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“Pequeno” guia do desfralde, parte 4 de 5 – O desfralde!

janeiro 27, 2012

Estratégias

Uma vez que você já tenha tudo o que precisa, crie uma estratégia pra começar o desfralde. Essa estratégia vai depender basicamente da personalidade do seu filho, da sua forma de ensinar e do tempo que você dispõe. Você pode decidir tirar a fralda diurna de uma só vez ou de forma gradual. Como aqui em casa o processo demorou por volta de 1 ano, tentamos as duas abordagens ao longo desse tempo.

1. Tirar de uma só vez costuma ser a forma mais eficaz. É ideal pra época de férias, quando você pode passar bastante tempo em casa e dar muita atenção à criança. Melhor ainda se estiver fazendo calor. Pra quem mora em lugares frios, sugiro aumentar o aquecimento dentro de casa durante o processo, forrar sofás e tirar os tapetes (se possível), já que o desfralde muito provavelmente vai ocorrer indoors e a chance de ter acidentes, pelo menos no início, é grande.

2. A retirada gradual pode ser mais demorada, mas é mais conveniente pra quem precisa sair muito durante o dia, ou pra quem acha que precisa de tempo pra se acostumar com a ideia e ver como o filho reage. Você pode começar deixando a criança sem fralda durante um par de horas no dia e ir aumentando o tempo à medida que ela for continuando seca. Ou então, tirar a fralda toda vez que estiver em casa e voltar a colocá-la na hora de dormir ou sair (inclusive pra ir pra escola se lá não houver opção de continuidade do desfralde).

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Facilite as coisas

1. Vista pro sucesso: Independente da estratégia escolhida, vista a criança com o mínimo de roupas possível e que sejam confortáveis e práticas de tirar (nada de jardineiras e calças com botões e zíperes).

2. Onde colocar o penico: A ideia é deixá-lo em lugares acessíveis, perto de onde a criança esteja brincando, assim tem mais chances dela chegar nele a tempo. Outra vantagem do penico em outras partes da casa é que tira um pouco a formalidade do processo, deixando a criança mais à vontade. A Flávia conta aqui que o João estava tendo muita dificuldade pra relaxar e fazer cocô no banheiro, mas quando ela teve a ideia de levar o penico pro quintal, perto de onde ele estava brincando, ele tirou de letra – possivelmente porque pareceu mais natural pra ele…

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Cocô e xixi

O primeiro cocô pode ser o mais difícil de acontecer. Nicolas demorou alguns meses até sentir confiança de depositar seu primeiro “biscoitinho”. Isso é algo que não se pode forçar de forma alguma, pois depende do amadurecimento físico da criança (controle dos esfincters) e do nível de relaxamento dela. Você pode tentar colocar o penico em outras partes da casa (como fez a Flávia) ou simplesmente permitir um tempo maior sentado no penico. Pra isso, tenha sempre à mão livros no banheiro, cante músiquinhas ou sente ao seu lado e jogue “conversa fora”.

No caso do Nic, dissemos que quando ele estivesse pronto e fizesse cocô no penico, que teria um helicóptero de brinquedo aguardando por ele (como contei aqui). E no dia seguinte ele simplesmente fez e com isso perdeu o medo (o que não quer dizer que tenha feito só no penico dali pra frente, mas já foi um grande avanço).

Já o xixi foi o primeiro a acontecer. Pra iniciar, incentivamos o Nic a fazer sentado no penico, sempre lembrando de colocar o pipi lá dentro pra não fazer no chão. Hoje em dia ele tem adorado fazer em pé e passou a fazer isso por iniciativa própria. E assim como o Bento, ele também adora fazer xixi no ralo quando está tomando banho. Alias, esse pode ser um ótimo momento pra encorajar quem ainda não fez xixi fora da fralda.

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Crie uma rotina

A princípio, pode ser difícil pra criança se lembrar de pedir pra ir ao banheiro, especialmente se ela está distraída brincando. Leva um certo tempo até que ela aprenda a ler os sinais do corpo, os interprete e responda à tempo. O Nicolas foi um exemplo que demorou MUITO pra desenvolver esse aspecto e pra ele era simplesmente mais natural fazer ali mesmo (e ainda continuar brincando).

Por isso, minha estratégia foi chamá-lo em períodos regulares durante o dia. Essa parte foi bem complicada, pois no início fiz mais ou menos como a Sarah com o Bento, sem definir intervalos certos, mas momentos chave: assim que ele acordava pela manhã, antes de comer e antes de dormir. Mas pro Nic não foi o suficiente, pois entremeio uma coisa e outra sempre tinha uma ou mais escapadas. Então passei a chamá-lo a cada duas horas e ele ainda tinha acidentes. Mas quando diminuí pra cada uma hora, ficou demais e ele passou a abominar o processo, se recusando a ir definitivamente. Foi aí que tiramos as nossas primeiras férias do desfralde.

Pra quem acha que lembrar a criança em horários regulares funciona, uma boa ideia pode ser ajustar o despertador com uma música divertida, assim a própria criança, toda vez que escutar pode sair correndo pra fazer xixi.

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Motive as idas ao banheiro

Mesmo a criança desfraldada ou em estágio avançado, precisa ser relembrada de vem quando pra ir ao banheiro. Fique atenta aos sinais de colocar a mão “lá embaixo”, no bumbum ou fazer a dancinha, pra lembrá-la de ir.

No entanto o Nic, mesmo tendo vontade, em geral responde “não” automaticamente se eu o pergunto “você quer fazer xixi?”. Assim, desenvolvi alguns métodos:

Ofereço opções: Você quer fazer fazer xixi no penico ou no vaso? Você prefere andar ou correr até o banheiro? Você quer fazer xixi antes ou depois do lanche?

Tento deixar as idas divertidas: Proponho uma corrida “Vamos ver quem chega primeiro ao banheiro?” ou o chamo pra seguir o trem (ou avião, ou foguete) “Olha o treinzinho pra Estação Penico saindo! Todos à bordo! Você vem, Nic? Piuíííí!”.

Ou simplesmente aviso que eu vou: e digo a ele que ele pode vir também se quiser “eu sento no vaso e você no penico, que tal?”.

E no caso dele se recusar a ir mesmo assim, tento respeitar e não insistir.

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Comemore as vitórias

Como falei no post anterior, pode ser uma boa ideia recompensar as idas com adesivos ou outra coisa que a criança goste, mas mais que isso, é essencial mostrar entusiasmo toda vez que ela fizer certo. Só tenha cuidado com o exagero. Aqui em casa eu percebi que por varias vezes demonstrei tanta, mas tanta alegria pelo Nic ir ao banheiro que obtive o resultado oposto: chegou num ponto que ele não queria mais ir.

Comemoração em excesso pode passar a idéia de que aquilo é tão desejado pra gente, que o desfralde passa a ser uma responsabilidade grande demais pra criança e ela acaba ficando assustada e nervosa. Tente manter um mínimo de naturalidade ao comemorar os avanços do seu filho. :)

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Menino (a) grande

Esse é um discurso que funciona bem com a maioria das crianças, pois em geral elas são doidas pra serem maiores e fazer coisas de menino grande. Claro que com o Nic foi o oposto, né? Eu não podia nem sonhar em falar que “agora ele era um menininho grande e já poderia fazer tudo no banheiro sem precisar de fralda” que ele ficava bravíssimo e dizia que menino grande que nada, o bom mesmo era ser neném (pode ser por influência da irmãzinha à caminho…). No entanto, fica a dica. Tente também compará-lo com outras crianças que já estejam desfraldadas “Olha, o seu amiguinho Arnaldinho já não usa mais fralda, não é legal?”, ou quem sabe até personagens de que ele goste “Sabia que o Buzz Lightyear só usa cueca e faz tudo no banheiro?”. Bom, isso foi algo que também não funcionou com o Nic, pois ele sempre negava “não, ele não usa o banheiro não, faz tudo na fralda também.”

Mas enfim, de repente pode funcionar com seu filho. :D

Boa sorte!

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PS: no próximo post vou tentar fazer um resumo de alguns problemas que podem surgir, com algumas soluções é claro, falar do desfralde noturno, além de passar alguns links úteis, falar algo que tenha esquecido ou que você queira saber (e eu saiba responder!)! Ufa! Tá acabando!

“Pequeno” guia do desfralde, parte 3 de 5 – Preparando pra começar!

janeiro 26, 2012

Então, a partir da observação dos sinais do seu filho, você decidiu que é chegada a hora do desfralde! A criança está pronta, você está pronta. E agora, o que fazer?

Antes de tudo, ajuste suas expectativas! A idade perfeita pro desfralde varia com cada criança. EM GERAL ocorre entre 18 e 32 meses, mas Nicolas por exemplo, desfraldou com 38 (3a 2m), enquanto uma coleguinha dele aqui demorou até os 3 anos e 8 meses e até hoje tem muitos acidentes.

No caso do Nic, apesar dos 3 anos completos, percebi que além do processo de desfralde que não avançava (ele já sabia fazer tudo no banheiro, mas nunca pedia pra ir e não se incomodava em estar sujo ou molhado, mesmo usando cuequinhas), ele também demonstrava outros sinais de ser emocionalmente jovem pra idade. Foi interessante perceber que na EXATA semana que ele desfraldou, começou a falar TODAS as frases usando a primeira pessoa, passou a interagir mais com as outras crianças e brincar junto, e não levar tanto as coisas na boca como ele ainda fazia. Foi um desenvolvimento geral.

Estatisticamente, meninas em geral desfraldam antes, mas isso não é regra! Pra qualquer criança o processo pode levar uma semana, mas também 6 meses, 1 ano ou mais… ou seja PACIÊNCIA é a chave. Não comece esperando um desfralde de novela, de um dia pro outro (né, Luciana?). Aprender a usar o banheiro deve ser uma experiência gradual e tranqüila.

E por último mas não menos importante, nunca se esqueça que deixar de usar fraldas não é atestado de inteligência ou esperteza!

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Então vamos nos preparar?

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Abordagem

Existem dois fatores mágicos que podem fazer seu filho miserável ou muito feliz; que podem transformar a experiência toda num desastre ou num sucesso absoluto. São sua atitude e paciência! A forma como você abordará o desfralde, pode definir o ritmo de todo o processo, lembre-se sempre disso! Não pressione, tente não ficar brava com os acidentes e não castigue jamais.” E. Pantley

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Voltar ou não atrás?

Muita gente me falou que uma vez começado o desfralde, nunca deveria dar um tempo no processo. Mas percebi que no nosso caso, tirar férias do desfralde e voltar às fraldas foi essencial, não só uma, mas várias vezes. Se você percebe que está começando a perder a paciência toda vez que o xixi e o cocô escapam, que está esperando mais do que a criança está progredindo, que seu filho começa a se recusar a ir ao banheiro (trauma começando!) ou nunca ligou por estar sujo ou molhado, minha sugestão é: interrompa!

Continuar nessas condições pode piorar tudo, fazer seu filho se sentir um fracassado, indiferente ao processo (ah, quer saber, tô cansado disso, não quero mais não), provocar constipação ou infecção urinária, além do stress em casa.

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Suplementos necessários

1. Penico (troninho) ou redutor (adaptador)?

Eu achei que penico é bom por ser móvel, acessível à criança e por dar apoio aos pés. O maior inconveniente é ter que limpá-lo, mas isso eu faço colocando água ANTES de jogar o cocô fora. Ajuda a soltar! :) Gostei bastante do redutor também, que pode ser usado depois que a criança já se acostumou ao penico e é conveniente pra levar pra outros lugares. Quanto ao troninho musical, na minha opinião é totalmente supérfluo, se a criança não está pronta, não é uma musiquinha *irritante* que vai fazê-la conseguir.

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2. Cuecas, calcinhas, fraldas de pano ou pull-ups (fraldas de treinamento)

Minha mãe sempre falou que nunca teve problema pra desfraldar os três filhos, pois ou vivíamos brincando pelados ou usávamos aquelas fraldas de pano, que quando molhadas incomodavam muito e até provocavam assaduras. Nos tempos de hoje, as fraldas são tão confortáveis, que a criança muitas vezes nem chega a sentir incômodo.

Então, minha primeira tentativa foram com as fraldas de pano modernetes, comprei 10. Infelizmente, apesar da minha boa intenção, constatei que morando onde eu moro, com chuvas 95% do ano, ter fraldas de pano é impraticável, simplesmente porque elas não secam a tempo e meu estoque teria que ser BEM maior.

Assim, passei pras cuequinhas, escolhidas pelo Nicolas. Mas eram tantos, tantos acidentes, por dias, semanas, meses, que me rendi às pull-ups. São super práticas pra tirar, seguram as escapadas, mas… são fraldas, né gente? Se Nic não se incomodava de estar molhado nem usando cuecas, que diria pull-ups. Daí, no caso dele, que ainda não estava pronto pro desfralde, achei essa a melhor solução até que o tempo dele chegasse e eu pudesse deixá-lo só de cuecas.

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3. Banquinho baixinho

Essencial pra quando a criança começa a usar o vaso e pra lavar as mãos. Aqui em casa temos banquinhos desses espalhados por toda a casa e o próprio penico tem uma tampa que fecha e vira um. Existem de todos os modelos, com escadinha, de madeira, de plástico. Eu comprei o mais simples e barato.

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4. Prêmios e incentivos

Muita gente é contra, mas aqui funcionou muito bem, principalmente no início, pra encorajar o Nic a fazer seu primeiro xixi e cocô no penico. O prêmio mais popular aqui em casa foram os adesivos. Não sei no Brasil, mas no Canadá se encontram livros inteiros só com adesivos de variados temas (Carros, Toy Story, princesas, etc).

Daí, a ideia é usá-los como recompensa a cada vez que a criança usar o banheiro. Nic colava os adesivos no penico, na sua cama ou numa cartela e a cada 10 ou 15 ele ganhava algo especial – um brinquedinho de 1 dolar, uma balinha, um m&m ou um passeio. A Silvania deixou um comentário dando a ideia pra amantes de carros como o Nic, de se fazer uma pista de papelão pra ir colando os adesivos ao longo dela. Quando a pista estiver completa, o menino ganha um carrinho de presente.

Mas cuidado, pois algumas ciladas podem aparecer no caminho… Nic por exemplo, aprendeu a trapacear e depois de um tempo passou a fazer xixi parcelado só pra ganhar mais adesivos ou segurava o cocô pra não fazer junto com o xixi e ganhar mais também. E com os prêmios, nunca consegui motiva-lo a comunicar sua necessidade de ir ao banheiro. Eu por exemplo, o encontrava todo mijado e então dizia “tá vendo, agora não vai ganhar adesivo, pois você já fez na calça, pra ganhar tem que ir ao banheiro” e com isso ele chorava e dizia que queria fazer no penico TAMBÉM. Corria no penico, fazia 1 gota de xixi e reivindicava o adesivo. Isso me fez abortar a estratégia e a partir de então passei a não dar mais recompensas por usar o banheiro, só elogios, beijos e abraços. Mas achei que pro início funcionou bem.

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5. Livros

Para os pais: recomendo muito esse livro da Elizabeth Pantley, do qual tirei várias ideias pra desfraldar o Nicolas e me senti menos perdida. Infelizmente, ele não existe ainda em português, mas pra quem lê inglês, sugiro comprar aqui ó, que não tem frete pra maior parte dos países, incluindo o Brasil.

Para a criança: apesar do primeiro mal-entendido, o livro “O que tem dentro da sua fralda?” é o preferido do Nicolas. A história é inteligente, as ilustrações são lindas e o livro é bastante interativo.

“Cocô no trono” foi um que MUITA gente recomendou, mas não sei porque nunca comprei. Deixo a dica.

Outro livro que o Nic ama (e a gente adora ler pra ele) é “Marcianos adoram cuecas”. A história é super divertida, as ilustrações muito fofas e apesar de não falar diretamente de desfralde, faz a criança captar que usar cuecas (ou calcinhas) pode ser o máximo.

Além desses há outros mais genéricos com barulho de descarga pra criança apertar, há um que só encontrei em inglês, mas que também gostamos muito (My big boy potty e My big girl potty) e também deixo a sugestão de se fazer um livro personalizado com fotos reais do seu filho sentado no penico, pegando papel higiênico, lavando as mãos, etc.

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Nossa, tô me sentindo tão disciplinada escrevendo estes posts todo dia. :)

Bom, mas agora vou lá que daqui a pouco tenho consulta com a midwife. Completo 39 semanas de gravidez hoje! Beijos e até o próximo post!

“Pequeno” guia do desfralde, parte 2 de 5 – O pré-desfralde

janeiro 25, 2012

Essa é uma etapa muito importante do processo, mas admito que só fui me dar conta disso depois de já ter iniciado o desfralde com o Nicolas. Mas se a gente pensar bem, vai notar que pra uma criança aprender uma nova habilidade, ela raramente vai desenvolver isso de uma só vez. É como aprender a caminhar. Primeiro vem o controle do pescoço, depois a criança começa a engatinhar, anda segurando nossa mão, os moveis, até os primeiros passos tremulantes (e aquelas pernocas gostosas?). A partir dai ela aprende a andar com segurança (e o bumbum rebolante?) e logo já estará correndo (volta aqui, menino!).

Da mesma forma, o desfralde não é uma habilidade que as crianças aprendem de um dia pro outro, do nada, né? O processo requer familiarização com tudo o que o envolve o desfralde antes dele ser iniciado pra valer.

A Elizabeth Pantley dá umas dicas bacanas pra essa etapa no livro dela:

1. fazer comentários casuais sobre o “processo de eliminação” toda vez que for trocar a fralda da criança – “nossa, olha só quanto cocô saiu do seu bumbum!” ou “sua fralda está molhada porque você fez xixi. Já a mamãe faz xixi no vaso.”

2. quando notar que ela está fazendo cocô na fralda, ajudá-la a identificar o que está acontecendo – “você está fazendo cocô agora. Quando você ficar maior, vai poder fazer isso lá naquele vaso”.

3. de vez em quando, jogue o conteúdo da fralda no vaso e deixe a criança dar descarga – “tchau, cocô!”.

4. trate tudo da forma mais natural possível (a autora sugere aqui evitar palavras negativas em relação ao cocô, mas o Nicolas sempre adorou quando eu falava “eca! que cocô fedido!”. Então acho que isso depende…).

5. no dia-a-dia, ensine o vocabulário básico ligado ao processo – partes do corpo, penico, vaso, descarga, papel higiênico, xixi, cocô e muitas palavras descritivas, como molhado/seco, lavar/secar, limpo/sujo, subir/descer, pare/vai, agora/depois, com/sem.

6. se se sentir confortável, deixe a criança te acompanhar quando você for ao banheiro

7. apresente um penico a ela (se você decidir comprar um) contando pra que serve e deixe-o no banheiro pelo menos nas primeiras semanas, pra que ela entenda a relação. Se ela se interessar, deixe-a sentar no penico com as fraldas ou roupas postas. Não force nada! Se ela quiser se levantar, permita.

8. incentive a independência da criança – por exemplo, abaixar e levantar as calças, tirar a jaqueta, o sapato, levar um prato à mesa ou subir no carro sozinha. À medida que ela for dominando cada coisa, vai ficar cada vez mais confiante e querendo fazer mais e mais. Esse tipo de atitude vai ser muito importante no desfralde.

9. leia livrinhos sobre desfralde (vou dar dicas em outro post), mas sem expectativas, somente pra que a criança se torne familiar com o assunto de uma forma divertida, lúdica e relaxada.

10. se o clima permitir, deixe-a sem roupa algumas horas no dia ou finais de semana

“Pequeno” guia do desfralde, parte 1 de 5 – Meu filho está pronto?

janeiro 24, 2012

Introdução

Ninguém disse que é tarefa fácil ser pai e mãe, tomar sempre as melhores decisões em relação aos filhos, confiar que absolutamente tudo acontece a seu tempo e relaxar.

Mas você, depois de ter esperado 41 semanas pro seu filho nascer, vencido 15 meses de crises refluxentas, 27 meses sem nunca dormir a noite toda e três anos escondendo abóbora no molho de tomate do macarrão e espinafre no suco de morango pra ele comer alguma coisa, você chega a pensar que está preparada pra aceitar o tempo dele pra tudo.

Pois é. Isso até que…

…você começa a se descabelar quando ele completa 2 anos e meio e não apresenta o menor interesse em deixar de usar fraldas

…passam os únicos dois meses quentes do ano e ele te diz que se depender dele “quer usar fralda até ficar grandão”

…ele completa 3 anos e você finalmente decide que é tempo dele começar a frequentar uma escolinha, mas daí você descobre que só o aceitam se for desfraldado…

…no mesmo dia você o pega sentado sobre uma fralda cheia de cocô, na maior alegria que você já presenciou

…daí você pensa em adiar mais a escola, até que se lembra que dali a poucos meses terá não somente esse, mas um segundo bumbum pra limpar e trocar

…você então tenta conversar com seu filho de novo e ele diz que “não gosta de penico, nem vaso, nem cueca”

…daí ele passa dos 3 anos e você decide reforçar a coleção de livros com mais exemplares sobre desfralde.

Lê pra ele o livro “O que tem dentro da sua fralda?” que mostra o que tem na fralda de vários animaizinhos (#1-2), até que o último tem a fralda vazia (#3). Então você pergunta ao seu filho porque o ratinho não tem nada na fralda dele, esperando a resposta chave “porque ele fez no penico”.

Mas ele te surpreende com a seguinte interpretação: “porque a mamãe dele trocou a fralda”. E nem mesmo a figura mostrando claramente o penico cheio de cocô (#4) o convence do contrário.

(…)

Então você suspira fundo, esquece as temperaturas negativas que se aproximam, a escolinha, a bebê que vem por aí e finalmente admite que não é o tempo dele de desfraldar. E resolve tirar férias do processo.

Bom, o resto da história vocês já sabem daqui. Aliás, obrigada de coração a todos que comentaram, torceram e vibraram com o resultado!

* * *

E porque esse assunto nos rendeu pano pra fralda aqui em casa (e ainda me fez ler um livro completo sobre desfralde – the no-cry potty training solution), resolvi compartilhar com você em 5 partes, tudo o que experimentei e aprendi com o Nicolas, o livro e outras mães. De repente alguma coisa pode ser útil pra você!

Nota: obviamente não sei quantas partes vou conseguir publicar antes da Lily nascer. Torçam pra que eu não termine esse guia somente no final do ano! :D

* * *

PARTE 1 – MEU FILHO ESTÁ PRONTO PRO DESFRALDE?

*

Como muito bem diz a Mari Mari, desfralde ideal é desfralde limpo – sem lambança, sem limpa daqui, limpa dali. E desfralde limpo só acontece no tempo da criança, como muito bem aprendi. Mas o bom da maternidade é que nem tudo é definitivo. Percebeu que tá forçando a barra, comparando seu filho aos outros e que o tempo da criança ainda não chegou, PARA tudo e recomeça em outra época. A paciência e atitude da mãe podem ser peças chave pro processo dar certo. Believe me.

*

Sinais que podem indicar se seu filho está fisica e emocionalmente pronto pra começar o desfralde:

1. reconhece e avisa quando está com a fralda molhada ou enxuta e pede pra trocar

2. muda o comportamento quando está fazendo cocô (fica mais concentrado, se isola num canto ou faz força)

3. os horários de fazer cocô são previsíveis

4. mostra interesse em usar cueca (ou calcinha)

5. não demonstra resistência pra usar o penico ou o vaso sanitário

6. entende o significado das palavras molhado, seco, cocô, xixi, limpo, sujo, lavar, sentar, ir, penico, fralda, etc

7. gosta mais de colaborar que ir do contra

8. reconhece os sinais físicos que indicam a vontade de ir ao banheiro

9. entende pequenos comandos como “guarde o brinquedo na caixa” e entende que cada coisa tem seu lugar

10. entende algumas estórias e presta atenção em pelo menos nas mais curtas

11. gosta de imitar o que os outros fazem

12. mostra interesse quando vê alguém usando o banheiro, fica curioso

13. consegue ficar sentado e concentrar-se numa tarefa

14. consegue ficar períodos de algumas horas com a fralda seca

15. já tem entre 24 e 30 meses ou mais

16. não se assusta e é familiar com o barulho da descarga

17. consegue comunicar suas necessidades básicas, tem um bom vocabulário

18. demonstra alguma independência, quer se vestir sozinho, subir pra sentar na cadeirinha do carro, comer sem ajuda, etc

19. quando seu filho quer fazer as coisas acima, você tem paciência em ensiná-lo

20. você considera o desfralde bem vindo e seu instinto diz que seu filho está pronto pra isso

21. grandes mudanças na rotina não são aguardadas pra breve

*

Ele definitivamente não está pronto se…

1. fica no penico e depois faz xixi no chão

2. resiste em usar o penico ou vaso sanitário

3. não quer trocar a fralda, grita e se debate quando tentam tirá-la

4. senta sobre a fralda cheia de cocô, na maior alegria (ele não se incomoda de estar sujo ou molhado)

5. diz “não, não, não” se os pais comentam que está pronto pra fazer cocô

6. ainda não identifica a vontade de ir ao banheiro ou não a comunica

7. você, mãe, ainda não considera que o desfralde seja importante agora (ou está com preguiça, ou sem paciência)

8. você prefere fazer tudo por ele ao invés de incentivar sua independencia, pois assim é mais rápido e fácil

9. você e a família estão passando por algum momento estressante ou espera grandes mudanças na rotina em breve – viagens longas, mudança ou reforma da casa, nascimento do irmãozinho

10. você está cedendo a palpites da família, escola ou pediatra, sem observar os verdadeiros sinais do seu filho

11. desfralde tornou-se uma batalha na sua casa e você está ficando nervosa com tantos acidentes (que a propósito, são parte do processo e a criança não deve jamais ser castigada por isso!)

12. seu filho está constipado (efeito colateral de que a criança pode estar segurando o cocô, ou seja não está pronta pro desfralde)

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PS: Pessoas queridas, quem quiser indicar posts, matérias ou livros sobre o assunto, por favor deixe nos comentários que vou fazer um post só com os links úteis, tá bom? Beijos e obrigada!

Tá sentada? Nic des-fral-dou!!!

janeiro 9, 2012

(Foto por Belle Meinerz)

SIM, ACONTECEU!!!

Após meses e meses limpando chão, sofá e tapetes, tentando diferentes abordagens, métodos, simpatias, conversando com Deus, apelando pro Universo, Mãe Natureza, duendes, elfos e até Papai Noel, é com muita alegria e orgulho que venho hoje compartilhar com vocês, amigas fofas e educadas, que nunca falaram nada, mas aposto que já deviam estar de saco cheio de toda essa ladainha de não-desfralde, que Nic é finalmente menino desfraLdado!

Confesso que os ânimos melhoram muito quando decidimos tirar FÉRIAS de tudo. Porque né, desfralde de novela sim, mas mexicana, não, por favor!

Então, foi cerca de um mês deixando ele curtir tranquila e livremente seu amado estado de fraldulência (enquanto eu também curtia um descanso!). Um mês sem proferir as frases “quer fazer xixi?”, “vamos ver quem chega primeiro ao banheiro?”,  “mas o Relâmpago McQueen não usa fralda…” ou “vai, toma aqui esse chocolate pra você não fazer mais cocô na calça hoje”. Um mês inteiro sem as palavras penico, vaso, cueca, seco, molhado, menininho grande ou responsabilidade ecológica.

E ao final desse relaxante período fraldado, logo depois do borogodó de fim de ano, retomamos o processo. Respirei fundo, pedi auxilio da vovó (que realmente caiu do céu e foi ESSENCIAL pro sucesso da operação desfralde), atacamos a gaveta de cuequinhas e eis que Nicolas estava PRONTO – e em pleno inverno canadense, hein!

No primeiro dia tivemos que chamá-lo a cada 1h e meia mais ou menos, mas já no dia seguinte aconteceu o tão aguardado momento… Aquele de arrepiar os cabelim do braço, de fazer o coração acelerar tanto que quase sai pela boca, aquele que lhe arranca uma lagrima teimosa do canto dozói e te nubla os sentidos. “Quero fazer xixi no banheiro”. Poético, lindo e tocante, que só uma mãe que também tenha esperado tanto por isso não vai achar um exagero meu.

E de lá pra cá, amigas, foram pouquíssimos acidentes. Hoje, depois de uma semana quase, Nicolas tem sido impecável e consegue manter a mesma cuequinha sequinha do inicio ao fim do dia (incluindo ontem que fomos pra Whistler e teve direito a soneca no carro, restaurante, passeio no teleférico, brincadeiras na neve e um montão de camadas de roupas que levava um tempão pra tirar a cada vez que ele tinha que ir ao banheiro).

ORGULHO!  Não tenho outra palavra pra descrever essa conquista!

Agora, quando eu me recuperar dos estremeliques que ainda sinto toda vez que escuto “quero ir ao banheiro” e processar direitinho esse grande acontecimento, volto pra contar todos os métodos e truques que eu apliquei, o que ajudou e o que não deu certo. Sinto que tenho o dever o de escrever um Manual do Desfralde depois da minha experiência com o Nic! :)

Enquanto isso, deixo aqui meu agradecimento especial pra minha mãe que foi de grande ajuda levando o Nic ao banheiro, lembrando-o com jeitinho se ele não precisava fazer xixi e tal. Com isso, chegou num ponto que Nic só queria ir ao banheiro se fosse com ela… o que pra mim foi perfeito! :D

Obrigada também à ATCTST – Associação Toda Criança Tem Seu Tempo, por me lembrar que devemos SEMPRE acreditar e ter paciência com todo e qualquer  processo. Não adianta descabelar e se preocupar – tudo um dia acontece, demore mais ou menos.

Mas enfim, ele desfraldou! Ele desfraldou! :D

PS: Incrível, o ano mal começou e já tenho mais um item riscado da minha lista de resoluções! E o melhor, antes da Lily nascer! Eeeeehhhh!!!

O Papai Noel e a vovó

janeiro 4, 2012

Analisa comigo: você acha que é possível superar um Natal, que apesar de não ter tido neve, teve árvore com enfeites de feltro feitos à mão por mãe e…cof, cof, filho, presépio de papel marché, luzinhas em volta da casa, visita do Papai Noel em carne, osso e hohoho e ainda por cima a presença de uma das avós lá do Brasil? Fala se não é imbatível?

Tão imbatível, que Nic, talvez envolto por toda essa atmosfera de plenitude e contentamento (haha), tenha se sentido tão realizado, que nem sequer quis saber dos seus presentes. Bastou-lhe um carrinho de menos de 10 dólares, supostamente deixado pelo Papai Noel na noite anterior, pra ele sair na mais completa felicidade, mesmo sob brados de “Nic, tem mais presentes pra você!”. Pois sabe o que essa alma desprendida nos disse? “não, só quero esse carrinho mesmo”.

3 anos de idade, gente, e já ensinando tanto. :)

Então foi assim que se deu inicio à nunca antes imaginada “poupança de brinquedos” aqui em casa, onde guardei todos os outros presentes que ele nem sequer abriu pra uma possível ocasião futura em que eles se façam necessários.

* * *

Quanto ao Papai Noel, esse foi um espetáculo à parte. Rafa, depois de muita persuasão, aceitou procurar uma roupa pra se vestir do bom velhinho. Mas como ele não é muito fã de fantasias, ficou até o ultimo momento tentando me convencer que EU era a pessoa mais adequada pro papel, já que nem travesseiro pra simular o barrigão eu precisava. #insensível

Mas incrível como as coisas mudam. Imagine você, que terminada a encenação, Rafa tenha gostado tanto da experiência que saiu dizendo que mal podia esperar pra se vestir de novo no próximo ano. #virafolha Mas não posso culpá-lo… Realmente foi muito bonitinho ver o Nicolas achando que ele era o Papai Noel de verdade e até levando a mãozinha na boca tamanha foi sua surpresa. O mais engraçado é que ao invés dele querer abraça-lo, chegar perto e tal (coisa que a gente queria mesmo evitar pra ele não reconhecer o pai por trás daquela barba branca), ele ficou foi correndo pela casa totalmente eufórico enquanto o Papai Noel andava atrás dele.

Infelizmente nem tudo foi perfeito, e a filmagem de toda a cena que havia sido exaustivamente ensaiada nos bastidores (em meio a muitas gargalhadas), ficou seriamente comprometida, já que o aparado filmador estava – pasme você – sem espaço pra mais vídeos. Assim, pesada e andando como uma pata choca, tive que sair correndo pra pegar meu celular e voltar a tempo de filmar ao menos o final do ato… Ou seja, perdi a chegada, a carinha de surpresa e todas as perguntas que o Papai Noel fez pro Nicolas, entre elas “você vai parar de usar fralda, jovem Nicolas? hohoho!”. #whatashame

Mas vai, tá aí o video assim mesmo:

* * *

Já a vinda da vovó foi um acontecimento único. Sem falar uma única palavra em inglês, vovó Conceição (aqui apresentada como Grandma Maria), voou bravamente de Belo Horizonte pra São Paulo, daí pra Toronto, retirou malas, fez novo check in, passou pela imigração e chegou sã e salva em Vancouver. Eu que quase não dormi na noite que ela viajou, mesmo tendo feito um roteiro detalhado de tudo o que ela tinha que fazer incluindo frases chaves em inglês pra ela mostrar pra alguém caso se perdesse. E deu tudo certo mesmo!

(Vovó e Nicolas ajudando a fazer o presépio de papel marché)

E graças à ela agora temos tido chance de respirar um pouco e desacelerar. E Nic então, nem precisa dizer que tá apaixonado, né? Já acorda de manhã e a primeira coisa que grita lá do berço é “vovó! já acordou?”. Pois se não estava acordada, agora está.

E talvez pela falta de costume em conviver com outros familiares, na primeira vez que ele me viu chamando a avó de “mãe” logo me corrigiu: “mãe não, ela é a vovó!”. Mas agora já se acostumou. Da mesma forma que também se acostumou ao colinho aconchegante dela e da mesma forma que a vovó tem se acostumado ao frio daqui. Ou quase.

Essa é a foto da Vovó São conhecendo a neve pela primeira vez, em Whistler. Ela veste: 16 camadas de blusas, 2 luvas, 7 calças e duas meias, além de gorro, bota e cachecol. (rs)

- Tá com frio, vovó?

- Só um pouquinho, meu querido.

Ho ho ho! Feliz Natal!

dezembro 19, 2011
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Outro dia fomos à biblioteca e logo na entrada havia uma seleção de livros infantis sobre o Natal. Eu peguei um falando sobre a história de Jesus, mas enquanto eu lia, Nic não parecia estar minimamente interessado. Ele brincava com um quebra-cabeças de caminhão e ainda de costas pra mim. Mas continuei lendo. Então, chegou na parte que os três reis magos levam os presentes pro menino Jesus e eu disse “um levou ouro, outro incenso e o outro mirra”.

Nessa hora Nic vira pra mim com cara de bravo e diz: “mirra não, ele levou foi um carrinho pro neném!”

Rá! então ele estava sim, prestando atenção!

(Depois dessa (e tantas outras), acho que ninguém fica admirado por eu ter tido que fazer um carrinho sendo dirigido por um boneco de neve como enfeite pra nossa árvore de natal, né? :D )

* * *

E pra você que espera ganhar do Papai Noel um carrinho, uma boneca ou espera mesmo é ter muita saúde, o meu desejo de um Feliz Natal com tudo aquilo que te faça feliz!

A arte de saber baixar as expectativas

dezembro 16, 2011

Num dia frio como tantos outros, ela se levantou (após outra noite de insônia), preparou o café da manhã (sem cafeína) e se sentou com seu filho de 3 anos. Falaram sobre o Natal, a visita do Papai Noel, a chegada da vovó dali uma semana e sobre como caminhões de bombeiro são legais. Vez ou outra, ela brincava discretamente com os chutinhos que vinham de dentro de sua barriga.

Então, pensou no marido que viajava (e que finalmente chegaria naquele dia), na loucura que seria o próximo ano com duas crianças, nos seus planos futuros e por fim, porque diabos chovia tanto lá fora. Tomou um pouco de chá e não conseguiu evitar uma careta – outra vez tinha esquecido o saquinho lá dentro e o gosto ficou amargo demais. O filho riu, ela pegou o açúcar.

De repente, como num impulso, ela se levantou, pegou lápis e papel e resolveu começar a enumerar seus projetos pro próximo ano.

*

- Pintar o cabelo

- Comer menos açúcar

- Usar o ipad novo pra escrever mais no blog

- Escrever e ilustrar a história infantil que tem na sua cabeça há anos

- Terminar os dois livros que ela já está ilustrando

- Comprar uma bicicleta (e usá-la)

- Fazer yoga

- Desfraldar o primogênito

- Tirá-lo da cama do casal (sim, ele havia saído, mas voltou)

*

Afixou a lista na porta da geladeira com um ímã do Buzz Lightyear, olhou pro relógio e lembrou que já era quase hora de levar o filho pra natação. Enquanto subia pra trocar de roupa, lembrou do berço que estava por montar e da mala que o marido trouxe do Brasil lotada de roupinhas fofas de bebê, e sentiu um rompante pra começar a arrumar tudo naquele minuto. Pausa para comentário. Não, não era o nesting* começando, isso é coisa dela mesmo.  Termina pausa.

Mas pensando que tinha muito trabalho pra fazer naquele dia, resolveu não desvirtuar e sim, respirar fundo e lutar fortemente contra todas suas células arrumadeiras. Cada coisa no seu tempo: no outro dia cedo (sábado) seu marido poderia montar o berço, ela lavaria todas as roupinhas e sem pressa poderia organizar tudo em seu lugar (ou seja, na única gaveta disponível à Lily até o momento – a do berço). Ela então ficou feliz pela dádiva de conseguir pensar racionalmente e com parcimônia, mesmo em momentos de rompante (qualquer grávida sabe que isso não é fácil) e assim não acumular mais uma culpa materna por não levar o filho na natação.

* * *

No dia seguinte ela é a primeira a se levantar. Entusiasmada, vai tomar café. Volta pro quarto, marido dormindo. Então coloca as roupinhas pra lavar.  Volta, marido dormindo. Decide que é melhor tomar um banho. Sai, marido dormindo. Tropeça na cama, ele acorda.

- Oh, que bom que você acordou, amor! Bom dia!!!

Ele volta a dormir.

Uma hora depois, lutando contra a dádiva da tranquilidade que ameaçava ir pro espaço, ela o observa se levantando lentamente sem acreditar como pode uma criatura ter tão pouca pressa pra montar um berço. Algo tão legal de se fazer! Ele então escova os dentes devagar, toma banho sem pressa alguma, toma café com movimentos quase estacionários, pra finalmente… se sentar pra checar os emails.

- E o berço? – solta ela abruptamente.

- Que que tem? Você quer mesmo montar hoje? Mas falta tanto tempo ainda… tem mais de um mês pra gente fazer isso…

- Eu sei, mas é que eu já queria começar a organizar as roupinhas dela… tá tudo dentro da mala ainda… Sem falar que vai ser bom pro Nic, pois vai ficar tudo mais real com o berço ali… não acha?

- É…

E montou o berço.

* * *

Ela finalmente conseguiu passar a tarde arrumando tudo com carinho, namorando cada detalhe das roupinhas e tentando se decidir qual lençol colocar no berço – o de joaninhas ou o de ursinhos – quando de repente ela escuta:

- Mamãe, quero deitar aí.

- O que, Nic? Nesse berço? Mas é da sua irmãzinha, meu bem… lembra que você dorme com a mamãe e o pap… – E só então a ficha dela caiu. – Tá bom! Pode deitar aqui sim!

E desde então Nic não dorme mais com eles.

Não foi bem como ela esperava, mas naquele dia ela riscou feliz o primeiro ítem da sua lista. E depois saiu pra comprar um moisés pra bebê que vai nascer.

(Ela: desencanada é apelido. Sim, essas fotos são recentes. Sim, o buraquinho encima do umbigo era de um piercing. Sim, ela estava com sono quando tirou as fotos.)

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*Nesting é aquele instinto arrumador que acomete todas as grávidas quando a cria está por nascer.

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