O lado cômico da maternidade

Voa, passarinho!

17 Comentários

O assunto da vez aqui em casa é a escolinha… e as outras crianças.

O Nic ainda não vai todos os dias pra escola, nem fica lá sozinho. Até ele fazer 3 anos tem que ir aos encontros acompanhado – mas tudo bem, porque a gente adora o lugar. E a filosofia da escola é tão bacana, que tem até influenciando algumas mudanças no nosso dia-a-dia em casa.

Pra começar, o ambiente chega a ser zen de tão tranquilo que é. Ninguém fica de sapato, todo mundo fala bem baixinho, e as atividades são todas calmas e… super ultra alternativas.

Quando que eu pensaria que um dia o Nicolas fosse frequentar uma escola onde se ensina a fazer pão? Pois lá se ensina. Ou a costurar, plantar, colher? Também. Tocar violino? Sim. Ou escrever um livro da sua vida enquanto é alfabetizado? Yep!

Claro que tudo isso vai acontecer no seu devido tempo. A única coisa que já se faz nos encontros e todo mundo ajuda é o pão. E é a coisa mais linda ver todas aquelas criancinhas bochechudas com suas mãozinhas gordinhas sovando a massa ao redor da mesa baixinha… E o mais interessante: cada um falando uma língua diferente – verdadeiros mini padeiros multiculturais.

O processo de “modelar” a massa é bem interativo – a gente conversa, canta, ri, acode um menino que tá comendo massa crua, outro que quer levar a massa pra passear de caminhão (precisa falar quem é?), faz cobra, que vira caramujo, que vira bola de futebol e daí vai tudo pro forno. E com a ajuda de musiquinhas todo mundo limpa, lava as mãos e vai brincar – as crianças com os brinquedos de madeira, os pais fazendo artesanato (vocês tinham que ver o Rafa costurando!!!). Isso, até o cheiro de pão inundar a sala e todo mundo ir comer junto e tomar chá.

Super legal.

E claro, que com essa convivência toda eu tenho aprendido muita coisa… A primeira, obviamente, aprendi a fazer pão e agora faço toda semana aqui em casa. Aprendi que o processo é longo, exige paciência, mas é muito compensador, pois ensina à criança a valorizar mais a comida, a saber de onde vem e treinar a paciência pro pão ficar pronto! Segundo, tenho tentado falar mais baixo – já controlar a risada eu nem tento mesmo. E terceiro, tenho aprendido a confiar mais no Nicolas.

Eu explico.

O bom de se morar fora é que a gente tem contato com diferentes culturas de todo o mundo, e reparando aqui e ali, confirmo o que eu já suspeitava: eu faço muita coisa pelo Nic que ele já poderia estar fazendo ele mesmo. Sim, afinal, tudo anda mais rápido quando a mãe ajuda, né? Mas a longo prazo, concluo que todo mundo sai perdendo. Eu, por ter que continuar fazendo o que ele já seria capaz de fazer sozinho. Ele, por acabar ficando inseguro pra tomar decisões e ter mais iniciativa, e tender sempre a esperar pela ajuda de outra pessoa. Verdade?

No primeiro encontro da escolinha que a gente foi eu voltei até tonta pra casa. Vi crianças entre 1 e 2 anos: cochichando no ouvido do pai que queria ir ao banheiro, pegando a pá sem ninguém pedir e ajudando a recolher o lixo (e sem no final jogar tudo pra cima), sentada à mesa tomando chá em copo de porcelana sem entornar nada, comendo sem reclamar que tem muita ou pouca manteiga, ou falta isso ou aquilo, etc, etc, etc. Mas tudo, sem serem mini-adultos, sabe? Daí eu fiquei pensando, por que o Nic não fazia nada daquilo – e me dei conta que é porque eu não dou espaço, além de talvez, abrir concessões de mais… Nicolas é um menininho super colaborativo, que adora ajudar a guardar os brinquedos ou varrer… cof, cof… a casa, mas cheguei a conclusão que eu tenho explorado pouco essa qualidade dele, sabe?

Agora, tenho me policiado mais, tentado dar a ele mais oportunidades pra participar, fazer, experimentar, errar, se sentir desafiado e finalmente conseguir encontrar um meio – ele mesmo. Não tem sido fácil pra mim, pois como aqui tenho que fazer tudo, às vezes me custa esperar que ele me ajude. Mas tenho aproveitado mais as oportunidades como pedir a ele pra colocar a roupa suja na máquina, me ajudar a guardar a roupa dobrada, jogar o lixo na lixeira certa (orgânico e recicláveis), colocar água nas plantas, a fruta no liquidificador pra fazer o suco e por aí vai. E melhor ainda sendo ele um menininho – tem mesmo que aprender essas coisas. Algumas coisas ele insiste em fazer sozinho naturalmente, mas outras, como tirar a roupa pra tomar banho, às vezes sem perceber eu já tirei tudo e nem dei a chance a ele de tentar… Mas já estou melhorando… Comer sozinho também é algo que eu tenho insistido todas as vezes. No final ele demora muito mais e faz bastante bagunça, mas é legal ver ele experimentando posições diferentes pra levar a colher à boca e o sorriso dele quando consegue…

E como bem disse esse excelente post aqui (em inglês), é incrível como a gente pode se surpreender com o que nossos filhos são capazes de fazer se a gente simplesmente sair do caminho deles.

É mesmo.

* * *

Bom, e outro resultado de tudo isso é que agora o Nic não para de falar da escolinha. Tá apaixonado. Todo dia ele pede pra ir e nas brincadeiras dele todo mundo tá indo pra lá.

– Vrrrrrmmm! Olha, mamãe, o caminhão tá passeando na rua. Agora ele vai embora.

– Ah é? E vai embora pra onde?

– Pra escolinha.

– Oh! E vai fazer o que lá?

– Amassar pão.

 

Ou:

 

-Você fez cocô na fralda?

– Fez.

– Então vamos lá no banheiro?

– Não, o cocô já foi embora.

– Foi??? E pra onde?

– Pra escolinha.

– Que horror! É mesmo? E o que ele foi fazer lá? (como se eu não soubesse)

– Foi amassar pão.

 

* * *

 

CRE-DO! Nunca mais como desse pão de lá… 🙂

 

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17 pensamentos sobre “Voa, passarinho!

  1. Lu, que delícia esse negócio de fazer pão na escolinha! A escolinha da Isabel é do modelo, digamos, tradicional aussie, mas eu adoraria que eles ensinassem essas coisas às crianças. To rindo até agora do carrinho e do cocô que foram pra escolinha amassar pão… kkkkkkkk
    Beijos
    Livia

  2. Que texto legal! Fiquei encantada com o modelo de escola que você descreve. É um sonho!
    Adoraria colocar o meu filho numa escola dessas!
    Parabéns pelo filhão!!!

    Beijos!!!

    Lívia.

  3. Lu
    Tão diferente da maioria das escolas aqui do Brasil hein?
    Que bom que você está podendo dar esta oportunidade para ele e para vocês também. Sucesso na vidinha acadêmica (rs) do Nic…..

    Agoara fala sério, que o coco foi pra escolinha, é hilário, hã? Imagina você amassando pão na aula e lembrando disso…hehehehe

    Uma dúvida: Vc fala mais francês ou português com o Nic?

    • Ai Marina, agora que vc falou isso, com certeza vou ficar amassando o pão e me lembrando do cocô!!! hahaha Ninguém merece…

      E aqui, estamos numa região que quase não se fala francês. O idioma oficial é inglês. Mas em casa é só português mesmo, pra ele aprender direitinho e sempre associar com a lingua de casa. No convivio com outras pessoas aos poucos ele está aprendendo o inglês, mas tá bem no inicio ainda.

      Beijos!

  4. Noooosssa q inveja!!!! Como eu queria uma escolinha dessa aqui em Minas Gerais, rsrsrsr. Mas fico feliz pelo seu pequeno… Bjosss

  5. Aleluia! Ate que enfim nosso menino esta na escolinha!!!!!!!
    Melhor ainda é saber que a titia aqui, com sua larga experiência pedagógica, não precisa mais chamar “sua atençao” sobre dar mais autonomia pro Nic. Verá que vcs irão se surpreender cada vez mais com a capacidade do nosso pequeno. Bjocas

  6. Lu que experiencia maravilhosa ne?
    Pelo que voce contou a escolinha do Ni segue a pedagogia Waldorf; muito legal!
    Fui com meu filho em uma sessao dessas por aqui, mas por ser longe, nao voltamos mais, mas gostei muito.
    Agora o que voce comentou sobre deixarmos as criancas fazerem mais, nao se culpe tanto, acredito que isso tem muito a ver com nossa cultura, no Brasil somos muito “maternais” e com isso acabamos impedindo as criancas de fazerem mais.
    Nao sei se voce conhece ou ja viu (se quiser eu tenho posso te mandar), tem um livrinho muito bom e rapido de ler que chama-se: “Jardim-de-infancia”, de Helle Heckmann, muita informacao de qualidade, respeitando o tempo da crianca.
    Abracos e otimo final de semana.
    Gra
    (*desculpa que o comentario ficou grande d+)!

  7. Eiiiiiiiii!

    Fazer pão pode ser uma aventura e tanto, mas nós temos uma máquina de fazer pão aqui e por enquanto tem sido fan-tás-ti-co. Claro que não preciso dizer que, com minha vasta experiência gastronômica, só fizemos uma receita de pão. O francês. Ohhhhhhhhhh! Tá bom, tá bom, admito que é uma vergonha, mas tentarei arriscar as outras receitas……..
    Que bom que ele entrou na escolinha. Vai adorar… Aqui tb temos uma desse estilo, mais alternativa, plantam coisas, fazem coisas, muito bom.
    Bjos a todos

  8. Luloca!!! que saudade de vcs..estava fora do ar..sumi por duas semanas..pondo a cabeça no lugar,rsrsrs..enfim,voltei!! que delicia de escola essa!!! adorei..e pelo visto o Nic vai levar a lembrança de amassar pão para o resto da vida,né?kkkkkkk…
    queria uma escola assim para o Enzo!! pena que por aqui não tem..e as que se aproximam é absurdamente cara…como se os valores reais da vida,as coisas simples..tivessem que ser mais caras!! :-/
    uma pena..
    super beijo e uma otima semana p vcs,tá??!!
    😉

  9. O ensino aqui no Canadá realmente surpreende quando comparamos com o que estamos acostumados em outros países. Essa fase do Nic é muito boa e os comentários merecem mesmo ficar gravados no blog….viva a infância e a imaginação das crianças !!!!

  10. Oi Lu, teu passarinho está lindo!!
    Aqui as escolinhas sao assim também!! É tao gostoso! A minha vizinha tem gêmeos pequenos e sempre conversa comigo animadamente contando o que fizeram nas escolinha. Hoje vai ter sopa lá!!! Beijos e uma ótima semana.

  11. Lú querida, eu li este post e me caiu tão como uma luva sabe? em virtude de vários acontecimentos aqui em casa, e por muito meu marido sempre incentivar tenho tantado também “soltar” mais o David. Me sinto exatamente como vc: vejo crianças mais novas que ele fazendo coisas que ele não faz simplesmente porque eu ou a babá sempre está por perto para fazer por ele… não é que ele não seja capaz, é por pura comodidade, eu sempre acho que tenho que facilitar a vida dele enquanto é pequeno porque a vida é dura quando a gente vira adulto, mas na verdade, a vida é a vida e a maneira como vamos encará-la deverá ser a mesma desde sempre… eu sou superprotetora, é um fato. Mas também estou me policiando e melhorando. É tão rica esta troca entre a gente (mães bloggueiras) porque te permite transitar por outras casas e ver suas próprias atitudes em outras amigas, e aí a gente se auto corrige juntas…rs, amei seu post Lú, é tão real pra mim! E amei o post em inglês, maravilhoso, vou compartilhar com as minhas amigas mães aqui de sp ok?
    um beijo beeeeeeeeeeeeeem gigante e parabéns pelas suas conquistas
    p.s. pode passar a receita do pãooooooooooooooooooooooo (sem cocô claro..rs rs rs)

  12. Hahahahhaha!! Até o cocô foi amassar pão!! Muito bom!!
    Mas agora falando sério, que escola bacana hein Lu! E sabe que hoje mesmo pensei nisso, de fazermos as coisas pelo filho? Bento já quer comer sozinho, mas às vezes me dá uma preguiiiiça de deixar, esperar o tempão que leva e depois limpar a lambança… Certas as mamães daí viu!! Vou tentar deixar mais coisas por conta dele, assim como vc.
    beijos!

  13. Ai, cultura faz toda a diferença mesmo né?
    Me permite dizer que fiquei morrendo de inveja?
    Fiquei mesmo…

  14. lu, que saudade!!!!
    parabéns pela escola, gata…ADOREI.
    eu tentei uma waldorf por aqui, mas a fila era muuuuuito longa e eu desisti!
    mas no lycee (pra onde ele vai com 3 anos) tem horta, culinária e tal – vamos ver se eu treino o rapaz a fazer um pãozinho pra mamá (e não pra futura esposa, lógico que não)
    sobre super proteção: mal latino, darling.
    as européias assistem, impassíveis de tu-do, a suas crias de 2/3 anos pularem de trampolim de 3 metros, de muro, escada e brinquedo alto.
    enquanto as brasileiras praticamente carregam a cria pro topo do brinquedo.
    quem tá certa? vai saber…
    beijo beijo!

  15. lu, que saudade!!!!
    parabéns pela escola, gata…ADOREI.
    eu tentei uma waldorf por aqui, mas a fila era muito longa e eu desisti!
    mas no lycee (pra onde ele vai com 3 anos) tem horta, culinária e tal – vamos ver se eu treino o rapaz a fazer pelo menos um pãozinho pra mamãe aqui (e não pra futura esposa, lógico que não)
    sobre super proteção: mal latino, darling.
    as européias assistem, impassíveis de tu-do, a suas crias de 2/3 anos pularem de trampolim de 3 metros, de muro, escada e brinquedo alto.
    enquanto as brasileiras praticamente carregam a cria pro topo do brinquedo.
    quem tá certa? vai saber…
    beijo beijo!

  16. Pingback: Aprendendo a esquiar (e receita de pão) « Nicolando por aí

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