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Lily e a incrível viagem de 365 dias ao redor do sol


Então que Lily fez um ano.

Incrível pensar que um toquinho de gente desse, nem tão maior que um pinguim da Antártica, tenha sido capaz de completar com MAESTRIA sua primeira volta em torno do sol! Clap, clap, clap! E depois dizem que mãe é exagerada e vê genialidade em filho por qualquer coisa. Vê se um bebê que consegue performar uma translação elíptica dessas só não pode ser um GÊNIO, gente?

E como se uma conquista de tal nível astronômico não bastasse, a cria vai chegando nessas idades redondas e o cérebro da gente já se aciona esperando MAIS surpresinhas, né? Pobres crianças. Sim, porque mesmo sabendo que criança não é ciência exata (apesar da trajetória elíptica e tal), bem no fundo você sabe que a hora dela andar se aproxima, a hora dela começar a falar aquele tanto de palavrinhas erradas, emboladas e fofinhas também, e até quiçá (é, daí você se arrisca um pouquinho mais), a hora dela passar a dormir a noite toda. Em outras palavras, ela tá pra fazer um ano e seu coração se enche de esperança.

Dia desses, eu estava trocando umas ideias com meu filho Nicolas (4 anos), e depois de uma acalorada discussão sobre meios de transporte alternativos (na qual concluímos que submarinos não passam de helicópteros sem hélice que sabem nadar), ele me vira e pergunta:

- Mamãe, mas o que vai acontecer quando a Lily fizer um ano?

- Ah, a gente vai fazer um bolinho gostosinho e comer tudo!
+

Ele sorri um sorriso tipo “legal, mas não é bem isso que eu queria saber” e continua:
+

- Mas ela vai ser uma criança adulta?

- Não, ela vai ser uma menininha mais crescidinha.

- E vai saber andar e falar?

- Se tudo correr bem, não só andar e falar, Nic, mas também dormir. Dormir a noite todinha, já imaginou?

Eu disse. Esperança.

* * *

Assim, que poucas semanas antes da Lily concluir sua jornada solar, algumas mudanças realmente foram se materializando aqui e ali. Nasceram 6 dentinhos na boca, ela voltou a comer bem (eeehh!) e aprendeu a falar “dá” quando queria alguma coisa. Até que veio a mudança que mudaria radicalmente nossos dias… e noites: ela esqueceu completamente como é que se dorme.

Bacaninha, né? Então. Lily foi acometida pelo que a comunidade médica internacional chama de ANAP - Aminesius Narcolepticus del Anno Primo. Síndrome catalogada e tudo.

Não que ela já dormisse super ultra bem, não, afinal, em 1 ano de vida ela nunca dormiu sequer uma noite completa. Mas ó, ela já estava acordando somente uma vez pra mamar e voltava a dormir imediatamente. Quer melhor que isso? Tava perfeito. De dia também: uma soneca de 40 minutos pela manhã, outra de duas a três horas pela tarde (!!) – e todas no berço (!!!). Te-ju-ro. Nada que me lembrava nem remotamente a época do lenga-lenga bizarro.

Eu nem mesmo cheguei a comentar sobre esse avanço aqui no blog, por pura superstição simples sabedoria. Porque já reparou? Se a cria desfralda e a gente vem toda-toda contar no blog, grandes chances que ela virá a desdesfraldar logo mais. Se de repente o filho abre a boca a comer de tudo e você abre a boca a contar tudo, não dou 24 horas pra que ele volte ao antigo modus seletivus de só aceitar arroz com ovo pelo próximo mês. Porque é assim que funciona, amigos. Blogou, degringolou. É a chamada Pragus di Blogus, já ouviu falar? Teoria super famosa e embasada.

Por isso não quis arriscar e ficar tirando onda que Liloca tava dormindo igual foca no sol, ne? Vocês hão de me entender. Só pena que não adiantou nada e ela desaprendeu a dormir do mesmo jeito. Foi só a gente voltar do Mexico que Lily ficou ligadona. Arriba, arriba! Hoje em dia, suas sonecas não passam de meia hora e por vezes ela só dorme 10 minutos! Tô de brincadeira não! O que que uma mãe faz em dez minutos, gente?

Já à noite, Liloca instituiu o Happy Hour, que costuma ir mais ou menos de 2 às 4 ou 5 da manhã. Ela acorda, começa a conversar e rir sozinha (lance pirado mesmo), depois, parece que vai ficando entediada e começa a querer puxar papo, puxar meu cabelo, beliscar meu nariz e escalar minhas costas. Se eu passo ela pro berço é choro na certa. Não adianta dar peito, cantar, massagem, nada. Tem que esperar o tempo dela de fechar o boteco.

Com isso, tô tão sem dormir, que um dia eu passeava pelas ruas procurando uma loja pra comprar bombas de chocolate um mercado pra comprar quinoa, quando me deparo com um cartaz desse tamanho na frente do Scotiabank, mostrando uma menininha que era A CARA da Lily. Espia só. Creepy, huh?

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Fiquei dura, paralisada, estupefata. Por causa da semelhança? Também, mas a verdade é que na hora, eu nem sequer tive a destreza de notar que não era a minha filha, e tudo o que eu conseguia pensar era QUEM finalmente tinha conseguido fazer a Lily dormir daquele jeito e ainda por cima escorada num braço de sofá daqueles!

Sim, amigos, vocês acertaram – eu estava sofrendo alucinações terribilíssimas causadas pela famosa síndrome do Sonus Deprivatus Maternus. Muito comum, infelizmente.

Quando dei por mim, eu já estava babando, me arrastando e olhando com um olhar semi-cerrado pra um banco da rua na minha frente. Sabe quando você liga o automático “filho dormiu aproveita pra dormir também”? Pois é. O que me salvou de uma cena lamentável foi um dedinho gordinho saindo do carregador de bebês das minhas costas, seguido de uma vozinha toda feliz: ií-iy. Falava a voz. Praticamente uma palavra com 4 “i”s, assim como iô-iô, mas com “i” no lugar do “ô”, sabe?

Era a Lily falando o nome dela, balançando de alegria e olhando pra menininha-sósia do cartaz do banco.

Recobrei minha consciência, comprei um café ultra forte, uma caixa de bombas de chocolate e um pacote de quinoa, e voltei pra casa pra fazer o bolo de aniversario da minha querida viajante cósmica. No dia seguinte ela completaria sua primeira trajetória elipsoidal e eu não poderia estar mais emocionada. Entrei no carro e fui pensando que “e daí se a bebê não dorme quando ela sabe falar o próprio nome?”.

Amo essa minha menininha esperta!

PS: aguarde que no próximo post tem mais!


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Matéria na Revista PEOPLE – Edição Especial

Gente, depois das entrevistas que dei no Castelo Caras e Revista Quem, a Revista People resolveu fazer uma edição especial com a gente (e em português, veja só!). Infelizmente, nem tudo aconteceu como contaram e tem muita fofoca envolvida, mas paciência. Essa vida de celebridade é assim mesmo! :)

Copiei a matéria abaixo só pra vocês. Enjoy e feliz 2013!

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Pra quem não me conhece, vale dizer que esse post é uma sátira das matérias fúteis e superficiais desse tipo de revista. Me divirto horrores tentando escrever como eles.
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people-cover_lu2 copyLuciana (26), Rafael (34) e seus filhos Nicolas e Lily passaram férias juntos sob o maravilhoso sol de Cabo San Lucas, México. Durante a estadia foram fotografados diversas vezes na companhia de alguns amigos famosos. “A Jen é uma fofa, mas o Charlie é um bêbado chato”, declara ela.

Luciana exibiu seu elegante físico após duas gravidezes num clássico maiô da Sun Lorran (veja cupon de desconto na página 34) com lindos acessórios da Xanel. Uma amiga íntima contou à PEOPLE que o marido da ilustradora havia insistido pra que ela usasse um biquini ao invés, mas que Lu ainda não se sentia à vontade pra brincar com as crianças mostrando a barriguinha. A amiga de longa data acrescenta que Lu tem suas razões, já que apesar de magra, ela já não tem mesmo aquela barriga lisa de antes.

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O casal foi visto diversas vezes relaxando na praia ou na piscina, sempre acompanhado das crianças, de um jacaré de plástico e uma sacola de brinquedos. Uma cliente do resort contou que algumas vezes Luciana foi vista pedindo mojitos de morango orgânico ou margaritas com sal não-refinado, mas também reparou que várias vezes ela trocava as bebidas alcoólicas por suco de melancia com hortelã. “Li que ela ainda amamenta a Lily, deve ser por isso que ela foi tão cuidadosa com o que consumia. E suco de melancia com hortelã é mesmo super parecido ao mojito – só que com culpa-free!” conta ela rindo.

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Na praia, a família brincou diversas vezes de enterrar o mais velho na areia ou fazer trilhos pros seus trenzinhos, já que aparentemente ele não é tão fã de castelos. Uma vendedora ambulante exibiu orgulhosa uma nota de dez dólares contando que não acreditou quando a família veio em sua direção e comprou um vestido pra pequena Lily. “Jamais vi uma familia famosa tão simpática e amigável quanto essa! A Lily parece uma boneca. E aquele cabelo? Todo natural, pode acreditar, eu pedi pra passar a mão e eles deixaram!” disse ela com entusiasmo. “Vê essa nota aqui? Quem me deu foi o próprio Nicolas, que é ainda mais bonito pessoalmente! Antes de ir embora ele se virou pra mim e disse ‘gracias, señora’. Juro, ele fez meu dia” revelou a vendedora emocionada. E acrescenta: “Já Luciana estava radiante! Pra falar a verdade, nunca a vi sorrir tanto, nem mesmo na cerimonia da Chupeta de Ouro, quando ela levou o prêmio de melhor atriz.”

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“Viajar com crianças é possível, mas pode ser incrivelmente trabalhoso!” – revelam várias testemunhas que ouviram Luciana repetir enquanto corria atrás dos filhos. Um dos garçons contou à PEOPLE que ouviu o casal conversando sobre como foram tranquilas as 4 horas e meia de avião “a Lily dormiu boa parte do tempo e o Nic brincou quietinho e assistiu desenho, uma maravilha!”. Também disse que a ilustradora parecia bastante surpresa por Lily estar tirando suas sonecas em qualquer lugar.

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“Enquanto eu os servia, ouvi a Luciana contar ao marido sobre a primeira vez que ela colocou a Lily pra dormir ao ar livre” – contou o garçom. “Ela contou que justamente na hora em que foi colocar a menina numa das espreguiçadeiras ao lado da piscina, sentaram ao lado duas mulheres matraquentas e com voz de taquara rachada. Ela disse que jogou um olhar fulminante a elas, mas não adiantou, então não teve outra alternativa senão se levantar e levar a bebê pra perto do jacuzzi, que pra sua surpresa estava vazio. Quando ela finalmente colocou a Lily sobre uma cadeira, chegou um bando de crianças gritando e fazendo algazarra. “Eu queria saber onde estavam as mães daquelas criaturas insanas que nao sabem que em ambiente que tem bebê dormindo não se grita!” – falou ela pro marido. Eu achei graça e continuei ali fingindo que arrumava os guardanapos pra escutar o resto da história. Foi aí que ela disse que justo quando ela achou que deveria trocar a Lily de lugar de novo, o jacuzzi, que aparentemente estava estragado à dias, começou a funcionar de repente. Ela disse sorrindo que foi o white noise mais poderoso que ela já viu e Lily dormiu profundamente por mais de uma hora!” – contou o garçom orgulhoso por conseguir entender português tão bem.

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A volta pra casa já não teria sido tão prazeirosa. Comissárias de bordo asseguraram que Lily chorou bastante e não queria saber de dormir. Elas inclusive ouviram Luciana dizer ao marido entredentes que “fora de cogitação passar 16 horas num avião apertado e quente pra ir ao Brasil esse ano”, no que o marido aparentemente respondeu “calma, meu bem, tenho certeza que quando você pensar nas trufas, nas coxinhas de frango com catupiry e na sua amada família, obviamente, você vai mudar de ideia”.

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Mas depois de um voo cansativo, com escala em Calgary e chegada em Vancouver após meia-noite, a família chegou segura no Canadá, que os aguardava com muita neve e um frio de zero grau. “Há muito tempo não tínhamos um natal com neve aqui”, asseguraram os moradores da vizinhança do casal. Uma amiga próxima contou que eles estavam muito felizes com a perspectiva de passar as festas de fim de ano em casa e que a grande tradição da família era usar pijamas novos na noite de Natal. “As crianças ficaram fofas!”.

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“O Natal deles foi lindo e a família está muito feliz e descansada. Luciana também está muito contente por ter tido a oportunidade de ir ao México e treinar um pouco seu espanhol, aprendido há alguns anos atrás no país de Hugo Chavez” – conta a amiga da ilustradora. Ela ainda revelou a notícia bombástica de que quando Luciana morou na Venezuela teria sido eleita La Reina del Carnaval em 2005. Na ocasião, Lu confessou em uma pequena entrevista que seu maior sonho seria conhecer uma piscina que encontra o mar.

É, parece que demorou alguns anos, mas ela conseguiu realizar seu sonho!


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Nem que a vaca tussa

CONVERSANDO COM UMA AMIGA, POR VOLTA DAS 10 DA MANHÃ

- E aí, Lu, como têm sido as noites com o Rafa viajando de novo?
- Hm… Você não vai acreditar…
- O que? Me conta!
- Errr… É que tá todo mundo dormindo na mesma cama.
- Você, o Nic e a Lily???
- É.
- Nossa! E tem funcionado?

3 HORAS E MEIA ATRÁS (6:30am)

Todos hipnotizados assistindo:

MEIA HORA ANTES (6am)

Tudo escuro, tudo silencioso. “Ué, podia jurar que tinha ouvido um barulho. Deve ter sido um sonho”. Pensa ela com seus botões ainda adormecidos e volta a dormir.

- Piuíííí!!! – sai um som abafado de debaixo das cobertas
- Nic? É você? – pergunta ela baixinho, sem acreditar.
- Sim!
- Mas já acordou???
- Sim.
- Porque??? Tá super cedo, volta a dormir…
- NÃO!!!
- Shhhhhh! Fala baixo, a Lily tá dormindo. Por favor, Nic, dorme. Eu imploro!
- Não tô conseguindo, tô sem sono.
- Tenta. Fecha os olhinhos. Conta carneirinho.
- Não quero contar carneirinho.
- Então conta treinzinhos passando no túnel! Tudo bem devagar e monótono – bom, não custava nada tentar uma abordagem mais lúdica. Vai que…
- Não, mamãe, eu só quero brincar.
- Pois se quer brincar, vai lá pro seu quarto.
- Não quero ficar lá sozinho.
- Oh céus…. Tá, mas então brinca aí beeeeem quietinho. Sem nenhum pio, hein? Não quero que a Lily acorde.

Ela olha pra carinha de anjo cabeludinho dormindo entre eles, sorri e puxa o cobertor até a orelha. Imagina, naquele frio, a última coisa que ela queria era acordar às 6 da manhã. Fecha os olhos de novo.

Uns segundos depois…

- Piuíííí!!!
- Ni-co-las!

Debaixo das cobertas: bochecha enche, bochecha esvazia – era o vapor do trem. Lily se mexe.

- Nic! Se é pra fazer piuí abacaxi vai brincar lá no seu quarto! Diz ela com o típico grito sussurrante que só mães sabem dar.

Ele ri.

- Que isso, mamãe, “piuí abacaxi”? Você tá doidinha?
- Não, isso é coisa daquela músic… não interessa! Vou ficar bem doida é se eu não dormir, tá entendendo?
- Hi hi hi.
- Por favor, Nic! Colabora! Eu tô tão cansada, meu bem! Preciso dormir!!! Você gosta de ver sua mãe cansada? – bora apelar pro sentimentalismo.
- Mas mamãe, eu não tô com sono!!!
- Tá, e fala baixo!

Lily acorda. Faz beicinho, vai pro peito, volta a dormir.

- Viu? Viu? Silêncio, por favor! Olha, vou te falar uma coisa – finalmente, o tom de ameaça – se você não ficar quieto, não vai mais dormir na minha cama! Tá ouvindo?
- Tá bom, vou ficar quietinho… Mas então eu quero brincar com seu iPad.
- Não, nem pensar. iPad a essa hora não! São 6 da manhã!!!
- Não, mamãe, não são 6 horas. São seis, zero e nove. Alá, no relógio!
- Aaaaaaargh! Me deixa dormir???
- E o ipad?
- Ta booooom! Toma aqui essa porcar… esse iPad!

1 HORA ANTES (5am)

“Até que no final das contas dormir todo mundo junto não está sendo tão mal como pensei!” – pensa ela em estado semi delirante semi adormecido olhando pras duas fofuras dormindo quase abraçadas. E não deixa de sorrir ao notar o Nic com seu trem inseparável. “Até pra dormir!”

2 HORAS ANTES (3am)

“Ai!” acorda ela com uma pezada no nariz. Ajeita a bebê estrela. Volta a dormir.

25 MINUTOS ANTES (2:35am)

Droga, não dá pra segurar mais.

Abrindo somente uma pequena fresta no cantinho de um dos olhos pro sono nao inventar de escapulir, ela sai cambaleante pra responder ao chamado da Mãe Natureza. “Mãe Natureza… Mãe uma ova! Se fosse mãe não me mandava um xixi justo no meio da madrugada sabendo que tenho que cuidar de duas crianças sozinha por duas semanas!”

Enquanto isso, Lily começa a acordar. “Ih, vai querer mamar.” Volta correndo no escuro, afinal, se um acorda, acorda o outro.

“Droga, mãe não pode nem fazer xixi sossegada!”

UMA MEIA HORA ANTES (2:00am)

Ah, não acredito!!! Xixi agora? Não vou. Não vou mesmo. Nem que a vaca tussa!

1 HORA ANTES (1:00am)

- Mamãaaaae! Mamãaaaae! Chama uma voz baixinha.
- Hmmm…. Vou querer aquela torta de prestigio ali, por favor!
- Mamãaaaaae!
- O que?? O que? Nic? Ah, Nic, não me acorda não… Eu tava quase comendo a torta…
- Eu quero água.
- Tem água aí do seu lado, menino!

40 MINUTOS ANTES (00:20)

- Lily, do céu, o que você ta fazendo encima de mim, criatura? – sussurra ela enquanto a Lily ansiosamente tenta acessar a leiteria.
- Calma, bichinha! Aqui, aqui…
- Mamãaaaae, tô com frio! Quero cobrir! Quero cobrir! – começa o Nic ao lado.
Deitada, amamentando, ela dá um puxão com uma das mãos fazendo a coberta cair sobre o Nic.
“Acordaram juntos… Taí uma vantagem de estarem aqui no mesmo quarto” conclui ela otimista.

4 HORAS ANTES (20:20)

- Mamãe, deixa eu dormir aqui com vocês, por favor!!!
- Não, Nic. No seu quarto é melhor, porque se a Lily acordar, ela talvez não te acorde!
- Mas o papai tá lá na Ostrália… deixa? Por favor! Por favor! Eu quero muito!
- …
- Hein, mamãe?
- Tá bom, tá bom. Vamos tentar. Mas ó: comporte-se!

1 DIA ATRÁS

- O Nicolas disse que quer dormir com você quando eu estiver viajando. Você vai deixar?
- Dormir comigo? Eu, ele e a Lily, tudomundojuntonamesmacama? Nem que a vaca tussa!

1 ANO ATRÁS

- Absurdo esse pessoal que deixa filho brincar com ipad! Filho meu não brinca!

5 ANOS ATRÁS

- Gente, verdade que tem gente que dorme com o filho? Deve ser tudo um bando de louca mal amada. Eu hein? Quando eu tiver filho, eles não dormem comigo mesmo! De jeito nenhum! MAS NEM QUE A VACA TUSSA!

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Créditos do gif
dançarino: nosso querido amigo Gui Lessa, fotos: Alessando Bastos, animação: Tiago Fazito


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50 tons da maternidade

“Não empolgueis se porventura teus filhos hão dormido bem uma noite. Não alimenteis esperanças de que tal feito repetir-se-á ou concluas precipitadamente que o sistema nervoso dos teus pequenos ter-se-á amadurecido. A cada noite ininterrupta de sono, uma escapada de cocô, duas birras homéricas e três noites insones e atribuladas. Esperais, preparais e aceitais.” (provérbio materno, versão estendida)

Versão popular: Mães não dormem. Se dormiu bem, senta e espera, porque vem caca por aí.

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Após uma longa espreguiçada, ela abre os olhos. Não se recorda da última vez que se sentira tão feliz, descansada e renovada – uma estranha sensação de felpudo invade seu peito. Pela primeira vez em oito meses, acordava ela com a luz natural do sol. Seria um sonho?

Languidamente, ela lança um olhar pro lado e constata com ternura que a bebê ainda dorme. E no berço, quem diria? Um verdadeiro milagre. Melhor checar o outro. Deve estar lá chorando debaixo das cobertas, a pobre criatura. Não é possível que ele tenha dormido a noite todinha sem um único pesadelo e que ainda esteja dormindo. Já passam das 7:30! Com passos de pluma, ela chega ao quarto do filho: ahhhh, dorme feito um anjo, o meu menino, e ainda abraçado à sua boneca Moey.

Com um suspiro, ela sorri. “Será o presságio de uma nova era?” – arrisca ela a pensar.

Feliz, ela toma um banho rápido e desce pra preparar o café-da-manhã. Que fofo, o marido deixara a vitamina de frutas já pronta pro mais velho. Ela então prepara uma torrada com queijo derretido pra si e sorve uma xícara de chá quente. Ui! Quente demais, ela ri. Só hoje mesmo pra ver graça num céu-da-boca queimado. De repente, escuta uns passos, seguidos de risos de criança. Acordaram! E de bom humor!

O dia transcorre tranquilamente: escola, trabalho, almoço, parquinho, janta.

Antes de continuar a rotina que precede mais uma noite de sono, ela para e recapitula com detalhe o que fizeram no dia anterior: “não posso errar nada, tenho que fazer tudo exatamente como ontem pra garantir que vão dormir bem de novo” pensa ela com sua inocente lógica materna.

Vejamos…

1. Banho: ambos tomaram banho naquela caixa de plástico que o Nic chama de barco. Durante o banho, ela havia contado a história do trator que sabia pilotar avião pra ele e cantado ‘tchibum, tchibum’ pra ela.

2. Pijamas: sem dúvida, tinham que usar os mesmíssimos da noite anterior. Vai que emanaram alguma vibe sonífera? Ela não podia desprezar essa possibilidade. Talvez se tornassem seus pijamas da sorte. Ela sorri sonhadora.

3. Nic tomou leite com biscoito de água e sal. Depois, dentes, xixi e histórias com o papai. Lily, como sempre, dormiu na cama da mãe mamando. Ontem foi transferida com sucesso pro berço. E usou um saco de dormir.

5. Aquecedor ficou ligado a noite toda.”

E assim ela fez. Tirando a história do trator que pilotava o avião e que o Nic queria de qualquer forma que substituísse por um cachorro – veja só, NADA A VER cachorro pilotando avião, dããã! -, tudo o mais foi cumprido na mais perfeita tranquilidade. Às 20:30 ambos estavam dormindo.

A noite prometia.

Ela pega seu livro, 50 Tons de Cinza, que apesar de não achar muito bom, pelo menos não fala sobre filhos e culpa materna, e vai ler. Mas a narrativa é tão repetitiva que depois de duas páginas ela já está com sono. Que personagens mais chatos… A mocinha, vive mordendo os lábios e se enrubescendo por qualquer papel que cai no chão. Diz pelo menos dois holy craps por página. Já ele, é enfadonhamente lindo, másculo, bem dotado, empresário nato, pilota helicóptero, toca piano como ninguém, exímio dançarino, fluente em francês, excelente amante, bilionário que fez sua própria riqueza, filantrópico preocupado com a fome no mundo e como se não bastasse tamanha irrealidade, só tem 26 anozzzzzzz.

Pois após um par de holy craps e stop biting your lip, ela não aguenta e dorme. Não são nem 9 da noite. 1 hora depois ela acorda num sobressalto com um choro alto: era o Nic tendo um de seus pesadelos. Claro que a Lily também acorda. Marido vai ver Nic, ela vai pegar a Lily. Nicolas volta a dormir, Lily mama mas chora intensamente ao ser colocada no berço. Melhor levá-la pra cama deles. Lily fica feliz. Tão feliz que não quer mais saber de dormir e começa a engatinhar pela cama. Senta, dá tchau, bate palma, ri. Holy crap.

Ela se lembra do livro. No desespero, o alcança e pensa seriamente em ler umas páginas daquela história erótica entendiante pra filha – vai que ela dorme? O marido não deixa. Volta com a Lily pro berço. Ela chora. Cantam uma música de ninar. Nada. Massagem. Ela fica quietinha. A mãe para, ela se irrita. Passam ela pro moisés, onde ela quase não cabe mais. Ó! Dormiu! Voltam pra cama. Puxa, que sono! Fecham os olhos, Nicolas acorda de novo “quero papai!!!!”. Rafa vai ver o que é e fica por lá. 2 horas depois, Lily chora querendo mamar, Nic acorda com o choro dela e começa tudo de novo – a “dança das camas“, como muito bem diz minha amiga Celi.

6:30 da manhã: início de um novo dia.

Mal humorada, ela veste sua roupa, troca a Lily (que chora de sono) e veste a roupa no Nicolas (que faz uma super birra porque quer ir de pijama pra escola). Todos descem pra tomar o café-da-manhã. Que droga, justo hoje o marido não deixou a vitamina pro Nic pronta. Ela vai fazer e constata que não tem banana – a vitamina favorita do filho. Vai de abacate mesmo. Ele não toma. Faz mingau pra filha, ela come tudo. “Nic, vai pro banheiro e tenta fazer cocô!” – diz ela. Ele responde que não está com vontade. Ela olha pro relógio: estão atrasados pra escola. Não dá tempo dela mesma tomar café. Faz um chá e leva. Faz frio lá fora – 5 graus. Lily toda encapotada vai pro sling e vão caminhando.

20 minutos depois, chegam na porta da escola. Ela olha pro Nicolas e não acredita. “Não, não, não!!!” Ele tem uma das mãos no bumbum, olha pra ela e grita “cocô, mamãe! tá querendo sair!!!!”. M**da. Vão direto pro banheiro. Ela tira o próprio casaco, tira a Lily do sling, a coloca no chão. Ela chora. Se prepara pra abaixar a calça do filho e constata que ele está de macacão. Droga! “Segura o cocô, Nic! Não faz não!!!” – grita ela desesperada. Lily esgoela. Ela tiro o casaco dele, tira o macacão impermeável, a calça, a cueca e… putz, não deu tempo. Ele senta no vaso, ela pega a Lily e vai buscar a cueca sobressalente na sala de aula. Volta, bota a Lily no chão, que volta a chorar imediatamente, começa a vestir peça por peça no filho. Entra um outro menino no banheiro, que abre um olho desse tamanho, se vira e sai fora. “Melhor”, pensa ela de mal humor.

Finalmente saem do banheiro. Ela, esbaforida, ele, aliviado. Dá um beijo de despedida e entra todo serelepe. “Pelo menos está feliz” – pensa ela. E vai embora caminhando.

No caminho, vai pensando que deve haver alguma maldição pra pobre mãe que consegue dormir uma noite completa, só pode, tamanha a urucubaca! Então tenta fazer as pazes com o Seu Universo. “Uma boa ação por uma boa noite de sono?” negocia ela em pensamento. Então, naquele mesmo dia, ela leva alguns brinquedos pra caixa de doações, faz uma sopa pra amiga que teve bebê e disponibiliza no blog uns desenhos da turma do Sitio do Picapau Amarelo que tinha feito especialmente pra uma atividade com crianças brasileiras no ultimo final de semana.

Agora é com você! Baixe, imprima, divirta-se, divulgue! Ajude uma mãe a espalhar alegria, espantar a urucubaca que lhe cerca e quem sabe dormir melhor!!! 

O que você vai encontrar: um PDF com 9 bonequinhos desenhados pela mamãe insone e inspirados no Sitio do Picapau Amarelo, mas com um detalhe: eles estão todos carecas! Será que seu filho conseguirá encontrar a parte de cima da cabeça de cada um? Imprima, recorte e divirtam-se procurando os pares! Depois façam marionetes pra inventar historias juntos. Tudo o que vocês precisam é do Adobe Reader que pode ser baixado AQUI, material pra imprimir, colorir e muita disposição pra brincar! Se quiser mandar fotos mostrando como ficou, vai ser muito legal!

Imprima e repasse pra quantas pessoas quiser, mas por favor, não deixe de dar os créditos! Ah, e é somente pra uso pessoal, tá? E que ao baixar essas ilustrações, além de muita diversão, você também tenha ótimas noites de sono! 


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os estereótipos, a cuca, uma mãe e o daddy’s boy

Nunca o céu esteve tão azul. O sol brilhava e inundava os campos pastoris com sua luz outonal. Ah, que tranquilidade era viver longe do burburinho citadino… Pelas colinas verdejantes, corriam livres, ela e o filho, mergulhados na mais plena felicidade. Não havia coração que não se enchesse de regozijo ao ouvir aquelas doces gargalhadas ecoando pelos ares em meio ao gentil sibilar de pintassilgos. Em júbilo, mãe e filho se deixam cair sobre a relva macia. Ela, linda, feminina, cabelos esvoaçantes e perfumados, sobrancelhas bem feitas, semblante sereno, dentes alvos e sorriso franco. Ele, tez rosada, olhos atentos, expressão curiosa, inteligente, mas sobretudo inocente, sorriso pueril. Certamente não teria mais que quatro anos de idade.

Com delicadeza, ele leva as mãozinhas pequeninas à bela face de sua progenitora, lhe ajeita uma teimosa madeixa e declara com ternura “eu te amo, minha mamãezinha linda”. Emocionada, ela sorri para o filho e lhe abraça. De repente, um sofrido choro de criança se irrompe no ar. Quem seria e o que tentava dizer? Ela se vira na direção do choro e identifica as palavras “eeeeeu queeero bolo de papaia”. Pobre criança… que gosto horrível por bolos, onde ela vai conseguir uma coisa dessas? – pensa ela sensibilizada. E se volta para seu amado filho. Mas pra sua surpresa, ele não era mais ele. No seu lugar estava a Cuca – em carne, osso e peruca loira. Ao notar esse último detalhe, ela, que nunca teve muito apreço por tal criatura, sente agora uma inexplicável simpatia por ela. Por que será?

Sem tempo para pensar, ela percebe que a Cuca estende um dos braços em sua direção e tenta lhe falar alguma coisa. Estava chorando, a pobre jacaroa – ou seja lá o que era aquilo – e vai chegando cada vez mais perto. Mais perto. Mais perto. Até, que com uma mão no seu ombro ela diz:

- Eeeeu queeeero bolo de papaia!

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Num sobresalto eu acordo. Abro os olhos e ainda tonta, vejo o Nicolas ao meu lado aos prantos e dizendo “Eeeeu queeeero colo do papai!

Ah, então era isso. Colo do papai.

Eu tento acalmá-lo. “Vem cá, me dá um abraço, eu estava sonhando com você, sabia?”.

- NÃO! – grita ele – Você não! Só quero o papai! Cadê o papai?

- Não precisa gritar. É que hoje ele não trabalha em casa, foi pro escritório.

- NÃÃÃÃÃÃO! Eu quero colo do papai!!!!

E assim começava mais um daqueles dias.

* * *

Lá nos idos da minha vida pré-pré-nicozóica, sempre que cogitei minimamente em ter um rebento, eu pensava que queria menino. Sabe aquela coisa que todo mundo diz que meninos são apaixonados pela mãe e meninas pelo pai? Então. Pois eu, no auge da minha fase narcisista, sonhava que SE algum dia tivesse filho, queria um que fosse apaixonado por mim. Fala sério, existe gente assim? – você pensa.

Tá. Pois eis que me casei, planejamos com carinho a gravidez, nos mudamos pra Australia e tivemos o Nic, olha só – um menino. Por varias semanas tentei amamentá-lo, mas ele só sabia chorar a cada tentativa. Chorava, arqueava o corpo pra trás e me empurrava. Hum, as coisas não tinham começado muito bem. Tadinho, será que ele estava sentindo dor na cabeça quando succionava, já que tinha nascido com ajuda do extrator a vácuo? Será que eu tenho muito leite? Pouco leite? Ou será que ele não gosta de mim, afinal, ele parava de chorar TODA vez que ia pro colo do pai? Varias questões pairavam na minha cabeça e incomodavam meu coração. Seis semanas depois, sem conseguir amamentar, descobrimos que o refluxo era o vilão de tudo. E como sentia dor ao mamar, talvez associasse isso à mim, dona da peitaria. Ou então sentia minha tristeza em não conseguir amamentar e claro, se sentia melhor nos braços do pai, mais tranquilo.

Então ele foi crescendo e aos poucos fui me dando conta que havia sim uma preferencia clara pelo pai. Derrubando todos os estereótipos, ia surgindo ali a olhos vistos, o daddy’s boy. A paixonite por ele era tão grande, que além de querer seu colo o tempo TODO, ainda desenvolveu o hábito, assim que começou a engatinhar, de ir até à porta por volta do pôr do sol pra esperá-lo chegar do serviço. Muito bonitinho, mas uma vez que o pai colocava os pés dentro de casa, não tinha pra mais ninguém. Me lembro que era até difícil pro Rafa tomar banho e jantar, pois o Nic não queria se desgrudar! Eu não reclamava, pois pra mim, que ficava o dia todo com ele, era minha chance de ter um tempinho pra mim. :)

No seu aniversário de um ano, ele me largou com todos os brinquedos na areia e enfrentou o mar gelado pra ir atrás do pai – chorando.

Da ultima vez que fomos ao Brasil, ele tinha 2 anos. O Rafa não pode ficar o tempo todo com a gente pois tinha que voltar a trabalhar. Nos dias que o Rafa estava, Nic só queria saber dele (que novidade!). E quando ele se foi, transferiu seu vínculo a mim ou no máximo a qualquer outra figura MASCULINA. Não teve tia, não teve vó, não teve mãe de santo que conseguisse pegá-lo sem que ele chorasse. Bom, a gente entendia que podia estar sendo coisa demais pra ele. Da nossa vidinha pacata de família pequena lá na Australia, pra uma temporada no Brasil cheio de gente diferente, falando alto, querendo pegar e beijar, podia ser mesmo confuso e assustador.


Então nos mudamos pro Canadá e o Rafa começou a viajar. Pra nossa GRANDE surpresa, o Nicolas NUNCA teve o MENOR problema em ficar longe do pai. Não perguntava por ele e parecia não sentir falta mesmo, ele estava sempre muito feliz. Mas era só o Rafa voltar que a situação se complicava. O Nic chorava muito por qualquer coisa e passou a querer não somente o colo do pai o tempo todo, mas também sua atenção e sua ajuda pra fazer completamente TUDO. Escovar os dentes, dar banho, vestir roupa, colocar pra dormir, brincar, ajudar a comer, colocar na cadeirinha do carro. Tu-do. Surgiu aí um grande empasse. Ao mesmo tempo que o Rafa queria fazer tudo com ele, pra tentar compensar a ausência, a gente sabia que esse não era o caminho. Não era saudável pro Nicolas ter somente a atenção e carinho do pai, nem legal pro Rafa que ficava sobrecarregado e nem pra mim, que ficava de fora de tudo.

Então, passamos a conversar muito, mostrar como os amiguinhos dividiam a atenção com a mamãe e o papai deles e começamos a simular todas aquelas situações com brincadeiras pra ele entender que o papai viajaria mas sempre voltaria, que nós três éramos uma família, que tudo bem querer a atenção do papai, mas que tinha que deixar a mamãe ajudar também, etc, etc, etc. Algumas vezes funcionava, outras não. Mais não que sim, na verdade.

Quando ele fez três anos, o Rafa continuou a viajar e as requisições do Nicolas foram ficando cada vez mais particulares e sem sentido, como por exemplo, o papai tinha que ser o primeiro a dar “bom dia” (!!), ou só o pai podia dirigir o carro (!!!), ou só o pai podia OLHAR pra ele (!!!!). Ou seja, a situação tinha chegado ao seu limite. Tudo bem querer fazer determinada atividade só com o pai, mas que diferença fazia quem pegava o copo de água, quem o ajudava a vestir a roupa e se EU estava olhando pra ele??? Então, toda vez que isso acontecia, explicávamos que a mamãe também podia fazer essas coisas, que eu adorava fazer tudo com ele e passamos a fazer combinados do tipo ”mamãe faz isso agora, e o papai faz aquilo depois, que tal?”. Ou “se a mamãe dirigir agora, a gente passa pelo caminho que você gosta, se não, vamos pelo caminho de sempre mesmo”. E outras vezes, simplesmente fazíamos o que dava, independente do que ele queria. Não dava pra amparar qualquer desejo, mesmo sabendo que ele estava confuso.

O quarto dele, que eu pintei com tudo o que ele gosta.

Li muito sobre o assunto. Li aquele livro “Criando Meninos” que não me ajudou muita coisa. E algumas vezes, tentei também ser mais maleável em algumas situações do dia-a-dia ou até mesmo imitar a forma com que o pai brincava. Arremesso? Lembra? Sim, eu tentei. Mas chegou num ponto que desisti. Eu não estava sendo eu mesma. Eu tinha meu próprio jeito de interagir com ele e fazer as coisas, o Rafa tinha o dele, e isso era o legal de se ter mãe e pai, não? Então continuei demonstrando todo meu amor da forma que eu sabia, mas também sendo dura e impondo limites toda vez que precisava.

Depois de muita conversa, muito tempo juntos, houve um período que ele realmente melhorou, relaxou mais. Foi então que a Lily nasceu.

POFT.

Gritos, choros por qualquer coisas, exigências descabidas, sono MUITO agitado, escândalos de madrugada quando eu ia vê-lo ao invés do pai, crises de ciúmes quando o Rafa pegava a Lily e muito sofrimento. Tadinho, ele realmente estava sofrendo e a gente ajudava como podia. A primeira coisa, foi ter a vovó aqui, que veio basicamente só pra fazer companhia pra ele – um anjo. Na presença dela ele lidou muito melhor com a situação toda, já que se sentia seguro e amado o tempo todo. Mas foi só ela ir embora que ele passou a se sentir ameaçado. Primeira reação: desdesfralde. Segunda: crises de choro INCONTROLÁVEIS.

Dias que se iniciavam com “Eu quero colo do papai” e o Rafa não estava, sempre foram os piores. Não adiantava abraço meu, conversa, palavras doces ou tentar mudar o foco. Tudo o fazia chorar mais. Perdi a conta das vezes que ele chorou por 2 horas seguidas, sem trégua e com a mesma intensidade. Aliás, quanto mais longe eu ficasse, melhor, mais chances tinham dele se acalmar eventualmente. Isso partia meu coração em mil pedaços, mas não tinha nada que eu pudesse fazer. Quando ele parava e se reconstituía, voltava a ser o mesmo menino fofo, carinhoso e prestativo de sempre.

O auge da crise aconteceu há um mês, quando coincidiram as visitas da Patti e da vovó Stela. Era uma crise emendada na outra. Mas como auge é auge e depois dele não tem como piorar, as crises foram se espaçando. Ele ainda continua acordando pelo menos uma vez toda noite pedindo pela companhia do pai, mas as exigências de que somente o Rafa pode ajudá-lo ou eu não posso olhar pra ele (ó céus!), estão cada vez mais escassas.

A nave espacial. Na minha mão, o mapa do tesouro intergaláctico, como já tinha mostrado AQUI.

Aliás, desde que a Lily nasceu, ele ainda não tinha me permitido participar tanto de sua vida quanto agora. Pra começar, represento a voz oficial de sua grande amiga imaginária. Também, tenho alternado com o pai na contação de histórias à noite, nas saídas pro parquinho e brincadeiras em geral. Mas o mais memorável, foi o dia em que estávamos todos na sala assistindo a um filme e, totalmente sem precedentes, ele vira e ME chama pra pilotar sua nave espacial. Consegue imaginar minha emoção ao ouvir “mamãe, deixa a Lily com o PAPAI que eu quero brincar com VOCÊ”?

Tô vivendo um verdadeiro sonho, gente! E sem Cuca de peruca, viu? :)

___________

Ontem, indo ao parquinho:

- Ih, Nic, esqueci de colocar a roupa pra lavar! 

- Tudo bem mamãe. Olha, a gente vai no parquinho agora, fica só 2 minutinhos, aí a gente volta pra casa e eu te ajudo a lavar a roupa, tá bom?

- Oba, tá bom! E o que a gente faz com a Lily?

- Ah, deixa com o papai.  :D


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Blogando do céu

Empacotei não, viu gente?

Mas tinha que vir aqui contar que neste exato momento, estou eu, a mais de 10.000 m de altitude, SOZINHA com duas crianças e ainda escrevendo este mesmo post que você lê agora.

Como é possivel algo tão sem precedentes? Quantas vezes eu já viajei com o Nic MAIS marido e mal tinha chance de ir sequer ao banheiro? Terei eu batido a cabeça, desmaiado e agora estou sonhando que blogo enquanto meus filhos tocam o terror dentro do avião? Terá a mãe natureza me ouvido e finalmente me presenteado com braços extras, os quais utilizo mesmo sem perceber? Estarei eu completamente insana e delirante?

Não, amigas. Vocês ja devem ter ouvido falar de milagres, não? Pois é justamente um que vivencio neste momento, posto que Liloca dorme há mais de 1 hora e meia (mesmo comigo sentada, sem balançar pralápracá, nem nada) e Nic (que voltou a ser menino desfraldado, contei não?) brinca qui-e-ti-nho com seu único carrinho novo. Sim, tudo na santa paz, sem escândalo dela pra dormir, sem birra dele porque só viaja se for no lugar do piloto ou qualquer outra esquisitice. Sem nada. E ainda num avião pequeno, lotado, quente, cheio de atendentes enlouquecidas com o cabelo da Lily e SEM uma única televisão. Te disse: mi-la-gre.

Assim, eu, sem ter mais o que fazer, já que quando viajo com criança não carrego livro, nem revista, muito menos palavras cruzadas, resolvi escrever post. Quem não haveria de?

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melhor foto que consegui tirar de dentro do avião com a tablet

***

Pois bem, contei pra vocês que minha irmã está passando 3 meses com a gente, né? Tinha me esquecido como é gostoso ter irmã da gente pra papear o dia todo. Isso sem nem contar a ajuda dela com a casa e as criançatudo, obvio! Mas tô falando de conversa mesmo, botar tudo em dia, falar dos planos e inventar assunto. A gente ri tanto juntas, que às vezes até esquecemos do motivo.

- Do que mesmo que a gente tá rindo?
- Sei não, só sei que era engraçado pra caramba – e continuamos a rir, as duas bobas.

Também somos daquelas com a irritante mania de começar um assunto já no meio dele, sabe comé?

- Tô achando que o turquesa vai ser melhor – diz uma das duas do nada. E a outra sempre vai ter o poder de advinhar do que se trata. Anomalia cognitiva fraterna, só pode.

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Mas daí que a Patti já tá aqui há mais de dois meses. Saiu do Brasil quando se formou na faculdade e terminou com o namorado. Então, eu brinco com ela que ela vai acabar conhecendo um gringo bonito e boa gente e nem vai embora. E ainda digo que ela podia aproveitar essa profusão de ursos por aqui e ir a um parque ali do lado, altamente freqüentado por escaladores sarados do mundo todo, pra panfletar sobre os cuidados que se deve ter em terra de urso. Panfleto vai, conversa vem, vai que, né?

A gente já deu boas risadas sobre isso, mas ainda nada de panfletagem. Também, né gente, vocês me explicam, como é que se panfleta quando se tem sempre um bebê anexado à pessoa? Culpa minha não, juro! Culpa dessa fofura chamada Liloca que nao deixa a tia resistir de SEMPRE querer sair pra passear com ela e ainda por cima no sling, ali bem agarradinha.

***

Acontece, que surgiu do marido ir conferenciar em terras americanas e eu, como há muito não viajava, animei de ir pra passar metade do tempo lá com ele. Mas ao invēs da Patti tirar o visto pra nos acompanhar, vimos aí a grande oportunidade dela curtir um pouco uma vida livre de rotina e crianças, né? Foi assim que nos separamos por alguns dias pra vivermos aventuras diferentes. Eu, indo pra uma cidadezinha nas Montanhas Rochosas com essas duas criaturas pequenas e surpreendentes, e ela, num Hostel maneiro em Vancouver livre pra tomar uns goró um café sossegada, praticar o inglês, começar um blog e até mesmo fazer uma panfletagem se quiser. :)

***

Quanto ao voo, no final das contas, Nic caiu no sono também e Lily continuou dormindo até o avião pousar. Quando eu imaginei que um dia blogaria do céu com duas criancas pequenas e sem estar usando a internet divina, minha gente? :)

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E pra não perder a oportunidade, aí vão algumas fotinhas…

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Liloca curtindo um quarto de hotel

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sijogando num biscoitinho de cereal de arroz

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e Nic, dizendo ser ele um carro com um farol de gravetos. Não esquece o mundo motorizado nem quando fazemos caminhada entre as árvores e ao longo de rio. Vai gostar, viu?


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a vuvuzela, o marsupial e o provável tsé-tsé

A sala de espera do consultório encontrava-se lotada. Entremeio ao som abafado de folhas de revistas sendo passadas e uma ou outra tosse seca, de repente, irrompe-se no ar um barulho flatulêntico. Era quase uma vuvuzela em dia de jogo da copa. Alto, rasgante, estridente. Nítido. A mãe, desconsertada, aponta pra filha de 4 meses.

- Foi ela – e dá um sorrisinho amarelo enxofre.

Assim é a mãe. Faz de tudo pelos filhos, menos assumir um pum que nao lhe pertence.

E assim é a Lily. Uma bebê à frente do seu tempo. Chora com o nível decibélico de uma criança birrenta de 3 anos, tem a vastidão capilar de uma de 10 e solta puns homéricos e constrangedores como uma adolescente rebelde. Quem vê não pensa.


O cabelo é tanto que já passou da base da orelha e hoje ensaia cachinhos. A franja, essa foi cortada 2 vezes. Isso mesmo, primeiro uma, depois duas, como diria o Nic. Porque com bracinhos agitados como os dela (que com muito custo ela consegue controlar pra alcançar um reles brinquedinho pendurado à sua frente) nao daria conta de afastar as madeixas que teimam insistentemente em cair sobre suas pálpebras piscantes. Fato. Então cortei-as.

Mas fofo mesmo é vê-la descobrindo e curtindo seus próprios cabelos, já que Liloca é bebê adepta do auto-cafuné. Ela, nela mesma. Vai fazendo cafuné, fazendo, fazendo e quando menos se espera, tá lá ela dormindo.

Rá! Quem me dera.

A verdade é que após demorar mais de 2 anos pra eu voltar a saber o que é uma noite inteira de sono, tive a sorte de ter um segundo filho com a disposição de um urso hibernante pra dormir. Aposto concê que nunca dantes na história do homo sapiens sapiens se conheceu uma bebê de 4 meses com tamanha necessidade de dormir. Mais fácil seria somar o tempo que ela fica acordada: 3-4 horas por dia? Máximo? TEJURO. Acontece, caro leitor, que o que seria minha grande sorte grande, virou meu maior pesadelo, uma vez que a extensa carga sonífera de Liloca é na realidade inversamente proporcional à facilidade com que ela pega no sono e continua dormindo.

Acompanhe.

Suponhamos que Lily durma por duas horas seguidas (não se empolgue, já já eu conto como isso é possível). Daí ela acorda, mama, ri, conversa, faz cusparada, brinca um pouquinho na cadeirinha e pronto, vinte minutos depois lá estará ela, que nem um bagacinho humano, chorando desconsoladamente em completa exaustão. A pegamos pra dormir (eu ou minha irmã) e por uns 5 minutos o pequeno ser encalacrado ainda se debaterá e gritará, até que por fim começa seu auto-cafuné e adormece. Se o contato humano cessar, ela acordará após zero a dez minutos. Se a superfície na qual ela for deitada vibrar, seu sono se estenderá um pouco mais, mas nunca além de 28 minutos cronometrados. No entanto, se a pessoa carregadora da pequena marsupial estiver disposta a passar as próximas horas com ela no sling e ainda por cima sentada encima de uma bola de pilates ou mesmo caminhando, chances são de que ela durma mais. Ah! E mesmo caminhando pode ser que ela acorde logo, viu? Mas tudo bem, já que isso poderá ser facilmente evitado se a pessoa carregadora passar a dar passos galopantes ao invés de andar normalmente. Uma beleza.

Bom, mas daí ela acorda, fica mais 20-30 minutos acordada e outra vez abre a boca a chorar completamente exaurida.

Só tenho uma palavra pra Lily: tsé-tsé. Só pode.

Agora, adicione a toda essa dificuldade de dormir, barulhos bruscos de alto impacto e gritos frenéticos promovidos pelo irmão mais velho. Pronto, clap, clap, clap, você acaba de ganhar uma bebê com uma necessidade ainda maior de dormir e uma mãe realmente frustrada. Congratulations.

(Alô, assistência técnica, segundo filho não deveria vir obrigatoriamente configurado pra dormir com barulho, em qualquer lugar e por muito tempo? Não tem algo errado aí não?)

Tá, mas quando ela acorda (e não tá chorando de sono), Liloca é o bebê mais feliz que já vi. Mais feliz ainda se Nic está por perto. Enquanto eu, papi e a tia nos desdobramos em palhaçadas pra fazer ela gargalhar, Nic consegue isso com ZERO esforço. Sabe o que é simplesmente parar na frente dela, sem qualquer expressão, pra ela quase perder o fôlego de gargalhar? Impressionante.

Já Nic, apesar do visível amor pela irmã, anda passando por uma fase mesmo complicada. Além do desfralde que ficou pra história, Nic nunca chorou tanto na vida. Chora POR TUDO e mais alguma coisa, especialmente quando o papai NÃO está viajando. E tem MUITO ciúme dele com a Lily. Também ficou teimoso, exigente e manhoso ao extremo. Tem horas que deita no chão e imita igualzinho o choro de um bebê, dizendo que é um. Daí a gente diz que tudo bem ele FINGIR que é bebê de vez em quando, mas que gostamos dele mais ainda quando ele volta a ser menininho. Então tem dia que ele vem, pede pra ajudar a dar banho na Lily, pega a fralda dela e aceita sua condição de irmão mais velho cheio de habilidades. Nos dias mais surpreendentes, ele até nos pede pra fazer um sling pra ele poder carregar sua companheira de aventuras por aí.

Bonitinho.

Mas então é isso. Hoje concluo que ter dois filhos é muito, muito bacana, mas não é fácil não, viu? E apesar de eu achar graça dos barulhos de vuvuzela, de fazer piada com o tsé-tsé ou o pequeno ser marsupial, só desejo no meu íntimo que eu esteja mesmo é sendo a melhor mãe que eu posso pra esses dois. E que no final das contas eles se sintam amados e sejam pessoas seguras, de bem e muito, mas muito felizes. E claro, sem traumas psicológicos da infância. :)


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as trocas de nomes e o lenga-lenga bizarro

Quando eu era pequena rachava de rir da minha mãe porque ela nunca conseguia acertar os nomes dos filhos na hora de chamar um. Passava por todos os nomes da família, dos irmãos dela, da vizinha, dos gatos, e quando ela finalmente acertava, a criança já estava longe.

Depois de um tempo ela foi ficando mais espertinha. Não que ela tenha passado a acertar de primeira, mas pelo menos começou a falar somente a primeira sílaba de cada nome. Rei-Pá-Lu, por exemplo, era eu.

Por sorte não tenho uma mãe vingativa. Pois se ela fosse, estaria hoje me dizendo “ora, ora, ora, veja QUEM está confundindo os nomes dos filhos agora…”.

Pra vocês terem uma idéia, tem dia que estou tão doidona, mas tão doidona, que chamo o Nic de Lily, a Lily de Nic, o Nic de Lic, a Lily de Lícolas, o Nicolas de Nily, a Lily de Nicoly e ainda quase esqueço meu nome.

Grave.

Pois a coisa ficou ainda mais grave na semana passada. Tenta imaginar uma mãe já desparafusada, desta vez sozinha com duas crianças por 9 dias (primeira vez de várias). Juro, não sei como terminamos todos vivos, só sei que no último dia, eu já não lembrava quando tinha trocado a fralda da Lily, se o Nicolas já tinha tomado banho ou se eu tinha almoçado. E ainda me pegava falando coisas do tipo “Lily, termina logo de vestir essa cueca que ainda tô dando mamá pro Nic”.

E Nicolas gargalhava.

Fácil não, viu gente. Perrengaço essa de não ter ninguém pra quem passar a bola, pra dividir os filhos na hora de comer, dar banho, colocar pra dormir, pra se alternar de madrugada na hora de checar o filho que tá tossindo ou chorando com pesadelos no outro quarto e pegar a bebezinha no colo mil vezes porque ela tá se contorcendo e não consegue dormir, ninguém pra conversar no final do dia, ninguém pra poder dizer “me ajuda aqui que vou tomar um banho”.

Pra sobreviver, tive que organizar ainda mais minha já (cof, cof) organizada rotina e focar no básico, sem esperar fazer nem um tiquinho a mais que o estritamente necessário. Claro que com um pouco de disciplina, tudo tava parecendo fácil demais, né? Então dona Lily resolveu adicionar um fator pra randomizar um pouco nosso dia: o fator lenga-lenga bizarro. Prestenção: Lily que era bebê venerado por todos por dormir em qualquer lugar e por longas horas, cansou. “Boriiiiing, pensou ela.” Entao num belo dia decidiu virar uma high need baby, passando a dormir SOMENTE e tao somente no colo durante o dia e fazendo muita, mas muita hora mesmo pra dormir à noite.

Vou contar o que que ela faz, amiguinhos.

TODOS os dias, exatamente às 18:30, Lily chora por 5 a 15 minutos no colo, capota de cansaço e depois de 30 minutos exatos, acorda revigorada, pronta pra brincar e fazer aqueles sons mais que bonitinhos que ela tem aprendido. Passados 10 minutos, ela está cansada outra vez. Então dorme no colo amorosamente embalada, porém, a cada vez que é colocada na cama dona Liloca acorda, seja rindo ou chorando, mas acorda. Esse lenga-lenga dura de 2 a 3 HORAS, TODO santo dia. E como lá pelas 21 eu já estou DOIDA pra dormir, peno muito pra conseguir aguentar firme sem pedir penico ate 22 ou 22:30.

Assim que, estando só eu e não podendo me dedicar somente à ela no período de lenga-lenga, tenho que me apressar pra fazer tudo antes: tomar meu banho (ou não), dar banho nela (ou não), dar banho no Nic (ou nao), dar janta pro Nic que demora horrores pra comer (quando come) e deixar tudo preparado pra gente ir dormir. Ou seja, antes das 18:30, amiguinhos, já estamos todos de pijama e pantufas. Daí, durante o período bizarro, tenho que aproveitar as brechas (se existirem) pra dar um leite ou iogurte pro Nic, escovar os dentes dele, contar historinha, levá-lo ao banheiro e colocá-lo pra dormir até as 20h, que é quando ele já está capotando de sono. Tudo isso sem mostrar que estou com pressa, pra ele se sentir especial.

Durante a madrugada, dona Lily dorme um pouco melhor e acorda pra mamar a cada 2 ou 3 horas, mas algumas noites o sono dela é super agitado e ela acorda muito mais. E como sofremos por 15 meses com o refluxo do Nic, às vezes suspeito que ela também possa estar ficando refluxenta. Espero tirar a duvida no próximo mês, quando finalmente conseguimos consulta com um pediatra. Conto depois.

As horas do almoço também são complicadas. Em geral demoro 3 horas entre fazer o almoço, dar comida pro Nic e comer, sem contar arrumar a cozinha. E cada dia acontece algo diferente pra tornar nossos dias únicos e emocionantes. Como o dia que Nic caiu e machucou a boca, Lily chorava sentada na cadeirinha e a comida começou a queimar no fogão. Durante 5 minutos eu ouvia a nada harmoniosa sinfonia composta pelo choro de duas crianças, uma musiquinha infantil vinda da cadeirinha de balanço e o escandaloso alarme do detector de fumaça que disparou.

Enfim. Um show.

E assim tem sido. Definitivamente virei mamãe canguru durante o dia, carregando Lily pra cima e pra baixo e felizmente contando com a colaboração do Nic, que nunca se importou de me ver com ela o tempo todo. Claro, existem as crises “veladas” de ciúme, como as escapadas de xixi que têm ficado mais frequentes e o fato dele só aceitar comer se eu der na boca (já que ele já comia sozinho). Também foi agora que desenvolvi o método do grito sussurrado, entre-dentes, sabe? “Nicolas, para de fazer barulho, por favor! Sua irmã demorou pra dormir!”. Nem sempre funciona, mas tá valendo.

No mais, só acho que não enlouqueci mais nesses dias sem marido porque recebi muita ajuda, aqui e ali. A começar por todos os meus vizinhos que são gente fina demais. Teve gente que se ofereceu pra ir ao supermercado pra mim, gente que me trouxe comida quentinha pra eu poder tirar uma folga da cozinha, gente que ficou com a Lily pra eu poder passar um tempo só com o Nic. E tiveram os amigos, que me escreveram email perguntando se eu estava viva, amigos que vieram passar um dia comigo só pra me fazer companhia e me ajudar a carregar Liloca, gente que escreveu post especial contando da sua experiência sozinha com duas crianças. E quando mesmo assim tudo parecia muito difícil, descobri que o melhor remédio era sair pra caminhar. Um dia caminhamos por 2 horas seguidas, entrando e saindo de trilhas, e claro, torcendo pra não darmos de cara com um urso!

Bom, e agora que marido voltou, tudo ficou melhor outra vez. Só o que continua é a lenga-lenga bizarro da Lily e claro, a trocação de nomes. E não pensem que estou sozinha nessa. Outro dia mesmo escutei o Rafa chamando “Líiiiiiiiiicolas!!!!”.

Tá achando que só mãe é doida?


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Mãe de segunda viagem

Agora não tenho dúvida que segundo filho é mais feliz.

cêjura?

Porque fala sério, quando o primeiro chega é aquela zona, né não? Pensa que tudo o que a gente conhecia até a chegada daquele ser pequeno e vulnerável envolvia quase que ZERO ROTINA e uma boa dose de carpe diem, né verdade? Era cinema a qualquer dia, shows, restaurantes, boteco com os amigos depois do trabalho, viagens a dois pra qualquer lugar, mas o principal: ninguém tinha hora pra acordar nos finais de semana, lembra? A gente tinha feriados, tinha férias.

Mas daí o bebê nasce e você leva aquele baque. De repente você se dá conta que aquela famosa história de nunca mais dormir é verdade. E com areia permanente nos olhos, você olha perdido pra aquela criaturinha que está há horas chorando e você não tem a menor ideia do porquê. E se desespera porque ela está a dias sem fazer cocô – ou porque passou um dia fazendo cocô demais. E tem medo de não conseguir pegá-la sem quebrá-la. E sofre muito ao primeiro sinal de gripe. E não consegue colocar uma fralda sequer sem que ela vaze. E não se lembra de nem uma música de ninar no momento que ela chora desconsoladamente.

Enfim, muito despreparo. Pobre criança. Mas como milagre ela sobrevive, vocês esquecem tudo e decidem ter outro rebento.

O segundo nasce e quanta diferença. Claro, desta vez seu maior desafio é aprender a se desdobrar pra conseguir dar atenção pra dois ao mesmo tempo – e mesmo assim, sempre vai ter um chorando, eles ou você. Mas no geral, você vai sentir como se o segundo viesse com seu próprio manual de instrução, como costuma dizer minha amiga Sut-Mie. Desta vez você não é mais tão sem-noção, tem o coração mais apurado pra sentir seu instinto materno e o melhor, sabe por experiência PRÓPRIA que tudo REALMENTE passa.

foto tirada pelo marido no nosso quintal

Outra coisa importante, é que diferente do primeiro, o segundo já cai numa casa com rotina estabelecida. Ou seja, o primogênito foi lá com seus bracinhos gordinhos e pavimentou todo o caminho pro irmão caçula andar sem muitos tropeços. Foi lá com a maior paciência e fez buraquinhos no obstáculo pra florzinha poder florir. É muito amor.

Além disso, essa querida cobaia o querido primogênito também te ensina um dos segredos mais bem guardados da comunidade materna: bebês também choram quando estão com sono. Parece mentira, mas é verdade, eles sentem muito sono, mas simplesmente não dormem, choram. E esgoelam. Dai você acha que é fome, dor, que o bebê não gosta de você, mas tudo o que ele queria era dormir, só que estava exausto demais pra conseguir pegar no sono.

Por isso, depois que você se torna mãe de novo, se sente a rainha da cocada preta, a detentora de todos os segredos maternos – e começa a se achar. Se acha tanto que além de blog, cria também fanpage no Facebook. Fanpeidge, gente. A que ponto chegamos. Sim, porque parece que essa é a tendência, já reparou? Mãe de primeira viagem cria blog, de segunda, fanpeidge. Olha ali na lateral do blog pra você não dizer que eu estou mentindo.

Como se não bastasse, ainda acha que encontrou o mapa da mina pra acalmar bebê, pra esvaziar o narizinho melecado e pra conseguir de volta as duas mãos que tinha perdido. E fez lista. Eis os ítens TOP FIVE que uma mãe de segunda viagem que se acha recomenda:

1. Sling tipo wrap

Super prático! Não passa de uma faixa de pano (malha) gigante, que você amarra como achar melhor. No manual eles dão várias ideias de diferentes tipos de amarração. Comecei com uma que a Lily ficava deitada lá dentro, mas achei muito dfícil amamentar assim porque ela ficava o tempo todo escorregando pra baixo. Então, assim que ela cresceu um pouquinho e deu pra ajeitá-la sentadinha, fiz do sling uma espécie de “camisa”, que pra gente funciona maravilhas. O meu é da Moby Wrap. Outro sling que a gente usa muito pra passear é o Ergobaby, melhor a medida que o bebê vai ficando maior, parece uma mochila.

2. Aspirador nasal

Juro que não sei como o Nicolas sobreviveu sem isso. Coitado do meu filho. Com ele a gente usava um bulbo simples, tipo uma pera, que a gente apertava, colocava no nariz e soltava. Sinceramente? Era uma porcaria, não tirava quase nada e ainda fazia o Nic chorar horrores. Esse aí funciona com a gente succionando, é super gentle. Tem de diversas marcas, mas o que temos é o da HydraSense, que vem com um filtro pra não deixar a meleca subir pelo tubinho (não acho que aconteceria de qualquer forma). Utiliza-se colocando soro fisiológico no nariz pra liquefazer a melequinha primeiro e depois aspirando. Sai tudo ou quase tudo, gente, é muito bom mesmo.

3. Baby sleep gown

Outro dia eu falei dessa camisola aqui. Não existe nada mais prático pra trocar fralda no meio da madrugada que isso, especialmente no clima mais frio. Levantou a camisola, trocou a fralda, pronto, já pode cobrir as perninhas de novo. Eu não sei como são chamadas no Brasil (aqui são sleep gowns ou sleeper gowns), mas sei que existem, pois a minha sogra nos mandou um de presente de lá. Outra coisa legal é que eles vêm com uma luvinha embutida que aquece a mãozinha de noite sem ficar saindo.

4. Baby sleep bag (sac0 de dormir)

Super recomendo pro clima frio. Prático (tem um fecho da lateral até a parte de baixo), quentinho e muito seguro. Nada daquelas mantas enrolando o bebê de noite com risco de cobrirem o rosto e atrapalhar a respiração.

5. Balde

Esse é o ofurô moderno dos bebês. Bom especialmente pra acalmar e relaxar, apesar de não muito prático pra realmente dar banho e limpar o bebê. A Lily chora muito menos no balde que o Nic chorava tomando banho na banheira. Acho que por ser mais aconchegante.

E você, sugere mais algum item indispensável nessa seara materna?


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Perninha e Lilica

Nicolas, 8 dias. Lily, 14. Ela usando a mesma roupa, herdada do irmãozinho.

Engraçado. Você passa meses e meses pensando meticulosamente num nome pro seu futuro filho. Um nome que ainda não tenha sido escolhido por nenhum parente ou amigo próximo.

- Pedro. Que tal Pedro?

- Não, Pedro não dá, esse vai ser o nome do filho do Marcelão, lembra? Que vai nascer antes do nosso.

Um nome que seja do gosto do marido, dos tios, da sogra, da sua mãe e até mesmo do seu. Então você faz listas e mais listas, acrescenta por educação algumas sugestões de pessoas próximas, analisa origens e significados, consulta a numerologia e chega até a ficar uma semana de tromba com o marido porque ele queria um nome clássico, mas rejeitou todas as suas sugestões.

- Não gostou de nenhum não, é? Quer nomes clássicos? Então vou te dar dois nomes clássicos! Adão e Eva, que tal? Os nomes mais clássicos da história da humanidade!

Ah, os hormônios.

E de tanto pensar, você se lembra de repente que um dia lá nos idos da sua adolescência você já tinha escolhido um nome pro seu futuro filho, baseada naquela música que você tanto gostava.

- Luka! Não vai ser super legal ele poder chegar pras pessoas e falar “my name is Luka“*?

Seu marido suspira fundo e prefere nem comentar.

Mas você não desanima. Consulta estatísticas, descarta os nomes muito populares, os muito obscuros, analisa qual a melhor forma de escrever, as complicações na pronúncia e se combina com o nome do primeiro filho. Pensa bastante em todos os possíveis apelidos esdrúxulos que aquele nome pode trazer e com extremo cuidado, corta todos aqueles que te fazem lembrar, por qualquer que seja o motivo, de pessoas que você não gostou ao longo de toda sua existência.

- Que tal Ana Amélia? – propõe o marido

- Tá doido? Conheci uma Ana Amélia no pré que comia só o recheio do biscoito e jogava o resto fora. Ana Amélia nem pensar!

E depois de analisar tantas opções, vocês finalmente chegam à conclusão que na verdade o mais importante mesmo é que o nome do rebento seja universal, já que vocês são cidadãos do mundo há quase 8 anos e planejam continuar assim por um tempo mais.

- Gabriel se for menino, Julia se for menina – decidem.

Obviamente esses não foram os nomes escolhidos no final das contas. O primeiro filho acabou recebendo o nome de Nicolas e a caçula, que seria Julia, recebeu o nome de Lily. No entanto, são frequentemente chamados de Perninha e Lilica**.

Me pergunto de que adiantou todo esse longo processo seletivo.

* * *

Mas o que importa é que Perninha anda todo-todo com Lilica. Outro dia ele saiu com o pai e assim que colocou os pés de volta na casa foi logo perguntando por ela. Foi correndo onde a irmã estava, deu mil abraços, mil beijos, fez carinho e disse “eu gosto muito de você”.

*suspiros*

E enquanto ele não vive sem ela por perto, ela não dorme quando ele está por perto. Mas taí a grande vantagem de se ter um irmão que passa o dia tentando carregar 15 carrinhos ao mesmo tempo nas mãos: ela logo aprende a diferenciar o dia da noite. A cada carrinho que cai e bate no chão de madeira, é um lembrete pra ela de que durante o dia não se dorme, se brinca.

* * *

Quero mamar, mamãe!!!

Pois se toda essa proximidade fraterna cause suspiros em quem veja, a grande desvantagem, ainda mais numa casa com janelas fechadas há 6 meses por causa do inverno, é que ela catalisa a transferencia virótica numa potência de mil. Por essa razão, Lilica já convive com seus primeiros sintomas de gripe – espirros, pequenas tosses de bebê e narizinho entupido durante a noite. E ela ainda nem completou 3 semanas de vida. Poor Lily. Bom, felizmente ela está mamando bem e até agora a gripe não parece estar avançando mais. Vamos torcer.

* * *

Quanto ao sono, sempre achei que esse negócio de bebê dormir o dia todo fosse lenda, já que Nic nunca foi do time dos que dormem. Mas Lily chegou pra me mostrar que sim, existem. Claro que à medida que ela cresce, vai passando mais tempo acordada e aprendeu até a me pregar peças. Agora ela começa a dormir, fica com os olhos fechados por uns 3-5 minutos, e quando eu penso que ela já caiu em sono profundo, de repente abre um olhão super alerta como quem diz “surpresa!!! tô acordada!”.

Ótimo, principalmente quando isso acontece no meio da noite. :)

* * *

Bom, agora vou lá que estou com fome. Essa vida de amamentar deixa a gente faminta!

- Diga tchau, Lilica!

- Tchau, Lilica!***

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* Luka é uma música da Suzanne Vega. Som na caixa!

** Perninha e Lilica são os divertidos personagens do desenho de televisão Tiny Toons. O Perninha foi inspirado no Pernalonga.

*** Pra quem não lembra, é assim que termina um dos episódios do Tiny Toons, com o narrador falando pra Lilica dizer tchau e ela repetindo tudo, do jeito que ele fala.
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PS: Algumas pessoas devem ter notado (né Cintia?) que alguns posts de mais de 2 anos atrás andam aparecendo como recentes no Blogroll ou nos feeds. Pois isso é pau do WordPress, viu gente? E aconteceu depois que criei as tags Nicolas e Lily e saí atualizando posts antigos. Ignorem, por favor!

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