O lado cômico da maternidade

Bye, bye Australia

16 Comentários

Já tem quase seis anos que moramos fora do Brasil. Saimos não porque não estávamos satisfeitos morando lá, mas porque nossa profissão nos abriu as portas do mundo e acabamos ficando pelo mundo mesmo.

Eu e o Rafa formamos juntos em Geologia em 2003, em BH. Enquanto ele seguiu fazendo mestrado, eu fui trabalhar pra uma empresa de exploração de ouro no norte do Brasil, onde tive o privilégio de conhecer a rota não turística e virgem da Floresta Amazônica (mas também a tristeza de confirmar que em muitos lugares a floresta só existe mesmo no mapa).

Depois de um ano, fui convidada  pela empresa a fazer parte do grupo que trabalhava na Venezuela. Era a primeira vez que eu sairia do Brasil e fiquei entusiasmada em poder conhecer outra cultura e aprender outra língua. Aceitei sem pestanejar. Dois meses depois o Rafa me seguiu e lá moramos e trabalhamos por 3 anos. Apesar de estármos em um país com uma riqueza abundante de recursos naturais, conhecemos o sufoco de se viver e trabalhar sob as regras de um governo de mente e ações com-ple-ta-men-te desgovernadas.

A gente morava num pueblito chamado El Callao, no Estado vizinho de Roraima. Lá aprendemos o que é viver sem água potável (ou nenhuma), com frequentes quedas de energia, com falta de comida nos supermercados, medicina super precária, sem correio, greves por toda parte e a engolir seco ao ver colegas sendo perseguidos porque “ousaram” votar contra o governo (sim, pois o voto lá não é secreto). E que apesar de tudo isso, constatar que o brinquedo mais vendido no último Natal tinha sido o muñeco Chavez, o boneco do presidente. Pero así es la vida, todos diziam, e iam dançar calypso (captou alguma semelhança?). Pois se tivemos uma vida dificil, por outro lado nunca nos faltou amigos de verdade e muito calor humano. Nunca.

E em meio a tudo isso foi que decidimos que era hora de termos um bebê. Mas na Venezuela seria ‘demasiado’ complicado, então tínhamos duas opções: voltar pro Brasil e procurar outro emprego ou tentar uma vaga em algum outro país com melhores condições. Foi assim que conseguimos vir pra Austrália pela mesma empresa, e o resto vocês já sabem… Aqui temos tudo o que necessitamos pra levar uma vida bem boa – menos amigos.

Mas esse post não era pra falar tanta coisa. Era especialmente pra contar que nossa aventura pelo mundo ganhará um novo capítulo. Estamos há três semanas de sairmos de Kalgoorlie e daí viajar até chegar ao nosso destino: Vancouver, Canadá. Então, já imaginou o corre-corre aqui em casa no momento, né? E o frio na nossa barriga também? Pois é. Sem falar que acho que a gente já até esqueceu como é viver em uma cidade grande…

Bom, e com isso continuamos, pelo menos por mais algum tempo, neste estado de “estrangeirice”, levando com a gente aquela estranha sensação de pertencermos ao mundo, mas ao mesmo tempo a lugar nenhum… Sentindo a emoção de experimentar o novo a cada dia, mas continuar levando no coração a saudade, e o desafio de preservar ao máximo nossa cultura e repassá-la ao pequeno Nicolas (e agora, tentar promover mais e mais viagens pro Brasil!).

Mas como disse a Economist, “não podemos esperar ter tudo. A vida é cheia de escolhas, e pra escolher uma coisa é necessário abrir mão de outra. O dilema de se viver como estrangeiro é a liberdade versus a fraternidade – os prazeres de ser livre versus os prazeres de se pertencer. Quem mora em seu próprio país escolhe os prazeres de se pertencer. Já o estrangeiro escolhe os prazeres da liberdade, e as dores que acompanham.” *

E seguimos Nicolando por aí…

*(tradução livre)

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16 pensamentos sobre “Bye, bye Australia

  1. O Nic vai ser herói em outros ares!
    Que dê tudo certo pra vcs nesse novo caminho a ser tomado. Bjos e muita sorte!

  2. Puxa Lu, quantas historias vcs devem ter pra contar! Nao tinha me dado conta que vcs ja tinha morado na Venezuela e por tanto tempo!

    E que tudo corra bem nessa mudança pro Canada… Vamos estar mais proximas! Eeeehhh!

    Abracos!!

  3. Puxa, Lu! Entao vc vai e nao vou te conhecer pessoalmente? Logo agora que moro um pouquiiiiiiinho mais perto de vc! rsrs

    Mas a mudanca vai ser otima! Vancouver eh uma cidade excelente e se nao me engano, a melhor cidade do mundo pra se viver, nao eh? Assim, que prepara um colchao pra gente te visitar! rsrsrs

    Beijos e boa sorte com toda a mudanca! (e que bom que independente do lugar o blog pode continuar!)

  4. Lu, minha amiga! Esse negocio de mudar assim pelo mundo deve ser bom demais! Quem me dera ter uma vida assim! Aproveita muito enquanto sao jovens e cheios de energia pra coisas assim…

    Um abraco forte e sorte!!!!

  5. Uhhhhhuuuu!

    Tambem queeeeeeeroooooo!!!! 🙂

  6. Lu, nem sempre essas mudanças são fáceis, mas tenho certeza que vcs vão tirá-la de letra. Desejo boa sorte nessa nova jornada e toda a felicidade pra vcs.

    Bjinhos

    Luna e Felipe

  7. Fiquem tranquilos pois estaremos esperando para recebe-los nessa bela cidade, e em breve estará escrevendo sobre os novos amigos de Vancouver.

    O frio na barriga é normal e como dizia o famoso filósofo : Faz parrrteee.

    Abraço

  8. LU, RAFA, NICOLAS: VCS TEM TARIMBA SUFICIENTE PARA TRANSFORMAR ESSA NOVA MUDANÇA EM UMA GRANDE FARRA. SIGAM SEMPRE FELIZES. E QUEM SABE DESSA VEZ DA PARA A FAMILIA VISITAR VCS? SAUDADES

  9. Querida!!!!! Emocionei!!!
    Te mando muita energia e muitos desejos de sorte. Canada é um país bacana, vai ser muito legal.
    Eu só fui expat sem filho nessa vida ( 5 anos, solteiríssima, em Londres, levemente diferente da nossa experiência atual de mamãs, né darling?)
    Mas começa a me dar o tal do friozinho da barriga e a coceira nas canelas para brevemente recomeçar a vida de expat, dessa vez em family! Vamos ver onde isso vai me levar!
    Portanto vai contando tudo pra gente, da mudança, a chegada, a casa, tudo, tudo, promete?
    Beijo grande, queridona, torcendo por vcs!
    Roberta

  10. Ei gente, muito obrigada de coração por todos os desejos de boa sorte. Eu sei que mudança com criança não é facil, mas acho que seria mais complicado se ele fosse maior, tivesse apego a onde estamos, amigos, etc. Aos poucos vou contando nossa trajetoria até nos estabelecermos no Canada. Abraços!

  11. Lu, voces sao muito corajosos e eu admiro isso em voces. Tambem gostaria de ter essa coragem pra me lancar em projetos de vida assim. Sei que vai dar tudo certo na mudanca. Voces tem um jeito leve de levar as coisas e vao se adaptar super bem la, pois vancouver eh maravilhosa.

    E o Nic tem sorte desses pais que sonham e vao atras dos seus sonhos.

    Estou torcendo por vcs e vou ficar ligada pra saber tudo!

    Abraco forte.

  12. Lu obrigada por dividir conosco, um pouco mais da sua historia e da trajetoria de voces, pelo mundo afora.
    Desejo tudo de bom na mudanca, e voce tem razao, mudar agora vai ser muito mais facil do que depois, quando o pequeno estiver melhor.
    Que Deus continue abencoando-os infinitamente, onde quer que voces estejam.
    Abracos nossos
    Gra

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