O lado cômico da maternidade


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Hoje ela faz 2 anos!

E completa com absoluta perícia e precisão, mais uma translação elíptica ao redor do sol. Sem cursinho na NASA, sem muito planejamento ou ponderação. Simplesmente foi lá e descreveu sua órbita.

Copérnico teria morrido de orgulho.

0À medida que essa menininha prodígio executava solstícios e equinócios, a comunidade científica observou com admiração o seu notável crescimento e desenvoltura perante a vida. Em apenas l ano sideral ela se tornou muito mais pitizenta confiante, teimosa persistente e insubordinada independente. Um sucesso!

Olha só que delícia é ter uma criancinha de 2 anos em casa!

  • Ela já se veste e calça sozinha.

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  • É artista experimental nata. Adora explorar cores, materiais e é grande fã das grandes telas.

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  • É super familiar com o penico e  insiste sempre em usá-lo.

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  • Tem a mente aberta e não está nem aí pra quem a critica por levar uma vida de contradições.

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  • Fala que nem uma matraquinha pobre na chuva, e apesar de todas as 467 novas palavras recém incorporadas ao seu vocabulário, sua preferida ainda é NÃO.

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  • Faz questão de comer sozinha e o faz muito bem – exceto pela mania de virar a colher 180 graus pra baixo ao chegar com a comida na boca e  sua peculiar forma de comunicar que não quer mais. (Vale ressaltar que um estudo científico está sendo realizado pra explicar porque a quantidade de comida que termina no chão é sempre maior que a que estava no prato. Conto tudo se chegarem a uma explicação lógica).

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  • Uns a chamam de intransigente e radical, eu prefiro considerá-la uma apaixonada por suas causas. Água no copo verde/rosa/azul, por exemplo? Um insulto!

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  • É extremamente carinhosa e companheira.

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  • Mas às vezes, incrivelmente independente e emancipada. Ah sim, e sempre destemida. Sempre.

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  • Tem alma lúdica e suas brincadeiras preferidas dentro de casa são esconder (sempre com pelo menos 3/4 do corpo pra fora e de preferência nos mesmos dois lugares) e derrubar torres (do irmão, claro!).

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  • É super prestativa e está sempre disposta a ajudar com a limpeza! (embora nunca  jogue pro mesmo time de quem está limpando.)

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  • E como se não bastasse tanta qualidade, essa menininha esperta ainda é a dona do beijo mais molhado e gostoso do mundo! Dá pra acreditar na minha sorte?

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Lily da mamãe,obrigada por trazer mais cor à nossa vida! Você me completa, me inspira, me diverte. Obrigada pelo seu sorriso aberto, pelo seu choro forte e saudável desde o dia que você nasceu , por me mostrar que posso amamentar, pelas musiquinhas que canta o dia todo com sua vozinha de fada, por chamar “mamãe” 678765 vezes por dia, por gostar tanto de me ouvir contando histórias, por gosta de escovar os dentes, por comer tão bem, por dormir tão bem, e tantas, tantas outras coisas.

Mas sobretudo, minha querida Lily, obrigada por ter me escolhido pra ser sua mãe. É uma honra pra mim poder segurar sua mãozinha e te conduzir pela vida. Te amo do fundo do meu coração!

Seja sempre feliz!

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Do ski-bunda ao divórcio

Atire a primeira fralda quem nunca teve preguiça de fazer um programa com as crianças.

Porque é todo um processo, né gente? Correr atrás da criatura que foge rindo com a fralda metade posta, metade desbeiçada. Convencer o mais velho de que cueca não é touca. Conseguir a proeza de vestir e alimentar todo mundo a tempo, e claro, preparar aquela bagulhada toda pra levar, pra no final descobrir que esqueceu a coisa mais importante de todas – seja lá o que for essa coisa naquele dia.

Daí, chegando no lugar, você ainda tem que ter a presença de espírito pra separar motins, apaziguar disputas de posse, conter pitis, lidar com sono fora de hora, comida fora da boca, cocô fora da fralda. Tudo isso, além de conviver com a frustração de nunca conseguir terminar uma frase sequer com um outro adulto. Nunca.

Mas é aquela coisa. Nos dias que você mais espera que vai ter problemas, são os dias que todo mundo mais se diverte.

E vice-versa.

* * *

Acordei radiante.

Fui tomar meu banho e saí cantarolando aquela musiquinha super fofa, descontraída e que nunca sai de moda… Como é mesmo o nome, gente? Começa com “da da da”? Ah sim, King Kong e seu King Konguinho! Pena que o Nicolas pediu pra eu parar… Talvez eu tenha exagerado na coreografia.

Mas enfim. Não ligo, pois quem saiu perdendo foi ele.

O importante é que estávamos todos animados pra ir pras montanhas brincar de tobogã na neve! O famoso ski-bunda. Há semanas que o Nicolas vinha rezando essa ladainha de que queria fazer tobogã e pra nossa sorte, dona Lily acordou toda feliz e bem humorada. Tão bom quando as crianças já estão maiorzinhas e a gente sabe que vão se divertir, ne?

O marido fez panquecas pro café-da-manhã e estava mais disposto que o usual. O lugar fica só a 45 minutos de carro e a previsão era de sol com temperatura amena de 3 graus.

No caminho fui sorrindo e imaginando nosso passeio.

nicolilando_expectativa_maternidade_inverno_canadaBrisa fresca, madeixas ao vento, céu azul, dia ensolarado.

Crianças se divertindo, toboganando felizes e claro, protegidas com seus equipamentos de segurança pessoal. A cada descida, uma comemoração, vários uhuuus, vários abraços. VÍNCULO.

Eu, tomando meu chocolate-quente (mas não tão quente) orgânico, feito de cacau equatoriano, e aproveitando pra registrar cada momento com fotos espontâneas, nítidas e de fundo levemente desfocado. Captando com naturalidade cada sorriso, cada olhar de entusiasmo, cada abraço trocado.

No meio desse misto de euforia e serenidade, engulo seco ao notar um aviãozinho circulando em círculos com uma faixa pra mim. Nela se lia “te amamos”.

Oinnnnnnnn! Que fofos!!!

Até que chegamos ao destino. Acordo com uma baba sorrateiramente escorrendo no canto da minha boca.

nicolilando_realidade_maternidade_inverno_canada

Olho pro céu e vejo tudo cinza. Nada de sol, vento gelado e úmido. Fico pensando como o clima pode mudar tanto com 45 minutos de carro.

Olho pra Lily e vejo ali a expressão de uma criança emocionalmente desestruturada. Terá ela visto o Abominável Monstro das Neves no caminho? Não duvido.

– Quer sair do carro, Lily? – pergunto

– NÃO!!!!

– Quer ficar no carro?

– NÃAAAAAAO!!!!! – responde ela brava. O famoso paradoxo metafísico aplicado.

Não quer capacete, não quer luva, não quer brincar. E fico pensando como pode uma menina mudar tanto de humor após 45 minutos de carro. Logo ela, que gosta tanto de usar essas coisas e brincar na neve.

Já o Nicolas, pra quem passou as últimas 3 semanas me atazanando com essa conversa de tobogã, me surpreendeu ao de repente se tornar uma criatura estranha comedora de neve. O menino deve ter comido pelo menos uma montanha inteira nas duas horas que ficou lá sentado. Presenciei a olhos vistos os efeitos antropológicos na paisagem moderna.

Claro que o pior foi aguentar as suas constantes idas ao banheiro pra fazer xixi depois.

No mais, não teve avião com faixa, não teve sol, nem chocolate quente.

Mas teve alguém que apesar dos choros e das esquisitices das crianças, conseguiu se divertir e muito. Meu marido.

Puto.

 


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A história ilustrada dos Laticínios Zumbi – o estabelecimento que nunca fecha(va)

Era uma vez uma menininha que não gostava de dormir sozinha.

Não que ela dormisse grandes quantidades ininterruptas quando estava com companhia. Ah, isso não.

Mas dormia, pelo menos algo que fosse.

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Uma de suas maiores dificuldades, era ignorar a irrestível Fábrica de Laticínios que ficava ali bem do seu lado e – vejam que sorte! – funcionava 24 horas por dia. Uma verdadeira tentação, especialmente pra uma garotinha daquele tamanho.

Assim que, por mais que a menininha se esforçasse pra continuar dormindo (e como se esforçava!), acabava acordando e batendo na porta da fábrica a cada 2 horas.

Toda santa noite.

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No início, a fornecedora liberava o estoque de bom grado, mas após 16 meses de distribuição ilimitada, a boa provisora acabou por ficar num estado deplorável. E realmente muito preocupante.

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Tanto a exaustão, quanto a terrível suspeita de que a pequena meliante consumidora estivesse abusando do fornecimento gratuito, em especial no turno noturno, levaram a dona do Laticínio a interromper os serviços de 24 horas.

Mesmo sabendo que poderiam haver piquetes.

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Construiu então um anexo às instalações industriais e gentilmente convidou a menininha a se mudar. Ela ainda teria a segurança de ter seu dormitório perto da fábrica, mas teria apenas água caso necessitasse se hidratar à noite.

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Mas não deu muito certo.

A menina conseguia pular os muros, e continuou interrompendo o sono (e os sonhos!) da dona da fábrica e demandando o produto lácteo várias vezes na noite. Se lhe ofereciam água, era um escândalo! Como tinham o desplante de oferecer algo tão ralo e sem gosto a uma freguesa tão fiel?

Assim, a dona da Fábrica se deu conta que deveria tomar medidas mais drásticas e decidiu proceder com o desligamento completo da pequena bezerra, migrando seu dormitório pro setor onde hoje dorme o antigo consumidor – o qual já está com 5 anos de idade e tem um sono de pedra.

(Deus conserve.)

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Ela então, vestiu a menina com um saco de dormir – que além de mantê-la quentinha, também teria a função de dificultar eventuais mobilizações noturnas -, fez festa, comemorou as novas instalações e foi pra sua cama com o peito cheio de leite esperança.

Até que, pra sua completa estupefação e assombro, às 2 da manhã lhe aparece a pequena meliante, que conseguiu driblar a segurança, saltar os muros do dormitório mesmo usando aquele saco de dormir e andar sozinha por corredores escuros até encontrar as instalações lácteas.

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Nisso, a verdade caiu como uma bomba na cabeça da fornecedora: a fábrica teria que mudar de endereço.

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Jogando no lixo toda sua dignidade, a fornecedora passou a escapulir sorrateiramente toda vez que a fugitiva vinha procurar refúgio à noite.

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Enquanto isso, o encarregado de plantão ficou responsável por conter os protestos da piqueteira.

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Foram várias noites de consolo e colo, até que num belo dia a menininha aceitou sua nova condição. Mas como crianças são criaturas de hábito, ela continuou escapando de seu dormitório toda noite. A dona da fábrica não viu portanto, outra alternativa senão permanecer no seu novo endereço.

E todo mundo passou a dormir muito bem.

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Até o encarregado do turno da noite ter que viajar. Damn it.

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Agora, a menininha que ainda acordava uma vez toda noite, teve que ser novamente atendida pela dona do Laticínio – o que despertou sua voracidade com uma força avassaladora.

Tentando manter a nova rotina da menina, a dona da fábrica resolveu mudar suas instalações pro lado do seu dormitório. Lá, ela conseguiu oferecer à garotinha a segurança que ela precisava e ao mesmo tempo mostrar pra ela que agora cada um tinha SEU PRÓPRIO espaço e que isso precisava ser respeitado.

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A menininha entendeu (!) e pela primeira vez em 18 meses, dormiu uma noite INTEIRINHA.

Após alguns dias dormindo ao seu lado, a dona da fábrica percebeu que podia voltar pra seu antigo endereço, onde voltou a dormir sozinha com o encarregado de plantão. (Uh lá lá!)

Enquanto isso, a menininha continuou dormindo bem. Bom, até seu primeiro grande resfriado. E depois o segundo.

Mas isso faz parte.

O importante é que ela realmente aprendeu a dormir e que a dona do Laticínio deixou de ser zumbi! 😀


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O dia que eu fiz um book fotográfico

Eu passei grande parte da minha vida tentando fingir que certas coisas nunca me aconteceram. Entre elas:

– A vez que comi cocô de galinha achando que era cocada preta.

(Em minha defesa, eu só tinha 3 anos.)

– A vez que entrei na contra-mão numa avenida mega movimentada e minha única reação foi fechar os olhos, soltar as mãos do volante e gritar “eu vou morrer! eu vou morrer!”.

(Em minha defesa, essa era minha primeira semana dirigindo na mão-inglesa e juro que vi até túnel de luz azul com anjo – tava fazendo gracinha que ia morrer não!)

– E a vez que fiz um book fotográfico.

Jesus.

Mas ó, em minha defesa, o panfleto do Estúdio Fotográfico Sonora foi MEGA convincente, mega! Pra começar, tinha uma paisagem linda, quase transcendental, com um por-do-sol sobre o mar mais um arco-íris ao fundo, e uma águia se transformando numa mulher de cabelos esvoaçantes na frente. De um dos cantos saía um brilho de flash fotográfico, imagino que pra contextualizar. Coisa linda! Dava pra ver que tinham a manha total no Photoshop, coisa muito importante. Vai que eu precisasse?

Bom, e embaixo vinha escrita a seguinte frase em 3D (provavelmente feito no Word Art, eu disse que os caras eram bons) “Nossas fotos realçam a beleza que já existe em você.”

Nossa, fechou! Me convenceu total!

E como se fosse preciso, ainda ofereciam 10% de desconto. Oportunidade da vida, né gente?

Daí fui. Me maquiaram, jogaram mousse no meu cabelo, passaram batom da Elke Maravilha, me adornaram com brincos de cristal Swarovski, me ajeitaram as ombreiras. Me pediram pra jogar o cabelo pra frente e pra trás repetidas vezes e tacaram mais mousse. Disponibilizaram chapéu com pluma, echarpe vermelha e lenço de oncinha. Colocaram uns guarda-chuvas luminosos ao meu redor (galera era profissional mesmo), posicionaram as câmeras e nesse momento eu virei DIVA. Me senti poderosa, linda, uma deusa.

Até o dia que fui buscar as fotos.

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Chorei cinco dias seguidos.

Rasguei o panfleto separando mulher de águia, por-do-sol do arco-íris, céu do mar. Sem mostrar pra ninguém, escondi o book debaixo do meu colchão por anos a fio (junto com minha coleção de cartões Amar é). Ergui a cabeça, domei meu cabelo como pude e voltei à vida normal. Me formei, me casei, fui morar fora, procriei, virei ilustradora, fui feliz. Nunca mais me lembrei do bendito do book.

Até a ultima vez que fomos ao Brasil.

oi

***Sinceramente, mães precisavam de uma junta médica especializada pra explicar o que se passa no globo ocular delas que só vê beleza nos filhos. Como explicar?***

Pois não é que eu adentro a cozinha da casa da minha mãe à procura de um pacote de biscoito papa-ovo pra matar a saudade e dou de cara com meu passado Elke Swarovski enfeitando a porta da geladeira dela?

– Mas essa foto tá MARAVILHOSA, minha filha! Deixa ela aí! Olha esse batom bem passado! E que lindo tava o seu cabelo!!!

Juro que quase tive um treco. Aquela foto era pra mim um registro frustrado de uma das poucas vezes que tentei ser vaidosa na vida. Entre outras coisas, a Síndrome do Cabelo Alto voltou com tudo pra mim naqueles dias. Fiquei assim tão abalada, que à noite, nas raras oportunidades que o coala noturno me deixou dormir, eu fechava os olhos mas a única coisa que me vinha era a minha imagem em negativo. E piscando.

sonora

Foi no mínimo traumático.


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Hoje ele faz 5 anos. Me abraça?

Tudo começou no dia 18 de Outubro de 2008, quando me tornei mãe.

MÃE.

Nossa, me dá até um saracotico na espinha de lembrar.

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Mãe de um menininho de bochechas rosadas que de início era muito chorão, mas que depois se revelou a criança mais risonha, divertida e companheira que eu poderia sonhar em ter ao meu lado.

2. Lahaina (15)

De um menininho que nasceu de um parto difícil, que deu muito trabalho pra dormir, pra comer e desfraldar, mas que hoje me faz entender que tudo isso foi necessário pro meu amadurecimento como mãe DELE; que ao invés de tentar mudá-lo, eu tinha que mudar a mim mesma.

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De um menininho que sempre foi muito esperto e inteligente, mas que aos 2 anos de idade teve o terrível azar de ser filmado num dos grandes deslizes de sua tenra infância: o dia que ele caiu igual um patinho no famoso Método de Psicologia Inversa (MPI), método este, aplicado com brilhantismo por sua sagaz progenitora (apesar da filmagem em vertical comprovar o contrário… mas vá, dá um desconto, aqueles eram outros tempos)

no hotel, fascinado por rodas

Um menininho que sempre foi completamente fascinado por carros e máquinas, mas que nem por isso, deixa de ter um lado sensível e imaginativo, que aos 3 anos de idade conseguiu explicar como surgiram as estrelas-do-mar.

Eu sou a feliz mamãe de um menininho que me emociona todos os dias com suas questões sobre a vida, a morte e suas observações sobre as pessoas. Um menininho que nunca deixa de me cobrar pra eu agir de forma coerente com o que eu ensino pra ele, que fica bravo toda vez que quero apertar a Lily e que me comove com seu jeito simples de ver as coisas.

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Desse menininho inocente, carinhoso e perceptivo, com o qual tenho diálogos tão incríveis todos os dias que custo a acreditar na minha sorte como mãe dele.

Eu: Nicolas, o que você quer ser quando crescer?
Nic: Lenhador!
Eu: Por que?
Nic: Porque eu quero construir casas de madeira e matar o lobo mau!
Eu: Nossa, que corajoso!
Nic: Tudo bem, mamãe, porque quando eu ‘ser’ lenhador ja vou ser grande e forte!
Eu: Ah é? E quantos anos você vai ter?
Nic: 100!!!

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Eu sou a orgulhosa mãe desse menininho que hoje faz 5 anos! E espero de todo o meu coração que ele cresça feliz, saudável e realize todos os seus sonhos, mesmo que seja o de viver até 100 anos pra começar sua vida de lenhador. 🙂

Feliz aniversário, meu menininho Nicolas! Que você nunca perca essa sua leveza, seu sorriso lindo e a simplicidade no seu coração.  Mamãe te ama e te admira desde sempre!

________________

Ah! E tem mais:

A linda história contada pela professora do Nicolas e que me fez debulhar em lágrimas e traumatizar pra sempre 15 criancinhas inocentes

A ilustração de comemoração dos 5 anos com seus melhores amiguinhos


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O galinheiro, o sassariquento e o ataque do coala noturno

Ah gente querida, como eu queria vir aqui toda semana pra papear um bocadinho com vocês! Mas quem disse que consigo? Ainda mais depois que cismei de fazer um tal de projeto 365, que minha vida ficou de cabeça pra baixo, assim como se ao invés de 2, eu tivesse uns 30 filhos pequenos, mais 3 cachorros e um galinheiro.

E vocês sabem que não sou dada a exageros, né?

Pois bem, então deixa eu terminar logo de contar essa ladainha da viagem pro Brasil, que já tá me dando vergonha eu estar no mesmo assunto até hoje, 2 meses depois de voltar de lá. Cruzes.

Culpa do galinheiro. Certamente.

* * *

Mas então. Como toda visita a Beagá, a correria é tanta, mais tanta, que quando as crianças começam a se acostumar com alguém, a assimilar o que é tia, primo ou irmã-do-coração da mamãe, já é hora de catar os pertences e visitar outra pessoa. Na saída, a gente só não esquecia de roubar um pão de queijo pra comer no carro e rezar pra Nossa Senhora das Familias em Visita pela Terrinha pra não ter engarrafamento.

Coisa que nunca aconteceu. Ocupadésima essa santa, aparentemente.

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Mas tirando o transito que não transitava (e que até me rendeu umas boas balas chitas que me ajudaram a minimizar certos traumas de infância), deu pra cortar muitos itens da minha lista de coisas que não podíamos deixar de fazer no Brasil.

Número 1

Matar a saudade de abraços. Porque o Canada tem de um tudo, gente, mas não tem abraço. Tirando nos encontros com brasileiros daqui ou os desafortunados que se deparam com ursos (Deus os tenha), a chance de você angariar um abraço aqui é quase nula. Mas matei minha abstinência da melhor forma:  abraçando muita gente querida e amada. Mesmo.

Número 2

Desgarrar a Lily um tiquinho. Porque pense numa criatura agarrada. Ah, que doce, você pensou num coala? Mas não tá nem perto, viu? Então faz o seguinte: pega esse coala, encapa ele com um velcro magnético possante, cola um tanto de bolinha de chiclete ao redor e joga um balde de carrapato por cima. Balde grande. Pronto, agora multiplica por 10. Essa é a Lily comigo. Por isso, foi uma verdadeira surpresa ver ela se jogando no colo de pessoas que ela nunca tinha visto na vida e até criando laços afetivos. Milagres do Brasil.

Número 3

Ver como o Nic se sairia com a língua portuguesa. Não que esse fosse um grande problema, pois português é sua primeira língua. Mas, como ele aprendeu inglês na escola e brincando com seus amiguinhos, quando ele brinca, mesmo que sozinho, ele SÓ fala em inglês. Por isso foi muito lindo e fofo observar ele escolhendo cuidadosamente as palavras pra falar só em português quando brincava com outras crianças. Fofo mesmo. E lindo.

Número 4

Rever a turma de faculdade depois de 10 anos. Muito bom!!! Exceto a parte de encarar que sou a mesma boba de antes, só que com 10 anos a mais.

Número 5

Visitar gente bacana. Desta vez teve cria nova pra conhecer e apertar, amigas grávidas pra encontrar, lasagna da Ignes pra degustar, Ouro Preto pra visitar com gente especial, e pipa pro Nic soltar com o maior especialista do mundo – meu irmão. Check, check, check, check e check.

Número 6

Ter tempo de pernas pro ar. O que significou ter momentos de não fazer nada e só ficar por conta de papear. Foi ótimo aproveitar minha família, amigos próximos e minha cunhada divertidíssima grávida do meu primeiro sobrinho de sangue – o Pedrinho, que nasceu há poucas semanas!!!

Número 7

Ter uns dias só de meninas lá em São Paulo. Conto TUDO logo, logo, prometo.

Número 8

Comer de tudo sem engordar. Sem comentários, desastre total.

* * *

Ou seja, foram 10 dias em BH super bem aproveitados! Mas claro, se você me permite ser bem sincera, sempre tem uma desvantagem aqui ou ali, né? E pra mim, a parte mais difícil foi, como sempre, manter a rotina das crianças.

Rá, caiu nessa, foi? Desculpa, mas essa é a versão genérica, que conto pra todo mundo.

Porque a verdade verdadeira, gente amiga, difícil mesmo foi ter que assistir de camarote a disponibilidade do marido pra sassaricar com os amigos toda santa noite enquanto eu ficava lá, sendo requisitada por dona Lily (que à noite resetava todos os avanços adquiridos durante o dia e voltava pra versão original © Coala Plus).

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À rotina corrida e imprevisível a gente acaba se adaptando, né gente? Agora marido sassaricando sem você é de matar. Já não basta passar a gravidez toda intacto, ainda tem que nascer sem leite nas peitas?

Por isso, enquanto o Sr. Todo Soltinho se encontrava com Fulano, Beltrano, Cicrano ou Soprano, Liloca apurava seu método de manipulação materna, que consistia basicamente, em ameaçar gritar a todo pulmão quando todo mundo da casa já dormia, a fim de conseguir acesso rápido e imediato às peitcholas.

Claro que funcionava.

Afinal eu é que não queria me tornar pessoa malquista e indesejada pelos donos da casa – mesmo que as pessoas em questão fossem sangue do meu sangue.

Nunca se sabe, melhor não arriscar. “Vem cá, escuta. Eu sei que a Lu é linda, maravilhosa, agradável, meiga (…) e que educa os filhos como ninguém. Mas que diabos foi aquela choradeira da última noite? Credo!!! Será que ela esqueceu que tem mais gente tentando dormir nessa casa? Como ela deixa a menina ter o controle daquele jeito? É nisso que dá dormir com filho, eu bem que avisei!'”

Deus me livre de alguém saber achar que a Lily me controla. Então disponibilizei.

No entanto, assim que Liloca foi bonificada com acesso livre e irrestrito à leitaria noturna, ela, que antes acordava uma a duas vezes, passou a acordar duzentas. Natural, vai! Infelizmente, 200 também foi o numero de camadas de corretivo necessárias pra camuflar o aprofundamento das minhas olheiras.

Agora pensa comigo. Se hoje, que estou no sossego da minha casa, cuidando do meu galinheiro tranquila, já ando com cara de quem passou a noite rodando dentro de uma betoneira e logo em seguida foi atropelada por um caminhão com rolo compressor, imagina no Brasil, com uma atividade diferente todo dia?

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Não foi bonito não, gente.

Em um mês, em seguida volto pra contar os causos de São Paulo. Última parte.


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Praia boa é praia azulejada

Anota aí, colegas: viagem que tem até grupo em Facebook, exclusivamente criado pra compartilhar o cronograma diário da família, não tem como dar errada.

Não tem.

Pra começar, o voo de ida foi um espetáculo, como já contei. Tá, cheguei no destino parecendo um chassi de grilo anêmico, mas vamos combinar que isso é um mero detalhe se você pensar que tivemos a grande oportunidade de fazer uma viagem dinâmica e nada monótona, na qual em menos de 24 horas vivemos a emoção de passar por Vancouver, Toronto, São Paulo, Rio e chegar em Cabo Frio de ônibus.

Êxtase define.

Chegando lá, tudo perfeito! Famílias reunidas, comida maravilhosa, até que… dou falta do Ergo-baby, meu super carregador (e tranquilizador) de Lily. “Certeza que esqueci no ônibus”, recapitulei. Felizmente, ficamos sabendo, que na rodoviária havia uma salinha de “Achados e Perdidos”, e por tudo nessa vida que eu tinha certeza que estaria lá. Afinal, que alma desalmada pensaria em levar para si um trapo de pano surrado e o qual tão pouca gente sabe pra que serve?

Pois levaram.

Okay, sem problema. Respiremos fundo e esqueçamos do incidente. Bora aproveitar a praia, que é pra isso que fomos!

* * *

Cabo Frio é ótima, e eu tinha certeza que as crianças iriam adorar! Eu amo Minas, mas infelizmente ela tem o pequeno defeito geográfico de não ter praia, né? Por isso fizemos tanta questão de ir enfrentar a baldeação pra chegar lá.

mg

(Aliás, fica aqui minha humilde sugestão pra uma futura reformulação da cartografia brasileira. Que tal adicionar dois simpáticos rabicozinhos ali em Minas Gerais, anexando Cabo Frio e Guarapari, que se bobear, têm mais mineiros que a propria Belo Horizonte? #ficaadica)

Mas enfim.

Nossos dias em Cabo Frio teriam sido perfeitos se eu pelo menos gostasse de praia. As crianças curtiram muito,  mas eu particularmente continuo compartilhando da opinião da minha cunhada, que praia boa é praia azulejada. Por que né, gente? Praia é ou não é a mesma coisa que ficar marinando na água salgada e depois ir se esticar na farinha de pão?

Me diga você.

E se tem uma coisa que não sou muito chegada em ser, é frango empanado. Gosto não.

Mas tudo bem, pois fui pra lá com o espírito livre, o coração venturoso e o corpo disposto a aproveitar sem reclamar.

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Areia? Vamos transformá-la em diversão pras crianças.

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Vento e chuva se armando? Encapota a cria, mesmo que seja com fantasia de cogumelo.

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Pombos querendo se meter na sua farofada? Chama a vovó pra se divertir com o neto.

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Ficou entediada? Desopila e finge que tem 12 anos (ou escancara que é boba mesmo, que todo mundo vai dizer que nem tinha percebido).

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Muito sol na cabeça? Bora procurar a sombra de um coqueiro, ainda que pequeno.

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Tem pernilongo na casa? Aproveita pra desfilar seu modelito de animal print mais que original! Vai estar super na moda, gata!

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Fez tudo isso, mas cansou? Então vai pra piscina e aproveita pra mostrar pra todo mundo que mãe, além de fazer milagre em casa, ainda sabe andar sobre as águas!

O que não dá é pra reclamar!

Né?

———————-

PS: Acabei comprando o Sampa Chila  pra substituir o Ergo-baby perdido. A qualidade não é a mesma, mas certamente salvou nossa viagem de volta!


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Quando viajar com crianças é só uma questão de perspectiva

“Viajare con crianzae pode ser bonno, malum o terriblae. Dependum de la perspectivae, et também se habemus mamam, se habemus papam et como agem los duo.”

Proverbium latinum.

Depois da última viagem às terras tupiniquins, jurei pra mim mesma que só voltaria após a invenção do teletransporte.

Bom, na falta dele, pensei que o mínimo que as companhias aéreas deveriam fazer era promover todo mundo viajando com filho pequeno direto à primeira classe.

– Seu nome, por favor.

– Luciana Azevedo.

– Passagens somente pra senhora, Sra. Azevedo?

– Não, também vou levar minha filha de 1 ano e meu filho de…

– Desculpa interromper, mas não precisa dizer mais nada. A senhora aceita uma taça de champanhe?

– O-o que está acontecendo? Peraí, isso é chuva de confetes?

– Sua família acaba de ser automaticamente promovida à primeira classe em todos os voos de ida e volta pelo preço da econômica! Parabéns!

– Me-mesmo?

– Sim! E por terem dois filhos pequenos, vocês ainda terão uma limosine à disposição pros traslados devidamente equipada com chofer, manicure, duas cadeirinhas pras crianças, cookies de semente de girassol e chia, tábua de frios e uma vasta seleção de vinhos franceses. Tudo sem custo adicional!

Gente! Custava???

Mas não. Sabem o que fazem do contrário?

Colocam uma mãe, um pai e uma criança de dois anos que nunca tinha dormido uma noite completa na vida, confinados no meio de uma estúpida fileira de 5 assentos no meio do avião. Imagina a situação. Duas pessoas e meia enclausuradas por 10 horas noturnas em três poltroninhas esmirradas (não no sentido de terem sido feitas de mirra… [porque lembra, né? Ouro, mirra e incenso?] … mas no sentido de serem apertadas mesmo – só pra esclarecer).

Pra piorar, ouvi dizer que a mãe em questão, coitada, ainda sofreu requerimentos intestinais a cada meia hora durante todo o voo.

Se fosse comigo, eu só não pedia pra morrer ali mesmo porque tenho superstição pra essas coisas.

* * *

Agora, pior que isso, é passar todo um perrengue desses, enquanto do seu lado tem um casal fofo, todo trabalhado no filminho, sonequinha e comidinha de avião, com um filho que dorme o voo todinho, sem dar um pio.

Aí não!

Passei exatamente por isso nas 28 horas de voo da Australia pro Brasil, quando o Nic estava com 5 meses e tinha refluxo. O avião era até bacana, equipado com bercinho e tudo, mas era como ter um banquete na nossa frente e não poder comer, sabe? Veja bem, pra começar, eu passei metade do tempo de voo em pé no corredor, dançando forró com o iPod coladinho no ouvido do Nic, pois essa era a única forma que ele dormia. Eu cansei de escutar os atendentes me implorando pra sentar e colocar o cinto, e até aprendi a ignorar a cara de interrogação dos gringos olhando pra mim. Tudo isso, pra colocar o Nic no berço e ele acordar – enquanto o vizinho não acordava nem pra dizer “nhém”.

Brutal.

Ou seja, enquanto eu saí do avião tonta de cansaço, zonza de inveja e enjoada de todo aquele Fala Mansa na minha cabeça, os pais dessa criança dorminhoca devem ter saído propagando que voar com bebê é mamão com mel, de tão doce.

Perspectivas diferentes.

Daí, que esse ano, só posso ter batido a cabeca em algum lugar, porque decidi ir de novo pro Brasil. E pior, com uma criança a mais.

Felizmente, quem tem marido que viaja muito, alem de aprender a escovar os dentes com o pé, ainda tem chances de conseguir promoção pra classe executiva com as milhas acumuladas.

Não precisamos de esmola não, viu suas airlines?

* * *

IMG_4015(as quiança tudo de pijama no aeroporto)

Entro no avião às 10:30 da noite.

À medida que me aproximo do meu assento, mal consigo conter uma lágrima furtiva de emoção. “Amor, me belisca (mas não com força) que eu só posso estar sonhando” – consigo balbuciar.

Ali, à minha frente, se encontrava a visão mais espetacular que uma mãe em espaço aéreo pode sonhar: poltronas individuais, confortáveis e com-ple-ta-men-te reclináveis. PERFEIÇÃO. O Éden sobre duas asas.

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Até que eu sento e me dou conta que o tal Éden era estreito demais pra mim e Lily.

Acredito que o resto do voo vocês mesmos podem adivinhar como foi. Só quem já tentou dormir com uma criança de sono leve encima de si próprio, e tentou com todas as suas forças ignorar aquela coceirinha persistente na beirada do umbigo, sabe que a situação fica insustentável depois de meia hora. Ou mesmo 1 minuto, dependendo da coceira.

Ali eu fiz de tudo, colegas. Tentei dormir sobre meu ombro pra caber a Lily do meu lado, troquei de lado, voltei com ela pra cima de mim, ela escorregava, eu a sustentava com o braço, o braço adormecia, eu virava de lado outra vez, ela acordava, eu dava peito, punha travesseiro, tirava travesseiro, chorava.

Oito horas se passaram e eu não preguei os olhos. Tanto tempo fazendo cama compartilhada, pra descobrir que não sei compartilhar poltrona.

Olho pro relógio, faltam 2 horas pra pousar. Tento abstrair, lembrar das minhas aulas de ioga e me transcender pra um nível superior de pensamento. Penso no quanto somos afortunados por termos conseguido o upgrade, que raras famílias têm essa oportunidade, e como era bom saber que o Nic e o Rafa estavam ali, confortavelmente instalados nas poltronas ao lado.

Peraí.

Rafa. Confortavelmente instalado. Hm.

É, nunca fui boa em ioga mesmo.

Pro inferno com esse negócio de elevar o espírito. Ao invés, elevo minha cabeça pra chamar o pilantra pra me ajudar. Mas sem chance, as cadeiras são altas demais e incomunicáveis. Nesse momento meus olhos passam pelo homem à minha frente: tranquilo, relaxado, sentado comodamente com suas pernas esticadas, encosto semi-reclinado, sorvendo sem pressa o seu café matinal, enquanto assiste à sua ampla seleção de lançamentos. Puto.

Nisso, aparece um outro ser na minha frente.

Figura sorridente, simpática e descansada. Passa a mão nos cabelos com graciosidade, faz cute-cute na bochecha da Lily e solta:

– E aí, amor, me fala se todo o tempo que você passa sozinha com as crianças enquanto eu viajo, não compensa nessas horas?

O fulmino com os olhos a ponto dele virar carvãozinho no chão. Entrego a Lily pra ele, olho pro relógio: não dá pra perder tempo, tenho 34 minutos.

Reclino totalmente minha cadeira, me deito e pela primeira vez em quase 10 horas sinto o prazer em viajar na classe executiva.


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Vi monstro, escrevi livro, virei travesseiro, mas queria mesmo era ser o Mussum

Eu tinha 5 anos quando vi meu primeiro monstro, o Nic tinha pouco mais de 4 quando começou suas primeiras perguntas transcendentais e a Lily tinha 14 meses quando resolveu me fazer de travesseiro.

Tudo no mesmo nível de importância. Aparentemente.

Ver monstro pra mim era coisa trivial, todo dia eu via um. O Monstro de Bolinha foi o primeiro, com uns 4 metros de altura ou mais, todo feito de bolinhas brancas empilhadas – até simpático, ele. Me apareceu em plena luz do dia, no quintal da minha casa. Olhei pra ele e saí correndo, que não sou boba, mas meu medo mesmo era daquelas bolinha tudo desmoronarem no chão e me derrubarem feito boliche. Ou quase, já que seriam várias bolinhas pra um pino só. No caso, eu.

Isso sim, teria sido loucura.

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Estaria meu irmão vendo o Monstro de Bolinha?

Depois dele, virou festa. Passei a ver extra-terrestres, monstros peludos no telhado, passarinho voando com uma asa só (tenho quase certeza), monstro pernicioso que atravessava a porta de vidro da nossa casa mesmo com ela fechada (e minha mãe insistia que era sombra da árvore. Aham, sei.), e cheguei até a ouvir barulho de estrela piscando. Coisas desse naipe se tornaram tão comuns na minha infância, que me pareceu normal criar pra mim mesma um passado alienigena e até escrever um livro de terror aos 13 anos de idade. Believe me.
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Uma história sinistra, sobre um baú secreto escondido num porão obscuro. Onde estará?

Acho que por causa desse meu background tenebroso, cresci destemida e corajosa, sabe? Nunca nada me assustou nessa vida. Exceto baratas. E marimbondos. E lugares altos. E pessoas que adoram contar como gostam de lugares alto. E galinhas da Angola (vem me dizer que não são assustadoras!). Ah claro! E o bonitão da bala Chita.

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Como não?

Hoje em dia, eu adoro filmes de terror e suspense, mas confesso que nada me dá mais frio na barriga, que as perguntas que meu filho anda me fazendo. Não existe hora certa pra perguntas difíceis, né? Não importa o quanto a gente já pensou e ensaiou as respostas, elas sempre nos pegam desprevenidos. Ultimamente, ele tem escolhido justo quando estou fazendo comida e jogando Candy Crush simultaneamente (pra não dizerem que perco tempo com joguinhos).

Ele começa assim “Mamãe…” com uma vozinha super doce e fofa como quem vai dizer “você é a melhor mãe do mundo”, mas ao invés, completa com um”por que que a gente morre?” ou “como os bebês são feitos?“.

Isso sim, é de estremecer qualquer estrutura.

Me dá um Monstro de Bolinha sentado no murinho da cobertura de um prédio de 200 andares comendo um saco de bala Chita, mas não me pergunta porque que a gente morre, que isso me mata.

* * *

Pra completar, noite dessas, dormi toda enrolada feito uma lagarta pronta pra virar borboleta. Em certo ponto da noite, quando já estava quase amanhecendo, comecei a sentir um determinado incômodo, um desconforto. Eu ainda estava semi-dormindo, mas sentia que algo me atrapalhava, me imobilizava. Eu tentava me virar e não conseguia. Mexer a cabeça, não dava. Freddy Krueger, é você? – sonhei. Acordo com o clique de uma câmera fotográfica, um hi-hi safado bem baixinho, até que vejo a mão do Rafa se estendendo na frente do meu rosto me mostrando a cena da qual eu fazia parte.

Essa.

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Um travesseiro sobre o outro

Nesse momento, me dou conta no que eu havia me transformado: um mero travesseiro. Pra minha filha. Que nunca havia dormido. Tão. Bem.

* * *

A mesma filha, que aos 16 meses já fala VÁRIAS palavras. Tipo, umas cinco. E que ao invés de “Nei”, como ela costumava chamar o irmão Nicolas, agora chama ele sabe de que?

Eu: De-dé! A Lily agora chama o Nicolas de Dedé, acredita? Assim que nascem os apelidos bizarros nada a ver.

Rafa: Pois é, o meu era “Coté”, por causa da minha irmã Fernanda.

Longa pausa pra me recuperar de tanto rir.

Eu: COTÉ? CO-TÉ? Tem certeza?

Rafa: Eu já tinha te contado isso, sua boba.

Eu: Eu sei, mas é sempre bom tirar sarro da sua cara! Coté é pior que Dedé, cá pra nós! O Dedé era sem graça, mas pelo menos era um dos Trapalhões. Você teria tido mais sorte se ela tivesse te chamado de Tião Macalé. Melhor que Coté, né não?

Rafa: Ha-ha.

Eu: E sabe como a Lily tá se chamando? Didi! Quer ver? Lilinhaaaaa! Fala “Lily”!

Lily: Didi!

Eu: Viu? O que deixa o Mussum pra mim e o Zacarias pra você!

Rafa: Por que o Zacarias pra mim? É você quem se amarra numa peruca!

Eu: Putz, falou tudo… E agora? Tava tão empolgada que eu fosse poder ficar falando “forevis” e “cacildis” o dia todo!

Rafa: Que pena.

Eu: E coraçãozis.

Rafa: É né?

Eu: E Nicolilandis por aízis.

Rafa: (…)

Eu: E Lucianis, e Lilis, e Nicolis.

Rafa: Você não vai parar, vai?

Eu: E Rafis…?

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Juro. Ainda preferia ser o Mussunzis


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Encontro de Blogueiras em Vancouver

Há uma semana tive a honra de participar de um encontro com três blogueiras fofas, super talentosas e modestas – apesar de podres de tão famosas. Me encontrei com a Ana – escritora, jornalista, mãe da Laura e da Alice, a Carol – fotógrafa celeb, gravidíssima e aniversariante, e a Rita – empresária, mãe da Bellinha e blogueira ganhadora do Oscar Bloguístico de 2013 (li na Caras!). Repararam no nível? Claro que o evento teve cobertura de revista famosa e tudo – esses jornalistas não me deixam em paz mesmo! 🙂

Mas enfim, o encontro foi gostoso demais! Muito boa a sensação de ter vida social de novo e amigas com quem compartilhar experiências e escolhas de vida parecidas!!! 🙂 Obrigada, meninas!

EdicaoEspecialCaras

“Flashes, paparazzi, assedio, festas VIP, autógrafos, Photoshop. Assim é a vida de Lu Azevedo (26), ilustradora e apresentadora do Jornal Maternal. Assim é a vida de qualquer famosa. Por isso ela já sabia muito bem o que esperar quando seu agente a comunicou sobre o encontro com as três it bloggers do momento em Vancouver: Ana (25), Carol (24) e Rita (23). Pic nic ao ar livre com outras três super celebridades? “Tumulto na certa”, pensou Luciana. “But I was too empolgated to miss it!” – contou ela com seu inglês impecável*.

blogueiras

– Você já conhecia as outras blogueiras antes desse encontro?

– Já conhecia a Ana e a Carol. A Rita, só pelo blog e quem nos apresentou foi uma amiga em comum, a Mari. Mas foi super engraçado encontrá-la pela primeira vez e sentir que já a conhecia há tempos. Eu sabia tanta coisa sobre ela e a filha! (risos)

– E como ela é?

– Ela é de uma energia incrível, super divertida e batalhadora! Até agora não sei como ela consegue dar conta da casa, da filha, do novo empreendimento e ainda blogar todo santo dia, incluindo fins de semana e feriado. Uma máquina! Nem se eu nascesse de novo três vezes conseguiria tamanha proeza! (risos) Não é à toa que a Rita ganhou o Oscar da Blogosfera. Uma guria tão dedicada e criativa merece isso e muito mais!

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– Como você conheceu a Ana do Colorida Vida?

– Comecei trocando emails com ela desde que eu morava na Austrália. Ela estava grávida da Alice e eu do Nic, e participávamos do mesmo grupo de discussão sobre partos. Nossos filhos nasceram com uma semana de diferença. Foi quando ela publicou o relato de parto da Alice que fiquei conhecendo seu blog. Nessa época eu e meu marido já estavámos tirando o visto pra vir pro Canadá, então nunca mais deixei de acompanhar os posts dela. E quando me mudei pra Vancouver, ela foi a primeira brasileira que conheci. Desde então nos encontramos várias vezes, e até aqui em casa ela já veio com as meninas.

– Como ela é pessoalmente? É mesmo tão simpática e atenciosa quanto aparenta ser no blog?

– Ah, muito mais! (risos) A Ana é de uma calma incrível. Super meiga, inteligente e ainda mais bonita ao vivo! Adoro conversar com ela. Agora, se tem uma coisa que a gente não nota tão claramente no blog é seu cabelo. Nossa, como o cabelo dela brilha! Gente? Vocês deveriam fazer uma entrevista e descobrir o que que ela faz! (risos)

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– E a Carol, como você a conheceu?

– Ah, essa foi uma história engraçada! Ela chegou no meu blog há alguns meses com o nome de “Flicka”. Visitei o blog dela, o Flickablog, e fui fliqueando por lá até descobrir que Flicka se mudaria pra Vancouver dali uma semana. Na mesma época, uma outra amiga me contou que Carol Camanho, uma fotógrafa super famosa e banbanban do Brasil, também estava se mudando pra cá e pro meu grande espanto, no mesmíssimo dia que Flicka! Me lembro que pensei que Vancouver estava se tornando realmente um destino muito popular, já que tanta gente estava se mudando pra cá! (risos) “Devem vir no mesmo voo”, pensei. Daí, só depois que deixei comentários de boas vindas nos blogs de ambas, que descobri que Flicka e Carol eram a mesma pessoa. Flickei de cara! (risos, muitos risos). A gente riu muito disso depois.

– Uma história dessas só poderia ser o presságio de uma ótima amizade. O que aconteceu depois?

– Assim que ela chegou nos tratamos logo de nos conhecer e desde então nos encontramos sempre que dá. O Nicolas, meu mais velho, é super apaixonado por ela e sempre pergunta quando vamos nos encontrar de novo. A gente tem tanta afinidade que hoje fico me perguntando como vivemos sem ela aqui antes! (lágrimas)

– É verdade que ela está grávida? Você tem acompanhado tudo de perto?

– Sim, está grávida e linda. Ela e o marido não poderiam estar mais felizes. Eu tenho acompanhado tudo e sempre encho ela de perguntas depois das consultas e ultrassons. Esse bebê com certeza tem muita sorte de ter aqueles dois como pais!

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– Como foi o pic nic das blogueiras? Onde foi?

– Aconteceu em Horseshoe Bay, um lugar muito lindo de West Vancouver. E tivemos muita sorte que o dia estava ensolarado, foi um espetáculo! Cada uma levou uma coisa pra comer. Teve cupcakes pra cantar parabéns pra Carol que tinha acabado de fazer aniversário, bolo de cenoura, torta salgada, frutas e brócolis (afinal estamos no Canadá e essas coisas nunca faltam em picnics daqui) e claro, brigadeiros e até Serenata de Amor!

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– Como vocês driblaram o assédio dos fãs?

– O problema não são os fãs, em geral eles são uns fofos e só estão ali porque admiram nosso trabalho. Tiramos fotos com vários deles. O problema são os paparazzi, que realmente invadem nossa privacidade tentando flagar momentos íntimos e tirar aquela foto que ninguém tem. Teve por exemplo um momento que conversávamos só as quatro blogueiras na praia e um paparazzi tirou várias fotos escondido, sem nossa permissão. Eu achei uma intromissão.

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– As famílias das blogueiras também foram?

– Sim, foi todo mundo, menos o marido da Ana, que tinha outro compromisso. Estavam todas as crianças, meu marido, os maridos da Carol e da Rita, e algumas amigas brasileiras da Ana. Foi um super picnic e já temos planos de repetir muitas outras vezes!”

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Obrigada meninas, foi tudo ótimo! Obrigada Carol e Alan, pelas fotos maravilhosas do encontro! (foto de profissional é outra coisa!)

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Um oferecimento:

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*Se você está aprendendo inglês, por favor, a palavra “empolgated” não existe, viu? O certo seria dizer “excited” (tradução: Mas eu estava empolgada demais pra perder o encontro). You’re welcome. (Professora Pasqualete)

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Pra ler os posts das meninas sobre o encontro, visite o blog delas (vou atualizando o link direto à medida que elas postam)

Rita: Botõezinhos

Ana: Colorida Vida

Carol: Flicka