O lado cômico da maternidade


Deixe um comentário

Me engana que eu gosto

IMG_1563

Chegamos no parquinho. Lá brincavam duas crianças: uma menina de 10 e um menino de 12. Eu me aproximo com a cria e a menina começa a conversar comigo:

Ela: Oi! Eu sou Fulana e esse aqui é meu amigo Cicrano. Ele não é daqui e não fala nenhuma palavra de inglês!
Eu: Ah é? E que língua ele fala?
Ela: Francês.
Eu: Legal. E você, tambem fala francês pra conversar com ele?
Ela: Sim! Quer ver?

E começa a conversar com ele.
Mas aquilo não era francês – nem no Canadá, nem na França. Eles falavam o embromês. (Logo comigo!)

Eu: Err… Desculpa interromper… Vocês estão conversando em francês, é?
Ela: Sim! Quer saber o que ele disse? Eu traduzo pra você!
Eu: Não, não precisa não… Eu falo francês!

Eles olham um pro outro com o olho DESSE tamanho.

Ela: VOCÊ fala francês????
Eu: Falo.
Ela: Então fala!

E começo a falar português.

Eles me olham com mega cara de espanto e falam quase juntos:

– Nossa, ela fala francês mesmo!!!!

E saem correndo feito doidos.

Uns minutos depois, vou conversar com uma mulher e descubro que é a mãe deles. São irmãos, esses traquinas.

E voltei pra casa imaginando as peças que Nic e Lily ainda vão tentar me pregar.

Ou quem sabe, as que EU vou pregar neles! ;)

‪#‎MeSentindoConfiante‬


2 Comentários

As motos, os carros e a falta de planejamento urbano

IMG_0881Diálogos na estrada:

Nic: Mamãe, quando eu tiver 20 anos posso ter uma moto?
Eu: Poder, pode, mas EU acho meio perigoso.
Nic: Por que?
Eu: Porque a moto só tem duas rodas, então cai fácil. Melhor ter um carro, que tem quatro rodas.
Nic: É!!! E se eu ‘ter’ um carro, vou ter duas motos, ne? Muito melhor mesmo!!!

———

Nic: Mamãe, quem fez as ruas?
Eu: As pessoas.
Nic: Por que?
Eu: Porque quando elas construíram os carros, viram que precisavam das ruas pra andar com eles.

Depois de uns minutos de silêncio reflexivo.

Nic: Mas por que elas construíram os carros se nem tinha rua? Elas não pensaram?

#nicolas #quase5anos


8 Comentários

A neve, a gripe e benzadeus esse menino!

IMG_0675

A gente chega em casa depois da escola e o Nic pede pra brincar no quintal. Acontece, que lá fora tá fazendo 2 graus e a criança ainda tá se recuperando de uma gripe. Após muitas tentativas de convence-lo a entrar, eu apelo:

– Entra que eu te mostro o que eu comprei pra você! – falo sem contar que era um umidificador de ar.

E ele:

– Pra que você comprou alguma coisa? Eu já tenho tudo o que preciso!

Nem precisa falar que ele tá brincando lá fora. E eu não to nem um pouco preocupada, pois eu também já tenho tudo o que preciso: um filho consciente e um umidificador pras eventuais noites com tosse.

#Aos4anos


2 Comentários

As aranhas, o além e a Terra que não cresce

nic4a5m

Da Série: Diálogos que não quero esquecer

Nic (aos 4 anos e 5 meses): Mami, as aranhas morrem?
Eu: Morrem.
Nic: E os passarinhos?
Eu: Também… Tudo morre um dia.
Nic: Como? Como que os passarinhos morrem?
Eu: Eles vão ficando velhinhos, fraquinhos, até morrerem.
Nic: E se a gente der comida pra eles?
Eu: Morrem mesmo assim… Não por falta de comida, mas por que estão velhinhos… Ou doentes…
Nic: E a gente? Também morre?
Eu: Sim, meu bem, a gente também.
Nic: Quando?
Eu: Nao sei.
Nic: Primeiro a gente vira criança grande, depois adulto, depois vovô e aí morre?
Eu: Em geral, sim.
Nic: E porque que a gente morre?
Eu: Porque se a gente não morresse não teria lugar pra todo mundo na Terra. Já viu o tanto de bebê por aí?
Nic: Sim.
Eu: Então, imagina se só nascesse e ninguém morresse? Não ia ter lugar pra todo mundo!
Nic: E se a Terra crescer? Grande assim – diz abrindo os bracinhos -, pra caber todo mundo? Aí a gente não morre?
Eu: Seria bom, né? Mas a Terra nao cresce mais não, querido.
Nic: Mas depois que morrer, a gente fica onde? A gente morre de novo? E se alguém ‘trazer’ e ‘viver’ a gente outra vez?
Eu: Eu não sei bem o que acontece depois que a gente morre não… mas acredito que a gente continua vivendo… em algum lugar…

Ele sorri.

Nic: Mamãe?
Eu: O que?
Nic: Eu tô muito feliz que a gente tá vivo!

* * *

Esse diálogo incrível aconteceu enquanto eu preparava o café-da-manhã e ele brincava de carrinho. Começou do nada e eu não alterei nenhuma palavra.

Ah, sim, claro que abracei ele muito!!!


27 Comentários

A surdez seletiva, o caminhão com lama e o eco materno

Aconteceu num daqueles raros momentos em que consigo mergulhar tão completamente no meu trabalho, que qualquer conversa ao meu redor soa como uma aula da professora do Charlie Brown.

O máximo que consigo escutar, algumas vezes, é a última palavra de cada frase. Máximo. Tudo o mais é caótico, embolado e ininteligível.

Numa dessas, chega meu menino Nicolas.

cena1_nicolilandoporai

Ele tem um plano audacioso em mente, mas decide sondar o terreno e avançar com sua tropa com cautela.

E me pede pra brincar com um caminhão que eu tirei de circulação por um mês, há uns dias atrás, por motivo de mal comportamento. Não do caminhão, do Nicolas – que fique bem claro.

cena2_nicolilandoporai

O Nic sabia que em situações normais eu não cederia, mas como balbuciei qualquer coisa vaga e não disse “não” de cara, seu peito se encheu de esperança e prosseguiu. Me perguntou se tudo bem pegar uma cadeira pra alcançar o caminhão lá encima do armário.

Eu só escuto que ele quer pegar uma cadeira. Pois que mal há em se brincar com uma cadeira, gente!!! Prossiga, jovem criança!

E dou o passe livre.

cena3_nicolilandoporai

Ele se empolga.

cena4_nicolilandoporai

Mas suas palavras entravam nos meus ouvidos de forma distorcida e enfadonha. Era como se eu estivesse escutando um advogado gago tentando me explicar o histórico do sistema jurídico e tributário ao fazer meu imposto de renda. Tá brincando? Me dá logo esse documento que eu assino!

Com isso, a imaginação do meu pequeno deslancha enlouquecida.

cena5_nicolilandoporai

Totalmente sem limites.

cena6_nicolilandoporai

E sem me dar conta, assino o documento autorizando a transferencia de todos os meus bens pra um estranho.

O Nic sai correndo radiante.

cena7_nicolilandoporai

Tão radiante, efusivo e satisfeito, que chego a desconfiar que alguma coisa estivesse errada.

cena7A_nicolilandoporai

Pra imediatamente descartar ideia tão absurda!

Imagina!!! Ele não passa de uma criança de gostos simples, feliz por conseguir permissão pra ir ao banheiro, depois tomar água!

Graça de menino!

cena8_nicolilandoporai

Até que um tempo depois, algumas palavras começam a voltar, irradiando como um eco na minha cabeça.

<<Taí uma habilidade que muitas mães têm, mas ignoram: a habilidade de ouvir ecos de um passado não tão distante.>>

cena8A_nicolilandoporai

E sou atingida por uma realidade estarrecedora.

cena9_nicolilandoporai

Meu filho podia estar naquele mesmo momento, construindo uma elaborada rampa pra brincar com um caminhão cheio de lama no meu banheiro!

E saio correndo descontrolada.

cena10_nicolilandoporai cena11_nicolilandoporai cena12_nicolilandoporai

Chegando justo em tempo de evitar o pior.

cena13_nicolilandoporai

Claro que:

– Dona Lily não tava nem aí pra festa da lama que estava prestes a acontecer.

– O Nic ficou meio decepcionado, mas entendeu que tava mesmo bom demais pra ser verdade. E brincou horas com o caminhão cheio de lama lá fora.

– E eu? Bom, eu tenho me esforçado muito mais pra ouvir cada palavra do que dizem quando estou trabalhando.

cena14_nicolilandoporai

A-HÁ!! Achou que eu não fosse escutar, né?

Pois agora fiquei esperta!

cena15_nicolilandoporai

cena16_nicolilandoporai


25 Comentários

Hoje ele faz 5 anos. Me abraça?

Tudo começou no dia 18 de Outubro de 2008, quando me tornei mãe.

MÃE.

Nossa, me dá até um saracotico na espinha de lembrar.

Escapando do Jeho (2)

Mãe de um menininho de bochechas rosadas que de início era muito chorão, mas que depois se revelou a criança mais risonha, divertida e companheira que eu poderia sonhar em ter ao meu lado.

2. Lahaina (15)

De um menininho que nasceu de um parto difícil, que deu muito trabalho pra dormir, pra comer e desfraldar, mas que hoje me faz entender que tudo isso foi necessário pro meu amadurecimento como mãe DELE; que ao invés de tentar mudá-lo, eu tinha que mudar a mim mesma.

IMG_5295

De um menininho que sempre foi muito esperto e inteligente, mas que aos 2 anos de idade teve o terrível azar de ser filmado num dos grandes deslizes de sua tenra infância: o dia que ele caiu igual um patinho no famoso Método de Psicologia Inversa (MPI), método este, aplicado com brilhantismo por sua sagaz progenitora (apesar da filmagem em vertical comprovar o contrário… mas vá, dá um desconto, aqueles eram outros tempos)

no hotel, fascinado por rodas

Um menininho que sempre foi completamente fascinado por carros e máquinas, mas que nem por isso, deixa de ter um lado sensível e imaginativo, que aos 3 anos de idade conseguiu explicar como surgiram as estrelas-do-mar.

Eu sou a feliz mamãe de um menininho que me emociona todos os dias com suas questões sobre a vida, a morte e suas observações sobre as pessoas. Um menininho que nunca deixa de me cobrar pra eu agir de forma coerente com o que eu ensino pra ele, que fica bravo toda vez que quero apertar a Lily e que me comove com seu jeito simples de ver as coisas.

IMG_4865

Desse menininho inocente, carinhoso e perceptivo, com o qual tenho diálogos tão incríveis todos os dias que custo a acreditar na minha sorte como mãe dele.

Eu: Nicolas, o que você quer ser quando crescer?
Nic: Lenhador!
Eu: Por que?
Nic: Porque eu quero construir casas de madeira e matar o lobo mau!
Eu: Nossa, que corajoso!
Nic: Tudo bem, mamãe, porque quando eu ‘ser’ lenhador ja vou ser grande e forte!
Eu: Ah é? E quantos anos você vai ter?
Nic: 100!!!

IMG_5063

Eu sou a orgulhosa mãe desse menininho que hoje faz 5 anos! E espero de todo o meu coração que ele cresça feliz, saudável e realize todos os seus sonhos, mesmo que seja o de viver até 100 anos pra começar sua vida de lenhador. :)

Feliz aniversário, meu menininho Nicolas! Que você nunca perca essa sua leveza, seu sorriso lindo e a simplicidade no seu coração.  Mamãe te ama e te admira desde sempre!

________________

Ah! E tem mais:

A linda história contada pela professora do Nicolas e que me fez debulhar em lágrimas e traumatizar pra sempre 15 criancinhas inocentes

A ilustração de comemoração dos 5 anos com seus melhores amiguinhos


41 Comentários

Vi monstro, escrevi livro, virei travesseiro, mas queria mesmo era ser o Mussum

Eu tinha 5 anos quando vi meu primeiro monstro, o Nic tinha pouco mais de 4 quando começou suas primeiras perguntas transcendentais e a Lily tinha 14 meses quando resolveu me fazer de travesseiro.

Tudo no mesmo nível de importância. Aparentemente.

Ver monstro pra mim era coisa trivial, todo dia eu via um. O Monstro de Bolinha foi o primeiro, com uns 4 metros de altura ou mais, todo feito de bolinhas brancas empilhadas – até simpático, ele. Me apareceu em plena luz do dia, no quintal da minha casa. Olhei pra ele e saí correndo, que não sou boba, mas meu medo mesmo era daquelas bolinha tudo desmoronarem no chão e me derrubarem feito boliche. Ou quase, já que seriam várias bolinhas pra um pino só. No caso, eu.

Isso sim, teria sido loucura.

Eu&irmaos

Estaria meu irmão vendo o Monstro de Bolinha?

Depois dele, virou festa. Passei a ver extra-terrestres, monstros peludos no telhado, passarinho voando com uma asa só (tenho quase certeza), monstro pernicioso que atravessava a porta de vidro da nossa casa mesmo com ela fechada (e minha mãe insistia que era sombra da árvore. Aham, sei.), e cheguei até a ouvir barulho de estrela piscando. Coisas desse naipe se tornaram tão comuns na minha infância, que me pareceu normal criar pra mim mesma um passado alienigena e até escrever um livro de terror aos 13 anos de idade. Believe me.
photo

Uma história sinistra, sobre um baú secreto escondido num porão obscuro. Onde estará?

Acho que por causa desse meu background tenebroso, cresci destemida e corajosa, sabe? Nunca nada me assustou nessa vida. Exceto baratas. E marimbondos. E lugares altos. E pessoas que adoram contar como gostam de lugares alto. E galinhas da Angola (vem me dizer que não são assustadoras!). Ah claro! E o bonitão da bala Chita.

1067612867_f[1]

Como não?

Hoje em dia, eu adoro filmes de terror e suspense, mas confesso que nada me dá mais frio na barriga, que as perguntas que meu filho anda me fazendo. Não existe hora certa pra perguntas difíceis, né? Não importa o quanto a gente já pensou e ensaiou as respostas, elas sempre nos pegam desprevenidos. Ultimamente, ele tem escolhido justo quando estou fazendo comida e jogando Candy Crush simultaneamente (pra não dizerem que perco tempo com joguinhos).

Ele começa assim “Mamãe…” com uma vozinha super doce e fofa como quem vai dizer “você é a melhor mãe do mundo”, mas ao invés, completa com um”por que que a gente morre?” ou “como os bebês são feitos?“.

Isso sim, é de estremecer qualquer estrutura.

Me dá um Monstro de Bolinha sentado no murinho da cobertura de um prédio de 200 andares comendo um saco de bala Chita, mas não me pergunta porque que a gente morre, que isso me mata.

* * *

Pra completar, noite dessas, dormi toda enrolada feito uma lagarta pronta pra virar borboleta. Em certo ponto da noite, quando já estava quase amanhecendo, comecei a sentir um determinado incômodo, um desconforto. Eu ainda estava semi-dormindo, mas sentia que algo me atrapalhava, me imobilizava. Eu tentava me virar e não conseguia. Mexer a cabeça, não dava. Freddy Krueger, é você? – sonhei. Acordo com o clique de uma câmera fotográfica, um hi-hi safado bem baixinho, até que vejo a mão do Rafa se estendendo na frente do meu rosto me mostrando a cena da qual eu fazia parte.

Essa.

travesseiro

Um travesseiro sobre o outro

Nesse momento, me dou conta no que eu havia me transformado: um mero travesseiro. Pra minha filha. Que nunca havia dormido. Tão. Bem.

* * *

A mesma filha, que aos 16 meses já fala VÁRIAS palavras. Tipo, umas cinco. E que ao invés de “Nei”, como ela costumava chamar o irmão Nicolas, agora chama ele sabe de que?

Eu: De-dé! A Lily agora chama o Nicolas de Dedé, acredita? Assim que nascem os apelidos bizarros nada a ver.

Rafa: Pois é, o meu era “Coté”, por causa da minha irmã Fernanda.

Longa pausa pra me recuperar de tanto rir.

Eu: COTÉ? CO-TÉ? Tem certeza?

Rafa: Eu já tinha te contado isso, sua boba.

Eu: Eu sei, mas é sempre bom tirar sarro da sua cara! Coté é pior que Dedé, cá pra nós! O Dedé era sem graça, mas pelo menos era um dos Trapalhões. Você teria tido mais sorte se ela tivesse te chamado de Tião Macalé. Melhor que Coté, né não?

Rafa: Ha-ha.

Eu: E sabe como a Lily tá se chamando? Didi! Quer ver? Lilinhaaaaa! Fala “Lily”!

Lily: Didi!

Eu: Viu? O que deixa o Mussum pra mim e o Zacarias pra você!

Rafa: Por que o Zacarias pra mim? É você quem se amarra numa peruca!

Eu: Putz, falou tudo… E agora? Tava tão empolgada que eu fosse poder ficar falando “forevis” e “cacildis” o dia todo!

Rafa: Que pena.

Eu: E coraçãozis.

Rafa: É né?

Eu: E Nicolilandis por aízis.

Rafa: (…)

Eu: E Lucianis, e Lilis, e Nicolis.

Rafa: Você não vai parar, vai?

Eu: E Rafis…?

trapalhoes

Juro. Ainda preferia ser o Mussunzis


118 Comentários

Os leitores, as leitoras, o leiteiro e o meliante do Havaí

Você aí, não me leve a mal, mas tem cada figura que aparece aqui pelo meu blog, que vou te contar, viu?

Vou nem considerar a galerinha do “ótimo post, como faço pra mudar pro Canadá?” ou “adorei seu blog de moda, que tal publicar um post com meu link?” ou então “olá nicolilando, você estaria interessado em divulgar nosso produto?” (tá falando com meu blog? vou esperar ele te responder então), que esses tipos são mais raros, né gente? Felizmente, a maioria é só pessoal bacana e educado.

Inusitado foi uma vez, quando eu, certamente com milhões de coisas pra fazer mas claramente optando por focar as prioridades, fui dar uma olhada nas estatísticas do blog nicolilento. Comecei a analisar por onde chegam, por onde saem, como chegam, porque diabos leem esse blog, quando caio nas buscas do Google que trouxeram parte dos leitores naquele dia. Passo os olhos no de sempre: “viagem de avião com criança”, “relato de parto”, “castelo de caras” (haha), “morar no Canadá”, “como pegar mulher no Havaí”, “bebê com refluxo”.

– Cumé?

Rebobino os olhos e leio de novo: COMO PEGAR MULHER NO HAVAÍ?

E quase caio no chão de tanto rir. Certamente o figura, passando por um dramático período de vacas magras no paraíso do ula-ula (quem nunca?), resolve pedir ajuda pro Seu Google na esperança de que o oráculo lhe forneça uma fórmula mágica pra aliviar seu… hm, hm… probleminha, e vai parar onde? Num blog materno, minha gente.

Pobre criatura.

O post que o trouxe até era sobre o Havaí, nem pense que não. Mas nem preciso dizer que o tema geral passava léguas de distância do que ele procurava, né? Mesmo porque, se tivesse o minimo a ver, minha sugestão seria que ele começasse riscando do seu vocabulário termos pejorativos como “pegar” quando se referisse a mulheres, já que continuando assim, grandes chances de que a única coisa que ele continuaria pegando seriam somente ONDAS… Como ele mesmo falou!

Sim. Porque 5 minutos depois de eu analisar a estatísticas, me chega um comentário DELE no post ula-úlico.

Não, ele não deixou o nome verdadeiro. E não, ele não mencionou estar tendo dificuldades de… hm… entrosamento com a comunidade feminina. Aliás, ele deixou um comentário até bem simpático, viu? Mas mesmo assim, tive tremenda dificuldade em desvincular o comentário bacana da informação prévia que eu já tinha sobre a pessoa.

Não que isso seja da minha conta. Mas não é bizarro? Eu saber de um apelo tão intimo de alguém que nunca vi, mas calhou de passar pelo meu blog? E se essa mesma pessoa estivesse confessando um crime, gente? Tipo “matei meu chefe no Havaí, como me safar?”. E ao invés do nome fictício tivesse deixado o nome verdadeiro? O que eu faria?

E como não pensar em quantas vezes ficamos sabendo de coisas super constrangedoras de pessoas que nem sonham que a gente saiba? Quantas pessoas você já pegou dando aquela cutucada no nariz sem saber que estavam sendo observadas? Quanta coisa o Seu Google e toda sua equipe geek saberão sobre nós com base nas nossas buscas desesperadas? E por último, mas não menos importante: mulheres do Havaí serão realmente tão difíceis assim?

São muitas, muitas perguntas.

* * *

E aproveitando o ensejo, gostaria de dizer que se alguém aí for dono das seguintes buscas no Google e quiser se pronunciar nos comentários, agradeço, viu? Olha o que eu encontrei aqui:

“Não durmo há 3 anos”
“Cansei de ser descabelada e com olheiras”
“Fui à pedicure com a meia furada”
“Quero um adesivo de parede da Cuca”
“Como derreter o coração de uma mulher pelo Face”
“Tenho atração por mulher de peruca”
“Procuro famílias naturistas”
“Vídeo pornô da Lucy”

Gente? Tá, os primeiros eu até entendo, mas “famílias naturistas e video pornô da Lucy”? Como assim? Como alguém digita isso no Google e chega aqui no meu blog? Sou só eu ou vocês também acham que estou precisando pensar um pouquinho mais antes de escrever meus posts?

* * *

Mas enfim, o que eu queria mesmo com esse lenga lenga todo era agradecer, sabe? Afinal, esse blog nunca teve tantos leitores como hoje em dia! Independente de como você chegou aqui, muito obrigada pela visita (bom, exceto se você é a pessoa que hipoteticamente cometeu o crime no Havaí, óbvio). Obrigada pelos comentários, pelos emails ótimos que me fazem sentir mais próxima de cada um, pela interação divertida no facebook. Obrigada às pessoas que comentam aqui e na lalelilolu sem se darem conta que a palhaça e a ilustradora são a mesma pessoa (preocupa não, já fiz isso também!).

Obrigada também, àqueles que leem quietinhos mesmo sem nunca deixarem um comentário. Aliás, que tal deixar um hoje? Nem que seja só seu nome e onde mora? Gostaria muito de te conhecer também! E ó, não fica com medo de eu descobrir que você chegou aqui por ter digitado “me apaixonei pelo leiteiro” não, viu? Os casos em que consigo fazer essa relação são raríssimos e normalmente não tenho a menor ideia de como os leitores novos chegam aqui!

Agora, caso você realmente tenha chegado aqui por conta de uma paixonite com o leiteiro, colega, saiba que isso é algo que até meu próprio marido desconfia, haja vista que ninguém mais nas duas famílias tem os olhos azuis da caçula – exceto pelo bisavô dela, imagine.

– É do padeiro? – pergunta ele depois de olhar longamente pra Lily.
– Padeiro? Não, ele nunca me deu bola.
– Do açougueiro?
– Claro que não, você sabe que não gosto de homem com bigode.
– Ah, então deve ser do leiteiro!
– Hm, sabe que tem chance?

E a gente ri.

– Bom, vamos parar de jogar conversa fora que tenho que publicar esse post. Afinal. depois é ferias, né?
– Você só volta a escrever no blog no outro ano, amor? Sabe que me divirto com seus posts.
– Eu sei. Mas acho que você só lê tudo porque tem medo que eu fale mal de você, não? E  sim, muito provável que post novo só ano que vem.
– E o pessoal nao acha ruim?
– Não te falei? Eu tenho um ou outro leitor estranho, mas em geral todo mundo é super bacana!
– E o meliante do Havaí?
– Ah não. Menos ele. Claro.

* * *

É isso, gente! Um SUPER Feliz Natal pra todo mundo, tá? Beijoca no nariz de pipoca!

PS: E não se esqueçam de se pronunciarem quanto às buscas do Google. Tô me coçando pra saber quem chegou aqui procurando esse tal de pornô da Lucy! ;)

UPDATE: Tive um ótimo insight pra resolver a trama e fortemente desconfio que o leiteiro, o pegador de ondas, o meliante e o fã da Lucy sejam a mesma pessoa. Faz o maior sentido, gente! Expliquei tudo ontem, na Fanpage. CORRE LÁ!


18 Comentários

The incredibles

BABY LILY

6 semanas de vida, 6 cm mais alta, cheia de baby acne no rosto e cada vez com mais cabelo na cabeça.

Super poderes: doçura e braveza na mesma medida. O primeiro te derrete, o segundo te apavora – ambos te desarmam. Ela começa te olhando com meiguice, depois segura seus dedos com aquelas mãozinhas pequenas, emite sons delicados como “grrrr” ou “agu”, solta gritinhos e te abre aquele sorriso lindo e banguela. Quando você está completamente tomado por tanta doçura, ela te surpreende com o maior escândalo que você já presenciou. Sem entender o que você fez de errado, você vira e descobre que a mamãe acaba de passar no cômodo ao lado e que a tigresinha-sempre-faminta conseguiu farejar o leitinho amado, ainda que a léguas de distância. Se a mama de ferro não vem imediatamente, ela grita, leva as duas mãozinhas na boca e chega quase a perder o fôlego de tanto chorar.

Seu lugar favorito na casa é encima do trocador e olhando pra parede vazia.

Outras características: ama um colo (as vezes não mais que o trocador), odeia andar de carro, adora ficar no sling – mas SÓ pelas manhãs, adora tomar banho de balde e acha que chupeta é para os fracos (sim, mamãe confessa que tentou).

Já foi chamada de: Branca de Neve, Lilica, Liloca. Mas o irmãozinho prefere princesinha, florzinha, mamona (que mama muito), além dos conhecidos Lilys e Lilinha.

Maior disparate ouvido: Se durante a gravidez sua mãe tomou loção do Vicentino. Cara-de-pau, viu? :)

* * *

Olha, o M de Mamãe!

MENINO NIC

3 anos e 5 meses de vida, exibe “traços” de hiperatividade, curiosidade excessiva e total carinho pela irmã

Super poderes: NUNCA se cansa de perguntar, nem de correr, nem de pular.

Sobre ele: Sorridente, inteligente, cooperativo. Adora ajudar na cozinha, tem medo de mosquito mas não de urso, consegue tirar e vestir suas roupas sozinho (tudo bem que ontem ele vestiu a calça ao contrário – a partir das pernas!), monta facilmente um quebra-cabeças de 24 peças, sabe todas as letras do alfabeto e citar pelo menos uma palavra que comece com elas, reconhece os números escritos até 10, vai ao banheiro sem ajuda (embora agora tenha voltado com as escapadas de xixi ), dorme no seu quarto sozinho e ao amanhecer se levanta e vai quietinho pro quarto da mamãe, adora brincar com a Lily, embora ainda não consiga controlar sua força pra encostar nela. Não se adaptou na escolinha, mas adora fazer Taekwondo.

Ama cantar, falar e perguntar. Pergunta o tempo TODO.

– O que a gente vai fazer agora? – ele pergunta

– Fazer comida.

– E depois?

– Ir ao banheiro.

– E depois?

– Lavar as mãos.

– E depois?

– Almoçar.

– E depois?

– Não sei, Nic. O que você sugere?

– E depois?

– Não sei.

– Mas e depois? Responde, mamãe!

– Chega, Nic, cansei.

– Comer sobremesa?

– Se almoçar tudo, sim.

– E depois?

(não, não tem fim)

*

– O urso entrou no nosso quintal?

– Entrou.

– Por que?

– Porque ele acordou da hibernação e estava com fome.

– Pode entrar no nosso quintal?

– Não.

– Não? Então porque que ele entrou?

– Porque o portão estava aberto.

– Pode ficar aberto?

– Não, mas acontece.

– Pode acontecer?

– Como assim, Nic? Sim, pode acontecer.

– Porque?

(…)

* * *

PAPAI INCRÍVEL

Super poderes: o maior é o de desaparecer por 10 dias a 2 semanas. No momento tem viagens programadas pra Argentina, Ghana, Finlândia. Começa ainda esse mês. Outros: paciência gigante pra ler a mesma história pro Nic todos os dias, colinho super aconchegante que faz a Lily parar de chorar mesmo durante uma crise de cólica. Ajuda na faxina de casa como ninguém.

* * *

MAMÃE ELÁSTICA

Super poderes: É capaz de se esticar até alcançar qualquer objeto com o pé enquanto baby Lily dorme no seu colo, consegue fazer almoço, amamentar, inventar uma historinha na última hora, checar os emails e ainda dançar o tchá-tchá-tchá – tudo ao mesmo tempo, tem visão de 360 graus, se faz de invisível (e surda) quando necessário, consegue dormir profundamente mas surpreendentemente, continuar escutando, entendendo e reagindo a tudo o que escuta.


9 Comentários

e a mamãe, é tine?

Se tem uma coisa que sempre gostei nessa vida é de tomar chá. Comecei tomando o chá mate que minha avó fazia (numa daquelas chaleiras super bacanas que apitam), mas só fui tomar gosto mesmo, a ponto de tomar todo dia, quando eu morei na Austrália. Sim, porque eles podem não ter herdado patavina do sotaque dos ingleses, mas sem dúvida herdaram a paixão por chá.

Pode reparar, em qualquer lugar que você for na Australia – seja num restaurante de beira de estrada, num posto de saúde do bairro ou numa festinha de criança cheia de balões coloridos – bem lá num cantinho vai ter uma mesinha com água quente e teabags pra você preparar o seu. Aliás, ai da brasileira orgulhosa que cismar de fazer festa pra cria e encher a mesa de brigadeiros e enfeites mil mas nenhum chá – de repente ela vai olhar e ver as australianas todas se pirulitando dali em busca de um lugar que lhes sirva uma boa xicara de earl gray, ao invés de umas bolinhas marrons esquisitas.

* * *

E como não podia deixar de ser, Nic, menino nascido em terras dos cangurus (ou cuiúiús, como ele diz), também adora um chá. O preferido dele (TALVEZ por que seja o único que a gente dá pra ele tomar – oi?) é o de erva-doce. Gosta tanto que além de tomar muito, também quer dividir o chá com seus maiores ídolos nesse mundo – os seres de rodas.

– Olha, mamãe, Nicolas tá dando um monte de cháS pros carrinhos.

Ah sim, notou o plural? Nic agora virou o rei da conjugação. Não lhe escapa uma!

– Mamãe, oS caminhÕES estÃO passandoS na rua!

– Olha! OS dois carrinhoS caiuS!

– OS fogoS estÃO queimando muito o carro! Mas o caminhão de bombeiro TINE vai salvar.

Ops, dá pra voltar aí? “Tine”????

Pois é, também não sei que que é não. Nic inventou essa palavra, assim como outras cinco mais. Acho que como estratégia pra suprir o que lhe falta ainda em vocabulário, sabe? Ele sabe O QUE quer dizer, mas não sabe COMO, então inventa. Já tentei investigar mas ainda não sei bem o que vem a ser o tal de “tine”.

– O que é tine, Nic?

– É o carrinho.

– Esse aqui?

– Não, esse não. O verde.

– Ah, o carrinho verde é tine… E o trator amarelo é tine também?

– Não, não é tine não!

– E o caminhão de lixo?

– É!

– É?! E a mamãe, é tine?

– Não!

– E o papai?

– Não! Só carrinho é tine.

– Ah! Então aquele carrinho de corrida ali é tine?

– Não, só carrinho tine é tine.

Viu só?

Mas daí, que ontem chegou aqui em casa um embrulho especial, vindo de uma querida amiga lá dazinglaterra. E o que que ela mandou pra gente? Só coisa boa: livros, cartinha, desenho, chá (eeeehhhh!!!) e um carrinho preto pro Nic, que quando abriu a embalagem gritou:

– Uau! Um carrinho tine!!!!

Ou seja, “tine” SÓ pode ser bom.

(O que me deixa aqui pensando porque será que nem eu nem o Rafa somos “tines”… Humpft!)

* * *

E eu, que sou passada de tudo (too much tea?) contei que Nicolas estava doente, mas nunca voltei pra dizer que ele melhorou. Sim!!! Melhorou! Foram 8 dias de sofrimento pra ele e pra gente. 8 dias sem ele comer NADA, nem um grão de arroz e vomitando TUDO o que bebia de tanto tossir, inclusive os remédios. Tem noção do sufoco? A pancinha dele que em geral é uma bolinha (não me pergunta como) tava esmilinguida de dar dó. Assim como nosso coração, né? Foi uma correria de médico, hospital, raio-x, suspeita de broncopneumonia e lá fora, só chovendo e fazendo frio. Aqui dentro, troca lençol, lava lençol, troca roupa vomitada, lava roupa vomitada. MAS passou!!! Nicolas voltou a ficar coradinho e com a pancinha roliça de sempre!

Mas agora, o que mais me espantou nesse período que ele ficou doente foi perceber que a mania de limpeza e organização que ele tem superou todo e qualquer incomodo de vomitar sem parar.  Sim, porque Nicolas é daqueles que não pode ver um pedaço de roupa sobrando pra fora da gaveta que ele vai lá arrumar. Nem um tapete meio bagunçado ou uma porta do armário aberta. Só o que eu não esperava era vê-lo vomitando e falando enquanto vomitava: quer limpar, mamãe! Quer limpar!

Tadinho, gente… Mas que Deus conserve essa qualidade, viu? :)

* * *

E aproveitando que eu não passo aqui todo dia, vou deixar aqui também meus parabéns pro meu irmão que casou!!!! O convite foi enviado pra cá há mais de um mês atrás, mas só chegou aqui no exato dia do casamento. E eu achei o convite tão lindo, tão fofo, tão a cara desses dois doces-de-coco, que se não faltasse só 3 horas pro casório eu teria pegado o primeiro avião e ido dar um abraço neles. Mas fiquei sabendo que a cerimônia foi maravilhosa, que a Ana entrou na igreja dançando e que foi uma choradeira geral… Ou seja, só pode ter sido um casamento TINE, né? Felicidades pra vocês, meus amores! Beijos de todo mundo aqui!

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 572 outros seguidores