O lado cômico da maternidade


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Breakfast with Santa

E parece que o incidente com o Papai Noel com cara de boneco de ventríloquo não deixou traumas no Nicolas.

Final de semana passado fomos tomar café-da-manhã com o Papai Noel (que não era de madeira) e o Nic ficou fascinado… (Viu só? Quando foi que eu achei que fosse tomar café com uma celebridade um dia, gente?). Bom, não que eu planejasse criar esse fascínio nele pela figura barriguda com barba branca (e que normalmente só instiga o consumismo), mas estou tentando manter tudo num nível saudável de fantasia, com a estória do bom velhinho que vem lá do Pólo Norte (ali pertinho, viu?) voando em seu trenó puxado por renas e que faz brinquedos pras crianças que não podem comprar.

O evento aconteceu numa Community Center onde serviram panquecas, salsicha , suco e café/chá (típico café-da-manhã daqui), distribuídos em várias mesas. Teve a presença do Papai Noel que recebeu cada uma das crianças presentes no seu colo e pra minha total surpresa o Nicolas amou… Gostou tanto que chorou querendo ficar mais no colo dele. Daí foi aquele coro de gente falando “oh! soooooo cute….”.

Mas o que a gente mais gostou foi a banda que tocava lá. Gente, assistam esse vídeo pra ver que som espetacular… Eu amei!

O video eu fiz quando estávamos na fila pra entrar, daí adicionei algumas fotos do evento. Não reparem não, mas o Nicolas saiu com carinha de muxoxo todo sério e às vezes até parece que ele estava triste, mas é o jeitinho dele mesmo. Ele fica com essa carinha quando está observando tudo com atenção. Mas como todas as crianças ele também se soltou, dançou, riu e bateu palmas… só que nessa hora eu não quis saber de registrar … Afinal, quando é que eu tenho oportunidade de dançar uma música boa com uma galera animada? 🙂

– Mas mamãe, a “galera” era só de crianças de no máximo 5 anos de idade!

– Iiiiii Nic, me deixa!

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Bright Nights e quero passear de carro!!!

O Nic ama passear de carro. AMA!

Tanto, que agora deu pra dizer que ‘quer passear de carro’ toda vez que passa por uma experiência traumática.

Por exemplo, outro dia ele caiu e sofreu um cortezinho acima da sobrancelha e no meio do choro a única coisa que ele sabia gritar era:

– Qué passear de carro! Qué passear  de carro!

Passados uns dois dias, ele vomitou o almoço todo na roupa. Eu não sei explicar, mas o Nic costuma vomitar assim, do nada de tempos em tempos, mas sem estar passando mal. Daí ele chorou muito, porque esse negócio de vomitar não tá com nada (principalmente quando eu sei como é difícil fazer esta comida entrar!) e no caminho pro banho, lá vai o Nic chorando e gritando:

– Qué passear de carro! Qué passear  de carro!

Tadinho, foi aí que eu percebi que passear de carro pra ele é seu estado idealizado de bem-estar e funciona como uma válvula de escape pra qualquer experiência ruim que ele esteja passando.

* * *

Daí que outro dia fomos no Bright Nights no Stanley Park. O Bright Nights é um evento de Natal com um clima de magia muito bacana, onde eles decoraram as árvores dentro da floresta do parque com 2 milhões de luzinhas coloridas e pessoas vestidas de personagens infantis, e fica parecendo um mundo encantado.

A gente pega um trenzinho que vai percorrendo todo esse caminho, super frio por sinal, ao som de musicas natalinas. O passeio dura uns 15 minutos, mas é tempo suficiente pra gente esquecer de tudo ao redor e se teletransportar pra esse mundo fantástico.

Quando o trenzinho voltou pra estação fomos ver as outras atrações, entre elas o Papai Noel. Só que detalhe: o Papai Noel e todos os ajudantes eram de madeira e com movimentos mecânicos. As cabeças giravam de um lado pro outro e as bocas abriam e fechavam como aqueles bonecos de ventríloquo, todos coordenados.

No que eu me preparo pra tirar uma foto da figura, passa um garotinho na minha frente com cara de apavorado e gritando “qué passear de carro! qué passear de carro!”.

Não precisa dizer que era o Nicolas e que ele tinha acabado de ver o Papai Noel, né? E pelo tamanho do susto dele você calcula como era simpático o tal boneco e sua turma. #freaky

Apesar desse pequeno incidente, o passeio todo foi nota 10!

Nic, já recuparado e posando pra foto com um outro Papai Noel - esse, de plástico. #simpaticão

* * *

E já que a gente tá falando de Natal, queria aproveitar pra deixar duas dicas de presentes simples e bacanas.

  • O primeiro é um jabazinho pra minha talentosa irmã Patti que está fazendo uns chinelos com decoupage lindos! Esse da foto ela fez pro Nicolas, em tamanho maior pra ele usar depois que o inverno aqui acabar. E ele simplesmente adorou o cachorrinho! Fofo demais, né? Pra encomendar um e ver outros motivos, passa lá no blog dela, o Decoupatti. (E ela mora no Brasil, viu gente?)

  • Outra dica são dois cds com cantigas de roda personalizadas que eu encomendei pro Nic quando fomos ao Brasil. Quem faz é a Oficina de Criatividade, que grava várias canções de roda, só que usando o nome do seu filho. Uma das músicas é:

Marcha, soldado, cabeça de papel

Quem não marchar direito, vai preso no quartel

O quartel pegou fogo, o Nicolas deu sinal

Acode, acode, acode, a bandeira nacional

Vocês já viram coisa igual? Gente, eu amei!!!

Beijos!!!



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White Birthday

Eu sempre adorei o fato do meu aniversário ser no dia da Bandeira Nacional. Morando fora já não tem mais muito sentido, mas eu me lembro com saudade do tempo que eu era pequena e achava que todo mundo na escola ficava em fila com a mão no peito e expressão solene, puramente em minha homenagem. Achava o máximo que pros outros alunos se cantava Parabéns Pra Você, mas pra mim não – eram os Hinos Nacional e da Bandeira.

Bom, depois eu cresci e caí na real. Foi um choque, mas não maior que o choque que eu tive quando descobri que aquele barulho que eu escutava todo dia de noite – psc, psc, psc – NÃO era o barulho das estrelas piscando no céu como eu pensava, mas sim, cigarras cantando. Isso sim, foi muito pior.

* * *

E como já é sabido, a tradição aqui em casa é: fez aniversário, ganhou uma Semana Master pra ficar de pernas pro ar e receber todo o tipo de regalias. Sei. E com mãe isso lá funciona, gente? Mas pelo menos fui dispensada de algumas tarefas do cotidiano, como os banhos do Nic, o leitinho das 6:30 da manhã e ainda ganhei uma mão na cozinha, muitos abraços gostosos e até presentinhos. Muito, muito bom!

* * *

Pois então. Não ter tido o Hino Nacional, tudo bem, já estou acostumada. Não ter tido minha Semana Master totalmente de pernas pro ar, ok, já estou me acostumando. Mas, não ter tido aniversário com chuva??? Ah, isso sim, foi sem precedentes. Tenha sido no Brasil, na Venezuela ou até na Austrália, o dia 19 de Novembro sempre foi chuvoso. Tanto é que minhas festas de aniversário sempre foram marcadas por muitas pegadas molhadas pela casa e guarda-chuvas pingando encostados atrás da porta.

Agora, esperar que em Vancouver fosse ser diferente? Gente, Vancouver é a Londres do Canadá e muitas vezes é referida até mesmo como Raincouver. É chuva que não acaba mais, de Novembro a Março, e pra minha surpresa, o que eu vejo pela minha janela no dia do meu aniversário à noite? Neve, meu amigos, neve!!!

E depois disso, olha só o final de semana que ganhamos.

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* * *

E pra tornar o dia ainda mais especial e bacana, também tivemos o encontro super agradável com as queridas amigas Vanessa e Andrea, seus respectivos maridos e cria, no café com o melhor cheesecake da cidade. Queridos, obrigada por terem tornado meu dia ainda mais gostoso!  Eu simplesmente AMEI tudo!!!

E parabéns pra mim! 🙂


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Nosso Halloween

Quando eu era pequena adorava brincar com meu primo de assustar as outras crianças. Além das estórias extraterrenas e de além-túmulo que contávamos na rua à noite pra uma platéia mirim totalmente crédula, indefesa e de olhos arregalados, também adorávamos esperar as vítimas escondidos em pontos estratégicos e escuros da casa sob um lençol branco e com uma lanterna de luz tremulate. Bom, nesse último caso as tais vítimas eram meus irmãos de 5 e 2 anos… Tsc, tsc, tsc…

(Nic, meu bem, outra vez mamãe fez uma coisa muito, muito feia, né? só que desta vez acompanhada pelo tio Nael. Que vergonha… Mas o importante é que eles se arrependeram de tudo, viu querido? Tu-di-nho!)

Ai, ai… bons tempos aqueles… Depois meus irmãos cresceram, ficaram espertos e passaram a me dizer que susto mesmo eles levavam quando eu tirava a fantasia de fantasma… 😮

(Apesar do comentário absurdo, convenhamos que foi merecido, né Nic meu bem?)

E domingo passado foi dia de eu relembrar um pouco esse tempo de criança… E não, não tive recaídas e saí assustando as criancinhas, não! Agora eu sei me controlar! Já disse que me arrependi de tudo, né?…

* * *

Bom, esta foi a primeira vez que participamos de uma festa de Halloween fora do Brasil. Na Austrália eles também comemoram, mas como no primeiro ano o Nicolas tinha acabado de nascer e nossa maior preocupação ainda era “ai meu deus, quando é que a gente vai dormir de novo?”, a gente nem tchum pra essas frivolidades de trick-or-treat. Já no ano seguinte, acho que foi pura alienação mesmo, porque não lembro de nadica de nada de Halloween por aquelas bandas…

Mas enfim… desta vez a gente não podia perder. E há muito tempo eu não participava de uma festa popular tão bacana! A gente acompanhou uma multidão de pessoas fantasiadas pelas ruas de Yaletown, um bairro histórico de Vancouver, fazendo trick-or-treat pelos estabelecimentos, todos abertos. E eles davam doces, água e os restaurantes, até comida. Alguns se divertiram com seus cachorros fantasiados, outros com piñatas na rua…

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Mas não teve nada mais fofo que ver tantas criancinhas com fantasias diversas… E as folhas de maple tree caídas no chão deram um charme especial ao evento…

E depois de encher a sacolinha de tantas coisas gostosas, fomos pro Centro Comunitário brincar mais (e de graça). Lá encontramos aquele típico ambiente sinistraço, todo escuro, com músicas do além e uma decoração super assustadora. Ai, mamãe!!!! Mas o Nic amou tudo! Amou se exibir na passarela montada pras crianças desfilarem e dançarem, brincar no laboratório maluco ou se divertir vendo as caveiras, o cemitério e até filminho de fantasma.

MUITO bom! Só não foi melhor porque o papai não estava com a gente… Mas de qualquer forma já estou ansiosa pelo próximo ano e desta vez prometo que me fantasio também!


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O verão… e as portas de chumbo de Vancouver

Depois de passados mais de três meses que estamos aqui, é fácil perceber porque tanta gente gosta de Vancouver. Quem não gosta de todo dia ter inúmeras atividades bacanas pra fazer com os filhos ou de “tropeçar” em um parquinho diferente em cada esquina (né Nic?)? ou da facilidade de encontrar produtos orgânicos, da zero burocracia na hora de devolver mercadorias nas lojas, de conviver com a diversidade e poder escutar várias línguas diferentes sendo faladas, de ver todos os rótulos escritos em inglês e francês, de poder fazer tudo à pé, da existência de elevadores e acesso pra carrinho por toda parte, e claro, da beleza estonteante e segurança (pelo menos em parte) que a cidade oferece? Uma ma-ra-vi-lha isso aqui.

MAS no entanto, se por acaso, algum dia! o Seu Prefeito Vancouverite  quisesse ouvir a humilde opinião dessa figura materna que vos fala e me pedisse uma sugestão pra melhorar ainda mais essa cidade bacanésima, eu diria pra ele fazer uma grande campanha pra substituir todas estas portas de chumbo que dominam os estabelecimentos da cidade, por sensitivas e deslizantes portas automáticas. Ah! Que beleza seria…

Quê? Você acha que eu tô sendo fútil? É, pode ser… mas tenho certeza que as outras mães, que como eu, passam mil apertos por dia tentando segurar uma porta de 100kg de peso, a qual teima em fechar na sua cara de qualquer jeito por mais força que você aplique*, enquanto você tenta passar por ela com carrinho + criança + sacolas de compras + sombrinha (em dias de chuva), ficariam imensamente gratas com a reforma do Seu Prefeito.

*Ainda mais eu, que não tenho lá tanta força…

(Isso sem falar que por ai, nessa cidade tão grande e vasta, alguém já deve ter conseguido fotografar a ridícula cena – e bastante comum, devo acrescentar – dessa mesma mamãe, entalada e imprensada com carrinho, Nicolas e tudo numa dessas portas de 200kg (eu tinha falado 100? Não, tá mais pra 200) sem conseguir ir pra frente, nem pra trás… Tsc, tsc, tsc. Sorte que além de todas coisas boas que tem aqui, também há pessoas muito gentis e prestativas que sempre a salvam dessas situações de “porta justa”).

Bom, mas deixa de lenga-lenga e vamos nos concentrar em coisas menos queima-filme. O verão tá aí, a viagem pro Brasil é daqui há três dias e quando a gente voltar pra cá já não vai ser mais verão. Então, deixa eu postar algumas fotos dessa estação que eu só estou aprendendo a gosta aqui em Vancouver, senão vocês vão achar que a gente nem aproveitou nem nada.

Pois aproveitamos sim, e muito…

Nas fontes públicas…

No festival de cultura africana, onde o Nicolas deu um show de ritmo e graça ao dançar por 30 minutos sem parar, diante dos olhos de encantamento de várias pessoas (as quais não tiveram coragem de dançar também, mas que o aplaudiram com entusiasmo no final)…

No Water Park, na Greenville Island, pra onde fomos de AquaBus…

No Stanley Park, onde curtimos passeios pela orla, brincamos no parquinho, onde mamãe ensinou ao Nic que dá pra se divertir dirigindo o carro de bombeiro fazendo Vrrrrrmmm mesmo se o volante não mexe e ainda tiramos uma soneca na grama, os três juntos (claro que mamãe foi quem teve que se levantar pra registrar o momento)…

E no passeio pra Deep Cove, onde a gente admirou a paisagem e aproveitou pra almoçar ao ar livre…

Bom, isso além de muitas outras coisas, mas já deu pra entender que teve bom, né? E agora, que venha o Brasil!!!

 


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Querido Ícus

Acho que você tem curtido nossa vida cheia de atividades aqui em Vancouver, né? E já estamos até nos acostumando à elaborada logística de se sair sempre debaixo de chuvas! Veja só… logo a gente que morou tanto tempo lá naquele deserto!

Mas estas adaptações são mamão-com-açúcar comparado a ver você doente… Puxa vida, que aperto passamos nestas últimas semanas, hein meu bem? Depois de seis meses sem gripar, você já veio logo com duas gripes direto. Mamãe ficou com o coração na mão ao te ver vomitar de tanto tossir e não conseguir comer nadica de nada por quatro dias seguidos. O mais incrível é que você ainda conseguia sorrir pra mamãe logo após vomitar… Sorria com aquelas bochechas rosadas de febre e aqueles olhinhos caídos… E também nunca deixou de falar “saúde” pra você mesmo a cada espirro que dava. Tão fofinho…

Nic se sentindo todo importante com os sapatos do papai

Mas que bom que você já está melhor agora e voltou a ser o menininho pulante, falante e dançante de sempre. O primeiro indicativo de que você já estava bom foi quando você entrou no armário e saiu de lá fazendo o maior esforço do mundo pra andar calçado com aquela bota pesada do seu papi. E ainda sai falando “Oopsy Daisy, Oopsy Daisy!” que o papai ensinou você a falar pros momentos que ocorre algo inesperado, mas que você aplica pra qualquer situação de aperto. Como naquele dia que você entrou atrás do berço e não conseguia sair e ficou de lá gritando “mami, oopsy daisy! mami, oopsy daisy!”com voz de choro, até eu te resgatar.

E agora que você completou 20 meses, percebo que seus gostos e forma de brincar já começam a mudar… Desde que passamos a frequentar mais a biblioteca que agora você brinca sussurrando com seus bonequinhos e carrinhos. Também tem passado a se interessar mais por estorinhas antes de dormir e as vezes quer ouvir duas, três, quatro estorinhas, sempre pedindo “mais tória, mami, mais tória!”. E uma coisa bem inusitada, é que você  tem tentado entrar na casinha que não passa de 20 cm de altura ou nos carrinhos pequenos, junto com seus bonequinhos. Você fica lá tentando enfiar um dos seus pés e dizendo “entar, entar!”. E fica muito decepcionado porque não consegue…

Mas a coisa mais marcante do último mês foi que você por fim fala seu próprio nome: Ícus. Isso mesmo, pra você, Nicolas é Ícus. Uma coisa bem estilo romana, né? Ícus Magnificus? Biggus Ícus? Bom, mas de qualquer forma, toda vez que eu te chamo por esse seu “pseudonimus” você faz charminho, fica achando graça e fazendo hora pra olhar. Daí fecha os olhos, se vira pra mim e os abre de repente falando “Aqui Ícus!” ou “Achou Ícus!”. Tão lindo…

No mais, você agora balança a cabeça que SIM e NÃO corretamente, só quer descer e subir escadas em pé e sem se apoiar, aprendeu a aplicar os verbos no gerúndio (ex: Ícus descendo, comendo, etc), dirige o próprio pezinho quando calça a meinha com o desenho de carro,  fala “mais unha” quando quer que eu corte mais unha (?), ama ouvir música e pede constantemente “mais mucsa”, tem pedidos cada vez mais específicos como “mais suco DE morango/manga/etc” ou “mais massage cabeça/ombo/perna/etc” e atualmente seu passatempo predileto tem sido mexer na carteira do papai e distribuir cartões e dinheiro pra qualquer um, principalmente desconhecidos.

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Esse é o nosso Ícus!


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Getting *almost* settled

Então, mudamos de novo. Que vida itinerante-louca essa, hein gente?

Mas isso, é porque a gente estava num apartamento bem temporário mesmo, só o tempo necessário da gente achar um outro um pouquiiiiinho menos temporário… Daí, quem sabe daqui alguns meses eu não volto contando que encontramos um lugar mais permanente pra morar? 😉 Tomara!

Vista da janela do primeiro apartamento

 

Pelo menos o apartamento que estávamos ficando já era todo mobiliado.  Uma beleza, tirando que tinha aquele estilo todo modernete-cheio-de-quinas-e-vidro-totalmente-anti-crianças. Já esse aqui não, tem que comprar tudo. Ou quase tudo. A boa surpresa foi saber que aqui no Canadá a maioria dos apartamentos pra alugar já veem com geladeira, fogão, microondas, máquina de lavar, secar e até de lavadora de louça. Uma mão na roda pra gente que só despachou algumas poucas coisas da Austrália, mas nenhum eletrodoméstico. (Leia mais nos posts idos aqui e aqui)

Mas de qualquer forma faltava o resto da mobília. Assim que, pela quarta vez mudando em 5 anos de casados, lá fomos nós comprar tudo de novo! Aliás, fomos não, temos ido – porque decidimos dividir o programa comprístico em doses bem homeopáticas. Claro, com criança não dá pra passar mais que duas horas seguidas numa loja.

Imagina que nessa que fomos ainda tinha uma creche com playground. Coisa rara… Mas, com um aviso de todo tamanho na porta: LOTADO.

Assim, que lá fomos nós, pra difícil arte de fazer compras com  uma criança, e evitar que suas mãozinhas ágeis alcancem tudo o que quebra ou é cortante e ao mesmo tempo que consideramos com cuidado a nossa compra. Será que tem perigo dessa estante cair se quando ele subir nela? E o material desse sofá, será fácil de limpar se quando cair alguma coisa manchante nele? Será que compramos essa panela de teflon* que é fácil de lavar mas solta substâncias não bem vindas, ou aquela de aço super cara, não tão fácil de lavar, mas que não interage com a comida?

E antes de qualquer decisão ter sido feita, a cria, que há muito tempo minhocou, minhocou até o pai descê-la do carrinho, já percorreu a loja toda, cansou e tá pedindo pra ir embora “Mami, papi, vam boia!”.

Então não teve mesmo outra alternativa senão comprar tudo aos poucos. Um dia o colchão, pois ninguém aqui quer dormir no chão. Depois os itens de cozinha, porque alguém há de cozinhar. Depois adquirir internet, pois alguém há de blogar e skypar. E por fim, a televisão, porque ninguém quer ficar de fora da Copa!

E pra completar, na semana passada chegaram as coisas vindas do além-mar e a casa que estava bem vazia, de repente ficou lotada de caixas, pelas quais o Nicolas entrava em uma e saia em outra, como mágica. Parece divertido, né? Mas não! Era um verdadeiro caos – pelo menos pra mim.

E se até eu fiquei feliz em ver meus sapatos, livros e álbuns de fotos de novo, imagina o Nicolas, ao ver os brinquedos com os quais não brincava há mais de três meses?

Bacana demais.

Pelo menos um ponto positivo das mudanças de longas distâncias!

* * *

E como fiquei devendo, aí vão algumas fotos do aniversário do Rafa, que aconteceu há séculos atrás. E pra comemorar, fiz sua torta preferida de amendoim, a qual deve ser também a mais calórica do mundo. Coisa pra se comer a cada 5 anos.

Obrigada à eficiente conexão Fabiana-Gabriela pra me mandar a receita!

Ah! E pra quem se interessar, a receita é a seguinte:

Ingredientes: um pacote de amendoim torrado e moído de 500gr – creme de leite -leite condensado – 2 ou 3 pacotes de biscoito maizena -açúcar e leite. Como fazer: Molhe os biscoitos no leite morno até amolecer um pouco,forre o pirex, faça um creme com o amendoim torrado, creme de leite, açúcar a gosto e amoleça com leite e forre as bolachas, faça a mesma coisa até o fim do pirex e a última camada coloque o leite condensado cozido e enfeite (cozinhe o leite condensado em panela de pressão por 40 min).

Eu falei que era uma bomba calórica…

* Atualização: confirmando o que eu já suspeitava, de acordo com minha querida cunhada nutricionista, devemos dar preferência às panelas de aço inox, cobre ou vidro, pois as de teflon são realmente tóxicas. Coisa boa é ter gente na familia que entende desses assuntos, né? 🙂


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Foi ao dentista, largou a chupeta e se amarrou numa massagem

Eu vou contar três fatos sobre o Nicolas (na verdade alguns têm mais à ver com decisões que tomamos pra ele, mas tudo bem):

1º. Nunca gostou de massagem. Bom, pra começar, nos primeiros meses eu nem sequer conseguia encontrar o momento ideal pra fazer uma massagem nele. Isso porque shantala não deve ser feita quando o bebê está com fome, nem com barriga cheia, nem com sono, ou chorando. Pois sobrava algum espaço aí? Eu não conseguia encontrar.

Mas daí ele foi crescendo e os momentos foram aparecendo. O meu preferido era depois do banho, antes de dormir. Eu abaixava a luz, passava creminho, colocava a cabeça dele mais alta num travesseiro pro refluxo não incomodar… mas, ele só sabia chorar. Não tinha toque de borboleta que o acalmasse, e o momento que deveria ser relaxante era puro stress, então pensei que talvez massagem não fosse o lance dele e parei.

2º. Sempre usou chupeta. Eu sabia muito bem que chupeta é um condicionamento desnecessário que nós, pais, criamos pros nossos filhos e que no final das contas quem mais sofre pra perdê-lo são eles. Injusto né, e por isso mesmo decidimos que chupeta lá em casa não passaria nem perto… Bom, isso até o Nicolas nascer, ter muita dificuldade de dormir e mamar, e chorar muito. Por total falta de experiência pra pensar em outras alternativas, pensamos que talvez o que estivesse faltando fosse a dita-cuja.

Depois, viemos a descobrir que o que o incomodava mesmo era um negócio chamado refluxo. Então veio o doutor e disse que a chupeta era até muito bem vinda nesse caso, já que aumentava a produção de saliva e ajudava a combater a acidez. Amparados por essas palavras, e de consciência mais limpa, seguimos com a chupeta, apesar de sempre atentos ao melhor momento de tirá-la. No entanto, com o passar do tempo, a danada foi se tornando cada vez mais nossa aliada pra fazê-lo dormir, nas viagens de carro e avião, e assim o momento ideal de tira-la parecia estar cada vez mais distante…     

3º. Aos 18 meses de idade nunca tinha ido ao dentista. Apesar de todas as recomendações de levar os bebês ao dentista ao sair o primeiro dente, ou ao menos, ao completarem um ano, a gente decidiu adiar essa visitinha ao máximo. Eu previa um desastre, considerando o malabarismo que eu tenho que fazer pra conseguir escovar seus dentinhos todos os dias e sem falar no comportamento dele até mesmo pra cortar o cabelo – imagina se no dentista seria diferente…, eu pensava. Além disso, achei $170.00, um valor alto demais pra pagar pra ver. Então me agarrei com a Fadinha do Dente e pedi pra que ela protegesse os dentinhos dele até ele crescer só um pouquinho mais.

* * *

Bom, no final das contas, viemos pro Canadá e tínhamos que conseguir um dentista de família de qualquer forma. “Obrigada, Fadinha, mas o momento já chegou”.  

Acontece, que criança tem mesmo o poder de nos surpreender, né? Sempre! Coisa linda, isso… Não é que a gente foi nesse doce de dentista (dentista não deveria ser tão doce, mas essa é), que com suas luvas alaranjadas e toques delicados, conseguiu com que o Nicolas abrisse o maior bocão e ainda ficasse lá deitado super quietinho e FELIZ? E não fechou a boca nem quando ela terminou de olhar tudo! Surpreendente…  

Ela contou que os dentinhos dele estão de um branco alvo e perfeição jamais vistos super bem cuidados, MAS… que a arcada superior dava leves sinais de arqueamento. “Ele chupa dedo?” – ela me perguntou.

– Não, chupeta. Mas já tá parando.

E assim foi. Chegamos em casa e eu imediatamente escondi a chupeta. Nem pensei no que iria dizer pra ele. Na hora da soneca ele então me pediu. “Bico, mami.” (aqui em casa a gente chama de bico). Então eu falei a primeira coisa que me veio à cabeça e que eu sabia que ele entenderia “o cachorro comeu o bico” (a gente tinha acabado de brincar com uns cachorros no parque). Ele resmungou um pouco, pediu mais algumas vezes, mas dormiu. Também dormiu bem à noite nesse mesmo dia. No segundo dia é que acho que a ficha dele caiu e ele se deu conta que realmente não teria mais chupeta e chorou muito na hora de dormir. Foi uma hora e meia falando “cadê bico? Cadê bico?”. Fechava os olhinhos, mas não conseguia dormir.

Então ocorreu o inesperado. Instintivamente eu e o Rafa começamos a fazer massagem nele, cada um num bracinho e ele… AMOU. Ficou super relaxado e tinha momentos que até fechava os olhinhos. Depois disso, dormiu super bem.

E desse dia em diante, ocorreu a mágica inversão. O uso da chupeta deu lugar à massagem. Um conforto de melhor qualidade, que aproxima a gente e que não estraga os dentes!

“Maaaaaami! Paaaaapi! Mais massagem!”

* * *

Em tempo, um recadinho pra outras mamães:

– a facilidade de tirar a chupeta do Nicolas foi um caso em um milhão. Na maioria das vezes o processo envolve muito choro, sofrimento e noites mal dormidas, por isso, pense com carinho antes de oferecer chupeta ao seu bebê.

– eu tive o exemplo da minha irmã, que só foi largar a chupeta com 3 anos de idade, mas que mesmo assim teve sua dentição intacta. Por isso, no fundo eu pensava que chupeta talvez nem fosse tão prejudicial como todos sempre diziam. Agora, com o caso do Nicolas, sei que o efeito delas existe sim, e que o fato dele chupar a ortodôntica e só pra dormir também não ajudaram em nada.

– se seu filho já usa chupeta, não faça como eu e espere os primeiros sinais negativos do seu uso. Comece a tirá-la o mais rápido possível, e uma vez tomada a decisão jamais volte atrás.