto mais longe eu ficasse, melhor, mais chances tinham dele se acalmar eventualmente. Isso partia meu coração em mil pedaços, mas não tinha nada que eu pudesse fazer. Quando ele parava e se reconstituía, voltava a ser o mesmo menino fofo, carinhoso e prestativo de sempre.

O auge da crise aconteceu há um mês, quando coincidiram as visitas da Patti e da vovó Stela. Era uma crise emendada na outra. Mas como auge é auge e depois dele não tem como piorar, as crises foram se espaçando. Ele ainda continua acordando pelo menos uma vez toda noite pedindo pela companhia do pai, mas as exigências de que somente o Rafa pode ajudá-lo ou eu não posso olhar pra ele (ó céus!), estão cada vez mais escassas.

A nave espacial. Na minha mão, o mapa do tesouro intergaláctico, como já tinha mostrado AQUI.

Aliás, desde que a Lily nasceu, ele ainda não tinha me permitido participar tanto de sua vida quanto agora. Pra começar, represento a voz oficial de sua grande amiga imaginária. Também, tenho alternado com o pai na contação de histórias à noite, nas saídas pro parquinho e brincadeiras em geral. Mas o mais memorável, foi o dia em que estávamos todos na sala assistindo a um filme e, totalmente sem precedentes, ele vira e ME chama pra pilotar sua nave espacial. Consegue imaginar minha emoção ao ouvir “mamãe, deixa a Lily com o PAPAI que eu quero brincar com VOCÊ”?

Tô vivendo um verdadeiro sonho, gente! E sem Cuca de peruca, viu? :)

___________

Ontem, indo ao parquinho:

- Ih, Nic, esqueci de colocar a roupa pra lavar! 

- Tudo bem mamãe. Olha, a gente vai no parquinho agora, fica só 2 minutinhos, aí a gente volta pra casa e eu te ajudo a lavar a roupa, tá bom?

- Oba, tá bom! E o que a gente faz com a Lily?

- Ah, deixa com o papai.  :D


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Blogando do céu

Empacotei não, viu gente?

Mas tinha que vir aqui contar que neste exato momento, estou eu, a mais de 10.000 m de altitude, SOZINHA com duas crianças e ainda escrevendo este mesmo post que você lê agora.

Como é possivel algo tão sem precedentes? Quantas vezes eu já viajei com o Nic MAIS marido e mal tinha chance de ir sequer ao banheiro? Terei eu batido a cabeça, desmaiado e agora estou sonhando que blogo enquanto meus filhos tocam o terror dentro do avião? Terá a mãe natureza me ouvido e finalmente me presenteado com braços extras, os quais utilizo mesmo sem perceber? Estarei eu completamente insana e delirante?

Não, amigas. Vocês ja devem ter ouvido falar de milagres, não? Pois é justamente um que vivencio neste momento, posto que Liloca dorme há mais de 1 hora e meia (mesmo comigo sentada, sem balançar pralápracá, nem nada) e Nic (que voltou a ser menino desfraldado, contei não?) brinca qui-e-ti-nho com seu único carrinho novo. Sim, tudo na santa paz, sem escândalo dela pra dormir, sem birra dele porque só viaja se for no lugar do piloto ou qualquer outra esquisitice. Sem nada. E ainda num avião pequeno, lotado, quente, cheio de atendentes enlouquecidas com o cabelo da Lily e SEM uma única televisão. Te disse: mi-la-gre.

Assim, eu, sem ter mais o que fazer, já que quando viajo com criança não carrego livro, nem revista, muito menos palavras cruzadas, resolvi escrever post. Quem não haveria de?

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melhor foto que consegui tirar de dentro do avião com a tablet

***

Pois bem, contei pra vocês que minha irmã está passando 3 meses com a gente, né? Tinha me esquecido como é gostoso ter irmã da gente pra papear o dia todo. Isso sem nem contar a ajuda dela com a casa e as criançatudo, obvio! Mas tô falando de conversa mesmo, botar tudo em dia, falar dos planos e inventar assunto. A gente ri tanto juntas, que às vezes até esquecemos do motivo.

- Do que mesmo que a gente tá rindo?
- Sei não, só sei que era engraçado pra caramba – e continuamos a rir, as duas bobas.

Também somos daquelas com a irritante mania de começar um assunto já no meio dele, sabe comé?

- Tô achando que o turquesa vai ser melhor – diz uma das duas do nada. E a outra sempre vai ter o poder de advinhar do que se trata. Anomalia cognitiva fraterna, só pode.

***

Mas daí que a Patti já tá aqui há mais de dois meses. Saiu do Brasil quando se formou na faculdade e terminou com o namorado. Então, eu brinco com ela que ela vai acabar conhecendo um gringo bonito e boa gente e nem vai embora. E ainda digo que ela podia aproveitar essa profusão de ursos por aqui e ir a um parque ali do lado, altamente freqüentado por escaladores sarados do mundo todo, pra panfletar sobre os cuidados que se deve ter em terra de urso. Panfleto vai, conversa vem, vai que, né?

A gente já deu boas risadas sobre isso, mas ainda nada de panfletagem. Também, né gente, vocês me explicam, como é que se panfleta quando se tem sempre um bebê anexado à pessoa? Culpa minha não, juro! Culpa dessa fofura chamada Liloca que nao deixa a tia resistir de SEMPRE querer sair pra passear com ela e ainda por cima no sling, ali bem agarradinha.

***

Acontece, que surgiu do marido ir conferenciar em terras americanas e eu, como há muito não viajava, animei de ir pra passar metade do tempo lá com ele. Mas ao invēs da Patti tirar o visto pra nos acompanhar, vimos aí a grande oportunidade dela curtir um pouco uma vida livre de rotina e crianças, né? Foi assim que nos separamos por alguns dias pra vivermos aventuras diferentes. Eu, indo pra uma cidadezinha nas Montanhas Rochosas com essas duas criaturas pequenas e surpreendentes, e ela, num Hostel maneiro em Vancouver livre pra tomar uns goró um café sossegada, praticar o inglês, começar um blog e até mesmo fazer uma panfletagem se quiser. :)

***

Quanto ao voo, no final das contas, Nic caiu no sono também e Lily continuou dormindo até o avião pousar. Quando eu imaginei que um dia blogaria do céu com duas criancas pequenas e sem estar usando a internet divina, minha gente? :)

***

E pra não perder a oportunidade, aí vão algumas fotinhas…

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Liloca curtindo um quarto de hotel

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sijogando num biscoitinho de cereal de arroz

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e Nic, dizendo ser ele um carro com um farol de gravetos. Não esquece o mundo motorizado nem quando fazemos caminhada entre as árvores e ao longo de rio. Vai gostar, viu?


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a vuvuzela, o marsupial e o provável tsé-tsé

A sala de espera do consultório encontrava-se lotada. Entremeio ao som abafado de folhas de revistas sendo passadas e uma ou outra tosse seca, de repente, irrompe-se no ar um barulho flatulêntico. Era quase uma vuvuzela em dia de jogo da copa. Alto, rasgante, estridente. Nítido. A mãe, desconsertada, aponta pra filha de 4 meses.

- Foi ela – e dá um sorrisinho amarelo enxofre.

Assim é a mãe. Faz de tudo pelos filhos, menos assumir um pum que nao lhe pertence.

E assim é a Lily. Uma bebê à frente do seu tempo. Chora com o nível decibélico de uma criança birrenta de 3 anos, tem a vastidão capilar de uma de 10 e solta puns homéricos e constrangedores como uma adolescente rebelde. Quem vê não pensa.


O cabelo é tanto que já passou da base da orelha e hoje ensaia cachinhos. A franja, essa foi cortada 2 vezes. Isso mesmo, primeiro uma, depois duas, como diria o Nic. Porque com bracinhos agitados como os dela (que com muito custo ela consegue controlar pra alcançar um reles brinquedinho pendurado à sua frente) nao daria conta de afastar as madeixas que teimam insistentemente em cair sobre suas pálpebras piscantes. Fato. Então cortei-as.

Mas fofo mesmo é vê-la descobrindo e curtindo seus próprios cabelos, já que Liloca é bebê adepta do auto-cafuné. Ela, nela mesma. Vai fazendo cafuné, fazendo, fazendo e quando menos se espera, tá lá ela dormindo.

Rá! Quem me dera.

A verdade é que após demorar mais de 2 anos pra eu voltar a saber o que é uma noite inteira de sono, tive a sorte de ter um segundo filho com a disposição de um urso hibernante pra dormir. Aposto concê que nunca dantes na história do homo sapiens sapiens se conheceu uma bebê de 4 meses com tamanha necessidade de dormir. Mais fácil seria somar o tempo que ela fica acordada: 3-4 horas por dia? Máximo? TEJURO. Acontece, caro leitor, que o que seria minha grande sorte grande, virou meu maior pesadelo, uma vez que a extensa carga sonífera de Liloca é na realidade inversamente proporcional à facilidade com que ela pega no sono e continua dormindo.

Acompanhe.

Suponhamos que Lily durma por duas horas seguidas (não se empolgue, já já eu conto como isso é possível). Daí ela acorda, mama, ri, conversa, faz cusparada, brinca um pouquinho na cadeirinha e pronto, vinte minutos depois lá estará ela, que nem um bagacinho humano, chorando desconsoladamente em completa exaustão. A pegamos pra dormir (eu ou minha irmã) e por uns 5 minutos o pequeno ser encalacrado ainda se debaterá e gritará, até que por fim começa seu auto-cafuné e adormece. Se o contato humano cessar, ela acordará após zero a dez minutos. Se a superfície na qual ela for deitada vibrar, seu sono se estenderá um pouco mais, mas nunca além de 28 minutos cronometrados. No entanto, se a pessoa carregadora da pequena marsupial estiver disposta a passar as próximas horas com ela no sling e ainda por cima sentada encima de uma bola de pilates ou mesmo caminhando, chances são de que ela durma mais. Ah! E mesmo caminhando pode ser que ela acorde logo, viu? Mas tudo bem, já que isso poderá ser facilmente evitado se a pessoa carregadora passar a dar passos galopantes ao invés de andar normalmente. Uma beleza.

Bom, mas daí ela acorda, fica mais 20-30 minutos acordada e outra vez abre a boca a chorar completamente exaurida.

Só tenho uma palavra pra Lily: tsé-tsé. Só pode.

Agora, adicione a toda essa dificuldade de dormir, barulhos bruscos de alto impacto e gritos frenéticos promovidos pelo irmão mais velho. Pronto, clap, clap, clap, você acaba de ganhar uma bebê com uma necessidade ainda maior de dormir e uma mãe realmente frustrada. Congratulations.

(Alô, assistência técnica, segundo filho não deveria vir obrigatoriamente configurado pra dormir com barulho, em qualquer lugar e por muito tempo? Não tem algo errado aí não?)

Tá, mas quando ela acorda (e não tá chorando de sono), Liloca é o bebê mais feliz que já vi. Mais feliz ainda se Nic está por perto. Enquanto eu, papi e a tia nos desdobramos em palhaçadas pra fazer ela gargalhar, Nic consegue isso com ZERO esforço. Sabe o que é simplesmente parar na frente dela, sem qualquer expressão, pra ela quase perder o fôlego de gargalhar? Impressionante.

Já Nic, apesar do visível amor pela irmã, anda passando por uma fase mesmo complicada. Além do desfralde que ficou pra história, Nic nunca chorou tanto na vida. Chora POR TUDO e mais alguma coisa, especialmente quando o papai NÃO está viajando. E tem MUITO ciúme dele com a Lily. Também ficou teimoso, exigente e manhoso ao extremo. Tem horas que deita no chão e imita igualzinho o choro de um bebê, dizendo que é um. Daí a gente diz que tudo bem ele FINGIR que é bebê de vez em quando, mas que gostamos dele mais ainda quando ele volta a ser menininho. Então tem dia que ele vem, pede pra ajudar a dar banho na Lily, pega a fralda dela e aceita sua condição de irmão mais velho cheio de habilidades. Nos dias mais surpreendentes, ele até nos pede pra fazer um sling pra ele poder carregar sua companheira de aventuras por aí.

Bonitinho.

Mas então é isso. Hoje concluo que ter dois filhos é muito, muito bacana, mas não é fácil não, viu? E apesar de eu achar graça dos barulhos de vuvuzela, de fazer piada com o tsé-tsé ou o pequeno ser marsupial, só desejo no meu íntimo que eu esteja mesmo é sendo a melhor mãe que eu posso pra esses dois. E que no final das contas eles se sintam amados e sejam pessoas seguras, de bem e muito, mas muito felizes. E claro, sem traumas psicológicos da infância. :)

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