O lado cômico da maternidade


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Nic e Moey

Os pais da Anita nos deram um livro ex-ce-len-te chamado Brincadeiras Criativas Para o Seu Bebê. Eu fiquei emocionada só de folhear o livro, que ensina a fazer entre outras coisas, bonecas de pano, marionetes, animaizinhos de lã, sinos de vento e um quadro lindo de pano, cheio de bolsos e ilustrações pra ser usado pra criança guardar seus brinquedos dentro do contexto criado no quadro (uma fazenda ou uma casa, por exemplo).

Daí eu comecei a ler, e fiquei ainda mais apaixonada. O livro segue a pedagogia Waldorf /Rudolf Steiner, cuja proposta é eliminar a palavra “pressa” quando nos inserimos no mundo infantil. A criança deve brincar e SÓ brincar, pelo simples prazer da brincadeira, além de ter muito contato com a natureza. Nada de torná-la uma unidade competitiva precoce, tendo que aprender isso e aquilo pra acompanhar o mundo acelerado de hoje.

E isso serve pra nós pais também, pois é uma grande oportunidade pra gente  parar, sentar e soltar a imaginação, colocar um pouco de nós mesmos nos brinquedos e depois brincar com a criança. Inventar estórias com ela, improvisar materiais como utensílios da cozinha, tecidos, pedrinhas ou madeira pra criar o cenário, e até mesmo encenar situações reais, o que pode ajudá-las no entendimento do que é certo e errado e seu papel na sociedade.

E dessa forma, a criança se desenvolve de forma tranquila, sem forçar e aprende o que é mais importante nessa fase da primeira infância: a se reconhecer como individuo, a se relacionar de forma carinhosa e respeitosa com os outros e ter autoestima.

E a interação pais-filho não poderia ser mais gratificante e enriquecedora… claro, se a gente se abrir pra isso, né? Participar das brincadeiras, facilita a construção de relações de confiança, a entrarmos no mundo lúdico delas, divertirmos juntos,  ensinarmos e também a aprendermos…

Os brinquedinhos do livro são mais próprios pra crianças até 2 anos, mas alguns podem ser usados até 5-6 anos, como o quadro por exemplo. O primeiro brinquedinho do livro que eu fiz foi essa bonequinha, que eu e minha irmã chamamos de Mel, mas o Nicolas a chama de Moey. Então é claro que agora o nome dela é Moey.

E sem essa de que menino não pode brincar com boneca, né gente? Afinal uma boneca nada mais é que a reprodução de um ser humano e eu acredito que brincar de boneca contribui pra que a criança se torne um pai ou mãe amorosos no futuro. Sem falar que os meninos sempre podem colocar uma boneca dentro de um carrinho e com isso dirigir com segurança! 🙂

Pra fazer a Moey, eu usei umas mantinhas que o Nic não usa mais, de pano bem macio e cores lisas, como sugerem no livro, e costurei à mão (como a corujinha, lembra?). Eu demorei dois dias pra terminar, entre uma atividade e outra. As características da boneca são bem simples, com expressão neutra, justamente pra deixar espaço pra que a criança imagine qualquer emoção humana quando estiver brincando. E uma vez que a boneca esteja pronta, é  importante tratá-la com o mesmo cuidado e carinho com que tratamos nosso filho, pois são estes os cuidados que estaremos despertando nele e é o que ele vai tentar imitar.

E isso é certo. O Nic adora a Moey, a pega com cuidado, abraça, beija e fala “Ei, Moey, ei neném”. E coincidência ou não, agora ele tem tentado abraçar toda e qualquer criança que encontra. Se abaixa pra olhar nos olhos, toca o rosto com cuidado e fica chamando de neném. Pena que aqui as pessoas desaprovem esse comportamento, mesmo entre crianças. Eu fico com dó de ver elas se afastando do Nicolas e dizendo “don’t touch me!”, mas por outro lado entendo, pois quando ligo a TV, vejo programinhas com bonecos cantando “Não toque, nunca encoste nos outros. Guarde suas mãos só pra você, tum, tum, tum”, e crianças dançando ao redor numa coreografia com os braços cruzados atrás ou no peito.

Mas é assim. A gente tem que se adaptar à cultura de onde estamos. Sem falar que o mais importante não é abraçar e sim respeitar o outro, com suas diferenças. E isso é o que a gente espera que ele aprenda no final das contas.

* * *

E o Plantão da Mudança informa:

o processo de mudar pode ser muito bom! Bom pra reconsiderar e reciclar todas aquelas coisas que a gente acumula com tanta facilidade né? Já vendemos o carro, nossa casa tá ficando vazia, mais espaço pro Nicolas correr, menos móveis pra ele tentar subir. Sábado vamos fazer um Garage Sale pra tentar vender o que falta. A partir desse dia a gente vai pra um hotel, aqui na cidade mesmo. E na semana que vem vamos pra costa leste da Australia, onde começamos nossa viagem de um mês. Porque não dá pra sair da Australia sem ter conhecido Sydney, Melbourne e Tasmânia, né? Vou contando!


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Brincando de costurar

Se tem uma coisa que eu adoro é fazer trabalhos manuais…  Daí, quando eu fiquei grávida, imaginei mil coisas pra fazer pro bebê que viria… Uma das coisas que sempre me fascinou foi pinturas diretamente na parede. Morria (e ainda morro) de vontade de fazer um desenho bem bonito numa das paredes do quarto do bebê e enfeitar as outras com quadrinhos personalizados. No entanto, como já relatei em outro post, a casa aqui é alugada e o pessoal da imobiliária é bem peculiar quanto ao que podemos fazer ou não na casa… E se eles não permitem nem quadros ou adesivos, o que dirá pintura… hahaha… Mas fica como plano futuro…

Daí, abandonei a idéia de pinturas e passei pra próxima: costura. Eu nunca tinha pegado numa máquina de costura, mas gostaria muito de tentar. Grande parte da minha vida, vi minha mãe costurando, mas nunca tentei aprender. Tinha tanta coisa que eu podia fazer… lençóis, colcha de patchwork, enfeites pro berço, bichinhos e até roupinhas…

Até saí pra procurar uma máquina pra comprar, mas a mais barata custava 400 dólares. Ui! Achei um investimento alto demais pra quem só tinha curiosidade. Acabei arriscando fazer uma corujinha à mão mesmo… gastei um tempão e acho que nem ficou tão mal…

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corujaFoi aí que apareceu a Ximena, minha amiga chilena, e me ofereceu sua máquina de costura emprestada. Não seria por muito tempo, já que ela se mudaria em dois meses, mas já dava pra brincar um pouco. Após uma aula rápida onde ela me mostrou as funções básicas, e após apanhar sozinha durante dias e perceber que nada era tão fácil quanto tinha parecido, consegui fazer alguns lençóis, fronhas e estas almofadas em forma de bala.

balas

No entanto, a Ximena se mudou antes do previsto e eu acabei não fazendo tudo o que tinha planejado. Mas foi o suficiente pra saber que eu me divirto muito criando e costurando!

Assim, estou pensando seriamente em comprar uma máquina pra mim daqui um tempo… Daí, se a criatividade e o Nicolas permitirem, ainda vou ter muito o que mostrar aqui! 🙂