O lado cômico da maternidade

O galinheiro, o sassariquento e o ataque do coala noturno

33 Comentários

Ah gente querida, como eu queria vir aqui toda semana pra papear um bocadinho com vocês! Mas quem disse que consigo? Ainda mais depois que cismei de fazer um tal de projeto 365, que minha vida ficou de cabeça pra baixo, assim como se ao invés de 2, eu tivesse uns 30 filhos pequenos, mais 3 cachorros e um galinheiro.

E vocês sabem que não sou dada a exageros, né?

Pois bem, então deixa eu terminar logo de contar essa ladainha da viagem pro Brasil, que já tá me dando vergonha eu estar no mesmo assunto até hoje, 2 meses depois de voltar de lá. Cruzes.

Culpa do galinheiro. Certamente.

* * *

Mas então. Como toda visita a Beagá, a correria é tanta, mais tanta, que quando as crianças começam a se acostumar com alguém, a assimilar o que é tia, primo ou irmã-do-coração da mamãe, já é hora de catar os pertences e visitar outra pessoa. Na saída, a gente só não esquecia de roubar um pão de queijo pra comer no carro e rezar pra Nossa Senhora das Familias em Visita pela Terrinha pra não ter engarrafamento.

Coisa que nunca aconteceu. Ocupadésima essa santa, aparentemente.

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Mas tirando o transito que não transitava (e que até me rendeu umas boas balas chitas que me ajudaram a minimizar certos traumas de infância), deu pra cortar muitos itens da minha lista de coisas que não podíamos deixar de fazer no Brasil.

Número 1

Matar a saudade de abraços. Porque o Canada tem de um tudo, gente, mas não tem abraço. Tirando nos encontros com brasileiros daqui ou os desafortunados que se deparam com ursos (Deus os tenha), a chance de você angariar um abraço aqui é quase nula. Mas matei minha abstinência da melhor forma:  abraçando muita gente querida e amada. Mesmo.

Número 2

Desgarrar a Lily um tiquinho. Porque pense numa criatura agarrada. Ah, que doce, você pensou num coala? Mas não tá nem perto, viu? Então faz o seguinte: pega esse coala, encapa ele com um velcro magnético possante, cola um tanto de bolinha de chiclete ao redor e joga um balde de carrapato por cima. Balde grande. Pronto, agora multiplica por 10. Essa é a Lily comigo. Por isso, foi uma verdadeira surpresa ver ela se jogando no colo de pessoas que ela nunca tinha visto na vida e até criando laços afetivos. Milagres do Brasil.

Número 3

Ver como o Nic se sairia com a língua portuguesa. Não que esse fosse um grande problema, pois português é sua primeira língua. Mas, como ele aprendeu inglês na escola e brincando com seus amiguinhos, quando ele brinca, mesmo que sozinho, ele SÓ fala em inglês. Por isso foi muito lindo e fofo observar ele escolhendo cuidadosamente as palavras pra falar só em português quando brincava com outras crianças. Fofo mesmo. E lindo.

Número 4

Rever a turma de faculdade depois de 10 anos. Muito bom!!! Exceto a parte de encarar que sou a mesma boba de antes, só que com 10 anos a mais.

Número 5

Visitar gente bacana. Desta vez teve cria nova pra conhecer e apertar, amigas grávidas pra encontrar, lasagna da Ignes pra degustar, Ouro Preto pra visitar com gente especial, e pipa pro Nic soltar com o maior especialista do mundo – meu irmão. Check, check, check, check e check.

Número 6

Ter tempo de pernas pro ar. O que significou ter momentos de não fazer nada e só ficar por conta de papear. Foi ótimo aproveitar minha família, amigos próximos e minha cunhada divertidíssima grávida do meu primeiro sobrinho de sangue – o Pedrinho, que nasceu há poucas semanas!!!

Número 7

Ter uns dias só de meninas lá em São Paulo. Conto TUDO logo, logo, prometo.

Número 8

Comer de tudo sem engordar. Sem comentários, desastre total.

* * *

Ou seja, foram 10 dias em BH super bem aproveitados! Mas claro, se você me permite ser bem sincera, sempre tem uma desvantagem aqui ou ali, né? E pra mim, a parte mais difícil foi, como sempre, manter a rotina das crianças.

Rá, caiu nessa, foi? Desculpa, mas essa é a versão genérica, que conto pra todo mundo.

Porque a verdade verdadeira, gente amiga, difícil mesmo foi ter que assistir de camarote a disponibilidade do marido pra sassaricar com os amigos toda santa noite enquanto eu ficava lá, sendo requisitada por dona Lily (que à noite resetava todos os avanços adquiridos durante o dia e voltava pra versão original © Coala Plus).

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À rotina corrida e imprevisível a gente acaba se adaptando, né gente? Agora marido sassaricando sem você é de matar. Já não basta passar a gravidez toda intacto, ainda tem que nascer sem leite nas peitas?

Por isso, enquanto o Sr. Todo Soltinho se encontrava com Fulano, Beltrano, Cicrano ou Soprano, Liloca apurava seu método de manipulação materna, que consistia basicamente, em ameaçar gritar a todo pulmão quando todo mundo da casa já dormia, a fim de conseguir acesso rápido e imediato às peitcholas.

Claro que funcionava.

Afinal eu é que não queria me tornar pessoa malquista e indesejada pelos donos da casa – mesmo que as pessoas em questão fossem sangue do meu sangue.

Nunca se sabe, melhor não arriscar. “Vem cá, escuta. Eu sei que a Lu é linda, maravilhosa, agradável, meiga (…) e que educa os filhos como ninguém. Mas que diabos foi aquela choradeira da última noite? Credo!!! Será que ela esqueceu que tem mais gente tentando dormir nessa casa? Como ela deixa a menina ter o controle daquele jeito? É nisso que dá dormir com filho, eu bem que avisei!'”

Deus me livre de alguém saber achar que a Lily me controla. Então disponibilizei.

No entanto, assim que Liloca foi bonificada com acesso livre e irrestrito à leitaria noturna, ela, que antes acordava uma a duas vezes, passou a acordar duzentas. Natural, vai! Infelizmente, 200 também foi o numero de camadas de corretivo necessárias pra camuflar o aprofundamento das minhas olheiras.

Agora pensa comigo. Se hoje, que estou no sossego da minha casa, cuidando do meu galinheiro tranquila, já ando com cara de quem passou a noite rodando dentro de uma betoneira e logo em seguida foi atropelada por um caminhão com rolo compressor, imagina no Brasil, com uma atividade diferente todo dia?

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Não foi bonito não, gente.

Em um mês, em seguida volto pra contar os causos de São Paulo. Última parte.

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33 pensamentos sobre “O galinheiro, o sassariquento e o ataque do coala noturno

  1. Ai que delícia! Também quero ir pro Brasil!
    Tenha uma ótima semana!
    E que a primavera aí no Brasil traga muitas alegrias na sua vida!
    Beijos!

    http://www.mamaenadia.com

  2. Adorei Lu! Rafael sassaricando foi ótimo kkkkk

  3. projeto 365? ta tirando uma foto por dia?

    e eu, que inventei de escrever nao um, mas DOIS livros, ao mesmo tempo, sobre temas diferentes? hahaahhaha!!

  4. Pernas pro ar? Fia, fiquei bonita que nem você com esses zóio esbugalhado todo, mas nem tive essa de pernas pro ar. Teve dias que eu já acordava cansada, sabe? 😮 Depois, os photoshop nas fotos, fica tudo bonito e juro, com o tempo vc vai esquecendo o que passou! 😛 Tô adorando a narrativa! 🙂 beijo

    • Foram breves, mas existiram, amiga! Muito bom! E realmente, com o tempo a gente esquece do sufoco e so ficam as lembranças boas. Por isso que a gente sempre acaba voltando, ne?

      Obrigada e muitos beijos!

  5. E a foto da “carrapatinha” ficou ótima!!! Bjs

  6. Negócio de fazer coisa todo dia não é para mim, pensei em um por dia por um ano, depois achei melhor só um mês e desisti logo no segundo posterzinho de tipografia, não sou boa mesmo de cumprir essas promessas. Abafa o caso.

    Ah mas essa sua fotinho de zumbi tá combinando com a minha e dava uma linda dupla passeando por aí. Quem diria o sr. seu marido com cara de quietinho sassaricando por aí. Vc experimentou fazer essa carinha de anjo da foto pra ele? O meu fica logo com medo e se comporta! 🙂 Bjs

    • Oh! Ganhei uma companheira de projeto num dia, perdi no outro! Desiste não, Livi!!! 😀

      Menina, Rafa nem é sassariquento por natureza não, mas no Brasil, com aquele mundél de amigos pra ver, quem segura? Boa ideia dar uma editada numa foto dele, né? Vingança saramalíguina! hahaha

  7. Lú, fiquei até com peso na consciência! Uma das sassaricadas foi aqui em casa…. Te confesso que fiquei foi um pouco triste nesse dia… Na verdade ele foi sassaricar na casa do Branco. vieram Mateus, Cassemiro e Tripa., este último o único solteiro do clã. Ficaram uma horinha na casa do Branco e acabaram descendo aqui para casa para não incomodar os bebês. Todas as respectivas esposas em casa e eu recebendo estes Barbados! Me senti a dona do Bataclã…. a própria Maria Machadão…ahahahah! Ai ai, o que a gente não faz pelos amigos que não se vêm há tempo!
    O nosso encontro de 10 anos foi excelente e ficou com gosto de quero mais! Espero que da próxima vez, você seja a sassariqueira, viu? Temos que descontar essa com uma girly night de responsa! Beijão.

    • Demorei pra te responder esse comentário, mas queria dizer que no dia que eu li eu quase comprei meu ticket pro Brasil! Girly night de responsa? To dentro!!! 😀

      Beijos em cada bochecha da Maria Machadão! hahahahaha

  8. Ah, 10 anos se passaram e acho que todos nós continuamos bobos! E acho isso é muito bom!

  9. Ai Lú! Rolou uma identificação na parte do coala (também tenho um exemplar em casa) e na foto zumbi. Somos gêmeas? Beijos!

  10. Mulher, bebês coalas aparentemente são muito comuns. Até demais.
    Eu tenho vídeos do Lorenzo feitos pelo meu pai que era só alguém pegar (não sendo mamãe) que o bolutcha começava a resmungar, fazer bico e chorar. Eu pegava ele parava i-m-e-d-i-a-t-a-m-e-n-t-e e dava risadinhas. Um malandro de primeira!

    Fico feliz que vc tenha recebido muitos abraços, eu já me dou o luxo de reclamar da familia um pouco “pegajosa” que tenho na Itália…. Quando vamos visitar são dois beijos (um em cada bochechona), abraço, café e uma fatia de panettone) – isso quando o pessoal não está de “muita conversa”… imagine 😉

    Beijos

    ps: Lindos os desenhos do projeto 365! 🙂

    • Pois é, aqui falta abraço fora de casa, mas pelo menos tem muito em familia! A começar pelo grude do meu exemplar de coala! 😀

      Agora essa fatia de panetone me deixou com água na boca. Posso visitar sua familia? Só pelos abraços, juro!!! hahaha

      Beijos!

  11. Essa do marido “sassaricando” por aí foi ótima Lu! Parece que é uma situação muito comum – rsrsrsrs. As mamães vão para o céu direto sem pegar fila e sem prestar contas!!!! Bjs com muitas saudades!!!

  12. Fico tão feliz quando meu Feedly mostra uma atualização sua!!!
    Já achava Lilynda demais, agora que a associou com um coala então… oh menina irresistível. Eu acho que é vc que não consegue desgrudar dela! rsrsrs

    Podia passar um pouco desse grude da Liloca pro maridão sassariquento né? Será que existe uma simpatia pra isso? Nas próximas férias vc já trate de fazer uma heim?

    Beijinhos e até mês que vem! hahaha
    Tati.

    • Obrigada, Tati! Pois eu ainda to tentando me acostumar com o Feedly… Nada foi o mesmo depois que o Reader fechou, snif, snif!

      Menina, tem toda razão, confesso que também sou bem grude com ela!!! Já o marido, quando estamos no Canada eu não posso reclamar, mas no Brasil foi triste! Na proxima eu desconto tudo! 😀

      E mês que vem já chegou né? Ih… bora terminar de escrever o proximo post!!!

      Beijos!

  13. Oie
    Sou nova por aqui, mas li seu blog inteirinho!!!!
    Engraçado que fiz agora uma postagem falando sobre o (no meu caso) namorando que passou o sabado sassaricando e eu fiquei em casa…. Mas sem uma coala linda que nem a sua!!!!

    Bjs
    Joana
    blogdajojoaninha.wordpress.com

  14. Pode fazer mais 5 partes da viagem como essa que vou ler feliz ! Adoro sua forma engraçada e descontraída pra contar histórias. Adooooro ! Escreva mais. Beijos !!!! Ah, to acompanhando o projeto 365 diariamente pelo facebook. Beijos pras crianças !

  15. Luciana, bom ver vc por aqui de novo! Ainda bem que a minha fase zumbi + coala já passou. 🙂 Logo, logo a sua passa tb!

    Agora, que graça o Nic escolhendo a melhor forma de se comunicar com os amigos no Brasil. Fofo demais mesmo.

    bjim

    • Obrigada Liza!!! Vou te contar um segredo: minha fase zumbi ja passou!!! Mas é que demoro tanto pra postar que ainda não consegui contar aqui as novidades atuais! Bom, a coala continua, mas nada de ataques noturnos mais! 😀

      Beijos!

  16. Ai, Lu, só você pra me fazer rir alto às 11 da noite, a casa toda silenciosa já! Amo teu blog, e teu jeito de escrever!

    Mudando de assunto, vê se abre um espaço aí na sua agenda lotada (eu tenho que abrir na minha também!) pra gente papear um dia, nem que seja por Skype! Quero dicas suas sobre motivação (tô mais é precisando de um chute no traseiro pra me mexer, isso sim!) Quando nos vermos pessoalmente eu te dou um abraço daqueles, combinado? Falta calor humano por aqui mesmo, né? 🙂 beijão!

  17. ai que saudade que eu tava de te ler! 🙂
    que bom que esse “um mês” ja ta chegando e vou poder ler as aventuras de SP!
    tu me mata de rir Lu, mesmo! também sou a mesma boba de 10 anos atrás, e sério, fico pensando se com 35 anos ainda vou ser assim… meio criança as vezes… :p

  18. Pingback: O dia que eu fiz um book fotográfico |

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