O lado cômico da maternidade

Nic e Moey

6 Comentários

Os pais da Anita nos deram um livro ex-ce-len-te chamado Brincadeiras Criativas Para o Seu Bebê. Eu fiquei emocionada só de folhear o livro, que ensina a fazer entre outras coisas, bonecas de pano, marionetes, animaizinhos de lã, sinos de vento e um quadro lindo de pano, cheio de bolsos e ilustrações pra ser usado pra criança guardar seus brinquedos dentro do contexto criado no quadro (uma fazenda ou uma casa, por exemplo).

Daí eu comecei a ler, e fiquei ainda mais apaixonada. O livro segue a pedagogia Waldorf /Rudolf Steiner, cuja proposta é eliminar a palavra “pressa” quando nos inserimos no mundo infantil. A criança deve brincar e SÓ brincar, pelo simples prazer da brincadeira, além de ter muito contato com a natureza. Nada de torná-la uma unidade competitiva precoce, tendo que aprender isso e aquilo pra acompanhar o mundo acelerado de hoje.

E isso serve pra nós pais também, pois é uma grande oportunidade pra gente  parar, sentar e soltar a imaginação, colocar um pouco de nós mesmos nos brinquedos e depois brincar com a criança. Inventar estórias com ela, improvisar materiais como utensílios da cozinha, tecidos, pedrinhas ou madeira pra criar o cenário, e até mesmo encenar situações reais, o que pode ajudá-las no entendimento do que é certo e errado e seu papel na sociedade.

E dessa forma, a criança se desenvolve de forma tranquila, sem forçar e aprende o que é mais importante nessa fase da primeira infância: a se reconhecer como individuo, a se relacionar de forma carinhosa e respeitosa com os outros e ter autoestima.

E a interação pais-filho não poderia ser mais gratificante e enriquecedora… claro, se a gente se abrir pra isso, né? Participar das brincadeiras, facilita a construção de relações de confiança, a entrarmos no mundo lúdico delas, divertirmos juntos,  ensinarmos e também a aprendermos…

Os brinquedinhos do livro são mais próprios pra crianças até 2 anos, mas alguns podem ser usados até 5-6 anos, como o quadro por exemplo. O primeiro brinquedinho do livro que eu fiz foi essa bonequinha, que eu e minha irmã chamamos de Mel, mas o Nicolas a chama de Moey. Então é claro que agora o nome dela é Moey.

E sem essa de que menino não pode brincar com boneca, né gente? Afinal uma boneca nada mais é que a reprodução de um ser humano e eu acredito que brincar de boneca contribui pra que a criança se torne um pai ou mãe amorosos no futuro. Sem falar que os meninos sempre podem colocar uma boneca dentro de um carrinho e com isso dirigir com segurança! 🙂

Pra fazer a Moey, eu usei umas mantinhas que o Nic não usa mais, de pano bem macio e cores lisas, como sugerem no livro, e costurei à mão (como a corujinha, lembra?). Eu demorei dois dias pra terminar, entre uma atividade e outra. As características da boneca são bem simples, com expressão neutra, justamente pra deixar espaço pra que a criança imagine qualquer emoção humana quando estiver brincando. E uma vez que a boneca esteja pronta, é  importante tratá-la com o mesmo cuidado e carinho com que tratamos nosso filho, pois são estes os cuidados que estaremos despertando nele e é o que ele vai tentar imitar.

E isso é certo. O Nic adora a Moey, a pega com cuidado, abraça, beija e fala “Ei, Moey, ei neném”. E coincidência ou não, agora ele tem tentado abraçar toda e qualquer criança que encontra. Se abaixa pra olhar nos olhos, toca o rosto com cuidado e fica chamando de neném. Pena que aqui as pessoas desaprovem esse comportamento, mesmo entre crianças. Eu fico com dó de ver elas se afastando do Nicolas e dizendo “don’t touch me!”, mas por outro lado entendo, pois quando ligo a TV, vejo programinhas com bonecos cantando “Não toque, nunca encoste nos outros. Guarde suas mãos só pra você, tum, tum, tum”, e crianças dançando ao redor numa coreografia com os braços cruzados atrás ou no peito.

Mas é assim. A gente tem que se adaptar à cultura de onde estamos. Sem falar que o mais importante não é abraçar e sim respeitar o outro, com suas diferenças. E isso é o que a gente espera que ele aprenda no final das contas.

* * *

E o Plantão da Mudança informa:

o processo de mudar pode ser muito bom! Bom pra reconsiderar e reciclar todas aquelas coisas que a gente acumula com tanta facilidade né? Já vendemos o carro, nossa casa tá ficando vazia, mais espaço pro Nicolas correr, menos móveis pra ele tentar subir. Sábado vamos fazer um Garage Sale pra tentar vender o que falta. A partir desse dia a gente vai pra um hotel, aqui na cidade mesmo. E na semana que vem vamos pra costa leste da Australia, onde começamos nossa viagem de um mês. Porque não dá pra sair da Australia sem ter conhecido Sydney, Melbourne e Tasmânia, né? Vou contando!

Anúncios

6 pensamentos sobre “Nic e Moey

  1. Que livro legal! Tambem adoro inventar e improvisar brinquedos pro Francisco. Qdo eu era mais nova tinha noção de que qdo tivesse um filho, iria coloca-lo pra aprender mil coisas como musica, dança, esportes, linguas. Hoje vejo que viver a infancia plenamente, sem correria é o mais importante pra formar uma base solida pra qdo ele crescer. Aqui levamos uma vida simples, cuidamos de horta, temos até mesmo umas galinhas e meu filho ama tudo isso.

    E a bonequinha que vc fez eh simplesmente linda, viu Lu. Fiquei encantada!!! Pela foto eu nem diria que foi costurada à mao.

    E que legal fazer um garage sale. Da trabalho, mas pode ser divertido e produtivo. Boa sorte com as vendas! E a viagem… que maravilha! Vc vai gostar dos lados de la!

    Abraços!

  2. Que boneca linda! Meus filhos tambem têm algumas bonecas (nenhuma linda e tao especial qto a Moey!) mas observo que eles brincam diferente das meninas. Eles carregam elas de um lado pro outro pelo braco, sao atropeladas pelos carrinhos, puxadas pelos cabelos… hahaha Nada de inventar conversinhas como nós meninas.

    E que legal esse negocio de garage sale. Ja vi muito em programas americanos, aqui no Brasil nunca vi. Boa sorte e divirtam-se na viagem!

    Beijos!!!!

  3. Lu a Moey ficou linda e que bom que o Nicolas esta cuidando bem dela.
    Voce e’ muito caprichosa e pode ter certeza que o Nic percebeu o carinho que voce
    depositou nela ao faze-la.
    Eu ainda nao tive coragem de fazer uma, acho que nao tenho mao, para fazer algo mais trabalhado assim, quem sabe um dia.
    Abracos
    Gra

  4. Pingback: Assistindo a copa daqui « Nicolando por aí

  5. Pingback: E aí Nic, tem dormido bem ultimamente? « Nicolando por aí

  6. Pingback: Vocabulário do Nic, aos 17 meses « Nicolando por aí

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s