O lado cômico da maternidade


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Praia boa é praia azulejada

Anota aí, colegas: viagem que tem até grupo em Facebook, exclusivamente criado pra compartilhar o cronograma diário da família, não tem como dar errada.

Não tem.

Pra começar, o voo de ida foi um espetáculo, como já contei. Tá, cheguei no destino parecendo um chassi de grilo anêmico, mas vamos combinar que isso é um mero detalhe se você pensar que tivemos a grande oportunidade de fazer uma viagem dinâmica e nada monótona, na qual em menos de 24 horas vivemos a emoção de passar por Vancouver, Toronto, São Paulo, Rio e chegar em Cabo Frio de ônibus.

Êxtase define.

Chegando lá, tudo perfeito! Famílias reunidas, comida maravilhosa, até que… dou falta do Ergo-baby, meu super carregador (e tranquilizador) de Lily. “Certeza que esqueci no ônibus”, recapitulei. Felizmente, ficamos sabendo, que na rodoviária havia uma salinha de “Achados e Perdidos”, e por tudo nessa vida que eu tinha certeza que estaria lá. Afinal, que alma desalmada pensaria em levar para si um trapo de pano surrado e o qual tão pouca gente sabe pra que serve?

Pois levaram.

Okay, sem problema. Respiremos fundo e esqueçamos do incidente. Bora aproveitar a praia, que é pra isso que fomos!

* * *

Cabo Frio é ótima, e eu tinha certeza que as crianças iriam adorar! Eu amo Minas, mas infelizmente ela tem o pequeno defeito geográfico de não ter praia, né? Por isso fizemos tanta questão de ir enfrentar a baldeação pra chegar lá.

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(Aliás, fica aqui minha humilde sugestão pra uma futura reformulação da cartografia brasileira. Que tal adicionar dois simpáticos rabicozinhos ali em Minas Gerais, anexando Cabo Frio e Guarapari, que se bobear, têm mais mineiros que a propria Belo Horizonte? #ficaadica)

Mas enfim.

Nossos dias em Cabo Frio teriam sido perfeitos se eu pelo menos gostasse de praia. As crianças curtiram muito,  mas eu particularmente continuo compartilhando da opinião da minha cunhada, que praia boa é praia azulejada. Por que né, gente? Praia é ou não é a mesma coisa que ficar marinando na água salgada e depois ir se esticar na farinha de pão?

Me diga você.

E se tem uma coisa que não sou muito chegada em ser, é frango empanado. Gosto não.

Mas tudo bem, pois fui pra lá com o espírito livre, o coração venturoso e o corpo disposto a aproveitar sem reclamar.

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Areia? Vamos transformá-la em diversão pras crianças.

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Vento e chuva se armando? Encapota a cria, mesmo que seja com fantasia de cogumelo.

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Pombos querendo se meter na sua farofada? Chama a vovó pra se divertir com o neto.

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Ficou entediada? Desopila e finge que tem 12 anos (ou escancara que é boba mesmo, que todo mundo vai dizer que nem tinha percebido).

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Muito sol na cabeça? Bora procurar a sombra de um coqueiro, ainda que pequeno.

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Tem pernilongo na casa? Aproveita pra desfilar seu modelito de animal print mais que original! Vai estar super na moda, gata!

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Fez tudo isso, mas cansou? Então vai pra piscina e aproveita pra mostrar pra todo mundo que mãe, além de fazer milagre em casa, ainda sabe andar sobre as águas!

O que não dá é pra reclamar!

Né?

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PS: Acabei comprando o Sampa Chila  pra substituir o Ergo-baby perdido. A qualidade não é a mesma, mas certamente salvou nossa viagem de volta!


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Post do Guest – a divertida vovó Stela

O coração desses meninos já deve estar todo desbeiçado de tanto entra e sai de pessoas queridas nos últimos meses. Vem uma, coração expande, vai embora, coração mingua. Não que o fato das pessoas irem embora desocupa o coração, mas é que ele fica apertadinho, né?

E foi assim. Primeiro veio uma vovó, depois a titia e por último a outra vovó. Note que vieram todas sozinhas, hein? Eita mulheres aventureiras!

A vovó Stela fez uma visita mais rápida, de 10 dias, mas não menos marcante. Pra total alegria do Nic, ela é também uma apaixonada por carros. (Sempre soubemos, mas agora confirmamos a origem de tamanha obsessão do menino. Tá mesmo no sangue!). Por isso, não teve um dia que ela tenha deixado de brincar e apostar corridas com ele no chão. Pena que, por causa da robalheira desenfreada incrível habilidade automobilística do Nic, ela não tenha conseguido vencer uma corrida sequer. Quem sabe na próxima visita? Vai treinando em casa, vovó Stela!

Assunto entre eles nunca faltou. Quando não falavam sobre modelos de carro, desempenho do motor ou aerodinâmica avançada, estavam discutindo sobre o caráter do lobo mau. Aliás, nada foi mais surpreendente e fofo que ver ela, uma executiva super ativa e dinâmica, ter tamanha paciência pra contar as mesmas histórias TODAS as vezes que o Nicolas pediu. Umas 78 vezes? Talvez mais. E ela sempre contava com o mesmo entusiasmo. Tenho certeza que Nic jamais vai esquecer esse carinho!

Em Banff (Stela e Nic)

Two Jack Lake, Rocky Mountains (Stela e Lily)

Stela e nóis

*

*

Além disso, a vovó correu muito atrás do Nic (haja fôlego!), carregou Liloca pra cima e pra baixo e nos fez rir demais com suas histórias e mania de limpeza. Enfim, alegrou nossos dias com sua incrível animação! Volte sempre vovó Stela!

Chega de falar, né? Por fim, a palavra é dela: 

Sempre que penso em um colar de pérolas concluo que as pessoas valorizam somente as pérolas. Se esquecem de que o que dá “brilho” às pérolas é o fio, que lhes dá movimento, flexibilidade e o mais importante: sustentabilidade. É essa a leitura que faço de você, Luciana, no contexto da sua família.

Quando pensamos nos nossos filhos não importa o que eles vão ser quando crescer, se tiverem o nosso apoio, poderão ser o que quiserem!! Rafael – saiba que nossa missão sempre foi essa: fazer acontecer para que vocês nos superassem!! E você fez isso com maestria, elegância e eficiência e é um Homem que exerce que mais importante do que Ter é Ser!!

 Lily – menina doce e risonha, que sua vida seja leve, feliz e harmoniosa!!

 Nick – garoto espirituoso, criativo, amoroso, conectado em tudo e em todos, que você cultive a arte de conviver com todos harmoniosamente!!

Conviver com vocês esses dias me deixou uma sensação de felicidade plena e extrema!!

Amo vocês!!

Stela Gradim


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as trocas de nomes e o lenga-lenga bizarro

Quando eu era pequena rachava de rir da minha mãe porque ela nunca conseguia acertar os nomes dos filhos na hora de chamar um. Passava por todos os nomes da família, dos irmãos dela, da vizinha, dos gatos, e quando ela finalmente acertava, a criança já estava longe.

Depois de um tempo ela foi ficando mais espertinha. Não que ela tenha passado a acertar de primeira, mas pelo menos começou a falar somente a primeira sílaba de cada nome. Rei-Pá-Lu, por exemplo, era eu.

Por sorte não tenho uma mãe vingativa. Pois se ela fosse, estaria hoje me dizendo “ora, ora, ora, veja QUEM está confundindo os nomes dos filhos agora…”.

Pra vocês terem uma idéia, tem dia que estou tão doidona, mas tão doidona, que chamo o Nic de Lily, a Lily de Nic, o Nic de Lic, a Lily de Lícolas, o Nicolas de Nily, a Lily de Nicoly e ainda quase esqueço meu nome.

Grave.

Pois a coisa ficou ainda mais grave na semana passada. Tenta imaginar uma mãe já desparafusada, desta vez sozinha com duas crianças por 9 dias (primeira vez de várias). Juro, não sei como terminamos todos vivos, só sei que no último dia, eu já não lembrava quando tinha trocado a fralda da Lily, se o Nicolas já tinha tomado banho ou se eu tinha almoçado. E ainda me pegava falando coisas do tipo “Lily, termina logo de vestir essa cueca que ainda tô dando mamá pro Nic”.

E Nicolas gargalhava.

Fácil não, viu gente. Perrengaço essa de não ter ninguém pra quem passar a bola, pra dividir os filhos na hora de comer, dar banho, colocar pra dormir, pra se alternar de madrugada na hora de checar o filho que tá tossindo ou chorando com pesadelos no outro quarto e pegar a bebezinha no colo mil vezes porque ela tá se contorcendo e não consegue dormir, ninguém pra conversar no final do dia, ninguém pra poder dizer “me ajuda aqui que vou tomar um banho”.

Pra sobreviver, tive que organizar ainda mais minha já (cof, cof) organizada rotina e focar no básico, sem esperar fazer nem um tiquinho a mais que o estritamente necessário. Claro que com um pouco de disciplina, tudo tava parecendo fácil demais, né? Então dona Lily resolveu adicionar um fator pra randomizar um pouco nosso dia: o fator lenga-lenga bizarro. Prestenção: Lily que era bebê venerado por todos por dormir em qualquer lugar e por longas horas, cansou. “Boriiiiing, pensou ela.” Entao num belo dia decidiu virar uma high need baby, passando a dormir SOMENTE e tao somente no colo durante o dia e fazendo muita, mas muita hora mesmo pra dormir à noite.

Vou contar o que que ela faz, amiguinhos.

TODOS os dias, exatamente às 18:30, Lily chora por 5 a 15 minutos no colo, capota de cansaço e depois de 30 minutos exatos, acorda revigorada, pronta pra brincar e fazer aqueles sons mais que bonitinhos que ela tem aprendido. Passados 10 minutos, ela está cansada outra vez. Então dorme no colo amorosamente embalada, porém, a cada vez que é colocada na cama dona Liloca acorda, seja rindo ou chorando, mas acorda. Esse lenga-lenga dura de 2 a 3 HORAS, TODO santo dia. E como lá pelas 21 eu já estou DOIDA pra dormir, peno muito pra conseguir aguentar firme sem pedir penico ate 22 ou 22:30.

Assim que, estando só eu e não podendo me dedicar somente à ela no período de lenga-lenga, tenho que me apressar pra fazer tudo antes: tomar meu banho (ou não), dar banho nela (ou não), dar banho no Nic (ou nao), dar janta pro Nic que demora horrores pra comer (quando come) e deixar tudo preparado pra gente ir dormir. Ou seja, antes das 18:30, amiguinhos, já estamos todos de pijama e pantufas. Daí, durante o período bizarro, tenho que aproveitar as brechas (se existirem) pra dar um leite ou iogurte pro Nic, escovar os dentes dele, contar historinha, levá-lo ao banheiro e colocá-lo pra dormir até as 20h, que é quando ele já está capotando de sono. Tudo isso sem mostrar que estou com pressa, pra ele se sentir especial.

Durante a madrugada, dona Lily dorme um pouco melhor e acorda pra mamar a cada 2 ou 3 horas, mas algumas noites o sono dela é super agitado e ela acorda muito mais. E como sofremos por 15 meses com o refluxo do Nic, às vezes suspeito que ela também possa estar ficando refluxenta. Espero tirar a duvida no próximo mês, quando finalmente conseguimos consulta com um pediatra. Conto depois.

As horas do almoço também são complicadas. Em geral demoro 3 horas entre fazer o almoço, dar comida pro Nic e comer, sem contar arrumar a cozinha. E cada dia acontece algo diferente pra tornar nossos dias únicos e emocionantes. Como o dia que Nic caiu e machucou a boca, Lily chorava sentada na cadeirinha e a comida começou a queimar no fogão. Durante 5 minutos eu ouvia a nada harmoniosa sinfonia composta pelo choro de duas crianças, uma musiquinha infantil vinda da cadeirinha de balanço e o escandaloso alarme do detector de fumaça que disparou.

Enfim. Um show.

E assim tem sido. Definitivamente virei mamãe canguru durante o dia, carregando Lily pra cima e pra baixo e felizmente contando com a colaboração do Nic, que nunca se importou de me ver com ela o tempo todo. Claro, existem as crises “veladas” de ciúme, como as escapadas de xixi que têm ficado mais frequentes e o fato dele só aceitar comer se eu der na boca (já que ele já comia sozinho). Também foi agora que desenvolvi o método do grito sussurrado, entre-dentes, sabe? “Nicolas, para de fazer barulho, por favor! Sua irmã demorou pra dormir!”. Nem sempre funciona, mas tá valendo.

No mais, só acho que não enlouqueci mais nesses dias sem marido porque recebi muita ajuda, aqui e ali. A começar por todos os meus vizinhos que são gente fina demais. Teve gente que se ofereceu pra ir ao supermercado pra mim, gente que me trouxe comida quentinha pra eu poder tirar uma folga da cozinha, gente que ficou com a Lily pra eu poder passar um tempo só com o Nic. E tiveram os amigos, que me escreveram email perguntando se eu estava viva, amigos que vieram passar um dia comigo só pra me fazer companhia e me ajudar a carregar Liloca, gente que escreveu post especial contando da sua experiência sozinha com duas crianças. E quando mesmo assim tudo parecia muito difícil, descobri que o melhor remédio era sair pra caminhar. Um dia caminhamos por 2 horas seguidas, entrando e saindo de trilhas, e claro, torcendo pra não darmos de cara com um urso!

Bom, e agora que marido voltou, tudo ficou melhor outra vez. Só o que continua é a lenga-lenga bizarro da Lily e claro, a trocação de nomes. E não pensem que estou sozinha nessa. Outro dia mesmo escutei o Rafa chamando “Líiiiiiiiiicolas!!!!”.

Tá achando que só mãe é doida?


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Post do Guest: Melhor amiga

E depois de 3 meses lá se foi a vovó, a primeira melhor amiga do Nic. Ontem, voltou pro Brasil.

Ela, com quem Nic passou horas jogando conversa fora, aprendendo palavras novas, brincando de carrinho, quebra-cabeça, lendo livros, inventando histórias surreais e apelidos engraçados um pro outro, fazendo alongamento (!), brincando de correr e pegar até cansar (não ele… ela). Ela, com quem ele dividiu o mesmo quarto e riam até dormir e riam ainda mais quando acordavam. E juntos escondiam debaixo das cobertas na hora que a mamãe chegava e era pura gargalhada, principalmente quando na pressa deixavam um bumbum ou um pezinho pra fora. Ela, que foi sua grande companheira no dia que a Lily nasceu e nos dias que se seguiram, e por isso ele nunca se sentiu em segundo plano ou menos amado. Ela, que dava colo na horas que ele se sentia triste, mas também quando estava feliz. E que o olhava com o maior amor do mundo.

Ela, a vovó São. A primeira grande amiga do Nic. O primeiro colinho de vó da Lily.

Ela, que deixou saudades, mas também um poema. Coisa de vó, coisa de amiga.

* * *

Queridos netinhos Nicolas e Lily,

Deixarei num poema algumas emoções vividas com vocês.

*

Vim do Brasil ao Canadá

Sem o inglês ou outra língua estrangeira falar

Que aperto! Que desafio!

Mas consegui aqui chegar

*

Rever Lu barrigudinha, Rafael magrinho

Nicolas parecendo um rapazinho

Foi tudo de bom, me deu firmeza

Me deu segurança

*

Nem o frio me abateu

Quantas brincadeiras fizemos – Nicolas e eu

Eu correndo atrás dele, ele atrás de mim

Na hora da minha ginástica, fazia alongamento: que fofo!

Contava até dez e dizia: agora de novo!

*

Após Lily nascer, emoção em cima de emoção!

Era não quero que “vóvias” pegue a Lilys!

Quero colo da “vóvias”!

Quero “pópias”, quero “momias”!*

*

O tempo vai passando e tudo vai se ajeitando

Você, Nicolas, está reagindo muito bem!

Gosta da Lily, é carinhoso

Fala o que ela dá conta ou não de fazer

*

Quando ela chora, você diz: “Coitadinha,

Ela está com fome!

Não pode judiar dela não!”

Não é um amor?

*

Para fazer xixi ou cocô: “Quero ir com a vóvis”

Corria na frente, fechava a porta

E éramos transformados em

personagens de histórias

*

Agora faz xixi no vaso,

em pé como um rapazinho

E o cocô,

Quase sempre só no peniquinho

*

Vendo cenas ou pequenos textos em inglês

surgem personagens que não sei pronunciar

Ele pergunta: vóvis confundiu tudo?!

E eu afirmo, então

A gente ri de montão!

*

Os carrinhos, os brinquedos

É coisa que não acaba mais!

É McQueen pra cá, é Mater pra lá

É carro cinza, é carro roxo voador

*

Vez ou outra você fala:

“E quando vóvis voltar pro Brasil, hein?

Como vai ser?

Ela veio do aeroporto?”

*

Lily é como o nome já diz, uma florzinha!

Nasceu vermelhinha, cabeleira negra

Um rostinho delicado, olhos claros, parecendo uma bonequinha

Lembrei-me do nascimento de cada filho!

*

Hoje, há pouco mais de um mês,

Escuta-se seus balbucios, corremos todos pra ver.

É uma grande emoção.

Quando chora, chora forte, grita, leva as mãos na boca

Com o passar, às vezes, nem de duas horas

*

Eu nunca vi coisa igual:

Quase não regorgita, não tem cheiro azedo

Seu cocozinho parece, como diz sua mãe,

Uma pasta de iogurte, tudo muito natural

*

Só sei dizer que tudo o que aqui vivi,

Não dá pra expressar em palavras

Levaria uma vida inteira

E muito ainda ficaria pra trás.

… E Nic pela primeira vez, agora entende o que é SAUDADE.

- Cadê a vovó, mami?

- Voltou pro Brasil, meu bem.

- Eu quero a vovó! Eu quero!

E faz beicinho de choro. Então a gente se abraça e fica ali, relembrando todas as coisas boas que vivemos com ela…


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Os alienígenas e os pesticidas

Quando eu era criança minha cabeça fervilhava, tanto de ideias quanto de piolhos.

Pras ideias, eu tinha um parceiro inseparável, o meu primo Natanael. Uma vez, inventamos a historia de que éramos alienígenas, veja só. Então, durante o crepúsculo de um dia frio, contamos aos sussurros pra uma plateia de crianças ingênuas e de olhos esbugalhados, que tínhamos vindo de Vênus.

- Estão vendo aquela estrela lá no horizonte? Então, é de lá que a gente veio. Lá, eu e o Nael éramos irmãos e tão pequenos quanto o mindinho do pé de vocês!

- Oohhh! – todos exclamavam admirados, cada um olhando pro seu mindinho do pé.

- Sim, e tínhamos pouco mais de 200 anos de idade!

E se entreolhavam embasbacados.

(Claro, vale lembrar que em terreno venusiano, se você tinha 200 anos, ainda era uma graciosa criancinha sapeca.)

Daí contamos que num belo dia, estávamos dando um rolé no foguete dos nossos pais quando o motor fundiu inesperadamente. Pifou de tudo. Caímos os dois no planeta Terra, aterrissando cada um nas xícaras das nossas respectivas mães terráqueas, que por sorte batiam um papinho enquanto sorviam um delicioso café ao ar livre. Elas nos beberam e tcharam! – nascemos de novo, só que aqui na Terra!

Sentiu o nível, né?

Pois você não imagina a cara de espanto, medo e até inveja dos nossos amiguinhos terráqueos.

* * *

E se por dentro minha cabeça fervilhava com historias desse naipe, por fora então, caro leitor, o fervilhamento era mais que incontrolável – era insano. Juro que não sei como eu conseguia a proeza de ter sempre tantos inquilinos parasíticos residindo no meu couro cabeludo. Saía um grupo, entrava outro. O que me faz concluir que se meu sangue era doce como diziam, naquela altura a piolhada já devia ser toda diabética (e eu também, né?).

Assim que eu vivia às voltas com pentes finos e um pesticida qualquer – era Neocid ou Deltacid, também conhecidos como DDT. Passava os finais de semana com a cabeça no colo da minha mãe, que catava, catava, jogava pesticida, catava, catava, mais pesticida. E depois que meu couro cabeludo já estava dolorido de tanto pentear e pinicava horrores com todo aquele veneno, ela vinha com um pano branco, enrolava na minha cabeça e com aquilo eu ficava horas e horas brincando e tentando evitar que o pozinho letal caísse no meu olho.

* * *

Agora vai, me conta se uma pessoa que sobrevive a tanto DDT na cuca só não pode ser mesmo um alienígena. Viu, tava mentindo não.

(ou então a experiência serviu pra comprovar que de peste eu não tinha nada, posto que peste pesticida mata. Né não?) :)

* * *

Então. Pois esta criatura alienígena cresceu, se tornou uma moça terráquea singela, meiga e bonita, foi morar num país rico, industrializado, arborizado e sanitarizado, teve dois filhos fofos e saudáveis e ainda a felicidade de NUNCA mais pegar piolho nessa vida!

Certo?

Errado. Pois acredite ou não, fiel leitor, o inimaginável aconteceu.

Nem te conto que precisamente na terça ou quarta da semana passada, passou por aqui um surto piolhístico. Sim, no Canadá. Mas só passou não – passou e pegou a família toda. Surtamos, né? A única poupada, por pura graça divina, foi a Lily. Justo ela, conhecida internacionalmente por sua vasta cabeleira, passou ilesa. Acreditamos que Nicolas tenha sido o veículo transportador e felizmente pudemos comprovar que agora sim, existem alternativas ao pesticida. Mas saiba que o pente fino ainda reina.

Quanto à vovó, claro que também pegou mas já se livrou dos bichos. Agora imagina se ela, a pouco mais de uma semana pra voltar pro Brasil, sai daqui levando piolho canadense? Oh my God! Só ia dar as piolhas tupiniquins doidinhas pra arrumar maridinho gringo, né?

Bom, pois depois de um post desses, pode aparentar mas ainda não tô completamente doida não. É que o negócio aqui em casa tá feio. Primeiro, o surto piolhístico, agora Nicolas tá com princípio de pneumonia e tosse dia e noite, Rafa se encontra viajando, vovó quase voltando e Lily só mamando. Ah sim, e com muitos gases… Tantos gases que as vezes chego a pensar que ela tá sublimando… que nem naftalina, sabe? Direto do estado sólido pro gasoso.

Enfim, melhor eu parar por aqui mesmo.


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E a Chupeta de Ouro vai para…

- LUCY STREEP, POR MELHOR ATRIZ PROTAGONISTA EM “A MAMA DE FERRO”
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Sinopse: A Mama de Ferro conta a comovente história de Luciana Azevedo (Lucy Streep), uma mãe que venceu os desafios da amamentação para prover o melhor alimento que ela podia pra sua filha recém-nascida. O dramático começo, com cenas bem realistas que mostram dor e rachaduras nos mamilos, se transforma em uma história terna e emocionante onde o vínculo e amor entre mãe e filha superam todas as dificuldades. A Mama de Ferro é um alento às mães e um fiel retrato de superação e persistência que promete arrancar lágrimas até mesmo dos mais durões.
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Gênero: Hiper-drama
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- OS DESCENDENTES, POR MELHOR FILME
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Sinopse: Nic (Nicolas Miller) e Lilinha (Lily Woodley) são os descendentes mais jovens de uma família maluca. Lilinha é uma bebê fominha que não perde uma oportunidade de fazer cocô toda vez que sua mãe acaba de trocar sua fralda e Nic é seu perfeito irmão mais velho, sempre cheio de inspiradas declarações de amor: “quando Lilinha crescer vou ensinar ela a tirar meleca do nariz e limpar o dedinho no papel. Vou guardar esse papelzinho aqui pra ela”. Ele também mostra que além de sensível, entende bem toda sua descendência “eu nasceu da barriga da minha mãe e ela nasceu da barriga da minha vovó.” Um filme tocante e engraçado, perfeito pra todas as idades.
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Gênero: Família, comédia
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- NICOLAS DUJARDIN, POR MELHOR ATOR PROTAGONISTA EM “O ARTISTA”
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Sinopse: o menino Nic (Nicolas Dujardin) é um talentoso e carismático artista mirim performático, muito à frente de seu tempo, mas que não consegue ficar calado. A história conta a relação de Nic com sua mãe, uma mulher jovem e encantadora, que está sempre buscando incentivá-lo a fazer mímicas ao invés de falar e cantar tanto, mas Nic não dá a mínima. Recheado de muitas performances com Nic correndo, pulando, fazendo cambalhotas e cantando, o filme trás também monólogos memoráveis deste pequeno artista que não fala em outra coisa a não ser carros, tratores e treinzinhos. Excelente atuação de Nicolas Dujardin.
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Gênero: Cinema-nada-mudo, musical, cult
Outras indicações: Melhor maquiagem
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- THE HELP (HISTÓRIAS CRUZADAS), POR MELHOR FILME ESTRANGEIRO
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The Help conta a história da indispensável ajuda que vovó São (atriz brasileira Maria Viola Davis) prestou à família Azevedo-Gradim na época da chegada de mais um membro – a bebê Lily. Vovó é uma mulher extraordinária, forte e divertida, que constrói uma maravilhosa amizade com seu netinho mais velho Nicolinha (Nicolas Stone), o qual não quer ficar um minuto longe dela. O filme mostra cenas hilárias e emocionantes com vovó deitada no chão brincando de carrinho, lendo livros e mais livros, jogando bola e até mesmo servindo de trapézio pra seu netinho, sempre tão cheio de energia. Uma história atemporal de desprendimento, dedicação e amor.
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Gênero: Família, comédia
Outras indicações: Melhor atriz protagonista para Maria Viola Davis
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- MEIA-NOITE EM CLARO, POR MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
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Sinopse: Uma bebê recém-nascida, um menininho de 3 anos que sofre com pesadelos à noite, um pai dedicado e uma mãe que amamenta em livre demanda. Esta é a história de um casal que passa a noite de aniversário de 7 anos de casados (25 de Fevereiro) não em Paris, mas em claro. Uma família insone, porém feliz e completa.
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Gênero: Comedia-romantica
Outras indicações: Melhor diretor para Raffy Allen
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Em cartaz num cinema perto de você. Todas as sessões são child-friendly.

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E você, o que achou dos filmes de 2012? Qual o seu preferido?

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Clique aqui pra conferir os filmes do ano passado (quando a verba era bem menor e ao invés da Chupeta de Ouro os prêmios eram adesivos, veja você. Que pobreza.).


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Nome do blog, vida com a Lily, heavy nights

Então que nunca imaginei que Lily viria com essa cabeludice toda. Não porque eu tenha pouco cabelo (nããão), mas sim porque Nic nasceu praticamente desprovido de algum.

E por ela ter nascido em um país onde a maioria esmagadora dos bebês nascem loiros, bochechudos e carecas, dá pra imaginar o alvoroço que uma menininha morena de vastos cabelos pretos, rosto fininho e olhos de jabuticaba anda causando né?

- Ai, ai, posso passar a mão no cabelo dela??? – me perguntam SEMPRE.

Dia desses mesmo, fui cortar meu cabelo e tive que levá-la comigo. Veio uma cabeleireira ver a Lily, que chamou a outra, e a outra e a outra, até que o salão parou. De repente olho ao redor e vejo aquele tanto de mulher boquiaberta, todas abaixadas com as mãos nos joelhos e olhos hipnotizados. Eu podia sentir as mãos delas coçando pra inventarem penteados mil naquela vastidão capilar.

- Sabe quanto tempo minha filha levou pra ter essa quantidade de cabelo? 2 anos, menina! 2 anos! – falou uma delas, nitidamente revoltada com sua sorte.

Eu ouvi, viu? Agora tô me achando! :)

* * *


Assim, que quando fui fazer a ilustração da bebê Lily pra adicionar ao cabeçalho desse blog, pouco antes dela nascer, errei feio na estimativa de sua cabeludice. E de sua bochechice. E de sua morenice. Tanto que um dia vou ter que botar uma peruquinha aqui, afinar o rostinho ali e amorenar acolá pra ver se o desenho fica mais condizente com a Lily real, né? Um dia.

E pra quem andava curioso com o destino do nome do blog, tá aí. Nicolando por aí virou Nicolilando por aí. Mas só no cabeçalho, o endereço permanece o mesmo. :)

* * *
Vovó com a Lily

No mais, por aqui as coisas não poderiam estar melhores. Aliás, fico aqui pensando que a minha realidade com duas crianças só vai cair mesmo sobre minha cabeça, ombros, joelho e pés, joelho e pés, quando a vovó for embora e o Rafa voltar a viajar, porque por enquanto está tudo mais que perfeito. A vovó fica até meados de Março e enquanto ela está aqui, Nicolas está tranquilo, se sente seguro e amado 100% do tempo. E tem zero ciúmes de mim com a Lily! Curiosamente, sofre a cada vez que vê o pai com ela no colo.

- Dá a Lilys pra mamãe, papai! Agora sou eu no seu colo!

Mas não podia dar em outra mesmo, né? Afinal, Nic teve 9 meses pra se acostumar com a ideia de que EU esperava uma bebezinha e teria que cuidar dela. Ele acompanhou minha barriga crescer, sentiu os movimentos do bebê lá dentro, brincou de trazer bonecas pra eu amamentar, dar banho, dar colo. Enfim… e o papai, nada… Agora acho até normal que ele se pergunte “que diabos o papi tem a ver com essa história toda?”.

Nic e Lily

Mas o importante é que ele anda assim ó com a Lily. Quer beijar, abraçar, pegar no colo, emprestar brinquedos. Tão carinhoso que às vezes chega a atrapalhar (como bem me antecipou minha amiga Fê). E quando vê ela chorando, corre pra me avisar “a Lilys quer mamar, mamãe. Sai leitinho do seu peito? Você vai dar leite pra ela? Ela gosta?”. É pergunta que não acaba mais.

Lily dormindo depois de mamar

E falando em amamentar, tô feliz da vida que estou conseguindo! Com o Nic as coisas não sairam bem como planejadas, mas desta vez está tudo avançando mega. Já passei da fase dos mamilos (super) doloridos, rachados e sangrando (blegh! como dói!), mas a bezerrinha-fominha Lily segue mamando como se não houvesse amanhã e eu felizmente, sigo amamentando – e sem relógio! Muito bom isso!

* * *

Bom, agora vou lá, pois hoje é Valentine’s day e a expectativa é que role uma “noite da pesada”. Espia só o que eu ando preparando: *

Camisola com um generoso decote para facilitar acesso ao material, sais para um delicioso banho de banheira*, meia luz azul ou verde (grande tendência da atualidade), suplementos vitamínicos pra fortalecer e ajudar a aguentar o tranco (porque ninguém é de ferro), cama bem grande afinal espaço é essencial, almofadas e travesseiros pra garantir o suporte em determinadas posições, e água, muita água pra hidratar. *

Pronto! Assim me sinto super preparada para experimentar diferentes posições pra amamentar, fazer cama compartilhada, garantir a cicatrização do que precisa ser cicatrizado* e ainda mando beijinhos hidratados e apaixonados pro marido.

* * *

E antes de ir, gostaria de agradecer do fundo do meu coração por cada um dos comentários carinhosos recebidos no post do nascimento da Lily. Vocês são demais! Aos poucos vou retribuindo um por um. Me aguarde, hein, já cheguei na metade! :)

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* (Dica: banho Sitz é ótimo pra curar lacerações de parto, epsiotomia, constipação e outras coisas nas partes de baixo. É feito adicionando-se 2 xicaras de chá de Sal de Epsom – sulfato de magnésio – ao banho de banheira, ou algumas colheres em água para aplicações localizadas. Um santo remédio.)


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Enquanto a Lily não vem…

… eu passeio na pracinha, falo de nossas viagens e ainda conto sobre alguém dormindo no nosso sofá. (Ó, adianto que não é o marido, viu? :D)

… faço bichinhos pro mobile dela, com a ajuda da vovó

…. e ainda tento fazer pose pra mostrar a barriga de 40 semanas.

Tudo enquanto a Lily não vem. Porque depois que ela vier, minha amiga, já vou ficar feliz se conseguir tempo pra dormir!

Beijoca no seu nariz de pipoca!


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Tá sentada? Nic des-fral-dou!!!

(Foto por Belle Meinerz)

SIM, ACONTECEU!!!

Após meses e meses limpando chão, sofá e tapetes, tentando diferentes abordagens, métodos, simpatias, conversando com Deus, apelando pro Universo, Mãe Natureza, duendes, elfos e até Papai Noel, é com muita alegria e orgulho que venho hoje compartilhar com vocês, amigas fofas e educadas, que nunca falaram nada, mas aposto que já deviam estar de saco cheio de toda essa ladainha de não-desfralde, que Nic é finalmente menino desfraLdado!

Confesso que os ânimos melhoram muito quando decidimos tirar FÉRIAS de tudo. Porque né, desfralde de novela sim, mas mexicana, não, por favor!

Então, foi cerca de um mês deixando ele curtir tranquila e livremente seu amado estado de fraldulência (enquanto eu também curtia um descanso!). Um mês sem proferir as frases “quer fazer xixi?”, “vamos ver quem chega primeiro ao banheiro?”,  “mas o Relâmpago McQueen não usa fralda…” ou “vai, toma aqui esse chocolate pra você não fazer mais cocô na calça hoje”. Um mês inteiro sem as palavras penico, vaso, cueca, seco, molhado, menininho grande ou responsabilidade ecológica.

E ao final desse relaxante período fraldado, logo depois do borogodó de fim de ano, retomamos o processo. Respirei fundo, pedi auxilio da vovó (que realmente caiu do céu e foi ESSENCIAL pro sucesso da operação desfralde), atacamos a gaveta de cuequinhas e eis que Nicolas estava PRONTO – e em pleno inverno canadense, hein!

No primeiro dia tivemos que chamá-lo a cada 1h e meia mais ou menos, mas já no dia seguinte aconteceu o tão aguardado momento… Aquele de arrepiar os cabelim do braço, de fazer o coração acelerar tanto que quase sai pela boca, aquele que lhe arranca uma lagrima teimosa do canto dozói e te nubla os sentidos. “Quero fazer xixi no banheiro”. Poético, lindo e tocante, que só uma mãe que também tenha esperado tanto por isso não vai achar um exagero meu.

E de lá pra cá, amigas, foram pouquíssimos acidentes. Hoje, depois de uma semana quase, Nicolas tem sido impecável e consegue manter a mesma cuequinha sequinha do inicio ao fim do dia (incluindo ontem que fomos pra Whistler e teve direito a soneca no carro, restaurante, passeio no teleférico, brincadeiras na neve e um montão de camadas de roupas que levava um tempão pra tirar a cada vez que ele tinha que ir ao banheiro).

ORGULHO!  Não tenho outra palavra pra descrever essa conquista!

Agora, quando eu me recuperar dos estremeliques que ainda sinto toda vez que escuto “quero ir ao banheiro” e processar direitinho esse grande acontecimento, volto pra contar todos os métodos e truques que eu apliquei, o que ajudou e o que não deu certo. Sinto que tenho o dever o de escrever um Manual do Desfralde depois da minha experiência com o Nic! :)

Enquanto isso, deixo aqui meu agradecimento especial pra minha mãe que foi de grande ajuda levando o Nic ao banheiro, lembrando-o com jeitinho se ele não precisava fazer xixi e tal. Com isso, chegou num ponto que Nic só queria ir ao banheiro se fosse com ela… o que pra mim foi perfeito! :D

Obrigada também à ATCTST – Associação Toda Criança Tem Seu Tempo, por me lembrar que devemos SEMPRE acreditar e ter paciência com todo e qualquer  processo. Não adianta descabelar e se preocupar – tudo um dia acontece, demore mais ou menos.

Mas enfim, ele desfraldou! Ele desfraldou! :D

PS: Incrível, o ano mal começou e já tenho mais um item riscado da minha lista de resoluções! E o melhor, antes da Lily nascer! Eeeeehhhh!!!


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O Papai Noel e a vovó

Analisa comigo: você acha que é possível superar um Natal, que apesar de não ter tido neve, teve árvore com enfeites de feltro feitos à mão por mãe e…cof, cof, filho, presépio de papel marché, luzinhas em volta da casa, visita do Papai Noel em carne, osso e hohoho e ainda por cima a presença de uma das avós lá do Brasil? Fala se não é imbatível?

Tão imbatível, que Nic, talvez envolto por toda essa atmosfera de plenitude e contentamento (haha), tenha se sentido tão realizado, que nem sequer quis saber dos seus presentes. Bastou-lhe um carrinho de menos de 10 dólares, supostamente deixado pelo Papai Noel na noite anterior, pra ele sair na mais completa felicidade, mesmo sob brados de “Nic, tem mais presentes pra você!”. Pois sabe o que essa alma desprendida nos disse? “não, só quero esse carrinho mesmo”.

3 anos de idade, gente, e já ensinando tanto. :)

Então foi assim que se deu inicio à nunca antes imaginada “poupança de brinquedos” aqui em casa, onde guardei todos os outros presentes que ele nem sequer abriu pra uma possível ocasião futura em que eles se façam necessários.

* * *

Quanto ao Papai Noel, esse foi um espetáculo à parte. Rafa, depois de muita persuasão, aceitou procurar uma roupa pra se vestir do bom velhinho. Mas como ele não é muito fã de fantasias, ficou até o ultimo momento tentando me convencer que EU era a pessoa mais adequada pro papel, já que nem travesseiro pra simular o barrigão eu precisava. #insensível

Mas incrível como as coisas mudam. Imagine você, que terminada a encenação, Rafa tenha gostado tanto da experiência que saiu dizendo que mal podia esperar pra se vestir de novo no próximo ano. #virafolha Mas não posso culpá-lo… Realmente foi muito bonitinho ver o Nicolas achando que ele era o Papai Noel de verdade e até levando a mãozinha na boca tamanha foi sua surpresa. O mais engraçado é que ao invés dele querer abraça-lo, chegar perto e tal (coisa que a gente queria mesmo evitar pra ele não reconhecer o pai por trás daquela barba branca), ele ficou foi correndo pela casa totalmente eufórico enquanto o Papai Noel andava atrás dele.

Infelizmente nem tudo foi perfeito, e a filmagem de toda a cena que havia sido exaustivamente ensaiada nos bastidores (em meio a muitas gargalhadas), ficou seriamente comprometida, já que o aparado filmador estava – pasme você – sem espaço pra mais vídeos. Assim, pesada e andando como uma pata choca, tive que sair correndo pra pegar meu celular e voltar a tempo de filmar ao menos o final do ato… Ou seja, perdi a chegada, a carinha de surpresa e todas as perguntas que o Papai Noel fez pro Nicolas, entre elas “você vai parar de usar fralda, jovem Nicolas? hohoho!”. #whatashame

Mas vai, tá aí o video assim mesmo:

* * *

Já a vinda da vovó foi um acontecimento único. Sem falar uma única palavra em inglês, vovó Conceição (aqui apresentada como Grandma Maria), voou bravamente de Belo Horizonte pra São Paulo, daí pra Toronto, retirou malas, fez novo check in, passou pela imigração e chegou sã e salva em Vancouver. Eu que quase não dormi na noite que ela viajou, mesmo tendo feito um roteiro detalhado de tudo o que ela tinha que fazer incluindo frases chaves em inglês pra ela mostrar pra alguém caso se perdesse. E deu tudo certo mesmo!

(Vovó e Nicolas ajudando a fazer o presépio de papel marché)

E graças à ela agora temos tido chance de respirar um pouco e desacelerar. E Nic então, nem precisa dizer que tá apaixonado, né? Já acorda de manhã e a primeira coisa que grita lá do berço é “vovó! já acordou?”. Pois se não estava acordada, agora está.

E talvez pela falta de costume em conviver com outros familiares, na primeira vez que ele me viu chamando a avó de “mãe” logo me corrigiu: “mãe não, ela é a vovó!”. Mas agora já se acostumou. Da mesma forma que também se acostumou ao colinho aconchegante dela e da mesma forma que a vovó tem se acostumado ao frio daqui. Ou quase.

Essa é a foto da Vovó São conhecendo a neve pela primeira vez, em Whistler. Ela veste: 16 camadas de blusas, 2 luvas, 7 calças e duas meias, além de gorro, bota e cachecol. (rs)

- Tá com frio, vovó?

- Só um pouquinho, meu querido.

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