O lado cômico da maternidade

The ‘incredible’ twos

18 Comentários

O que seria de um blog materno se a mamãe não parasse de tempos em tempos pra exercer sua corujice e enaltecer as habilidades da cria, né? E sobre isso, falou muito bem a Kah neste post sobre o lamentável Campeonato de Bebês que acontece por aí. À medida que você lê o post, vai passando por uma montanha russa de sentimentos: primeiro começa achando graça, depois fica indignada, triste e totalmente sem fé na raça humana (tô contigo, Kah) até que termina suspirando e decidida a revelar ao mundo as proezas naturais do seu pequeno gênio…

E é exatamente o que eu vou fazer agora… No entanto, gostaria muito que o Nic  também ouvisse… Só que, cadê ele?

– Niiiiiicolas! Cadê vocêêê?

– Hi hi hi hi hi.

– Puxa, como ele esconde bem! Onde estará o menininho sapeca da mamãe? Será que tá dentro do guarda-roupa? Não… Atrás da porta? Também não… Debaixo da cama? Humm… não…

– Hi hi hi.

– Estaria ele atrás do sofá? Nossa, também não… Ou quem sabe… NICOLAS!!! Meudeusdocéu!!! Como você foi parar encima dessa estante, meu filho?

* * *

Outro dia eu ouvi falar que criança pequena é como um liquidificador, só que sem tampa. Pois precisa falar mais?

O Nic anda bem assim mesmo, cada vez mais intenso e dramático ao expressar suas emoções. Perfeito pra um papel mirim numa novelinha mexicana vespertina. Mas por outro lado, noto que ele tem sido muito mais quieto e concentrado em outras ocasiões: brinca cada vez mais sozinho, presta mais atenção nas estórias, encaixa pecinhas sem perder a paciência e assiste filmes infantis inteiros, atento do início ao fim – inclusive conseguindo prever o que está pra acontecer!

E como gosta de crianças mais velhas… É um magnetismo natural… Ele não pode ver uma daquelas criaturinhas de 5 anos toda cheia de si, que ele gruda e vai atrás imitando tudo o que ela faz. Como no dia da spidergirl, lembra? Mas isso só dura até o momento em que ele invariavelmente escuta um “leave me alone!” pra se afastar, mas ainda assim, continuar de longe admirando aquele modelo perfeito de auto-suficiência. Já as da mesma idade, esquece – é desprezo absoluto. Coloque ele numa sala com outros dez menininhos de dois anos, pra ver – tudo o que ele vai querer é brincar sozinho e ainda por cima sem emprestar nem mesmo aquele carrinho velho de roda quebrada.

Além dessas, Nic tem também outras particularidades: pra começar, odeia ficar sem camisa, mas tudo bem ficar sem calça. Faz greve de fome, mas jamais recusa brócolis, sem sal nem alho e a qualquer hora do dia. Ainda nem largou as fraldas, mas já quer autonomia total – o típico rebelde com fralda – e ao invés de pedir determinado objeto, simplesmente empurra uma cadeira, sobe e pega. *Estado de alerta total aqui em casa* – nada está completamente fora de seu alcance mais.

E nunca esteve tão volúvel e paradoxal… Num minuto quer tomar leite, no outro quer comer feijão, depois quer calçar sapato sozinho enquanto come biscoitos e no seguinte quer brincar de ser neném no colo da mamãe e tomar leite outra vez – o mesmíssimo que ele dispensou há três minutos atrás e o qual ele agora toma no copo sem jamais se lembrar que negócio mal-arrumado era aquele de usar mamadeira.

E fala pelos cotovelos.  Monta frases inteiras à sua maneira, narra tudo o que a gente faz, usa artigos e preposições, arrisca plurais, conversa sozinho com os carrinhos, pergunta e ele mesmo responde e até inventa novos verbos.

– Quéio mamãe facar a uva pro Nicoias. (=quero que a mamãe corte a uva pro Nicolas)

– Mamãe tá varrendo a blusa do papi. (=passando)

– Mamãe, quéio mais vai no parquinho. Agoia não, depois. (=quero ir no parquinho de novo. Agora não, depois. – ele mesmo responde).

– Qué papai vão brincar de carrinho com mim. (=quero que o papai brinque de carrinho comigo.)

– Não cabe não… o ômbusi é muito grande… (=ônibus)

– Eu também sentado na cadeira.

– Um, dois, quatro, seis rodas. O caminhão tem seis rodas, mamãe. (ele sabe contar até 10, mas adora contar de dois em dois)

🙂

E se por acaso, eu caio na bobeira de perguntar a ele “vamos dormir?” ou “vamos comer?” (ao invés perguntar “você quer dormir com o coelho ou com a Moey?” ou “quer comer arroz com frango ou com ovo?” a resposta agora é polida “não, não, obrigado”. E tenho que usar muitas e muitas artimanhas pra convencê-lo a fazer o que eu preciso que ele faça.

Quer ver só?

Então assista você mesmo ele recusando educadamente a soneca, depois me ignorando enquanto “lia” as instruções em um pacotinho de chá e no final eu aplicando o famoso Método de Psicologia Inversa (MPI) e seu resultado.

* * *

E é isso aí. Incrível é perceber que esse meu menininho que quer fazer tudo sozinho, que adora imitar o pai fazendo barba e sabe cantar várias músicas do Pé-com-pé, ainda adora colo, odeia escovar dentes e curte músicas de ninar pra dormir. Ah! e conserva as mãos gordinhas de neném – inclusive com furinhos!

* * *

PS1: E a vocês, minhas queridas, muito obrigada pelos comentários solidários no último post. O Rafa já voltou e as coisas aqui agora andam muito mais equilibradas!

PS2: Estou adorando esse amigo secreto blogosférico! A gente tirou um (a) amiguinho (a) que é a coisa mais linda desse mundo! E quem nos tirou já mandou um recadinho e está caprichando no suspense!!! Ai meu deus, quanta curiosidade de saber quem é!!!

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18 pensamentos sobre “The ‘incredible’ twos

  1. hehehehihihihi….ai, eu não aguento esse seu método MPI…o Nic é muito fofo 🙂

  2. HAHAHAH
    A coitada da Juh que pagou o pato: acabei rindo alto demais e a coitada acordou.
    Não resiste:
    – Quéio nana no tavesseio.
    – Tá, mas só dessa vez!
    hahahahahahha
    Aí aí.

    Sou eu a única pessoa do mundo que não consegue filmar a filha? Sempre que vou gravar, a Juh atraca a filmadora e nada desse mundo faz ela continuar a fofice que estava fazendo. hahaha
    Beijão!

  3. Lu, você pode fazer palestras sobre o MPI!!!! ADOREI!!!
    “Só desta vez” foi demais!!!

    Esta de não ficar sem camisa é curioso mesmo. Meu sobrinho também tem esta mania. Pode estar o calor que for, que ele não tira a camisa por nada.

    Coisas de criança!

    Menina, o que é aquela foto dele todo encorujado tomando leitinho? Que gostosura!!!

    Bjos

  4. Lindo, lindo, lindo!!

    adorei que fofura máxima é essa quando ele fala, não, não obrigada! hein??
    Parabéns pela técnica, rapida e eficaz.

    beijao

  5. hahahahahah!
    primeiro que o sotaque é o máximo.
    segundo, menina que esse método é tu-do!
    funciona na hora!
    vou tentar por aqui!
    bjocas

  6. Muito bom, Lu!!!!!!!! Muito bom o vídeo!
    Será que com oito meses eles já entendem o MPI? Vou falar assim pros meus: “Gente, hoje é acordar a noite toda, hein? Nada de dormir mais do que 4 horas seguidas. Vamos brincar e fazer bagunça 3hs da manhã!” Será que cola?
    Que bom que o Rafa voltou. A viagem do Rodrigo está na metade e eu estou quase louca! Menina, não imaginei que fosse tão difícil…
    Bjs

  7. Nossa, tenho mil comentários pra fazer nesse post!!
    1) Sério que ele tava em cima da estante??? Meu deeeeeus!!
    2) Bento também adora crianças mais velhas. Parece que querem aprender com elas, né! Ele tem um priminho praticamente da mesma idade, apenas 4 meses de diferença, e pergunta o que acontece quando se encontram?? O tempo todo disputam o mesmo brinquedo, lógico. Se tiver 2 bolas na sala, não adianta, vão querer a mesma.
    3) Que fofo o Nicoias (adorei!) tomando leite no copo!! Bento toma suco e água no copo, mas ainda naqueles de treinamento. O leite é o próximo!!
    4) Adorei ele pedindo pra ir no parquinho e ele mesmo respondendo “agora não, depois”!! Hahahahha!! Mas realmente, o não, não, obrigado é fofo demais.
    5) Não consigo ver vídeo aqui no trabalho, mas fiquei curiosa pra ver sua técnica!! Vou ver assim que chegar em casa!
    Last, but not least… adorei seu comentário sobre o amigo secreto lá no blog!! Fiquei emocionada, será o Nicoias?? Será?? 😛
    beijo!!

  8. Meninas, o MPI é realmente ótimo pra lidar com essas criancinhas que adoram contrariar a gente. Mas infelizmente tem suas limitações… Por exemplo, não dá pra aplicar quando ele NÃO pode fazer alguma coisa, tipo: “Nic, você tem que subir nessa estante! Vai, sobe agora!”. Claro que nessa hora ele não tá nem aí pra contrariar e vai subir mesmo. Mas pras outras situações, funciona que é uma beleza.

    Carol Garcia, então deu pra notar o sotaque mineirim, né? Já vi que não consegui disfarçar… 🙂

    Carol Passuello, eu MORRI de rir da situação hipotética de aplicar o método com os gêmeos, viu? Muito bom… Mas a hora deles vai chegar, vc vai ver!

    E Sarah, olha pra falar a verdade, ele não estava lá encima não, mas poderia estar… rsrs Ele estava escalando a primeira prateleira quando eu peguei ele. E sobre o amigo secreto, tcham, tcham, tcham, tcham…

    Beijos pra todas!

  9. lu, ele está DEMAIS, esse fofucho.
    lindo e esperto!
    eu aplico o mpi di-re-to:
    “não, não come a banana, filho”,
    “não, nós não vamos tomar banho”
    e por aí vai..
    ps: eu fico MUITO FELIZ em saber que noah não é o único a estar passando por essa fase do contra (desculpa por ficar feliz, mas… vc sabe…é meio solitário ser mãe de garoto nos “incredible twos”…
    beijo beijo!
    ps2: valeu pelos conselhos sobre não levar a tralha toda!
    ps3: desapego, desapego, desapego…

  10. Lu, quase rolei de rir aqui com o seu vídeo… A Isabel faz as mesmíssimas coisas… Acho que vou começar a testar esse lance de psicologia inversa… Funciona mesmo, hein? A gracinha mais recente da Isabel é que agora ela adora contar as histórias dos livros que “lê”, só que tem um detalhe: ela começa as frases em português e termina em inglês. E sempre tem um pouco de “meninês” no meio da frase. Outro dia ela soltou a seguinte pérola: “Pooh acordou meio sad. Ele wanted a hug. Mas o porquinho-piggy não estava home.”… Eu posso com isso?
    Bjo!
    Livia

  11. Oi Lú!

    Que coisa boa receber seu comentário lá no blog! Adorei, fiquei super feliz.

    Vou te confessar algo, algumas vezes vim aqui, peguei o atalho pelo blog da Grá Flor. Acho muito legal a história de vocês e a experiência que possuem de viajar pelo mundo.

    Agora, como tu disseste, virei sempre visitá-los, viu!

    Adorei a carinha nova do teu blog, ficou show!!!

    Tu me perguntou sobre o layout do meu, vamos lá. Eu peguei as gravuras de uma ilustradora, a Rachelle Anne Miller (http://creativestudios.rachelleannemiller.com/portfolio) selecionei algumas imagens que tinham a ver com a minha história e Lú, montei tudo no Picasa mesmo! Bem amador. Só fiz com o tamanho exato do cabeçalho e mesclei as imagens numa figura só…e aí ficou do jeito que tu viu.

    Beijos

    Pri&Bia

  12. Oi Lu!! ele é muito fofoooo,que carinha sapeca!!! 😉
    menina, cheguei a conclusão que ser mãe de menino é uma coisa…rsrsrs..
    Que fofa essa fase que eles falam assim,né??eu achava liiindo..rsrs…
    e quanto a preferencia por criança smais velhas,o Enzo tb é assim…nem olha para os menores..a pobre da prima por exemplo,é ignorada!!! kkkk..so quer imitar os grandões,ai aiai..e ela que fica na cola dele,tadinha..rsrsrs..
    beijos,boa semana!!!
    😉

  13. Li o texto da disputa das mães e seus métodos absurdos!! Gente, nem sabia q existia isso…
    Amei o Nic falando, muito fofo. Infelizmente a psicologia reversa não funciona com meu filho porque se ele pudesse ficaria mesmo acordado direto – é como se ele achasse que está perdendo um monte de coisas… rs.
    Beijos.

    • Entendo perfeitamente a lógica do seu filho, Tathiana! Muito esperto ele! Mas enquanto o meu ainda não se deu conta disso (oba! oba! oba!), vou aproveitando!!!! 🙂

      Beijos!

  14. as tuas fotos são maravilhosas 🙂 vc capta muito bem a essência de cada momento que poderia passar batido…
    parabéns 😀

  15. Oi querida
    Adorei o video do Nic e ouvir sua voz!
    As fotos tbe estao lindas.
    Que delicia de amigo secreto! Da proxima vez tbe quero participar.
    Mil bjks e um otimo final de semana

    http://blogdaclauo.blogspot.com/

  16. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
    Lu, morri de rir com seu método e ver como o Nic cai direitinho! Um fofo! Com Bella já faço algo mais ou menos parecido nessa fase do não. Já aprendi que não posso perguntar se quer tomar banho e sim qual amiguinho quer levar pro banho, igual você faz. Já quando ela diz não, faço pouco caso, digo um simples: “tá bem, ok!” e logo logo ela chama pra o tal do banho, dormir ou almoço. Ou seja, nós mães, somos todas um pouco psicólogas, né não?! Rs. Beijo grande.

    • Exatamente! Nasce uma mãe, nasce uma psicóloga, uma pediatra, uma palhaça de circo, uma nutricionista e no meu caso, uma engenheira mecânica, porque haja carrinho pra reparar, viu? hahahaha

      Beijos, querida!

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