O lado cômico da maternidade

Do ski-bunda ao divórcio

21 Comentários

Atire a primeira fralda quem nunca teve preguiça de fazer um programa com as crianças.

Porque é todo um processo, né gente? Correr atrás da criatura que foge rindo com a fralda metade posta, metade desbeiçada. Convencer o mais velho de que cueca não é touca. Conseguir a proeza de vestir e alimentar todo mundo a tempo, e claro, preparar aquela bagulhada toda pra levar, pra no final descobrir que esqueceu a coisa mais importante de todas – seja lá o que for essa coisa naquele dia.

Daí, chegando no lugar, você ainda tem que ter a presença de espírito pra separar motins, apaziguar disputas de posse, conter pitis, lidar com sono fora de hora, comida fora da boca, cocô fora da fralda. Tudo isso, além de conviver com a frustração de nunca conseguir terminar uma frase sequer com um outro adulto. Nunca.

Mas é aquela coisa. Nos dias que você mais espera que vai ter problemas, são os dias que todo mundo mais se diverte.

E vice-versa.

* * *

Acordei radiante.

Fui tomar meu banho e saí cantarolando aquela musiquinha super fofa, descontraída e que nunca sai de moda… Como é mesmo o nome, gente? Começa com “da da da”? Ah sim, King Kong e seu King Konguinho! Pena que o Nicolas pediu pra eu parar… Talvez eu tenha exagerado na coreografia.

Mas enfim. Não ligo, pois quem saiu perdendo foi ele.

O importante é que estávamos todos animados pra ir pras montanhas brincar de tobogã na neve! O famoso ski-bunda. Há semanas que o Nicolas vinha rezando essa ladainha de que queria fazer tobogã e pra nossa sorte, dona Lily acordou toda feliz e bem humorada. Tão bom quando as crianças já estão maiorzinhas e a gente sabe que vão se divertir, ne?

O marido fez panquecas pro café-da-manhã e estava mais disposto que o usual. O lugar fica só a 45 minutos de carro e a previsão era de sol com temperatura amena de 3 graus.

No caminho fui sorrindo e imaginando nosso passeio.

nicolilando_expectativa_maternidade_inverno_canadaBrisa fresca, madeixas ao vento, céu azul, dia ensolarado.

Crianças se divertindo, toboganando felizes e claro, protegidas com seus equipamentos de segurança pessoal. A cada descida, uma comemoração, vários uhuuus, vários abraços. VÍNCULO.

Eu, tomando meu chocolate-quente (mas não tão quente) orgânico, feito de cacau equatoriano, e aproveitando pra registrar cada momento com fotos espontâneas, nítidas e de fundo levemente desfocado. Captando com naturalidade cada sorriso, cada olhar de entusiasmo, cada abraço trocado.

No meio desse misto de euforia e serenidade, engulo seco ao notar um aviãozinho circulando em círculos com uma faixa pra mim. Nela se lia “te amamos”.

Oinnnnnnnn! Que fofos!!!

Até que chegamos ao destino. Acordo com uma baba sorrateiramente escorrendo no canto da minha boca.

nicolilando_realidade_maternidade_inverno_canada

Olho pro céu e vejo tudo cinza. Nada de sol, vento gelado e úmido. Fico pensando como o clima pode mudar tanto com 45 minutos de carro.

Olho pra Lily e vejo ali a expressão de uma criança emocionalmente desestruturada. Terá ela visto o Abominável Monstro das Neves no caminho? Não duvido.

– Quer sair do carro, Lily? – pergunto

– NÃO!!!!

– Quer ficar no carro?

– NÃAAAAAAO!!!!! – responde ela brava. O famoso paradoxo metafísico aplicado.

Não quer capacete, não quer luva, não quer brincar. E fico pensando como pode uma menina mudar tanto de humor após 45 minutos de carro. Logo ela, que gosta tanto de usar essas coisas e brincar na neve.

Já o Nicolas, pra quem passou as últimas 3 semanas me atazanando com essa conversa de tobogã, me surpreendeu ao de repente se tornar uma criatura estranha comedora de neve. O menino deve ter comido pelo menos uma montanha inteira nas duas horas que ficou lá sentado. Presenciei a olhos vistos os efeitos antropológicos na paisagem moderna.

Claro que o pior foi aguentar as suas constantes idas ao banheiro pra fazer xixi depois.

No mais, não teve avião com faixa, não teve sol, nem chocolate quente.

Mas teve alguém que apesar dos choros e das esquisitices das crianças, conseguiu se divertir e muito. Meu marido.

Puto.

 

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21 pensamentos sobre “Do ski-bunda ao divórcio

  1. E como sempre…. ameeeiii seu post!!! Desculpa, mas eu ri ta?…. rs…. to rindo ainda!!!

    E continue ilustrando…. da muito mais charme!!!

    Beijo pra essa família linda!!!!

  2. Estou amando esses posts ilustrados ! Têm tudo a ver com voce…..Nicolas comedor de neve, ri alto aqui ! que bom que voce ainda consegue encontrar tempo pra alegrar a gente. Bjs !

    • Tudo a ver, ne? Eu acho que complementa os textos como nem sempre as fotos são capazes! 🙂

      Sobre o comedor de neve – sem comentários! Hahaha!

  3. Hahaha, que divertido. Me fez pensar em cada vez que eu planejo um super passeio com minha bebê… nunca acontece como previsto. Em tempo: adoro seu blog, leio sempre.

    • Pois é! Deve ser uma lei materna! Se vc quase desiste de sair achando que vai ser um desastre, a cria se comporta. Se acha que vai ser otimo, a cria decepciona.

      Como lidar? 🙂

      Beijos!

  4. hahahaha Pode continuar ilustrando. Fica ótimo!!!!

    bjão em vc, nas crias e no maridão!

  5. Bom dia Luciana.

    Como sempre bom demais ler suas crônicas, e ainda + com ilustrações. Como é que você nunca pensou nisso?!?!?! Precious!

    • É isso que fico me perguntando, como NUNCA pensei nisso??? Mas acho que porque eu sempre pensava que se eu fizesse isso tinha que ser perfeito, que eu iria passar horas e horas desenhando e não daria conta. Mas daí eu fui vendo outros blogs com desenhos simples, às vezes toscos, e vi que passam a mensagem de qualquer forma. Então desencanei e to achando tao divertido que até recuperei minha inspiração pra blogar mais! 😀

      Beijos e muito obrigada pelo comentário!

  6. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, chorando de rir aqui!
    Adoro ler seu blog prilma!!!!
    Qualquer história se torna A história quando você conta!
    Devia fazer um livro de crônicas!

    • Eeeeeeh! Pois é justamente disso que gosto: de ver a parte engraçada em tudo o que nos acontece. Pra mim não tem motivo maior que esse pra eu escrever esse blog! 😀 Fico muito feliz que goste!

      Beijos e obrigada!!!!

  7. Muito bom! O post, não a tua experiência. 😉

    Sei bem como é. Alice morre de medo de escorregar também. Mesmo já tendo ido, toda vez que vamos (que nem é tão frequente assim), ela fica com medo e não quer saber de escorregar.

  8. HAHAHA, LU , VC NAO É REAL!!!!!!!!!!!!!!! BJ

  9. Adoro o jeito sarcástico como você escreve. As ilustrações tornam o texto doce e ao mesmo tempo engraçado! Bjos
    Aline Tillmann

  10. Que máximo esse seu blog..ri muito deste post…li vários, mas como o descobri hoje, ainda tenho muito pra ler…tenho um bebe de dois anos e meio e o rebento não dá nem sinal de querer tirar a bendita da fralda…vou tentar o método que vc falou.
    Abraço

  11. Ah! a propósito, sou essa Maribel aí ao lado e não esse bichinho vermelho da msg anterior kkkk

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